Episódios de Petit Journal

Não vai ter Copa! - BP 1120

31 de julho de 202633min
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A FIFA anuncia um plano para vender participação a investidores privados e desencadeia uma forte reação da UEFA, abrindo um novo capítulo na disputa sobre o futuro da governança do futebol mundial. Também analisamos o anúncio de Donald Trump sobre um suposto acordo para o desarmamento completo do Hamas e das demais facções na Faixa de Gaza, a decisão da Rússia de prorrogar a proibição das exportações de diesel e gasolina e a inédita visita de uma missão do FMI à Venezuela após mais de vinte anos.
Falamos ainda sobre a convocação do embaixador brasileiro em Assunção pelo governo paraguaio, em resposta a declarações de Luiz Inácio Lula da Silva, e os impactos diplomáticos desse novo atrito regional.
Na Geleia da Shakira, o Departamento de Estado dos EUA vira alvo de críticas ao exibir um mapa incorreto da África durante a conferência AIDS 2026, no Rio de Janeiro, enquanto uma foto do Pentágono viraliza por conter um inusitado prompt de inteligência artificial: "PRECISO DE AJUDA PARA CRIAR UMA GUERRA".
#Geopolítica #FIFA #EstadosUnidos #Rússia #AméricaLatina
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos7
  • FIFA e o marketing político da CopaFIFA · UEFA · Tribe Eternal · Tensão EUA-Irã · Donald Trump e a NASA · ISL
  • Guerra em GazaDonald Trump e a NASA · Hamas · Israel · Faixa de Gaza · Força internacional de estabilização
  • Crise diplomática Brasil-ParaguaiLula e Trump · Paraguai · Guerra do Paraguai · O Senhor dos Anéis
  • Futuro da Guerra com IASecretaria de Defesa dos EUA · Inteligência Artificial · Google Gemini · Grok
  • Sanções à Venezuela flexibilizadasAlerta FMI · Comparação com precedente venezuelano · Nigel Chalk · Delcy Rodríguez · Hugo Chávez · Donald Trump e a NASA
  • Petróleo RussoRússia · Ucrânia · PIS e Cofins do Diesel · Gasolina cara nos EUA
  • Departamento de Estado dos EUA· PoliticaDepartamento de Estado dos EUA · História da África · Inteligência Artificial · OpenAI
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1120. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 21 horas e 37 minutos da quinta-feira, 30 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece, Cor, Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, com mais tarifas, ainda mais tarifas. Professor Bagdadi perdeu a conta de quantas tarifas incidem sobre suas exportações.

E o professor Bagdadi tem tido muita insônia, muito preocupado com essa dinâmica internacional de um mundo incerto e pantanoso. O professor Bagdadi tem mergulhado no vício, o vício da colherada do brigadeiro, o brigadeiro de colher em meio à madrugada. Ele relatou isso. Relatou isso na live de hoje, ou melhor, na resenha de hoje, que ele tem se entregado a esse vício por conta dessas múltiplas preocupações do cenário internacional.

E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza, com S. E vamos lá para mais um bate-papo, bate-papo 1120. Um prazer tá aqui mais uma vez, completamente fora do horário, né, Daniel? São 21 horas e 38 minutos. Já desacostumamos a gravar nesse horário, mas aqui, Daniel Souza, é compromisso. Vai ter episódio independente do horário. Queria dar as boas-vindas a todo mundo que nos acompanha, pessoal que tá junto com a gente, principalmente, Daniel, pessoal que quer saber Por que que a Copa de 2026 foi a última?

Que que vai, que que está acontecendo? Que loucura é essa, Daniel? A UEFA falou, não participo mais. Tá acontecendo, Danielson? Não vai mais ter Copa? Me conta.

DSDaniel Sousa

Tem que ir. Recentemente nós tivemos um curso no peticursos.com.br sobre futebol, tivemos uma aula gratuita sobre FIFA, e olha, a gente achou que já tinha visto de tudo. Mas não, a FIFA sempre nos surpreende e é capaz de levar a criatividade a novos patamares. Pois bem, a FIFA divulgou a ideia de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender 20% de suas ações a um grupo de investidores por 4,2 bilhões de dólares. Essas ações, Tanguy, elas seriam distribuídas pela Tribe Eternal, fundo de investimentos de Joshua Kushner, que vem a ser justamente o irmão do genro de Donald Trump, que tem inclusive o mesmo sobrenome.

Apesar de ter dado esclarecimentos sobre o plano, a FIFA vai ter que submeter esse plano à votação entre as 211 federações nacionais filiadas à FIFA. E o interessante é que o presidente da FIFA promete dar mais dinheiro para as federações caso esse projeto seja aprovado. É a FIFA sendo a FIFA. Atualmente, R$41 milhões, o equivalente a R$41 milhões por país. Até 2030, R$102 milhões. Até 2034, R$112,5 milhões. Até 2038, o equivalente a R$123 milhões por federação.

Infantino, no Congresso da FIFA em Vancouver nesse ano, disse o seguinte: nossa próxima etapa de crescimento exige uma estrutura preparada para sustentá-la, na qual a área comercial do futebol, opere como um negócio focado e dedicado, com o valor que gera sendo distribuído de forma mais ampla e equilibrada em todo o mundo. A UEFA ficou uma fera! E a gente sabe que, sem a UEFA, que é a confederação europeia, a FIFA tem que virar uma federação de bairro, né?

Na prática, o coração do futebol mundial É a UEFA, é o coração do futebol mundial, é a Europa, ainda é a Europa, tanto que nos Estados Unidos eles se referem ao futebol europeu, né, que é o soccer na nomenclatura dos Estados Unidos. E a UEFA disse o seguinte: isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar, especialmente com zero transparência, quanto a quem ganha financeiramente.

Nenhum de nós é dono do futebol, não cabe à FIFA vendê-lo. Porque é disso que se trata. A FIFA está propondo vender o futebol. Quer dizer, então você cria uma empresa, uma subsidiária da FIFA, você pega 20% das ações dessa subsidiária, coloca nas mãos de um grupo de investidores que poderiam comercializar. Essa empresa, ela pode inclusive vender direitos futuros de torneios futuros, trazendo a valor presente essa grana e impulsando realmente um elemento significativo.

É impossível, é impossível olhar para isso e não lembrar de ISL. Quem não conhece o caso da ISL, vai lá na aula do PetiCursos, está no YouTube do PetiJornal. A ISL, ela que foi criada no início da década de 80, e ela comercializava os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Na prática, então, a FIFA entregou para essa empresa, essa empresa revendia os direitos de transmissão e ficava riquíssima em cima dessa revenda dos direitos de transmissão.

Me parece que o modelo aqui, Taqui, é mais ou menos o mesmo. Você repassa os direitos dos torneios, que é efetivamente onde a FIFA ganha dinheiro. E essa empresa, que inicialmente vai ser apenas de 20% dos investidores, mas nada impede que de 20 vire 25, 25 vire 40, 40 vire 45, e assim sucessivamente, antecipe e comercialize ali uma grande quantidade de torneios. E a ameaça da FIFA, ou melhor, a ameaça da UEFA, é a seguinte: nós não participaremos de nenhum torneio chancelado pela FIFA enquanto essa proposta estiver sobre a mesa.

Nós não admitimos o que a FIFA está propondo fazer nesse momento. E é ainda mais estranho quando o irmão do genro do Trump está envolvido, depois de toda essa proximidade que os Estados Unidos e que o Trump acabaram tendo com o Infantino, É tudo realmente muito esquisito, ou melhor, não é nada esquisito, porque a gente já viu operações muito semelhantes sendo realizadas no passado. Vamos ver o que vai acontecer, Tadinho, mas a Copa do Mundo, inclusive feminina, de futebol, que acontece no Brasil em 2027, fica ameaçada, torneios de clubes e assim por diante, porque a UEFA parece muito firme na sua ameaça. De boicotar a FIFA caso esse projeto seja levado adiante.

TBTanguy Baghdadi

E o Gianni Infantino, Daniel, o atual presidente da FIFA, ele dá um jeito de embolsar uma grana de torneios que vão além do período em que ele vai estar na frente da organização, né, à frente da FIFA. O cara, ele coloca para dentro da FIFA hoje, ou seja, no momento em que ele é o presidente, uma grana de uma Copa do Mundo que vai acontecer daqui a 15 anos, né, quando provavelmente ele já não será mais o presidente. De fato, você tem a participação aí de pessoas ligadas ao Trump, né, com toda aquela relação que a gente viu, né, ao longo dos últimos tempos entre a FIFA e os Estados Unidos, né.

A FIFA doida para entrar nos Estados Unidos, para ter o mercado americano, e você tem alguém ligado ao presidente dos Estados Unidos, ainda que indiretamente, mas há uma ligação, é inegável, participando de uma negociata como essa. Então me parece que se a FIFA, quando a FIFA diz que não vai participar, mesmo essa, essa fatia de 20%, ela se desvaloriza muito, né? O cara que vai comprar, pô, vou comprar, mas sem a França, sem a Espanha, sem a Alemanha, sem— eu ia falar sem a Itália, mas sem a Itália é normal, mas sem essas seleções todas, talvez a coisa não faça tanto sentido.

Então é uma, é uma movimentação da UEFA que também é bastante inteligente, e é bastante inteligente justamente por conta desse peso que a confederação europeia acaba tendo.

DSDaniel Sousa

Lembrando que Infantino, ele fez parte da UEFA, né? Aliás, ele era o secretário-geral da UEFA, ele era o secretário-geral na época que o Platini era o presidente da UEFA. Ele acabou se tornando presidente da FIFA meio por um acaso, né? Você teve ali aquele tsunami em 2015 onde uma série de lideranças da FIFA acabaram sendo presas por conta ali de uma operação do FBI. É um movimento muito exótico que está sendo proposto. Claro que os europeus estão muito assustados com essa possibilidade, estão batendo muito firme, e vamos ver como é que essa história vai terminar.

Mas é um braço de ferro aqui, é uma disputa entre a FIFA e a UEFA nesse momento, o que pode trazer aí consequências muito relevantes para o futebol mundial.

TBTanguy Baghdadi

Já que o Trump apareceu na nossa primeira pauta, Daniel, falando sobre futebol, eu queria falar sobre um anúncio que ele fez agora há pouco, faz Talvez uma hora, uma hora e meia mais ou menos que esse anúncio saiu, Daniel. Donald Trump anunciou pelas redes sociais ter fechado um acordo histórico de desarmamento completo do Hamas e de outras facções na Faixa de Gaza. Vou passar minha impressão logo, Daniel. A gente já viu Trump fazer isso várias vezes.

No momento tem que ter uma negociação que tá travada, que tá por detalhes, ele vai lá e anuncia. Ele anuncia e joga a pressão para quem tá meio reticente. Meu amigo, já tá anunciado, é o seguinte, agora, pô, você vai vir a público, vai dizer que você não aceitou e tal, a culpa vai cair toda em você. Assim, é uma estratégia meio curiosa, né, Daniel? Porque isso acontece muitas vezes, ele anuncia e a outra parte vai lá e fala assim, olha, eu não acertei nada, tá?

Eu não tô nem aí, eu vou continuar não tendo aceitado isso. Mas Donald Trump fez esse anúncio, o que ainda carece, Daniel, de uma aceitação por parte do Hamas e por parte de Israel. Vou explicar o plano dele. O plano que ele anunciou hoje prevê um processo que vai acontecer em algumas fases. À medida que o desarmamento for acontecendo, ou seja, o Hamas ele vai se desarmando, as forças israelenses vão se retirando de Gaza, dando lugar a uma força internacional de estabilização e é uma nova polícia palestina.

Então o que ele tá dizendo é: o Hamas vai se desarmando, e na medida que o Hamas vai se desarmando, Israel vai saindo de Gaza. Falta acertar isso com o Hamas e com Israel. Tanto Hamas quanto Israel disseram que, olha, não é bem assim, não acertamos ainda, tem que ver como é que vai ser e tal. Inclusive, Daniel, porque o Donald Trump disse, já disse isso várias vezes, que busca uma liderança para liderar, né, um grupo para liderar a Palestina, né, incluindo Faixa de Gaza e Cisjordânia, que não seja nem o Hamas e nem Autoridade Palestina, que é liderada pelo Fatah.

Olha, Daniel, é muito difícil você encontrar um grupo que tenha força suficiente para governar a Palestina que não seja nem o Fatah, que governa a Cisjordânia, nem o Hamas, que governa a Faixa de Gaza. Então a impressão que eu fiquei, Daniel, foi que ele deu uma enchida ali na capacidade de negociação. É uma negociação que foi liderada por Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, né? Foram os 4 países que tiveram à frente dessa negociação naquele contexto ali das negociações de outubro de 2025, né, que levaram ao cessafogo, enfim, a paralisação daquela fase mais aguda de bombardeios israelenses contra a faixa de Gaza.

Só que ainda tem que ser aceitado, né, ainda tem que ser aceito, ainda tem que ter o aceite do Hamas e Israel também, né. Israel disse, olha, não tô satisfeito, não sei se vai ser bem assim, ainda tem muita coisa para ser vista. Mas é isso, né, o Donald Trump anunciou e vamos ver se a coisa vai adiante. Por falar em anúncio, Daniel, vou fazer aqui um anúncio para os nossos ouvintes, tem um link que está na descrição desse episódio, que é ouro, que é a possibilidade de você fazer compras na Insider Store com super desconto.

Daniel, eu preciso falar sobre isso, tá? Estamos falando sobre um kit com 3 tech t-shirts, com— anota aí, Dona Tona, pega papel e caneta— com 40% de desconto.

DSDaniel Sousa

Você disse 40?

TBTanguy Baghdadi

Você vai ganhar 40. Eu disse 40, rapaz. Agora, é só com cupom do Pet Jornal, tá? 40% de desconto no kit de 3 Tech T-Shirts. Ah, se você quer comprar, por exemplo, o Perfect Top, né, o top da Insider Store, também estamos falando de 27% de desconto no kit com 3 Perfect Top. Não perca, tem outras, tá, Daniel? Os best-sellers, todos aqueles produtos, os queridinhos da Insider Store, estão com super desconto agora. É para correr. É só de hoje para amanhã, tá?

A gente tá gravando esse aqui no dia 30. Dia 31 é o último dia, acaba. Não perde essa oportunidade.

DSDaniel Sousa

Nigel Chalk, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, reuniu-se com a presidente interina, Adeuci Rodrigues, em Caracas. É a primeira visita de alto nível do Fundo Monetário Internacional ao país em mais de 20 anos. O diálogo de alto nível havia sido interrompido durante o governo de Hugo Chávez, que via o FMI como instrumento dos interesses americanos. A última revisão econômica do artigo 4º foi realizada em 2004.

As relações foram retomadas formalmente em 2026, após a captura, o sequestro, de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro. O governo Delcy Rodrigues trabalha em estreita colaboração com o governo Trump para abrir o país a investidores estrangeiros e preparar uma reestruturação da dívida externa após quase uma década de inadimplência. Representantes do Banco Mundial e do BID também visitaram o país nos últimos meses. Delcy Rodrigues já sacou US$346 milhões de ativos reserva junto ao fundo, parte destinada à reconstrução do país após os terremotos do mês de junho.

A Venezuela ainda detém cerca de 4,2 bilhões de dólares em ativos de reserva junto ao Fundo Monetário Internacional. Na prática, a gente está falando de um claríssimo processo de reaproximação dos venezuelanos e de uma tentativa de normalização com instituições lideradas pelos Estados Unidos. É importante lembrar que o Fundo Monetário Internacional é sediado em Washington e tem como principal cotista justamente os Estados Unidos da América.

A Venezuela precisa de dólares entrando em sua economia, a Venezuela precisa de investimento estrangeiro, principalmente no setor de petróleo, para tentar retomar a produção, para que a produção volte. A patamares que ela já esteve no passado. Hoje, a Venezuela tem dificuldade de se aproximar da produção de 1 milhão de barris de petróleo por dia, sendo que, no passado, ela produzia mais de 3 milhões de barris com tranquilidade.

E, claro, reestruturar a dívida externa, recompor reservas internacionais do país é algo fundamental para atrair investimento estrangeiro, para atrair esses investidores. E para tentar restabelecer ali algum grau de normalidade. Mas é a Venezuela como praticamente um protetorado dos Estados Unidos e avançando nesse processo de normalização com instituições lideradas pelos próprios americanos.

TBTanguy Baghdadi

De América Latina para América Latina, Daniel. O governo do presidente paraguaio Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro em Assunção o José Antônio Marcondes de Carvalho, para entregar para o embaixador brasileiro em Assunção uma nota de repúdio formal contra declarações feitas pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O que aconteceu, Daniel, foi que o Lula esteve numa empresa, né, de defesa, né, Avibras Aerocom, né, em Jacareí, em São Paulo.

E para defender as Forças Armadas, ele tá falando ali sobre necessidade de reestruturar as Forças Armadas brasileiras porque o mundo tem entrado muito em guerra. E o Brasil ele quer paz e tal, ele disse o seguinte, abro aspas: nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que certa vez o Paraguai decidiu invadir o Brasil, invadiu Corumbá e ao mesmo tempo invadiu o Uruguai e Argentina. Fecho aspas. O Lula falou que tá certo.

DSDaniel Sousa

Isso é um fato, não é uma opinião, né?

TBTanguy Baghdadi

Aqui não é, exatamente, não é, não é, não é uma opinião dele, não é uma coisa que ele inventou, não é uma releitura da história. É a história da maneira como ela é. De fato, o Paraguai fez uma invasão, invadiu Corumbá, de fato invadiu Uruguai e Argentina, o que levou ao que o Paraguai chama de Guerra da Tríplice Fronteira, que a gente chama aqui de Guerra do Paraguai, da Tríplice Aliança, perdão, e que o Brasil chama de Guerra do Paraguai ali em meados do século 19.

A questão, Daniel, é que esse é um tema que o Lula levantou ali de maneira quase fortuita, porque assim que o Brasil trata né, assim que o Brasil lida com a Guerra do Paraguai, uma guerra muito antiga e tal, e que surge ali apenas como um exemplo. Mas esse é um tema extremamente sensível para os paraguaios, e me parece que tem até uma lógica, né. O Brasil, ele teve consequência da Guerra do Paraguai, claro que teve, mas quando a gente fala sobre o Paraguai, as consequências foram gravíssimas, foram duríssimas.

A mortandade no Paraguai foi algo gigantesco, né, é algo que até hoje para eles É um tema muito sério, é uma ferida que cicatrizou mais ou menos, né? Ela cicatrizou, mas ela tá ali, ela abre com muita facilidade. Então isso levou o governo do Paraguai a convocar o embaixador brasileiro para prestar explicações. Lembrando que o Paraguai considera que não foi exatamente que o Paraguai invadiu, ele joga a responsabilidade principalmente em interesses britânicos, né?

Que os britânicos teriam atuado ali para limitar as capacidades paraguaias e que o Paraguai apenas reagiu. E a fala do Lula teria dado a entender que teria sido um ato exclusivamente paraguaio atacar o Brasil, o Uruguai e a Argentina. O fato, Daniel, é que esse tema ele uniu não apenas integrantes governistas. Lembrando que o governo paraguaio é um governo de direita, é um governo que tem uma relação boa com outros governos à direita, que naturalmente vem o Lula como alguém que É, enfim, presidente do maior país da região, mas é um presidente mais à esquerda.

Então é algo que traz um certo incômodo nessa relação, mas agora uniu o Paraguai como um todo, né? O Paraguai como um todo lida com a questão da Guerra do Paraguai como algo muito sério, né? Como algo que de fato tem que ser levado em consideração com muita, com muita atenção. Quem se manifestou, aliás, né, uma curiosidade, foi o ex-goleiro José Luís Chilavert. Você deve se lembrar do Chilavert, né? Uma figura importantíssima do futebol paraguaio da década de 90.

E ele usou até uma linguagem bastante forte com Lula, né? Ele falou que o Lula é um bêbado, que ele mente, e que o Brasil tem que eleger o Flávio Bolsonaro. E eu lembro dele falando sobre a Guerra do Paraguai enquanto ele jogava. Eu lembro que teve um Brasil e Paraguai, se eu não me engano aconteceu em Assunção, e que ele disse que o Paraguai tinha que vencer o Brasil em memória aos mortos da guerra da Tríplice Aliança. Então, só para a gente ver como é que isso é algo que a gente não consegue imaginar nenhum brasileiro falando: vamos vencer por conta da Guerra do Paraguai.

Isso nunca passaria pela cabeça de ninguém aqui no Brasil, mas no Paraguai esse é um tema extremamente sensível. Então tá lá, gerou uma crise diplomática, a despeito da fala do presidente não ter nenhum erro, nenhum erro factual, nenhuma elasticidade retórica nem nada disso, mas gerou uma crise com o governo paraguaio.

DSDaniel Sousa

Daniel, Eu reforço esse ponto que o Tanguy colocou, que é um ponto absolutamente sensível para a sociedade paraguaia. Qualquer pessoa que já tenha tido contato com algum paraguaio sabe que a Guerra da Tríplice Aliança, ou Guerra do Paraguai, é uma ferida aberta para os paraguaios até hoje. Eles, inclusive, citam equipamentos militares que os brasileiros levaram, que nunca foram devolvidos. É uma lista de reclamações que os paraguaios têm em relação a esse evento histórico até os dias atuais.

Lembrando que a guerra acabou no dia 1º de março de 1870, ou seja, a guerra acabou, a gente está falando aí de 156 anos atrás. Foi uma guerra longa, sangrenta, que destroçou o Paraguai. Você teve ali, em um determinado momento, o Duque de Caxias, que era o comandante das forças brasileiras, capturou Assunção e considerou que a guerra estava encerrada, porque capturou Assunção, mas houve ali uma ordem para que a guerra continuasse até que o Solano Lopes fosse capturado, e, consequentemente, mais algum tempo foi necessário até que esse objetivo fosse atingido.

É claro que o presidente Lula falou de algo factual, mas tem que ir, faltou sensibilidade também, né? A gente está falando de um vizinho que não é qualquer vizinho, é o Paraguai, membro do Mercosul, etc., um vizinho próximo do Brasil. Nós sabemos da sensibilidade que esse tema tem em relação ao nosso país. Você quer falar ali sobre investimentos de defesa, tudo bem, mas acho que não é para falar do Paraguai, nem da guerra do Paraguai, nem desse exemplo.

Porque isso pode causar realmente rusgas com o nosso vizinho. É bem verdade que a resposta do Paraguai foi desproporcional também, não me parece que foi uma resposta adequada perto do que estava acontecendo, mas mostra um momento ruim que nós temos tido no continente sul-americano. Em particular, não houve a capacidade por parte do Brasil de retomar uma liderança regional, Houve ali uma tentativa de reconstruir todos aqueles empreendimentos dos dois primeiros mandatos do Lula.

Isso não foi adiante, acabou não acontecendo. É um continente que também está bastante polarizado e, nesse sentido, a liderança regional do Brasil acaba ficando bastante comprometida. Tanguy, avançando para a próxima pauta, eu quero registrar que o governo russo prorrogou até 31 de janeiro de 2027 a proibição das exportações de diesel e gasolina. Que inicialmente era válida apenas até 31 de julho, ou seja, até amanhã. Mas o governo russo decidiu estender por mais 6 meses essa proibição nas exportações de diesel e gasolina, o que impacta o Brasil.

O Brasil é um comprador de diesel da Rússia, principalmente. Impacta o mercado internacional, afinal, você acaba tendo menos oferta desses derivados de petróleo sendo disponibilizadas no mercado global. E o objetivo dessa medida, obviamente, é estabilizar o mercado interno após os ataques ucranianos de drones a refinarias, que têm provocado escassez de combustível dentro da Rússia e disparada dos preços. Isso é um elemento que mostra que a Rússia não tem a expectativa de resolver esse problema rapidamente, Tanguy.

Inicialmente, você adotou essa medida por algumas semanas no mês de julho, e a renovação prevê 6 meses, 6 meses é muito tempo, e é o governo russo já prevendo que os próximos meses não serão simples nesse conflito e que os danos causados até agora pelos ucranianos são suficientes e são relevantes no que tange ao mercado interno de combustíveis. Lembrando que a gente até já trouxe aqui no Pet Jornal que a Rússia tem batido recordes na importação de carros elétricos da China, o que é uma maluquice, né?

Se a gente pensa com o olhar de um passado recente, poxa, a Rússia, grande produtora de petróleo, uma das 3 grandes produtoras de petróleo junto com os Estados Unidos e Arábia Saudita. Estados Unidos está muito na frente, né, atualmente. Mas ela tá comprando carro elétrico, as pessoas estão comprando carro elétrico justamente porque estão temendo pelo abastecimento de combustíveis fósseis. E estão substituindo aí carros térmicos movidos a combustão interna por esses carros elétricos chineses.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, esse é o último bate-papo da semana. Eu acho que a gente tem a licença poética para fazer uma geleia da Shakira dupla, até porque o mundo não tem dado trégua, né? A gente tem geleia sendo produzida em escala industrial. Se você me der licença, Daniel, eu quero trazer a primeira geleia. Eu sei que você tem uma também, porque eu queria falar sobre uma apresentação que foi feita por um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos no dia de hoje na conferência AIDS 2026, que tá acontecendo aqui no Rio de Janeiro, lá no Rio Centro, para discutir naturalmente o cenário da AIDS, formas de combate, né, o que que pode ser feito, números dados, enfim, uma conferência da mais alta importância.

E o representante do Departamento de Estado, que é o Jeff Graham, que é o enviado especial de saúde dos Estados Unidos, ele apresentou um mapa falando sobre o continente africano. E ele queria destacar, Daniel, no mapa ali do continente africano, alguns países. E ele era alguns países que ele achava mais importantes e tudo. E no mapinha tem ali os países em destaque. Daniel Souza, eu descobri que eu não conheço muito bem os países do continente africano porque eu dei uma olhada no mapa e o mapa mostra, por exemplo, Moçambique lá no chifre da África.

Moçambique tá ali mais ou menos onde eu achava, pelo menos, né, a última vez que eu tinha olhado ficava Etiópia, né. Mas a gente sabe que países muitas vezes eles mudam de lugar. É a Nigéria, por exemplo, não, dos países mais importantes do continente inteiro, apareceu no meio do Saara, Daniel, do continente, é no meio do Saara, sem costa, né? Assim, a gente fica achando, às vezes, a Nigéria tem costa. Eu descobri nesse mapa que não tem, não tem.

É a costa do Marfim, por exemplo, também eu achava que ficava na costa ocidental, e não, Daniel, segundo esse mapa, a costa do Marfim tá lá na África Oriental. Né? Então tá ali do outro lado do continente africano. Como é que a gente se engana, né, Daniel? Mas o mapa todo errado. E se você olhar para imagem direitinho, Daniel, tem uma marca d'água, obviamente do uso de inteligência artificial, uma marquinha ali da OpenAI, que é exatamente a dona, né, a mantenedora ali do ChatGPT.

Então foi um mico, Daniel, porque obviamente ninguém conseguiu prestar atenção sequer na mensagem porque o mapa tava tudo errado e levou constrangimento do Departamento de Estado assumir total responsabilidade pela falha. Ah, mentira que a responsabilidade é de vocês! É mesmo, Departamento de Estado? Então olha aí, Daniel, ato de grandeza, Departamento de Estado assumindo total responsabilidade. A gente fica sacaneando, né, Daniel, que os Estados Unidos não sabem onde é que fica, né, país nenhum e tal.

E deu para ver, né, colocaram o mapa ali, ninguém foi conferir, ninguém sabia onde é que eram os países, tudo errado no mapa. De cima a baixo, Daniel.

DSDaniel Sousa

E em pleno ano da graça de 2026, com Google Maps, gente, abre o Google Maps e dá uma conferida ali se você colocou no lugar correto o país que você tá querendo analisar. E sim, temos uma segunda geleia da Shakira de hoje, e essa segunda geleia da Shakira envolve o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Sim, aqui não chamamos de Departamento da Guerra, chamamos de Departamento de Defesa. Porque o governo dos Estados Unidos não conseguiu aprovação do Congresso para essa mudança de nome.

Pois bem, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou no X uma foto do treinamento de inteligência artificial na base de Pearl Harbor, no Havaí, e um detalhe no laptop de um oficial chamou a atenção. A tela do Google Gemini exibia o seguinte prompt: I need help. Building an agent to create a war. É isso, hein? Então, ele precisava de um agente para ajudar na criação de uma guerra. A publicação gerou confusão, piadas nas redes, antes do Pentágono tentar dar algumas explicações que não colaram muito bem.

O oficial da foto é o tenente-comandante Brandon, Mizuhaara, da Frota do Pacífico dos Estados Unidos, participando de um evento de treinamento da GenAI Task Force em 21 de julho. A plataforma do Pentágono que dá acesso a modelos de IA de ponta, incluindo o Google Gemini e o Grok, a militares em determinados níveis de classificação, era justamente o objeto daquele treinamento. Em janeiro de 2026, o Pentágono anunciou uma estratégia de aceleração de IA voltada a mais de 3 milhões de militares e civis.

Em junho, Trump assinou diretiva de segurança nacional para colocar IA avançada nas mãos dos combatentes a agentes de inteligência. A gente fica um pouco na dúvida, é melhor o Gemini comandar a guerra nos Estados Unidos? Porque o Gemini, pelo menos, vai saber onde fica a Nigéria. O Gemini vai saber onde fica Moçambique. Ou não, Tanguy? Será que é melhor não? Deixamos aí do jeito que está, etc., esses rapazes talentosos tocarem os seus diferentes projetos.

Mas, claro que, tirando a parte lúdica e de brincadeira, é meio assustador você querer ali um agente de inteligência artificial para fazer a guerra, porque o agente de inteligência artificial não leva em consideração o componente humano nas decisões que uma guerra envolve.

TBTanguy Baghdadi

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Temos uma aula gratuita. E, gente, uma coisa que é importante vocês saberem é que Daniel Suárez, de vez em quando, ele tem uns hiperfocos. Quando ele tem hiperfoco, ele fica insuportável porque ele fala sobre esse assunto 10 horas por dia, mas ele sabe tudo sobre o assunto. Então ele teve um hiperfoco um tempo atrás sobre a FIFA. Então a aula está um espetáculo porque ele consegue explicar passo a passo todos os personagens, o que que aconteceu, que dia que foi, como é que o cara tava vestido e tal, tá tudo lá na aula gratuita do Petit Jornal, lá no YouTube do Petit Jornal.

Aliás, Daniel, fica aqui a recomendação: tem gente que ouve a gente pelo YouTube, pô, entra lá no Spotify, segue a gente lá. Quem ouve a gente no Spotify, pô, entra lá no YouTube, segue a gente lá. A gente tá em todas as plataformas, segue a gente em todas elas, porque isso ajuda demais. E se você quer mais informação, acessa lá petcursos.com.br.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé, fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petit é um produto digital artesanal e precisa muito da ajuda de seus apoiadores, e por isso registramos aqui o nosso agradecimento. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, que é uma forma bacana para quem prefere usar o cartão de crédito. Tem também o link do Patreon, que é muito bom para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta com Pet Invest, nosso episódio toda sexta-feira. Seja muito, você vai ser muito bem-vindo, né? Se você quiser assistir a gravação que a gente faz às 10 horas da manhã no YouTube do Bet Jornal. E na segunda-feira a gente volta com mais um bate-papo. Daniel Souza, nos vemos, um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!

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