Ormuz: quem pode passar? BP 1039
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O Estreito de Ormuz registra queda de cerca de 60% no fluxo de petróleo desde o início da guerra, refletindo o aumento do risco para o transporte marítimo na região. No episódio analisamos como a passagem tem se tornado seletiva, com alguns países negociando diretamente com o Irã para garantir a travessia de seus petroleiros, caso da Índia, enquanto outros enfrentam restrições e custos cada vez maiores para operar no Golfo.
Também discutimos a posição de países da OTAN, que negam intenção de ajudar os Estados Unidos em uma operação para reabrir o estreito, ampliando as dúvidas sobre a coordenação ocidental no conflito. Falamos ainda sobre a grave crise energética enfrentada por Cuba.
Na Geleia da Shakira, políticos dinamarqueses chamam atenção ao fazer campanha eleitoral em saunas.
#OrienteMédio #EstreitoDeOrmuz #Petróleo #Energia #Geopolítica
- Crise energética do Golfo Pérsico e Estreito de OrmuzQueda de 60-70% nas exportações de petróleo · Redução de 25 milhões para 7-9 milhões de barris/dia · Impacto diferenciado por país · Fechamento não é completo · 20% da oferta petrolífera mundial afetada
- Negociações Índia-Irã para passagem de navios22 navios indianos e 600 marinheiros presos no Golfo · Apreensão de 3 tanqueiros iranianos em fevereiro · Transferência ilegal de petróleo em alto mar · Pragmatismo da política externa indiana · Dependência energética índia (60% de petróleo, 90% de gás) · Negociação bilateral para liberação
- Resposta da OTAN à abertura do Estreito de OrmuzRecusa da Alemanha de participar · Posição da Itália sobre risco de escalada · Liderança grega da missão Áspides · Condicionalidade britânica · Recusa de outros países europeus · Isolamento de Trump perante aliados
- Crise energética em CubaApagões generalizados afetando 11 milhões de pessoas · Terceiro apagão em 4 meses · Rede elétrica deteriorada · Nenhum carregamento de petróleo há 3 meses · Dezenas de milhares de cirurgias adiadas · Embargo estadunidense e falha no fornecimento da Venezuela
- Bloqueio EUA-CubaTrump fala sobre 'tomar' Cuba · Embargo energético como estratégia · Permissão para cubanos no exterior investirem em Cuba · Risco existencial para regime de Díaz-Canel · Incêndio/invasão da sede do Partido Comunista · Sinais de descontrole do regime
- Crise Energética EuropaProposta de aumentar emissões de carbono · Subsídios para indústria europeia · Dependência de EUA e Noruega · Descomissionamento de usinas nucleares · Divergências internas entre países europeus · Gastos históricos (500 bilhões em 2022)
- Crise Energética GlobalDéficit de 15-16 milhões de barris/dia no mercado · Pressões inflacionárias esperadas · FED desacelerado em redução de juros · Banco Central do Brasil reduz juros mais lentamente · Crescimento mundial reduzido para 2026 · Trump enfrenta dificuldade em justificar custos da guerra
- Campanha eleitoral em saunas na DinamarcaCandidatos dinamarqueses em saunas · Ambiente descontraído para interação · Banhos em água gelada · Humanização e proximidade com eleitores · Prática comum na Dinamarca · Informação versus formalidade
Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo 1039. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 15 minutos da segunda-feira, 16 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de corta em vírgula ou bagdade animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado em 15%.
e muito preocupado com o cenário internacional cada vez mais incerto, pantanoso e preocupante. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos falo ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá para esse bate-papo 1039, o segundo episódio dessa segunda-feira. Para vocês terem ideia, gente, a gente faz um episódio na segunda-feira de manhã
temos do final de semana. E já é tema pra caramba que a gente tem que falar aqui pra conseguir atualizar. E chega na segunda-feira à noite, a pauta já está cheia de novo. Já tem coisa pra caramba pra falar. Então fica aqui esse segundo episódio, nesse horário já tradicional, né, Daniel, da segunda-feira à noite. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente. Muito obrigado pela sua presença junto com a gente. Você que acompanha a gente pelo YouTube, você que acompanha a gente pelo podcast. Sejam todos bem-vindos. E, Daniel, um dos assuntos que a gente tem que tratar
Claro que a gente não está dizendo que esse é o assunto mais importante, a questão humana, a questão da estabilidade é fundamental, mas claro, a questão energética global não pode ser ignorada. É um dos temas centrais quando a gente fala sobre o impacto global dessa guerra. Como é que a gente pode mensurar o impacto até agora, Daniel? As exportações foram prejudicadas, não foram? O que você pode falar sobre isso? Aqui temos atualizações em relação ao volume de exportações de petróleo do Golfo Pérsico ao longo dessas últimas semanas.
E aqui, claro, a gente está falando de uma estimativa, caíram entre 60% e 70% em comparação com fevereiro, segundo dados de navegação e estimativas de estatísticos e de analistas. O Estreito de Hormuz, a gente sabe, concentra aproximadamente 20% da oferta de petróleo mundial.
Para a gente ter uma ideia, no mês de fevereiro, antes do conflito, você tinha ali algo em torno de 25 milhões de barris de petróleo sendo exportados todos os dias a partir do Golfo Pérsico. E até 15 de março, até o dia de ontem, essa média caiu para algo em torno de 9 milhões de barris de petróleo. Você tem uma outra estimativa da Vortexa que sugere que caiu para 7,5.
tem aí estimativas que não estão tão distantes assim uma da outra. Com a carência de dados que nós temos nesse momento e com a ocorrência de conflito, é o máximo que você consegue levantar em termos da dinâmica comercial que está acontecendo naquela região do planeta. É interessante também observar que os países acabaram sendo impactados de forma diferente. Nós temos um país como o Iraque, que foi muito impactado. O Iraque acabou tendo uma queda
de aproximadamente 70%. Os Emirados Árabes Unidos tiveram uma queda ali na casa de 50%, 50 e poucos por cento, e a Arábia Saudita foi menos impactada, foi a menos impactada ali da região, mas mesmo assim teve uma queda importante entre 20% e 30%. É óbvio que a gente vai ter que acompanhar isso em bases diárias, até para entender um pouco melhor como é que o mercado vai evoluir.
onde existe ali um fechamento do Estreito de Hormuz, mas esses números provam que o fechamento não é completo. Você tem tido aí alguma passagem de embarcações. Claro que uma queda de 60%, 70%, é uma queda super expressiva. Você está falando de menos 15, 16 milhões de barris de petróleo por dia chegando ao mercado internacional. Claro que isso não é pouca coisa.
que é um mercado de pouco mais de 100 milhões de barris de petróleo por dia. Portanto, é algo que a gente precisa observar e que traz consequências inflacionárias. Já está trazendo consequências em termos de expectativa de juros. Já se projeta que o FED não vai reduzir o juro na mesma velocidade que se acreditava. Já se projeta que o Banco Central do Brasil não vai reduzir a taxa de juros na velocidade que se projetava.
semanas de guerra, impactos reais sobre a economia. Já vamos aí refazendo as nossas contas e acreditando que o mundo, nesse ano de 2026, crescerá menos e terá mais inflação do que teria se essa guerra não estivesse acontecendo. E certamente o presidente Donald Trump, quando iniciou essa guerra, fez uma conta de que ela seria muito breve, muito rápida e não foi o que aconteceu. E agora ele está num certo atoleiro.
muita dificuldade para encontrar uma saída honrosa para os Estados Unidos ou algo que justifique o pesadíssimo investimento, os pesadíssimos gastos que foram realizados ao longo dessas últimas semanas. E não dá para voltar para casa e simplesmente dizer, então, não deu em nada, não conseguimos nada. O filho do líder supremo anterior é o novo líder supremo. O Irã fechou o estreito de Ormuz e não conseguimos fazer nada a respeito. Saímos desmoralizados.
Porque se o Trump realmente sai desmoralizado do Irã, ele perde a capacidade de enforcement e de pressão sobre outras agendas geopolíticas que ele eventualmente ainda tenha engatilhadas. Mas a gente tem que também observar o impacto sobre a economia mundial, porque isso pode ser devastador para a popularidade do Trump. A gente sabe que ao longo desses últimos anos, principalmente depois da pandemia,
eleitoral de oposições ao redor do mundo.
aparição. Então, segundo o secretário de defesa dos Estados Unidos, que está longe de ser a pessoa que traz informações mais fidedignas da face da Terra, ele estaria desfigurado que foi negado pelo Irã. Então, vamos aguardar para saber como é que está o Gustavo Khamenei. Enfim, em algum momento ele vai ter que aparecer. E aí, Daniel, quem está de olho nessa possibilidade de passar com seus navios pelos três de Hormuz é a Índia.
A gente fala sobre isso aqui episódio atrás de episódio. A Índia é um país que tem uma política externa que é
muito pragmática. Tem que negociar? Vai negociar. Tem relações boas com os Estados Unidos, se tiver que ter relações boas com a Rússia, com a China, com o Irã, vai ter. E a Índia, nesse momento, Daniel, tem 22 navios de bandeira indiana e mais de 600 marinheiros que estão presos no covo pérsico. Então, são navios, são instalações grandes, é uma equipe bastante grande, aliás, alguns marinheiros indianos, inclusive, já morreram em ataques
no Golfo Pérsico, em países do Golfo Pérsico. E, portanto, o Irã começou a negociar com a Índia. Ô Índia, quer que seus navios passem? Tem jogo. A gente consegue negociar. E a Índia falou, olha, vamos negociar então. O Irã tem algo a pedir para a Índia. Em fevereiro desse ano, então mês passado, três navios tanque iranianos foram apreendidos em águas indianas. Segundo a Índia, esses três tanqueiros estavam escondendo
as identidades para não serem impedidos de atuar. A gente sabe que há sanções pesadas contra o trânsito de petróleo iraniano e, portanto, esses navios teriam dado uma maneira de não serem identificados como indianos e estariam, inclusive, fazendo transferência de combustível, de petróleo, de um navio para o outro em alto mar sem autorização do governo indiano, que era exatamente para onde esse petróleo iria. Isso é ilegal e, portanto, o governo indiano foi lá e apreendeu
Então, nesse momento, Daniel, você tem uma negociação. A Índia evita falar no quiprocó, quase que não sai, numa troca. Então, eu te entrego esses navios e você deixa os navios chegarem até mim. Mas o fato é que a Índia está de olho na possibilidade, uma vez que não está 100% fechado, se você me garantir a segurança dos meus navios para chegarem até aqui, a gente está disposto a aceitar.
E esse é um ponto importante quando a gente fala sobre o estreito de Hormuz está fechado. Muitas pessoas perguntam assim, mas está fechado como? O que significa estar fechado? Estar fechado significa que países que não tiverem autorização para passarem por ali tendem a não passar porque o risco é alto demais. Se você tem algum navio que tenha autorização formal do Irã de, olha, pode passar, está tranquilo, nada vai acontecer com você, você aceita. Um tanqueiro, obviamente, é uma bandeira de um país que está...
contra o Irã, é melhor não passar porque o prejuízo é alto demais. Então a Índia está se colocando numa posição que está longe de ser uma posição estranha para a política externa indiana, que é, Irã, vamos negociar. Grande parte do petróleo que a Índia consome, claro, uma parte enorme vem da Rússia, mas uma outra parte gigantesca vem exatamente do Golfo Pérsico. 60% do petróleo indiano vem do Golfo Pérsico, pelo menos vinha até o mês de fevereiro. E é mais ou menos o seguinte, a Índia dizendo, olha,
Gente fina, não tenho nada a ver com isso. Essa guerra não é minha, essa confusão não é minha. Deixa eu passar com os meus petroleiros pelo Estreito de Hormuz. É até uma forma também de você construir ali algumas possíveis alianças diante de um contexto onde o Irã está bastante isolado e muito pressionado. E não vão ser os Estados Unidos que vão falar assim, não, os navios indianos não vão passar. Porque os Estados Unidos vão colocar a Índia contra o governo americano. E aí também não é jogo para os Estados Unidos.
tenta articular para conseguir, olha, não tem nada a ver com isso, deixa o petróleo passar, gás de cozinha, por exemplo, 90% do gás de cozinha que a Índia importa vem do Golfo Pérsico, vem do Irã, então eu não quero saber, deixa passar, porque para mim vai ser importante. Agora, num mundo como esse, Daniel, num mundo conflagrado, complicado, você tem países que têm rivalidades entre si e tal, o mais importante para nós, para as pessoas comuns, é a gente poder garantir
e a nossa própria segurança e online, principalmente. Esse é um tema absolutamente estratégico e central para todos nós. É por isso que você que está me ouvindo, que está cronicamente online, precisa de uma VPN. E a gente traz para você a melhor das VPNs, que é a NordVPN. A NordVPN garante que você tenha acesso à internet a partir de 8.300 servidores em quase 130 países. E você pode, com a NordVPN, proteger 10 dispositivos
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falou que os Estados Unidos estavam se sentindo meio decepcionados, essa foi a maneira pela qual o Trump trouxe a ideia, porque ele estava pedindo ajuda para abrir o Estreito de Hormuz. Basicamente, os Estados Unidos iniciaram uma guerra, essa guerra leva o Irã a ter como reação a reação mais esperada de todos, todo mundo sabia que ele ia fazer isso, que é fechar o Estreito de Hormuz, e isso gera, portanto, uma pressão gigantesca sobre o mundo todo, sobre a economia global, inclusive sobre a economia dos Estados Unidos e a popularidade de Donald Trump.
começa a dizer que todo mundo tem que se engajar numa solução para essa questão e tem que me ajudar a abrir os treinos de almoço e pedir ajuda até da China. Hoje, Daniel, a gente teve uma sequência de respostas de países da OTAN. A gente não está falando de países quaisquer, a gente está falando de países da OTAN. A Alemanha, por exemplo, a maior economia da Europa, falou por meio do ministro da Defesa, o Boris Pistorius, que o seguinte, não consultaram a gente em momento algum sobre essa guerra,
não iremos para essa guerra. A gente não vai entrar nesse conflito, não temos nada a ver com isso. E que a poderosa marinha dos Estados Unidos... Eu gostaria dessa daqui, Daniel, porque envolveu uma certa ironia que tem que ser usada num momento como esse. Tenho certeza que a poderosa marinha dos Estados Unidos vai conseguir abrir o estreito por conta própria e não vai ser um punhado de fragatas europeias que vai fazer a diferença. Precisamos voltar com a ironia na diplomacia global, Daniel.
coisa muito mais interessante, muito mais temperada, muito mais maravilhosa. Então, tenho certeza, Daniel, que eles não vão precisar de um punhado de fragatas europeias. São os Estados Unidos, né, Daniel? Eles vão dar o jeito deles lá. Mais ou menos, a mensagem foi mais ou menos parecida com a da Itália. Matheus Salvini, o vice-primeiro-ministro da Itália, disse que enviar navios para uma zona de guerra seria interpretado como entrar formalmente no conflito, algo que a Itália não pretende
de fazer. Outra que se manifestou também foi a chefe da política externa da União Europeia, a Kaja Kalas, que disse que gostaria de replicar ali no Estreio de Hormuz mais ou menos o que foi feito naquele acordo para o escoamento dos grãos na Ucrânia, o que parece para mim, Daniel, uma ilusão completa, uma alucinação. Imagina, o Irã quer exatamente garantir que ele vai controlar quem vai passar por ali e não que você tenha um acordo que, enfim, o petróleo passe de qualquer maneira. E a União Europeia está discutindo, inclusive, Daniel, alterar
mandato da missão Áspides. Só para te lembrar o que é essa missão Áspides, é uma missão liderada pela Grécia que faz a escolta de navios que querem passar pelo Strait Babel Mandeb. O Strait Babel Mandeb é aquele que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Adem, que é ali onde você tem o controle dos roots, ali você começa a ter problemas de ataques a navios, e essa missão Áspides, que é de fevereiro de 2024, ela faz a escolta de navios que tem que passar por ali, que é uma rota importantíssima também. A Grécia falou assim,
camarada, não tenho nada a ver com isso, eu estou liderando a missão Áspedes, que é aqui no Golfo de Adem, aqui no Mar Vermelho, não vai pegar essa missão e botar em Golfo, pelo amor de Deus, eu não tenho nada a ver com isso, você leva essa tentação para lá. E o recado também foi dado, mais ou menos, Daniel, pelos britânicos, os britânicos estão sendo muito questionados pela sua relutância, isso aqui também é fantástico, Daniel.
O Reino Unido falou o seguinte, não, podemos mandar fragatas sim, podemos mandar navios,
desde que haja uma desescalada. Mas se tiver desescalada, não precisa mais. A lógica do Trump é exatamente essa. Preciso que vocês mandem agora para forçar uma desescalada. E foi mais ou menos um recado também da Dinamarca, dos Países Baixos. Ou seja, Daniel, o Trump maltratou tanto a OTAN que nesse momento a OTAN, todos eles individualmente estão dizendo, ô camarada, você se vira aí que eu não tenho nada a ver com isso. Tanguy é muito maldoso.
Imagina, o Reino Unido não quer mandar os seus navios de guerra se estiver muito perigoso, Tanguy. Qual o problema disso?
mandar. Perigo danado, né, Daniel? Tem razão, tem razão. Míssel para lá, míssel para cá, drone, meu Deus do céu, os meninos podem se machucar, os milicos do Reino Unido, então não é favorável, numa situação como essa, você mandá-los para uma zona de guerra. Aliás, a União Europeia, através da sua líder, a líder da Comissão Europeia, a Ursula von der Leyen, ela enviou, no dia de hoje, uma carta aos líderes europeus com propostas que serão discutidas em uma cúpula,
em Bruxelas. Propostas para tentar aliviar os impactos da pressão inflacionária causada pelo aumento do custo da energia. Entre as propostas, Tanguy, veja você, está permitir mais emissões de carbono. Alô, Europa! Quer dizer que quando o negócio apertou, vocês já estão querendo emitir mais carbono, é isso mesmo? Não foi a primeira vez, inclusive, hein? Quando começou a guerra da Ucrânia, começou um tal dinâmico, o carvão não é tão ruim assim, o carvão para cá, o carvão para lá.
Estamos só anotando, Europa. Estamos só anotando aqui. Aliás, além dessa ampliação das possibilidades de emissão de gases de efeito estufa, nós temos também a possibilidade de ampliação da ajuda estatal às indústrias para que elas não sofram tanto o impacto do aumento do custo da energia. Na prática, a gente está falando de subsídios a serem oferecidos para a indústria europeia.
aumentou em poucas semanas cerca de 6 bilhões de euros. A União Europeia continua altamente dependente de importações de combustíveis fósseis, principalmente dos Estados Unidos e da Noruega. Noruega, que a gente sabe, não faz parte da União Europeia. E, como sempre, Europa sendo Europa, está uma pancadaria dentro do bloco, porque países como a Itália já estão defendendo rasgar essas regas.
com esse negócio, porque não pode emitir. Vocês estão malucos? Vocês estão malucos diante de um conflito como esse? Vou ficar aqui preocupado e tal. Do outro lado, nós temos países nórdicos, principalmente, como é o caso da Suécia e tal, dizendo, ô gente, não, calma, vamos devagar, afinal, temos aí questões climáticas que precisam ser levadas em consideração. Obviamente, os nórdicos também estão um pouco mais distantes da confusão, digamos assim, e tem ali também uma outra realidade,
em diferentes dimensões. Mas existe o temor de que, caso a Europa demore muito em adotar ações para enfrentar esse problema, a conta vá aumentando e aumentando de tamanho. Na crise energética de 2022, aquela causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, os europeus acabaram gastando mais de 500 bilhões de euros em apoio, em subsídios, em auxílios das marcas
mais diferentes naturezas, com o objetivo de tentar mitigar o aumento do custo de energia naquele momento. Lembrando que a Europa é cronicamente dependente da importação de energia. E a Europa, inclusive a gente chegou a destacar que em outro momento, ela também adotou uma decisão bastante equivocada, se mostra bastante equivocada nesse momento, de descomissionar usinas nucleares, principalmente na Alemanha, que é a maior economia da região,
aumentado demais a sua dependência de alguns fornecedores que se mostraram perigosos, como foi o caso da Rússia. Claro que isso mudou depois de 2022 para cá, mas também foi uma escolha energética bastante errada que os europeus acabaram tomando com o passar dos anos. Daniel Souza, os Estados Unidos têm algumas dores de cabeça, na visão deles, claro, de países que eles consideram que são apoiadores do terrorismo, financiadores do terrorismo. Então você tem ali a Venezuela,
um inimigo e tal, os Estados Unidos foram lá e tiraram o presidente do país. Aí você tem o Irã, aí está sofrendo com esse ataque agora, enfim, mataram o líder supremo. Você tem a Coreia do Norte, que aí não tem muito como chegar, tem bomba nuclear e tal. Você tem a Síria, que mudou o governo, aí os Estados Unidos vão lá e se aproximam do governo. E nesse resta um, Daniel, tem um país aí que está olhando para isso tudo e falando, pelo amor de Deus, o que vai acontecer comigo? Que é Cuba, né, Daniel?
um cenário de preocupação. E, aliás, Daniel, para levantar essa bola para você, o Trump acabou de falar, isso tem alguns poucos minutos, que seria uma honra assumir o poder em Cuba durante o seu mandato. E Cuba está numa situação energética muito complicada, né, Daniel? Conta para a gente aí. Aliás, Tanguy, o que ele disse foi o take in Cuba. Não é uma ideia de libertar Cuba, não é uma ideia de, de alguma forma, redemocratizar Cuba, nada disso. A ideia é tomar Cuba, num modelo semelhante, talvez, ao que aconteceu
com a Venezuela há poucas semanas. De qualquer maneira, a gente está falando em uma ilha caribenha liderada por Miguel Dias Canel, que na última sexta-feira sugeriu ali que estava disposto a negociar, a conversar com os Estados Unidos em busca de uma alternativa para sair dessa crise. Cuba enfrenta no dia de hoje um apagão em toda a ilha, afetando cerca de 11 milhões de pessoas
O Ministério de Energia e Minas de Cuba informou que houve uma desconexão completa da rede elétrica e o terceiro grande apagão em quatro meses. A rede elétrica cubana está fortemente deteriorada, com usinas e infraestrutura muito além da vida útil. O presidente Miguel Dias Canel afirmou que o país não recebe carregamentos de petróleo há três meses, operando apenas com energia solar,
natural e usinas termoelétricas. A escassez obrigou o governo a adiar dezenas de milhares de cirurgias. O governo cubano atribui parte da crise às sanções dos Estados Unidos e o fornecimento de petróleo da Venezuela, quando também interrompido, acabou agravando ainda mais a crise energética no país. Em meio à crise, o vice-primeiro-ministro de Cuba, Oscar Pérez Oliva Fraga, anunciou que Cuba planeja
permitir que cidadãos que vivem no exterior investam e possuam empresas no país. A medida poderá incluir cubanos residentes nos Estados Unidos e seus descendentes, algo historicamente sensível para o governo de Havana. Afinal, esses expatriados, esses que fazem parte justamente da diáspora cubana, principalmente nos Estados Unidos, são essencialmente opositores do regime. E na medida em que eles começam a ter propriedades em Cuba,
que eles começam a ter influência e poder em Cuba. Isso é um perigo existencial para o regime liderado pelo Miguel Dias Canel. Mas a situação é tão grave que o regime se sente, nesse momento, sem alternativas. E o Donald Trump, no caso de Cuba, apostou que o embargo energético vai fazer o regime cair. Nós tivemos, inclusive, a sede do Partido Comunista Cubano sendo incendiada há poucos dias, invadida há poucos dias.
mostra aos poucos sinais graduais de um certo descontrole por parte do regime no que diz respeito à sua própria população. E a tendência, é claro, é que as pessoas fiquem cada vez mais irritadas em função dessa degradação acelerada da sua qualidade de vida e possam se voltar contra o regime. Pelo menos essa é a aposta do Donald Trump. O fato é que o regime cubano está ficando sem alternativas dentro de um contexto
Trump resolveu apertar o cerco contra Cuba. Ô Daniel Souza, eu fiquei impactado com a geleia que você trouxe hoje no episódio pela manhã, que você falou que o pessoal está usando sapato maior porque o Trump dá o presente e não tem como recusar. Fiquei pensando também por que eles não compram o sapato do tamanho deles, o usam e dizem que foi o que o presidente deu, que o presidente certamente acertou o tamanho. Mas eu queria saber se tem geleia agora de noite também ou se você esgotou, Daniel, porque está difícil, viu? Tanguy, as geleias são inesgotáveis.
Na gelé da Shakira desse episódio noturno aqui do Petit Jornal, eu trago a campanha eleitoral na Dinamarca. Sim, na Dinamarca, Tanguy. A Dinamarca, que está envolvida com confusões com os Estados Unidos por conta da Groenlândia, está diante de uma campanha eleitoral. Eu quero destacar que os candidatos dinamarqueses... A Dinamarca é um país muito evoluído, né, Tanguy? Eu sempre fico muito impressionado com o nível de evolução deles.
nas saunas, tirando a roupa e fazendo campanha dentro das saunas dinamarquesas. É uma campanha de espida. Então, eles entram, dão um mergulho ali na água gelada e tal, na sauna, depois ficam ali tomando a sua sauna, etc., conversando com eleitores. A ideia, a proposta, é que os políticos dinamarqueses sejam vistos como seres humanos reais e relaxados, facilitando conversas informais e criando um ambiente de proximidade que não
Seria possível em grandes comícios. Essa prática não é vista como estranha na Dinamarca, onde é comum ver ministros e políticos em supermercados, cinemas ou saunas. Então, é assim, Tanguy, você é candidato, é candidata na Dinamarca, não tem problema. Estamos falando aqui ainda do inverno, final do inverno. Vai para uma sauna, entra na sauna, toma ali um banho engelado, senta ali, fica conversando com os eleitores, circulando por ali, porque é um ambiente descontraído, Tanguy.
Eu queria que os nossos... Eu vou estragar o dia de todo mundo, Daniel. Eu queria que os nossos ouvintes fechassem os olhos e imaginassem a campanha eleitoral presidencial. Eu não vou nem ampliar, tá, Daniel? Não vou falar aí de deputado e tal, porque eu acho que amplia muito. Mas presidencial, como é que seria se você tivesse que debater com um candidato ou com algum
com os candidatos à presidência, dentro de uma sauna, imaginem e vem comigo, porque a minha semana já estragou com essa informação que Daniel trouxe nessa geleira chaqueta. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria reiterar o nosso agradecimento a todo mundo que está junto com a gente. Muito obrigado pela sua presença. Dá uma olhada, aliás, se você está inscrito no canal do Petit Jornal no YouTube, se você se inscreveu no Petit Jornal, no podcast, qualquer que seja ele, qualquer que seja a plataforma que você utilize, para a gente ser muito importante,
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