Episódios de Petit Journal

FED ignora Trump - Invest 124

31 de julho de 202612min
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Donald Trump intensifica a pressão sobre o Federal Reserve para reduzir os juros, mas o banco central americano mantém sua postura e resiste às investidas da Casa Branca. No episódio, explicamos por que Trump deseja taxas mais baixas, como isso pode estimular a economia, reduzir o custo da dívida pública e fortalecer sua agenda política, além de discutir os motivos que levam o FED a priorizar o controle da inflação.
Também analisamos por que o cenário atual dificulta uma queda dos juros. O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a escalada da guerra no Oriente Médio, o impacto sobre os preços da energia e outros fatores inflacionários mantêm a autoridade monetária em alerta. Discutimos ainda quais podem ser os efeitos dessa disputa entre governo e banco central para os mercados, para o dólar e para a economia global.
#FED #EstadosUnidos #Juros #Inflação #Investimentos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos4
  • Fed ignora TrumpDonald Trump e a NASA · Presidência do Federal Reserve · taxa de juros
  • Inflação e Política Monetáriatarifas de importação · guerra no Oriente Médio · preço dos combustíveis
  • Impacto eleitoral da política de juroseleições de meio de mandato · popularidade de Trump
  • Juros nos EUApolítica de juros · preço do petróleo
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

PetiJornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o Peti Invest número 124. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 10 horas e 18 minutos da sexta-feira, 31 de julho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece, ó: Tanguy, vírgula, ô Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, tarifado, mais tarifado, mais tarifado, já perdi a conta de quantas tarifas estão incidindo sobre as exportações do professor Bagdadi.

E diante disso, ele está muito preocupado, com muita insônia e viciado em brigadeiro de colher na madrugada. Mas enfim, podemos auxiliá-lo de alguma forma através de nossa companhia aqui nesse magnífico podcast, o Petit Jornal. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos do ambiente de negócios, da dinâmica de investimentos, da economia internacional.

É o Petit Invest, espaço de toda sexta-feira do Petit Jornal. Está recuperado, Tanguy, do seu vício de brincadeira de colher na madrugada? Como vai?

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para mais um Pet Invest, o nosso tradicionalíssimo episódio da sexta-feira. Um prazer tá aqui mais uma vez para esse Pet Invest 124. Pô, Daniel Souza, a pessoa que tiver ouvindo a gente aqui e repudiar, deixar bem claro, não é apenas um brigadeiro de colher, é um brigadeiro de colher na geladeira de madrugada. Porra, é irresistível, Daniel Souza, irresistível. Então demanda muita força de vontade.

Tenho tentado ter, mas nem sempre é fácil. Deixa aqui as boas-vindas a todo mundo que nos acompanha, pessoal que tá junto com a gente aqui nesse último episódio da semana. E Daniel Souza, para episódio de hoje a gente tem que falar sobre essa relação conturbada entre Donald Trump e o Fed. Não é de hoje que Donald Trump tenta colocar o Fed sob seu controle, né, nas rédeas curtas. E a gente sabia desde o início, né, desde que teve a mudança do presidente do Fed, que não seria fácil.

As escolhas que o Fed tem que tomar, elas são complicadas, entre uma atuação técnica e uma subserviência política. Me conta, Daniel, o que que vem acontecendo ao longo da semana? Como é que tá essa relação aí entre Donald Trump e o Fed, Daniel?

DSDaniel Sousa

Nessa semana, Tanguy, nós tivemos mais uma reunião do Fed, que acontece periodicamente, né, no intervalo de aproximadamente 45 dias. E o Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, decidiu, uma vez mais, manter a taxa de juro básica inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Na prática, foi uma decisão em linha com as expectativas, não teve muita surpresa em relação a isso. Mas a gente sabe que, em um passado não muito distante, o Donald Trump criticava demais o Federal Reserve do Powell, que era o presidente anterior.

E o que acabou acontecendo é que houve a troca do presidente do Fed, o Trump sugeriu ali, em alguns momentos, a expectativa de que houvesse uma mudança no Fed, que o Fed deixasse de ser inimigo dos Estados Unidos e que começasse a adotar uma política mais flexível com juros menores. Isso não aconteceu, não houve espaço para queda dos juros, e, em grande medida, a culpa é do próprio governo Trump. Você tem tido dois vetores de pressão inflacionária nos Estados Unidos, que têm como origem o próprio governo Trump.

Em primeiro lugar, as tarifas. As tarifas de importação têm gerado pressão inflacionária. É claro que o tamanho do impacto varia dependendo da universidade ou do instituto que faz a conta, mas todos concordam que há impacto, que o impacto tem sido sentido na economia dos Estados Unidos e tem pesado no bolso das famílias americanas. Um segundo elemento É a questão da guerra no Oriente Médio e, consequentemente, o aumento do preço dos combustíveis, o que gera efeitos inflacionários muito evidentes e também diminui o poder de compra das famílias.

Diante de uma inflação pressionada por tarifas e por um combustível mais caro, fica difícil para o Fed reduzir taxa de juros, afinal, ele tem, de alguma forma, que tentar manter ali a inflação sob controle, tem que perseguir a meta de inflação que, nos Estados Unidos, é de 2% ao ano. Mas o Trump, sendo Trump, sugere ali o tempo todo que o Fed vai obedecê-lo, que aliás é algo que o Trump faz nas mais diferentes áreas. Ou seja, eu quero alargar o meu poder, eu quero ter mais poder do que a Suprema Corte, eu quero ter mais poder do que o Congresso, eu quero ter mais poder do que o Banco Central.

Em situações em que eu não estava interferindo, eu quero começar a interferir. Em situações em que o Banco Central estiver ali agindo de forma inadequada, eu quero que o Banco Central aja de uma forma que eu considero adequada. É sempre importante também lembrar que tem por trás uma preocupação do Trump em relação aos seus próprios negócios. Juros mais altos nos Estados Unidos, ou juros que não caem, né, e consequentemente são mais altos do que seriam se eles tivessem caído, atrapalha, tá, que mercado acionário.

Você sabe que o Trump tem muitas ações, né, rapaz? Então Quando baixa a taxa de juro, as ações acabam subindo, porque as pessoas tiram dinheiro dos títulos americanos e acabam levando para o mercado acionário e para outros ativos de renda variável. Mas, se o juro ficar alto, as ações não valorizam tanto. Isso é ruim, né, rapaz? Para quem tem muita ação, para quem tem muita posição no mercado acionário, como é o caso do Trump, que não administra.

Ele já deixou claro que não administra o patrimônio dele, que isso foi passado ali para os filhos.

TBTanguy Baghdadi

E, Daniel, a gente vai ter eleição de meio de mandato, né, as midterms, é esse ano agora, falta alguns poucos meses. A popularidade do Trump, por tudo isso que você falou, tá cada vez mais baixa, né, uma situação cada vez mais complicada para ele. E me parece, Daniel, queria te ouvir sobre isso, que ele tá precisando de uma vitória, ele tá precisando falar assim: tá vendo aí, eleitor americano, consegui, fiz o Fed baixar os juros, você que tá precisando de crédito, você que quer fazer um investimento, você vai ter crédito mais barato.

Ele tenta colocar o Fed também como uma espécie de inimigo interno, né, os juros altos como inimigo interno. Me parece que seria uma sinalização importante. Eu tenho impressão, Daniel, de que depois da eleição de meio de mandato ele vai continuar falando sobre o Fed, sobre a necessidade de baixar os juros. Mas se ele pudesse escolher, ele escolheria o Fed baixar os juros agora, é porque já traria um efeito até a eleição. É mais ou menos por aí? Você consegue ver dessa forma também?

DSDaniel Sousa

Com certeza, Tanguy. Afinal, quando a gente tem uma decisão de redução de juros por parte do Fed, isso acaba tendo impacto sobre as expectativas. Nesse caso, um impacto positivo. Afinal, as pessoas passam a ter ali uma perspectiva melhor do ponto de vista econômico. Portanto, o Fed não mexer na taxa de juros, do ponto de vista eleitoral, é ruim, né? Porque passa ali uma ideia de que a economia não está melhorando ou de que você não está tendo um avanço significativo.

Agora, uma vez mais, questões como tarifas e o aumento no preço dos combustíveis por conta da guerra no Oriente Médio são incontornáveis dentro do atual momento e acabam sendo aspectos que dificultam demais o trabalho do Fed. Ele tem que buscar ali uma compensação através dos juros para tentar manter a inflação um pouco mais baixa um pouco mais sob controle.

TBTanguy Baghdadi

Agora, o Fed, Daniel, ele tem que proteger o Trump dele mesmo, né? Porque se o Fed baixa os juros, a inflação vai explodir ainda mais durante a gestão do próprio Trump. O Trump, ele pode chegar lá no seu terceiro, quarto ano de mandato, né, emparedado politicamente, porque ele pode ter perdido a maioria no Congresso, né? A chance disso acontecer é muito grande. De novo, a popularidade dele é baixa nesse momento. A tendência é que ele não consiga transferir votos para os candidatos do Partido Republicano, para os candidatos da base trumpista, né, a galera do MAGA.

E é possível que se o Fed, por exemplo, eu não acho que vai acontecer, tá, mas se o Fed seguir aquilo que o Trump tá demandando, baixar os juros, a inflação ela venha mais agressiva ainda no final do mandato. Isso pode estragar, inclusive pode complicar ainda mais uma eventual eleição, né? Na verdade, eventual não, a gente imagina, né, que a eleição vai acontecer em 2028, né? Será que Trump vai conseguir fazer o seu sucessor? Então eu fico imaginando também o senhor Kevin Walsh, né, presidente do Fed, imaginando: ô Trump, eu tô precisando salvar sua pele, porque se eu baixar os juros agora, essa bomba estoura no seu colo ainda, né?

Não no colo do sucessor, e você não vai conseguir fazer um sucessor daqui a 2 anos.

DSDaniel Sousa

Ah, mas será que o Trump tá tão preocupado assim com sucessor, Tanguy? Pode ser que ele queira que o sucessor seja ele mesmo, ou pode ser que ele queira apenas que exista ali algum tipo de interrupção nos processos eleitorais dos Estados Unidos. Afinal, ele tem sinalizado que não acredita na correção, né, da das apurações de votos por lá. Claro que é uma provocação, você tem toda razão quando você diz que existe a possibilidade de haver impactos sobre o próprio governo americano.

E eu tenho a impressão que a questão da inflação é muito deletéria para a popularidade de qualquer governo, e com o Trump não é diferente. As pessoas perdem poder de compra conforme a inflação sobe, isso irrita profundamente as pessoas. Isso vale para o Brasil, vale para os Estados Unidos, vale para a Europa, vale para qualquer lugar. Por conta justamente dessa sensação de que a sua vida tá sendo cada vez pior quando o seu poder de compra— olha lá, tá aqui, poder de compra— acaba diminuindo em função de um processo inflacionário.

TBTanguy Baghdadi

Vencemos, Daniel Souza resistiu e não usou a palavra affordability. Conseguimos, vencemos. Daniel Souza aderiu ao poder de compra. Daniel Souza, se você tivesse que projetar o futuro aí, que que você imagina que vai acontecer com juros nos Estados Unidos? Vai continuar subindo? Vai ficar estável? Como é que você imagina? Claro que aqui não é um exercício de futurologia, eu não tô pedindo para você adivinhar nada, mas olhando o que há hoje, para onde você imagina que os juros vão? Qual vai ser a decisão do Fed?

DSDaniel Sousa

Pois é, Tanguy, ainda tá bem longe para a próxima reunião, mas por enquanto não há nada que autorize a gente a acreditar que o Fed vai mudar a sua política por enquanto. Ou seja, a tendência é que você mantenha ali juros em um patamar um pouco mais alto, justamente por conta dessa pressão inflacionária que continua. Mas, ao mesmo tempo, o preço do petróleo voltou a baixar, voltou a se comportar um pouquinho melhor e, consequentemente, está afastada, por enquanto, a possibilidade, a necessidade de juros um pouco maiores.

É claro que nós temos 100 anos, de forma figurada, até a próxima reunião do Fed, daqui a 45 dias, Até lá muita coisa pode acontecer, mas por enquanto o cenário de uma certa estabilidade na política de juros por parte do Banco Central dos Estados Unidos.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, a gente vai continuar acompanhando tudo por aqui, acompanhando a política econômica dos Estados Unidos, os impactos que isso traz para o Brasil, para o resto do mundo. A gente vai continuar falando sobre tarifas, vai continuar falando sobre guerra no Oriente Médio. É impressionante, né, Daniel, como é que todas essas coisas elas andam de mão dada, né? Parece uma grande ciranda, né? Uma coisa vai puxando a outra. Quando a gente fala sobre Rússia, a gente tá falando sobre energia, a gente tá falando sobre grãos, a gente tá falando sobre pressão, né, sobre preço dos alimentos.

Tá tudo andando mais ou menos junto. Aliás, é por isso que o nosso projeto faz todo sentido, cada vez mais sentido, né, ligar política internacional e economia. Esse foi o Pet Invest 124, o último episódio da semana. Na segunda-feira a gente volta com mais um bate-papo, aliás, com mais de 2 bate-papos, um de manhã e um no fim da tarde, início da noite. Daniel Souza, nos vemos, um abraço e até a próxima. Valeu, tchau tchau!

DSDaniel Sousa

Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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