Episódios de Petit Journal

Ceuta: o que está acontecendo? - BP 1121

03 de agosto de 202633min
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INSIDER
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Ceuta volta ao centro da geopolítica europeia após uma nova onda de migrantes marroquinos tentar entrar no enclave espanhol localizado no norte da África. No episódio, contamos a história de Ceuta, explicamos por que esse pequeno território espanhol é tão estratégico e analisamos os fatores que desencadearam a atual crise migratória, além das respostas de Madri, de Rabat e da União Europeia para conter a escalada da tensão na fronteira.
Também discutimos as declarações de Donald Trump de que o Irã teria solicitado uma interrupção dos ataques, versão prontamente negada por Teerã, em mais um capítulo da guerra de narrativas entre os dois países. No futebol, Gianni Infantino recua e abandona o plano de abertura de capital da FIFA após forte reação das federações europeias e passa a enfrentar pressões por sua renúncia.
Na Geleia da Shakira, o governo Trump admite que os danos ao espelho d'água em Washington foram causados pela empreiteira responsável pela obra e retira as acusações que havia feito anteriormente.
#Ceuta #Espanha #Marrocos #UniãoEuropeia #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos6
  • Crise em Ceuta· InternacionalCeuta · Melilla · Marrocos · Espanha · União Europeia · Crise migratória · Saara Ocidental
  • Ceuta e Melilla· InternacionalCeuta · Melilla · Portugal · Espanha · União Ibérica · Colunas de Hércules
  • Conflito Irã-EUA· InternacionalDonald Trump · Irã · Estados Unidos · Arábia Saudita · Estreito de Ormuz · Programa nuclear iraniano
  • Marrocos· InternacionalMarrocos · Espanha · Saara Ocidental · Argélia · União Europeia · Gás natural
  • FIFA e o marketing político da Copa· EsportesFIFA · Gianni Infantino · UEFA · CBF · Concessao Galeao · Privatização de torneios
  • Piscinas· EsportesDonald Trump · Reforma do Lincoln Memorial · Jonathan Hearn · Sabotagem · Obra apressada e mal feita
Transcrição22 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

PetiJornal.

TBTanguy Baghdadi

Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1121. Estamos gravando uma live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 9 horas e 23 minutos da segunda-feira, 3 de agosto. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy vírgula o Bagdadi, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, edumbante, descansado, tarifado, com mais tarifas, ainda mais tarifas, afogado em tarifas está o professor Bagdadi, e com muita insônia e muitas preocupações por conta desse ambiente internacional de muita imprevisibilidade e incerteza.

Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos, Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias e registramos que hoje à noite excepcionalmente não teremos o nosso episódio. Retornamos amanhã com mais um bate-papo aqui no Petit Jornal. Como vai, Professor Paquetá? Tudo bem? Vamos a isso.

DSDaniel Sousa

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1121. Prazer estar aqui iniciando mais uma semana, né, Daniel? Semana que promete ser cheia, né? Tem muita coisa para falar ao longo da semana, muitas coisas devem acontecer, né? A gente tem alguns prognósticos importantes para essa semana agora. Um prazer tá aqui com você, Daniel. Um prazer tá aqui com todo mundo que nos acompanha, todo mundo que nos ouve. Você que tá ouvindo a gente enquanto dirige, enquanto tá na academia, enquanto tá fazendo comida, enquanto tá arrumando a casa, enquanto tá trabalhando, né?

Seja muito bem-vindo. É um prazer de fato tá com vocês aqui. Daniel Souza, ao longo da última semana, né, nos últimos 4 ou 5 dias, a gente teve um assunto que esteve em tudo quanto foi lugar, que foi o, foi Ceuta, né, a região ali do norte do Marrocos, uma região que pertence à Espanha. E a gente vinha falando ao longo dos últimos dias, Daniel, a quantidade de dificuldade que às vezes as pessoas têm para entender o que aconteceu, por conta às vezes de uma falta de conhecimento histórico, geográfico, E eu queria já passar a palavra para você, Daniel, para você explicar para a gente um pouquinho o contexto do que tá acontecendo em Ceuta.

Alguém que apareceu aqui hoje falou, cara, eu quero entender um pouco mais o que que tá rolando em Ceuta, qual é exatamente a questão, onde é que fica Ceuta, qual é a relação da Espanha. Conta para a gente, Daniel, contextualiza para a gente o que que tá acontecendo naquela região.

TBTanguy Baghdadi

Esse é um ponto super importante, né, Taguinho? Muita gente se questionando, poxa, mas como é que os marroquinos nadaram tanto, cruzaram o Mar Mediterrâneo até chegar no território espanhol. Não é bem assim. Quando a gente fala de Ceuta, nós estamos falando do continente africano, assim como Melilla também, que é uma outra possessão espanhola no continente africano. São duas cidades autônomas que pertencem à Espanha, então, as pessoas que vivem em Ceuta e Melilla são espanhóis.

Você tem ali instituições espanholas, os espanhóis estão ali há séculos. Se a gente pega o caso de Ceuta, em particular, que é a cidade mais importante. Ceuta é o marco inicial da expansão marítima portuguesa. Em 1415, os portugueses acabam tomando a cidade de Ceuta, no Marrocos, e essa possessão portuguesa acaba sendo justamente o marco fundacional de todo o Périplo Africano, que depois vai levá-los à Índia e ao próprio Brasil.

Em 1580, nós temos a famosa União Ibérica. Muita gente já ouviu falar sobre essa União Ibérica, Portugal e Espanha passam a ter um único rei, que é Felipe II, depois Felipe III e Felipe IV. Em 1640, nós temos a separação entre Portugal e Espanha, a restauração da independência portuguesa, e, diante dessa restauração, Ceuta acabou permanecendo sob controle espanhol. Você tinha ali uma briga entre nobres portugueses Eles não reconheciam que o Duque de Bragança, que era duque e agora se tornava rei, que eles deveriam ficar subordinados a ele, e, consequentemente, achavam mais honroso permanecerem subordinados ao rei espanhol.

Até hoje, inclusive, a bandeira de Ceuta tem o brasão português. Tem ali, inclusive, uma estética muito parecida com a bandeira de Lisboa, e tem o brasão português no centro. Aliás, era um pouco engraçado ver ali o Filipe Sanches, falando diante desses últimos acontecimentos com a bandeira de Ceuta atrás, uma bandeira que tem esse brasão português. Desde então, os espanhóis estão lá, nunca saíram. Quer dizer, desde essa separação, desse fim da União Ibérica em 1640.

Eles também têm essa outra possessão, Melilla, na qual eles estão presentes também desde o século XVI. Os espanhóis tinham outras possessões no continente africano, como é o caso do Saara Ocidental, né? Saara Ocidental, que inclusive vai ser objeto aqui da nossa discussão na sequência, porque existe uma hipótese muito forte que o que aconteceu na semana passada tem relação direta com o Saara Ocidental. Os espanhóis chegaram a ter ali possessões maiores no próprio Marrocos.

O Marrocos não era apenas uma colônia francesa, você tinha pedaços do Marrocos que eram colônias espanholas e foram colônias espanholas até meados do século 20, mas Ceuta e Melilla a Espanha nunca devolveu. Os marroquinos reclamam, dizem que os espanhóis deveriam devolver, a Espanha diz que não vai devolver. Na bandeira da Espanha, inclusive, você tem duas colunas, né, que são as Colunas de Hércules, que são as marcas justamente de saída e entrada do Mar Mediterrâneo.

Uma dessas colunas é a cidade de Ceuta e a outra é Gibraltar, que aí é uma outra história. Gibraltar, que está na Península Ibérica, é dominado pelos— o território de Gibraltar é dominado pelos britânicos desde o século 18. É, no mínimo, incoerente, porque os espanhóis exigem dos britânicos a devolução de Gibraltar, mas não cogitam sequer a devolução de Ceuta. Quando a gente vê, justamente, aquele processo de entrada massiva de pessoas que aconteceu na semana passada, nós não estamos falando de pessoas que nadaram de um lado ao outro do Mar Mediterrâneo.

Nós estamos falando de pessoas que simplesmente contornaram essa cerca e foram nadando em direção à Ceuta. Isso tem um pouco a ver também com uma decisão da própria Justiça espanhola, uma decisão que considerou recentemente que pessoas que chegavam pelo mar tinham que ter um tratamento diferenciado. E, num primeiro momento, Foi a principal hipótese que os espanhóis acabaram levantando. Agora, é muito improvável, para dizer o mínimo, que você tenha caminhões, imagens de caminhões, trazendo um monte de gente de forma coordenada, e que o Marrocos, que não é exatamente um país democrático, não sabia.

No mínimo, as autoridades marroquinas toleraram o que estava acontecendo e trouxeram ali enormes problemas para o governo da Espanha, que é visto, inclusive, dentro da União Europeia como tendo uma política migratória um pouco mais flexível.

DSDaniel Sousa

Tem algumas coisas aí, Daniel, que eu queria comentar. O primeiro deles é essa decisão da justiça espanhola, né, essa decisão que viralizou no Marrocos, enfim, o entendimento dela, o entendimento errôneo dela. É essa decisão, ela é do início de julho, e esse Tribunal Supremo da Espanha, o equivalente ao que seria o STF, proibiu as chamadas devoluciones en caliente, né, que são aquelas expulsões imediatas. Então qual é a lógica aqui?

Alguém entra no território espanhol por terra, vamos imaginar assim, essa pessoa ela pode ser devolvida imediatamente. Então o cara ele tá no Marrocos, Daniel, ele consegue entrar em Ceuta por terra, esse cara pode ser devolvido para o Marrocos imediatamente. A questão é que se o cara chega pelo mar, eu não tenho como pegar esse cara e devolver para o mar, eu tenho que devolvê-lo para o Marrocos. Então esse cara vai ser admitido em Ceuta Mas alguns poucos dias depois ele vai ser devolvido para o Marrocos por terra.

Parece, parece lógico, tá, Daniel? Então se o cara ele chega pelo mar, ele não tem como devolvê-lo para o mar. Eu vou pegá-lo, vou fazer o registro dele, e esse cara vai ser devolvido para o Marrocos por terra. O que viralizou no Marrocos, no entanto, foi o entendimento de que as pessoas não seriam devolvidas. Então se eu chegar pelo mar, eu vou poder ficar no território de Ceuta, Ceuta que é a Espanha, e depois eu dou um jeito de chegar na Europa.

Não é esse o entendimento. Então esse é um entendimento apenas parcial e errôneo da decisão do Tribunal Supremo da Espanha. Então já começou por aí. Então quando a gente teve aquela quantidade de gente, Daniel, fala-se aí em até 60 mil pessoas, que é um negócio inacreditável, né, cruzando ali aquela cerca. Então, cara, ele tá no Marrocos, ele entra no mar, nada até uma distância considerável da costa para poder passar da cerca a cerca que avança mar adentro, e depois ele volta e entra em Ceuta.

Há um entendimento por parte dessas pessoas de que elas não seriam devolvidas, o que é errado, porque elas poderão ser devolvidas, vai demorar só alguns poucos dias a mais. Outra coisa que contribuiu também, Daniel, foi que o Parlamento espanhol prevê uma votação que deve acontecer no mês que vem, né, em setembro, uma lei concedendo a nacionalidade espanhola para pessoas nascidas no Saara Ocidental antes de 1977. Então esse aqui é um outro ponto, né, Daniel colocou na linha do tempo dele.

Até 1976, o Saara Ocidental era uma possessão espanhola. Em 76, a Espanha faz um acordo com Marrocos, deixa o Saara Ocidental, e desde então que o Marrocos diz é: opa, tem acordo com a Espanha, o Saara Ocidental é meu. Então o que o parlamento deve votar no mês que vem é uma lei determinando que pessoas que nasceram no Saara Ocidental antes de 1975, até 77, até 77, serão reconhecidas como espanholas. Então está falando de pessoas com, na casa ali dos 50 anos ou mais, que tenham nascido no Saara Ocidental.

E se irrita muito Marrocos, porque você vai começar a ter pessoas no Saara Ocidental que tem nacionalidade espanhola. O que o Marrocos diz é: não tem essa, Saara Ocidental é meu. E para piorar a situação, você ainda teve a visita do Pedro Sánchez, que é o primeiro-ministro espanhol, quer dizer, o chão de presidente de palma, na prática ele é primeiro-ministro, à Argélia, que é um rival do Marrocos e que apoia a independência do Saara Ocidental.

Então tudo isso, Daniel, também colocou o Marrocos numa posição que é: meu amigo, você quer ir lá tentar entrar na Espanha? Vamos dar um susto neles. Vamos ver como é que é, como é que a Espanha vai lidar com isso. Vamos ver como é que a Europa vai lidar com isso. Você vai ficar mexendo com o Saara Ocidental, vai dar nacionalidade, vai visitar Argélia e tal. Então vai lá. O que não é uma novidade, Daniel, porque a Turquia faz isso, né, do outro lado da Europa.

Turquia faz algo parecido, que é: eu vou deixar passar, vou deixar uns sírios, uns afegãos passarem aqui, e vocês veem como é que vocês vão lidar. Vamos ver se vocês não vão querer negociar comigo. E respeitar as minhas posições com relação aos assuntos regionais.

TBTanguy Baghdadi

E é interessante porque essa aproximação entre Espanha e Argélia, ela tem uma motivação econômica fortíssima. Afinal, a Argélia é uma grande fornecedora de gás natural para os espanhóis. Diante das múltiplas crises no mercado energético internacional, os espanhóis enxergaram na Argélia justamente um caminho natural: precisamos nos aproximar dos argelinos como forma de garantir o abastecimento via gasodutos de gás para a Espanha e, eventualmente, até redistribuir para outras partes do continente europeu.

E isso irrita profundamente os marroquinos, até porque existe, de novo, a questão do Saara Ocidental. O Saara Ocidental é um ponto absolutamente central para a política marroquina e a Espanha tem tudo a ver com isso. Então, fica um pouco essa impressão que o Tanguy destacou há pouco, que os marroquinos mais ou menos disseram o seguinte: Ah, é a Espanha, está se aproximando da Argélia, né? Está querendo passar lei para dar nacionalidade espanhola para o pessoal do Saara Ocidental, eventualmente até enfraquecendo o meu pleito em relação à soberania sobre o Saara Ocidental.

Então, vamos fazer o seguinte? Eu queria lembrar aqui que vocês têm duas possessões aqui dentro do Marrocos, na borda ali do Marrocos, na fronteira do Marrocos. Eu posso estar infernizando a sua vida. Porque, a partir de agora, o primeiro-ministro espanhol começou a ter problemas em relação ao Espaço Schengen, um monte de gente dizendo: Ah, tem que fechar o Espaço Schengen porque a Espanha não é um país seguro. Ele teve que ouvir o André Ventura do Chega dizendo que tem que fechar a fronteira com Portugal, a Giorgia Meloni dizendo que a Espanha é um problema, os poloneses, os finlandeses, até a Ursula von der Leyen.

Destacando ali que medidas precisam ser tomadas para garantir a segurança, de maneira muito protocolar. Mas no final do dia, nós tivemos a Espanha numa posição de fragilidade em relação aos outros países da União Europeia, e numa posição de fragilidade inclusive interna, porque o Pedro Sánchez tem sido ali um advogado de uma política migratória um pouco mais flexível, Tem sido, inclusive, advogado de que a Espanha e outros países europeus precisam dos migrantes como forma de oxigenar sua economia.

Tem tido uma política um pouco mais flexível no que diz respeito até à concessão de nacionalidade. E agora ele vai ter que passar uma parte importante do seu tempo dando explicações internas e dentro da União Europeia, internas na Espanha e dentro da própria União Europeia, dizendo: nossa, olha como a minha política está certa. Está certa mesmo, Pedro Sánchez? Eu não estou fazendo aqui um juízo de valor se ela está certa ou está errada, mas essa política agora vai ser mais escrutinada diante dos acontecimentos da última semana.

Quer dizer, você tem ali um elemento que muita gente vai dizer: puxa, mas será que estamos seguros diante dessa política do Sanches? Ou a política do Sanches está estimulando esse tipo de comportamento, esse tipo de avanço dos marroquinos para cá? Ou seja, são múltiplas camadas que estão aqui. Mas, se alguém queria infernizar a vida do Pedro Sanches, conseguiu. Esse é o meu ponto. E, de novo, me parece algo improvável que, em poucas horas, 60 mil pessoas tenham se coordenado e decidido em valentia celta.

Não me parece razoável achar que isso aconteceu através de um grupo de WhatsApp. Ah, vamos lá, todos nós juntos ao mesmo tempo. Até porque a maior parte dessas pessoas saiu voluntariamente nas horas seguintes. E você vê as imagens da entrada das pessoas, né, que tem um monte de gente chegando de chinelo, sem camisa, de maneira bem improvisada, muitos homens jovens. Fica a impressão, pô, será que essas pessoas realmente, ou pelo menos boa parte delas, estava tentando ali uma passagem numa situação realmente de desespero?

Ou será que há algo geopolítico, algo político um pouco maior em toda essa discussão? Então fica essa impressão, ficam essas hipóteses que estão sendo levantadas. O fato é que o Pedro Sánchez agora tá sob pressão junto aos seus próprios eleitores, junto aos espanhóis e junto à comunidade europeia de maneira mais ampla.

DSDaniel Sousa

Daniel Souza, hoje é dia 3 de agosto e no dia 9 temos Dia dos Pais, viu? E aí quem tá nos ouvindo aí, você pode ser pai. E aí a gente sabe, né, Daniel, que às vezes o cara é pai e ele tem que comprar o presente dele para que o filho dê. Ou então, se você quiser dar uma recomendação de qual qual presente você que é pai gostaria de receber, né? E aí você já dá uma direcionada, ou obviamente o presente que você que tá nos ouvindo quer dar para o seu pai.

Daniel, a Insider Store tem um monte de opção, e ela fez um negócio que eu gostei muito, Daniel, que foi separar os pais por estilo. E eu queria que você me dissesse, Daniel, se você tivesse que comprar um presente para o seu pai, ou se você tivesse que escolher um presente que o seu filho deveria te dar, Qual seria o seu perfil? Tem o kit treino. Acho que você é um cara bem treino, né, Daniel?

TBTanguy Baghdadi

Você acha que eu sou um cara treino? Você acha que é meu perfil?

DSDaniel Sousa

Tem o kit moderno. O kit moderno tá bem bonito, viu, Daniel? Bem bonito.

TBTanguy Baghdadi

Você tem que admitir isso, sou um cara bem moderno.

DSDaniel Sousa

Tem o kit todo dia, bom também, viu? Tudo isso aqui tá com desconto, tá, Daniel?

TBTanguy Baghdadi

Então é prático. Todo dia eu gosto.

DSDaniel Sousa

Ela já criou ali os perfis. Ela oferece então uma composição. Então às vezes é camisa com calça, camisa com short, duas camisas um short. Tem kit todo dia, Daniel, que é camisa, um short, uma meia, né? Tem kit casual, é conjunto masculino, workwear, Daniel, aquele para o pai que trabalha. Você é um cara trabalhador, né, Daniel Souza? Então ali uma camisa de trabalho e tal. Tudo isso tá lá na Insider Store. Agora tem que usar o cupom do Pet Jornal, cupom, o link tá na descrição desse episódio.

Você faz uma grata para o seu pai, tem certeza que você não vai errar. Aliás, comprou, pô, não serviu, o tamanho não ficou legal e tal, a troca é muito fácil, realmente muito fácil. Às vezes que eu precisei trocar alguma coisa na Insider Store foi muito tranquilo. Não perde essa oportunidade, o Dia dos Pais tá chegando e a Insider Store tá preparadíssima para tudo que você precisar para o próximo dia 9 de agosto.

TBTanguy Baghdadi

Fica aqui a nossa recomendação da Insider Store, gente. Insider Store que tem realmente no seu acervo roupas tecnológicas para as mais diferentes situações, para os mais diferentes perfis. Então, se o seu pai é uma pessoa que gosta de treinar, ou se é uma pessoa mais formal, ou se é uma pessoa mais casual, você vai encontrar peças para ele na Insider Store. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Pet Jornal. Link no descritivo desse episódio.

DSDaniel Sousa

Daniel Souza, acompanhar Donald Trump é um negócio muito cansativo, mas assim, não dá para dizer que tem tédio, tá? Porque ele parece— o João usou essa expressão aqui outro dia— ele parece uma biruta de aeroporto. Cada dia ele tá apontando para um lado, você não tem como exatamente saber para que lado que ele vai. No sábado, no sábado à noite, Donald Trump foi para rede social para avisar que os Estados Unidos suspenderam novos ataques ao Irã.

Parei, vou parar de atacar, vou parar de atacar. Não dá para entender exatamente da onde veio. Então, de início, ele tinha um cessafogo, daqui a pouco ele começa a atacar, e agora ele decidiu que ia parar de atacar em nome da assinatura de um acordo rápido para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o que foi mais maravilhoso nisso, Daniel, foi que na hora que ele foi justificar, parou de atacar.

Mas pô, você tava tão certo de que ia atacar, agora parou e tal. Ele disse que os iranianos pediram, os iranianos me pediram para eu parar de atacar para a gente poder aceitar assinar um acordo rápido. Daniel, não deu meia hora para o Irã falar assim: eu não, eu não pedi nada. Ô Trump, você tá enganado aí, cara, não pedi nada, não tô pedindo nada. Se você quiser continuar atacando aí, você ataca, o Estreito de Hormuz vai ficar fechado, eu continuo com meu programa nuclear, tá tudo certo.

É, mas aparentemente, Daniel, o que aconteceu foi que houve uma ligação, isso foi uma ligação oficial entre Donald Trump e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. O MBS. E aparentemente o Mohammed Bin Salman falou, Trump, pelo amor de nossa— ele não falou pelo amor de Nossa Senhora, né, mas ele falou pelo amor de Alá ou algo assim. Para de atacar os cara, faz um acordo, não, a gente não aguenta mais, assina um acordo com os cara porque a gente precisa vender petróleo.

O petróleo não tá passando pelo Estreito de Ormuz, os aliados do Irã que são os russos estão fechando o Mar Vermelho, está sendo uma dor de cabeça para mim. Então Trump colocou isso como se fosse um pedido iraniano, claro, Quando você diz que é um pedido iraniano, você tá dizendo que o Irã tá recuando, que o Irã tá pedindo em penico, né? Faz alguma coisa porque eu não aguento mais e tal. Mas aparentemente quem pediu isso foi a Arábia Saudita.

Segundo Donald Trump, essa, esse compromisso de não atacar o Irã seria seguido também por Israel. E aí eu fui, pô, o que que Israel falou sobre isso, né? E aí o Eli Cohen que é o ministro da Energia de Israel e membro lá do Gabinete de Segurança, disse que há uma estreita coordenação de segurança e inteligência entre Israel e Estados Unidos. Pensei cá comigo, pô, ele não tá respondendo, né? Vai seguir ou não vai, é, a suspensão de qualquer tipo de ataque?

Falou, não, a gente tá muito coordenado, mas com acordo ou sem acordo, se o Irã continuar fechando o Estreito de Hormuz e continuar com seu programa nuclear atacaremos. Então não senti muita firmeza por parte de Israel, mas o fato, Daniel, é que há uma certa expectativa de que ao longo das próximas horas haja algum tipo de negociação. Você sabe, Daniel, sou cético, acho que não vai ter acordo tão cedo. Mas o fato é que o Trump, ele apareceu, tirou da carta, né, tirou da cartola mais uma carta que é: o Irã pediu e o próprio Irã negou, Daniel.

Então vamos ver ao longo das próximas horas se algum novo acordo aparece. Mais uma vez, acho improvável que nós tenhamos um fim para esse conflito ao longo das próximas horas.

TBTanguy Baghdadi

Tivemos novidades na pauta da FIFA. Nós falamos sobre ela aqui na semana passada. FIFA apresentou ali a proposta do FIFA Forward Enterprise, que na prática seria uma privatização dos torneios da FIFA, fundamentalmente da Copa do Mundo. Houve ali uma resistência fortíssima liderada pela UEFA, que é justamente a Confederação Europeia. E o que acabou acontecendo foi que o Infantino, presidente da FIFA, recuou, desistiu do plano, desistiu de levar adiante o plano.

Já havia ali a sinalização de rejeição de mais de 130 confederações ao projeto. Então, o projeto já estava ali realmente natimorto. Agora, para surpresa de zero pessoas, quem não se posicionou nem contra nem a favor, muito pelo contrário, foi a CBF, né? Ah, fica aqui o nosso registro: a CBF não foi nem a favor nem contra, muito pelo contrário, ficou ali em cima do muro enquanto a galera se posicionava fortemente contra, liderados pela UEFA e, na sequência, pela CONCACAF.

A CONCACAF, que reúne ali, né, as confederações da América Central e também da América do Norte. E agora já se defende abertamente a saída do Infantino. É importante lembrar, a gente explora de forma esmiuçada isso em uma aula gratuita que está no YouTube do PetJornal. O Infantino não era alguém exatamente forte quando se tornou presidente da FIFA, ele acaba aproveitando um vácuo que se criou na instituição. Ele era secretário-geral da UEFA, mas aí o Platini não conseguiu se tornar presidente, que seria justamente o substituto do Blatter, o Blatter renunciou e tal, ele acabou como presidente da FIFA.

E, desde então, tem se mantido, mas muita gente no futebol olhava para o Infantino e dizia: Pô, esse cara não devia estar aí, né? Esse cara não tem estatura para ser o presidente da FIFA, não tem história para ser o presidente da FIFA. E o que acaba acontecendo é que, diante desse evento e diante dessa derrota, os inimigos do Infantino olham para isso e dizem: Temos aqui uma oportunidade, temos aqui uma janela de oportunidade.

Para derrubar o Infantino, porque está claro que ele não está preocupado com os interesses da organização, ele está preocupado com interesses pessoais, e ele é muito permeável a determinadas pressões, como a de Donald Trump. Então, você já teria um plano ali. Só existem algumas formas do Infantino deixar o cargo de maneira prematura. Ou ele renuncia voluntariamente, como aconteceu com o Blatter em 2015, Ou então você tem uma convocação de reunião de emergência do Conselho, que exigiria ali 19 dos 37 membros.

O Conselho poderia então pedir a renúncia do Infantino, que poderia se opor. Você poderia ter um congresso extraordinário da FIFA e, aprovado o pedido, ocorreria em até 3 meses. Infantino cairia se 106 das 211 associações votassem pela sua renúncia. Saída. O fato é que existe realmente muita pressão contra ele diante desses últimos acontecimentos. Realmente pegou muito mal, ficou muito na cara, Tanguy, o que ele estava querendo fazer, quais eram os interesses aos quais ele estava a serviço.

E já existe um possível substituto, rapaz, o Vitor Montagliani, 60 anos, presidente da CONCACAF e ex-presidente da Federação canadense de futebol é o nome mais contado segundo a imprensa europeia. Então, poderia ser ali uma possibilidade já de construir uma candidatura em substituição ao Infantino. Eu não vejo alternativa para a UEFA e a CONCACAF, em particular, voltarem a apoiar o Infantino. Não tem como, não tem como. Houve ali uma ruptura que não tem como ser reconstruída.

Pode ser que ele fique até o final do seu mandato, Pode ser que ele fique até o próximo Congresso da FIFA e eventualmente tente reconstruir pontes, mas é algo muito difícil porque você acabou tendo uma quebra de confiança na medida em que o presidente da FIFA se vê realmente enfrentando determinados interesses ou atendendo determinados interesses com objetivos muitas vezes personalíssimos. Só para registrar aqui o número, os números do conselho, né, ali da FIFA.

A UEFA tem 9 assentos, a AFC, que é da Ásia, 7, é a Confederação Africana, 6, a CONCACAF, que ali justamente América do Norte, América Central, 5, a CONMEBOL aqui da América do Sul, 5, e nós temos a Oceania, 3. A UEFA, a CONCACAF e também os asiáticos já são críticos muito ferozes do Infantino. Os asiáticos já eram há algum tempo, mas eles ainda precisariam de apoios extras se quisessem remover o infantino. Apoio que sabemos que pode acontecer, mas que o Brasil ficará neutro.

Porque o Brasil é um país neutro, o Brasil não se mexe, o Brasil é um país pacífico, né, Tanguy? Você sempre diz isso aqui, que é um país pacífico, um país diplomático, um país do diálogo. Então, não tem por que o Brasil entrar nessas rusgas, nessas confusões e fomentar conflitos. Num momento como esse, não é verdade?

DSDaniel Sousa

É verdade. O Brasil provavelmente vai esperar para ver quem é que vai ganhar e vai dar um apoio esfuziante a quem quer que seja aquele que aparentemente ali na esquina vai conseguir ganhar. Daniel Souza, eu fico sempre impressionado com a capacidade que a gente tem aqui no Pet Jornal de tratar de temas de política internacional, como por exemplo a piscina que tem em Washington. E tivemos mudanças, né, Daniel? Tivemos aí novidades Essa é a geléia da Shakira de hoje.

Me conta, Daniel, o que que aconteceu com a piscina de Washington, naquela piscina pública de Washington?

TBTanguy Baghdadi

Aquela piscina bonita, rapaz, daquela cena inesquecível do Forrest Gump, onde Forrest Gump faz ali um discurso, depois sai andando pelas águas para abraçar sua amada Jenny. O Tanguy, nós tivemos ali uma reforma nessa magnífica piscina, só que a reforma deu errado, né? Deu muito errado. A água ficou suja, ficou soltando tinta. E Donald Trump absolutamente focado na reforma dessa piscina, prioridade, que teria sido reformada. É importante, o Donald Trump tem muitas prioridades, é um cara bom de prioridade, ele tá focado realmente naquilo que é importante.

E a piscina foi reformada justamente por ocasião dos 250 anos de independência dos Estados Unidos. Pois bem, o Trump havia dito que era sabotagem, que não, sabotagem, a obra foi ótima, muito bem gerenciada por nós. Mas agora a verdade veio à tona. E o governo dos Estados Unidos retirou as acusações contra o ex-atleta olímpico David Hearn, canoísta, que enfrentava a possibilidade de 10 anos de prisão por suposto vandalismo no espelho d'água do Lincoln Memorial.

No novo documento da promotoria, é afirmado que o dano foi causado por uma instalação apressada e mal feita. Parece que o problema foi a obra mesmo e não vândalos. Como havia sido colocado. A gente tem acompanhado aqui no Pet Jornal, né, Tanguy, com muita atenção esse caso, porque é um caso relevante. Acho que é um caso de prioridade para todos nós, o que está acontecendo na reforma da piscina de Washington, na piscina ali do Lincoln Center.

Então, consequentemente, nós precisamos— Lincoln Memorial, não Lincoln Center, Lincoln Memorial. E por isso nós temos acompanhado. Mas agora houve uma admissão por parte do Trump. O Trump na Truth Social disse no último sábado o seguinte, abre aspas: pode ter havido alguma dificuldade com o empreiteiro, mas o dano maior foi causado por vândalos. E aí botou em caixa alta e fecha aspas. Então o Trump discorda 100% da decisão de retirar as acusações.

É inadmissível isso. A procuradoria está chegando à conclusão precipitada de que foi uma obra mal feita. Não foi uma obra mal feita, foram vândalos, vândalos que acabaram ali destruindo a obra recentemente feita, inaugurada para celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.

DSDaniel Sousa

É por isso que até agora ele não conseguiu resolver a questão de hormônios, Daniel, é porque é muito difícil, né, você ter que dividir suas atenções entre um tema secundário, né, hormônios e tal, questão de energia e tudo, enquanto você não, você tem que ficar se preocupando com questões relacionadas à reforma da piscina de Washington, né. Então acaba chamando atenção. Eu reparei, por exemplo, que você falou que ele foi para Truth Social, né, a rede social dele lá, para falar sobre a piscina.

Foi no mesmo dia que ele foi para dizer, por exemplo, que o Irã ia parar de ser atacado. Então há uma divisão de atenções, o que dificulta realmente você solucionar uma questão menor, né, uma questão secundária como tudo que tá acontecendo em Hormuz. Daniel, quero deixar aqui a recomendação: quem quiser saber mais sobre Ceuta Melilla, Gibraltar, tudo isso tem aulas específicas lá no PetiCursos, tá? Acessa lá peticursos.com.br.

A gente tem um curso lá que foi gravado um tempo atrás sobre essa, essas áreas em disputa, né? Então uma coisa que a gente falou no episódio de hoje, lá nesse episódio, é que o Marrocos até hoje não aceita a soberania espanhola sobre Ceuta e Melilla, que estão ali em território africano. Por quê? Da onde vem isso? Como é que isso funcionou? Como é que funcionou ao longo da história? Temos curso sobre isso. Aliás, não apenas sobre isso, sobre grande parte dos assuntos que acontecem mundo afora.

A gente tem algo a dizer lá no Petit Cursos. Cursos completos, você assiste no formato de streaming, você assiste na hora que você quiser, do jeito que você quiser, na hora em que você quiser. Acessa lá, petitcursos.com.br.

TBTanguy Baghdadi

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. Peti é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado de mídia ou de uma grande produtora, é um produto artesanal, digital, e por isso a ajuda, o auxílio de nossos apoiadores, o apoio de nossos apoiadores é de fundamental importância.

E fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, Se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio, temos várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Temos o link do Apoia.se, que acaba sendo ideal para quem prefere a alternativa do cartão de crédito, e aí acaba tendo uma recorrência no apoio.

Tem também o Patreon, que é muito bacana para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

DSDaniel Sousa

É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu, tchau tchau!

TBTanguy Baghdadi

Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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