Episódios de Petit Journal

Irã fala em petróleo a 200 dólares - BP 1036

12 de março de 202628min
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O Irã afirma que o petróleo pode chegar a 200 dólares caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, elevando o tom da disputa energética em meio à guerra. No episódio analisamos o impacto potencial dessa ameaça sobre o mercado global e a resposta da Agência Internacional de Energia, que discute a liberação de estoques estratégicos para conter a volatilidade dos preços. Também discutimos o embate de narrativas sobre o conflito, com Teerã exigindo reparações para encerrar a guerra enquanto Donald Trump fala em vitória iminente.
Falamos ainda sobre a situação do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que estaria ferido mas estável, o que explicaria sua ausência pública desde a escolha para o cargo. Países do Golfo demonstram crescente preocupação com os efeitos da guerra sobre seus territórios, enquanto dados indicam queda da participação da China nas importações dos Estados Unidos.
Na Geleia da Shakira, o chanceler alemão Friedrich Merz viraliza ao imitar Donald Trump em um evento político.
#Petróleo #OrienteMédio #EstreitoDeOrmuz #Geopolítica #Energia
Assuntos10
  • Estreito de OrmuzInstalacao de minas navais iranianas · 80% de capacidade de lancamento utilizada · Centenas de minas possiveis rapidamente · Impacto em navegacao comercial · 14 navios ja atingidos desde inicio da guerra · Substitucao impossivel da oferta do Golfo no curto prazo · 20% da oferta mundial de petroleo afetada
  • Amenaca iraniana de petroleo a 200 dolaresPorta-voz militar iraniano Ebrahim Zoufagari · Campanha prolongada de ataques a navios · Impacto economico duradouro · Cenario improavel vs $140-150 maximo historico · Estrategia de pressao na comunidade internacional
  • Crise Hidrica Golfo PersicoPaises arabes sofrendo com guerra nao iniciada por eles · Bases militares americanas como alvo iraniano · Falha dos EUA em garantir seguranca · Impacto na imagem de estabilidade e modernidade · Cancelamento de 40 mil voos em Dubai · Risco de ataque futuro do 'leao ferido' iraniano · Perda de confianca nos aliados americanos
  • Agencia Internacional de EnergiaLiberacao de 400 milhoes de barris de reservas emergenciais · Maior liberacao da historia da organizacao · Aprovacao unamine do diretor Fatih Birol · Paliativo temporal de aproximadamente 20 dias · Pressao dos Estados Unidos sobre europeus · Liberacao de reservas do Japao
  • Forcas Armadas EUATrump destruiu 28 navios lanca-minas · Exigencia de remocao imediata das minas · Ameaca de consequencias militares sem precedentes · Narrativa de guerra quase concluida · Alegas de ja ter atacado todos os alvos desejados · Promessa de liberacao do Estreito sob demanda
  • Conflito EUA-IrãReconhecimento dos direitos legitimos do Ira · Direito de enriquecer uranio para fins civis · Acordo de Obama e JCPOA · Pagamento de reparacoes pelos danos · Garantias internacionais contra futuras agressoes · Posicao de nao fazer concessoes
  • Narrativa de sucesso militar americanoTrump alegando fim proximo da missao · Alegas de destruicao total de alvos · Danos maiores que o esperado · Promessa de encerramento a qualquer momento · Contraste com demandas iranianas · Ceticismo dos sistemas de inteligencia sobre queda do regime
  • Mojtaba Khamenei Lider IraFerimentos leves confirmados por oficial iraniano · Condicao estavel · Falta de aparicoes ou discursos publicos · Possivel ferimento no ataque que matou seu pai · Israel ameaca sua eliminacao · Ilegalidade de assassinato de figura de Estado
  • Direitos de enriquecimento de urânio do IrãDireito garantido pelos tratados internacionais · Acordo JCPOA de Obama · Verificacao da Agencia Internacional de Energia Atomica · Saida dos EUA do acordo pelo Trump · Questoes de fins militares vs civis · Posicao iraniana de conformidade
  • Imitacao de Trump pelo chanceler alemao MerzDiscurso na convencao da CDU · Imitacao durante conversacao telefonica simulada · Contexto da politica migratoria alemã · Queda de 60% em pedidos de asilo · Humor politico entre aliados · Quebranto de expectativa pelo canceler 'sem sal'
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1036. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 21 horas e 29 minutos da quarta-feira, 11 de março de 2026.

retubante, descansado, talifado. Talifas de 15%, mas talifado. E temos também o professor Bagdad, muito preocupado com o cenário internacional de imensas implicações, incertezas e agruras. Temos também o Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá para mais um bate-papo. Bate-papo 1032.

Nessa noite de quarta-feira, sejam todos muito bem-vindos. Um prazer estar aqui mais uma vez para de novo comentar sobre o cenário internacional, sobre o cenário econômico que a gente está vislumbrando nesse momento. Queria deixar aqui o agradecimento a todo mundo que nos acompanha, todo mundo que está junto com a gente, que colocou o Petit Jornal na rotina. E Daniel, já quero começar devolvendo a questão para você. O Irã falou de barril de petróleo a 200 dólares.

Me conta, Daniel. Tanguy, o porta-voz militar do Irã, o senhor Ebrahim Zoufagari, afirmou que o mundo deve se preparar para um petróleo a 200 dólares o barril. Afinal, segundo ele, o Irã está preparado para uma campanha prolongada de ataques contra navios e alvos regionais.

choque econômico duradouro enquanto a guerra continuar. Esse choque econômico eventualmente poderia fazer os inimigos iranianos interromperem as hostilidades por conta de uma crescente pressão da comunidade internacional. Tudo isso é dito dentro de um contexto onde o Irã iniciou a instalação de minas navais no Estreito de Hormuz. Até agora foram instaladas algumas dezenas de minas,

em torno de 80% de suas embarcações lança minas disponíveis. Isso significa que o Irã teria capacidade de instalar centenas de minas rapidamente, bloqueando justamente a passagem para navios petroleiros. O presidente Donald Trump, por outro lado, disse que os Estados Unidos já destruíram 28 navios lança-minas iranianos. O presidente Trump também exigiu

a remoção imediata das minas. E disse que caso isso não ocorra, o Irã enfrentará consequências militares de magnitude sem precedentes, as maiores de todos os tempos, e que o Irã precisa recuar, porque se ele não recuar, ele será destruído. E a gente sabe que o Trump vai longamente falando sobre tudo o que pode acontecer. Mas o fato é que três embarcações foram atingidas nas últimas horas por projéteis ali naquela região.

um navio tailandês, um navio japonês e um navio das ilhas Marshall. Com esses episódios, 14 navios mercantes já foram atingidos desde o início da guerra. Tanguy, a aposta do governo iraniano é o enforcamento daquela passagem. E conforme os dias vão realmente acontecendo, conforme os dias vão passando, você vai tendo um escasseamento da oferta de petróleo no mercado internacional.

e uma elevação do preço. Esse preço pode chegar a 200 dólares? Me parece improvável. É possível, mas o cenário mais provável, caso você tenha um alongamento do conflito, é o petróleo buscar as máximas históricas, ali na casa de talvez 140 dólares o barril, 150 dólares o barril. Mas nós não sabemos qual é a gravidade, a intensidade e a longevidade justamente desse tipo de bloqueio.

o Irã está realmente utilizando esse mecanismo de asfixiamento do Estreito de Hormuz como forma de se defender. E o que eu acho interessante, Tanguy, é que o Irã ameaça fechar o Estreito de Hormuz há bastante tempo. E o que aconteceu? O Irã fechou o Estreito de Hormuz. E tem gente surpresa. Ah, meu Deus, o Irã fechou o Estreito de Hormuz. Ah, você chora mesmo? Você está surpreso que o Irã fechou o Estreito de Hormuz. E que agora vai dar uma confusão no cenário internacional. Eu lembro do ano passado,

aqui no Petit Jornal, a gente analisando os possíveis impactos do fechamento do Estreito de Hormuz depois que houve aquele ataque dos americanos a instalações nucleares iranianas. Naquela altura, nós já dizíamos que caso o Estreito de Hormuz fosse fechado, aconteceria exatamente o que está acontecendo agora. Você não tem como substituir no curto prazo a oferta de petróleo do Golfo Pérsico. Você tem até alguns países com alguma oferta disponível, com alguma capacidade ociosa,

realmente a produção, mas não vai conseguir substituir a oferta do Golfo Pérsico rapidamente. Golfo Pérsico que oferece um petróleo leve, um petróleo de alta qualidade e que é responsável por aproximadamente 20% da oferta mundial de petróleo. E aliás, Daniel, você está falando sobre a posição iraniana, a posição americana. Hoje a gente também teve manifestações dos dois presidentes com relação a um eventual fim da guerra.

apareceu, Daniel, foi o presidente iraniano, Massoud Pezeskian. Só para dar um pouquinho do contexto, da posição do Pezeskian, ele, apesar de ser o presidente, ele está longe de ter uma posição de muita centralidade nesse momento atual. Isso, aliás, você já comentou outro dia, Daniel, o próprio exército iraniano não está vinculado diretamente ao presidente. Ele, muitas vezes, aparece como um cara meio deslocado dentro do governo iraniano, dentro da estrutura governamental iraniana, tanto é que outro dia ele apareceu para pedir desculpa para os países árabes,

dizendo que, olha, esses ataques não vão voltar a acontecer, a não ser que ataques americanos ou israelenses partam de país do Golfo, mas senão a gente não quer atacar os nossos vizinhos e tal. E apesar disso, os ataques continuaram, o Irã continuou atacando esses paisares, então dá muita impressão de que ele está um pouco escanteado. Quem tem dado as cartas tem sido muito mais a guarda revolucionária, agora você já tem o novo líder supremo, mas ele, o Massoud Pesekian, disse hoje que,

A guerra só terá fim sob três condições. O reconhecimento dos direitos legítimos do Irã. Aqui, muito provavelmente, ele está fazendo referência ao direito que o Irã tem de enriquecer urânio, que, aliás, parêntese, é um direito garantido por todos os tratados internacionais. O país tem direito de enriquecer urânio, desde que não seja para fins militares. Ele tem que dar demonstrações de que não é para fins militares. Essa é a reclamação de muito tempo com relação ao Irã.

acordo foi assinado lá pelo Obama, até o Trump sair do acordo, as informações que a gente tinha era de que, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã estava plenamente de acordo com tudo que tinha sido estabelecido. Então, o primeiro ponto dele é, a guerra vai terminar quando houver o reconhecimento dos direitos legítimos do Irã. Dois, o pagamento de reparações pelos danos causados pela ofensiva. E três, garantias internacionais firmes contra futuras agressões. Qual o recado que a gente consegue tirar disso aqui?

Daniel, ele está elevando muito o nível do que você precisa para acabar a guerra, porque a sensação que você dá é que o Irã não vai recuar um centímetro. Então, se há a expectativa de que os Estados Unidos vão conseguir colocar o Irã para fazer alguma concessão, para pedir desculpa, para dizer que não vão fazer alguma coisa e tal, isso não deve acontecer. Essa é a posição do presidente, mas vem sendo ecoada em alguns outros círculos do governo iraniano,

mais ou menos no mesmo sentido, olha, a gente está disposto a resistir, a gente está sofrendo com a guerra sim, mas a gente está disposto a resistir até o fim. E aí isso contrasta com a visão de Donald Trump, que também falou hoje que a missão está quase cumprida. Estamos quase acabando, segundo Donald Trump, já não tem mais nada para atacar no Iranda, já atacamos tudo que a gente queria e a guerra está indo muito bem, causamos mais danos do que pensávamos ser possível e a qualquer hora que eu queira, a guerra vai

acabar. E aí ele fala, isso que você falou, né, Daniel, das minas, que a gente destruiu multinavios e que a gente vai liberar o Estreiro de Hormuz e tal, mas o fato é que a gente tem um momento, Daniel, no qual não há um caminho muito claro para o fim dessa guerra por parte do Irã e tampouco por parte dos Estados Unidos. Aliás, Israel também já disse que não pretende terminar essa missão tão cedo e que o objetivo é, já chegou até aqui, vamos adiante, muito embora os sistemas de inteligência dos Estados Unidos

já estão meio descartando a possibilidade do regime cair. Olha, não vai cair, não vai cair. Aliás, você ouviu em um podcastzinho do Brasil que esse negócio aí do regime cair muito rápido não estava convencendo esse tal desse podcastzinho aí. Não é, não parecia muito. Pô, vai cair com bombardeio. Ah, mas matou o líder supremo, pô, o regime vai cair. O regime iraniano é muito bem assentado, é muito sólido, ele é forte, ele tem bases muito

muito bem assentados no país, muito dificilmente cairia com essa facilidade com a qual estava sendo dito até aqui, Daniel. Podcastzinho que fica falando que o Irã não é a Venezuela, o que, aliás, eu acho muito ofensivo a Venezuela, Tanguy. Pô, coitados venezuelanos, não tem nada a ver com essa história. Mas, bem da verdade, o Irã não é a Venezuela. Não bastava ali você decapitar o líder supremo esperando que houvesse ali um desmoronamento do regime, até porque o líder supremo já tinha quase 90 anos.

realmente de sua substituição e de criação de toda uma estrutura para que o regime pudesse continuar após a sua morte, já estava mais ou menos preparado. E o líder supremo, num certo sentido, acabou tendo uma morte gloriosa durante o Ramadã, etc. Ele vai se tornar alguém até um pouco mais, com uma biografia mais encorpada em função dos seus momentos finais e da maneira como ele acabou,

morrendo. Agora, Daniel, eu tenho que fazer uma inconfidência aqui, tá? Fazer a pauta sobre temas envolvendo guerra, né, envolve você entrar em uma série de veículos de imprensa locais, né? A gente, então, assim, pra fazer a pauta aqui, eu leio naturalmente uma série de veículos brasileiros, uma série de veículos americanos, europeus, e naturalmente eu vou também pra veículos de imprensa lá da região, e muitos deles são, inclusive, bloqueados para acessos de fora, tá? Sabe o que me salva, Daniel Souza?

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do Brasil. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Jornal. Link no descritivo desse episódio. Tanguy e eu somos usuários da NordVPN e recomendamos demais. Agora, Tanguy, avançando para a próxima pauta, eu tenho a dizer o seguinte. Agora vai. Agora vai a ação da Agência Internacional de Energia, que foi anunciada hoje. Eles reagiram. Reagiram a toda essa crise do petróleo. Não ficaram parados. Não ficaram de braços cruzados.

O Instituto Nacional de Energia aprovou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas emergenciais. Trata-se da maior liberação de reservas da história da organização. O diretor-geral, o Fatih Birol, afirmou que os desafios atuais do mercado de petróleo são sem precedentes em escala e a medida foi aprovada por unanimidade.

milhões de barris. Consequentemente, quando você está falando ali de aproximadamente 20%, você está falando de um estreito de hormuz, do qual saem ali algo em torno de 20 milhões de barris por dia. Então, dos 100 milhões consumidos, 20 milhões vêm de hormuz. Esses 400 não vão salvar o mundo. Você tem ali um paliativo, dá para tentar ganhar um pouco mais de tempo, é o que dá para fazer. Claro, isso aqui é algo que nós temos que

mas não vai resolver em definitiva um problema. Você vai apenas comprar um pouco de tempo. A ministra da Economia da Alemanha também confirmou o volume da liberação, disse que a Alemanha vai participar da operação. E o que nós podemos observar é que diplomatas europeus estão indicando também que o governo dos Estados Unidos pressionou pela liberação dessas reservas. Eu acho muito legal, os Estados Unidos arrumam uma confusão, aí pressionam os europeus.

emergenciais de petróleo, é algo que acontece em momentos como esse. E o Japão decidiu agir antes, mesmo da coordenação formal da Agência Internacional de Energia. A primeira-ministra anunciou a liberação de reservas equivalentes a 15 dias do setor privado e a liberação de cerca de um mês das reservas estatais. O objetivo sempre é aliviar a pressão no mercado global de energia, mas o tempo está contando e vai chegar um determinado momento que você não vai ter nem capacidade

de aliviar a pressão que está havendo sobre o mercado de petróleo em função do fechamento ali do Estreito de Hormuz. Então a conta é, consome-se por dia 100 milhões de barris, vão liberar 400 milhões de barris e em 4 dias acabou, é isso? Não, na realidade 20 milhões vem de Hormuz, então dá para durar aí uns 20 dias. Mas além disso, não, não vai muito além disso, a não ser que você libere mais reservas e tal. Umas 3 semanas você consegue,

aguentar. Mas, de qualquer maneira, o relógio continua a contar. Daniel Souza, hoje um oficial iraniano disse, em condição de anonimato a Reuters, que Mostaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã, sofreu ferimentos leves, mas continua atuante. A inteligência de Israel já tinha compartilhado mais ou menos a mesma avaliação. A gente nem trouxe aqui, Daniel, porque vindo de Israel, que é um estado inimigo do Irã, não dá nem para levar muito em consideração, mas hoje houve uma confirmação

por parte de um oficial iraniano de que Mostaba Khamenei está ferido. Ele está ferido, mas estaria estável. Isso explicaria, portanto, porque até agora ele não fez nenhum discurso, nenhuma aparição, não emitiu nenhuma mensagem gravada, então ele foi escolhido líder supremo e não falou com a população iraniana, porque aparentemente ele está ferido. Não ficou claro, Daniel, em que momento que esse ferimento aconteceu. A gente sabe, obviamente, que houve um ataque muito violento que matou, de uma vez, o pai dele,

O antigo líder supremo, o Ali Khamenei, matou a mulher dele, o filho dele e a irmã dele. Então a gente tem aí uma grande tragédia familiar, mas Mostaba Khamenei, a gente não sabia, a primeira informação que a gente tinha tido é de que ele não estaria inteirando o momento do ataque. E agora já não está claro se ele foi ferido no ataque que vitimou o pai e o restante da sua família ou se foi em algum outro momento. E tem um outro motivo, naturalmente, Daniel, para ele não aparecer,

fato de que Israel já disse que o matará. Então que ele é um alvo marcado para a eliminação. O que é extremamente ilegítimo, tá, Daniel? Pelo fato de que a gente está falando sobre uma figura que é uma figura de Estado, né? Você está dizendo abertamente que vai assassinar uma figura de Estado. Enfim, então isso também traz um problema muito sério ali do ponto de vista da legalidade, né? Isso simplesmente não poderia ser feito, mas a gente sabe como é que a guerra funciona. Mas o fato é que Mostaba Khamenei está afastado nesse momento,

sido visto, em parte, por esse motivo, pelo fato de que a gente não sabe exatamente como é que está a situação de saúde dele. E outro ponto que eu queria trazer, Daniel, você está falando sobre os trade-hormuz, está falando sobre reservas e tal. Quem está crescentemente irritado com a situação da guerra, e a gente vai falar aqui, e acho que os motivos são compreensíveis, são os países árabes do Golfo. A reclamação constante que vem sendo verbalizada por diplomatas, por governantes,

por empresários é Estados Unidos e Israel começaram uma guerra contra o Irã e quem está sofrendo com a guerra somos nós. Não é nossa guerra, a gente não queria que esse conflito tivesse acontecido, mas estamos pagando preço em nome da nossa segurança e nossa economia. Isso está sendo dito por um pesquisador do Emirates Policy Center. A avaliação que está sendo feita é essa. E mais do que isso, não é apenas que o ataque partido de Estados Unidos e Israel contra o Irã

e o Irã está retaliando. O Irã está retaliando nos países do Golfo pelo fato de que esses países albergam bases americanas. Então, o que esses países estão dizendo é, havia até esse momento um certo entendimento, um certo consenso, que é, olha, você coloca a base americana aqui, o que tem uma série de custos, tem uma série de custos políticos e tal, mas você coloca essa base aqui, a gente fornece petróleo e vocês garantem a nossa segurança. E o que a gente está vendo agora é que a

parte da segurança não veio. No fim das contas, ele continua sendo atingido. Os Estados Unidos não parecem lá muito preocupados em garantir a segurança desses países que abrigam bases americanas, tem militares americanos, tem armamentos americanos. É isso que faz com que o Irã os ataque e a gente simplesmente não sabe o que vai acontecer. A preocupação que existe agora, Daniel, é essa tendência do Trump de dizer que, olha, a qualquer momento termina essa guerra aí. A qualquer momento termina essa guerra aí.

O que os paisários vêm pensando agora é, olha, você foi para essa guerra contra o Irã, agora você resolve. Agora o Irã tem que ser incapaz de, no futuro breve, voltar a atacar a gente. A avaliação, a imagem que está sendo utilizada é a do leão ferido. Se vocês forem embora agora, vocês vão deixar no Irã um leão ferido. Esse leão ferido pode passar um mês, dois meses, seis meses, um ano sem conseguir atacar, mas ele é um leão ainda.

Em qualquer momento ele vai conseguir atacar mais uma vez e isso vai se tornar um problema. A gente está falando particularmente sobre alguns países do Oriente Médio, alguns países do Golfo, que demoraram muito tempo para construir uma imagem de estabilidade, modernidade, segurança, segurança jurídica. Ou seja, você pode pegar o seu dinheiro e trazer para cá, você pode fazer turismo aqui, você pode vir morar aqui, você pode ficar tranquilo porque aqui a gente faz trazer conforto, segurança,

você vai estar materialmente bem atendido, você está no Oriente Médio, mas a gente garante toda a segurança e proteção que você precisa para viver o melhor da sua vida. Com esses ataques, portanto, você tem um impacto muito grande na imagem desses países. Será que você está disposto a voar por Dubai? Benel, até agora já foram cancelados 40 mil voos. 40 mil voos! Só de países da região. Você imagina o impacto imagético, político, securitário.

O Daniel está muito preocupado com o que pode acontecer porque há uma sensação de que os Estados Unidos não estão lá muito preocupados com a capacidade desse país se defenderem e de estarem protegidos diante do Irã. A gente teve uma declaração da vice-secretária, uma tentativa ali de amenizar um pouco essa situação. A vice-secretária de comunicação da Casa Branca, que é a Anna Kelly, ela disse que os ataques americanos e israelenses

por cento. O que está difícil de acreditar, tá, Daniel? Porque o Irã continua atacando esse país. O Irã continua tendo a capacidade retaliatória e a questão é, daqui a seis meses, essa capacidade retaliatória, ela pode estar parcialmente recobrada e se a guerra termina nesse momento, isso se torna um problema para os pais árabes. Em suma, o que os pais árabes estão dizendo é, a gente não começou a guerra, a gente não queria a guerra, a gente está do lado dos Estados Unidos porque nós somos fiéis aliados aos dos Estados Unidos e a gente mantém as tropas americanas em nosso território.

Mas a contrapartida não veio. A gente continua sendo atacado e, diga-se de passagem, o Irã está sendo atacado. Algum tipo de reação, claro que aconteceria e seria exatamente na região. Não é, portanto, nenhuma surpresa que o Irã ataque exatamente bases americanas ou países que abriguem bases americanas em seus territórios, Daniel. Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje, terminando com uma nota um pouco mais leve no episódio de hoje? Vamos embora, Daniel. O que você traz hoje? Tanguy,

No dia de hoje, eu quero repercutir algo que aconteceu já há alguns dias, que foi o chanceler alemão, o Merz, o Friedrich Merz, que fez uma imitação de Donald Trump. Sim, uma imitação de Donald Trump durante um discurso na convenção da CDU. Ele relatava uma conversa telefônica com o Trump sobre a política migratória alemã. Merz disse ter explicado que os pedidos de asilo caíram 60% na Alemanha.

O que você disse? 60%? Eu não acredito.

para mostrar o sucesso da minha política migratória aqui na Alemanha. Quem quiser pode procurar o vídeo, vai ver o Mertz imitando Donald Trump. Não deixe de ser engraçado você ter um chanceler alemão em uma convenção partidária da CDU, debochando do presidente dos Estados Unidos. Que momento, Tanguy, que momento!

Eu consigo imaginar o Schroeder, por exemplo, um cara mais expansivo, falava que era mais engraçado e tal. Mas o Mertz, Daniel, aquele cara quadrado, sem sal e tal, deve ser aquele cara que conta piada e ninguém entende muito. O fato dele estar zoando o Trump ali realmente é uma quebra de expectativa muito grande. Daniel Souza, tem curso sobre a Alemanha lá no Petit Cursos? Tem, tem sim. Estados Unidos tem? Também, tem. China tem também? Tem também. Oriente Médio? Pô, vários. Tem mais de um, inclusive.

inteligência artificial? Tem também. Aliás, gravamos recentemente sobre isso. Então tem tudo lá. Tudo que a pessoa queira saber, tem lá. Então a pessoa faz o quê? Acessa peticursos.com.br, entra lá e assiste os cursos todos? Exatamente. A pessoa vai lá, assiste todos os cursos e vai ter acesso a todo o streaming do Petit Jornal. O Petit Jornal tem lá mais de 150 aulas com as mais diferentes temáticas. Vai lá, peticursos.com.br, dá uma olhada que eu tenho certeza que você vai gostar demais.

quiser apoiar o Petit Jornal. Como é que faz, Daniel? Tem várias alternativas. No descritivo desse episódio tem a Chef Pix, que é uma ótima maneira de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também o link para o Apoia-se, o link para o Patreon. Tudo no descritivo desse episódio. E, claro, fica aqui o nosso agradecimento também aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto.

Vocês que são fundamentais nesse processo. Fica aqui o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado a cada um de vocês.

Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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