Programa nuclear iraniano na mira - BP 1114
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Donald Trump volta a elevar a tensão com o Irã ao ameaçar um ataque contra o complexo nuclear subterrâneo de Pickaxe Mountain, enquanto a escalada no Mar Vermelho leva petroleiros sauditas a recuarem da região e amplia os riscos para o abastecimento energético global. Também analisamos o novo tarifaço anunciado por Washington contra o Canadá, com uma tarifa de 50% sobre a maior parte dos produtos canadenses, e seus possíveis impactos para o comércio norte-americano.
Falamos ainda sobre a batalha naval no Mar Negro entre Rússia e Ucrânia, que deixa mortos e aprofunda a crise política em Kiev após a demissão do ministro da Defesa. Na Colômbia, o presidente eleito sofre sua primeira derrota no Congresso ao perder a disputa pela presidência do Senado, enquanto, no Reino Unido, o novo primeiro-ministro Andy Burnham anuncia cortes de impostos sobre as contas de eletricidade.
Na Geleia da Shakira, um operador de teleprompter da Casa Branca teria faturado cerca de R$ 500 mil apostando nas palavras que Donald Trump utilizaria em seus discursos.
#Irã #EstadosUnidos #Canadá #Ucrânia #Geopolítica
- Programa Nuclear IranianoDonald Trump e a NASA · Iraque · Pickaxe Mountain · Programa Nuclear Irã
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PetiJornal.
Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1114. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 17 horas e 32 minutos da terça-feira, 21 de julho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, adumbante, descansado e tarifado, com mais tarifas a caminho.
Amanhã é o dia D do Professor Bagdadi, amanhã virão as novas tarifas contra Bagdadi, e novas tarifas além das tarifas de amanhã estão a caminho. Mas vamos falar sobre isso em uma outra oportunidade. Por isso, ele está preocupado inseguro, com insônia, e diante desse mundo pantanoso, imprevisível que nós temos vivido. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para esse bate-papo 1114. Deixa aqui as boas-vindas, Daniel, todo mundo que nos acompanha mais uma vez, né, nessa terça-feira à noite. Um prazer estar aqui para falar falar sobre as maluquices desse mundo que nos cerca. Quero lembrar, Daniel, que há um tempo atrás a gente fazia um bate-papo por semana e às vezes faltava assunto. Às vezes a gente fala, caramba, eu vou ter que focar aqui alguma coisa que nada parece tão importante assim.
Atualmente a gente já tem que pensar aqui o que que vai ficar de fora, né, porque a quantidade de assuntos realmente tem sobrado, né. A gente tem muita coisa acontecendo e o episódio de hoje vai ser mais uma prova disso. Daniel, quero começar o nosso episódio com mais uma ameaça feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, e volta a fazer ameaças ao programa nuclear iraniano. Me parece que o cenário, Daniel, é muito simples.
A gente tem um cenário de aquecimento das tensões, né, as tensões entre Estados Unidos e Irã, depois daquele período ali de trégua, de cessar-fogo, de negociação. As negociações, elas morreram, elas pararam. A gente voltou a ter tensões muito elevadas, o que levou, portanto, a preocupações globais. A gente falou sobre isso ontem, aliás, hoje a gente continua falando sobre isso, né, sobre as preocupações com relação ao que que a guerra pode gerar em termos de economia, em termos de energia, né, para o mundo, em termos de estabilidade, segurança ali para região.
E a estratégia de Donald Trump no momento como esse é: beleza, a gente quer negociar, mas eu preciso dar a palavra final, eu preciso eu fazer ameaça que vai fazer com que os iranianos recuem e sentem na mesa de negociações. Aliás, ele falou sobre isso hoje, ele disse que os iranianos estão implorando, estão desesperados para marcar reuniões diplomáticas. Ele falou isso, os iranianos estão pedindo, estão mandando aqui o tempo todo, quero negociar, por favor negocia comigo, mas eu não, eu sou durão e eu vou atacar o programa nuclear iraniano.
Então nesse momento a ameaça dele é atacar a montanha chamada de Ku Echolam. Ele chama essa montanha, literalmente na tradução portuguesa seria a montanha da picareta, né? Ele chama, portanto, essa montanha de Pickaxe Mountain. Por que que ela é tão importante, Daniel? Ela fica a cerca de 2 km do complexo nuclear de Natanz, que foi atacado no ano passado por Estados Unidos e Israel naquele, no mês de junho do ano passado, 22 de junho do ano passado, quando esses dois países atacaram as instalações nucleares iranianas.
Natanz foi uma das instalações atacadas. E desde então o Irã vem intensificando a construção de uma central nuclear subterrânea. Mas não é subterrânea, Daniel, é mais do que subterrânea, porque nessa montanha de Qeikolan, que é uma montanha, aliás, o nome é Montanha da Picareta exatamente porque ela é muito dura, de pedra maciça. Você tem lá embaixo, mais abaixo ainda, no subsolo do que aí embaixo, a construção de uma central nuclear para que o Irã, portanto, possa proteger as suas instalações nucleares.
Hoje, Daniel, Trump disse: vamos destruir essa montanha, diga aos iranianos para estarem prontos. A pergunta que fica hoje, Daniel, ninguém tem essa resposta, né, que não tem conhecimento lá de dentro. É se os Estados Unidos têm armamento suficiente para atingir instalações tão subterrâneas. E grande parte dos analistas, Daniel, diz que não, que provavelmente não, que mesmo quando a gente fala sobre as bombas antibunker, né, que eles chamam de bunker buster, elas não chegam tão profundamente numa região tão difícil de ser penetrada quanto essa montanha.
E que assim, para você conseguir atingir uma instalação como essa, o ideal, na verdade o mais recomendado, não que seja fácil, aliás muito pelo contrário, seria você fazer algum ato de sabotagem. Então você tem alguém infiltrado que ajude a fazer alguma coisa lá por dentro, ou então numa intervenção por terra, o que é muito difícil de ser feito. Mas que maneira são os Estados Unidos subindo o tom? Agora, não é por acaso, né, Daniel, eles estão subindo o tom exatamente no momento no qual os iranianos estão fechando o Estreito de Bab-el-Mandeb, né?
Os iranianos estão fechando o Mar Vermelho, que já tá gerando consequências agora, né, Daniel?
É verdade, Tanguy. Nós temos a informação de que petroleiros carregados de produção de óleo da Arábia Saudita com destino à China e à Índia, ao invés de passarem pelo estreito em direção ao Mar Arábico, correndo risco de serem atacados pelos Houthis, deram meia-volta, seguiram em direção ao Canal de Suez para alcançar o Mar Mediterrâneo e, de lá, seguir um longo caminho até, justamente, a Índia e a China. A gente vai ter aí o périplo, muito provavelmente, o périplo do Vasco da Gama, né?
Tem que ir lá, contorna o continente africano, é muito mais demorado, é muito mais caro, mas é muito mais seguro, porque não dá para você simplesmente correr o risco de carregar ali essa carga valiosa, inflamável, dentro de um contexto onde ataques podem acontecer. Portanto, está claramente direcionado aqui o que os sauditas vão fazer durante essa crise. A gente está falando de sauditas que têm bombeado petróleo do leste para o oeste do país, um petróleo que estava deixando de ser exportado pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz para ser exportado através do Mar Vermelho.
Mas, se não dá para ir em direção ao sul, vamos em direção ao norte, paciência, e contornamos o continente africano para chegar aos nossos clientes, para fornecer o petróleo aos nossos clientes. É óbvio que isso não me parece sustentável, Tanguy. Aliás, ouvindo, inclusive, a sua descrição, fica muito claro para mim que tanto os Estados Unidos quanto o Irã não tem condições de levar adiante esse tensionamento por muito tempo. De um lado, a gente tem o Irã que está tendo a sua economia profundamente desorganizada e desarticulada por esse bloqueio que os americanos fazem e por limitações às exportações de combustível e de petróleo que os Estados Unidos acabam trazendo.
E, do outro lado, nós temos os Estados Unidos com já impactos sobre O preço dos combustíveis. A gente falou ontem aqui do galão de gasolina voltando a cruzar a marca dos $4 nos Estados Unidos. Mas é um pouco, Tanguy, aquele duelo do Velho Oeste. Quem é que vai piscar primeiro, efetivamente? Quem é que está disposto a ir até o final? E o tempo todo nós temos esse balé, digamos assim, de um lado, do outro. Eu vou recuar. Não, quem vai recuar é você.
E assim por diante, você passa a ter um ambiente de enorme imprevisibilidade e a economia mundial acaba sendo solidária nessa imprevisibilidade. Aliás, falando em imprevisibilidade, nós tivemos ontem o Donald Trump anunciando tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos canadenses. Incluindo aí produtos abarcados pelo Acordo de Livre Comércio, o USMCA, de 2020. Acordo de Livre Comércio que foi assinado pelo próprio Donald Trump.
A gente precisa sempre lembrar que Donald Trump adota esses tarifaços como mecanismos de negociação. Está tentando chamar ali o Canadá para uma negociação, o Canadá não estava disposto a negociar, o Canadá estava ali ignorando os apelos americanos, agora vai ter que negociar de um jeito ou de outro. E a gente também tem que lembrar que Donald Trump não acredita no diálogo. Donald Trump acredita na tática do trator. É a tática do trator que o levou do subúrbio de Nova York para Manhattan, é a tática do trator que fez com que ele tivesse ali uma Trump Tower na Quinta Avenida, é a tática do trator que o levou à Casa Branca.
Ele acredita em negociações duras, mas não em diálogo, não em cooperação, não em construção. De laços de confiança. Então, muitas vezes a gente pensa: puxa, isso vai arruinar a aliança entre Estados Unidos e Canadá. Vai. E o Trump parece não se importar com isso, porque afinal não é assim que os objetivos são alcançados. Ah, mas esse acordo que você tá rasgando foi assinado pelo próprio Trump. Paciência. O Trump acredita genuinamente em tarifas como mecanismos de desenvolvimento.
Esse acordo de livre comércio com o Canadá e com o México levou empregos industriais para o Canadá e para o México. Eu vou trazer esses empregos de volta para os Estados Unidos, sim, porque eu tenho um operário aqui do Meio Oeste, eu tenho um operário da Pensilvânia, eu tenho um operário de Ohio que perdeu o emprego dele, é filho de um operário, e ele perdeu o emprego dele porque o emprego dele foi para o México, porque o emprego dele foi para o Canadá, e eu vou trazer esse emprego de volta para os Estados Unidos.
Ele genuinamente acredita nesse tipo de estratégia. Então, a gente tem múltiplas camadas aqui. Tem um Trump que quer que o Canadá negocie, quer que o Canadá ceda. Tem um Trump que realmente acredita nas tarifas como mecanismo de desenvolvimento. E tem um Trump que não acredita em confiança, que não acredita em alianças. Se isso minar a aliança dos Estados Unidos com o Canadá, azar do Canadá, porque eles precisam muito mais da gente do que a gente deles.
E ele verbaliza isso muitas vezes de forma muito transparente. Considero pessoalmente um erro em longo prazo, porque acho que as alianças são algo valioso e que os Estados Unidos deveriam cultivar diante de um mundo tão desafiador para os interesses americanos. Considero que ele vai ter algumas vitórias de curto prazo e não exatamente vitórias de longo prazo ao adotar esse tipo de estratégia. Mas estamos falando de Donald Trump e não de Daniel Souza.
Donald Trump tem uma visão diferente e acredita que essa é a visão, é a melhor forma de deixar uma marca dele como presidente dos Estados Unidos. É esse o lugar que ele quer ter na história, de alguém que foi duro, de alguém que foi implacável, de alguém que realmente teve capacidade de enfrentar esses desafios e colocar em primeiro lugar o operário americano, o cidadão comum dos Estados Unidos.
Daniel, queria trazer um pouquinho dos bastidores do Petit Jornal, né? Pessoal que nos ouve todos os dias e tal, acho importante saber que para fazer uma pauta como essa daqui, né, que a gente desenvolve às vezes 6, 7, 5, às vezes mais notícias, a gente tem que pesquisar numa gama variada de meios de comunicação, né? Então imagino que o Daniel faça mais ou menos a mesma coisa, mas eu leio às vezes 5, 6, 7 jornais num dia, não apenas para ver notícias diferentes, mas às vezes para cruzar informações da mesma notícia, para é uma certa apuração dentro dos nossos meios, né, Danete?
Não tem repórteres mundo afora, mas a gente consegue apurar, né, dentro dessas possibilidades. E quase todos os meios de comunicação que a gente utiliza são em inglês. Naturalmente, a gente tá falando aqui sobre meios de comunicação dos Estados Unidos ou do Reino Unido, enfim, mas também de outros países que têm as suas mídias em inglês, o que apenas reforça o tamanho da importância da língua inglesa para mim, para o Daniel, e você que tá me ouvindo, tenho certeza que precisa do inglês também.
Se não utilizou o inglês, poderia ter um inglês melhor. Todo mundo sempre pode melhorar para conseguir inclusive uma empregabilidade maior. E é por isso que a gente deixa a nossa recomendação do Cambly, que é uma plataforma completa para você poder estudar inglês. São todos, né, todos os tutores que estão lá no Cambly são nativos, e você ainda tem a possibilidade de interagir com outras pessoas que também estão estudando, de forma de você treinar o seu ouvido, você treinar sua fala, de você ouvir novas expressões, ouvir novas, ter novas conversas, é a partir exatamente dessa plataforma.
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Faz tanta diferença, né, Tanguy? Porque para preparar as pautas, realmente a gente precisa de jornais em língua inglesa. É o caso do Financial Times, é o caso da revista The Economist, é o caso do Wall Street Journal. Do New York Times, inclusive vários desses periódicos têm as suas versões em podcast, que nós acabamos consumindo como forma de cruzar informações, como forma de trazer um embasamento para as análises aqui no Pet Jornal.
A língua inglesa é absolutamente incontornável, por isso fica a nossa recomendação dos amigos, dos parceiros do Cambly, link no descritivo desse episódio, condições especialíssimas para os amigos e amigas do Pet Jornal, Importantíssimo você treinar o seu inglês. Aliás, o Cambly oferece soluções para os mais diferentes objetivos, para os mais diferentes níveis de conhecimento. Vai lá, link no descritivo desse episódio.
Ah, mas a guerra é no Oriente Médio, Daniel Souza. Fora do Oriente Médio tá tudo tranquilo. Daniel Souza, a guerra entre Rússia e Ucrânia só não tá mais no centro das atenções porque o que tá acontecendo no Oriente Médio nesse momento é mais agudo. Mas o bicho tá pegando lá real, Daniel. Você falou sobre isso aqui outro dia, né, sobre a disrupção das rotas de grãos. Então, tanto ucranianos quanto russos são enormes exportadores de grãos.
A exportação de grãos desses dois países passa pelo Mar Negro, e a guerra ela tá migrando para o Mar Negro, né. Como se já não bastasse tudo que já vem acontecendo entre esses dois países, o Mar Negro se tornou um espaço preferencial para essa guerra. Só para a gente ter uma noção, Daniel, a Ucrânia ela tá forçando muito exatamente na sua carga, não apenas para atingir refinarias de petróleo dentro da Rússia, que tá gerando portanto um desafio gigantesco para o governo de Vladimir Putin, mas também tem atacado navios e barcos, enfim, russos no Mar Negro.
Só para a gente ter uma noção, desde o início do verão, né, a Ucrânia ela iniciou portanto a sua campanha de verão ela já interceptou 116 embarcações no Mar de Azov, que tá conectado exatamente ali com o Mar Negro, e 54 em rotas mais ao sul em apenas 2 semanas, o que afeta diretamente as exportações de grãos de Moscou. Então Moscou, Daniel, a Rússia, ela vem tendo dificuldades com a sua energia e até exportação de grãos se tornou uma dor de cabeça.
A Ucrânia, ela vem conseguindo atingir a Rússia exatamente nessa rota que é tão importante para além da energia, que é tão importante para Rússia. Em retaliação, claro que o governo do Vladimir Putin não vai deixar barato, mísseis russos atingiram um graneleiro, portanto um navio carregando grãos chamado Golden Leo. A gente vai olhar esse Golden Leo, Daniel, que foi atingido. Ele é operado por uma empresa com sede em Mumbai, então tava assim carregando grãos ucranianos mas é operado por uma empresa com sede em Mumbai.
Ele tem bandeira da Guiné-Bissau, mas os operadores ali, os marinheiros, a tripulação e tal, é indiana. Isso levou, portanto, à morte de 10 marinheiros, sendo 4 deles indianos. Óbvio, Daniel, quem é que vai para cima da Rússia agora? É o governo de Narendra Modi. Narendra Modi, aliás, o governo indiano, Daniel, ele tá em todas, né? Quando você atinge navios que querem passar por Ormuz com petróleo, tá lá, tem navio indiano passando.
Quando você tem navios passando ali pelo Mar Negro carregando grãos, tá lá, tem tripulação indiana. A Índia, ela tem essa postura de, amigo, eu não sei quem é o morto, eu quero é chorar. Ela tá em tudo quanto é lugar, ela faz negócio com todo mundo, ela quer se dar bem com todo mundo, ela quer conversar com todo mundo. Tá certa ela, aliás. Agora, isso vem gerando um problema na relação entre Rússia e Índia, né? A Índia fez um protesto muito sério.
Ô Rússia, pô, você tá louca, cara? Essa tripulação aqui é minha. Morreram 4 indianos nessa brincadeira. Mas o fato, Daniel, eu quero só assim sumarizar isso aqui mais uma vez. A Ucrânia, me parece que pela primeira vez de maneira mais continuada desde o início da guerra, a Ucrânia tá conseguindo gerar prejuízos reais à Rússia. A gente chegou até aquele momento no qual a Ucrânia chegou a invadir um pedacinho da Rússia, mas foi uma invasão, Daniel, que todo mundo já sabia que não ia ter muito pé assim.
Gerou um prejuízo, gerou um problema ali para imagem russa, pô, uma certa vulnerabilidade, mas parecia algo que tava meio controlado, tava meio cercado, era uma questão de tempo. De fato, a Rússia conseguiu retomar aqueles territórios. Mas quando a gente fala sobre o momento atual, a Ucrânia ela conseguiu mudar sua configuração militar e tá gerando embaraços para Rússia, tá gerando prejuízo, tá gerando problemas para Rússia. E a Rússia, ela tá tendo que lidar com isso.
Naturalmente é um problema, o que leva, portanto, a uma possibilidade cada vez mais real de uma escalada ainda maior da tensão entre os dois países. Vamos acompanhar, Daniel. Mas o fato é que o Mar Negro se tornou uma outra região para a qual a gente tem que olhar com muita atenção ao longo dos próximos meses, Daniel.
Tanguy, em seu segundo dia como primeiro-ministro, Andy Burnham anunciou a eliminação do IVA, o Imposto sobre Valor Agregado, nas contas residenciais de eletricidade a partir de 1º de outubro. A redução estimada é de cerca de 45 libras na conta anual média das famílias que atualmente está em torno de 1.862 libras por ano. A medida vai ser custeada com recursos do cancelamento de um programa de identidade digital. Na prática, o primeiro-ministro anunciou que eles estão tomando todas as medidas para reduzir o custo da energia e, consequentemente, colocar mais dinheiro no bolso das famílias.
Temos aqui alguns problemas, inclusive, que foram levantados até por parlamentares do próprio Partido Trabalhista. O problema número 1, Tanguy, é que o impacto não é tão significativo assim. 45 libras no universo de 1.862 não é algo que vai fazer uma diferença tão significativa. A gente está falando de uma redução relativamente pequena. Um segundo problema é que, quando você adota uma política como essa, você acaba desonerando pessoas mais pobres, mas também desonera pessoas mais ricas.
Portanto, você está oferecendo, muitas vezes, subsídio para quem não precisa de subsídio. É o que acontece também no Brasil recentemente com o subsídio à gasolina. Pô, subsidiar a gasolina? Mas a pessoa que é rica vai ter a gasolina subsidiada para usar um transporte individual? Isso não faz muito sentido, você alocar recursos públicos que são escassos para subsidiar pessoas que têm uma renda um pouco mais alta. Um terceiro ponto é que não há certeza se esse programa que foi cancelado de identidade digital trará recursos suficientes para custodiar ali justamente o preço da energia.
Um outro problema é que a energia no Reino Unido está ficando mais cara, Principalmente por causa da crise no Oriente Médio, sobre a qual a gente tem falado aqui. A crise no Oriente Médio tem encarecido a energia no Reino Unido e há o temor de que essa pequena redução nem venha a se efetivar, porque ela pode ter sido engolida por um aumento, um novo aumento do preço da energia. De qualquer maneira, fica a impressão de que o novo primeiro-ministro queria dar uma boa notícia de cara.
Ah, gente, preciso dar uma boa notícia para as pessoas, porque preciso mostrar que a vida vai ser diferente, preciso vender esperança, preciso realmente projetar um futuro que tenha mais cor para os britânicos que estão tão desalentados e tão preocupados em relação ao seu poder de compra e em relação ao custo de vida. Porque é isso, o principal problema no Reino Unido hoje é affordability, é realmente a falta de capacidade que as pessoas têm de manter o seu poder de compra, uma vez que a renda não sobe no mesmo ritmo que a inflação.
Você tem até alguns influencers britânicos que fazem alguns cálculos que eu acho muito curiosos com o preço da cerveja, né? Aquela cerveja que o pessoal compra no pub. Então, você compara o preço da cerveja no ano 2000 com o preço da cerveja em 2026. Compara o salário no ano 2000 com o salário no ano de 2026. E aí você observa, por A B, que o salário britânico compra menos cervejas do que comprava no ano 2000, o que significa dizer que as pessoas estão tendo poder de compra menor.
Diante disso, o novo primeiro-ministro resolveu sacar uma boa notícia do bolso e reduzir ali o preço da eletricidade. Mas, de novo, Pode ser que essa redução nem chegue a acontecer nominalmente, dependendo do que aconteça no Oriente Médio.
Daniel Souza, eu queria trazer como próxima pauta a Colômbia. A gente veio acompanhando aqui o processo colombiano e a gente sabe que essa transição de governo do Gustavo Petro, que é o atual presidente, para o Abelardo de la Espriella, que vai ser o presidente eleito, né, ela tá sendo uma transição muito difícil, muito conturbada. E a posse do novo presidente está marcada para acontecer no dia 7 de agosto. Mas curiosamente, a gente tem na Colômbia uma diferença entre o momento da posse do parlamento e o momento da posse do presidente.
Então, como eu disse, o presidente vai tomar posse no dia 7 de agosto, as condições, em condições muito complicadas, né? Enfim, há um atrito muito grande entre o presidente eleito e o atual presidente, né, o presidente ainda no seu mandato. Mas a posse do novo parlamento aconteceu no dia de ontem, no dia 20, e hoje, dia 21, nessa terça-feira, nós tivemos a escolha do novo presidente do Senado. Ah, então o presidente do Senado vai ser escolhido, e o Abelardo de la Espriella indicou o seu candidato.
Ele indicou o Alfredo de Lucchi. Ele falou, ó, esse cara aqui vai ser o presidente do Senado, que vai junto comigo para as reformas que a gente tem que fazer e tal. É ele que eu quero à frente do Senado. Pois bem, Daniel, o Abelardo de la Espriella conseguiu a proeza de juntar forças que normalmente se odeiam contra o indicado dele para a presidência do Senado. Quem acabou sendo eleito foi o senador Honório Henriquez, que é do Centro Democrático, e que conseguiu, portanto, a maioria dos votos, foi eleito, portanto, O Anor Henriquez, Daniel, é um cara ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe.
A gente tem de início, né, uma relação entre o Álvaro Uribe e o Abelardo de la Espriella, que é uma relação boa. Os dois têm uma proposta mais ou menos parecida com relação às FARC, com relação às guerrilhas. Os dois falam no endurecimento da relação com os guerrilheiros e tal, mas os dois vêm se afastando ao longo dos últimos tempos. O Abelardo de la Espriella, ele tenta o tempo todo se colocar como candidato, como agora um presidente, né, independente, eu sou contra tudo que veio antes de mim e tal.
Então houve um afastamento e, portanto, o Álvaro Uribe conseguiu indicar o cara que foi eleito como o novo presidente do Senado. Não foi esse o ponto mais impressionante, Daniel. O ponto mais impressionante é que os senadores ligados ao Gustavo Petro, que é o atual presidente, que é de esquerda, apoiaram o candidato de Álvaro Uribe. Se você me falasse 2 meses atrás que Álvaro Uribe ia conseguir em qualquer matéria se juntar com a esquerda colombiana, eu ia dizer que você tava de brincadeira comigo.
E foi isso que aconteceu. Portanto, o novo presidente, o Alberto de la Espriella, nem tomou posse ainda e já ficou claro que, como se diz no Rio de Janeiro, a pista está salgada para ele. Ele vai ter dificuldade de governar Basicamente porque quando você se coloca como excessivamente independente, claro que isso tem um apelo, pô, o cara é diferente, a gente sabe que isso atrai votos, né, enfim, tudo que já aconteceu na Colômbia e tal, sou diferente de tudo isso.
Mas a partir do momento que você não consegue também amalgamar, trazer junto para sua base as forças que já existem lá, seja a esquerda, seja a direita, seja o centro, uma direita tradicional, a tendência é que você tenha dificuldade. Então Alberto de la Espriella nem assumiu ainda e já teve a sua primeira derrota. O senador Honório Henríquez, ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, com o apoio do também, quer dizer, ainda é o presidente Gustavo Petro, conseguiu ser eleito e será o novo presidente do Senado.
Vamos ver, Daniel. Ele ainda vai tomar posse, como eu disse, no dia 7 de agosto, mas a tendência é que ele tenha uma vida difícil lidando com as forças políticas mais tradicionais do país.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje para terminar com uma nota um pouco mais leve o nosso episódio?
Daniel Souza, eu queria fazer uma aposta com você.
Pode não?
Posso? Vamos! Eu queria apostar que um dos hosts desse podcast aqui falará a palavra geleia ao longo do episódio de hoje. Você quer apostar comigo?
Eu quero geleia!
Geleia, perfeito, ganhei! Maravilha! Então segue para geleia da Shakira de hoje então, Daniel.
Pois bem, gente, Hoje nós vamos falar sobre Gabriel Pérez. Gabriel Pérez, que vem a ser o operador de teleprompter da Casa Branca desde 2016, e é acusado de usar informações privilegiadas para apostar na plataforma Cursed. Apostava em quais palavras Trump usaria em discursos públicos, incluindo o Estado da União e também em diferentes situações. Estima-se que o Gabriel Pérez tenha tido um lucro de 100 mil doletas lá na plataforma apostando quais palavras o Donald Trump diria em seus discursos.
Pessoal tá achando que ele utilizava informação privilegiada só porque ele trabalhava no teleprompter do discurso. Ai, meu Deus, como é que ele ia saber, né, Daniel? Aí é, como é que ele ia saber quais palavras iam ser usadas só porque ele usa, trabalha no teleprompter? Enfim. Mas ele foi alguém que na prática teve ali uma janela de oportunidade e aproveitou, não é isso, Sanguinho? Qual o problema? Agora tem problema isso? Agora não pode?
Eu tô imaginando esse rapaz aí, esse rapaz aí, Daniel, se ele tivesse o poder de colocar palavras lá, ele ia falar, porra, o Trump vai falar maracujá. E o Trump tá lá falando assim, ó, déficit comercial do maracujá. Pô, não entender nada, ia falar, ia ganhar fortuna, Daniel. Que loucura! E eu tenho certeza que vai ter gente nos Estados Unidos falando assim, Ué, mas não tem nada a ver, é legítimo. Ele teve oportunidade ali, ele foi mais malandro que os outros, ele ganhou, porque a terra da liberdade, Daniel Souza. Você discorda disso?
Não, jamais. Você teve uma oportunidade, você aproveitou a oportunidade usando a sua liberdade. É disso que se trata. Então temos aqui mais um camarada ganhando. E também tem que, muito entre nós aqui, ele é o único que tá fazendo isso na Casa Branca?
Não é, tem gente mais bem paga que ele fazendo isso.
Exatamente, tá, galera mais bem paga com informações ainda mais privilegiadas que tá ganhando mais dinheiro aí, hein? Vou, olha aí, procure saber o que eu tenho a dizer diante dos acontecimentos. Esse negócio de petróleo para cima, petróleo para baixo, petróleo para cima, petróleo para baixo, olha, se começar a investigar direitinho, vai ter, vai ter confusão à vista.
E a porta-voz que, a porta-voz que deu uma entrevista em menos de 1 minuto e tinha um monte de aposta lá que a entrevista ia ter até 1 minuto, aí dá 58 segundos, ela: muito obrigado, tá encerrado, é isso, até a próxima. Ela sai. Menos de um minuto. Olha, eu vou te dizer, cara, que que tá acontecendo com o planeta Terra. Se você quer saber o que tá acontecendo com o planeta Terra, Petit Cursos, petitcursos.com.br. A gente tenta colocar uma lona em volta do circo, né, Daniel, para a gente tentar entender o que que tá acontecendo.
Gente, vamos tentar aqui. Então a gente tem cursos lá desde 2020. Tornando-se aluno, você assiste às aulas ao vivo, sempre às terças-feiras às 19 horas. Essas aulas ficam todas gravadas, você pode assistir posteriormente do jeito que você quiser, na ordem que você quiser, na hora que você quiser, sempre lá no Petit Curso, lá tornando-se aluno. Acessa lá petitcursos.com.br.
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É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.
Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
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