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Irã mobiliza seus aliados - BP 1037

13 de março de 202632min
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O Irã amplia a dimensão regional da guerra ao mobilizar aliados como Houthis, Hezbollah e outros grupos que passam a agir de forma coordenada com Teerã. Discutimos também a disputa de narrativas sobre o Estreito de Ormuz, que segundo o Irã permanece aberto para navios iranianos, mas não para embarcações de Estados Unidos, Israel e aliados. A Agência Internacional de Energia alerta que o conflito já provocou o maior choque de oferta de petróleo da história, enquanto a inteligência americana avalia que o regime iraniano segue estável apesar da guerra.
Também analisamos a estratégia dos Estados Unidos, com Donald Trump afirmando que a alta do petróleo pode beneficiar a economia americana, embora a prioridade seja impedir o avanço do programa nuclear iraniano. Falamos ainda da posição do Irã na ONU sobre Ormuz, do custo da guerra para Washington e da revelação de que uma escola iraniana atingida no início do conflito foi alvo de um míssil dos EUA.
Na Geleia da Shakira, a China viraliza com um vídeo feito com inteligência artificial que zomba de um encontro de Trump com líderes das Américas.
#OrienteMédio #Irã #Petróleo #EstreitoDeOrmuz #Geopolítica
Assuntos15
  • Estreito de OrmuzControle absoluto pelas forças iranianas · Bloqueio seletivo de navios · Exigencia de coordenação com Teerã · Comparação com choque de 1973 · Navegação sob permissão
  • Petroleo Economia GlobalInterrupção de 10 milhões de barris/dia · Escalada do preço para $100 · Maior crise de fornecimento da história · Tempo de recuperação indeterminado · Impacto inflacionário global
  • Aliancas Regionais IraKhamenei como novo lider supremo · Hezbollah · Houthis · Milícias xiitas iraquianas · Coordenação de ataques · Eixo da resistência
  • Política de TrumpPlanejamento da guerra com empresários · Falta de saída clara planejada · Lucro americano com petróleo caro · Objetivo de impedir programa nuclear · Incerteza sobre viabilidade
  • Conflito Irã-EUA200 mísseis e 20 drones · Estratégia de desgaste da defesa · Custo de interceptação · Objetivo de estresse operacional · Baixa taxa de penetração
  • Custo financeiro para os EUA$11,3 bilhões já gastos · Pedido de $50 bilhões adicionais · Sustentabilidade orçamentária · Pressão sobre Congresso
  • Risco de escalacao regionalEfeito dominó entre aliados americanos · Fechamento simultâneo de rotas comerciais · Impossibilidade de controle americano · Duração indefinida do conflito
  • Conflito EUA-IrãLiderança intacta conforme inteligência dos EUA · Controle do país mantido · Ausência de risco de colapso · Capacidade de resistência prolongada
  • Ataques Houthis Mar VermelhoAbdul Malik al-Houthi sinalizando bloqueio · Impacto nas exportações sauditas · Rota alternativa do petróleo comprometida · Dupla compressão de rotas
  • Ações de milícias xiitas iraquianas31 ataques em 24 horas · Grupos pró-Irã se mobilizando · Sinalização de coordenação com Teerã · Aumento de visibilidade
  • Inflação e Política MonetáriaAumento instantâneo de preços de combustível · Efeito cascata em setores dependentes de energia · Redução do poder de compra · Irritação do consumidor americano
  • Ataque a escola iraniana em Minabe150 estudantes mortos · Confirmação de míssil Tomahawk americano · Base de mísseis alegada como justificativa · Possível crime de guerra
  • Alerta do FBI sobre ataques à costa oesteDrones iranianos potencialmente posicionados · Possível colaboração com cartéis mexicanos · Risco para cidades americanas · Informações antigas não atualizadas
  • Petroleo IraDados de rastreamento por satélite · 1,1 a 1,5 milhão de barris/dia · Manutenção de volumes produtivos · Validação de controle iraniano
  • Suspensao de producao de gas natural israelenseAmeaças a plataformas no Mediterrâneo · Interrupção de fornecimento para aliados · Efeito dominó em Egito e Jordânia · Restrições energéticas regionais
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1037. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 21 horas e 25 minutos da quinta-feira, 12 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, Obagdad. Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente.

retumbante, tarifado em 15%. E muito preocupado. O professor Bagdadi está preocupadíssimo com o cenário internacional. Tem tido noites de insônia e ele acaba desabafando conosco aqui todos os dias no bate-papo do Pet Journal. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá.

esse bate-papo 1037. Mais um Daniel de agitadíssimo no cenário de guerra. Mais uma vez, obviamente vai dominar a nossa pauta aqui. Deixo as boas-vindas, Daniel, a todo mundo que acompanha a gente, pessoal que acompanha a gente pelo YouTube, quem acompanha a gente pelo podcast. Sejam todos muito bem-vindos. Se você está chegando agora, tem muita gente chegando agora por causa do cenário de guerra, o que é natural, lembre de se inscrever no canal do Partido Jornal no YouTube. Se inscrever, se você ouve a gente pelo Spotify, Apple Podcast,

podcast Addict, onde quer que seja, siga o canal do Petit Jornal, porque isso faz o nosso podcast chegar a mais gente, o trabalho que a gente desenvolve aqui, e isso pode ajudar muito, de fato, a fazer o Petit Jornal. Daniel, antes de a gente começar a nossa pauta, eu só queria dar um recado que eu acho importante para os nossos ouvintes saberem. Vocês sabem que nós somos parceiros da Alura, a maior escola de tecnologia do Brasil.

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um narrador na televisão, e que disse que o Irã vingará o sangue dos seus mártires e que manterá o Estreito de Hormuz fechado como um instrumento de pressão sobre o inimigo. A gente vai falar sobre o Estreito de Hormuz daqui a pouquinho, porque tem uma pequena mudança na maneira pela qual o Irã está se referindo ao Estreito de Hormuz, mas me chamou a atenção, Daniel, que essa foi a primeira manifestação de Mostaba Kamenei, exatamente no tom que a gente estava falando desde que ele foi escolhido,

não é um tom de conciliação com os Estados Unidos e Israel, não é um tom de vamos negociar, não é um tom de por favor, parem de nos atacar, ou então vamos para a mesa de negociações, ou então vamos fazer a paz, não é. Aliás, a gente já falava sobre isso, Daniel, a ideia que se tinha no momento em que Mostaba Ramenei foi escolhido como novo líder supremo é exatamente uma de uma postura muito aguerrida do Irã em direção à resistência perante

o ataque de Estados Unidos e Israel. E aí, em parte, Daniel, a mensagem que ele escreveu, ela dá uma série de recados também para os aliados regionais do Irã. E esse aqui é um ponto que agora, Daniel, me parece que vai começar a ser central nessa guerra. Eu tenho a impressão, Daniel, de que os Estados Unidos, quando planejaram essa guerra, imaginaram que podia ser uma guerra que eles sabiam o momento no qual a guerra ia terminar.

poderiam controlar, né, Tanguy? Poderiam controlar o momento que a guerra terminaria. Uma série de informações que vem de Washington, aliás, Daniel, começam a dar conta de que a decisão de começar a guerra não foi nem tomada por funcionários de carreira, por exemplo, do Departamento de Estado ou do Departamento de Defesa. Foram decisões tomadas a portas fechadas por Trump com empresários. Empresários que muitas vezes têm uma série de interesses no Oriente Médio, têm uma série de interesses com relação ao petróleo, têm uma série de diversos interesses que não necessariamente são os interesses

dentro dos próprios Estados Unidos, tanto é que o público americano não está lá muito satisfeito com essa guerra, está achando que é uma guerra lá longe, está gastando um dinheiro, uma grana e tal, e está prejudicando, por exemplo, quando sobe o preço da gasolina, pelo fato de que você tem uma crise relacionada ao petróleo. E um dos elementos que o Irã tem nas suas mãos para prolongar essa guerra, além do que os Estados Unidos podem desejar, é a velha estratégia iraniana de espalhar seus aliados,

pela região. Não é de hoje, Daniel. O que me impressiona é que as pessoas se surpreendam com essa estratégia. Desde 1979, quando aconteceu a Revolução, o Irã sabia que era um país isolado, não tem muitos outros países aliados na região, como até hoje não tem. São poucos, tem um ou outro, tinha a Síria, que também já não é mais e tal. Então o que o Irã fez foi criar, se juntar com grupos aliados. Então em 82 foi lá e financiou

a partir de um determinado momento começa a ter uma proximidade maior junto ao Hamas, vai ter os rutsis no Iêmen, você vai ter grupos xiitas pró-Irã no Iraque, você vai ter grupos pró-Irã na Síria, e são exatamente esses grupos que estão sendo convocados por Mostaba Khamenei no seu discurso. Não por acaso, Daniel, a gente teve pela primeira vez na história um ataque combinado de Hezbollah e da guarda revolucionária do Irã contra Israel.

O grupo libanês, por exemplo, o Hezbollah, disparou 200 mísseis e 20 drones contra Israel. É verdade que pouquíssimos deles chegaram ao território israelense. Uma boa parte deles, quase todos, foram interceptados. E não importa. A lógica do Hezbollah, e isso está sendo dito inclusive por fontes lá no Líbano, o objetivo do Hezbollah não é necessariamente com esses ataques atingir o território israelense, mas é levar a um estresse, a um cansaço da defesa israelense.

interceptar um míssil ou um drone, muitas vezes de baixo custo, você está utilizando armamentos que podem fazer falta depois. Então você vai testando o tempo de reação, você vai cansando a defesa israelense até chegar num ponto no qual finalmente você consiga algum êxito. A gente tem, por exemplo, no Iraque, Daniel, milícias chiitas iraquianas realizando 31 ataques nas últimas 24 horas. A gente estava ouvindo falar pouco desses grupos. Grupos

pró-Irã no Iraque, que estão lá há bastante tempo, têm um contato constante com o governo iraniano, estavam sendo muito discretos. Agora já começam, portanto, a agir, já começam a se mostrar presentes, o que gera, portanto, um tensionamento. E o que mais me chamou a atenção foi que a gente começou a ter sinais de que quem vai entrar nesse conflito, e, aliás, eu achei até que estava demorando, são os rutes no Iêmen. O fato, Daniel, é que você tem o líder dos rutes, que é o Abdul,

Malik al-Ruti, que sinalizou que pode interromper a navegação ao redor da Península Arábica. Por que isso é importante, Daniel? Porque uma parte do petróleo saudita, que normalmente seria escoado pelo Golfo Pérsico, e não vai porque o Estreio de Hormuz está interrompido, e a gente vai falar sobre o Estreio de Hormuz daqui a pouquinho, foi redirecionado em direção ao Mar Vermelho. Ora, Daniel, se você fecha também o Mar Vermelho, porque se torna perigoso demais,

podem se tornar uma ameaça ainda maior no Mar Vermelho, a Arábia Saudita fica sem poder escoar seu petróleo para lugar nenhum. Lembrando que a Arábia Saudita tem pouquíssimos gasodutos que levam para fora da Arábia Saudita. Normalmente, o gasoduto vai levar a algum porto, ora no Golfo Pérsico, ora no Mar Vermelho. Ou seja, Daniel, o chamado eixo da resistência, sobre o qual a gente ouve falar há tanto tempo, ele está se mobilizando agora. O fato, Daniel, é que esse eixo da resistência está entendendo que,

acontecer alguma coisa com o regime iraniano, não vai sobrar nada dessa galera. O Hezbollah vai ser demolido, você não vai ter apoio para os ruts, você não vai ter apoio para esses grupos xiitas no Iraque, esses grupos Pó, Irã no Iraque. Então são grupos que estão de fileiras cerradas com o governo iraniano e isso pode sim levar essa guerra a se tornar muito mais incômoda do que vinha sendo até agora para Estados Unidos e Israel. Só um último detalhe, Daniel, eu te passo a palavra.

hoje que instalações de produção de gás natural israelense no Mediterrâneo são alvo. Israel teve que suspender a produção de gás natural por precaução. Ora, Daniel, se Israel para de produzir gás natural no Mediterrâneo, para de chegar a gás natural no Egito e na Jordânia, que são dois aliados americanos. Olha o tamanho do efeito dominó que isso aqui pode trazer e eu já não tenho mais tanta certeza, na verdade nunca tive, de que os Estados Unidos conseguem parar essa guerra na hora que eles, Estados

E no dia de hoje, Tanguy, circulou na imprensa a informação de que você tem alguns relatórios da inteligência dos Estados Unidos indicando que a liderança do Irã continua praticamente intacta. E as avaliações afirmam que o regime não corre risco imediato de colapso e mantém o controle sobre o país.

E é interessante também destacar que há poucos dias o Donald Trump descartou a possibilidade de utilizar uma incursão kurda proveniente do Iraque no Irã. O relatório, inclusive, sugere ali que o Donald Trump teria tomado essa decisão porque os kurdos não possuem armamento suficiente, não têm contingente militar para enfrentar as forças iranianas.

E também chamou muito a atenção que no dia de hoje nós tivemos a Agência Internacional de Energia afirmando que a guerra no Oriente Médio está causando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história. Países produtores do Golfo Pérsico estima-se que tenham diminuído a sua produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia.

Unidos e Arábia Saudita. A Agência Internacional de Energia destacou que retomar a produção normal de petróleo pode levar semanas ou até meses se a guerra fosse interrompida agora, o que não acontecerá. Afinal, para retomar a produção em níveis normais, você precisaria do retorno de trabalhadores aos campos petrolíferos, a restauração da

e da segurança na região. Quando a gente está falando da produção de petróleo, como qualquer outra indústria de grande volume, você tem ali uma série de peças e etapas que precisam ser coordenadas justamente para que a produção e a distribuição flua. Não é simplesmente chegar num poço de petróleo, apertar um botão, bombear para dentro de um navio e o navio segue viagem rapidamente. Não é assim que funciona.

navio chegando. Você precisa de reorganização da estrutura produtiva, dos trabalhadores. Você precisa reparar toda a logística e todos os equipamentos que eventualmente foram danificados. E confiança também, né, Daniel? E confiança, claro. E confiança também, né? Você tem que confiar que vai continuar fluindo, que vai funcionar, que não vai ter outra guerra daqui a duas semanas. E confiar significa botar dinheiro. Confiar significa você mandar um navio caro. Confiar significa reestabelecer o seguro daquele navio.

Confiar significa mandar os trabalhadores voltarem para que a produção possa ser restabelecida, reinvestir em equipamentos que tenham sido eventualmente danificados e manutenções necessárias para o restabelecimento da produção normal. No dia de hoje, nós tivemos o barril de petróleo voltando à casa dos 100 dólares, numa escalada importante. Afinal, a gente observa que não há nenhuma perspectiva dessa guerra ser encerrada no curto prazo.

Tanger, quando relatórios de inteligência acabam vindo a público, acabam tendo informações divulgadas, que pessoas que produzem esses relatórios, que certamente são experientes, pessoas experimentadas, que trabalham ali para o governo dos Estados Unidos, devem olhar para o presidente Trump e pensar o seguinte, presidente, o senhor realmente acha que todos os seus antecessores não cogitaram uma guerra contra o Irã? Você realmente acha que uma guerra contra o Irã não foi pensada antes de você?

Realmente acha que não havia motivos para os seus antecessores não avançarem nessa direção, excitarem muitíssimo nessa direção. O Trump é o primeiro presidente dos Estados Unidos a atacar o Irã, isso aconteceu no ano passado, e neste ano ele entra numa guerra frontal contra o Irã. Isso é muito sério, quer dizer, você está falando de um país poderoso que está tendo condições, não de enfrentar os Estados Unidos de igual para igual, mas permanecer no poder e, acima de tudo, desorganizar completamente uma região

exatamente estável e uma região que é super sensível para a economia mundial por conta da gigantesca produção de energia.

É um país, de fato, mais poderoso com o qual os Estados Unidos entraram em guerra desde 1945. E, aliás, Daniel, eu prometi que ia falar um pouquinho sobre Hormuz. Hoje a gente tem uma declaração do vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, que disse que o estreito de Hormuz não está tecnicamente fechado, mas está sob controle absoluto das forças iranianas. O que ele quis dizer com isso, Daniel, é que o Irã agora exige

deseje transitar pelo Estreio de Hormuz, coordene as suas ações com o exército iraniano, com o exército da República Islâmica e com a Guarda Revolucionária do Irã. Ou seja, o que ele está dizendo é, navios iranianos, por exemplo, vão continuar passando e vão ter mercado. Navios que levem o petróleo, por exemplo, para os Estados Unidos, para o Irã, para aliados desses, países do Golfo e que eventualmente sejam hostis a nós, a gente não vai deixar passar, ou seja,

exigência de uma permissão explícita de Teheran para que esses navios passem. Me lembrou muito, Daniel, o mecanismo que a OPEP tomou em 1973 no choque do petróleo. O choque do petróleo de 73, que seguiu a guerra do Yom Kippur, o momento no qual você teve uma daquelas guerras entre Israel e os países árabes, não foi a interrupção da venda de petróleo, foi eu vou vender petróleo para quem eu quiser. O Brasil, por exemplo, conseguia comprar petróleo. Países aliados dos Estados Unidos e aliados de Israel não

conseguiam e me parece que é mais ou menos esse o jogo que o Irã está fazendo por agora. E trazendo alguns dados, Tanguy, para tangibilizar o que você está dizendo, dados de rastreamento oferecidos pela tankertrackers.com, que acabam fazendo esse monitoramento por satélite do deslocamento de petroleiros naquela região, aponta que entre 28 de fevereiro e 11 de março, as exportações iranianas ficaram entre 1,1%

e 1,5 milhão de barris por dia, a depender ali também do dia. E claro que existe ali uma margem de variação dessas estimativas. Para a gente ter uma base de comparação, em 2025, a média de exportações iranianas foi de 1,6 milhão de barris. Ou seja, você está tendo ali uma oscilação entre 1,1 e 1,5. No ano passado, a média era de 1,6.

Houve impacto sobre a produção iraniana? Muito provavelmente sim. Houve impacto sobre as exportações iranianas? Muito provavelmente sim. Mas mesmo assim, o país está conseguindo manter ali níveis de produção e de exportação bastante satisfatórios, o que corrobora com essas argumentações que o governo iraniano vem trazendo, de que eles têm controle sobre o Estreito de Hormuz, e ao ter controle sobre o Estreito de Hormuz,

e quem não passa. E os navios iranianos, os petroleiros iranianos estão passando. Mais um elemento que ajuda a explicar um pouco desse contexto e da força do Irã. E, de novo, a gente falou sobre isso em episódios anteriores, até antes dessa guerra. O Irã ameaça fechar o Estreito de Hormuz há muito tempo. Meu Deus, o Irã fechou o Estreito de Hormuz, mas é sério? É sério que você não considerou essa possibilidade? É sério que você achou que você ia bombardear o Irã

E naquele momento o parlamento determinou o fechamento. Não foi fechado na prática, mas o parlamento votou e falou, vamos fechar. E o governo acabou resolvendo

de outra maneira, mas o fechar o Estrela de Hormuz está no léxico do Irã há muito tempo. É interessante também destacar como o Donald Trump é muito errático e ao longo desses últimos dias ele vai e volta, vai e volta, e em declarações recentes ele disse que a alta do petróleo pode gerar ganhos para os Estados Unidos. Isso é verdade, é verdade. Segundo ele, os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo, o que faz com que preços elevados aumentem as receitas

do setor energético americano, o que é verdade também. Os Estados Unidos são exportadores líquidos de petróleo. Eles importam petróleo e exportam petróleo, só que eles exportam mais do que importam. E o que acaba acontecendo é que os Estados Unidos realmente têm a maior produção de petróleo do planeta e isso beneficia empresas de energia dos Estados Unidos. Ele também apontou que a prioridade estratégica é impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

O que não está nem um pouco claro é que, através dessa guerra, o governo dos Estados Unidos vai conseguir atingir esse objetivo. E, claro, quando a gente está falando de alta do preço do bairro de petróleo, empresas de energia, petroleiras americanas vão ganhar mais dinheiro, vão ter lucros maiores, você tem ali a balança comercial americana sendo positivamente impactada. Agora, vai dar inflação, né? Vai dar inflação nos Estados Unidos. E a gente sabe como a inflação foi absolutamente mortal,

para a popularidade do Biden. Isso vai diminuir a affordability do americano, quer dizer, o poder de compra do americano. Isso vai irritar profundamente o americano. Aliás, já está irritando, porque no caso dos Estados Unidos, os reajustes nas bombas de combustível acabam sendo instantâneos conforme você vai tendo variações do preço do petróleo. Imagina, você chega no posto de gasolina, subiu a gasolina. Ah, meu Deus. Aí chega no dia seguinte, pô, subiu de novo.

no terceiro dia subiu de novo, ou então às vezes no mesmo dia chega a subir mais de uma vez. É algo muito irritante para o consumidor americano e traz também efeitos inflacionários em cascata, afinal o petróleo é insumo por uma série de setores, por uma série inclusive de mecanismos de transporte e por uma série de indústrias. Vai ter um efeito colateral pesado, o Trump sabe disso, deve estar preocupado com isso, mas ele achou ali que a guerra poderia ser resolvida

Rapidamente, como não está sendo resolvido, ele tem que buscar uma saída honrosa, ou então permanecer, e seja lá o que Deus quiser, até atingir os seus objetivos. Mas, de qualquer maneira, ele tenta pintar aí que a situação não é tão grave assim, que os Estados Unidos podem lucrar bastante com essa guerra. Por falar, aliás, nesse elemento financeiro, Daniel, que você estava comentando agora, a gente teve uma estimativa de quanto que a guerra já custou até agora para os cofres dos Estados Unidos. Daniel, 11,3 bilhões.

de dólares só nesse início agora. Você imagina quanto é que isso pode custar se você tem uma guerra mais prolongada. A gente está falando, Daniel, sobre algo que se assemelha ao PIB de Montenegro, por exemplo. Montenegro na Europa tem um PIB de mais ou menos 11,11 e pouquinho bilhões de dólares. Então, só para a gente dar uma noção da quantidade de dinheiro e isso vai acabar levando, portanto, a uma demanda por parte do Executivo de um financiamento adicional por parte do Congresso. Vai pedir uma autorização

Estimativas internas dizem que o governo pode pedir até 50 bilhões de dólares adicionais para poder sustentar o esforço de guerra. Outra informação, Daniel, a gente viu que naquele primeiro dia de guerra houve uma escola que foi atingida no sul do Irã, mais especificamente em Minabe. E a gente tem uma estimativa de que 150 estudantes tenham morrido. Eu lembro que na época, Daniel, teve uma série de discussões. Será que foi mesmo? Será que não foi o regime iraniano?

e tal, e começam a surgir uma série de evidências, Daniel, que mostram que não, foi provavelmente um míssel Tomahawk americano que atingiu em cheio essa escola com 150 crianças que morreram, que pereceram nesse ataque. Ao que tudo indica, ali naquela região havia uma base de mísseis da Guarda Revolucionária do Irã, mas que já não estava nesse lugar há muito tempo.

Era fácil você saber que ali era uma escola, mas de qualquer maneira o governo americano tentou, até agora não comentou e tudo, mas as imagens que se tem mostram que era sim um Tomahawk americano, foi um Tomahawk americano que atingiu essa escola. E um outro elemento, Daniel, que eu achei importante também, a gente teve ao longo dos últimos dias a divulgação de um documento que o FBI, esse documento diz que o FBI alertou os departamentos de polícia da Califórnia

tinha uma informação antiga e que, ao que a gente sabe até agora, não foi atualizado ainda, de que o Irã planeja um ataque surpreso utilizando drones contra a costa oeste dos Estados Unidos. Segundo esse relatório, o Irã teria presença pela região. Isso poderia estar em navios camuflados, então navios que eventualmente tivessem outra finalidade, mas se estivesse transportando drones iranianos e até mesmo junto com cartéis mexicanos.

já estariam na região esperando, teoricamente, o momento correto para fazer ataques contra cidades ou instalações importantes da costa oeste dos Estados Unidos. Segundo esse relatório que foi divulgado, não há novas informações sobre isso. Então não dá para saber se é uma informação que no fim das contas foi descartada, a gente achava que podia ter, mas no fim das contas nada mais apareceu, ou se simplesmente não se sabe muita coisa e esse ataque pode acontecer.

aberta, né, particularmente em estados da costa oeste dos Estados Unidos, que falam sobre a possibilidade do Irã ter recursos ali na região para eventualmente fazer ataques contra a costa oeste dos Estados Unidos, o que seria algo muito grande, né, Daniel? A gente vê que os Estados Unidos são países que, por conta das suas proteções naturais, né, o oceano de um lado, o oceano do outro, raramente são atingidos no seu território.

Foi por isso, aliás, que o 11 de setembro foi tão impactante, né, e mesmo assim não foi um país, né, foi um grupo, né, foi Al-Qaeda, que tinha ali, claro, o apoio do Talibã,

Naquele momento governava o Afeganistão, mas não era um país. Atacar os Estados Unidos, um país atacar os Estados Unidos, diretamente no seu território, a gente não vê desde 1941, desde Pearl Harbor. Não é comum que isso aconteça, mas enfim, há um estado de alerta. Inclusive o escritório do governador Gavin Newsom, da Califórnia, afirmou que está trabalhando ativamente com autoridades federais para proteger as cidades ali da Califórnia. Então, há algo a se ficar atento, não dá para saber se algo vai acontecer.

mas com a maneira o alerta já fala por si só, Daniel. Tanguy, terminamos aqui o nosso episódio com uma nota um pouco mais leve, a geléia da Shakira de hoje. Vamos embora, Daniel. O que você traz para a gente hoje? No último sábado, Tanguy, nós tivemos ali na Flórida um encontro que foi intitulado Escudo das Américas, um evento realizado pelo Donald Trump com líderes do continente considerados mais alinhados ao Washington, mais alinhados aos Estados Unidos. A ideia do evento,

era promover liberdade, segurança e prosperidade, combater cartéis, gangues e narcoterrorismo, enfrentar imigração ilegal, impedir interferência estrangeira no hemisfério. Tem nome e sobrenome. É República Popular da China. Pois bem, Tanguy, a conta da República Popular da China, ou melhor, da Embaixada da República Popular da China nos Estados Unidos, resolveu publicar um vídeo debochando dessa história.

feita com inteligência artificial e ironizando o encontro. O vídeo divulgado, ele mostra uma águia de cabeça branca, símbolo dos Estados Unidos, apertando um botão enquanto os membros que estavam ali participando da reunião, que eram animais, que eram pássaros brancos, muito indefesos, acabam sendo engaiolados pelos Estados Unidos, ou seja, por essa águia de cabeça branca, sugerindo, óbvio,

que os Estados Unidos estão querendo amarrar, prender, eliminar a liberdade desses pássaros menores, desses pássaros da região do continente americano. Eu acho interessante, Tanguy, porque agora a disputa internacional é através de vídeos de inteligência artificial. Aliás, o Irã tem produzido vários, inclusive, utilizando Lego, utilizando diferentes temáticas com o objetivo de tentar difundir a sua narrativa,

da história na guerra que nós temos observado nesses últimos dias. De qualquer maneira, temos aqui um vídeo, se você tiver curiosidade, vá lá no Instagram da Embaixada da China nos Estados Unidos, que o vídeo está lá disponível e você pode assisti-lo de forma completa. Essa águia de cabeça branca, malvada, que está engaiolando, prendendo pássaros brancos indefesos. Eu queria dizer, Daniel, que se a guerra agora for de meme, temos uma potência adormecida na América do Sul,

nesse tabuleiro, meu amigo. Não vai sobrar pedra sobre pedra, tá? Na hora que o Brasil começar a fazer videozinho, dando indireta pra um lado e indireta pro outro, aí eu quero ver China, Estados Unidos, Irã, Rússia, Ucrânia e tal. Não vai ficar pedra sobre pedra. Fica aí o Ministério dos Memes do Brasil. Mobilize suas forças, porque a qualquer momento vocês podem ser chamados a agir. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Muito obrigado pela sua presença,

pela sua audiência, pela sua companhia, enquanto a gente grava esse período aqui, um período de momentos enlouquecedores da política internacional. E se você quer saber mais, se você quer mais conteúdo, acessa lá peticursos.com.br. Aliás, a gente acabou de oferecer um curso sobre tecnologia, em que a gente falou exatamente sobre o impacto da tecnologia na política, na economia e tal. E tudo isso tem tido um impacto muito grande na maneira pela qual a gente vê até as alfinetadas, Daniel. Até outro dia era.

Embaixador. Ah, o seu embaixador está expulso. Agora não. Agora é mais divertido. Agora tem videozinho. Então acompanha lá petcurso.com.br porque a gente fala muito sobre esse contexto tecnológico e como é que ele impacta o cenário internacional e, no fim das contas, as nossas vidas também. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam na manutenção do nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. PetJornal Média Pequena, que tem um trabalho bastante

artesanal e conta bastante com os seus apoiadores, precisa bastante da ajuda de seus apoiadores. E por isso registramos sempre aqui o nosso agradecimento e o nosso carinho a cada um de vocês. Fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias formas. Tem a chave Pix, é uma maneira prática e instantânea de apoiar o Petit, dá inclusive para ativar o Pix recorrente, chave Pix no descritivo, tem o link do apoia-se, o link do

o que acaba sendo bacana para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. Verençoas, amanhã estamos de volta. Amanhã tem Petit Invest às 9 da manhã. Vai, claro, para o seu feed. Nos vemos. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br

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