Episódios de Petit Journal

E se o petróleo chegar a 140? - Invest 108

20 de março de 202617min
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Neste episódio do Petit Invest, analisamos um cenário de petróleo a 140 dólares por barril e suas consequências para a economia global. Discutimos os efeitos sobre inflação, juros, câmbio e atividade econômica, além de explicar por que um choque dessa magnitude tende a pressionar bancos centrais, encarecer importações e ampliar a instabilidade dos mercados internacionais. Também avaliamos como esse tipo de choque energético pode afetar o ritmo de crescimento e reorganizar prioridades econômicas em diferentes países.
Falamos ainda sobre os impactos específicos para Brasil, Estados Unidos e Rússia, observando quem ganha, quem perde e quais setores tendem a ser mais afetados em cada caso. O episódio também examina como um petróleo nesse patamar pode interferir nos cenários eleitorais brasileiro e americano, já que combustíveis caros, inflação e perda de renda costumam ter efeitos políticos relevantes.
#Petróleo #EconomiaGlobal #Juros #Câmbio #PetitInvest
Assuntos10
  • Cenário de petróleo a 140 dólaresPossibilidade de escalada de preços · Ataques à infraestrutura no Oriente Médio · Comparação com choques dos anos 1970 · Impactos globais da alta do petróleo
  • Impacto EconômicoSetor petrolífero americano beneficiado · Inflação para população geral · Pequeno peso do setor energético no PIB · Impacto negativo líquido para economia americana · Efeitos na popularidade de Donald Trump
  • Aperto monetário e aumento de jurosBancos centrais aumentando juros · Contenção da pressão inflacionária · Padrão dos anos 70 repetindo · Redução de juros mais lenta · Juros permanentemente mais altos
  • Impactos na RussiaExportações de energia como fonte de receita estatal · Rompimento de isolamento econômico · Benefícios significativos da alta do petróleo · Superação de sanções internacionais · Venda de petróleo e gás natural
  • Inflação e Política MonetáriaInflação causada pela alta do petróleo · Estagnação econômica · Recessão em países · Padrões históricos dos anos 70
  • Diversificacao Producao PetroleoGanho de tração de produtores fora do Oriente Médio · Incentivo a exploração alternativa · Diluição da participação do Oriente Médio · Tecnologias alternativas ao petróleo
  • Conflito Irã-EUAAtaques entre Estados Unidos, Israel e Irã · Infraestrutura petrolífera vulnerável · Segurança energética global · Preocupações regionais
  • Atuação de Lucia na políticaEleições parlamentares nos EUA · Eleições presidenciais no Brasil · Impacto da inflação na popularidade de governos · Sensibilidade dos eleitores a poder de compra · Contexto geopolítico e conflitos
  • Comércio InternacionalEncarecimento de importações · Efeitos na balança comercial · Instabilidade dos mercados internacionais
  • Tecnologia Energia AlternativaEletrificação de transporte · Energia solar · Energia nuclear civil · Biocombustíveis e álcool · Hidrelétricas
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Petit Invest número 108. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 9 horas e 20 minutos da sexta-feira, 20 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, vírgula, ô Bagdad. Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retubante.

interessado, tarifado em 15%, e muito preocupado, está muito preocupado com a sua planilha de despesas, com o custo dos combustíveis e com o impacto da inflação sobre a sua vida. E temos também Daniel Souza, que é esse que eu vos falo. Ao longo dos próximos minutos, vamos falar um pouco sobre o ambiente de negócio internacional, dinâmica de investimentos. Esse é o Petit Invest, espaços de toda sexta-feira, aqui no Petit Journal. Tudo bem, professor Bagdadi? Vamos a isso!

Souza, com S, neto direto, descendente direto de Dom Egas Gomes de Souza, Daniel, orgulhoso descendente do fundador dessa linhagem maravilhosa de Souza. Com S, vamos lá para mais esse episódio, Daniel, esse PT Invest, PT Invest número 106, a maneira como a gente sempre começa a sexta-feira para falar sobre os impactos econômicos, enfim, e não tem tido momento mais importante para a gente falar sobre isso. Afinal de contas, a gente está tendo

movimentações, que, claro, são militares, claro, que tem uma dimensão na segurança, que é muito importante, nas vidas humanas, que é muito importante, na estabilidade, de uma forma geral, mas que também tem uma dimensão econômica das mais severas, das mais importantes. Aliás, para falar em economia, Daniel, eu só quero lembrar que a Inside the Store continua com aquelas promoções da Semana do Consumidor. A Semana do Consumidor passou, mas a promoção continua, a oportunidade continua valendo e os descontos continuam.

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Uma loja que traz, inclusive, uma série de peças para as mais diferentes situações e nessas condições especialíssimas que o Tanguy contra o Apple. Daniel Souza, eu queria que a gente começasse o nosso episódio hoje fazendo uma suposição, tentando imaginar um cenário. E aí, só para deixar claro aqui, você que está ouvindo a gente, esse aqui é apenas um cenário possível. E já me soa preocupante o fato dele ser possível, o fato dele ser minimamente cogitado,

O barril de petróleo batendo 140 dólares. A gente não chegou perto desse valor ainda. Agora, era um barril de petróleo que estava na casa dos 70 e pouquinhos. Passou um bom tempo na casa dos 70 e pouquinhos. E desde o final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o Irã, já bateu 100 algumas vezes. Bate 100, volta um pouquinho, sobe mais um pouco, recua e tal.

Agora a gente teve ataques, a gente acompanhou isso aqui de perto no Petit Jornal, instalações de produção de energia, tanto do Irã quanto do Catar e outros países da região estão bastante preocupados com isso também. Eu queria ouvir de você, Daniel, o que acontece com a economia mundial quando a gente fala sobre o petróleo batendo 140 dólares, que de novo a gente não está tão perto assim ainda, mas dá para imaginar um mundo que chegue a 140 dólares o barril de petróleo. O que você imagina como consequências mais imediatas,

O que aconteceria se esse cenário se confirmasse daqui a um tempo? Dá para imaginar, Tanguy, até porque já aconteceu. É claro que a gente está falando aí de um mercado de petróleo que se diversificou muito ao longo dos últimos anos. Produtores importantes ganharam tração fora do Oriente Médio. Mas, de qualquer maneira, o Oriente Médio é super importante para o mercado de energia global. E na medida em que você começa a ter ali ataques à infraestrutura petrolífera da região, você pode ter uma escalada forte

do preço do petróleo nos próximos tempos. Na hipótese do petróleo alcançando 140 dólares o barril, e aí a gente está falando de um petróleo que dobrou, ou dependendo da referência, até mais do que dobrou em relação a um passado não muito distante, você está diante de um choque do petróleo semelhante ao que nós vivemos, por exemplo, nos anos 1970. E aí a gente tem, inclusive, alguns padrões históricos que podem ser replicados,

provavelmente eles se repetiriam. Um primeiro padrão é que o mundo vive um cenário de estag-inflação, ou seja, você tem a inflação causada pela alta do preço do petróleo, isso aconteceu nos anos 70, aconteceria agora de novo, acompanhada de uma estagnação econômica ou até de uma recessão em alguns países por conta da falta de disponibilidade de energia ou da escassez de energia. Uma outra consequência que aconteceu lá atrás,

e agora certamente aconteceria de novo, Tanguy, choque de juros. Quer dizer, você teria bancos centrais importantes apertando a política monetária, colocando juros em patamares mais altos com o objetivo de conter a pressão inflacionária. Outra coisa que aconteceu lá atrás e agora certamente aconteceria de novo, ganham força produtores fora do Oriente Médio, porque o petróleo mais alto incentiva e viabiliza a exploração

é mais alto e o Oriente Médio acaba tendo ali uma certa diluição na sua participação no mercado de petróleo. Além do incentivo a tecnologias alternativas ao petróleo, como, por exemplo, a questão da eletrificação, dos painéis solares e assim por diante. Lá atrás, nos anos 70, a gente teve pró-álcool, teve hidrelétricas surgindo na esteira de um choque do petróleo. A própria tecnologia nuclear ganhou força para o uso civil na década de 1970.

Agora, quando você fala sobre os países produtores de petróleo, que fora do Oriente Médio vão acabar ganhando força, eu queria que a gente falasse sobre dois em especial. O primeiro deles são os Estados Unidos, que são o maior produtor de petróleo do mundo. E depois eu queria falar sobre a Rússia também. Já vou deixar a Rússia guardada aqui para a gente falar sobre ela daqui a pouco. Quando a gente fala sobre os Estados Unidos, Daniel, a gente está falando sobre, mais uma vez, o maior produtor de petróleo do mundo.

Às vezes a gente esquece disso, mas é uma super, super potência do ponto de vista energético.

não é um país monolítico, como, aliás, nenhum país costuma ser. Ou seja, você pode ter com a alta do petróleo um cenário muito ruim para a população. O combustível vai sonar mais caro, você vai ter inflação. Esse aumento, ele fatalmente será repassado para o consumidor. Agora, você vai ter o setor petrolífero americano nadando em dinheiro, porque você tem uma alta no preço de petróleo que é causada por uma guerra no Oriente Médio, mas que pressiona para cima também o preço daquilo que eles,

produtivo de petróleo americano comercializa. Não é exatamente um cenário que as pessoas vão chorar muito, né, Daniel? O pessoal que está envolvido com esse setor nos Estados Unidos, a despeito da inflação que isso pode gerar no país como um todo. Pois é, Tanguy, quando a gente pensa no caso dos Estados Unidos em particular, é claro que o setor de petróleo dos Estados Unidos tende a ser bastante beneficiado e também tende a ter ali algum impacto sobre a balança comercial americana. Entretanto, o PIB dos Estados Unidos é grande demais. E, consequentemente,

o setor de energia acaba estando diluído. Uma coisa é você falar de um país que tem no setor de petróleo e gás 60% do seu PIB. 70% do seu PIB. Não é o caso dos Estados Unidos. O setor de petróleo e gás nos Estados Unidos é muito pequeno perto do PIB americano em comparação com o que acontece em outros grandes exportadores. Consequentemente, me parece que o dano à economia americana, que a inflação é capaz de causar,

que juros mais altos são capazes de causar, tende a ser maior do que os benefícios proporcionados pelo setor de petróleo. O governo americano sabe disso. Tanto sabe que tem até relaxado sanções como forma de tentar aumentar a oferta. O governo americano tem tentado buscar alternativas para que a oferta de energia no planeta se amplie. Se o governo americano achasse que era mais benéfico do que maléfico para a economia americana,

rolar, deixava rolar o choque do petróleo, a escalada do petróleo e o governo americano sabe que não é bem assim e sabe corretamente que não é bem assim. É óbvio que o setor de energia, as petroleiras americanas vão ter os maiores, vão distribuir dividendos maiores e isso acaba tendo algum impacto positivo sobre os Estados Unidos, mas os malefícios e a desorganização causada pelo aumento do custo de energia tende a ser mais relevante.

são benefícios privados, mas malefícios para a sociedade como um todo, para a economia como um todo, inclusive quando a gente fala sobre a própria popularidade de Donald Trump. Outro país, o segundo que eu queria abordar aqui é a Rússia, uma enorme produtora de energia também, um país que passou a ter que enfrentar ao longo dos últimos tempos as sanções. Claro que a Rússia encontrou alternativas para conseguir vender tanto seu petróleo quanto seu gás natural, mas é menos confortável do que era antes. Agora, quando você tem uma ameaça como essa, se a gente chega, por exemplo,

cenário de 140 dólares o barril de petróleo, a Rússia vai rachar de ganhar dinheiro e naturalmente você vai ter um monte de país que vai falar assim, olha, eu não estou confortável de comprar petróleo da Rússia, né? Mas às vezes a gente faz coisas sem estar confortável, né? Às vezes tem que fazer. Ucrânia, sinto muito aí, legal, foi ótimo que nós vivemos, né? Desde 2022 estamos juntos aí, a gente se junta para falar mal da Rússia, né?

Quatro anos e tal, mas eu estou achando que comprar petróleo, energia ou gás natural da Rússia que seja, nesse momento passa

soar como uma alternativa e que não é tão ruim assim. Num cenário de barril de petróleo a 140, Daniel, me parece que essas resistências começam a cair. Donald Trump tem a possibilidade de não negociar mais a Ucrânia, volta a se fortalecer muito do ponto de vista político e economicamente também. É verdade, Tanguy. A Rússia é diferente do caso dos Estados Unidos. Você tem ali exportações de energia que chegam a representar em alguns momentos 70, pouco mais de 70% das exportações russas.

mais de metade das receitas do Estado russo, além de toda a dimensão geopolítica também. E existe a possibilidade da Rússia, dentro de um contexto como esse, romper isolamento, voltar a ter um pouco mais de participação e conexão econômica mundo afora. A Rússia tende a ser muito mais beneficiada do que prejudicada por um momento como esse, onde você acaba tendo uma explosão do preço do petróleo. Aliás, a Rússia já está sendo beneficiada

já está sendo impactada mais positivamente do que negativamente. O caso russo me parece bem diferente, completamente diferente do caso dos Estados Unidos, embora os Estados Unidos produzam mais petróleo até do que a própria Rússia. E aí, Daniel, eu queria trazer essa discussão para o Brasil. O que você consegue imaginar como impactos que o Brasil teria em algumas semanas ou alguns meses depois que, eventualmente, mais uma vez, aqui é uma hipótese,

do petróleo bater 140. Mais uma vez, é uma hipótese que não está tão próxima assim, mas ela não é impossível. Como é que o Brasil sentiria isso? Como é que os brasileiros sentiriam isso? O que você acha? Para onde você acha que o Brasil deveria olhar num cenário como esse? Num cenário como esse, o Brasil está mais para Estados Unidos do que para a Rússia. Ou seja, você tende a ter ali um impacto positivo na Petrobras, você tende a ter um impacto positivo no setor de petróleo nacional,

Mas o impacto inflacionário do aumento do preço dos combustíveis é realmente muito negativo para a economia nacional. Afinal, o Brasil tem um modal de transportes muito dependente dos caminhões, muito dependente do diesel. Você já está tendo ali uma inquietação de caminhoneiros no Brasil com a alta do preço do diesel por aqui. A desorganização da economia brasileira, ela tende a ser muito mais forte do que impactos

positivos sobre o setor de petróleo. A Petrobras com lucros maiores pode repassar mais recursos para o governo? Pode. Pode ter ali realmente efeitos nesse sentido. Mas o impacto sobre o Brasil tende a ser muito mais negativo do que positivo. É muito mais preocupante para nós do que uma boa notícia olhar essa escalada do preço do petróleo e patamares tão elevados. E a gente consegue imaginar, então, no Brasil também alto de juros, imagina, para contra a inflação. A inflação deve afetar

muita economia brasileira, e isso tende a se refletir também com um crescimento mais frágil, que já não é um ponto que o Brasil tenha conseguido crescer muito nos últimos tempos. Dá para imaginar, então, um crescimento ainda mais frágil, talvez recessão, ou você acha demais? Dá para imaginar, sim. Com o petróleo a 140 dólares, dá para imaginar. Aliás, nessa semana, nós já tivemos um Banco Central reduzindo menos o juro do que reduziria se não tivesse acontecido essa escalada do petróleo. Portanto, hoje, o juro já está mais alto do que estaria

não tivesse escalado. Eventualmente, o Banco Central pode ser obrigado a interromper novas reduções da taxa de juros ou, eventualmente, até voltar a aumentar. Mas, na melhor das hipóteses, o juro vai cair mais devagar, o que significa que o juro será maior alto do que seria se isso não tivesse acontecido. O impacto sobre o Brasil é pesado. Esse juro, realmente, no patamar onde está, associado a uma inflação mais forte, pode, eventualmente,

jogar o Brasil para o campo negativo dentro de um contexto onde o petróleo atinge 140 dólares. Vai ser um Deus nos aguda, porque a inflação vai bater forte, os brasileiros são absolutamente intolerantes com a inflação, ainda bem, você vai ter aí toda uma cadeia de transportes e segmentos que são muito articulados e muito organizados, protestando. A tendência é que, no caso do Brasil, você tenha efeitos muito mais negativos do que positivos.

é que a gente está trabalhando com a hipótese de um petróleo alcançando 140 dólares o barril, o que não é algo impossível de se imaginar quando a gente olha para o contexto geopolítico do Oriente Médio. E você comparou o Brasil e os Estados Unidos, a gente está falando sobre dois países em ano de eleição. Você tem a eleição parlamentar nos Estados Unidos, que renova toda a Câmara dos Deputados. Inflação mexe sempre com a popularidade do governo.

Ainda mais quando a gente fala sobre os Estados Unidos, que foram eles que iniciaram essa guerra. E no Brasil também.

para presidentes, presidentes e governadores, e a gente também tem um impacto muito grande na popularidade do governo. Ah, mas o governo não faz nada. Não importa. A vida da pessoa piora, a vida da pessoa, o poder de compra piora, e ela vai depositar isso no governo também. Então são variáveis que mexem muito com o horizonte político e econômico do Brasil, por isso que é importante a gente analisar, a gente está próximo do que está acontecendo, e aqui no Petit Journal a gente tem feito isso todos os dias para tentar imaginar

o que a gente pode esperar lá na frente. Daniel Souza, esse é o nosso último episódio da semana. Se nada de muito diferente acontecer, a princípio é o nosso último episódio. Na segunda-feira de manhã a gente volta com mais um bate-papo. Nos vemos. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br

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