Episódios de Petit Journal

Israel e EUA: Objetivos diferentes no Irã - BP 1042

20 de março de 202633min
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ALURA
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Os ataques às instalações energéticas no Golfo, especialmente no Catar, ampliam os riscos para o abastecimento global e já provocam alertas na Europa sobre possível racionamento de combustível para aviação. Discutimos também a possibilidade de envio de tropas americanas para garantir a abertura do Estreito de Ormuz, hipótese ventilada em Washington mas negada por Donald Trump, em meio à crescente pressão sobre rotas estratégicas de energia.
O episódio analisa as diferenças de objetivos entre Estados Unidos e Israel na condução da guerra contra o Irã, com Benjamin Netanyahu potencialmente se beneficiando politicamente da escalada, enquanto Trump enfrenta custos econômicos e riscos de queda de popularidade. Também abordamos a sinalização de autoridades americanas sobre a possibilidade de flexibilizar sanções ao petróleo iraniano.
Na Geleia da Shakira, Trump recebe Sanae Takaichi e reclama que os japoneses mantiveram segredo antes do ataque a Pearl Harbor.
#OrienteMédio #Irã #Petróleo #Geopolítica #Energia
Assuntos15
  • Conflito EUA-IrãDestruição de instalações de gás · Perda de 17% da capacidade exportadora · Prejuízo de 20 bilhões/ano · Reconstrução em 3-5 anos · Resposta estratégica iraniana
  • Conflito Irã-EUAIsrael busca derrubar regime · EUA quer enfraquecer militarmente · Morte de lideranças iranianas · Autonomia de Israel · Desembarque em solo iraniano
  • Economia GlobalAumento de preço de petróleo · Inflação · Efeito em juros · Crescimento mundial · Energia e economia
  • Estreito de OrmuzBloqueio de rota estratégica · Impacto na navegação · Esforços de reabertura · Envolvimento de aliados
  • Estrategia EUASaída humilhante ou permanência custosa · Avanço nuclear iraniano · Impasse geopolítico · Custos econômicos vs militares
  • Racionamento de combustível de aviação europeuEscassez de jet fuel · Redução de voos 30% · Alerta no continente europeu · Crise de fornecimento pós-Páscoa
  • Possibilidade de envio de tropas americanasTropas adicionais para Golfo · Possível desembarque em solo iraniano · Protegimento do Estreito de Ormuz · Recuo de Trump · Resistência doméstica
  • Impacto na cadeia de suprimentos globalProdução de semicondutores · Abastecimento de hélio · Fornecimento de gás de cozinha · Tecnologia e IA · Cadeia industrial
  • Sancoes Petroleo IranianoSuspensão de sanções sobre petróleo em navios-tanque · 140 milhões de barris retidos · Similaridade com sanções russas · Controle de preços internacionais
  • Netanyahu IsraelSubstituição de pauta de Gaza · Consenso doméstico israelense · Fortalecimento político · Consenso sobre Irã
  • Conversa Trump-Netanyahu sobre infraestrutura energéticaPedido para não atacar instalações iranianas · Impacto global do ataque · Comunicação entre aliados · Possível desobediência israelense
  • História da RússiaBenefício de preço de energia · Relaxamento de sanções · Foco retirado da Ucrânia · Pausa em negociações · Ganhos econômicos
  • Resistência interna nos EUA à guerraBase Trump avessa a intervenções · Oposição democrata · Promessa de não-guerras intermináveis · Apetite reduzido por intervenções
  • Assassinatos Liderancas IranianasAli Laridjani assassinado · Ismail Khatib (ministro da inteligência) morto · Substituição de líder supremo · Anúncios israelenses de morte
  • Convergência de aliados ocidentaisComunicado conjunto Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Japão · Medidas para estabilizar mercado energético · Segurança da navegação · Alinhamento parcial aos EUA
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1042. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 21 horas e 26 minutos da quinta-feira, 19 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

retumbante, descansado, tarifado em 15% e preocupado, muito preocupado, o professor Bagdadir. Aliás, depois de ontem, eu também fiquei, também fiquei um pouco preocupado depois de ontem por questões envolvendo a economia internacional, mas a gente vai falar sobre isso ao longo do episódio de hoje. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadir?

Tudo bem? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1042. Um prazer estar aqui mais uma vez nessa maluquice. Eu ia falar maluquice de semana, né, Daniel? Maluquice de ano. Pô, sei lá o que está acontecendo esse ano agora. Já aconteceu de tudo esse ano. A gente não chegou nem, pô, nem abriu ainda. E o mundo já está completamente de cabeça para baixo. Deixo as boas-vindas aos nossos colegas de maluquice, né, pessoal que nos acompanha todos os dias aqui no Petit Jornal. Prazer ter vocês aqui com a gente.

Lembrando sempre, você ajuda demais a gente. Se você ajudar a divulgar o Petit Jornal, mandar para aquele amigo que está querendo entender um pouco mais o que está acontecendo no mundo, se você se inscrever no canal do Petit Jornal no YouTube, no canal de corte do Petit Jornal, isso ajuda demais a gente. Daniel Souza, a gente tem que começar a falar sobre o que está acontecendo mais uma vez no cenário de guerra entre de um lado Estados Unidos e Israel, do outro lado Irã, e que está levando basicamente uma galera junto consigo, os países do Golfo, a economia internacional,

E no dia de ontem, Daniel, quase que num breaking news aqui, no momento que a gente estava terminando o episódio, eu vi que tinha tido um ataque iraniano a uma instalação de produção de gás natural no Qatar. Então, só para a gente lembrar, a gente tinha tido um ataque iraniano a instalações de produção de gás natural de Israel, um ataque menor naquele momento.

portanto, um impacto bastante grande. E o Irã falou, olha, se for para começar a atacar instalação de produção de energia, vamos para a brincadeira, vamos arregaçar as mangas. E nesse momento, portanto, o Irã fez um ataque bastante grande, bastante importante à instalação, uma das principais instalações de produção de gás natural do Catar, que é um peso pesadíssimo quando a gente fala no fornecimento mundial de gás natural.

que é dividido. Uma parte fica com o Irã, uma parte fica com o Catar. E a gente teve um ataque, Daniel, que destruiu 17%, 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito do Catar. Daniel, 17% das exportações de gás natural liquefeito de um país como Catar é muita coisa. A gente está falando sobre o ataque, Daniel, que destruiu duas estruturas de processamento de gás

líquidos que foram atingidos e a estimativa é de um retorno total à operação de 3 a 5 anos. A perda de receita estimada, a perda de receita anual estimada é de cerca de 20 bilhões de dólares por ano. A gente está falando, Daniel, sobre um Catar que já falou, olha, a gente vai ter que fazer um investimento grande para recuperar, a gente não sabe ainda quanto que vai ser, o tamanho disso, o prejuízo é

anual e de 20 bilhões, mas a gente só vai começar a pensar na reconstrução no momento em que a guerra terminar, porque não adianta, você imagina, eu coloco uma grana para tentar recuperar essa estrutura, o Irã ataca de novo, eu começo tudo do zero, mais uma vez, então isso pode, assim, a tendência que tem um efeito já imediato no mercado internacional de energia e isso gera, na verdade, um impacto não apenas na eletricidade, na energia em si, mas toda uma cadeia de suprimentos industrial global,

A gente está falando, por exemplo, sobre problemas no fornecimento de hélio. Hélio, Daniel, é essencial para a fabricação de semicondutores lá da Coreia do Sul. Olha o tamanho do impacto que isso tem. Sem hélio, você tem dificuldade para produzir semicondutores, que são importantíssimos para a tecnologia mundial, lá na Coreia do Sul. Você está falando sobre impacto direto, sobre fornecimento de gás de cozinha, que é utilizado, por exemplo, em restaurantes em várias partes da Ásia, como, por exemplo, na Índia.

que vêm associados a essa queda na capacidade catare de fornecer, de produzir gás natural. Então, o recado iraniano é mais ou menos esse. Se a brincadeira é atacar instalação de produção de energia, eu vou atacar e a gente tem que ver quem é que vai aguentar durante mais tempo. Eu já estou sancionado há um tempão, eu já estou preparado para uma economia de guerra há bastante tempo. Vamos ver se a galera aqui está disposta a brincar da mesma maneira. Aliás, começaram a colocar na conta,

inclusive, o tempo que vai demorar para recuperar a imagem desses países do Golfo como o hub de transporte, hub de turismo e tal, e aparentemente é coisa de década, tá, Daniel? Década para você recuperar tudo aquilo que esses países conseguiram fazer ao longo dos últimos tempos. Ou seja, Daniel, está realmente espalhando bastante e a gente vai ter muito mais a falar sobre isso. Aliás, Tanguy, esse era um temor que nós já tínhamos trazido aqui no Petit Jornal.

Quando você começa a afetar a infraestrutura de petróleo e gás no Oriente Médio,

não basta reabrir o Estreito de Hormuz, você vai ter que refazer esses investimentos, como você colocou, são investimentos de longo prazo de maturação, que dependem ali de uma reunião de vários fatores de produção ao mesmo tempo, é um processo complexo e faz com que na prática nós tenhamos esse elemento adicional de impacto na economia mundial. Eu lembro quando a gente falava da guerra entre Rússia e Ucrânia,

buscando gás justamente no Catar. É porque o Catar era uma alternativa para o fornecimento de gás para os europeus. O que acaba acontecendo é que aquele projeto, inclusive dos europeus, de eliminar completamente a importação de gás da Rússia, fica em cheque, porque, afinal, se não tem o Catar, como é que você vai parar completamente de comprar gás também da Rússia? É óbvio que existem outros produtores importantes, é o caso dos Estados Unidos, é o caso da Argélia,

É o caso da Líbia, mas é difícil realmente você substituir um peso pesado, como é o caso do Catar, num curto espaço de tempo. São investimentos de longo prazo de maturação e de alta complexidade em termos de engenharia. Aliás, tem que sair uma matéria no The Times de Londres que me chamou muito a atenção e me pareceu também muito preocupante.

um alerta para a escassez de combustível de aviação. Existe a possibilidade de você ter racionamento, eu disse racionamento, de combustível de aviação no continente europeu já no mês que vem, depois da Páscoa. Esse é um elemento muito, muito preocupante, porque sinaliza mais ou menos o seguinte, não adianta o preço aumentar, não adianta você estar disposto a pagar, não tem oferta, não tem o combustível para te entregar.

que eu tinha antes. Então, a gente vai ter que diminuir o número de voos se não for encontrada uma alternativa até lá. Até 30% do jet fuel, que é justamente o combustível de aviação, da Europa vem justamente do Golfo Pérsico. E nós tivemos ao longo do dia de hoje o petróleo e o gás subindo fortemente no mercado internacional por conta dessa percepção

de que agora a infraestrutura energética de grandes produtores do Golfo Pérsico passou a fazer parte da guerra. Você passou a ter alvos militares nessa infraestrutura. Esse é um elemento super preocupante. A cada momento fica a impressão de que nós estamos subindo um degrau, subindo mais um degrau, mais um degrau, e assim sucessivamente, o que vai tornando a guerra cada vez mais perigosa

geopolíticas e econômicas cada vez mais profundas e alongadas. E, aliás, Daniel, isso afeta tudo, né? Isso afeta a economia e isso afeta todas as esferas da economia, da política, da tecnologia. A gente falou aqui, inclusive, sobre o impacto que você tem na produção, por exemplo, de semicondutores. Se afeta semicondutor, Daniel, isso vai afetar, inclusive, desenvolvimento tecnológico. Tem chance de afetar muita coisa. Aliás, quando você afeta, inclusive, energia, você afeta, por exemplo, a capacidade que você tem

de treinar sistemas de inteligência artificial. Isso vai acabar forçando também, Daniel, as empresas de inteligência artificial, as empresas que são intensivas em energia, a se tornarem mais eficientes. Isso é um movimento que a gente já vem sentindo também, a necessidade que você tem de, cara, eu preciso conseguir movimentar tudo isso que está sendo movimentado de semicondutores, enfim, toda aquela estrutura que envolve um uso intensivo de energia, gastando menos energia. Foi algo que, aliás, a China conseguiu mostrar

há pouco tempo, quando você pega o DeepSeek, a gente falou bastante sobre isso aqui pouco tempo atrás, que comparado com a inteligência artificial norte-americana, utilizava menos energia. Me parece que essa é uma fronteira inevitável, que fatamente vai chegar. Aliás, falar em tecnologia, Daniel, é importante trazer aqui a Alura, que é a maior escola de tecnologia do Brasil. A Alura, Daniel, no meio disso tudo, sabendo o tamanho da importância que a tecnologia tem, inclusive para o redesenho da economia internacional, está oferecendo

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tecnologia, ou se você já está consolidado, procura Alura, o link está na descrição desse episódio, que eu tenho certeza que você não vai se arrepender, o momento é esse, 35% de desconto. Imperdível, gente. Vai lá, clica no link do descritivo, conheça o trabalho da Alura, tenho certeza que você vai gostar de mais cursos para os mais diferentes níveis de conhecimento, para os mais diferentes objetivos na temática tecnológica. Alura, a maior escola de tecnologia

do Brasil. Link no descritivo com condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Jornal. Daniel, no meio disso tudo, o Estreio de Hormuz está fechado, todo esse impacto que a gente está fazendo aqui, começou a circular hoje uma conversa meio esquisita, meio estranha, com Donald Trump sugerindo a possibilidade de enviar milhares de tropas adicionais. A gente está falando de soldado, mandar soldado para o Oriente Médio, que poderia, a princípio, ser para

para a navegação do Estreio de Hormuz, mas com a possibilidade de desembarque em solo iraniano. Eu vou repetir. Talvez tenha passado errado, tá? Eu vou falar de novo. Com a possibilidade de tropas dos Estados Unidos desembarcarem em solo iraniano ou na ilha de Karg. Isso ele não falou textualmente, mas está sendo comentado, está sendo dito e tal. O Trump percebeu que, olha, se isso acontecer, a reação foi, pelo amor de Deus,

isso aí é a chance de você ter uma guerra de 20 anos, 3 de Hormuz, sabe sei lá quanto tempo você vai durar. E o Trump recuou. Ele falou, não estamos enviando tropas para lugar nenhum. Essa declaração, Daniel, foi vista como a forma de tentar tranquilizar a opinião pública americana, que tem um apetite muito, mas muito pequeno para intervenções. Aí você tem os democratas, que são oposição ao Trump, não querem que o Trump tome uma medida como essa. E você tem a base trumpista, que sempre apostou muito na promessa do Trump,

que é não faremos mais guerras intermináveis, mandar soldados americanos para Iraque, para o Afeganistão, para sei lá para onde, para mandar para o Irã. Então, essa ideia de que existe uma possibilidade de mandar soldados e tal, que é um negócio completamente irresponsável, tem uma resistência muito grande nos Estados Unidos e o Trump pegou. Não estou enviando tropas e tal. Agora, continuaram chegando informações de bastidores nos Estados Unidos

o Departamento de Defesa, o Departamento de Estado, não descarta internamente essa possibilidade, tá, Daniel? Então, assim, continuo achando que é improvável, continuo achando que é improvável, mas o fato disso estar começando a aparecer, será que não pode e tal, é algo que é muito preocupante. Mais uma vez, Daniel, talvez continuem subestimando a capacidade militar iraniana. É óbvio que o Irã é menos poderoso do que os Estados Unidos, não há nenhuma dúvida disso,

tem capacidade de prolongar essa guerra, fazer essa guerra ser muito feia. Não é um país indefeso. A chance que você tem de ter um problema de dimensões colossais ao sugerir que você pode mandar tropas americanas para o Golfo Pérsico, enfim, para o Estreio de Hormuz, é um negócio que tem que chamar muita atenção do mundo todo. Aliás, Tanguy, hoje uma declaração que me chamou demais a atenção foi uma declaração do Scott Bassett, que é o secretário do Tesouro dos Estados Unidos,

E ele declarou que os Estados Unidos avaliam suspender sanções sobre petróleo iraniano retido em navios tanques. Eu vou repetir. Os Estados Unidos estão cogitando tirar sanções de petróleo iraniano retido em navios tanques. O volume estimado é de cerca de 140 milhões de barris.

preços internacionais de energia que nós temos observado nos últimos tempos. Não tem jeito, o mercado é um só, Tanguy. Quer dizer, se você tem o Irã colocando mais petróleo no mercado, o que acaba acontecendo é que o preço sobe menos do que subiria se o petróleo não estivesse sendo colocado pelos iranianos. Importante registrar que medida semelhante já foi adotada recentemente para o petróleo russo.

alguma maneira, atuar no mercado para que haja mais oferta e menos impacto sobre o preço. Todas essas notícias, quando a gente olha como filme, nós estamos trazendo um episódio de hoje, sugerem que os Estados Unidos estão em uma sinuca de bico. Faz o que agora? Quer dizer, o estreito de Ormus está fechado, a infraestrutura petrolífera do Golfo Pérsico está sendo atacada, o preço do petróleo não para de subir. O que eu faço para resolver isso?

eu volto para casa e saio humilhado do Oriente Médio, sendo que o líder supremo foi trocado pelo líder supremo filho, pelo líder supremo júnior, e deixo simplesmente o Irã avançar no seu programa nuclear, deixo o Irã avançar no seu armamento, no seu programa de armamento. E que agora tem um baita incentivo para correr em direção a isso, né? Exatamente. Agora eu vou com tudo, agora não tem mais o que me segure, né? Pois é, se os Estados Unidos viram as costas nesse momento, eles perdem o Irã, definitivamente.

Quer dizer, o Irã vai se tornar uma potência militar, ou tem tudo para investir, para se tornar uma potência militar ao longo dos próximos anos, e além de todo o desgaste interno nos Estados Unidos de uma saída meio humilhante. Portanto, o governo do Trump está numa situação muito complicada, porque ele sair parece uma alternativa ruim, ficar também é uma alternativa ruim, diante do contexto que a gente está vendo de degradação da situação econômica na região.

E da situação econômica no planeta por conta da importância que o petróleo do Golfo Pérsico tem. E estamos falando de um momento onde os Estados Unidos relaxaram sanções em relação ao petróleo russo e agora cogitam relaxar sanções em relação ao petróleo iraniano. E aí quando os Estados Unidos olham para o lado, Daniel, tem o Israel, que foi o país que foi junto com os Estados Unidos.

eles falaram, pô, então eu vou junto, porque senão eu vou acabar sendo tragado para essa guerra mesmo, pelo menos quero ter a vantagem, a vantagem do ataque, a vantagem de tomar a iniciativa. Agora, cada vez mais, Daniel, existe uma percepção de que, embora ambos sejam aliados nessa guerra, os objetivos de Estados Unidos e Israel são bastante diferentes. Eles estão em posições bastante diferentes. A gente consegue ver isso, Daniel, a partir do momento que a gente vê que o grande objetivo israelense nessa guerra continua sendo

enfraquecer ao máximo o regime e talvez, inclusive, contribuir para a queda do regime. A gente tem visto Israel, por exemplo, anunciando, um atrás do outro, a morte de lideranças importantes do Irã. A gente comentou aqui que o Ali Laridjani, por exemplo, que é uma figura importantíssima do sistema de segurança do Irã, foi morto. A gente tem o Ismail Khatib, que é o ministro da inteligência do Irã, foi morto também.

de ação. Ao passo que os Estados Unidos, grande aliado de Israel nessa empreitada, eles têm como objetivo principal enfraquecer militarmente o Irã. São dois elementos que se tocam, mas que não são exatamente a mesma coisa. Um está querendo derrubar o regime, o outro está querendo enfraquecer militarmente o país. Enfraquecer militarmente não é o mais objetivo. Eu vou atacar aqui, aqui, aqui e aqui, deixo o regime lá e é isso. Israel parece ter intenções de até mais

longas, até com impactos mais longevos. Isso acaba tendo um impacto também, acaba na verdade sendo influenciado até pelo cenário doméstico de cada um. Netanyahu está sendo visto dentro de Israel, pela imprensa, pelos analistas, como alguém que está sendo amplamente beneficiado por essa guerra. Até pouco tempo atrás, o foco da discussão dentro de Israel era Gaza, e Gaza é um tema muito divisivo em Israel. Você tem uma galera que apoia muito o que Israel fez

Gaza, tem que fazer mesmo, tem que invadir, tem que atacar, tem que bombardear, são os Hamas, é terrorista e tal. Você tem uma outra parte que diz, olha, dessa maneira a gente não vai ter paz nunca, isso não pode acontecer. Então foi muito desgastante para o governo Netanyahu. Ele avançou mesmo assim, porque ele identificou que era uma chance, era uma oportunidade de lidar de uma vez por todas com o Hamas, com o Hezbollah, com os aliados do Irã, mas trouxe um desgaste bastante grande. Netanyahu, com essa guerra agora no Irã, substitui Gaza

O Irã, Daniel, é um tema virtualmente consensual na política israelense. Claro que não é 100% consensual, sempre vai ter oposição, mas é um tema muito mais pacificado dentro de Israel. Meu amigo, atacar o Irã, tem mais do que atacar mesmo. O Irã é um problema para a gente, o Irã é uma dor de cabeça. Está indo lá no Irã, está atacando, matou o líder supremo, ninguém vai chorar uma lágrima pelo líder supremo. Tem que fazer o que tem que ser feito. Ao passo que nos Estados Unidos,

o desgaste é maior, até porque a base que elegeu o Trump é uma base que não compra muito esse negócio de ficar fazendo guerra. Ainda mais uma guerra longa, uma guerra que você vai ter dificuldade para terminar, uma guerra que vai trazer inflação, uma guerra que mexe com energia. Então isso pode se tornar um problema para os Estados Unidos, ou seja, os Estados Unidos podem ter a intenção de fazer uma guerra mais curta e mais objetiva, atingir determinados alvos que desmontem a capacidade iraniana de reagir a qualquer ataque e voltar para casa,

e eventualmente desmontar o programa nuclear, destruir o programa nuclear e voltar para casa, ao passo que Israel está ganhando com isso, o governo israelense, óbvio, está ganhando com isso, e a tendência, portanto, é se manter. A gente conseguiu perceber essa tensão no momento em que, por conta disso tudo que a gente falou nesse episódio de hoje, dos ataques às instalações nucleares do Irã, que levam também a uma reação do Irã a atacar as instalações nucleares de vizinhos árabes, em especial o Catar, a gente teve uma conversa entre Donald Trump e Netanyahu,

Netanyahu, não é mais para atacar a instalação energética. Se começar a atacar a instalação energética, vai ser ruim para todo mundo. Todo mundo vai sofrer. E o que a gente não sabe ainda é qual o nível de autonomia que Israel tem diante dos Estados Unidos. A verdade, Daniel, é que a gente tem uma escolha muito simples por parte de Israel. Se eu desobedecer e atacar instalações energéticas iranianas, os Estados Unidos vão me abandonar? A gente sabe a resposta, né, Daniel?

Não tem como agora. Não tem como largar a mão de Israel. Então Israel, nesse momento, está numa posição relativamente confortável. Eu mudei a pauta. O governo está fortalecido. Eu estou fazendo o que eu sempre quis fazer no Irã. Tenho tempo. Dá para eu programar um bom tempo de ações no Irã. E os Estados Unidos não têm muito o que possam fazer com relação às minhas ações. Ou seja, Estados Unidos e Israel têm objetivos diferentes.

Isso pode trazer consequências importantes para o fim da guerra. Como é que a coisa vai se encaminhar daqui para frente, Daniel?

dos últimos acontecimentos absolutamente preocupantes no Estreito de Hormuz e na economia mundial, com a escalada do preço do petróleo, nós tivemos a divulgação de um comunicado conjunto dos governos do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão, afirmando que vão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia afetado pelos ataques do Irã à infraestrutura.

estruturas do Golfo Pérsio. Esses países dizem estar prontos para contribuir com a segurança da navegação no Estreito de Hormuz. Eles não detalharam qualquer tipo de apoio, como é que ele vai funcionar, se é militar, se é logístico, se é diplomático, mas não deixou de ser uma sinalização de alinhamento parcial aos Estados Unidos e de apoio parcial aos Estados Unidos.

vinham os acompanhando nos últimos dias. Afinal, nos últimos dias, esses aliados dos Estados Unidos, ou outrora aliados, vai saber, eles estavam muito firmes dizendo que era problema dos Estados Unidos e que os Estados Unidos tinham que resolver sozinhos. O grande problema é que, independentemente de quem tenha causado a guerra, eles vão sentir as consequências. E me parece que, ao perceber isso, eles são forçados a sinalizar

de alguma forma, estão dispostos a contribuir para a estabilização do Estreito de Hormuz. Mas o problema continua. Estabilizar o Estreito de Hormuz? Como? Você vai tomar militarmente o Estreito de Hormuz? Você vai invadir o território iraniano? Não está claro como isso pode ser feito em termos concretos. Mas, de qualquer maneira, a preocupação na economia mundial aumentou muito nessa semana, porque realmente as instalações,

de petróleo e gás se tornaram alvos do conflito e isso torna tudo mais preocupante em termos de preço do petróleo, crescimento mundial, juros e todas as outras variáveis econômicas importantes. Só um último comentário, Daniel. Antes da gente abrir a nossa derradeira geleia da Shakira da semana, eu queria falar um pouquinho sobre a Rússia. A Rússia está assistindo para isso tudo numa posição muito interessante, porque a Rússia é uma grande exportadora de energia, a energia explodiu,

precisando de energia, uma energia mais cara. Tem uma galera que até agora estava preferindo comprar energia do Golfo Pérsico, mas que de repente a Rússia vai voltar a ser uma opção. Os próprios Estados Unidos estão aliviando sanções contra a energia russa, porque precisa de energia circulando por aí até para controlar o preço do petróleo, o preço da energia de uma forma geral. E a Rússia, portanto, ainda tem como bônus o fato de que a pauta, a agenda internacional mudou. Você lembra quem é o presidente da Ucrânia?

lembra mais quem é. O pobre do Zelensky está morrendo de inanição, Daniel. Ninguém lembra do Zelensky. Ninguém lembra de Ucrânia. A Ucrânia é um assunto do século passado. A Ucrânia é um tema que foi absolutamente esquecido. E, portanto, a gente teve uma declaração do porta-voz do Kremlin, o Dmitry Peskov, dizendo que as conversas entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia entraram em um hiato. Daniel, não é que a gente parou de conversar.

A gente vai voltar a conversar. Vamos voltar a conversar. Mas agora está todo mundo pensando no Irã.

Ninguém está com cabeça, Daniel. Não estamos com cabeça para falar sobre a Ucrânia. A gente vai manter as coisas lá como elas estão, com a Rússia ocupando 20% do território, fazendo avanços aqui e acolá. Os Estados Unidos estão preocupados com o Irã. Até ajuda para a Ucrânia também em segundo plano, se vai ter ajuda mesmo, se não vai, veja bem, crise econômica e tal, aquela coisa. E a Rússia, portanto, Daniel, está aproveitando para dizer, olha, depois a gente fala sobre, na volta a gente compra. A gente não parou de conversar, claro.

interessadíssimos em conversar sobre a Ucrânia. Estamos comprometidos com a paz. A gente quer a paz acima de qualquer outra coisa. Mas não vai dar para ser agora, porque está todo mundo vendo o que está acontecendo lá no Irã. Então, a gente vai precisar de um tempo para voltar. Então, Daniel, você vê como é que uma guerra acaba tendo impacto em outra, ainda mais duas guerras tão centrais e tão focadas em energia. São duas guerras que envolvem diretamente energia.

Aliás, os três cenários, quando a gente fala sobre os temas mais periclitantes do mundo hoje,

que são Rússia na Ucrânia, Irã, Estados Unidos e Israel no Irã, e a Venezuela, são três cenários que mexem diretamente com a energia e, portanto, acabam sendo daqueles cenários que mexem com a economia e, portanto, com a política como um todo. Peguei, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje, terminando o episódio com uma nota um pouco mais leve? Vamos embora, Daniel. O que você traz aí para a gente? Começar fazendo um complemento da geleia da Shakira de ontem. Muita gente defendendo a França, dizendo que eu respeito a França,

tem ser militar, que a França é a França do Napoleão. Quantas pessoas falaram isso? Fala a verdade pra mim. Três. Mas eu achei muita gente. Não, quero auditoria, duvido três pessoas. Três pessoas. Entre redes sociais, comentários aqui na live do Petit, etc. Então, três pessoas. Mas eu queria apenas registrar o seguinte, Tanguy. A França, e aqui eu vou trazer uma notícia do Le Monde, ela estava hoje com seu porta-aviões nuclear, o Charles de Gaulle, navegando pelo Mediterrâneo, de forma anônima.

Desde que, de repente, não mais que de repente, um marinheiro francês resolveu ir para a academia. Ah, vou para a academia aqui do porta-aviões. E o que ele fez? Ele pegou o seu smartwatch e resolveu compartilhar a sua localização com o aplicativo. E aí, o porta-aviões francês, que estava anônimo, deixou de estar anônimo, porque você passou a ter na internet a localização desse magnífico porta-aviões.

liderada por Emmanuel Macron. De qualquer maneira, a geléia da Shakira de hoje é outra. É um momento de constrangimento que aconteceu na Casa Branca. A primeira ministra do Japão foi visitar o Donald Trump na Casa Branca. Aí, rapaz, ela saiu do carro, foi dar um abraço no Donald Trump, e o Donald Trump ficou meio desajeitado. Os japoneses são muito comedidos, ainda mais as mulheres, porque a gente está falando de uma sociedade profundamente machista. Mas ela foi lá abraçar entusiasticamente o Donald Trump.

E aí começam os jornalistas a fazerem questões, etc. E claro, você tinha ali uma aliada dos Estados Unidos, o Japão é um aliado dos Estados Unidos, e um repórter perguntou, ô presidente, por que você não contou para os seus aliados, para os aliados dos Estados Unidos, sobre os ataques que iriam acontecer ao Irã? E o Donald Trump me sai com a seguinte perla. Bom, nós queríamos uma surpresa.

Quem entende mais de surpresa do que o Japão? Afinal, por que o Japão não nos contou de Pierre Harbaugh e acabou nos surpreendendo? Rapaz, a cara da primeira-ministra do Japão, ela, meu Deus do céu, eu fiquei constrangido por ela nas imagens. Eu falei, meu Deus do céu, como é que você recebe a primeira-ministra do Japão e manda uma dessa? Não, por que o Japão não nos contou sobre Pierre Harbaugh? Por que o Japão nos surpreendeu com Pierre Harbaugh? Rapaz, é Donald Trump.

na sua essência, diante ali de grandes lideranças internacionais. Lembrando que foi o Donald Trump que recebeu o Friedrich Merz, o chanceler alemão, no Salão Aval da Casa Branca, e tentou zoar. A palavra é essa, né? Tentou dar uma zoada, dizendo que, ó, ganhamos de vocês na Segunda Guerra, hein? Ganhamos de vocês. E a resposta do Merz naquele momento foi, pô, ainda bem, né? A gente ficou feliz se vocês ganharem e tal. Como é que deu a desmontada?

Comecei a cara do Trump, né, Daniel? Pô, ia atacar a gente aí como se fosse o mesmo Japão, né? A mesma coisa, como se fosse ainda o Japão.

Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Tem curso sobre Japão, lá no Petit Cursos. Acessa lá, petitcursos.com.br para você saber mais sobre Japão, história japonesa, cultura japonesa. Está tudo lá. Tenho certeza que vai te interessar muito. Como, aliás, os outros temas aqui do Petit Jornal também estão lá no Petit Cursos. Você quer saber mais sobre Irã? Quer saber mais sobre mercado de petróleo? Sobre mercado de energia?

Você quer saber sobre os países do Golfo? Tudo isso está lá no Petit Cursos. Acessa lá, petitcursos.com.br. A hora é essa, Daniel.

A hora para você entender o que está acontecendo com o contexto, com mais tempo, com imagem, com mapa, com análises completas e aprofundadas, é agora. Acesse lá, petcursos.com.br. Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petronal, o nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petronal é uma mídia pequena, um trabalho artesanal e a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo fundamental para a continuidade do nosso projeto.

sempre registramos aqui o nosso agradecimento. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma maneira prática, instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você também pode ativar o Pix Recorrente. A chave está no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã de manhã estamos de volta com o Petit Invento.

Veste, que vai naturalmente para o feed do seu podcast. Na segunda-feira tem mais bate-papo. Nos vemos. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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