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Brasil mantém embaixadora nos EUA - BP 1123

07 de agosto de 202629min
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Após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira em Washington, o Itamaraty decide mantê-la no cargo, transformando o episódio em mais um capítulo da deterioração das relações entre os dois países. No episódio, analisamos o significado diplomático dessa decisão, as alternativas disponíveis para Brasília e Washington e os possíveis impactos para a agenda bilateral. Também discutimos a aprovação, por Uganda, do envio de tropas para Gaza a pedido de Donald Trump e as ameaças do Irã contra aliados americanos no Golfo, em meio à continuidade da crise regional.
Falamos ainda sobre a decisão do governo Trump de devolver US$ 100 bilhões arrecadados com as tarifas do chamado "Dia da Libertação" e a nova rodada de retaliações comerciais anunciada pela China às vésperas da visita de Xi Jinping a Washington, em mais um momento de tensão entre as duas maiores economias do mundo.
Na Geleia da Shakira, agentes de um aeroporto no Alabama encontram balas de canhão da Guerra Civil Americana dentro da mala de um passageiro.
#Brasil #EstadosUnidos #China #Irã #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Relação Brasil-EUA e Eleições· PoliticaVisto Embaixadora Brasileira·Revogação de visto·Marco Rubio·Donald Trump
  • Guerra comercial EUA-China· InternacionalDevolução de fundos·Suprema Corte dos EUA·Xi Jinping·Restrições tecnológicas
  • Guerra em GazaUganda envia tropas·Força multinacional·Donald Trump·Idi Amin Dada
  • Segurança de americanos no Golfo PérsicoAmeaças iranianas·Estreito de Ormuz·Arábia Saudita
  • Balas de canhão em aeroportoGuerras Americanas Historicas·Aeroporto de Alabama·Fort Morgan
Transcrição21 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1123. Estamos gravando uma live no YouTube do PetiJornal, são exatamente 17 horas e 28 minutos. Quinta-feira, 6 de agosto de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy vírgula o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, mais tarifado, mais tarifado, mais tarifado, afogado em tarifas, deprimido, preocupado com insônia e viciado em brigadeiro de colher toda madrugada.

Aliás, Tanguy, tenho recebido muita solidariedade, repasso essa solidariedade a você. Por esse vício que realmente você desenvolveu diante desse contexto internacional absolutamente pantanoso e imprevisível, o professor Bagdadi buscou refúgio no brigadeiro de colher em plena madrugada. Temos também Daniel Souza, aqui esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias. E pergunto: como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para mais um episódio, para esse bate-papo 1123. Estava com saudade da nossa gravação aqui, não tivemos episódio no dia de ontem. Nós estávamos em Garibaldi, Rio Grande do Sul. Fica um abraço para todo mundo que teve no evento com a gente lá. O dia foi agitado, conturbado e tal, não conseguimos gravar, mas deixa aqui um abraço pro pessoal. E que bom que vocês estão de volta aqui com a gente.

Para mais um episódio. Daniel Souza, eu me entreguei, é verdade, ao brigadeiro na geladeira durante a madrugada. E sei que você também buscou refúgio, Daniel, em outras questões muito complicadas, como por exemplo leite condensado dentro do café. Isso já foi compartilhado aqui. Então agradeço aos nossos ouvintes pela solidariedade, pela, pela mão amiga que é estendida a todos nós. E a gente vê como é que a política interna, que que o mundo faz com a gente, né, Daniel Souza?

Cada um com seus problemas aí. Daniel Souza, eu queria começar o nosso episódio voltando a um tema que a gente abordou no nosso último episódio, né, que a gente gravou 2 dias atrás, e que durante o episódio, na hora que a gente ia começar a gravar o episódio, saiu a notícia de que o governo dos Estados Unidos ia retirar o visto da embaixadora brasileira em Washington, né, a Maria Luísa Viotti. E naquele momento não ficou muito claro o que que isso queria dizer.

Ela ser expulsa, ela teria que sair de lá, ela ia poder permanecer, como é que funcionaria isso exatamente. E 2 dias depois, né, a gente tem um quadro um pouco mais transparente, um pouco mais nítido, né, exatamente do que que é. E segundo o governo brasileiro, a embaixadora será mantida nos Estados Unidos mesmo depois da decisão do governo, do Departamento de Estado, né, do governo americano revogar o visto, né, pelo menos anunciar a revogação do visto.

Segundo o Palácio do Planalto, inclusive, Daniel, o visto não foi cancelado, tá? Isso foi confirmado também pelo governo dos Estados Unidos, e a diplomata não foi declarada persona non grata. Ou seja, é, você, quando você declara que alguém é persona non grata, essa pessoa tem que ir embora do país. Isso não aconteceu. Então isso significa que a Maria Luísa Viotti poderá continuar exercendo as suas funções e permanecer em território americano.

Onde é que tá o problema? O problema tá na possibilidade de, se ela sair dos Estados Unidos, ela pode ter problemas para voltar para os Estados Unidos. Então isso pode ser a dor de cabeça. O que a gente tava comentando aqui em off, Daniel, antes da gente começar a gravar, é que isso aqui é um recado que é dado pelos Estados Unidos. É muito mais uma forma de pressão. Tô pressionando aqui, ó, tô de olho, eu posso fazer coisa aqui que não são muito usuais e tal.

Mas a consequência prática, ela é relativamente pequena. O símbolo, ele faz diferença, tá? O símbolo, ele mostra ali que o momento é difícil, que o momento é complicado, que você pode ir adiante, você pode ir além do que tá acontecendo. Mas o fato é que não há um prejuízo imediato, o que impeça a Maria Luísa Viotti de seguir sendo a representante brasileira em Washington, a despeito do clima absolutamente deteriorado que a gente tem nessa relação.

Mas o problema mais prático é se ela sair. Então, se ela tirar férias e sair, se ela vier para consultar alguma coisa no Itamaraty em Brasília e voltar para os Estados Unidos, ela pode ter algum tipo de constrangimento. E os Estados Unidos reiteram, Daniel, que essa foi uma reação. Essa decisão dos Estados Unidos foi uma reação à demora brasileira para concessão do agrément, que é aprovação diplomática do Daniel Pérez, né? Então a embaixada, o cargo de embaixador, embaixada não, o cargo de embaixador, a embaixada continua funcionando, o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil ele tá vago desde janeiro de 2025, não tem ninguém.

Os Estados Unidos indicaram Daniel Pérez, né, para ser o novo embaixador, e o Brasil já tá algumas semanas sem resposta, né? Não deu resposta ainda. Não é exatamente uma obrigação do Brasil responder imediatamente, tá, Daniel? Não tem um prazo determinado e tal, mas os Estados Unidos estão no momento de não querer engolir esse sapo, querem que seja aprovado imediatamente e portanto reagiram dessa maneira. Mas fica aqui atualização, Daniel, de que isso não vai impedir o trabalho mais imediato da Maria Luísa Viotti, a despeito de uma sinalização de que a relação ela chegou num ponto muito, muito difícil entre Brasil e Estados Unidos.

DSDaniel Sousa

Agora, Tanque, é uma deterioração da relação do Brasil com a Secretaria de Estado, né? Isso fica bem claro quando a gente observa as movimentações Inclusive, circulou a informação no dia de hoje de que há uma tentativa de estabelecimento de uma conversa na semana que vem entre o presidente Lula e o presidente Trump. O Itamaraty percebe ali que há alguma simpatia do Trump pelo presidente Lula, mas que a política externa dos Estados Unidos para a América Latina foi entregue para o Marco Rubio.

O Marco Rubio recebeu a política externa para a América Latina na tomou aquilo como uma prioridade para si, o seu grande cartão de visita. Teve ali a captura, o sequestro do Nicolás Maduro, que pegou muito bem dentro do governo americano. Tem ali o embargo a Cuba para tentar virar o regime. Tem a eleição da Colômbia, a eleição do Peru, a eleição do Chile. Você tem ali uma série de governos de direita que têm se tornado um pouco mais afáveis aos Estados Unidos, e o Brasil acaba se tornando ali uma grande pedra no sapato da agenda do Marco Rubio, que quer ser o sucessor do Trump e quer se colocar justamente como alguém que enfrenta a esquerda no continente americano, alguém que está colocando ordem na casa, que está eliminando a influência chinesa na região.

Tem muita política nessa decisão. Nós temos no Brasil, nesse ano, eleições. Consequentemente, também há ali uma predileção por um dos candidatos, e isso tudo faz parte do pacote da decisão que o governo americano acabou tomando. O Marco Rubio, ele está um pouco escanteado em outras questões, como é o caso do Oriente Médio, por exemplo. Ele não está participando de maneira muito central nas decisões envolvendo o Irã, o Estreito de Ormuz, decisões que têm tido muito mais participação do J.D.

TBTanguy Baghdadi

Vance.

DSDaniel Sousa

E existe ali uma rivalidade entre os dois para saber quem é que vai ser o substituto do Trump. E, num certo sentido, agora o Marco Rubio tenta colocar: olha a lambança no Oriente Médio, culpa do J.D. Vance. Olha o que eu estou fazendo aqui na América Latina, sou muito melhor do que o J.D. Vance, posso ser o substituto. E o Brasil faz parte um pouco dessa política interna do governo dos Estados Unidos e da disputa pela sucessão de Donald Trump.

Interessante porque, nesses dias em que essa disputa aqueceu, o Trump voltou a surgir com aquela ideia: ah, e se eu estiver eventualmente disputando um novo mandato? Vejam vocês e tal. Por um lado, pode ser que ele esteja testando a ideia, mas, por outro lado, pode ser que ele esteja passando para os auxiliares a mensagem de que, olha, o presidente sou eu, tá? Então, eu continuo no cargo e não existe aí um substituto definido, e, consequentemente, não vou admitir um enfraquecimento do meu poder nesse momento.

É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e o Brasil, o maior país da região, a maior economia da região, um país que tem relações fortes com os chineses, um país que é membro do BRICS, o BRICS que agora aumentou muito de tamanho, acaba se tornando ali uma peça, digamos assim, também dentro de uma disputa interna do governo americano. Aliás, falando ainda sobre o governo americano, nós tivemos a divulgação da informação de que já foram devolvidos 100 bilhões de dólares, aproximadamente 60% do que foi arrecadado com aquelas tarifas do Dia da Libertação, do Liberation Day, de 2 de abril de 2025.

Aquele dia do tabelão, né, que o Trump apareceu lá na Casa Branca com aquele tabelão de tarifas que ninguém entendeu exatamente como aquilo tinha sido definido. Na prática, então, o governo americano já devolveu uma parte expressiva dos recursos e ainda tem ali algo em torno de 40% pendente de análise. É importante lembrar que, em fevereiro desse ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o Trump havia agido além da sua autoridade ao invocar justamente essas tarifas do Dia da Libertação, que eram tarifas recíprocas.

É importante também registrar que outras tarifas não foram revogadas pela Suprema Corte, como era o caso das tarifas específicas ali para o aço e o alumínio. De lá para cá, o Donald Trump dobrou a aposta, trouxe novas tarifas utilizando justamente uma nova justificativa legal. E o que está acontecendo, já está acontecendo, é que você tem um monte de estados americanos, aproximadamente 25, que já entraram na justiça de novo contra o governo americano, tentando derrubar essas novas tarifas.

E esse é o método de governar do Donald Trump. Me processa, me processa, as tarifas vão continuar rolando um tempão, e lá na frente, se eu perder, eu devolvo o dinheiro, e aí eu vou criar um novo subterfúgio, vou ter uma nova justificativa e vou colocar as tarifas de novo. Ou seja, do ponto de vista legal, você não tem como vencer o Trump, não tem como vencer, e ele sabe disso. Ele vai testando os limites da institucionalidade, ele vai testando os limites do seu poder e vai tentando ampliar.

Realmente esses limites. Me parece um equívoco do ponto de vista dos Estados Unidos enfraquecer a sua institucionalidade, algo que sempre foi tão importante para o país, e um equívoco para os Estados Unidos insistir nessas tarifas na medida em que você não vai conseguir reindustrializar o país como você promete, você vai pressionar a inflação e você vai distanciar de você uma série de aliados que seriam super importantes dentro de um contexto de crescente rivalidade com os chineses.

Mas, enfim, é a decisão do governo americano, sem aval do Congresso, judicializada de novo, e existe a possibilidade de, de novo, o governo americano ser derrotado e, consequentemente, ter que devolver um monte dessas tarifas que estão sendo cobradas agora. Mas, lá na frente, quando isso for decidido, você já manteve as tarifas por um tempão e já projetou aquela imagem que você queria projetar de alguém que está defendendo, que está lutando pelos interesses dos Estados Unidos, do operário americano, e tá lutando contra o establishment.

TBTanguy Baghdadi

Eu fiz um comentário rapidamente aqui no início do episódio que no dia de ontem, né, a gente tava lá no Rio Grande do Sul para participar de um evento lá, e o tema do evento era tecnologia, né. E a gente foi lá para falar um pouquinho sobre tecnologia geopolítica. E um dos elementos que a gente tratou ali foi a disputa entre Estados Unidos e China. Um dos elementos que a gente sempre menciona quando a gente fala sobre esse assunto, Daniel, é a disputa pelos dados, né?

Quem é que vai ter acesso aos dados? Sem qualquer tipo de ilusão, tá, gente, a China ela tem acesso aos dados dos usuários das plataformas, né, das redes chinesas, sem grandes limitações ao acesso a esses dados, o que para tecnologia chinesa é muito importante. E os Estados Unidos também. Os Estados Unidos estão tentando afrouxar cada vez mais, inclusive, os limites para ter acesso a dados. A questão é que essas plataformas, principalmente as americanas, elas não têm acesso somente a dados de cidadãos americanos, ela tem acesso também ao seu, você que tá nos ouvindo, aos seus dados.

Se você usa algum serviço, né, de alguma big tech americana, esses dados estão lá com essas big techs também, seja rede social, seja email, seja qualquer coisa. E é muito importante que você consiga uma proteção dos seus dados. Esses dados podem ser utilizados, esses dados podem te encher o saco aí com anúncios que aparecem tudo quanto é lugar na internet. E é por isso que a gente deixa a recomendação de uma VPN, uma boa VPN, que é a NordVPN.

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DSDaniel Sousa

Gente, fica aqui a nossa recomendação. Tanguy e eu somos usuários da NordVPN e você precisa de um VPN de qualidade. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Pet Jornal. Link no descritivo desse episódio. Clique, conheça a NordVPN. Você tem inclusive esse período de degustação, acaba sendo uma ótima forma de você observar como é que eles trabalham. E é necessário ter um VPN de qualidade. Para proteger os seus dados e também para ter alternativas de navegação.

E fica aqui também o meu abraço para o pessoal que tava lá no evento no Rio Grande do Sul ontem. Foi muito bacana e tivemos aí a oportunidade de fazer uma série de discussões envolvendo temas internacionais e também a parte tecnológica.

TBTanguy Baghdadi

Eu quero carregar nossa discussão agora para o Oriente Médio e África, né, pelo fato de que você se lembra, a gente acompanhou isso aqui muito de perto é, ao longo dos últimos, ao longo dos últimos anos, né, a gente pode colocar assim, que é o conflito em Gaza e aquela solução que Donald Trump trouxe para tentar encontrar ali uma paz definitiva que levaria uma negociação e tal, e que Donald Trump encarnou naquela ideia do Conselho da Paz.

A gente sabe que muitos países europeus, por exemplo, não entraram no Conselho da Paz. O Brasil também não entrou no Conselho da Paz e tal. Mas uma das ideias do Conselho da Paz era criar uma força multinacional de segurança que poderia ser enviada para Gaza para garantir a estabilidade do território, né? Então, uma forma inclusive de não entregar o poder nem para o Hamas e nem para a Autoridade Palestina. O Trump diz que não confia em nenhum dos dois e tal.

Vamos mandar uma força internacional para a Faixa de Gaza. No dia de hoje, Daniel, um país já aprovou no parlamento a autorização para, quando for chamado, enviar tropas para Gaza. E esse país foi Uganda, Daniel. O parlamento de Uganda votou no dia de hoje, nessa quinta-feira, o envio de forças militares para a faixa de Gaza, caso a mobilização seja necessária nesse esforço de uma força multinacional liderada pelos Estados Unidos.

Tem um detalhe maravilhoso aqui, Daniel, que é o fato de que Uganda também não faz parte do Conselho da Paz. Uganda não entrou, nunca faz parte, não faz parte, nada disso, mas aprovou que a autorização do parlamento, né, que mandará tropas assim que for necessário, assim que for pedido. Isso teria sido um pedido feito por Donald Trump diretamente para o presidente de Uganda. O que eu acho mais interessante, Daniela, é que Uganda não é um país que é tão ligado assim aos Estados Unidos.

Mas é um país que tem uma relação muito curiosa, meio trágica, né, com reviravoltas e tal, com Israel. Eu quero voltar um pouquinho no tempo, Daniel, e lembrar que Uganda teve um dos piores ditadores da história da África, um cara chamado Idi Amin Dada. Fica aqui a recomendação do filme O Último Rei da Escócia, né, que conta um pouquinho da história do Idi Amin Dada. Ele tinha uma ótima relação com Israel. A gente tá falando aqui sobre a década de 1960.

E num determinado momento, ali do final da década de 1960, início da década de 70, Israel parou de enviar armas para ajudar a ditadura do Idi Amin. Nesse momento, a relação ela ficou muito estremecida e a gente teve um incidente muito grave, Daniel, que aconteceu no ano de 1976. Em 76, um voo da Air France que tinha vários cidadãos israelenses foi sequestrado por militantes palestinos e alemães e foi desviado exatamente para Uganda.

Uganda disse que, né, Uganda, doido, a mim, Uganda disse que ia proteger ali os reféns que estavam presos ali no avião da Air France. Mas o fato é que Israel fez uma operação, entrou em Uganda com as suas forças de elite, resgatou esses soldados e foi embora, destruiu uma parte da, inclusive, da aviação de Uganda. Então uma relação que era muito boa nesse momento ela ficou deteriorada Inclusive, a relação ela foi rompida em 1976.

Essa relação, Daniel, ela foi retomada no momento em que Idi Amin deixou de ser presidente e um rival do Idi Amin assumiu a presidência. Era um cara chamado Yoweri Museveni que assumiu a presidência de Uganda em 1986. Daniel, um café com uma colherinha de leite condensado se você me disser quem é o atual presidente de Uganda. Continua sendo o mesmo Yoweri Museveni. 40 anos depois é o mesmo, é o mesmo Yoweri Museveni que manteve, a partir daquele momento, uma ótima relação com Uganda, com Israel, perdão.

Então, se o meu antecessor, que eu odiava, rompeu com Israel, eu vou ter uma relação ótima com Israel. Então, no momento em que há esse pedido para mandar uma força internacional liderada pelos Estados Unidos para Gaza e tal, para estabilizar, que Israel curte a ideia, porque você vai tirar o Hamas e vai tirar autoridade palestina. Uganda se anima e já aprova, portanto, por antecipação, o envio de tropas para, para faixa de Gaza.

Você vê como é que as relações internacionais, elas são meio quebradas, né, Daniel? A gente tem um governo em Uganda que a princípio poderia ter uma relação boa ali com palestinos, mas que tem uma relação boa com Israel e que tá disposta, portanto, a mandar tropas para faixa gás, Daniel.

DSDaniel Sousa

Aliás, Tanguy, também deixando outra recomendação cultural, na HBO tem Sete Dias em Entebbe, que é um filme dirigido pelo José Padilha, que relata justamente essa história de recuperação dos reféns da Air France no aeroporto de Entebbe. Aliás, numa operação que teve como única vítima israelense o comandante da operação, o irmão mais velho do Benjamin Netanyahu. O Netanyahu costuma dizer, inclusive, que esse dia mudou a vida dele, mudou realmente o direcionamento, por conta do trauma que essa morte acabou causando nele e na família.

Agora, tem que ir avançando para a próxima pauta. Eu quero registrar que a China aplicou novas sanções, novas medidas comerciais contra os Estados Unidos, incluindo o controle Controles sobre exportações de drones e banimento de 6 entidades americanas em retaliação às restrições recentes de Washington contra a tecnologia chinesa. As medidas ocorrem em clima de tensão crescente antes da esperada visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, que está projetada, agendada para o final de setembro.

No caso das medidas chinesas, Nós temos um controle caso a caso sobre as exportações de drones, componentes-chave e tecnologias relacionadas, classificadas como itens de uso duplo, civil e militar. 6 entidades americanas foram banidas de negociar com entidades chinesas. Temos também a Compliance Testing LLC banida por supostamente trabalhar com a FCC dos Estados Unidos para prejudicar a soberania e a segurança da China. E uma investigação sobre o impacto à segurança nacional de softwares de impressão e equipamentos de escritório importados, mas não foram nomeadas quais são as empresas que estão sob investigação.

O que provocou essa retaliação foi a proibição da FCC americana sobre a importação de novos drones chineses e a decisão do Departamento de Segurança Interna de adicionar 43 empresas chinesas à lista da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado, que na prática bloqueia as importações de seus produtos. E Pequim afirmou estar agindo com contenção e alertou que adotará novas sanções caso os Estados Unidos imponham novas restrições. Clima bom, gostosinho entre China e Estados Unidos, tensões crescentes por conta realmente dessa visita que se aproxima do Xi Jinping.

E os dois poderosos, as duas potências, vão medindo forças na área comercial e na área tecnológica.

TBTanguy Baghdadi

Ter um comentário rápido sobre Oriente Médio. Ao longo das últimas 48 horas, mais ou menos, o Irã fez uma ofensiva diplomática junto aos países árabes do Golfo Pérsico. O recado era basicamente o seguinte: olha, dá um jeito aí dos Estados Unidos pararem de mexer o saco e assinar logo um acordo. Eu vou controlar o Hormuz, não tem jeito. Porque se vocês não fizerem isso, eu vou atacar vocês. Então o Irã fez uma série, fez uma lista dos alvos possíveis, e naturalmente isso assusta bastante o país do Golfo Pérsico, como estrutura de refino de petróleo, de geração de energia, plantas de água, refinarias, campos petrolíferos, redes elétricas, infraestruturas de transporte e outros ativos.

O recado é: ô, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, liga aí para os Estados Unidos, porque senão vai ser ruim para vocês. E a gente teve inclusive, aliás, a gente já tinha mencionado isso no último episódio, que a Arábia Saudita, por exemplo, já começou a se movimentar tentando fazer com que os Estados Unidos aceitem algum tipo de acordo. Meu amigo, se o Irã tiver que controlar, é melhor. Se eu tiver que pagar uma taxa para passar, é melhor do que a situação que a gente tem hoje.

Porque nesse momento a situação para esse país que exporta petróleo pelo Golfo Pérsico, né, pelo Estreito de Ormuz, é muito ruim. Então essa é a ofensiva diplomática que o Irã vem fazendo ao longo das últimas horas. Daí nós vamos ver qual o resultado que isso vai dar no futuro. Os Estados Unidos obviamente não querem entregar uma vitória, não querem dizer que perderam. Eles precisam afirmar que ganharam de alguma maneira, mas o Irã tá fazendo de tudo para não oferecer nenhuma vitória para os Estados Unidos, Daniel.

DSDaniel Sousa

Taqui, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje?

TBTanguy Baghdadi

Precisamos, Daniel, me conta.

DSDaniel Sousa

Na geleia da Shakira de hoje eu quero contar um caso curioso que mostra um pouco o United States of America nos dias de hoje. No último dia 18 de julho, um agente da TSA, que é a segurança de transporte dos Estados Unidos, descobriu 5 balas de canhão da Guerra Civil em uma mala durante uma triagem de rotina No aeroporto internacional.

TBTanguy Baghdadi

Guerra Civil, você tá falando da Guerra Civil da década de 60 do século 19?

DSDaniel Sousa

Exatamente, da década de 60 do século 19. E essa, essa triagem estava sendo feita ali no Aeroporto Internacional Gulf Shores, no Alabama. O agente, rapaz, passou a mala pelo raio-X, ele falou: tem alguma coisa esquisita aqui nessa mala, será que é uma bomba? Sei o que que é isso, gente. Aí ele pediu para abrir E quando ele viu, rapaz, eram bolas de canhão da Guerra Civil. Não são balas de canhão do tamanho de uma bola de boliche, não.

A gente tá falando ali de uma bala de canhão que é do tamanho de uma grapefruit, que foi justamente a referência que a matéria em inglês contava. É uma laranja grande, tem que— é um laranjão assim, não é um coco, né? Uma bala de canhão pequena, não é uma bala de canhão gigantesca, mas é uma bala de canhão. Então isso precisa se registrar.

TBTanguy Baghdadi

A sua referência é— como é que é o nome da fruta?

DSDaniel Sousa

Era o que tava na matéria, rapaz. É o que tava na matéria. Grapefruit é o que tava na matéria ali. Então, aqui é um laranjão, né? Um laranjão grande ali. E as balas de canhão estavam inativas, sem material explosivo ou componentes ativos. A polícia descobriu que as peças tinham sido roubadas do Fort Morgan e foram identificadas por marcações de tintas feitas pelo próprio forte. Um menor de idade. O menor de idade roubou as balas de uma área de armazenamento do Forte Histórico e colocou na mala da vovó, que afirmou não saber a origem.

A história vai ficando cada vez melhor. O Forte optou por não pressionar por acusações e as peças foram devolvidas. Está tudo certo. O Forte só falou: só me devolve as balas de canhão, que está tudo bem que o garoto roubou e botou na mala da vovó. Mas, enfim, nós tivemos ali uma tentativa de levar essas malas de avião e essas balas de canhão de avião, rapaz. Mas ainda bem que acabou tudo bem. Mas se fosse, se essa história fosse no Brasil, o pessoal ia dizer, ah, porque só acontece no Brasil, ah, porque o Brasil é uma bagunça.

Mas foi no United States of America, para vocês verem como é que as coisas andam por lá.

TBTanguy Baghdadi

É difícil, né, Daniel? Porque lá pode ter arma. Ah, pode ter arma. Ah, que Alabama pode ter arma. A arma é incentivada. Você dá para criança de 6 anos, 5 anos, Aqui, meu filhinho fez um ano, toma aqui seu primeiro fuzil. E aí não pode carregar bala de canhão? É uma contradição também, né? Eu entendo até o menino fala assim, pô, mas bala de canhão não pode? Bala de canhão é menos perigoso do que muita arma que tem por aí, Daniel.

Mas enfim, aí o pessoal tem aí, né, seus dedos. Ah, porque avião e tal, aquela coisa. Enfim, fica aí o recado: não ande com balas de canhão, mesmo que sejam antigas, em avião quando você for. Ainda mais na mala da vovó, que fica feio para ela, passa uma vergonha danada. Daniel Souza, dessa maneira A gente já chega ao fim do nosso episódio. Um prazer gravar esse episódio aqui mais uma vez. Amanhã, Daniel, a gente tem o nosso tradicionalíssimo episódio de sexta-feira, o Petit Investe.

Você pode assistir esse episódio no YouTube junto com a gente, você pode assistir esse episódio, né, ouvir esse episódio no podcast. Vai ser um prazer ter vocês com a gente. Se quiser mais conteúdo para o fim de semana, né, Daniel, fim de semana, se quiser dar um presente aí para o Dia dos Pais Oferece uma assinatura, PetiCursos, peticursos.com.br. Seu pai quer saber sobre Colômbia, seu pai quer saber sobre Oriente Médio, seu pai quer saber sobre a África, oferece esse mimo para ele, ele vai gostar.

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DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet Love é uma mídia pequena, é um produto digital artesanal, e a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância. Então, fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. O WhatsApp Pix está no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, que é uma forma bacana para quem prefere operar com cartão de crédito. Tem o link do Patreon, que é muito bacana para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

Aí, eu sou o Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima.

DSDaniel Sousa

Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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