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A crise entre Brasil e Argentina - BP 1117

28 de julho de 202629min
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As declarações de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes provocam uma nova crise entre Brasil e Argentina, justamente em um momento no qual os dois países continuam profundamente ligados pelo comércio, pelos investimentos e pelas cadeias produtivas regionais. No episódio, analisamos os limites dessa escalada política, a importância econômica mútua entre os dois maiores integrantes do Mercosul e como a aproximação comercial entre Brasil e China pode alterar o equilíbrio regional.
Também discutimos a guinada da política externa colombiana sob Abelardo de la Espriella, que anuncia o rompimento das relações com Cuba e Nicarágua e sinaliza um reposicionamento internacional do país.
Na Geleia da Shakira, a própria crise diplomática ganha um novo capítulo com Milei acusando Lula de financiar uma suposta “campanha anti-Argentina”.
#Brasil #Argentina #Mercosul #Colômbia #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos2
  • Crise diplomática Brasil-ArgentinaJavier Milei · Lula · Alexandre de Moraes · Interferência eleitoral · Relações comerciais
  • Relações Brasil-ChinaXi Jinping · Donald Trump e a NASA · Tarifas comerciais · Acordo Mercosul-China · Soberania brasileira
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1117. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal São exatamente 19 horas e 17 minutos da segunda-feira, 27 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy vírgula o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, mais tarifado, tarifas se avolumam sobre os produtos exportados pelo professor Bagdadi, que fica sem dormir diante dessas múltiplas preocupações, muito insônia.

Desse professor preocupado com a dinâmica internacional altamente incerta e pantanosa. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias. E começamos com briga de família. Briga de família, ou seria briga de vizinhos, ou seria briga de família que são vizinhos. Enfim, esse é o ambiente nada amistoso que nós temos tido aqui na América do Sul, no nosso quarteirão, na nossa quebrada, ao longo das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para o nosso bate-papo 1117. Que saudade que eu tava de gravar um bate-papo desde quinta-feira. A gente tava sem episódio, né? Hoje de manhã, normalmente a gente grava na segunda-feira de manhã. Hoje especialmente não tivemos episódio e faltou então, Daniel, o espaço, né, o momento para a gente poder falar sobre a briga que nós tivemos, né, o climão que nós temos nesse momento entre o Brasil e a Argentina.

Não é que os governos, né, Daniel, do Lula e do Javier Milei tivessem sido grandes aliados em algum momento, né, sempre tiveram lá suas diferenças, né, sempre tiveram sua distância. Mas de sábado para cá, Daniel, a coisa descarrilhou completamente. A gente tem uma relação que eu não sei, Daniel, eu acompanho essa relação tem bastante tempo, né, relação entre Brasil e Argentina. Eu não me lembro de ter vivenciado o momento de uma relação tão conturbada.

E olha que ao longo dos últimos anos não foram poucos os momentos em que nós tivemos caneladas sendo dadas de parte a parte, né? A gente já teve o período aí do Bolsonaro e do Alberto Fernández, né, na Argentina. Mas a crise que nós tivemos ao longo das últimas horas não foi pequena. O que desencadeou essa crise atual, Daniel, foi a participação do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do PL, né, que lançou no sábado lá no Pacaembu, em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência.

Javier Milei pegou o microfone e soltou impropérios dentro do Brasil contra o governo brasileiro, inclusive contra Alexandre de Moraes. Crise absolutamente instalada. Ele disse que confia plenamente no seu amigo Flávio. Até aí Tudo bem, né, Daniel? Enfim, ele tá apoiando ali um candidato. Já acho meio, quer dizer, tudo bem, mais ou menos, tá interferindo uma eleição de outro país, mas enfim, acho que tem uma certa margem para isso, apesar de ser problemático.

Mas a partir daí, Daniel, a coisa foi ladeira abaixo. E ele disse que programas de transferência de renda são uma manobra eleitoreira, falou que o socialismo do século 21 é uma tragédia, né, falando o tempo todo sobre o governo brasileiro e chamou Alexandre de Moraes de lixo careca. A gente tá falando, Daniel, sobre um ministro da Suprema Corte brasileira, né? Ele tá falando isso em solo brasileiro, não é usual. E aí, Daniel, eu quero tirar daqui qualquer tipo de análise sobre se você gosta ou não gosta do Milei, se você gosta ou não gosta do Lula, né?

Um discurso como esse não é aceitável, não é algo não é algo corriqueiro, não é algo que simplesmente acontece. Tanto é que a gente não vê isso acontecendo de forma normal, né, de forma comum. Então o discurso é agressivo como esse, feito por um presidente contra outro, até pode acontecer meio fora do tom e tudo, mas isso é feito em solo nacional, num contexto de eleição no Brasil, é algo que pegou muito mal E há meio que um consenso, né, não apenas no Brasil, mas também na Argentina, de que essa é uma das crises mais importantes que nós tivemos ao longo das últimas décadas, né.

O Milei, ele inclusive dobrou a aposta, né. O governo brasileiro pediu, demandou desculpas, né, demandou algum tipo de recuo por parte do presidente argentino. O presidente argentino dobrou a aposta e disse que marqueteiros do Lula foram enviados para Argentina para ajudar na candidatura do governista Sergio Massa, né. Que foi candidato presidencial há pouco tempo. Aliás, foi exatamente o Milei que o derrotou, né, nas últimas eleições.

E a gente passou a ter, Daniel, uma crise que foi para os meios diplomáticos de maneira um pouco mais institucionalizada. O governo brasileiro convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar explicações e chamou inclusive o embaixador brasileiro em Buenos Aires para explicar o que que ele tá vendo, né, no momento em que ele tá lá em Buenos Aires, o que que ele tá vendo. Esse é o código diplomático, Daniel, para uma repulsa àquilo que foi feito pelo representante de um outro país.

Eu queria te ouvir sobre isso, Daniel, mas é de fato a maior crise diplomática que nós temos na relação entre Brasil e Argentina em muito tempo. Eu realmente não lembro da última vez que nós tivemos uma crise tão aguçada assim.

DSDaniel Sousa

Pois é, Tanguy, eu também passei o dia tentando encontrar algum paralelo na história entre os dois países e eu não encontrei. Essa fala do presidente Javier Milei é absolutamente inadmissível. Você não pode realmente vir a um país vizinho, irmão da Argentina, e ter um discurso como esse. É verdade que terços que trabalharam com o presidente Lula acabaram trabalhando ali na campanha do Sérgio Massa, mas isso não justifica. Você não pode fazer algo dessa escala, algo dessa grandeza em termos de ofensa.

Ele ofende ali instituições brasileiras, ele Ele ofende pessoas de poder no Brasil, e você goste ou não goste do Milei, goste ou não goste do Lula, goste ou não goste do Alexandre de Moraes, não interessa. Não é papel do presidente da Argentina fazer algo como isso. Já seria grave se você fizesse em relação a um país distante, mas não foi em relação a um país distante, foi em relação ao país mais importante para a Argentina no planeta Terra, que é o Brasil.

E vice-versa, a Argentina é o país mais importante para o Brasil no planeta Terra. São dois países irmãos, são dois países que têm uma longa história de cooperação, cooperação até na área nuclear. Quer dizer, você tem ali elementos de defesa, você tem elementos econômicos, você tem uma história até durante a ditadura militar, quando você teve ali um caça britânico que teve uma avaria e acabou pousando no Galeão. Ele quis ser reabastecido e quis avançar em direção à Guerra das Malvinas para atacar os argentinos, o governo brasileiro naquela altura disse negativo.

Do Brasil ninguém decola para atacar a Argentina, ao contrário do que fez o Chile, inclusive no mesmo momento, mesmo que naquela altura as relações entre Brasil e Argentina não fossem as melhores ou estivessem no seu melhor momento. É absolutamente irracional do ponto de vista argentino fazer isso. Me parece que a gente pode levantar algumas hipóteses. O Milei quer, de repente, puxar o saco do Donald Trump, mostrar que ele é alguém que tá lutando para construir uma agenda pró-Estados Unidos na região, que tá trabalhando para virar governos a favor dos Estados Unidos.

A gente tá falando de um Milei que tá com problemas de popularidade interna, então a radicalização também pode ser ali uma estratégia para, de alguma forma, aglutinar as suas bases e trazer de volta apoiadores que se distanciaram, pode ser ali também uma forma de tentar favorecer o Flávio Bolsonaro, o que seria para o Milei algo vantajoso do ponto de vista regional, do ponto de vista de uma série de elementos da agenda que ele quer construir.

Porque fora isso, é difícil de compreender, é absolutamente irracional, porque a Argentina, ela tem no Brasil seu principal parceiro comercial ininterruptamente desde 1991. Quer dizer, as exportações brasileiras para a Argentina, as exportações argentinas para o Brasil são importantíssimas, é uma relação muito profunda. A gente está falando, inclusive, de argentinos que têm no Brasil exportações não só de produtos agrícolas, mas também produtos industriais, e consequentemente ter esse tipo de relacionamento abalado é algo que não vai ao encontro do interesse dos argentinos em nenhum momento, inclusive nesse momento em particular.

TBTanguy Baghdadi

Agora, você tá cogitando, Daniel, especulando sobre qual seria exatamente a motivação para além de todos esses elementos, todos esses elementos que você trouxe, né, que são todas explicações possíveis. A gente tem um Milei, Daniel, que desde o sábado, né, quando ele teve no Brasil até o início de agosto, ele tá tentando se consolidar como a principal liderança conservadora aqui na América do Sul. É o momento no qual a pauta conservadora ela tá avançando.

A gente teve uma mudança de governo no Chile recentemente, com ultraconservador assumindo o governo. Keiko Fujimori acabou de ser eleita no Peru. A gente tem Daniel Noboa, que foi eleito recentemente no Equador. Ele tinha cumprido metade de um mandato, né, do presidente anterior, e conseguiu finalmente a reeleição. Além da Colômbia, né, com Abelardo de la Espriella, que vai tomar posse em breve. Então, só para a gente ter a agenda do Milei, Ele teve no Brasil, então participou desse evento lá do PL em São Paulo.

Amanhã ele vai estar presente no Peru para posse da Keiko Fujimori. Keiko Fujimori já toma posse amanhã. Depois ele vai para o próprio Equador, onde vai encontrar com o presidente Daniel Noboa, que tem uma linha bastante parecida com a dele, uma linha política bastante parecida com a dele. E o tour dele termina no dia 7 de agosto, quando ele estará na Colômbia para a posse do Abelardo de la Espriella. Então me parece que o objetivo dele, Daniel, vai se posicionar como grande líder dessa, dessa onda conservadora na América do Sul para poder se cacifar, para poder dialogar com Trump.

O Trump, seguinte, você quer falar com a América Latina? Fala comigo, sou eu que lidero esse movimento conservador. Quando você pensa nesse movimento conservador, quem tem coragem, quem vai lá, bate no peito, fala grosso, quem, né, fala o que tem que ser dito, Sou eu. Claro que tem um outro representante, né, possível nisso tudo, que é o Bukele, né, o presidente de El Salvador. Agora, Daniel, quando você coloca na balança aí o peso do Bukele com El Salvador e do peso do Milei à frente da Argentina, é claro que a Argentina tem muito mais peso, né, acaba tendo uma posição de um destaque muito maior.

Agora, no meio disso tudo, Daniel, a gente tem o ministro da Fazenda do Brasil, o Dário Durigan, respondendo na mesma moeda, né, Daniel? E aí me parece que é um outro erro, é um erro de novo, né? Ele vai lá e chama, né, disse o ministro da Fazenda de novo, ministro da Fazenda. Eu não tô falando de um sub, eu não tô falando de um assessor, eu tô falando do ministro da Fazenda do Brasil dizendo o palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem, falou do Brasil quando o risco país na Argentina é muito mais alto.

E seguiu a partir daí dizendo que a economia argentina tá numa situação muito pior e tudo. Mas quando você chama o presidente argentino de palhaço, você tá inclusive tirando uma certa força da crítica brasileira. O que o Itamaraty fez foi com uma nota muito bem escrita, aliás, dizendo: olha, não há espaço para uma retórica como essa, não pode falar isso sobre o governo brasileiro. E aí você tem um integrante, não é integrante secundário do governo brasileiro, ministro da Fazenda, chamando Milei de palhaço.

Ele pode ter opinião pessoal dele, né, o Dário Durgan, Mas a partir do que você expressa isso, me parece que tira um pouquinho a força da própria crítica brasileira com relação ao Milei.

DSDaniel Sousa

Tira muito. Afinal, a gente tá falando de uma linguagem que é uma linguagem meio de boteco. Falar porque é o palhaço do presidente da Argentina, você pode falar para os seus amigos, você pode falar numa reunião fechada, mas o ministro da Fazenda do Brasil não pode se direcionar a um mandatário argentino, independentemente do comportamento dele, com esse tipo de nomenclatura. E trazendo mais alguns dados, Tadinho, no primeiro semestre de 2026, as exportações argentinas totalizaram US$49,45 bilhões.

Dessas exportações, US$6,255 bilhões foram para o Brasil. Ou seja, o Brasil representou 12,6% das exportações argentinas, à frente da China, que foram 9,9%, e dos Estados Unidos, 9,8%. O Brasil, aliás, no primeiro semestre de 2026, concentrou 22,3% das importações argentinas, atrás apenas da China. Você tem aqui, no primeiro semestre de 2026, os produtos brasileiros representaram 74% das compras argentinas no Mercosul. Nós temos aqui uma série, realmente, de elementos que chamam a atenção, quer dizer, O Brasil é um país importante do ponto de vista até do volume de investimento, é um dos maiores investidores, é o quarto maior investidor direto na Argentina, que é aquele investidor produtivo que leva dólares para produzir num país.

Tem mais de 8% do total de investimento estrangeiro direto na Argentina. É algo inacreditável, quer dizer, o Brasil é o principal destino das exportações do complexo de trigo e do complexo automotivo argentino. O Brasil também tem papel relevante nas exportações argentinas de laticínios, vinhos, azeite de oliva, pera, maçãs, hortaliças. E a gente pode continuar por aqui, quer dizer, o que não faltam são elementos de importância da relação econômica entre os dois países.

Você simplesmente não briga com o Brasil por tão pouco. É, você até reforçou um pouco a hipótese que eu coloquei há alguns instantes de que o Milei tava tentando puxar o saco do governo Trump justamente por tentar se projetar como essa liderança da região. Olha, Trump, olha como eu tô trabalhando para formar aqui todo um eixo alinhado com os Estados Unidos e eu sou a liderança inconteste da região. Agora, você fazer isso à custa de sacrificar um bom relacionamento com o Brasil é insanidade.

Do ponto de vista argentino. E caberia ao Brasil ter uma resposta protocolar, como Itamaraty acabou fazendo, é convocar embaixadores, faz parte do processo diplomático, mas não a declaração do ministro da Fazenda do Brasil, que não é assim, não é assim que a gente responde. Até é porque dois errados não fazem um certo, e a gente não pode perder a razão numa situação como essa, não pode sugerir de alguma maneira ou legitimar o comportamento do presidente argentino.

E é um pouco que a gente faz quando utiliza esse tipo de nomenclatura para se referir a ele.

TBTanguy Baghdadi

Uma das maiores vantagens que a Argentina tem de ser integrada com o Brasil é ter acesso a produtos brasileiros. E aí, Daniel, de repente chega lá inclusive as roupas da Insider Store, viu? Indústria brasileira, produto da mais alta qualidade, veste bem, preço bom. Aliás, um super investimento, viu? A quantidade de vezes que você pode lavar as roupas da Insider sem que ela perca qualidade, mantém a cor, não dá mau cheiro, fácil de ser utilizada.

A Tech T-Shirt, por exemplo, Daniel, ela desamassa no corpo. E aliás, isso é comum da linha da Insider de uma forma geral. Utilizando o link que tá na descrição desse episódio, você pode fazer aquilo que, né, é um benefício por você estar no Brasil, que é comprar as roupas da Insider Store com desconto, desconto do PetiJornal. Acessa lá. Dá uma olhada, conheça a linha. Aliás, Daniel, a gente tá num período aqui no Rio de Janeiro, não sei como é que tá no restante do Brasil, né, Daniel, que o tempo não decide se tá frio, se tá calor, né?

Tá meio frio, mas aí às vezes fica mais calor, aí abre o sol, aí esquenta, aí depois esfria mais um pouquinho. A Insider Store tem opções para todos esses momentos. Acessa lá, o link tá na descrição desse episódio. Daniel Souza, aproveitando que a gente tá falando sobre América Latina, eu queria trazer a Colômbia para nossa conversa, né? A Colômbia que já tá se projetando, né, com o novo presidente, presidente eleito, né, o Abelardo de la Spriella, como um aliado de Javier Milei, já começa a se posicionar na sua política externa.

E o Abelardo de la Spriella, que ainda não tomou posse, como eu disse, ele vai tomar posse no dia 7 de agosto, anunciou que pretende romper relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua, tá. Então faz parte também dessa leva conservadora, né. Então Cuba e Nicarágua são vistos como problemas para esses países conservadores. Então já anunciou que essas relações serão rompidas e também vai fechar— aí ele toma cuidado para dizer que isso não é romper relações, mas vai fechar 15 consulados e 14 embaixadas.

Países como Argélia, Haiti, Barbados, Hungria, Senegal, Etiópia, África do Sul, República Tcheca, Romênia, todos esses países deixarão de ter representações colombianas. Ele disse, olha, não é que eu vou deixar de ter relações com esse país. Com Cuba e Nicarágua, sim. Com esse país não tem mais conversa. Mas com os outros vai haver algum tipo de comunicação por meio de embaixadas de outros países, também pegando carona, né, Daniel?

Então não vou ter embaixada, mas se eu precisar de alguma coisa, eu recorro à embaixada argentina, embaixada americana, enfim, para poder dialogar com esses países. E também anunciou, Daniel, uma movimentação com relação às suas embaixadas no Oriente Médio. Então ele vai desfazer, por exemplo, uma iniciativa que tinha sido do governo do Petro, que é o atual presidente, vai passar o cargo no dia 7 de agosto, que era de romper relações com Israel.

A gente comentou isso aqui, né, que você tinha tido encerramento das relações. Ele disse que vai retomar as relações e vai abrir a embaixada colombiana, reabrir a embaixada colombiana em Israel. Adivinha, Daniel, em Jerusalém. Não será em Tel Aviv, ou seja, um reconhecimento que Jerusalém é a capital única de Israel. E também disse que pretende parar o processo de abertura de uma embaixada colombiana na Palestina. Era o movimento que também tinha sido feito pelo Petro.

Agora, no meio disso tudo, Daniel, tem uma coisa que eu achei muito curiosa, que é que o Abelardo de la Espriella anunciou hoje que a cidade de Barranquilla— isso aqui só pode ser uma homenagem à Shakira, Daniel— que é de Barranquilla, será a sede permanente da Presidência da República, e que a Casa de Nariño, que é a sede do governo lá em Bogotá, que é a capital constitucional, será transformada em museu aberto ao público. Ou seja, durante o governo dele, se você quiser encontrar o presidente, não vá a Bogotá, que você vai encontrar lá vai ser um museu aberto e tal para conhecer a história colombiana e tudo.

Se você quiser conversar com ele, você vá para Barranquilla. A ideia dele, né, o que ele disse é a necessidade de uma descentralização do poder no país. É uma lógica a gente vê em vários países, aliás, né, Daniel? Essa ideia de que, olha, tá tudo muito concentrado na capital, capital, capital. A gente precisa de um governo que circule, um governo que esteja mais arejado, que ouça. Agora, curiosamente também, ele foi para a região do Caribe, né, Daniel Souza?

Nada mal também, né? Ele foi ali para o Caribe, né, no norte. Bogotá fica bem no centro do país. Ele, portanto, vai governar a partir de Barranquilla, que é de novo a cidade natal da Shakira.

DSDaniel Sousa

Daniel Souza, avançando para a próxima pauta, eu quero registrar que Xi Jinping telefonou ao presidente Lula ontem à noite e acabou declarando apoio à soberania brasileira e se opondo à interferência externa, dias depois dos Estados Unidos imporem novas tarifas de 25%. Sobre 3.000 produtos brasileiros, além das tarifas de 12,5% que foram aplicadas contra dezenas de países. Eles, inclusive, falaram da importância de acelerar as negociações de um acordo comercial entre Mercosul e China, e também acabaram dialogando sobre algumas áreas prioritárias em relação aos dois governos.

É importante registrar que a China, nesse caso, está agindo com alguma habilidade, porque, afinal, Se os Estados Unidos e o Brasil estão dando com um porrete em cima de vocês, não seja por isso, estou aqui ao seu lado. A China é protecionista contra o Brasil? Pô, mas muito! Ô, China, como você é protecionista em relação a produtos brasileiros muitas vezes! Mas os chineses, colocando isso de lado, tentam ali se colocar como um país mais próximo ao Brasil e como quem diz: Brasil, você não está isolado, você não precisa...

Continuar tendo esse tipo de relação tóxica com os Estados Unidos, vem para cá, que eu, China, estarei pronta para te receber e para ter aqui um ótimo relacionamento, um relacionamento estreito com você. A gente sabe que um dos objetivos desse tarifação do Trump em relação a múltiplos países é algo punitivo, é uma estratégia punitiva. E no caso do Brasil em particular, é tentar retirar a influência chinesa do Brasil. Só que o efeito está sendo o contrário, o tiro está saindo pela culatra.

É inacreditável que a administração Trump não perceba que esse tipo de expediente, esse tipo de instrumento, acaba surtindo o efeito inverso ao esperado. Ao invés de distanciar o Brasil da China e eventualmente aproximar o Brasil dos Estados Unidos, está distanciando o Brasil dos Estados Unidos e está aproximando o Brasil da China. Idealmente, o Brasil deveria ficar realmente numa posição de canais abertos com os diferentes países, ter ótimas relações com os americanos, com os chineses, com os japoneses, com os indianos, com os africanos, com os europeus.

O Brasil é um país aberto, é um país que tem essa vocação pacifista, que tem essa vocação ao diálogo, e manter realmente alternativas de desenvolvimento, de comércio, de investimento, parcerias múltiplas em múltiplos setores, me parece o melhor caminho. De qualquer forma, é algo que é um dado da realidade, né? Aliás, a gente observa, inclusive, que até o Canadá passou a dialogar mais com a China, os europeus, com todas as dificuldades, estão dialogando mais com a China, inclusive têm ali metas para o mês de outubro para avançar nas discussões comerciais, para tornar o comércio um pouco menos desigual.

É algo muito impressionante como o governo americano do Donald Trump acaba tendo o efeito exatamente inverso. Agora, quem acabou tremendo na base foi o Panamá. O Panamá expulsou lá a empresa chinesa do Canal do Panamá. Você pode ter ali El Salvador, que é um país pequeno, você pode ter o México, de repente, tentando ali, de alguma forma, manter um vínculo com os Estados Unidos por conta dos seus 80% de exportações que vão para os Estados Unidos.

Mas o Brasil? O Brasil está mais longe, depende menos dos Estados Unidos. E, consequentemente, quando você tem essa postura bastante truculenta, o efeito pode, muitas vezes, ser o inverso do esperado. Não é só o caso do Brasil, outros países têm buscado ali alternativas aos Estados Unidos, até aliados históricos dos Estados Unidos estão buscando alternativas, porque, afinal, não confiamos, ou não se confia mais nos Estados Unidos como se confiava até bem pouco tempo atrás.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, na Gelera Shakira de hoje eu queria falar sobre a nossa exclusão. Fomos excluídos de um movimento importante que vem acontecendo por aí mais uma vez nessa relação entre Brasil e Argentina. Me conta, Daniel Souza.

DSDaniel Sousa

Ô, Tanguê, o Milei voltou para Argentina e foi para uma rádio, e aí resolveu fazer a denúncia, a denúncia, denúncia gravíssima: o Brasil estaria financiando uma campanha anti-Argentina. Eu fiquei muito ofendido. Porque se o governo brasileiro está financiando uma campanha anti-Argentina, ele deveria ter me convidado. Ele deveria ter convidado o PetiJornal para participar desse esforço e nós não fomos convidados. Não é possível isso.

Ah, porque na Copa do Mundo. Ah, porque o mundo está falando mal da Argentina e o Brasil está envolvido nessa conspiração. Mas não é só o Brasil. Também temos o Partido Democrata está envolvido. Temos aí vários envolvimentos que não podem ser em absoluto ignorados, porque a Argentina está passando por uma conspiração. Claro que a gente está brincando aqui, mas esse conspiracionismo, essa ideia de que existe um inimigo externo, é ótimo para um presidente que está tendo perda de popularidade.

Afinal, gente, vamos nos unir porque o mundo está contra nós. Vem comigo que eu vou proteger vocês. Ele faz ali algumas referências, fez a referência aos consultores brasileiros ligados ao PT que participaram da campanha do Sérgio Massa, fez referência à visita do presidente Lula à Cristina Kirchner, o que foi um erro grave também por parte do governo brasileiro fazer isso. Mas é risível achar que o Brasil é a fonte de algum tipo de campanha anti-Argentina, por mais que nós tenhamos aí a nossa rivalidade no futebol, a nossa rivalidade de vizinhos, etc.

A Argentina, como foi dito ao longo do episódio de hoje, é o país mais importante no planeta Terra para o Brasil. E infelizmente a gente tem que registrar, a Argentina precisa muito mais do Brasil do que o Brasil da Argentina.

TBTanguy Baghdadi

Agora, Daniel, outra coisa que eu fiquei intrigado nessa, nessa história aí do Milei, né, com relação a essa campanha anti-Argentina durante a Copa do Mundo, foram as contas, né. Eu achei que o Brasil podia ter sido mais agressivo nessa, porque diz o seguinte: eram 3 financiadores, era o Brasil, era o governo mexicano e o Partido Democrata. Claro, Daniel, são 3, o Brasil tem que ter uma certa honradez de querer dividir 1/3 para cada um.

E segundo ele, o Brasil entrou, segundo Milei, o Brasil entrou com 25%. Pô, 25% é menos, né, Daniel? Não pode.

DSDaniel Sousa

Aí, aí é que eu tô te dizendo, poderia ter me chamado para contribuir, poderia ter chamado o PetiJornal para contribuir para chegar aos 33,3333333, que é 1/3, né? E a gente poderia ter contribuído, pagava mais imposto, não tem problema. Se o motivo é justo, a gente poder estar ingressando nesse esforço nacional.

TBTanguy Baghdadi

É isso, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Aliás, se você quer saber mais, tá com saudade da Copa do Mundo, você tá com saudade da Copa do Mundo, tem curso do Petit Cursos sobre Copa do Mundo e política. A gente vai ter uma aula, aliás, amanhã nessa terça-feira, sobre guerra e futebol, como é que guerra e futebol se relacionam, né? As metáforas todas, né, que é importante a gente levar em consideração, e como é que as guerras elas estão o tempo todo entremeadas em elementos futebolísticos.

Você quer saber mais sobre a Argentina? Quer saber da relação da Argentina com o Brasil? Tá tudo lá, peticursos.com.br. Acessa lá, dá uma olhada no catálogo e vem com a gente.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho. Nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Peti é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado, não tem o apoio de uma grande produtora, e por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante, e registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Dá para ativar o Pix recorrente, chave Pix no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, o link do Patreon, e tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!

DSDaniel Sousa

Peti Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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