Protestos na Índia - BP 1116
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A Índia enfrenta uma onda de protestos após um escândalo de vazamento de exames públicos, colocando o governo de Narendra Modi sob forte pressão política. No episódio, analisamos as consequências da crise para a estabilidade do país e discutimos também as denúncias envolvendo os Estados Unidos, que teriam arrecadado US$ 13 bilhões com a comercialização de petróleo venezuelano sem esclarecer o destino dos recursos. Abordamos ainda a decisão de Donald Trump de condicionar um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita à adesão aos Acordos de Abraão.
Também explicamos como o bloqueio simultâneo dos principais gargalos marítimos do Oriente Médio amplia os riscos para o abastecimento global de energia, comentamos a possibilidade levantada por Trump de indicar Gianni Infantino para o cargo de secretário-geral da ONU e analisamos o aumento da dívida pública da Polônia, um dos países europeus onde ela mais cresce.
Na Geleia da Shakira, um deputado colombiano chama atenção ao comparecer à sessão de abertura do Congresso vestido de "elefante branco", em protesto contra desperdícios e obras sem utilidade.
#Índia #OrienteMédio #EstadosUnidos #Polônia #Geopolítica
- Conflito no Oriente MédioEstreito de Ormuz · Mar Vermelho · Preço do petróleo Brent · Irã · Estados Unidos
- Protestos InternacionaisVazamento de exames públicos · Narendra Modi · Demissão do Ministro da Educação · Crise de governo
- Acordo Nuclear Irã-EUAIsrael · Acordos de Abraão · Estado Palestino · Donald Trump e a NASA
- Geopolítica do PetróleoEstados Unidos · Comparação com precedente venezuelano · Donald Trump e a NASA · Falta de transparência
- Secretário-Geral da ONUGianni Infantino · Donald Trump e a NASA · João Barradas · Saída de Bolsonaro da UTI
- Luiz Carlos Rua e ativismo político colombianoObras inacabadas · Corrupção · Elefante branco
- Dívida PúblicaUnião Europeia · Teto de dívida · Armamento
PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1116. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 17 horas e 34 minutos da quinta-feira, 23 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece, o Tangui vírgula, ô, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, mais tarifado e com mais tarifas a caminho.
E por isso ele está muito preocupado, com incerteza, com insônia, porque não sabe o que acontecerá com o seu fluxo de comércio, em direção a um vizinho poderoso e rico. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para mais esse episódio, para o bate-papo 1116. Um prazer estar aqui com você, Daniel Souza. Um prazer estar aqui com todos os nossos ouvintes. Vamos para mais um episódio, né, Daniel, nessa quinta-feira, para falar sobre temas políticos, econômicos, né, que chamaram atenção da gente ao longo das últimas horas. E eu queria começar o nosso episódio, Daniel, falando sobre a Índia. O Narendra Modi, Daniel, primeiro-ministro indiano, ele tá no poder desde 2014 na Índia, e talvez poucas vezes ele tenha tido um momento tão complicado no seu governo quanto o que vem acontecendo ao longo das últimas semanas.
Isso tem mais ou menos umas 3 para 4 semanas E eu queria trazer aqui o cenário, Daniel, para a gente ficar atualizado, principalmente porque tá chegando num ponto no qual ele vai ter que tomar algum tipo de medida, tá sendo pressionado por todos os lados e não dá para saber exatamente para onde que ele vai. Mas o estopim da atual crise na Índia, Daniel, foi o cancelamento do Exame Nacional de Admissão para Faculdade de Medicina, o equivalente ao que seria um vestibular, e é um vestibular muito, muito competitivo na Índia.
Participaram, por exemplo, no último concurso, 2 milhões de estudantes numa tentativa de superar um problema grave que a Índia tem, que é poucas vagas nas universidades frente a um momento no qual a juventude, né, os jovens têm uma dificuldade muito grande de conseguir emprego, né. Você tem uma taxa de desemprego muito alta entre os jovens, então muita gente acaba se preparando muito para tentar entrar numa boa faculdade. A faculdade de medicina, portanto, acaba sendo extremamente competitiva.
O problema é que o último concurso ele foi anulado depois de que algumas denúncias, né, e posteriormente investigações confirmaram que houve o vazamento prévio das questões da prova para algumas pessoas. Então 2 milhões de pessoas foram fazer a prova, só que algumas pessoas já tinham tido acesso à prova anteriormente. E aí, Daniel, não é apenas o problema desse concurso. O problema é que essa já é uma acusação, uma denúncia que acontece há muitos anos, não apenas, aliás, nesse vestibular, né, no equivalente ao vestibular para faculdade de medicina, mas também para concursos públicos.
O cara vai tentar, é um baita emprego, não apenas na Índia, né, em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, mas na Índia é um super emprego. Você conseguir um emprego público, você tem estabilidade, você tem um salário razoavelmente bom. E existem muitas e muitas denúncias de que essas provas são vazadas, de que você tem uma série de esquemas de corrupção. E portanto, né, dado o tamanho da repercussão que a gente teve nesse último vestibular para as faculdades de direito, né, para as universidades de direito, foi formada, né, uma grande mobilização popular que começou na internet e agora tá indo para as ruas, que é o Partido das Baratas, que é o Cockroach Janta Party.
As pessoas começaram a se organizar para fazer protestos cada vez maiores contra a estrutura do governo, contra Narendra Modi, e com uma demanda, uma exigência, que é a demissão do ministro da Educação, né? O ministro da Educação tem que cair. Narendra Modi, Daniel, daquele jeito durão dele, tá dizendo que, olha, prometo fazer uma série de reformas, vamos dar um jeito aqui, mas eu não vou mandar o ministro da Defesa embora. Esse cara aqui é da minha confiança e eu vou dar um jeito, eu não vou ceder nisso.
Aquela coisa, Daniel, do governante também querer dizer que, olha, eu tô a fim de fazer concessões, mas Tem um determinado ponto que eu não vou passar. Então ele anunciou, Daniel, de ontem para hoje, né, a criação de tribunais de julgamento acelerado, que é uma tentativa de fazer um julgamento mais rápido possível de quem foram os responsáveis, dá uma punição exemplar e seguir adiante. Problema, Daniel, que as pessoas foram para as ruas.
Você tá tendo inclusive choques cada vez mais frequentes entre manifestantes e forças de segurança. E agora quem entrou na jogada também foram os partidos de oposição, que abraçaram as reivindicações estudantis, interromperam os trabalhos no parlamento por 4 dias consecutivos enquanto não houver a demissão do ministro da Educação, que é o Dharmendra Padhan, né? Então pediram exatamente pela demissão do Dharmendra Padhan, e até agora a gente não teve uma solução para isso.
Agora, Daniel, é o momento de uma corrosão muito séria do poder de Narendra Modi. Ele tá meio emparedado diante dessa situação e a gente vai ter que acompanhar para ver o que que ele vai fazer, se ele vai conseguir debelar essa situação rapidamente, se ele vai mandar o ministro da Educação embora. Mas o fato é que é um dos desafios mais importantes que Narendra Modi já sofreu desde que ele chegou ao poder em 2014.
Daniel, nós tivemos mais um terremoto na Venezuela e claro que chama a atenção a participação dos Estados Unidos no socorro aos venezuelanos. Desde o dramático terremoto que aconteceu há poucas semanas. Aliás, o Financial Times acabou publicando uma matéria muito interessante trazendo questionamentos sobre onde foram parar os 13 bilhões de dólares que os Estados Unidos arrecadaram com o petróleo venezuelano. Isso não está explicado.
Essa receita foi estimada pelo Financial Times com base em dados da Kepler e também da Argus Media. O petróleo representa cerca de 25% do PIB venezuelano e o que a gente observa até agora é que está rolando muito dinheiro e pouca recuperação da economia do país. O crescimento oficial do primeiro trimestre de 2026 na Venezuela foi de apenas 2,5%, é um crescimento pequeno, até para o padrão venezuelano. Apenas 300 milhões de dólares aparecem registrados no site criado pelo governo venezuelano para acompanhar as receitas, única fonte de informação oficial.
A gente, inclusive, tem várias versões contraditórias. Nós temos o decreto original, de janeiro que os recursos pertencem ao governo venezuelano, mantido em contas americanas. Nós temos o Departamento de Energia que diz que os recursos são desembolsados em benefício do povo americano e do povo venezuelano. O Trump, em junho, disse que os Estados Unidos estavam ganhando um monte de dinheiro com o petróleo venezuelano e afirmou ter recuperado 28 vezes o custo da operação militar.
Já o Departamento de Estado disse, em abril, que cerca de 3 bilhões de dólares haviam sido enviados à Venezuela. Enfim, quer dizer, a gente está falando de um ambiente onde não há qualquer tipo de clareza em relação a como está funcionando essa dinâmica do petróleo venezuelano. O fato é que, em 24 de junho, nós tivemos 2 terremotos na Venezuela, tivemos agora mais um há poucas horas. Os danos estimados pela ONU na Venezuela são de 37 bilhões de dólares e os Estados Unidos disponibilizaram 386 milhões de ajuda humanitária.
E nós não observamos qualquer tipo de melhora mais substantiva na economia venezuelana, observamos um país que, na prática, se tornou um protetorado dos Estados Unidos, e, consequentemente, não tem tido autonomia para fazer a gestão de seus recursos naturais. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo conhecidas do planeta, a gente está falando em algo em torno de 300 bilhões de barris, mas a Venezuela, ao mesmo tempo, não tem tido nenhum tipo de transparência, nenhum tipo de recuperação nítida ou de investimentos vultosos que podem levar o país a um desenvolvimento mais estruturado, a um desenvolvimento de longo prazo mais efetivo.
Fica a impressão, Tanguy, de que a administração Trump está preocupada, acima de tudo, com ganhos de curto prazo, como, aliás, o Donald Trump faz em diferentes momentos, em diferentes situações. Mas a falta de transparência é algo que chama demais a atenção, tanto que esses 13 bilhões de dólares estimados pelo Financial Times são utilizando dados de satélite, dados que tentam mapear ali de forma bastante grosseira qual o volume de embarcações e de petróleo que tem sido exportado pela Venezuela nos últimos tempos.
Daniel Souza, eu queria compartilhar com os nossos ouvintes uma experiência que eu tenho tido ao longo das últimas semanas, né? Eu tenho voltado a estudar línguas, né? Então não apenas o inglês, mas também francês, espanhol, né? Tenho tentado me aventurar aí em algumas outras línguas e senti falta de, para além do inglês, né, boas fontes para ouvir as outras línguas, né. Claro que a gente encontra em streaming, dá para encontrar YouTube e tal, só que é muito limitado.
Claro que para o inglês a oferta é vastíssima, só quando a gente fala principalmente sobre espanhol e francês não é tão simples assim. E aí, Daniel, eu fui utilizar a NordVPN para conseguir acessar conteúdo de televisão, de streaming de outros países, né? Então conteúdos feitos não apenas na América Latina, mas também na Espanha, também na França. E tem sido uma super experiência, Daniel, porque é a maneira que eu tenho de nesse momento acessar um conteúdo que para a gente não é tão fácil acessar, não é tão simples ter acesso.
E são coisas que para a gente, né, aqui no Brasil fazem muita diferença quando a gente quer ouvir outras línguas, né, quando a gente quer treinar. Esse é um dos benefícios que eu acho mais maravilhosos quando a gente fala sobre uma boa VPN como a NordVPN, a possibilidade que você tem de acessar informações, de acessar séries, de acessar filmes, de ver debates que estão acontecendo em outros países. Tanto se eu tiver aqui no Brasil, não tô viajando, não tô no exterior nem nada disso, mas quando eu estou viajando também é uma mão na roda, Daniel, porque abre uma série de novas possibilidades, uma série de sites que às vezes eu tenho dificuldade por conta de geolocalização, de conteúdo, de transmissões, né?
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Daniel Souza, no episódio de ontem, né, no bate-papo 1115, eu falei aqui sobre o acordo de cooperação nuclear que foi assinado e anunciado no dia de ontem entre Estados Unidos e Arábia Saudita. Eu falei aqui, né, trouxe aqui que aparentemente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, queria oferecer uma certa alternativa para Arábia Saudita Não apenas para gerar energia, claro que gerar energia nuclear é algo que para Arábia Saudita é interessante.
Arábia Saudita vem tentando fazer aí uma transição energética para conseguir utilizar basicamente o petróleo para exportação e não necessariamente para utilizar em tudo que seja necessário domesticamente, mas também como uma alternativa ali para se precisar ter mais um aliado na região com bombas nucleares. Lembrando que a situação relacionada ao Irã Tá longe de ser resolvida, tá longe de ser consertada. Então já tem Israel. De repente, se a Arábia Saudita tiver eventualmente tecnologia nuclear, pode ser mais um aliado na região com ogivas nucleares.
Lembrando que o Irã fica ali no meio, que tem Israel de um lado, Paquistão do outro, que é um aliado também dos Estados Unidos, apesar de ter lá seus atritos. E teria também a Arábia Saudita com tecnologia nuclear. Não tô falando que já vai ter bomba nuclear, Mas é uma possibilidade. E um dos detalhes que eu citei sobre esse acordo no dia de ontem era que o Biden lá atrás, quando ele cogitava fazer um acordo como esse para Arábia Saudita, ele colocava uma condição.
E a condição é: Arábia Saudita, eu posso ceder tecnologia nuclear para você, mas você precisa estabelecer relações diplomáticas com Israel, que até agora não tinha acontecido. Donald Trump no anúncio que foi feito ontem não colocou esses termos. Então simplesmente disse que vai ceder tecnologia nuclear para Arábia Saudita sem mencionar Israel. Hoje, no entanto, Donald Trump voltou a carga e falou que não, que essa é uma condição.
O acordo só será efetivado caso o governo de Mohammed bin Salman estabeleça relações diplomáticas com Arábia com Israel, né? Então o governo saudita tem que passar a dialogar com Israel. O interessante, Daniel, é que a Arábia Saudita já disse várias vezes que não tem problemas em dialogar com Israel, desde que seja cumprida uma condição. Daniel, só uma: cumpra essa condição e eu vou, eu passo a dialogar com Israel. Lembrando que nunca houve relações, né?
Arábia Saudita e Israel nunca tiveram relações diplomáticas oficiais, dialogam aqui e acolá. Mas a Arábia Saudita está dizendo: eu só tenho uma condição, e essa condição é criem o Estado Palestino. Se criar o Estado Palestino hoje, amanhã eu dialogo com Israel e fica tudo certo. E aí, Daniel, você basicamente tá criando um pré-requisito que muita gente no Oriente Médio tá doido para ver. Falou assim: ó, se criar o Estado Palestino, aí pode todo mundo dialogar com Israel, não tem problema nenhum.
Mas o fato é que a gente tá num cenário, né, Daniel, em que essa é uma pauta bomba, né, porque você acaba tendo o governo de Donald Trump negociando com a Arábia Saudita e pressionando Netanyahu. Netanyahu, como é que é, cara? Eu quero fazer aqui um acordo com a Arábia Saudita. Arábia Saudita tá dizendo que só vai estabelecer relações diplomáticas com você, que é uma condição que eu, Donald Trump, coloquei, se você criar o Estado Palestino, permitir a criação do Estado Palestino.
Parar de boicotar a criação do Estado Palestino. Vamos ver onde que isso vai dar. A gente já imagina, né, Daniel, a coisa vai acabar se enrolando. Enfim, o Estado Palestino não vai ser autorizado, pelo menos durante o governo Netanyahu. Enfim, não vê isso acontecendo no futuro próximo. E cada vez mais gente que teve acesso a esse acordo, Daniel, vem dizendo que o pacto não tem— o acordo nuclear não tem garantias o suficiente de que Arábia Saudita não poderá enriquecer urânio, tá?
Essa é uma cláusula que os Estados Unidos sempre colocam. Olha, eu cedo tecnologia, mas você não pode enriquecer urânio, que isso pode levar à produção de bombas nucleares. E como a gente já mencionou ontem, com Arábia Saudita esse é um compromisso meio frouxo, tá? É meio, meio, tá meio solto, talvez de propósito, para permitir que eventualmente Arábia Saudita tem uma alternativa para enriquecer urânio, eventualmente fazer uma bomba nuclear daqui alguns anos, muitos anos, sabe?
Sei lá. Mas é um acordo que ainda merece esclarecimento. A gente precisa saber mais sobre esse acordo, mas naturalmente isso vai trazer algum tipo de questão envolvendo também Israel e eventualmente a criação de um Estado Palestino.
Daniel, é impressionante como o Donald Trump não é confiável, né? Porque ele diz uma coisa um dia, no dia seguinte ele diz outra coisa, e no terceiro dia ele diz uma terceira coisa. E consequentemente os acordos acabam tendo muita dificuldade para serem construídos. Isso, inclusive, se reflete em um outro aspecto importante. A gente segue acompanhando a crise no Oriente Médio. Os dois estreitos estão fechados, tanto o do Golfo Pérsico quanto o do Mar Vermelho, e o reflexo disso é que, no dia de hoje, o barril de petróleo do tipo Brent alcançou $100 o barril.
Então, o barril do petróleo continua subindo, E vai continuar subindo, porque quanto mais a crise se alonga, menor a oferta de petróleo no mercado internacional. Menor a oferta de petróleo no mercado internacional, maior o preço. É simples assim. E agora nós temos um cenário ainda pior do que tínhamos no conflito anterior, ou no tensionamento desse mesmo conflito no momento anterior, porque naquela altura você tinha o Mar Vermelho como uma alternativa de escoamento de produção, da Arábia Saudita, que é o maior produtor da região.
Quer dizer, o maior produtor da região conseguia escoar uma parte importante da sua produção através do Mar Vermelho, só que essa possibilidade se fechou. Os sauditas até podem mandar as embarcações em direção ao norte pelo Estreito de Ormuz, mas demora muito tempo, mas muito tempo para você ter ali esse petróleo chegando na China, na Índia, em grandes centros consumidores. Isso faz com que, obviamente, o número de viagens projetadas seja menor e, consequentemente, a oferta desse petróleo seja menor.
É absolutamente preocupante. Os americanos seguem atacando o Irã. Você tem tido ataques sistemáticos já há vários dias. O argumento oficial é para tentar danificar a capacidade iraniana de realizar ataques nas embarcações que passam pelo Golfo Pérsico em direção ao Estreito de Ormuz. Nós tivemos uma derrota importante, mas muito simbólica, do Donald Trump no Congresso dos Estados Unidos, onde você teria uma limitação do Donald Trump no que diz respeito aos seus poderes de guerra.
A bem da verdade, essa limitação já existia antes, quer dizer, o Donald Trump e o presidente dos Estados Unidos não têm poder para entrar numa guerra como essa sem autorização do Congresso, da maneira como ele entrou. Mas Donald Trump vai testando os limites do seu poder. É um atoleiro no qual os Estados Unidos entraram. Eles foram dragados por Israel. Israel levou os Estados Unidos para esse atoleiro. Foi aquele papo do Netanyahu, né?
Ô Donald Trump, temos aqui uma oportunidade. E o Donald Trump acreditou que eles tinham ali uma oportunidade para derrubar o regime do Zahir al-Attawalas e, consequentemente, colocar o nome do Donald Trump na história. Ele foi absolutamente encantado por essa possibilidade, uma possibilidade que rapidamente se provou um erro, se provou não crível. E agora ele tem um problema, porque nós tivemos um cessar-fogo anterior em condições absolutamente humilhantes para os Estados Unidos, condições que nós esmiuçamos aqui no Pet Jornal.
E agora ele faz o quê? Volta a atacar o Irã porque não quer que o Irã controle o Estreito de Hormuz. E, enquanto mais o tempo passa, mais o preço do barril de petróleo acaba subindo. E vamos juntos, né, Tanguy? Porque isso acaba contaminando a economia mundial. Já temos aqui pressões no mercado de energia do Brasil, isso sem falar na Rússia, que também cogita ampliar por mais tempo a restrição nas exportações de diesel. Rússia que segue importando combustível da Índia.
Ô, Tanguy, está uma bagunça! O mercado internacional de energia está realmente uma bagunça. Nesse ano de 2026 por razões geopolíticas.
Daniel Souza, a gente já comentou aqui em outros momentos que tá acabando o mandato do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, né, o português. Ele tá no seu segundo mandato e o mandato dele termina agora, termina agora no finalzinho de 2026 e 2027. Portanto, temos que ter um novo secretário-geral. Alguns nomes, Daniel, estão correndo atrás, estão fazendo campanha, estão tentando se viabilizar. Entre eles, né, dois latino-americanos.
Existe um consenso de que o ideal seria que o próximo secretário-geral fosse um latino-americano, ou então alguém da América Latina ou Caribe, né, para tentar ter aquela lógica de uma certa rotatividade. E a Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, é uma candidata. E o Rafael Grossi, que é o argentino que atualmente está à frente da Agência Internacional de Energia Atômica, é outro nome que tenta se viabilizar. Donald Trump, no entanto, Daniel, olhou para esses dois candidatos e falou assim: não sei, viu, Rafael Grossi até gosto, mas eu precisava de um puxa-saco.
Esses dois não estão parecendo que vão puxar meu saco da maneira correta, não tá me parecendo que eles são profissionais do puxa-saquismo, Daniel. E aí ele começou a analisar: pô, quem é que pode ser o secretário-geral da ONU? Que vai puxar meu saco de uma maneira adequada, constante, irrestrita, sem problema, sabe, sem fronteiras, sem qualquer tipo de restrição, sem perguntas também, né, Tanguy?
Ponto.
Sem perguntas. Eu não quero pergunta, não quero ser questionado. Eu quero que o secretário-geral da ONU faça o que eu estou determinando e que não tenha perguntinha, não tenha coisinha. E aí ele foi pensando, ele foi olhando os contatos dele ali. Pô, quem foi que puxou meu saco de maneira ininterrupta ao longo dos últimos anos? Sem preocupações, sem constrangimento, sem vergonha na cara. E ele chegou à conclusão, Daniel, que o nome ideal para ser secretário-geral da ONU é o atual presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Então ele começou a dizer, e saiu hoje no New York Post, não é o New York Times, tá, gente, é o New York Post.
O New York Post é o Daily Mail dos Estados Unidos. Então só para a gente situar os nossos amigos, o que que é o New York Post? É o meia-hora, é o meia-hora de Nova York.
Você lendo isso, você duvida, Daniel Souza?
Jamais.
Você consegue duvidar? Não consigo duvidar. Então fontes falaram para o New York Post que Donald Trump avalia apoiar o nome de Gianni Infantino para ser o próximo secretário-geral da ONU. Eu acho que ninguém perguntou para o Infantino se ele quer. Inclusive, o Infantino quer mais mandato.
Furada, porque eu vou te dizer por quê. Quando você vira secretário-geral da ONU, você tem mandato. O Infantino não tem mandato na FIFA, rapaz. Então você pode continuar ali. E a ONU é muita dor de cabeça, muita dor de cabeça, muita guerra, pessoal cornetando, enchendo o saco. FIFA não, rapaz. FIFA você oferece as informações que você quer. Não quer dar informações? Não vou dar informações. E tá aí, fica por cima.
Tomar a decisão que você quiser, do jeito que você quiser, não precisa dar satisfação a ninguém. Imagina ter que lidar com Rússia. Rússia, com China, com Estados Unidos.
Tem Conselho Permanente de Segurança da FIFA? Não tem. Tem Assembleia Geral da FIFA? Muito menos. Então pronto, muito mais fácil. Ele não vai aceitar, tem certeza.
É, então, mas segundo assim, o que teria sido dito, né, é que Donald Trump enxerga no Gianni Infantino uma figura respeitada globalmente com habilidade especial para unir povos, relação impulsionada pela proximidade entre Donald Trump e ele durante a Copa do Mundo. Não é essa explicação real, tá, gente? Não é que ele tem habilidade especial nenhuma. O que existe é que Gianni Infantino fez todas as vontades de Donald Trump ao longo dos últimos anos.
Inclusive, Daniel, só emendando aqui, aparentemente Donald Trump começou a fazer campanha para receber mais uma Copa do Mundo nos Estados Unidos em 2038. E a gente sabe que a FIFA vai ter muita dificuldade de negar, de falar não, porque se ela nega, os Estados Unidos podem fazer da vida da FIFA um inferno.
Agora, ele já disse que dessa vez não quer esse negócio de dividir a Copa com ninguém, não quer dividir com México, com Canadá, com esses países que não são confiáveis. Não, não é bagunça, ele quer uma Copa 100% nos Estados Unidos.
Perfeito. Daniel Souza, tá aberta a sessão de galhofa desse episódio. Podemos para a galera, Shakira, ou você tem mais alguma pauta antes?
Eu queria só registrar rapidamente, Tanguy, a Polônia. Rapaz, a Polônia tá aumentando o seu endividamento de maneira muito acelerada e tá acendendo o sinal de alerta. Ela teve uma ampliação de 4,5 pontos percentuais em relação ao PIB apenas do primeiro trimestre de 2026. E sabe o que que é interessante? Na União Europeia, a Finlândia e a Bulgária aumentaram a dívida ainda mais em comparação a Polônia. De qualquer forma, os poloneses, eles ultrapassaram a marca de 60% do PIB, que é o teto de dívida previsto na legislação polonesa.
A Polônia tem um teto de dívida. Vários países têm mecanismos, né, de disciplina fiscal. No caso da Polônia, é o teto de dívida. Mas, aparentemente, o governo vai seguir adiante, vai seguir endividando o país, porque, afinal, esses limites constitucionais não podem ser a prioridade dentro de um contexto onde a Polônia tá se armando feito, feito que só se vive uma vez, Daniel Souza.
A vida não tem replay, é isso, Daniel Souza.
E, ah, meu Deus do céu! E a Polônia também olha para o lado e diz: tô olhando aqui para a União Europeia e tô vendo que a Grécia deve 143%, a Dona Itália deve 138%, a França deve 117%. Por que que eu não posso dever um pouquinho mais do que 60% do PIB? Então vou dever, porque só se vive uma vez. Importante é a Polônia tá protegida da Rússia, protegida dos desafios geopolíticos que o mundo impõe nesse momento.
Perfeito. Daniel Souza, agora sim, isso me deu lembrança da Polônia sem freio, viu, Daniel? Completamente desvairada. Daniel Souza, vamos para a Geleira Shakira de hoje. Agora é oficial.
Na Geleira Shakira de hoje, Tanque, eu quero registrar que o congressista Luiz Carlos Rua Ele é um congressista colombiano, ele acabou indo para o Congresso do seu país vestido de elefante branco. Porque, afinal, Taqui, a Colômbia está cheia de elefantes brancos, está cheia de obras que não são concluídas, está cheia de obras inúteis, está cheia de corrupção, e, consequentemente, o senhor Luís Carlos Rua considerou que, diante desse cenário, o melhor a fazer era protestar vestido de elefante branco.
Eu acho que deve ser terrível, terrível você viver num país onde as obras não são completadas, onde há corrupção nas obras e onde você tem ali obras que não servem para nada, pontes que vão do nada para lugar nenhum. Imagina viver num lugar assim, Tanguy. Mas os colombianos vivem, infelizmente, e o seu congressista acabou fazendo esse energético protesto.
Perfeito. Eu não consigo nem imaginar, Daniel, como é que é viver num lugar assim. Mas assim, se eu vivesse num lugar assim, eu certamente protestaria também vestindo de elefante branco. Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio, convocando as pessoas a assistir um curso que a gente ofereceu recentemente sobre a América Latina. Uma das aulas foi sobre Colômbia. Sim, falamos sobre Colômbia. Se quiser entender como é que se chegou aí no protesto do elefante branco, a gente conta a história colombiana, a história da guerra civil.
Falando sobre Oriente Médio, temos um monte de curso lá falando sobre Estreito de Ormuz, sobre Israel, sobre Irã, a relação entre Israel e Irã, como é que os Estados Unidos entra nessa bagunça toda. A gente tem vários cursos sobre Oriente Médio de uma forma geral, sobre o continente africano, sobre México, sobre Canadá. Tá tudo lá no PetiCursos. Acessa lá, eu tenho certeza que você vai se interessar por muitas das aulas que estão disponíveis.
Acessando o link que tá na descrição desse episódio, você vai direto para o catálogo para ver todos os cursos que já foram oferecidos. Além das aulas ao vivo que a gente oferece toda terça-feira às 19 horas. Vem com a gente, peticursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet Jornal é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado nem de uma produtora, e por isso ajuda os nossos apoiadores é de fundamental importância. Fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. E fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.
No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem o link do Apoia.se, que acaba sendo bacana para quem prefere ajudar com o cartão de crédito. Tem o link do Patreon, que é uma ótima alternativa para quem vive no exterior. Enfim, fica aqui o convite e temos certeza que uma dessas possibilidades será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta com o nosso tradicional episódio de sexta-feira, o Petit Investe. Segunda-feira que vem tem mais um bate-papo. Nos vemos, um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!
Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
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