Ucrânia atinge as comprinhas russas - BP 1119
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A Ucrânia amplia sua estratégia de atingir a retaguarda econômica da Rússia ao atacar instalações da Wildberries, maior plataforma de comércio eletrônico do país, em um movimento que evidencia como a guerra passa a atingir também a infraestrutura logística e comercial. No episódio, analisamos ainda a expansão do conflito no Oriente Médio para Iraque e Egito, o novo pacote de restrições dos Estados Unidos contra produtos tecnológicos chineses, incluindo robôs humanoides e inversores de energia, e o acordo de US$ 1,9 bilhão entre a Bolívia e o FMI.
Também discutimos a posse de Keiko Fujimori na presidência do Peru, o plano do Zimbábue para transformar seus minerais críticos em motor de desenvolvimento e os impactos geopolíticos da disputa por recursos estratégicos.
Na Geleia da Shakira, matemáticos apresentam um modelo estatístico que promete prever quando Donald Trump voltará atrás em suas próprias decisões.
#Ucrânia #Rússia #China #OrienteMédio #Geopolítica
- Conflito no Oriente MédioOriente Médio · Estados Unidos · Arábia Saudita · Irã · Iraque · Egito
- Ataques ucranianos em território russoUcrânia · Rússia · Wildberries · Comércio eletrônico · Impacto na vida do russo médio
- China impõe restrições aos EUAEstados Unidos · China · Direitos e deveres de robôs humanoides · Reposicionamento energético Japão · Segurança nacional · Segurança cibernética
- Declarações e previsibilidade de TrumpDonald Trump e a NASA · Preço do petróleo Brent · Rendimentos dos Treasuries · S&P 500 · Estreito de Ormuz
- Eleições e política na BolíviaEleições e política na Bolívia · Alerta FMI · Déficits fiscais · Produção de hidrocarbonetos · Reservas internacionais
- Política Nacional de Minerais CríticosNamíbia · Lítio · Minerais críticos · Cadeia produtiva · China
- Eleições PeruKeiko Fujimori · Peru · Segurança interna · Fenômeno El Niño
PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1119. Estamos gravando numa live no PetiJornal, são exatamente 17 horas e 27 minutos da quarta-feira 29 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece, o Tangui vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, adumante, descansado, tarifado, com mais tarifas e mais tarifas, e já perdemos a conta qual é a alíquota que efetivamente está incidindo sobre o professor Bagdadi.
Isso está trazendo impactos comerciais diversos, noites de insônia, Mas tenho certeza que ele vai superar esse momento de dificuldade, apesar de estarmos vivendo aqui no mundo pantanoso, incerto, imprevisível, mas temos o PetiJornal justamente para acompanhar com um mínimo de bússola esse mundo que é algo difícil de acompanhar. Mas temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1119, em dia de tornado, furacão, sei lá como é que chama isso que aconteceu aqui no Rio de Janeiro. Acabou a luz, sei lá se esse episódio vai sair, viu, Daniel, mas vamos tentar, né, do jeito que der aqui, segura na mão de Deus e vai. Queria dar as boas-vindas a todo mundo que tá nos acompanhando, todo mundo que tá junto com a gente aqui acompanhando as loucuras que acontecem por aí nesse mundão de meu Deus.
Daniel Souza, eu quero começar falando sobre Rússia e Ucrânia. Os russos, Daniel, estão assim: ah, tem guerra na Ucrânia, a Ucrânia é longe, né, não é aqui, não tem problema. Ah, mas a Ucrânia tá fazendo isso, aquilo, tá, mas né, o Putin tá aí para proteger a gente. Ah, mas não tá, então vai, o combustível tá mais complicado. Bom, mas eu consegui abastecer o carro, tá tudo ok, tá tudo bem. Né, então os russos eles estão tendo uma certa distância com relação à guerra.
Agora a Ucrânia, Daniel, descobriu um ponto fraco importante dos russos, começou a atingir a distribuição das compras feitas online. Aí, Daniel, você mexeu com o negócio que não se mexe.
Gasolina tudo bem, né, tanque diesel assim a gente contorna, dá um jeito, mas compras online não, né? Aí realmente, aí não, aí o governo fica em perigo, o governo da Rússia, né? Exatamente.
Então drones ucranianos têm atingido com cada vez mais frequência, ao longo da última semana isso aconteceu várias vezes, instalações de uma empresa que pode ser chamada de a Amazon da Rússia, que é a Wildberry, perdão, Wildberries no plural, Wildberries, maior gigante de e-commerce da Rússia com cerca de 45% do total. No dia de hoje, nessa quarta-feira, drones ucranianos atingiram o centro logístico da empresa, da Wildberries, em Riazan, além de outros alvos que vem atingindo também, refinarias, instalações e tal.
Mas quando você atinge essa empresa especificamente, a gente tá falando sobre algo que mexe no hábito, que assim como os brasileiros adquiriram, os russos, principalmente das regiões urbanas, também adquiriram. Quer fazer a sua comprinha online rapidamente? Esse produto chega na sua porta sem problemas, no conforto da sua casa. Ah, não tem gasolina? Preciso de gasolina? Não quero no shopping, eu não quero na loja, eu quero receber tudo na minha casa.
Isso levou inclusive a uma perda de 10% da capacidade de distribuição da Wildberries. E isso em poucos dias de ataque, começaram a atingir as instalações dessa empresa. A empresa inclusive já começou a buscar armazéns emergenciais no Cazaquistão. Você quer piorar a situação, Daniel? O governo passou a considerar que se você é um consumidor, tá, Daniel, você fez sua comprinha lá na Wildberries e não chegou porque por acaso seu produto foi bombardeado nas instalações da empresa, o que o governo está considerando é que é motivo de força maior e a empresa não será obrigada a oferecer reembolso para empresas, para mercadorias que tenham sido distribuídas.
Aí vai dar confusão, tem que ir, vai dar muita confusão isso aí. Como assim? Não tem nada a ver com isso se o armazém da empresa foi bombardeado, né? Responsabilidade de cada um.
Exato. Porta-voz do Kremlin, o Dmitry Peskov, a gente já falou sobre ele aqui várias vezes.
Porta-voz do Kremlin tá se pronunciando sobre comprinhas online e bombardeamento dessas comprinhas. É grave realmente esse, digamos assim, esse alvo alcançado pelos ucranianos.
Ele disse que a empresa não é legalmente obrigada a indenizar os clientes. Daniel, a gente tá falando aqui uma forma de brincadeira e tal, mas a Ucrânia ela começou a tentar fazer ataques que tragam impacto muito imediato. Não é a tentativa de vencer a Rússia derrotando todo o exército russo, invadindo território russo como ela já tentou no passado. Mas tentar fazer com que a vida do russo médio se torne mais complicada. Você atinge refinaria, que faz com que o cara tenha mais dificuldade de ter acesso a combustível.
Você afeta algo que se tornou um hábito das pessoas, que é de comprar, fazer compras online. Isso vem levando a uma queda na percepção de segurança que os russos experimentam ao longo do tempo. É verdade, Daniel, que Institutos de pesquisa, claro que fazer pesquisa na Rússia é sempre muito complicado, ainda dizem que a popularidade do presidente Putin é de 74% e do governo é de 52%, né? Então, separando aí o Putin do governo, o Putin 74%, o governo russo 52%, mas é o nível mais baixo desde 2022.
Então a Ucrânia, Daniel, tá encontrando aí alguns pontos fracos, né, algum certo calcanhar de Aquiles nessa capacidade da Rússia de se manter meio ilesa diante de uma guerra que acontece relativamente longe de casa.
Daniel, o Fundo Monetário Internacional anunciou acordo em nível técnico com a Bolívia para financiamento de 1,9 bilhão de dólares ao longo de 36 meses no âmbito do Mecanismo Ampliado de Crédito. O pacote equivale a 570% da cota boliviana no fundo. Ainda depende de aprovação do Conselho Executivo do FMI e de implementação de medidas prévias acordadas com o governo do país. O valor ficou abaixo dos US$3,3 bilhões pretendidos inicialmente pelos bolivianos.
O diagnóstico do FMI acaba desenhando ali problemas a serem enfrentados: déficits fiscais persistentes, queda na produção de hidrocarbonetos, a gente já falou sobre isso aqui no PetiJornal, quer dizer, a Bolívia com dificuldades na produção de petróleo e de derivados em função justamente da queda nos investimentos ao longo dos últimos anos, redução das reservas internacionais em moeda forte, em dólares americanos, inflação elevada, muito relacionada à desvalorização do câmbio e à escassez de dólares, e distorções nos mercados cambial e de bens.
O governo boliviano já fez uma redução nos subsídios aos combustíveis e abandonou o câmbio fixo, que foi mantido por 15 anos, em favor de um sistema mais flexível. Agora, ainda há um longo caminho a ser percorrido, O governo boliviano quer restaurar a sustentabilidade fiscal, quer racionalizar os gastos públicos, quer fortalecer a rede de proteção social, quer consolidar a transição para um câmbio ainda mais flexível, um câmbio potencialmente flutuante, quer fortalecer a autonomia do Banco Central e quer trazer reformas para estimular investimento privado e combater a corrupção.
De qualquer maneira, a gente está falando de um governo boliviano que agora tem aí um caminho a seguir e tem a possibilidade, claro que ainda depende de aprovação final, de um socorro substantivo do Fundo Monetário Internacional, que pode recompor as reservas cambiais do país. Na prática, o que acontece? Se o FMI libera essa quantidade de dinheiro, quase 2 bilhões de dólares, isso recompõe as reservas cambiais do Banco Central Boliviano e, consequentemente, evita desvalorizações que podem ali pressionar a inflação.
Claro, se valorizou o câmbio, importados ficam mais caros, isso pressiona a inflação do país. Além disso, investidores estrangeiros se tornam mais confiantes para investir na Bolívia, porque, afinal, o país está com reservas cambiais e está ali com uma ajuda e uma chancela internacional relevante. Se você, paralelamente a isso, fizer reformas e, consequentemente, criar um arcabouço um pouco mais favorável, pode ser que a coisa dê certo.
Mas depende de uma estabilidade política interna que a Bolívia não tem tido. Afinal, você tem tido uma oposição muito feroz contra o governo boliviano, que foi empossado há pouco tempo, e você tem tido aí também um desgaste de popularidade por conta dessa redução dos subsídios aos combustíveis que o governo tem feito. Na prática, a gente está falando de um país que depende cronicamente da exportação de hidrocarbonetos, e a produção de hidrocarbonetos ao longo dos últimos anos Caiu por conta ali de uma certa hostilidade, inclusive, dos bolivianos em relação a investimento estrangeiro.
Até o Brasil, até a Petrobras acabou sendo, num certo sentido, vítima de alguma hostilidade e, consequentemente, isso traz ali desafios para novos investimentos e para a manutenção dessa produção e expansão. Vamos acompanhar o que acontece. A Bolívia é um país importante, vizinho do Brasil. Tá passando por um momento difícil e precisa realmente retomar um aumento da sua capacidade produtiva e da sua geração de dólares para que a economia volte a ter um bom desempenho.
Daniel Souza, na próxima pauta eu queria falar um pouquinho sobre o Oriente Médio, né, porque a gente teve um dia hoje bastante agitado, realmente muito agitado no Oriente Médio. Só para a gente ter uma noção, Daniel, Estados Unidos e Arábia Saudita no dia de hoje promoveram ataques contra grupos aliados do Irã no Iraque. Então a impressão que dá é que a guerra tá passando por um certo momento de expansão geográfica. Mais grupos, os Houthis, já entraram na guerra de forma definitiva, bloqueando ali o Mar Vermelho.
E agora Estados Unidos e Arábia Saudita levam ataques também ao Iraque contra grupos aliados ao Irã. E provavelmente o Irã, Daniel, a gente não teve a confirmação, o Irã não confirmou, não teve uma confirmação definitiva ainda, Mas houve um ataque com drones contra um tanqueiro, né, de gás natural pertencente a uma empresa dos Estados Unidos no porto de Damietta, no Egito. Então existe a possibilidade, de novo não tem a confirmação oficial, de como retaliação a esse ataque Estados Unidos e Arábia Saudita contra grupos aliados do Irã no Iraque, o Irã ou grupos aliados tenham feito um ataque contra um barco, né, uma embarcação de propriedade dos Estados Unidos no Egito.
Olha como é que você começa a ter uma certa expansão e com uma preocupação cada vez maior de vários grupos diferentes, de vários atores diferentes, com relação à própria utilização da tecnologia como elemento crucial para um momento como esse. Por exemplo, houve no dia de hoje, Daniel, um comunicado por parte do CENTCOM, né? A gente tá falando aqui, portanto, sobre o centro de controle do governo dos Estados Unidos sobre o uso de celulares e daqueles óculos de vídeo, Daniel Souza, aqueles óculos da Meta, né, de outras empresas, por parte de militares.
Porque começou a ser uma preocupação cada vez maior do Exército dos Estados Unidos que militares americanos utilizem os seus celulares para fazer vídeos, fotos, vídeos com os óculos, e que vem vazando. Esses militares inclusive às vezes, pelo amor de Deus, coloca isso no Instagram isso é material para que o Irã consiga coletar informações sobre essas instalações. Então esse alerta do CENTCOM, né, mais uma vez do Comando Central, né, do Central de Comando dos Estados Unidos, com a possibilidade de tomar, igual adolescente, tá, né, vou tomar o seu celular, hein, se você continuar fazendo videozinho eu vou tomar o seu celular.
Isso vem deixando os militares e familiares dos militares nos Estados Unidos preocupados. É a forma que eles têm de se comunicar com os familiares e dizer, olha, tá tudo bem e tal. Mas você vê o nível de preocupação que a gente começa a ter quando a gente fala sobre uma guerra como essa no Oriente Médio. E também uma lógica de que você não pode subestimar o Irã. O Irã tem uma capacidade, a gente fala sobre isso aqui várias vezes, o Irã não é o Iraque.
O Irã tem capacidade de coleta de informações, de ataques precisos. Então esse é um elemento que é sempre importante a gente notar. E se isso é importante assim, né, se isso pode atingir uma estratégia militar de um país poderoso como os Estados Unidos, imagina, Daniel, a vulnerabilidade que nós cidadãos temos quando a gente fala sobre a internet. Então é por isso que você que tá me ouvindo precisa de uma boa VPN para poder se proteger na internet.
O termo é exatamente esse, para você poder se proteger. Quando a gente fala se proteger, é proteger os seus dados. É proteger informações pessoais, é proteger aquilo que você não quer que seja divulgado, é proteger os seus dados contra Big Techs, é garantir que as suas senhas estejam bem armazenadas, né, de forma absolutamente criptografada. E a NordVPN oferece para cada assinatura até 10 dispositivos protegidos, além de uma série de outras vantagens, como a possibilidade que você tem de acessar a internet por meio, né, de mais de 8 mil servidores espalhados em quase 130 países.
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Imperdível, gente. Tanguy, eu somos usuários da NordVPN. Fica aqui a recomendação: você precisa de um VPN para proteger os seus dados e também para construir alternativas de navegação. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Pet Jornal. Link no descritivo desse episódio. Clique, conheça o trabalho da NordVPN. É necessário proteger os seus dados, ainda mais nesse mundo que o Pet Jornal acaba descrevendo em todos os episódios.
Link no descritivo. Tanguy, a FCC, Comissão Federal de Comunicações, anunciou proibições a importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes chineses e de inversores de energia conectados, equipamentos que permitem fontes renováveis e baterias de se conectarem a redes elétricas e a data centers. Quando eu tô falando da FCC, eu tô falando da FCC dos Estados Unidos. As medidas entram em vigor imediatamente após a publicação e se aplicam apenas a modelos ainda não lançados.
Mas a FCC tem autoridade para revogar autorizações de modelos já aprovados. A FCC disse o seguinte: esses dispositivos podem criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que podem prejudicar a segurança econômica e nacional dos Estados Unidos e podem criar um risco de segurança cibernético que ameace a infraestrutura crítica americana. Robôs humanoides com cérebros de IA são previstos para ampla adoção industrial e de consumo.
A FCC alerta que eles coletam dados que podem ser usados para vigiar americanos, aprimorar serviços de inteligência estrangeiros ou para controlar remotamente Os robôs. A principal empresa afetada é a Unitree, líder mundial em robôs humanoides, com quase 20% do mercado global. A Unitree está na lista do Pentágono de empresas apoiadas pelos militares chineses. Essa pauta tem muito a ver com a pauta anterior, justamente, que você trouxe.
A China é a maior fabricante mundial também de inversores ligados pela SunGrow Power Supply e pela Huawei, que já está fortemente sancionada. A construção explosiva em alta velocidade, em alto volume, de data centers nos Estados Unidos depende de fornecedores confiáveis de inversores, só que os americanos querem limitar a presença chinesa nesse segmento. O secretário do Tesouro, o Bassett, alertou que empresas chinesas de IA podem enfrentar sanções por roubo de propriedade intelectual americana.
O Trump adotou até uma postura um pouco mais conciliadora com a China, mas essa medida sinaliza que esses limites precisam ser estabelecidos. Mais conciliador até visitando o Xi Jinping recentemente, etc. Embora, claro, tenha colocado ali tarifas, as tarifas mais altas impostas pelo governo americano nesse segundo mandato sejam justamente contra os chineses. Mas o Trump é morde-assopra com a China, né? Tem morde-assopra, morde-assopra.
E em alguns momentos mostra essa postura um pouco mais conciliadora. Então, espera-se que a FCC isente fornecedores não chineses das restrições, como já fez com drones e roteadores. Mas agora a gente está falando dos Estados Unidos muito preocupados em não criar uma dependência nessas tecnologias que os chineses estão se tornando absolutamente vanguardistas, e, ao mesmo tempo, o temor de captura de dados dos americanos que podem ser utilizados pela inteligência chinesa e pelo governo da China.
Tanguy, realmente não temos mais confiança entre Estados Unidos e China como tivemos no passado. Existe ali uma certa fragmentação econômica entre os dois países. É bem verdade que os dois países continuarão interconectados economicamente durante muito tempo, mas a tendência é que haja um retrocesso, como já está havendo, por conta de questões geopolíticas e preocupações relacionadas à segurança.
E só para ilustrar um pouco mais isso que você está trazendo, né, dessa rivalidade cada vez mais explícita, né, entre Estados Unidos e China, O Irã essa semana agora, Daniel, deve receber o primeiro lote de 300 a 400 lançadores de mísseis antiaéreos portáteis, que são chamados MANPAD. Então, quando você fala sobre defesa aérea, Daniel, você pode ter aquela defesa aérea que é estática, né? Então, quando você é atacado, né, com mísseis ou com drones, alguma coisa assim, esses lançadores eles tentam abater o que quer que esteja te atacando.
Só que se você tem um alvo fixo, e a partir do que você é atingido, você perde aquela capacidade de atuação, né, de se defender. Então quando você tem um MANPAD, né, o que é um míssil antiaéreo portátil, as pessoas que tiverem carregando isso, elas têm uma liberdade maior, né, uma mobilidade maior. E a informação que se tem, que tá circulando por aí, é que o Irã vai receber entre 300 e 400 lançadores de mísseis antiaéreos fabricados pela China, que vão vir por terra, né, passando ali da China para o Paquistão e do Paquistão para o Irã.
E alguns inclusive vão ser entregues por via aérea. A China nega, não tem nada disso, imagina e tal. Agora, o fato dessa informação tá circulando, Daniel, normalmente onde tem fumaça tem fogo, né? Algum tipo de ajuda tá sendo oferecida. Então a gente vê, Daniel, que há uma tentativa de manter ali algum nível de normalidade. Você coloca tarifa, mas você conversa, você dialoga. Mas em vários cenários a gente tem uma relação muito mais e crescentemente tensa, né, muito tensa e crescentemente tensa entre Estados Unidos e China.
Eu queria trazer uma última informação da minha parte aqui, Daniel, te devolvo a palavra, que é que nós tivemos hoje a posse da nova presidente do Peru, a Keiko Fujimori, né, 26 anos depois do fim do governo do seu pai, né, que foi um ditadorzação no Peru, a filha dele finalmente venceu as eleições. Tentou várias vezes, finalmente venceu as eleições e tomou posse no dia de hoje. Ganhou com uma margem ínfima, 50 mil votos de diferença à frente do Roberto Sánchez, né, que era o seu opositor.
E ela finalmente tomou posse no dia de hoje com duas prioridades. Em primeiro lugar, a questão da segurança interna. Inclusive, ela disse que o exército deve ser utilizado para combater problemas relacionados à criminalidade doméstica, né, junto com a Polícia Nacional. E 2, Daniel, isso aqui é curioso, né, os impactos climáticos do fenômeno El Niño. Então a gente sabe que são problemaço, mas a gente vê poucos governos colocando isso como prioridade.
Temos que lidar com os fenômenos climáticos, né, enfim, El Niño deve levar um aquecimento, se leva portanto uma série de consequências. Aqui que Fujimori portanto colocou isso como uma prioridade. Não é exatamente uma surpresa, Daniel, mas a direita latino-americana se fez presente na posse dela. Javier Milei da Argentina foi para lá, Daniel Noboa, presidente do Equador, esteve lá também, Santiago Peña, presidente do Paraguai, também esteve lá, José Antonio Kast do Chile e Rodrigo Paes da Bolívia, todos presentes à direita.
O presidente brasileiro não foi, mas mandou para lá o Mauro Vieira, o chanceler, ministro das Relações Exteriores do Brasil, esteve lá representando o governo brasileiro. E do lado da esquerda latino-americana, né, do sul-americana, o presidente uruguaio, o Yamandu Orsi, esteve na posse dela, Daniel. Então agora a gente vai ter que analisar o que que vem pela frente, Daniel, para a gente ver qual vai ser o caminho a ser trilhado por Keiko Fujimori.
Daniel, quero falar um pouco sobre a política do Zimbábue em relação a minerais estratégicos, porque sim, o Zimbábue tem uma política em relação a esses minerais. Você pode concordar, pode discordar, mas há uma estratégia E o Brasil não tem nenhum tipo de política nem nenhum tipo de estratégia mais desenhada. Nós tivemos, nessa semana, a primeira remessa de 1.000 toneladas de concentrado de lítio da mina de Gwanda, que é, inclusive, explorada por um grupo chinês no Zimbábue, até Maputo por ferrovia.
Sim, o Zimbábue inaugurou um corredor ferroviário de lítio até o porto de Maputo. Em Moçambique, justamente para que esses minérios possam ser explorados. E o Zimbábue, em maio desse ano, inaugurou sua primeira fábrica de processamento de lítio. Aliás, é a primeira fábrica de processamento de lítio no continente africano, um passo estratégico para deixar de ser um exportador de minério bruto apenas. A instalação fica em Goromomzi, a 30 km de Harare, investimento de 400 milhões de uma empresa, rufem os tambores, chinesa.
A planta entrou em operação em maio, como eu disse há pouco. Ela produz sulfato de lítio, etapa intermediária na cadeia de valor rumo a materiais para baterias. Lembrando que o lítio é super estratégico para produção de baterias e de carros elétricos, etc. Em fevereiro, o Zimbábue havia congelado as exportações de minerais brutos e isso acabou forçando, já havia a expectativa de que isso acontecesse, isso acabou forçando mineradoras a construir plantas de processamento local às pressas.
O presidente do país disse o seguinte, inclusive, na ocasião, abre aspas: Não toleraremos mais a exportação bruta de nossa riqueza. Preferiríamos deixar nossos minerais valiosos no subsolo a exportá-los sem processamento local. A era das relações de investimento do tipo cavalo e cavaleiro acabou. Nós, inclusive, temos aí mais plantas de sulfato de lítio sendo— que devem entrar em operação antes de janeiro de 2027, e existe ali realmente a ideia de que seja também concluída uma planta de carbonato de lítio, próxima etapa na cadeia de processamento.
Além do lítio, o governo listou outros 13 minerais críticos, de cobalto a platina e terras raras, que também não poderão ser exportados em estado bruto a partir de 2027. No setor de ouro, apenas cidadãos e empresas locais poderão operar minas de pequeno e médio porte, a partir do ano que vem. Tanguy, a gente está falando de um pequeno país no continente africano que está adotando uma estratégia em relação a minerais críticos para tentar adensar a cadeia produtiva e aumentar a complexidade e gerar mais riqueza dentro do próprio país.
É sempre interessante observar que no continente africano muitos países têm planos estratégicos de desenvolvimento. Ruanda tem plano estratégico, a própria União Africana, né, tem um projeto Visão 2063. Eu não disse 2033, eu disse 2063. E o Brasil não tem um projeto 2027. Aliás, o Brasil não tem um projeto segundo semestre de 2026. A gente vai fazendo do jeito que dá aí e vai tocando, e seja o que Deus quiser, porque a gente vai improvisar, porque nós somos bons de improviso, porque vamos chegar longe improvisando o tempo todo.
Acho que pior do que ter um projeto ruim é não ter projeto nenhum, que é o caso do Brasil.
Daniel Souza, já tem algum tempo que a gente descobriu que o Trump voltar atrás é uma certeza matemática. Mas eu sei que na Geleia da Shakira de hoje você vai trazer cálculos, Daniel, de como é que isso é feito. Conta para mim.
Exatamente, na Geleia da Shakira de hoje eu quero trazer cálculos. Analistas da Sigmund Global Advisors, liderados por Andrew Bishop, desenvolveram um modelo quantitativo para prever o taco, né? Trump always chickens out. Quando o Trump vai recuar? A gente sabe que ele vai recuar, mas precisamos de um modelo, gente. Precisamos de um modelo para prever quando é que esse recuo vai acontecer, porque somos investidores e, para investidores, essa é uma informação extremamente importante.
Eles desenvolveram um modelo. A fórmula é baseada em 4 variáveis: preço do petróleo, do tipo Brent, rendimentos dos Treasuries de 10 anos, que são títulos do Tesouro dos Estados Unidos, desempenho do S&P 500, né, na bolsa americana, e número de travessias de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Pronto, a gente faz aqui um modelo. O ponto de partida foi 7 de março, uma semana após Israel e Estados Unidos atacarem o Irã pela primeira vez.
E a conclusão é a seguinte: o Trump costuma recuar quando os indicadores registram movimento entre 2,3 e 3,4 desvios-padrão, com média de 2,9 desvios-padrão. Eu achei muito interessante, Tanguy, porque eles haviam dito isso no início de julho, que o Trump iria recuar entre 22 e 30 de julho, mas que o mais provável é que ele recuasse no dia 26 de julho. E o Trump recuou, cara, exatamente nesse período que os caras previram. Os caras publicaram isso, publicaram o relatório calculando aqui, não, de rio padrão, etc., para rio do petróleo, é Treasury, S&P 500, vai recuar ali antes do final de julho, garanto que ele recua naquela nova empreitada e aquecimento da guerra contra os iranianos, e recua.
Rapaz, que maravilha, que maravilha! A ciência é uma coisa fantástica, você observa comportamentos, cria modelos, E pessoas absolutamente imprevisíveis se tornam mais previsíveis, porque afinal tem ali alguns elementos que norteiam essa tomada de decisão. E fica claro que o Trump tá muito preocupado com grana, com business, e quando isso começa a apertar, ele recua.
Ô Daniel Souza, eu vou pedir para você pegar essa publicação aí, ler, mapear, pega as fórmulas todas e a gente vai começar a fazer as previsões aqui, Daniel. Eu acho que o Petit Jornal tem que tomar dianteira disso aí. De saber que dia que vai ser o recuo, o tradicionalíssimo taco. Aliás, se você quer saber mais sobre Donald Trump, quer saber quem é Donald Trump, você vai perceber que não tem grande surpresa, né, Daniel Souza?
Ele fala a mesma coisa, são os mesmos argumentos dele na década de 70, 80. Tá aí um homem que não dá para você dizer que, ah, porra, ele mudou muito com o passar. Mudou nada, mudou nada desde a época que ele falia lá os cassinos, né, que ele, porra, os negócios dele tudo dava para trás, tudo dá problema. Era o mesmo argumento. A gente tem uma aula gratuita, tá lá no YouTube do Petit Jornal, sobre o Donald Trump. Fomos lá na família dele entender as origens, quem são, qual é o lugar de Donald Trump na família dele, na trajetória. Tá tudo lá.
A gente descobriu que o Donald Trump era um nhonho, era o filho do Seu Barriga de Nova York. Seu Barriga de Nova York cobrava aluguel ali nos conjuntos habitacionais E aí volta e meia ele botou o filho dele, rapaz, botou o filho dele para fazer a cobrança ali dos aluguéis. Foi algo que marcou profundamente o temperamento de Donald Trump, rapaz. É um nhonho de Nova York, veja você.
Então, se você quer saber mais sobre coisas que vão além aqui do Petit Jornal, acessa lá Petit Cursos, né, petitcursos.com.br. Essa aula gratuita que eu fiz menção aqui é uma forma de você conhecer o nosso trabalho por lá. Vai lá no Petit Cursos, você vai encontrar cursos completos, né, sobre temas que você certamente vai se interessar. Dá uma olhada no catálogo, você não vai se arrepender. peticursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet é uma mídia pequena, não tem aí um conglomerado ou um grande grupo de mídia a apoiar, ou que apoie o Pet Jornal. Consequentemente, nós precisamos muito dos nossos apoiadores, eles fazem muita diferença no nosso projeto. E fica aqui o nosso agradecimento agradecimento a cada um deles.
Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo. Tem o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima, valeu!
Tchau, tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
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