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EUA revogam visto de embaixadora do Brasil - BP 1122

04 de agosto de 202630min
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Os Estados Unidos revogam o visto da embaixadora do Brasil, ampliando a tensão diplomática entre Brasília e Washington e levantando dúvidas sobre os próximos passos da relação bilateral. No episódio, analisamos o significado político da medida, seus possíveis desdobramentos e o momento delicado das relações entre os dois países. Também discutimos a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas horas, em meio a sinais contraditórios sobre o futuro do conflito no Oriente Médio.
Falamos ainda sobre a redução dos estoques de armamentos americanos em razão da guerra contra o Irã e os desafios que isso impõe ao planejamento estratégico de Washington. Comentamos também o alerta do Banco Mundial de que a inteligência artificial pode acelerar, em apenas uma década, transformações que levariam um século nos países em desenvolvimento, além da preocupação da Jordânia com o risco de mudanças no controle dos locais sagrados muçulmanos em Jerusalém.
Na Geleia da Shakira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) pede sugestões "criativas e não convencionais" para aumentar a pressão sobre o Irã.
#Brasil #EstadosUnidos #Irã #InteligênciaArtificial #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos7
  • Uso da Embaixada do Brasil nos EUA· PoliticaMaria Luísa Ribeiro Viotti · Daniel Pérez · Itamaraty · Departamento de Estado dos EUA
  • Jordânia alerta sobre risco de controle israelense em JerusalémMesquita de Al-Aqsa · Tamar Ben-Gvir · Monte do Templo · Jordânia · Israel
  • Postagens Trump Truth SocialDonald Trump · Postagens Trump Truth Social · Insider trading
  • Acordo EUA-Irã· InternacionalEstreito de Ormuz · Scott Bassett · Donald Trump · Irã
  • Inteligência Artificial e o mercado de tecnologia· TecnologiaAcordo Banco Mundial IICA · Inteligência Artificial Generativa · Automação
  • Trump alerta ao Irã após ataque· InternacionalCENTCOM · Irã · Estreito de Ormuz
  • Consumo de munição e capacidade militar americanaATACMS · PrSM · Patriot interceptors · Mísseis balísticos e capacidade de entrega · Guerra do Iraque
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

Peti Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o bate-papo número 1122. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal, são exatamente 17 horas e 26 minutos da terça-feira, 4 de agosto de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, mais tarifas, ainda mais tarifas, afogado em tarifas está o professor Bagdadi, com insônia, segue atacando a geladeira o professor Bagdadi, às 3 da madrugada, para alimentar seu vício, que é brigadeiro de colher.

Brigadeiro de colher em plena madrugada. Estou pensando em inscrever o professor Bagdadi nos Brigadeiros de Colher Anônimos, mas ele resiste porque, aparentemente, quer manter esse doce vício. Enfim, temos Daniel Souza também, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos até com uma notícia que acabou de pipocar, um breaking news, a informação de que os Estados Unidos teriam revogado o visto da embaixadora do Brasil por lá. Tudo bem? Vamos a isso?

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1122. Um prazerzão estar aqui mais uma vez, mais uma terça-feira. Daniel Souza junto com os nossos ouvintes. Que bom que vocês estão aqui junto com a gente, porque de fato tem acontecido muita coisa. A gente tava com a pauta pronta já, né, Daniel? A pauta que aliás já tinha muita coisa para ser dito. E na hora que a gente já estava na live, né, na qual a gente grava esse episódio, estava na resenha conversando com os nossos ouvintes aqui, saiu essa notícia de que os Estados Unidos acabaram de anunciar faz alguns poucos minutos, literalmente, que revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, a Maria Luísa Ribeiro Viotti.

Que foi inclusive embaixadora do Brasil na ONU algum tempo atrás. É, isso teria acontecido, Daniel, por conta de uma demora das autoridades brasileiras em dar o agrément. Agrément é autorização para o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que é o Daniel Pérez. Só para a gente lembrar, o posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil tá vago desde janeiro de 2025. Tem um ano e meio já que não tem embaixador. Em junho agora de 2026, os Estados Unidos apresentaram o Daniel Pérez, seria portanto o novo embaixador.

O governo brasileiro tem que dar autorização, né, isso é o agrément. Então você autoriza que ele seja, você o reconhece como embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O Brasil demorou e portanto os Estados Unidos tomaram a decisão de revogar o visto da Maria Luísa Ribeiro Viotti. Esse é um ponto muito grave na relação, né? O fato do Brasil não reconhecer o embaixador, assim, de ter demorado, é um irritante. Assim, é algo que demonstra ali um percalço, mas me parece, Daniel, que tava até contextualizado.

Tem tarifa americana, o Brasil ele também tava dando um gelo nos Estados Unidos. Estados Unidos, eles vêm e dobram a aposta, e portanto a gente passa a ter um cenário no qual um dos principais postos brasileiros no mundo que é o cargo, né, de embaixador do Brasil em Washington, pode ser suspensa, né. Então a gente deixa de ter esse visto, o que significa, portanto, um momento no qual a relação ela chega num ponto muito complicado.

Isso naturalmente vai ter algum tipo de repercussão no Brasil. A gente tem que ver como é que o Itamaraty, como é que o Lula, né, o Mauro Vieira, enfim, vão reagir a essa notícia. Mas o fato é que a gente tem um cenário de complicação. O Departamento de Estado, Daniel, disse que a revogação do visto não significa expulsão da Maria Luísa Viotti, né, mas que ela poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido. Portanto, ela se manteria como embaixadora, mas numa situação desconfortável, para a gente dizer o mínimo, né.

Olha, você pode ficar aí, mas o visto adequado você não vai ter. Então me parece que perde inclusive um pouco da legitimidade. Como é que você vai representar o país num outro estado que não te reconhece, que não te dá o visto? Enfim, Então me parece que a gente tem um dos cenários mais complicados da relação entre o Brasil e Estados Unidos em muito tempo, Daniel. A gente vai ter que ver qual vai ser a repercussão que isso vai ter daqui para frente.

DSDaniel Sousa

E é estranhíssima essa postura do governo dos Estados Unidos na medida em que deixa a embaixadora permanecer, mas a embaixadora não tem o visto adequado. Quer dizer, parece realmente uma retaliação, como quem diz: olha, eu estou fazendo aqui um gesto duro, pode ser até que eu piore esse gesto, né? Pode ser até que eu avance para algo um pouco mais gravoso se vocês não reconhecerem o embaixador dos Estados Unidos que eu indiquei para o Brasil.

É um nível de tensionamento muito grave entre os dois países e tem sido uma escalada crescente ao longo desse ano de 2026, algo que torna realmente a relação entre os dois países, que é historicamente uma relação muito amistosa, muito tempestuosa, Aliás, acho que é o período mais tempestuoso da relação entre Estados Unidos e Brasil em toda a sua história de relacionamento.

TBTanguy Baghdadi

Pois é, isso vem na esteira aí, né, Daniel, do Brasil também negando visto para representantes dos Estados Unidos que vinham para o Brasil para lidar com a questão da urna, né. O Brasil considerou que isso era uma intervenção em assuntos domésticos, negou o visto, enfim. Então realmente a gente tem um momento muito, mas muito difícil na relação bilateral, o que chama atenção, né, Daniel. O Brasil tá no momento de relações muito ruins com seus dois mais tradicionais parceiros aqui no hemisfério americano, né, tanto com os Estados Unidos quanto com a Argentina, né.

Então, momento realmente difícil das relações aqui nessa, na nossa quebrada, né, aqui na nossa região. Daniel, passando para a próxima pauta, naturalmente a gente vai voltar a repercutir essa questão do visto, da, enfim, como é que vai ficar essa relação. Mas eu queria passar para o próximo ponto, Daniel, para o próximo tema, que também pode ter uma novidade ao longo das próximas horas ou possivelmente no dia de amanhã. Pelo fato de que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, o Scott Bassett, declarou na imprensa dos Estados Unidos que os Estados Unidos e o Irã podem fechar um acordo que pode sair ainda no dia de hoje, nessa terça-feira, dia 4, ou no dia 4, né, no dia, no dia 5, na quarta-feira, dia 5, para reabrir o Estreito de Ormuz.

O Scott Bassett disse que essa medida, enfim, que esse acordo, quando for finalmente assinado, vai garantir uma liberdade de movimento para navios comerciais e nega que haja qualquer possibilidade de pedágio por parte do Irã. A gente não ouviu o Irã ainda, né, Daniel? O Irã, ele vem afirmando categoricamente que, olha, a gente pode abrir aí, o Estreito de Ormuz pode ficar aberto e tudo, mas não haverá circulação pelo Estreito de Ormuz sem a cobrança E aí o Irã pode chamar de qualquer coisa, pode chamar de taxa, de tarifa, de pedágio, de alguma coisa, mas isso na prática vai acontecer.

A gente falou sobre isso recentemente, Daniel, que o Trump disse que a pedido do Irã— depois o Irã negou, né— mas a pedido do Irã, os Estados Unidos teriam suspendido novos ataques porque haveria uma certa tentativa de assinar um acordo quanto antes. O que Scott Peterson tá dizendo agora é: olha, esse acordo aí que o Trump prometeu que poderia acontecer pode estar a caminho entre hoje, terça-feira, e amanhã, quarta-feira. A gente vai ter que esperar, sei lá, viu, Daniel.

A impressão que eu tenho é que sempre que isso acontece, o Irã vira e fala: olha, não tem nada a ver com isso, não foi negociado. Às vezes você tem algum tipo de acordo que não vai adiante, mas me parece que os Estados Unidos têm um incentivo a mais, né, Daniel, para anunciar que, olha, a guerra tá prestes a acabar, beleza, já fizemos o que tínhamos que fazer. O que mais, Daniel, que a gente precisa entender quando a gente fala sobre esse cenário?

DSDaniel Sousa

Pois é, Tadinho, um outro aspecto que a gente precisa levar em consideração nessa dinâmica entre Estados Unidos e Irã é justamente o estoque de mísseis. A gente já falou sobre isso aqui no Pet Jornal, mas cada vez mais informações surgem sobre essa temática. Tudo leva a crer que os Estados Unidos consumiram a maior parte de seu estoque global de mísseis de longo alcance, de alta precisão, nos 5 primeiros meses, aí nos 5 meses de guerra contra o Irã, segundo fontes familiarizadas e informações confirmadas pela Reuters.

Os mísseis em questão são o ATACMS e o PrSM, cada um a custo de mais de 1 milhão de dólares cada. Duas fontes, inclusive, afirmaram à Reuters que os Estados Unidos usaram virtualmente todo o estoque dessas armas. Esses mísseis permitem ataques precisos à distância segura, especialmente valiosos contra adversários com forte defesa aérea, como é o caso da China. O ATACMS tem sido fornecido também à Ucrânia para ataques à Rússia.

O PrSM é a geração mais avançada e de maior alcance, e substituirá o ATACMS, mas os estoques eram baixos desde o início por ser uma arma mais recente. A exaustão das reservas significa que Trump pode ter que recorrer a missões aéreas tripuladas mais arriscadas se relançar ataques em larga escala contra o Irã. Além disso, a gente tem os Patriot interceptors, que cerca de 65% foram consumidos. Temos também os THAAD interceptors, com estoque de menos de 38%, e os Tomahawk cruise missiles, que estão em quase metade do estoque global.

Quase metade do estoque global já foi consumido. É importante registrar que a Casa Branca nega que eles estejam com estoques reduzidos desses equipamentos militares, mas faz sentido pensar que esses estoques já não são mais como antes e, consequentemente, os americanos têm ainda mais pressa dentro desse contexto de negociação com os iranianos. Tadinho, eu não sei qual é a sua impressão, mas a minha impressão é que os americanos já aceitam simplesmente algum tipo de vitória no Estreito de Ormuz.

Quer dizer, se eles retomarem algo próximo ao que havia antes do conflito, para eles está bom.

TBTanguy Baghdadi

A gente tá falando de uma guerra, Daniel, que os Estados Unidos tiveram a expectativa de ali no seu início ser muito rápida, né? Então, nas primeiras 24 horas, os Estados Unidos conseguiram, junto com Israel, matar o líder supremo. Parecia de fato que ia ser uma vitória fácil. E o Irã fez aquilo que faz o país que tem o menor poder de fogo, né, que é tornar a vida do país mais poderoso um inferno. Foi isso que o Vietnã fez com os Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

É isso que a Ucrânia tem tentado fazer com a Rússia, é você vai fazer da vida do outro um inferno, vai virar um atoleiro, você não vai conseguir ir embora, você não vai conseguir cantar vitória, você vai ter que fazer concessões, você vai sofrer, né? E o Irã vem conseguindo fazer isso. Então os Estados Unidos nesse momento já tem uma certa percepção que era eles apostaram numa vitória rápida, o que traria para o Trump uma popularidade muito grande, né, de ter resolvido primeiro a questão da Venezuela nos primeiros dias desse ano agora, né, tirando Maduro de lá, e logo depois resolvendo também uma questão histórica que era o Irã.

Me parece inclusive que já apontando para resolver outra que era, que era Cuba, né, de repente já fazer alguma coisa em Cuba também. Já lidava com 3 questões em alguns poucos meses, e o Irã mostrou que não é tão simples assim, não seria tão fácil com Irã quanto foi com a Venezuela. Então nesse momento eu concordo com você, Daniel. Se o Irã falar assim, tá beleza, olha só, não vou cobrar tarifa não, né, os Estados Unidos já voltam para casa felizes da vida.

O Trump vai cantar vitória, vai dizer que matou o líder supremo e tal, e que para os Estados Unidos está muito bom, e vai contar realmente como uma vitória. Agora, impressiona, né, Daniel, como é que a gente tem um cenário internacional conturbado, né? A gente pensa aí em guerras que começam meio que a se sobrepor, né? A guerra no Oriente Médio, a guerra no leste europeu, são todas questões que tornam o momento que a gente tá vendo, o momento de fato Muito complicado, muito difícil.

Por falar nisso, Daniel, é uma coisa que pode ajudar muita gente que tá nos ouvindo, é a possibilidade de ter um outro passaporte, um passaporte europeu, um passaporte ou de Portugal ou da Itália ou da Espanha. A gente tá falando aqui, Daniel, sobre o trabalho da Você Português ou da Você Europeu, que é uma empresa, uma consultoria que oferece tudo que você pode precisar caso você tenha direito a um passaporte, mais uma vez, de Portugal, da Espanha ou da Itália.

Se você souber que na sua família você já teve algum antepassado, o seu pai, um avô, um bisavô, que já teve um passaporte desses, a análise de viabilidade é gratuita e eles têm tudo que você precisa para conseguir essa cidadania. A gente tá falando sobre pesquisa em arquivos brasileiros, em arquivos europeus, advogado no Brasil, advogado na Europa, tudo para você conseguir. Lembrando que isso traz enormes oportunidades no momento no qual as fronteiras estão cada vez mais complicadas, cada vez mais fechadas, com cada vez mais restrições.

Ter um passaporte pode facilitar muito a sua vida, da sua família, e trazer uma série de oportunidades para todos vocês.

DSDaniel Sousa

Gente, fica aqui a nossa recomendação dos amigos da Você Português, da Você Europeu. Eu sou cliente da Você Português, recomendo demais o trabalho deles, e ainda tem essa possibilidade de avaliação da sua viabilidade. Então, link no descritivo desse episódio, entre em contato com eles, conversa com eles, que eu tenho certeza que você vai gostar. E sim, é importante buscar alternativas dentro desse mundo cada vez mais convulsionado.

Agora, eu queria registrar um outro elemento que me chamou muito a atenção nas últimas horas, que foi o fato da Truth Social lançar um serviço pago. Para acesso antecipado a publicações de Donald Trump. É isso mesmo! A Truth Social, que é a rede social do Donald Trump, rede social que ele abriu depois que ele foi banido do X, justamente naquele contexto da eleição anterior, lançou um serviço pago para você ter acesso em primeira mão a publicações, incluindo aí publicações do próprio presidente.

Aliás, esse serviço está disponível para clientes institucionais desde sábado, 1º de agosto. Contratos já haviam sido fechados antes do lançamento. A Reuters apurou que a Trump Media discutiu aí a cobrança de até $100 mil por mês pelo acesso. Eu não sei nem por onde começar, né? Porque a gente está falando, na prática, de um presidente que, ao longo dos últimos meses, fez o mercado flutuar bastante. Aliás, você tem, inclusive, alguns deboches que têm sido feitos nesse sentido, que o Trump fala em paz, o preço do petróleo cai, aí as pessoas compram contratos atrelados ao petróleo.

Aí o Trump ataca o Irã, o preço do petróleo sobe. Aí as pessoas que compraram contratos atrelados ao petróleo vendem esses contratos. Aí o Trump fala em paz de novo, e aí você recomeça, quer dizer, o processo recomeça, você fica ali num circuito permanente, justamente, de ganhos através dessa dinâmica de mercado. Se você passa a ter acesso antes de outras pessoas de publicações do presidente, você pode ganhar muito dinheiro. É isso.

Na prática, o governo dos Estados Unidos está vendendo insider trading, informação privilegiada. Paga que eu te conto antes. Você vai saber antes do mercado o que que eu tô fazendo. Você vai saber antes do mercado quais serão as próximas movimentações do presidente dos Estados Unidos. É inacreditável, de verdade inacreditável, que isso seja feito à luz do dia que isso seja feito de maneira pública e que o presidente dos Estados Unidos consiga levar adiante.

Parece o tempo todo que o principal objetivo dele diante da presença dos Estados Unidos e diante da Casa Branca é monetizar o cargo, é ganhar dinheiro com o cargo. O tempo todo, o tempo todo, o Trump está buscando maneiras, formas de ganhar dinheiro com o cargo. E tudo bem, as coisas continuam avançando, E os Estados Unidos dão sinais de que não há institucionalidade capaz de brecar esse tipo de comportamento. Numa república, pela legislação inclusive em vigor nos Estados Unidos, todo mundo tem que ter acesso a informações ao mesmo tempo.

Não é possível um negócio desse, não é possível que o presidente dos Estados Unidos tenha uma empresa de mídia, uma rede social, e decida cobrar, cobrar uma fortuna para que alguns clientes institucionais tenham acesso à informação de forma privilegiada e antecipada. Mas isso tá acontecendo à luz do dia nos Estados Unidos, e não há nenhuma dúvida de que vai ter mercado, né, Daniel?

TBTanguy Baghdadi

Que muita gente vai pagar isso aí. A gente tá falando sobre— é porque quando a gente fala $100 mil, parece que fala assim, ah, mas quem é que vai pagar? Gente, você pega uma empresa, uma grande corretora, né, grandes investidores e tudo, mas pagam fácil, fácil. Você imagina, Daniel, uma Uma informação antecipada dessa aí, ela se paga muito facilmente, muito facilmente, né? Com volume que você consegue fazer de negociações antecipadas, né?

O Trump dizendo que vai fazer lá na Truth Social, a chance disso ter mercado é gigantesca. Vai ter muita gente de fato pagando, e é de fato uma monetização do cargo de presidente. Daniel, eu quero voltar com a nossa conversa para o Oriente Médio. A Jordânia convocou uma reunião de emergência que deve acontecer amanhã, nessa quarta-feira, reunindo ministros das relações exteriores de países árabes e muçulmanos, né? Então está falando aqui sobre representante da Liga Árabe, da Turquia, da Indonésia, Malásia, Paquistão.

É possível que alguns outros estejam presentes. E o motivo dessa reunião de emergência convocada pela Jordânia é o que o governo jordaniano considera como uma ameaça considerável de uma tomada de controle israelense sobre o complexo da Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém. Só para a gente ilustrar para as pessoas aqui, né, Daniel, você já esteve lá, como é que funciona a dinâmica religiosa ali em Jerusalém. Você tem as planadas das mesquitas, que é o acesso, ele é para muçulmanos.

Pessoas que não são muçulmanas podem entrar? Podem. Mas podem entrar em horários específicos como turistas, com grupos de turistas, e não podem rezar lá. Essa é a regra há bastante tempo, não podem rezar. Os judeus, portanto, que vivem em Jerusalém, pessoas que vão para lá e tudo, podem rezar do lado de fora, no Muro das Lamentações. Então essa é a organização que tá feita há muito tempo. E a Jordânia, há muito tempo também, Daniel, desde o final do século 19, é considerada a guardiã dos locais sagrados islâmicos em Jerusalém, muçulmanos em Jerusalém.

Depois, inclusive, passou a ser também uma guardiã dos locais cristãos em Jerusalém. Portanto, o que a Jordânia tá dizendo é: acho que nós estamos sob risco de algo mudar. De uns tempos para cá, Daniel, a gente começou a ter cada vez mais grupos radicalizados israelenses tentando invadir as planadas das mesquitas para rezar. É muito doido, né, Daniel? Mas as pessoas, elas querem entrar lá para rezar. E essa oração, ela não é apenas uma conexão com o divino, ela é uma afirmação política, né?

Eu vou rezar aqui porque isso faz parte de Israel, ninguém pode me impedir de entrar aqui. Mais de 2 mil israelenses de extrema-direita, liderados pelo Tamar Ben-Gvir, né, que é ministro de Segurança Nacional, ocuparam as planadas das mesquitas no final de julho. E o que a Jordânia tá dizendo é, olha, esses caras, mais de 2.000 israelenses já entraram aqui para fazer essa ocupação, acho que pode haver uma tentativa de tornar isso algo um pouco mais permanente.

E denunciou, inclusive, né, a Jordânia denunciou a criação de uma unidade policial especial do Monte do Templo. Monte do Templo é a maneira pela qual os judeus chamam essa região em Jerusalém, que teria como objetivo recrutar judeus religiosos para ocupar essa área. Daniel, isso aqui é um vespeiro de um tamanho, de um tamanho muito considerável, porque a gente tá falando sobre algo que mexe muito com muçulmanos de qualquer lugar do mundo e mexe muito com judeus em qualquer lugar do mundo também.

Então o que a Jordânia tá dizendo é: gente, a gente precisa dialogar aqui porque existe uma chance razoável disso aqui dar problema. No futuro breve. Vamos acompanhar, Daniel, mas me parece que se isso de fato acontecer— lembrando que a gente vai ter eleições em Israel em breve, né, os ânimos vão estar exaltados em Israel em breve também— isso aqui pode ser um problema muito sério, muito grave para a estabilidade regional como um todo.

DSDaniel Sousa

O Banco Mundial divulgou um relatório que me pareceu bastante importante. O relatório se chama A Promessa da Inteligência Artificial. E é a primeira avaliação abrangente do Banco Mundial sobre as implicações da inteligência artificial para países em desenvolvimento. No geral, a conclusão central é de que a inteligência artificial pode acelerar o desenvolvimento, mas pode também ampliar desigualdades globais. Você tem ali um potencial muito grande, 4,5% dos empregos em países de renda média ou baixa estão sob risco de automação por inteligência artificial generativa, ante 14,2% nos países de renda alta. 16,2% dos empregos em economias em desenvolvimento teriam ganhos significativos de produtividade.

A maior promessa não está na substituição de trabalhadores, mas na amplificação do que eles podem fazer. Me parece cada vez mais claro, Taqui, e, obviamente, tudo pode mudar, que a principal tendência é essa: a inteligência artificial, pelo menos em um primeiro momento, não surge destruindo postos de trabalho, ela surge aumentando a capacidade de trabalho de pessoas que passam a utilizar ferramentas de inteligência artificial em seu auxílio.

Você passa a ter ganhos de produtividade. Algum tipo de impacto sobre o nível de emprego acontece, Mas não é aquele impacto avassalador, desesperador, que algumas previsões, num passado não muito distante, apresentavam. Me parece cada vez mais que, pelo menos ao longo dos próximos anos, a tendência é que trabalhar com inteligência artificial se torna como trabalhar com computador algumas décadas atrás. Eu lembro quando o computador apareceu nos escritórios.

Aí tinha gente que resistia, falava: Não, não vou usar isso, não vou aprender, não quero aprender. Se você não aprender, você vai ficar para trás, você vai acabar sendo engolido. A inteligência artificial acaba sendo algo na mesma linha, quer dizer, você vai usar, você vai usar, não importa o que você faça, você vai usar, a inteligência artificial vai ter algum tipo de utilidade para você e tende a aumentar a sua produtividade.

Alguns postos de trabalho podem ser fechados, mas outros podem ser criados. E me parece que, num primeiro momento, e o relatório do Banco Mundial vai muito nessa linha, O impacto maior é de ganhos de produtividade em postos de trabalho que já existem, aumento de eficiência, aumento da capacidade de trabalho, o que obviamente traz impactos positivos em termos de crescimento e oportunidade de novos negócios.

TBTanguy Baghdadi

Tenor Souza, eu queria pedir um conselho seu. Você é um cara que tem boas ideias, você é um cara que sabe onde buscar informações. E se na geleia da Shakira de hoje eu precisar de ideias para, por exemplo, pressionar o Irã, você saberia me indicar Como é que eu poderia fazer, Daniel?

DSDaniel Sousa

Ah, Tanguy, posso sim. Na Geleia da Shakira de hoje eu quero trazer, Tanguy, uma boa ideia acima de tudo. Um oficial graduado da divisão de inteligência do CENTCOM— o CENTCOM é o Comando Central dos Estados Unidos— enviou um email a analistas militares pedindo sugestões criativas e não convencionais para aumentar a pressão sobre o Irã. O episódio, Tanguy, me parece um sinal de dificuldades para encontrar alternativas para resolver o conflito com os iranianos.

Meu Deus do céu, gente, tragam ideias, tragam ideias, pelo amor de Deus, porque ficamos sem ideias. Tentamos mísseis, tentamos bombardeamento, tentamos asfixiamento, tentamos sanções, nada deu certo. Então, se alguém aí, alguém aí tiver alguma ideia, Traz para mim, traz para mim que eu estou disposto a ouvir, estou disposto a tentar, estou disposto a testar. Tudo para reabrir o Estreito de Ormuz, para quem sabe trazer o Oriente Médio a uma configuração que ele tinha antes dos Estados Unidos resolverem atacar o Irã.

Isso realmente é inacreditável. Quer dizer, o sonho dourado dos Estados Unidos nesse momento é voltar no tempo e tentar trazer de volta a configuração que o Estreito de Ormuz tinha até o final do mês de fevereiro. Um Estreito de Ormuz livre, onde você tinha ali passagem de embarcações sem cobrança de pedágios, tarifas, sem qualquer tipo de risco de ataques. Mas esse passado ficou para trás, porque agora os iranianos resolveram que não querem conceder nem isso para os americanos.

Embora os americanos agora estão esperançosos, acham que quem sabe amanhã vai sair um acordo, acordo que não sai há semanas, acordo que não sai há meses, etc., mas dessa vez vai ser diferente, tenho certeza. E vai aparecer um acordo melhor do que aquele acordo que nós dissecamos aqui no Pet Jornal, que era um acordo de rendição dos Estados Unidos da América. Que situação tá aqui! Mandem e-mails. Então você aí que tem uma boa ideia, mande um e-mail lá para o Comando Central dos Estados Unidos, porque você pode ajudar aí eles, os meninos que estão em dificuldade diante aí da complexidade de uma situação que eles mesmos criaram.

TBTanguy Baghdadi

Aliás, Daniel, a gente tá falando aqui sobre Hormuz, né, a dificuldade que os Estados Unidos estão tendo para reabrir Hormuz. Enfim, realmente vai ser muito difícil voltar ao cenário anterior. E a gente tem uma aula gratuita que vai acontecer daqui a pouco. Você que tá assistindo a gente ao vivo pode assistir, vai estar lá no YouTube do Pet Jornal, vai começar às 19 horas nesse dia 4 de agosto. Você que tá ouvindo a gente gravado e tudo, vai estar disponível para você lá também, em que a gente vai falar sobre outra rota importantíssima que é o Mar Negro, né?

Né? O Mar Negro voltou completamente, né, para o centro das atenções pelo fato de que Rússia e Ucrânia voltaram a intensificar ataques mútuos. E o Mar Negro é uma rota crucial, fundamental. Aliás, vai ser oportunidade inclusive para a gente falar também sobre os estreitos turcos, né, o Estreito de Bósforo e o Estreito de Dardanelos. Vai estar tudo nessa aula gratuita. Acessa lá, uma maneira inclusive de você conhecer o nosso trabalho lá no Petit Cursos.

Acessa lá, peticursos.com.br, para você conhecer o nosso portfólio de aula, né, tudo que a gente já gravou. E tornando-se aluno, você passa a ter acesso a todas essas aulas. Acessa lá, espero vocês lá no YouTube do PetiJornal.

DSDaniel Sousa

Daniel, fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetiJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Peti é uma mídia pequena, Não tem aí um conglomerado, uma produtora dando suporte, acaba sendo um trabalho bastante artesanal e, por isso, precisamos demais dos nossos apoiadores. E fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês.

Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente, chave Pix no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, que acaba sendo bacana para quem opera com cartão de crédito. Tem o Patreon para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para vocês.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza, nos vemos aí. Um abraço e até a próxima.

DSDaniel Sousa

Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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