O saldo da Copa - BP 1112
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A Copa do Mundo de 2026 chega ao fim após bater recordes históricos de público, audiência e receitas, mas também deixa uma série de controvérsias dentro e fora dos gramados. Neste episódio fazemos um balanço do torneio, analisando seus principais legados esportivos, econômicos e políticos. Também discutimos a revelação de que autoridades americanas compartilharam dados de requerentes de asilo iranianos com diplomatas do próprio Irã, um caso que levanta preocupações sobre segurança, direitos humanos e proteção internacional.
Falamos ainda sobre os novos estímulos econômicos que a China prepara após a desaceleração do PIB no segundo trimestre, a promessa do prefeito de Nova York de prender Benjamin Netanyahu caso ele participe da Assembleia Geral da ONU e as implicações políticas e jurídicas dessa declaração.
Na Geleia da Shakira, a curiosa história da seleção do Senegal, que descobriu apenas durante a Copa do Mundo que o médico da delegação era, na verdade, ginecologista.
#Copa2026 #China #EstadosUnidos #OrienteMédio #Geopolítica
- Compartilhamento de DadosAdministração Trump · Asilo e Refugio · Segurança e direitos humanos · Reputação dos EUA
- Benjamin Netanyahu e seus processosZohran Mandani · Tribunal Penal Internacional (TPI) · Benjamin Netanyahu e seus processos · Imunidade de chefes de Estado · Jurisdição dos EUA sobre TPI · Política externa dos EUA
- Copa do Mundo 2026Recordes de público e audiência · Expansão para 48 seleções · Críticas à Arbitragem e Pressão da FIFA · Impacto no PIB global · Apostas esportivas
- Economia da ChinaDesaceleração do PIB · Gestão e Organização Social na China · Gastos com infraestrutura · Dependência de exportações · Consumo interno fraco · Crise imobiliária
- Médico ginecologista na seleção senegalesaFederação de Futebol de Senegal · História da Doutora Chaninha · Especialidade médica inadequada
- Identidade regional na EspanhaAutonomia nas Regiões Autónomas · Bandeiras regionais · Hino sem letra
PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1112. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 9 horas e 18 minutos da segunda-feira, 20 de julho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece, o Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e com mais tarifas a caminho nessa semana que se inicia, muito preocupado, muito inseguro em relação a essa dinâmica internacional, muita insônia na vida do professor Bagdadi.
E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os últimos acontecimentos internacionais, os acontecimentos internacionais dos últimos dias. Últimos dias em que nós tivemos uma final de Copa do Mundo sem graça, aquele time do tic-tac, bola para um lado, bola para o outro, bola para um lado, bola para o outro, e o outro time que não chutou a gol. Meu Deus do céu, professor Bactérias, que jogo chato! Como vai? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1112. Um prazer estar aqui mais uma vez. Acabou esse negócio de Copa do Mundo, tá? Acabou Copa do Mundo. Ah, muito legal e tal, mas pô, a final entre Argentina e Espanha foi duro de aguentar. Foi uma semana longa, difícil, sofrida. Acabou esse negócio. A gente, a gente desde, a gente vem falando aqui, né, da NET, vem denunciando isso aqui, que a gente momento algum deu moral para essa Copa do Mundo.
Esse negócio de pessoal ficar assistindo aí 3, 4 jogos por dia, eu nunca fiz, né? Não sou, sabe disso, que eu não sou desses. Mas deixa aqui as boas-vindas, tá? Todo mundo que sofreu junto com a gente assistindo aquele jogo ontem. Um abraço para todo mundo, deixa as boas-vindas. E Daniel Souza, eu queria muito deixar o tema de Copa do Mundo para lá, mas é importante que a gente fale sobre o peso da Copa do Mundo do ponto de vista econômico, né?
O que que você traz para gente aí? Quais são os números que você quer compartilhar com a gente, Daniel?
Os números são muito impressionantes do torneio que se encerrou no dia de ontem, a começar pelo número de torcedores nos estádios. Nós tivemos 6,8 milhões de torcedores, quase o dobro do recorde anterior. Que era justamente o recorde da Copa de 1994, também nos Estados Unidos. É claro que a gente está falando de uma Copa com mais jogos, mais seleções, e, consequentemente, isso dá a oportunidade de um recorde, mas fica muito claro que a ampliação da Copa teve fôlego.
Teve fôlego no que diz respeito a público, nós tivemos uma média de 65.204 torcedores, 65.204 torcedores por jogo. O maior público individual foi no Estádio Azteca, que, aliás, era o maior estádio do Mundial, num jogo doméstico. Nós tivemos uma média de quase 3 gols por jogo, que é a maior em muito tempo. Há uma estimativa de 1,8 bilhão de pessoas tendo assistido à final, ante 1,42 na final do Catar em 2022. Só para efeitos de comparação, o Super Bowl, que é considerado um super evento esportivo, teve 124,9 milhões de espectadores, enquanto a final da Copa do Mundo acabou tendo aí, numa estimativa preliminar, 1,8 bilhão.
A FIFA deve superar bastante o que havia previsto faturar nesse quadriênio entre Copas, né? A FIFA trabalha sempre em quadriênios. Porque é o ciclo da Copa, ela deve faturar nesse quadriênio algo em torno de 13 bilhões de dólares, ante 7,5 bilhões de dólares no quadriênio anterior, o que é muito impressionante. Também saiu um estudo do Bank of America dizendo que a Copa do Mundo tem o potencial de agregar 41 bilhões de dólares ao PIB global e gerar 800 mil empregos.
A gente está falando também de um volume de apostas esportivas, que é algo que sempre traz muita preocupação, de 123,4 bilhões de dólares em 2026, o que é muito impressionante. Enfim, a gente está falando de uma aposta que foi feita pela FIFA, e essa aposta se cumpriu, ou seja, a Copa teve fôlego para ter 48 seleções. E agora nós já temos aí estudos sendo feitos pela FIFA para que já na Copa de 2030 você eventualmente tenha 64 seleções, o que o professor Bagdadi apoia.
O professor Bagdadi quer ver time ruim, o professor Bagdadi quer ver emoção, quer ver jogos infinitos, quer ver 3 meses de Copa do Mundo com 60 sedes. Como forma, justamente, de dar mais volume para o torneio. Mas é muito impressionante porque, quando a gente fala de FIFA hoje, a FIFA realmente tem números que assombram quando você observa, até porque ela não tem exatamente a maior transparência do planeta, embora ela publique alguns relatórios.
Aliás, tem no YouTube do PetJornal uma aula gratuita que oferecemos recentemente justamente sobre o papel da FIFA, o processo evolutivo, a questão do futebol como negócio. Aí, a gente explora em uma outra aula do PetiCursos, em um curso que está acontecendo exatamente nesse momento. Fica aqui o nosso jabá e a nossa referência para quem quiser se aprofundar um pouco mais nessa temática. Mas é muito claro o sucesso, do ponto de vista financeiro e de público, que esse Mundial de 2026 acabou tendo.
E Daniel, eu sempre apoiei, sempre gostei da ideia de uma Copa de 48 seleções, e me parece que se confirmou, né? Assim, em termos de qualidade, em termos de entretenimento, né, em termos de movimentação, a Copa ela conseguiu manter a atenção, manter o interesse, como já se imaginava. Os times favoritos foram mais longe, né? Então a gente não teve nenhuma super zebra, né? Era o que se imaginava. Pô, será que uma zebra, sei lá, Cabo Verde, sei lá, vai continuar avançando e tal?
Então me parece que a fórmula que a FIFA testou, né, ela funcionou. E é por isso que já se imagina, portanto, em 64 seleções. Vamos ver, vamos ver o que que vai acontecer para a próxima Copa. A próxima Copa já tem uma ampliação do número de sedes, né, vão ser 3 sedes, né, vai ser Portugal, Espanha e Marrocos. E você vai ter 3, 3 jogos, na verdade os jogos iniciais vão acontecer na América do Sul, né, em homenagem ao centenário da Copa.
Então vai ser Argentina, Paraguai e Uruguai. Então você tem de fato a FIFA fazendo teste, né, Daniel? Porque tá dando para ver que o público responde a essas tentativas que a FIFA vem fazendo.
Agora, Tanguy, nota positiva em relação à final da Copa: os inúmeros jogadores espanhóis com bandeiras das comunidades autônomas. Inclusive eles ali cumprimentando e abraçando o Rei Felipe VI, que ficou com aquela cara de não vou acusar o golpe, não vou vestir a carapuça, tem um rapaz aqui me abraçando com a bandeira da Catalunha. Socorro, Deus! O que eu faço nesse momento? Então, fica aqui ratificada, realmente, a defesa que o Petit Jornal faz de que Espanha não é país.
Espanha é um condomínio. Espanha é uma junção de comunidades autônomas que têm identidades próprias, línguas próprias. Por isso que o hino não tem letra, porque, afinal, se tivesse letra, seria a letra de Castela, que é apenas uma dessas partes desse condomínio chamado Espanha.
Daniel Souza, eu quero continuar nossa pauta aqui falando sobre o país que sediou a Copa, né, pelo menos uma parte da Copa, inclusive a final, que foram os Estados Unidos, com um tema muito grave assim, muito sério, envolvendo o Irã, que é outro país aliás que participou envolto aí uma série de polêmicas, enfim, uma série de restrições que os jogadores iranianos tiveram. Mas o meu ponto aqui é fora da Copa do Mundo. Documentos que foram apresentados à justiça, Daniel, numa ação federal que foi movida pelo Fundo de Defesa Legal Iraniano-Americano revelaram que o governo de Donald Trump concedeu a diplomatas iranianos em Washington acesso extraordinário a dados sigilosos de requerentes de asilo iranianos detidos nos Estados Unidos.
Então, o quadro que a gente tem é o seguinte, Daniel: os Estados Unidos— isso aqui antes do início da guerra, tá? A gente tá falando entre o final do ano passado e o iniciozinho desse ano agora. Os Estados Unidos têm uma série de iranianos que estão em território norte-americano querendo asilo e dizendo: olha, eu tô sendo perseguido pelo Irã, eu preciso de asilo, pelo amor de Deus, deixa eu ficar aqui, porque se eu voltar para o Irã eu corro risco, né?
Então por isso justifica-se dessa maneira o pedido de asilo. Os Estados Unidos começaram com aquela sanha, Daniel, de mandar todo mundo embora. Olha, se você tá pedindo asilo aqui, você vai para outro lugar, volta para o seu país de origem. Ah, mas eu corro risco. Não é problema meu, você que se resolva lá com o seu país. Nesse cenário, Daniel, a gente tem os Estados Unidos pegando dados dos requerentes de asilo iranianos que estão nos Estados Unidos e compartilhando com diplomatas iranianos, o que é insólito, Daniel, levando em consideração que Estados Unidos e Irã não possuem relações diplomáticas oficiais.
Esses diplomatas, inclusive iranianos, nos Estados Unidos Eles não têm sequer uma embaixada, eles estão representados na embaixada paquistanesa em Washington. Não tem embaixada iraniana nos Estados Unidos, você tem uma seção da embaixada paquistanesa em Washington que auxilia a manter esse contato. E os Estados Unidos, nessa ideia de eu preciso mandar todo mundo embora, todo mundo que eu puder embora, eles chegaram ao ponto de conceder essas informações para diplomatas iranianos.
Dessa maneira, Daniel, o Irã passa a ter acesso a o que que esses requerentes de asilo dizem para os Estados Unidos no momento em que pedem esse asilo. Essa é uma informação, Daniel, que você passa como requerente de asilo no ambiente de confiança. Você tá dizendo: olha, eu espero que você possa me ajudar, mas eu não posso voltar para o meu país porque eu participei de uma determinada associação, porque eu fui perseguido por isso, por aquele motivo, porque o que eu penso é diferente daquilo que o governo pensa.
Dessa maneira, Daniel, quanto você compartilha essa informação e pior, esse cara é mandado de volta para o Irã, você tá mandando esse cara de volta para um país que sabe, que tem mais informações sobre você, ou seja, te coloca no risco ainda maior. Então a gente não pode nem dizer, Daniel, que os Estados Unidos pelo menos não cederam esses dados porque o Irã É um país com o qual eles não dialogam oficialmente. Pelo contrário, eles fazem guerra contra o Irã e você não tem nem o reverso que seria positivo da moeda, que é, pô, já que você não conversa, pelo menos você não vai delatar, você não vai mandar esses caras de volta.
Isso é algo muito sério, Daniel, que apareceu somente a partir de um processo nos Estados Unidos que foi aberto de novo para uma organização iraniana. Então a justiça pediu acesso a esses dados, essas informações, Isso foi dito sob juramento. Então pessoas que tinham acesso a essas informações disseram sob juramento da justiça americana que sim, que esses dados foram enviados, dados de dissidentes iranianos foram cedidos para o Irã pelo governo dos Estados Unidos.
Isso é extremamente grave do ponto de vista inclusive da reputação dos Estados Unidos, Daniel. A partir de agora, se você quer pedir asilo para algum país, talvez você não pense mais nos Estados Unidos porque se tornou arriscado demais.
E o cruel, Tanguy, é que talvez seja exatamente esse o objetivo das atuais autoridades americanas: não vem para cá, não vem pedir asilo aqui, porque eu vou contar para o seu país de origem o que que você tá dizendo em relação a eles. E isso acaba violando muito uma imagem que os Estados Unidos sempre tentaram construir de um país livre, de um país realmente aberto, de um país capaz de defender determinados valores. O que a gente observa é que os Estados Unidos não se preocupam mais com isso.
A administração Trump acaba querendo desincentivar de todas as formas que pessoas recorram aos Estados Unidos, mesmo em situações de dificuldade. Buscar um asilo político é um ato de desespero, na maior parte dos casos. É algo que você faz quando você está temendo pela sua vida, pela vida da sua família. E consequentemente tratar isso dessa forma irresponsável é algo gravíssimo e vai contra realmente a reputação e a imagem que os Estados Unidos tentaram construir durante tanto tempo.
Veloso, posso deixar uma recomendação para os nossos ouvintes aqui?
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Link no descritivo desse episódio. Taqui, na semana passada, nós falamos sobre a desaceleração do crescimento chinês e como isso era um elemento de preocupação dentro do país. Afinal, quando a desaceleração do crescimento acontece, você acaba tendo muita, enorme dificuldade em fazer com que o país volte a crescer nas taxas de crescimento que apresentava anteriormente. Pois bem, o Politburo que é justamente o órgão do Partido Comunista Chinês, é o responsável pelas decisões mais importantes do país, composto atualmente por 21 altos funcionários que supervisionam o partido, o governo central, que é liderado pelo Xi Jinping e que delega a maior parte de seus poderes a um grupo menor de 7 membros, o Comitê Permanente, deve decidir ainda esse mês, então nos próximos dias, medidas adicionais para tentar gerar mais crescimento, para tentar estimular o crescimento, depois da China apresentar um crescimento de apenas, apenas entre aspas, 4,3% abaixo da meta.
Uma meta que oscila ali, tem um intervalo de 4,5% a 5%. O foco esperado é a aceleração da emissão de bônus do governo chinês, levantando recursos para ampliar gastos com infraestrutura e, consequentemente, tentar gerar efeitos multiplicadores. É importante lembrar que os dados mais recentes apontaram exportações em alta de 27% em junho, e isso mostra que a China é muito dependente das exportações ainda como alavanca do crescimento.
O varejo teve um crescimento de apenas 1% em junho, o que mostra que é um varejo que anda muito devagar, um varejo que depende, obviamente, do consumo interno, consumo interno que tem uma performance fraquíssima, e o setor imobiliário, que teve uma queda de 18% no investimento no primeiro semestre. É uma crise que continua bastante profunda na economia chinesa, uma crise no setor imobiliário. O resultado disso, claro, é uma economia altamente dependente das exportações e gastos públicos, e muito pouco robusta no que diz respeito a demanda interna.
O que chama atenção é que a gente está observando uma China que está repetindo um pouco estratégias que têm sido adotadas nos últimos tempos e que não têm surtido o efeito esperado, ou seja, levanta recursos, gasta com infraestrutura para tentar impulsionar o crescimento. Você faz isso uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, e você não consegue ter ali uma aceleração do crescimento na velocidade esperada, o que é um elemento de preocupação.
Enquanto a China não conseguir aumentar o consumo interno— e é sempre importante lembrar, o consumo chinês em termos absolutos é enorme, é o segundo maior PIB do planeta, mas em proporção do PIB é um consumo baixo, muito baixo. Consequentemente, o consumo interno não consegue manter ali o crescimento chinês, o crescimento chinês fica superdependente das exportações, e mesmo com esse desempenho esplendoroso das exportações, 20 e tantos por cento de crescimento das exportações, 27 em junho, você não consegue bater a meta de crescimento de 4,5 a 5% ao ano.
Esse é um elemento de preocupação. Eu sei que muita gente às vezes ouve e pensa: nossa, mas a China está crescendo tanto, mais de 4%, é crescimento para caramba. E é mesmo, mas a gente está falando de um país que tem uma ambição, e essa ambição é alcançar e ultrapassar o PIB dos Estados Unidos antes do bônus demográfico se encerrar. Ou seja, a China tem uma janela de oportunidade, ela enxerga essa janela de oportunidade como preciosa para que ela dê o grande salto da sua história recente, para que ela torne a economia chinesa a maior economia do planeta.
Aliás, os chineses têm a meta de terem a maior economia do planeta no centenário da Revolução, em 2049. Além de terem ali liderança em aspectos tecnológicos e outras áreas também, existe um projeto para isso. Mas, para que esse projeto seja cumprido, para que essas metas sejam alcançadas, as metas de crescimento têm que ser cumpridas. E, se você começa a não cumprir as metas de crescimento, isso vai criando um cenário preocupante de desaceleração que pode fazer com que a China não alcance o PIB dos Estados Unidos e, consequentemente, essa janela de oportunidade, muito ligada ao bônus demográfico, se encerre.
A China tem tido um encolhimento populacional nos últimos anos, tem tido um envelhecimento populacional muito acelerado, muito mais acelerado do que o previsto, e isso é um problemaço se você quer ter ali um crescimento de longo prazo um pouco mais forte. Existem alternativas tecnológicas, existem elementos de internacionalização que podem ajudar, mas a demanda interna é fundamental, e a demanda interna não decola, por mais que o governo chinês acabe se concentrando nisso.
E agora a gente tem o Politburo, que é justamente o principal comitê executivo do país, debruçado sobre isso. Gente, o que que a gente faz para voltar a cumprir essas metas de crescimento que são tão importantes para nós?
E a gente tá falando sobre uma economia que crescer, né, a partir do momento que ela cresce ou que ela não cresce, ela afeta o mundo todo, né? Porque todo mundo tem muito interesse na economia chinesa, abastece grande parte do mundo, compra produtos de grande parte do mundo. Então é sempre um tema a se prestar atenção. Daniel, eu queria trazer como próxima pauta um alerta que é muito cuidado com o que você promete, né, porque eventualmente você pode ficar numa situação na qual você não consegue cumprir.
Isso tá acontecendo agora, Daniel, com o prefeito de Nova York, que é o Zohran Mandani. Ele foi eleito recentemente, aliás, ele assumiu agora no dia 1º de janeiro, né, de 26. Então ele foi eleito no ano passado, é o primeiro presidente, é o primeiro presidente, não, primeiro prefeito muçulmano da história de Nova York, de origem asiática. E ele prometeu durante a sua campanha no ano passado que prenderia pessoas que tivessem mandado de prisão emitido pelo TPI, pelo Tribunal Penal Internacional.
Tribunal Penal Internacional é aquele, aquela corte, né, que fica em Haia e que julga pessoas, né, que eventualmente tenham cometido crimes de guerra. E há de fato mandados de prisão emitidos pelo TPI contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Como ao longo da campanha para prefeito ele prometeu que se essas pessoas fossem para Nova York, cidade que portanto agora ele, da qual ele é prefeito, para a Assembleia Geral da ONU, a ONU que está sediada em Nova York, ele prenderia essas pessoas e mandaria para a Haia.
E agora, Daniel, ele voltou a falar sobre isso e disse, olha, eu tô, minha equipe tá vendo aí como é que a gente faz para prender o Netanyahu caso ele venha para a Assembleia Geral das Nações Unidas? Daniel Souza, ele não tem autoridade para prender o Netanyahu. Eu consigo entender a vontade dele de prender o Netanyahu e tudo, mas ele não tem autoridade para tal. Primeiro lugar, Daniel, os Estados Unidos não são parte do Estatuto de Roma que criou o TPI.
Portanto, o TPI a princípio não tem jurisdição nos Estados Unidos, em Nova York, tampouco. E portanto já não teria como isso acontecer. Afinal de contas, esse aqui é o segundo ponto: a política externa— esse é um tema de política externa, é um tratado internacional, é um político estrangeiro, não, líder estrangeiro— política externa é um tema de atribuição federal. Nova York, a prefeitura de Nova York, não faz política externa, portanto não tem como se meter nesse assunto.
E 3, chefes de Estado e de governo pode ser bonzinho, pode ser malvado, pode ter mau hálito, pode ser de esquerda, pode ser de direita, pode ser o que for. Chefes de Estado e de governo possuem imunidade, Daniel. Então você não pode prender o cara assim, né? Então, né, na prática, Daniel, você tem o Mandani naturalmente tentando agradar a base dele, né, tentando dizer que, olha, eu não vou me curvar, eu não, isso não pode ficar assim.
Mas ele já sabe que isso não tem como ser feito, tanto é que ele disse que, olha, se depender de mim Eu vou prender, e a minha equipe tá se debruçando, né, sobre as possibilidades, como é que isso pode ser feito do ponto de vista legal, do ponto de vista jurídico. Isso também é, do ponto de vista dele, Daniel, se posicionar como antagonista a Donald Trump. A gente sabe que Netanyahu, caso ele fosse preso, né, que é uma possibilidade extremamente remota, caso ele fosse preso, seria um embaraço para Donald Trump, e principalmente o momento no qual Donald Trump tem, tem aumentado o tom contra os juízes do TPI.
Que ele diz é: o juiz do TPI, eles são anti-americanos, eles são anti-israelenses, eles minam a estratégia dos Estados Unidos mundo afora, tudo é contra os Estados Unidos. Então, no momento em que Trump vira suas baterias contra a corte, o Mandani vai lá e diz que, olha, inclusive, se eu puder, eu prendo um aliado do presidente dos Estados Unidos para mandar exatamente para o TPI. Então o Mandani me parece que ele tá tentando se projetar nacionalmente como antagonista do Donald Trump.
Agora, do ponto de vista legal, Daniel, do ponto de vista prático mesmo, né, você não tem como prender Netanyahu mesmo que ele vá para Nova York, uma cidade que é governada nesse momento pelo Zohran Mandani, Daniel.
E é sempre importante registrar que dois errados não fazem um certo, né. Se você tem ali um presidente que eventualmente descumpre determinadas regras internacionais ou até nacionais, isso não te dá legitimidade para propor o mesmo em viva voz, para falar isso em alto e bom som. As Nações Unidas estão sediadas em Nova York e, historicamente, existe essa imunidade. Basta lembrar que nós tivemos Che Guevara indo a Nova York discursar nas Nações Unidas, e tudo bem.
Você teve Fidel Castro, você teve Hugo Chávez, que tirou o sapato, bateu no balcão ali da ONU, dizendo que aquele balcão cheirava a enxofre porque o George W. Bush tinha estado ali. E tudo bem, a ONU é para isso, é um espaço para conversa, é um espaço para discurso, é um espaço para posicionamento político. É um precedente muito perigoso o prefeito de Nova York levantar essa possibilidade, porque hoje você eventualmente está fazendo isso para um grupo político, depois você vai ter um presidente, ou melhor, um prefeito de Nova York que vai querer fazer isso por outro grupo político e para fazer justamente em cima de um outro adversário.
São precedentes perigosos, não se brinca com isso. A cidade de Nova York é importante demais para você utilizar um argumento como esse para tentar ganhar projeção nacional, ainda mais em um momento onde o mundo passa por tanta turbulência do ponto de vista institucional.
Daniel Souza, vamos para a Galera Chaqueira de hoje. O que que você traz para a gente aí hoje?
Ah, Tanguy, na Geléia da Shakira de hoje eu poderia trazer Donald Trump, que tentou ficar junto da seleção espanhola na hora da foto, e o capitão muito constrangido quase empurrou o Donald Trump para fora da foto. Ô, Trump, sai, porra! Você não fez parte disso aqui. Vai embora daqui, Trump! Mas não, eu vou trazer aqui um outro registro. Aliás, antes de passar para esse outro registro, queria trazer que nós temos no YouTube do Pet Jornal a nossa versão sobre a final da Copa.
Muito melhor, aliás, que construímos de forma improvisada, um roteiro improvisado. Vai lá no YouTube do Pet Jornal que você vai ver a versão do Pet Jornal da final da Copa do Mundo. Mas enfim, agora sim, vamos para a geleia da Shakira de hoje, em que eu quero registrar ainda falando sobre Copa do Mundo o presidente da Federação de Futebol de Senegal. Ele fez ali, tem que, aquela entrevista coletiva para prestar contas, etc. E, consequentemente, tentar explicar um pouco o que aconteceu, o que funcionou e o que não funcionou.
Eis que, de repente, não mais que de repente, ele conta ao público presente que o médico-chefe da delegação senegalesa, o senhor Dr. Fadi Ora, trabalhava na seleção senegalesa há 10 anos e foi demitido. Foi demitido porque o presidente da Federação Senegalesa descobriu que ele é ginecologista. E achou que talvez ginecologista não seja a especialidade adequada para uma seleção masculina de futebol em eventos esportivos. Ortopedista, talvez.
Um cardiologista, quem sabe. Ou uma cardiologista. Mas o ginecologista tá aqui. Porque o ginecologista, 10 anos que o rapaz tava trabalhando lá e ninguém pediu um currículo, ninguém pediu um documento, uma especialização, sei lá, qualquer coisa para descobrir. O que que esse médico efetivamente fazia. Mas tá demitido, o Dr. Fedior tá demitido da seleção senegalesa, porque afinal decidiram que um ginecologista talvez não seja o mais adequado para a equipe médica, para chefiar a equipe médica do scratch senegalês.
Que situação! A minha impressão, Daniel, que eu fiquei, que já sabiam disso tinha um tempo e guardaram isso na gaveta para o momento que precisasse demitir o camarada, viu? Mas fica embaraçoso para a própria federação, né? Como é que você não deu uma checada, cara? Não entrou no Instagram do cara? Qualquer coisa, Daniel, não é possível que você não descubra isso antes de contratar o cara. E assim, a seleção de Senegal, a seleção com uma certa tradição, né, no meio futebolístico africano.
Chegou na final da última Copa Africana de Nações, aliás, perdeu no tapetão, né? Chegou a ganhar em campo ali, perdeu no tapetão para o Marrocos. Enfim, é uma seleção grande, né, para o continente africano. E tá aí, agora a gente descobre o que que vinha acontecendo na seleção, né, na equipe médica da seleção senegalesa. Daniel Souza, a Copa do Mundo acabou, acabou no dia de ontem, mas a gente ainda tá finalizando o nosso curso sobre esporte e política, né, esporte e economia.
A gente tá tendo esse curso lá no Petit Cursos. A gente vem tratando tanto do peso econômico do esporte, que aliás toca muito inclusive na pauta que você trouxe no início do nosso episódio de hoje, mas também questões estruturais, questões históricas, simbólicas, né, muito importante quando a gente fala sobre esporte. E se você se tornar aluno do PetiCursos, você passa a ter acesso não apenas a esse curso, você pode assistir tanto enquanto a gente grava, né, ao vivo, quanto depois que a gravação for finalizada, essa aula fica disponível para você, quanto todas as outras aulas que a gente já deu no PetiCursos.
Então tem um arsenal de aulas para você assistir na hora que você quiser. Acessa lá, peticursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet é uma mídia pequena, é um produto digital artesanal e precisa bastante da ajuda de nossos apoiadores. Por isso Fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. E fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.
No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Chave Pix no descritivo desse episódio. Você pode ativar, inclusive, o Pix recorrente. E a chave está no descritivo. Temos também o link do Apoia.se, que acaba sendo bacana para quem prefere trabalhar com cartão de crédito, cadastrar o cartão de crédito. E tem também o Patreon, que acaba sendo uma boa alternativa para quem vive no exterior.
Fica aqui realmente a nossa sugestão. Temos certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Hoje e mais tarde estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu!
Tchau, tchau! Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
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