Episódios de Petit Journal

Tensão entre Trump e Netanyahu - BP 1118

29 de julho de 202632min
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A relação entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu entra em uma nova fase de tensão, com o premiê israelense pressionando publicamente os Estados Unidos a ampliar seu envolvimento na guerra contra o Irã. Também analisamos a defesa feita pelo USTR das novas tarifas comerciais americanas, apesar das críticas de especialistas, o crescimento acelerado da economia do Uzbequistão e a estreia histórica da fabricante chinesa de chips CXMT na Bolsa de Xangai, em mais um capítulo da disputa tecnológica global.
Falamos ainda sobre a identificação do autor do atentado em Berlim, que havia jurado lealdade a um grupo extremista, e sobre a polêmica na Argentina após advogados questionarem o uso de recursos públicos para a participação de Javier Milei em um evento de Flávio Bolsonaro no Brasil.
Na Geleia da Shakira, o Ministério da Segurança argentino publica, por engano, os rostos de agentes encobertos e a internet transforma o episódio em uma enxurrada de memes.
#EstadosUnidos #Irã #Israel #Argentina #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos7
  • Benjamin Netanyahu e seus processosBenjamin Netanyahu e seus processos · Donald Trump e a NASA · Guerra contra o Irã · Programa Nuclear Iraniano · Montanha Qeikolang
  • Argentina e reformas de MileiJavier Milei · Lula e Trump · Confronto com Flaviano · Uso de recursos públicos · Argentina
  • IPO da CXMT em XangaiCXMT · Chips DRAM · Inteligência artificial · Independência tecnológica chinesa · Feira Cial China em Xangai
  • Comércio Internacional e TarifasJameson Greer · USTR · Inflação nos EUA · Trabalho forçado · Excesso de capacidade industrial
  • Crescimento do UzbequistãoUzbequistão · Diversificação econômica · Reformas econômicas · Setor de serviços · Setor industrial
  • Atentado em BerlimAbdul Balut · Estado Islâmico · Parada LGBTQIA+ · Berlim
  • Geleia da Shakira: Agentes EncobertosConsultoria em Argentina · Agentes encobertos · Argentina
Transcrição20 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TBTanguy Baghdadi

PetiJornal.

DSDaniel Sousa

Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1118. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 17 horas e 28 minutos da terça-feira, 28 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, ainda mais tarifado, ainda mais, mais tarifado, muito preocupado com a dinâmica das suas exportações nesse mundo incerto e pantanoso no qual estamos inseridos, e ele que está tendo muitas noites de insônia em função de suas múltiplas preocupações.

Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. E começamos com uma treta, uma treta entre Trump e Netanyahu. Eu não sei por que Trump está incomodado com Netanyahu. Só porque o Netanyahu arrastou ele para um atoleiro? Só porque o Netanyahu mandou um caô e ele caiu? Só porque o Netanyahu destruiu a credibilidade de Trump junto à comunidade internacional e desorganizou a economia mundial?

Eu acho isso um exagero. Mas o professor Bagdadi acha que se justifica essa confusão entre esses dois mandatários. Tudo bem, professor Bagdadi? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para esse bate-papo 1118. Prazer estar aqui mais uma vez. Respira, Daniel Souza, você conseguiu fazer uma abertura inteira aí sem respirar nenhuma vez, o que provavelmente vai entrar para o livro dos recordes. Um prazer estar aqui mais uma vez, Daniel Souza. Vou deixar aqui as boas-vindas a todo mundo que nos acompanha, todo mundo que nos ouve. E vamos lá, Daniel, para esse primeiro, para essa primeira pauta do nosso episódio de hoje, com de fato a chegada de Benjamin Netanyahu.

Aliás, não apenas o Netanyahu, tá, o Netanyahu e o Zelensky, né, na Casa Branca. Quer dizer, não juntos, né, mas ao mesmo tempo ali em Washington. E antes da reunião entre Netanyahu e Trump, nós tivemos ali uma tensão. Aliás, Daniel, a gente vem falando isso aqui há algum tempo, que é claro que o Netanyahu ele é aliado do Trump, o Trump é aliado do Netanyahu, tá? Isso tá fora de, de, de, não tem como negar isso, é óbvio que eles são aliados.

Era mais levando em consideração a relação muito ruim que o Biden, né, o antecessor do Trump, teve com o Netanyahu. A relação também muito ruim que o Obama teve com o Netanyahu. Enfim, era uma relação sempre muito tensa. Agora, apesar dos dois serem aliados, de Trump e Netanyahu serem aliados, há uma tensão que existe ali, principalmente com o fato de que há uma percepção correta, diga-se de passagem, de que o Trump ele é constantemente carregado, puxado pelas decisões do Netanyahu.

O Netanyahu tá sempre um passo à frente, dois passos à frente, ele toma decisão e o Trump acaba tendo que seguir atrás. Afinal de contas, ele é um aliado, ele é o líder de Israel, que é o maior aliado que os Estados Unidos têm no Oriente Médio, um dos maiores aliados que os Estados Unidos têm no planeta Terra. Atenção que a gente teve agora, Daniel, foi que um pouquinho antes dos dois se encontrarem— o encontro mais uma vez aconteceu na Casa Branca— mas antes disso, o Netanyahu falou na imprensa os temas que seriam tratados pelos dois.

A princípio, Daniel, seria uma reunião a portas fechadas. O que os dois vão conversar não necessariamente precisa ir para imprensa. Mas o Netanyahu fez questão de dizer na imprensa que os dois iam conversar sobre possíveis ataques à montanha de Qoeqolang, que fica no Irã. A gente falou sobre essa montanha há pouco tempo, vou apenas retomar por que que ela é tão importante. É uma montanha, mais uma vez, muito difícil de ser atacada, não apenas por conta do seu relevo, mas também porque ela é toda de rocha, dentro da qual, né, no subsolo da qual está sendo construída mais uma instalação nuclear iraniana.

Desde que o Irã foi atacado pelos Estados Unidos e Irã no ano passado, em junho do ano passado, nas suas instalações nucleares, o Irã tá tentando movimentar as suas instalações nucleares para algum lugar que seja mais seguro. Um dos lugares está sendo construída é exatamente essa montanha chamada de Qeikolang. Aliás, nos Estados Unidos é chamada de Montanha Picaxe, né? Então, se alguém ouvir essa expressão Pikax Mountain. A gente tá falando exatamente sobre essa montanha.

O Netanyahu tá tentando fazer o Trump de qualquer maneira atacar essa montanha, e o Trump entendeu que ele tá tentando pressionar o Trump via imprensa. No momento em que ele fala isso, fica todo mundo esperando: e aí, o Trump vai atacar? Não vai atacar? Como é que vai ser? Isso revela um atrito entre os dois, pelo fato de que o Trump mais uma vez fica numa posição que é: cara, eu tô apenas respondendo aqui o Netanyahu tá sugerindo.

Então o Trump, ele foi para Fox News, ele foi entrevistado na Fox News, e ele disse o seguinte: não preciso do Bibi, o Netanyahu, para me dizer isso. Por que não fala diretamente comigo? Por que precisa anunciar para o mundo? Isso revela, Daniel, o fato de que Israel tá pressionando os Estados Unidos por um envolvimento maior na guerra contra o Irã. Estados Unidos, pô, temos que ir, temos que derrotar o Irã. Temos que acabar com Irã, temos que derrubar o regime.

E o Trump já entendeu que essa é uma furada, que ele até vai tentar lidar ali com Hormuz, vai tentar lidar no Golfo Pérsico, vai tentar limitar as ações iranianas na região ali no Oriente Médio, mas vem sendo cada vez mais custoso, não apenas economicamente, né, financeiramente, mas politicamente para o Trump se manter engajado demais na guerra contra o com o Irã. Ainda mais levando em consideração que há setores isolacionistas ali do movimento trumpista que são contra esse envolvimento dos Estados Unidos na guerra, dizendo: olha, problema de Israel, não tem nada a ver com a gente.

Israel quer ir lá derrubar o regime, vai lá, a gente não tem nada a ver com isso. Mas o fato, Daniel, é que nós temos uma tensão entre os dois. Na foto, Daniel, os dois aparecem sempre sorrindo e tal, mas há uma tensão entre os dois E que tá exatamente na raiz do fato de que eles não conseguem resolver. Ainda mais porque o Trump tá tentando fazer com que o Irã se renda diplomaticamente. O Irã, eu preciso que você assine um acordo comigo aqui, aceitando todos os meus termos.

Ao passo que Israel não quer negociação, Israel quer derrotar o Irã militarmente. São visões diferentes, o que não diminui o fato de que, mais uma vez, Estados Unidos e Israel são grandes aliados. Netanyahu e Trump são grandes aliados. Mas a maneira pela qual os dois querem lidar com o Irã é diferente. E essa tentativa do Netanyahu de pressionar o Trump pela imprensa por antecipação é um elemento que vem irritando os Estados Unidos, apesar de saber que os Estados Unidos não vão abandonar Israel à própria sorte.

DSDaniel Sousa

Daniel, e a provocação inicial, Tanguy, claro, se deve ao fato de que houve ali realmente uma puxada do Netanyahu. O Trump foi dragado ali para guerra no Oriente Médio em função da perspectiva de que o regime iraniano cairia. Não caiu, e o Trump agora está mergulhado ali naquele atoleiro que envolve, inclusive, o Estreito de Ormuz. Então, uma certa hesitação acaba sendo natural diante do histórico recente de relacionamento dos dois países, lembrando sempre que o Netanyahu tem uma eleição para concorrer esse ano, e, consequentemente, ele não tem nenhum interesse que a guerra seja interrompida.

Ele pretende manter realmente a guerra no noticiário como mecanismo até de impedir a construção de alternativas políticas a ele mesmo, Netanyahu. Tanguy, o representante de comércio dos Estados Unidos, o Jameson Grier, afirmou à Fox News que as novas tarifas de 10% a 12,5%, aquelas tarifas em função de trabalho forçado, sobre 60 parceiros comerciais, não terá impacto econômico sobre os Estados Unidos relevante. Ele está falando, basicamente, que não haverá impacto inflacionário, Tanguy.

Achei uma cara de pau do rapaz, mas ele destacou aí que também existe uma outra investigação aberta sobre excesso de capacidade industrial em 16 parceiros, incluindo China, Vietnã, México e União Europeia, que também pode resultar em novas tarifas. O uso da Seção 301 substituiu as tarifas baseadas na Lei de Emergência Nacional, rejeitadas pela Suprema Corte. A gente cantou essa bola aqui no Pet Jornal, né, que o Trump não deixaria barato, e se a Suprema Corte derrubasse as tarifas, ele ia criar um outro subterfúgio para retomar as tarifas, e que processem ele, porque até o processo avançar e a Suprema Corte eventualmente decidir uma vez mais contra as tarifas, demoraria muito tempo, e você vai gerando ali um tensionamento, né?

Lembrando que essa decisão, inclusive, contra as tarifas, teve muito longe de ser uma unanimidade. Agora, a avaliação do CRIA contrasta com projeções de institutos de referência nos Estados Unidos. O Federal Reserve Bank de Boston estimou, em junho de 2026, que o conjunto das tarifas impostas pelo governo Trump desde janeiro de 2025 pode elevar a inflação ao consumidor nos Estados Unidos em até 2,5 pontos percentuais no acumulado 2025/2026.

O que é muita inflação para o padrão americano. O Peterson Institute for International Economics calculou que as tarifas já em vigor, antes das medidas dessa última semana, representam um custo médio de US$2.600 por família americana por ano. O Yale Budget Lab estimou, em abril de 2026, que o impacto total das tarifas Trump equivale ao maior aumento de impostos sobre o consumidor americano desde a década de 1940, naquela altura em função do esforço da Segunda Guerra Mundial e da necessidade de levantar recursos para esse objetivo.

O Fundo Monetário Internacional, em seu relatório de julho, apontou que pressões inflacionárias derivadas de barreiras comerciais são um dos principais riscos para a economia mundial em 2026, especialmente combinados com os choques energéticos da guerra no Oriente Médio. O próprio Fed manteve os juros em patamar elevado, em parte por conta justamente dos impactos inflacionários associados às tarifas. Ou seja, é ridículo você ter uma autoridade americana dizer que tarifas não vão ser relevantes, que não vão ter impacto econômico, que o impacto inflacionário não vai ser importante, etc., não é real.

Você tem aí uma sucessão de institutos de primeira linha, de organizações americanas de primeira linha, dizendo exatamente o contrário. Aliás, não estão reinventando a roda, estão apenas trazendo informações que qualquer manual de economia internacional traz. E, obviamente, o Trump também acaba vendo nas tarifas uma oportunidade de aumentar a arrecadação de impostos dentro de um contexto onde as contas públicas americanas enfrentam um momento difícil.

Além de ser algo que genuinamente ele acredita, ele defende tarifas desde a década de 80. Na época, inclusive, as tarifas deveriam ser aplicadas contra o Japão. Os produtos industriais japoneses, em particular automóveis, estavam inundando a economia dos Estados Unidos e, já naquela época, o Trump defendia tarifas como mecanismo de proteger a indústria dos Estados Unidos. Não estamos tendo reindustrialização relevante nos Estados Unidos, primeiro porque a mão de obra americana é cara, segundo porque ninguém tem o mínimo de previsibilidade no que diz respeito à política tarifária do governo americano.

A política tarifária vai ser mantida no mês que vem? No ano que vem? Daqui a 5 anos? Como é que eu vou fazer um investimento de longo prazo, trazer uma indústria de volta para os Estados Unidos, contratar uma mão de obra caríssima, porque a mão de obra americana é cara, E daqui a um mês eles mudam a política tarifária, e daqui a 2 anos eles mudam a política tarifária. Então a gente está falando de um ambiente de altíssima imprevisibilidade, mas internamente o Trump pode projetar que está focando ali no interesse do americano, do operário americano, que está trazendo emprego de volta, que investimentos estão sendo feitos nos Estados Unidos.

Embora se a gente espremer, espremer, espremer esses dados, talvez eles não sejam tão significativos para a economia americana como o Trump muitas vezes tenta transparecer. Além da oportunidade que as tarifas apresentam ao Trump de tentar emparedar determinados países que se portam mal, que se comportam contra o interesse dos Estados Unidos. Isso também é algo que tem sido utilizado, as chamadas tarifas punitivas. De qualquer forma, chamou muito a atenção essa declaração de uma autoridade americana, uma autoridade de comércio, a Fox News.

Mas acho importante a gente observar que no mundo real as coisas funcionam um pouquinho diferente, a realidade discorda um pouco das opiniões do Greer.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, quase todo episódio a gente vem aqui para trazer os nossos parceiros, nossos anunciantes, nossos patrocinadores aqui. A gente agradece muito, né, por viabilizar o nosso trabalho por aqui. Hoje nós temos um novo patrocinador que é—

DSDaniel Sousa

ah, meu Deus, quem? Quem é o novo patrocinador?

TBTanguy Baghdadi

Fechamos contrato com o Petit Palestras.

DSDaniel Sousa

Ah, meu Deus!

TBTanguy Baghdadi

É uma empresa, é Petit Jornal Palestras, é o braço, né, da holding. É holding que chama, Daniel? Holding do Petit Jornal, e que leva para sua empresa palestras, né? Enfim, sistema de educação, workshop, né, o que você precisar, falando sobre o momento atual. A gente sabe, Daniel, que todas as empresas são impactadas de uma forma ou de outra por tudo que acontece mundo afora, seja com tarifa, seja com regulamentação, seja com atrito, seja com energia.

Algum impacto a sua empresa tem. Se você quiser levar o Petit Jornal para fazer uma discussão na sua empresa junto aos seus funcionários, junto à diretoria, junto a quem você quiser, fala com a gente. Tem um email que tá na descrição desse episódio e a gente pode fazer algo que seja direcionado para as suas necessidades, para aumentar o seu resultado, para aumentar a consciência que os seus funcionários, que os seus parceiros, seus clientes, né, se quiser oferecer para clientes também tem sobre o momento que o mundo tá vivendo.

Fala com a gente, né? O link tá, perdão, o email tá na descrição desse episódio.

DSDaniel Sousa

E é muito legal, a gente tem tido ótimas experiências, uma vez que nós conseguimos fazer ali uma customização, uma análise específica do setor, e consequentemente trazer ali o impacto internacional dessas múltiplas mudanças ao ambiente de negócios. Então é a holding do Peti Jornal, a PetiCorps, a PetiCorps que tem o seu braço de podcast, tem o seu braço de palestras e tem o seu braço de curso, o PetiCursos. Veja você, Taqui, quem diria essa holding agora tem aí essa, mais essa atividade.

E fica aqui realmente o convite, conversa com a gente, email no descritivo desse episódio.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, como próxima pauta eu queria voltar a repercutir, na verdade eu queria trazer para o nosso, para nossa discussão aqui um tema que vem sendo repercutido ao longo dos últimos dias, que foi o atentado que aconteceu no último sábado em Berlim. Um atropelamento em massa é seguido de um ataque com facão que deixou um morto e 31 feridos durante a parada LGBTQIA+ lá no Parque Tiergarten, que fica bem no centro de Berlim.

Esse atentado, como eu disse, aconteceu no último sábado, e o autor do atentado, né, o autor do ataque, foi identificado como Abdul Balut. De 21 anos. Ele é alemão, era alemão na verdade, né? Ele foi perseguido e morto no dia seguinte, né, no domingo, e filho de imigrantes libaneses. Ele tem um histórico, Daniel, de problemas com a justiça, né, com a polícia alemã. Ele já foi preso inclusive exatamente por ser considerado um cara que tinha um risco alto de radicalização.

Ele chegou a ser preso também no Líbano e depois foi deportado para a Alemanha porque ele tava tentando entrar na Síria para se juntar ao Estado Islâmico. E a última informação que a gente teve foi que ele acabou, ele era monitorado e ele teve o seu monitoramento relaxado por decisão da justiça. Então esse é um erro grave, Daniel, porque é um cara que tinha um nível de periculosidade bastante alto comprovado, tinha uma série de fatores que indicavam exatamente nessa direção.

E quando acontece um atentado como esse, todos os migrantes que estão lá para trabalhar, que estão lá apenas querendo ganhar suas vidas, sofrem porque cria-se uma generalização, que tá vendo aí, os migrantes são um problema. E uma coisa que eu queria trazer, Daniel, que tem que fazer parte dessa discussão, é que quando a gente começou o PetiJornal 10 anos atrás, o Estado Islâmico era uma dor de cabeça horrorosa, era uma ameaça para o mundo todo.

Todo mundo tinha medo da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. De lá para cá, o Estado Islâmico passou por um processo de enfraquecimento muito sério. Foi perdendo força, foi perdendo territórios, foi perdendo combatentes. Mas é sempre importante lembrar que o Estado Islâmico continua sendo uma ameaça. Esse Abdul Balut, né, que mais uma vez tá lá, fez o atentado, acabou sendo morto depois, descobriu-se um vídeo dele jurando lealdade ao Estado Islâmico.

E essa é uma coisa muito comum. E as pessoas falam assim, pô, mas ele nunca tinha estado num território comandado pelo Estado Islâmico. Como é que ele podia ser do Estado Islâmico? O Estado Islâmico é uma organização terrorista que tem uma capacidade de mobilização à distância. Então, se à distância você se identifica, se você recebe material, se você é impactado por aquilo e quer jurar lealdade, o Estado Islâmico tá nem aí. Você vai fazer o atentado em nome do Estado Islâmico e o Estado Islâmico vai considerar que aquele foi um atentado feito em seu nome.

Então, até algum tempo atrás, a gente considerava que o Estado Islâmico meio que tinha dado uma desaparecida, já não era mais tão relevante assim. Mas a gente sabe que grupos terroristas, eles têm uma capacidade de ressurgir, de se reorganizar. Pessoas que estavam radicalizadas 10, 11, 15, 5 anos atrás não voltaram simplesmente ter uma vida normal, não voltaram a— não se desradicalizaram por conta própria. Alguns eventualmente sim, mas não é muito padrão.

Então muita atenção com o estado do Islã, principalmente porque quando atentado desse acontece você começa a ter uma certa inspiração. Outras pessoas olham para isso e fala assim, pô, gostei, eu acho que ele tá certo, né? Então muita atenção, e o sistema internacional vai ter que prestar muita atenção, porque o debate em torno do Estado Islâmico certamente, Daniel, vai ter que ser atualizado para esse ano de 2026.

DSDaniel Sousa

Nós tivemos o lançamento de um IPO em Xangai, na China, da CXMT. E esse IPO acabou levantando 57,92 bilhões de yuans, que seria o equivalente a 8,6 bilhões de dólares. E as ações dessa empresa estrearam no mercado de Xangai com alta de 466%. A CXMT se tornou a empresa mais valiosa listada em uma bolsa da China continental com uma capitalização de mercado estimada em 3,3 trilhões de yuans, ou seja, 487 bilhões de dólares. A gente está falando de uma empresa que foi fundada em 2016, na cidade de Hefei, e ela é uma das maiores fabricantes mundiais de chip DRAM, que são semicondutores usados em servidores de inteligência artificial, automóveis, smartphones e computadores.

É o quarto maior, a empresa é a quarta maior fabricante de DRAM do mundo, atrás da Samsung, da SK Hynix e também da Micron Technology. Ela tem aí realmente uma receita no primeiro trimestre de 2026 de 7,5 bilhões de dólares, uma alta de mais de 700% em relação ao período de 2025, impulsionada pela demanda de inteligência artificial na China. Entre os principais clientes estão Alibaba Cloud, ByteDance, Tencent, Lenovo, Xiaomi e também a OPPO.

A Apple estuda usar inclusive chips da CXMT em produtos vendidos na China, e faz lobby ao governo americano para afrouxar restrições sobre a empresa. A gente está falando, Tanguy, de um movimento que me chamou particularmente a atenção, porque são os chineses buscando independência no segmento de semicondutores, de chips. Semicondutores que podem ser utilizados em sistemas de inteligência artificial, em automóveis, em smartphones.

Etc. Esse não é um fato isolado, é algo que mostra, inclusive, a atratividade dessas empresas chinesas em levantar recursos de investidores que acreditam no futuro de uma companhia como essa, que é uma companhia nova, ela tem aí aproximadamente 10 anos e já tem um volume de vendas impressionante e que tem sido, em grande medida, impulsionado pelas restrições impostas pelos ocidentais, em particular pelo governo dos Estados Unidos.

Diante da dificuldade de comprar chips semicondutores importados, os chineses não estão se fazendo de rogados e estão buscando as alternativas domesticamente, com companhias como é o caso da CXMT, que agora é a companhia mais valiosa da região.

TBTanguy Baghdadi

Aproveitando que você tá falando sobre Ásia, eu queria ouvir você falando um pouquinho sobre o Uzbequistão, né, que é um daqueles países, Daniel, que tá ali numa área que tá meio fora do radar do brasileiro. A gente não fala muito e tal, mas tem um crescimento inacreditável, né. Eu queria que você falasse um pouquinho o que que tá na base aí desse crescimento que o Uzbequistão vem apresentando.

DSDaniel Sousa

Eu acho que o Uzbequistão entrou no noticiário brasileiro apenas quando o Scolari, o Luiz Felipe Scolari, foi trabalhar no Uzbequistão, ou quando o Zico foi trabalhar no Uzbequistão, mas esse país da Ásia Central tem se destacado pelo seu fortíssimo crescimento. No primeiro semestre de 2026, o Uzbequistão cresceu 8,5% e também recebeu um upgrade de rating da nota de crédito do país. Nós tivemos, nesse primeiro semestre de 2026, o setor de serviços no país crescendo 16,9%, Construção civil, 13,8%.

Indústria, 8%. Agricultura, 4,7%. O que mostra que é um país que está tendo o crescimento puxado por uma diversificação econômica. Era um país que tinha um peso muito maior do setor agrícola, só que esse peso do setor agrícola vem sistematicamente diminuindo, vem aumentando o peso da indústria, vem aumentando o peso do setor de serviços. Aliás, isso é explicado por um esforço que o país tem feito nos últimos anos de flexibilização da sua economia, de liberalização, de reformas, de privatizações e também de fortalecimento de elementos institucionais, como é o caso de um banco central autônomo, com o objetivo justamente de atrair investimento estrangeiro e, consequentemente, alavancar o desenvolvimento da região.

O Uzbequistão acaba fazendo parte daquele mundo túrquico, né, Tanguy? Digamos assim. Ou seja, os turcos que saem ali da Ásia Central e acabam indo em direção à atual Turquia hoje. Existe ali uma zona riquíssima em recursos naturais, de ex-repúblicas soviéticas que se tornaram independentes depois do colapso da União Soviética. São países muito pouco democráticos, mas, no caso em particular do Uzbequistão, está havendo um esforço de fortalecimento institucional, justamente para acelerar o crescimento do país e acelerar o desenvolvimento.

E isso tem dado muito certo. Além de ter muitos recursos naturais, o Uzbequistão agora desenvolve fortemente o seu setor de serviços e também desenvolve a sua capacidade de produção industrial. É interessante porque eu estava olhando, Tanguy, e o Uzbequistão tem hoje um setor de turismo em desenvolvimento, E, segundo a nota do governo americano, eles têm a nota número 1, ou seja, de um país altamente seguro para viagens. Aí eu fui comparar com o Brasil.

O Brasil é nota 2 no governo americano, por conta, justamente, da violência urbana. Ou seja, visitar o Brasil é um pouco mais perigoso do que visitar o Uzbequistão, segundo essa classificação. Mas é algo que chama atenção, porque a gente está falando de uma nova zona de expansão, uma nova zona de crescimento econômico, na Ásia Central, que é pouco conhecida por nós, mas que me parece que vai chamar cada vez mais atenção ao longo dos próximos anos.

Em particular, o Uzbequistão, que é um país que tem apresentado taxas de crescimento muito velozes.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, nesse fim do episódio aqui, eu quero abrir o nosso capítulo para falar sobre a Argentina, né? Temos duas pautas em sequência para falar sobre a Argentina. E a primeira que eu queria trazer é dando sequência àquilo que a gente falou no episódio de ontem, né, no episódio dessa segunda-feira, Quando a gente falou sobre a crise, né, uma crise de grandes proporções entre o governo brasileiro, governo do Lula, e o governo argentino de Javier Milei, depois da participação do mandatário argentino no lançamento da chapa, né, da candidatura do Flávio Bolsonaro no Pacaembu, em São Paulo, no último sábado.

A reação ela veio não apenas do Brasil, né, o governo brasileiro reagiu, chamou embaixador, enfim, fez, teve uma reação protocolar, né, o que se espera, bastante incisivo, mas dentro ali do protocolo. Mas a reação ela veio também por parte da sociedade argentina. Nós tivemos a denúncia criminal na justiça argentina por parte de dois advogados, José Lucas Madioncalda e Juan Martín Facio. E os dois denunciaram o Milei por utilizar recursos estatais, recursos do governo argentino para participar de um ato partidário do PL em São Paulo.

A ação acusa o Milei de malversação de recursos públicos e descumprimento dos deveres de funcionário público ao empregar o avião presidencial, uma comitiva oficial e verbas públicas para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil. Então essa ação, Daniel, ela tá pedindo uma contabilização total de tudo que foi gasto para participação de Javier Milei num evento no Brasil, um evento que não é de Estado, e um evento que ainda colocou a Argentina numa situação de atrito com seu principal parceiro comercial.

Tem toda uma argumentação por parte dos seus dois advogados dizendo inclusive que a participação do Milei ela viola inclusive o direito internacional, né, ao se meter num assunto de outro país, né, enfim, a A ideia de não intervenção em assuntos domésticos é um dos pilares da Carta da ONU, da OEA. Não que o Milei esteja preocupado com isso, né, não que o Trump esteja preocupado com isso, mas tudo isso fez parte aí dessa ação que foi movida por dois advogados.

Então, só para a gente saber que dentro da Argentina essa participação do Milei no evento do PL também não foi lá tão bem recebida. E é isso, me dá a chave, Daniel, para abrir o nosso frasco de geleia de hoje. A Geleia da Shakira, que de novo fala sobre Argentina. Conta para mim, Daniel.

DSDaniel Sousa

É isso, Tanguy, estamos com hiperfoco na Argentina, gente. Na Geleia da Shakira de hoje eu quero trazer um evento do Ministério de Segurança da Argentina, um evento, rapaz, muito bacana, né? Um evento na prática de lançamento de um curso de formação de agentes encobertos. Ou seja, Tanguy, o curso visa preparar efetivos das forças federais para se infiltrar em organizações criminosas e obter provas para investigações judiciais.

O que aconteceu é que o ministério, rapaz, acabou publicando fotos com os rostos dos agentes encobertos. E nós tínhamos lá, rapaz, a ministra de Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva. Aliás, eu fui para o Instagram dela, rapaz, Seguridade e Ordem. Tá ela lá, um monte de operação prendendo cocaína, etc. Mas o Alejandra, ô meu Deus do céu, os meninos lá, os agentes, os meninos, as meninas, é para ser agente encoberto, não é para mostrar a caroça deles na rede social.

Meu Deus do céu, isso acaba atrapalhando o trabalho dos rapazes e das moças, coloca a segurança deles inclusive em risco. Enfim, mas fica aqui, Tanguy, o registro que a Argentina está tentando, a Argentina está aí combatendo o crime organizado, mas às vezes acaba escorregando, né, e acaba trazendo embaraços para os envolvidos.

TBTanguy Baghdadi

O governo do estado do Rio de Janeiro tem um tempo atrás, Daniel, que resolveu anunciar um grande investimento que tinha feito e trocou toda a frota de automóveis do serviço de inteligência do estado, e também postou no Instagram, Daniel, para todo mundo saber que tava tudo padronizado. Era um Nissan, eram sempre Nissan Kicks prata e que todo o sistema de inteligência do Rio de Janeiro usaria o mesmo veículo. Eu também achei perspicaz, né, Daniel, para todo mundo já ficar sabendo que é o serviço de inteligência e ninguém ter susto com relação a isso.

Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria muito agradecer a presença de vocês, a audiência de vocês, a companhia de vocês. Prazer ter você fazer o PetiJornal, dá um trabalho danado, mas é muito bom. E daqui a pouco, Daniel, a gente tá gravando esse episódio que são exatamente 17:59 no horário de Brasília dessa terça-feira. Às 19 horas a gente começa a nossa segunda jornada do Petit Jornal do dia, porque a gente vai dar uma aula, a última aula do curso sobre Copa do Mundo.

Ficou interessado? Pô, quer saber mais sobre Copa do Mundo política, Copa do Mundo economia, Copa do Mundo autoritarismo, Copa do Mundo e guerra? Acessa lá peticursos.com.br. Parece que você não tem acesso somente a esse curso, mas a todos os cursos que já foram oferecidos no Petit Cursos. Dá uma olhada lá no catálogo, eu tenho certeza que uma boa parte do que a gente produz por lá vai te interessar.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet é uma mídia pequena, não tem um grande conglomerado por trás ou uma grande produtora, é um trabalho artesanal, e por isso a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de fundamental importância. Fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês.

Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Chave Pix no descritivo desse episódio. Dá para ativar o Pix recorrente também. Tem o link do Apoia.se, que é uma forma bacana para quem prefere o cartão de crédito, eventualmente, acaba achando que é uma opção melhor.

Tem também o link do Patreon, que é muito bacana para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Danilo Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima, valeu!

DSDaniel Sousa

Tchau, tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.