Episódios de Petit Journal

Ormuz está fechado? - BP 1035

11 de março de 202636min
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CAMBLY
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O Estreito de Ormuz está realmente fechado? No episódio analisamos as contradições nas informações que circulam em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã e a dificuldade de saber, com precisão, se o fluxo de petróleo pelo estreito foi de fato interrompido. Discutimos também os impactos do conflito sobre o mercado global de energia e a volatilidade dos preços do petróleo diante da incerteza estratégica na região.
Também falamos sobre o diálogo entre Vladimir Putin e Donald Trump sobre a guerra, com Trump indicando a possibilidade de retirar sanções contra o petróleo russo, movimento que poderia alterar o equilíbrio do mercado energético. A Ucrânia, por sua vez, oferece ajuda técnica a países do Golfo para lidar com drones iranianos, enquanto a União Europeia reconhece que a redução da energia nuclear foi um erro estratégico.
Na Geleia da Shakira, uma estátua instalada em Washington retrata Trump e Jeffrey Epstein como Jack e Rose, em referência ao filme Titanic.
#OrienteMédio #EstreitoDeOrmuz #Petróleo #Geopolítica #Energia
Assuntos14
  • Bloqueio Estreito OrmuzFechamento vs abertura do estreito · Fluxo de superpetroleiros iranianos · Redução de embarcações comerciais · Guarda Revolucionária e bloqueio de petróleo · Contradições de informações americanas · Escolta de petroleiros by US Navy
  • Conflito Irã-EUAIntensificação de bombardeios americanos · Morte de líderes iranianos · Escolha de Mostaba Khamenei como sucessor · Postura iraniana de não-negociação · Resistência iraniana contínua · Vítimas civis (1.270 mortos)
  • Crise Energética GlobalAlta do preço do petróleo · Volatilidade do mercado energético · Impacto inflacionário internacional · Risco de estagnação e inflação · Petróleo voltando a 120 dólares · Redução no fluxo de petróleo do Golfo Pérsico
  • Diálogo Trump-Putin sobre sançõesPrimeira ligação de 2026 · Discussão sobre suspensão de sanções petrolíferas russas · Possibilidade de remover restrições ao petróleo russo · Ajuda russa para reduzir preços internacionais · Contexto geopolítico energético · Benefício potencial da Rússia
  • Volatilidade do PetróleoAlta para 120 dólares · Queda para 90 · Expectativa de nova crise · Risco de choque energético · Impacto da incerteza · Efeito psicológico de mercado
  • Diálogo Trump-PutinPrimeira chamada do ano · Crise energética global · Discussão sobre Ucrânia · Superpotências energéticas · Possível acordo · Dinâmica bilateral
  • Sancoes InternacionaisPossível suspensão · Aumento de produção russa · Novos mercados · Capacidade ociosa · Alternativa ao Golfo Pérsico · Impacto na oferta global
  • Política energética europeia e nuclearRedução de energia nuclear na EU · Queda de 33% para 15% de produção nuclear · Dependência de importações de petróleo e gás · Desvantagem estratégica europeia · Contraste com política francesa · Papel de Angela Merkel · Avanços em segurança nuclear e gestão de resíduos
  • Respostas GovernamentaisTeto de preços · Subsídios energéticos · Economia de combustível · Liberação de reservas · Biocombustíveis · Preços congelados
  • DronesCusto 20-50 mil USD · Mísseis Patriot 4 milhões · Assimetria econômica · Drones kamikaze · Defesa aérea limitada · Assistência técnica ucraniana
  • Conflito Rússia-UcrâniaVenda de drones Shahed para Rússia · Uso em ataques contra Ucrânia · Assistência técnica ucraniana ao Golfo · Custo assimétrico de defesa · Mísseis Patriot vs drones kamikaze · Estratégia de saturação de defesa
  • Energia NuclearRedução europeia de 33% para 15% · Erro estratégico alemão · Comparação França-Alemanha · Segurança moderna · Reciclagem de resíduos · Emissões reduzidas
  • Estátua de Trump e Epstein em WashingtonEscultura no National Mall · Referência ao filme Titanic · Crítica política a Trump · Slogan 'Make America Safe Again' · Associação Trump-Epstein · Reação de turistas
  • Crítica Trump-EpsteinEstátua em Washington · National Mall · Pose tipo Jack e Rose · Referência Titanic · Paródia MAGA · Fotografia viral · Amizade histórica
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1035. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 25 minutos da terça-feira, 10 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

descansado, tarifado, sim, porque as tarifas recíprocas caíram, mas novas tarifas foram colocadas no lugar delas. E preocupado, o professor Pagdadi segue com olheiras, segue muito tenso com toda a dinâmica internacional que a gente tem observado nos últimos tempos, e isso traz enormes preocupações para ele. Eu tenho certeza que ele vai compartilhar algumas dessas preocupações conosco no episódio de hoje. Tudo bem, professor Pagdadi, vamos aí,

Tudo bem, Daniel Souza? Vou deixar aqui já de partida as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente nesse bate-papo 1035, nessa belíssima terça-feira chuvosa no Rio de Janeiro. O prime dessa abertura, Daniel Souza, foi ele hesitar antes de falar a hora, porque ele não sabia se era de manhã, se era de noite, tarde, tarde, o que estava acontecendo, porque ele está absolutamente zureta com o fuso horário. E é muito legal de ver isso, ver essa distância, com o fuso horário todo certinho aqui do lado de cá. E, Daniel, deixo aqui as boas-vindas.

a todo mundo que acompanha a gente, o pessoal que está se informando acerca do que está acontecendo ao redor do mundo, junto com o Petit Jornal. Deixar sempre aquela lembrança, Daniel, que a gente está com a agenda aberta para palestras. Se você gostaria de levar o Petit Jornal para a sua empresa, tem um e-mail que está na descrição desse episódio e vai ser um prazer fazer algo direcionado, dedicado às suas necessidades. Fala com a gente lá no e-mail que a gente conversa para o que seja importante para você, de uma forma que seja importante para você e para a sua empresa. E é muito legal porque a gente consegue,

trazer justamente a influência do contexto internacional para a realidade de cada empresa e como esse ambiente de negócios tem sido muito modificado por uma temática cada vez mais incontornável e meio no descritivo desse episódio. Daniel Souza, eu quero começar o nosso episódio hoje falando sobre a parte militar do conflito. E aí isso vai acabar levando a gente a falar um pouquinho sobre o Hormuzo, que foi um tema muito importante. De despedir, ninguém sabe exatamente o que está acontecendo.

ali no estreito, porque as informações atualmente são muito quebradas. Mas o fato, Daniel, é que hoje nós tivemos uma declaração por parte do secretário de defesa dos Estados Unidos, o Peter Hegsett, afirmando que hoje foi o dia mais intenso dos ataques contra o Irã até agora. A leitura que está sendo feita, Daniel, é que, de fato, hoje você teve muitos bombardeios, a quantidade de explosões que foram ouvidas em Teherã e em outras grandes cidades iranianas

semanas atrás, que os ataques começaram. E a leitura que está sendo feita é de que, como o Trump disse que é possível que a guerra não dure tanto, e a gente não sabe se ele falou isso para valer, a gente não sabe se ele falou isso só para dar uma acalmada no mercado por conta do petróleo, e acabou funcionando, você falou muito sobre isso no episódio ontem, mas o fato é que as forças armadas americanas agora estão correndo contra o tempo.

Amigo, a gente sabe, sei lá, se daqui a 24 horas, 48 horas, 72 horas, 20 minutos, o Trump manda

parar os bombardeios, é importante que, na visão dos Estados Unidos, na visão das Forças Armadas Americanas, agora você limpe tudo que você tem lá nos arsenais, Daniel. Tudo que tiver para lançar tem que ser lançada agora. E você tem, naturalmente, como um elemento que acaba temperando esse cenário, a nomeação, enfim, a escolha de Mostaba Khamenei como sucessor de Donald Trump, de Ali Khamenei, então Mostaba Khamenei sucedendo Ali Khamenei, sucedendo o seu pai.

O recado que foi recebido pelos Estados Unidos é o Irã não vai negociar. O Irã vai continuar aí, o Irã vai continuar resistindo. Então, o Irã não está disposto, o recado que foi dado é esse, o recado que foi recebido pelos Estados Unidos é esse. Então, a lógica é, não vai ter negociação. E isso foi falado, inclusive, pelo presidente do parlamento iraniano, que é o Mohammed Baquer Kalibaf. Ele foi lá para o X e falou, acreditamos que o agressor, então a gente está falando sobre Estados Unidos e Israel,

soco na boca para aprender a lição e nunca mais pensar em atacar o querido Irã. Então, diante desse cenário, Daniel, em que você tem um Irã que age de maneira cada vez mais no sentido de a gente não vai se render, a gente vai continuar mantendo a resistência, não vai ter iraniano indo para a mesa de negociações. E os Estados Unidos, com o presidente dizendo que talvez um ataque dure mais algum pouco tempo, você teve um dia hoje muito violento no Irã.

A gente já tem mais de mil mortos no Irã ao longo desse período. E uma questão que ficou hoje muito em debate, Daniel, é o que está acontecendo no Estreito de Hormuz. A guarda revolucionária do Irã disse que não vai permitir nem um litro sequer de óleo chegando aos mercados internacionais enquanto os Estados Unidos e seus aliados continuarem os ataques. E, ao mesmo tempo, Daniel, você tem um disse-me-disse acerca do que está acontecendo. Afinal de contas, o Estreito de Hormuz está fechado ou não está?

Tanguy, quando a gente olha para o Estreito de Hormuz, realmente nós tivemos uma redução muito substantiva do fluxo de embarcações ao longo dos últimos tempos. Mas uma coisa me parece certa. Quem continua passando pelo Estreito de Hormuz são os superpetroleiros que levam o petróleo do Irã em direção à China. Você teve até uma análise que foi divulgada pela Lloyd's Intelligence e também pela Kepler,

dia 9, no dia de ontem, por exemplo, o navio com bandeira da Guiana, que está na lista de sanções dos Estados Unidos, ele passou pelo estreito com 2 milhões de barris de petróleo em direção à China. Nós temos tido, inclusive, um fluxo quase contínuo de navios que saem do Irã em direção à China. Desde 28 de fevereiro, pelo menos 6 petroleiros transportando

Petróleo iraniano seguiram em direção justamente ali ao gigante asiático. Estimativas indicam que mais de 11 milhões de barris de petróleo bruto já deixaram o Irã nesse período e os embarques ocorreram mesmo após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Portanto, se por um lado existe ali muita hesitação de navios que saem do Bahrein,

do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait, etc., em passar o Estreito de Hormuz, embora alguns deles acabam passando, acabam se aventurando, inclusive imagens de satélite comprovam isso, quem está efetivamente passando com mais regularidade são justamente os superpetroleiros iranianos. É interessante que você falava há pouco que ninguém sabe exatamente quando a guerra vai acabar, que pode ser que o Donald Trump encerre nas próximas horas.

pensando, Tanguy, como é que reage diante disso aquele iraniano que eventualmente gostaria de derrubar o regime, ou que gostaria de protestar contra o regime, se ele percebe que o Donald Trump está disposto a uma solução madura. Ou seja, arruma um ayatollah aí, um alguém aí da guarda revolucionária iraniana. Para mim está tudo bem. Contando que você me entregue o petróleo, contando que você vire de costas para a China, está tudo bem. Quer dizer, eu vou tentar derrubar esse regime, sendo que o Trump de hoje

amanhã pode ir embora ou pode fazer um acordo com o próprio regime e, consequentemente, virá-lo a seu favor numa situação absolutamente hipotética. Puxa, eu não vou arriscar um negócio como esse, não. Eu acho que é melhor realmente eu ficar aqui na minha casa porque os Estados Unidos não são exatamente um aliado confiável dentro desse contexto. E ainda sobre o Estreio de Hormuz, a gente teve hoje o secretário de Energia dos Estados Unidos, o Chris Wright, que foi para o X.

e publicou o seguinte, a Marinha dos Estados Unidos escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Hormuz para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais. Ora, Daniel, você tem Donald Trump tentando passar aquela mensagem de tranquilidade, a guerra vai acabar daqui a pouco, pô, fiquem tranquilos aí, e de repente o Chris Wright, de novo, secretário de energia, tá? Eu não estou falando sobre um cargo menor, eu estou falando do cara que é o grande responsável por falar sobre energia,

em nome dos Estados Unidos, disse que a marinha dos Estados Unidos escoltou com sucesso um petroleiro pelos três de Hormuz. Imagino as pessoas que lidam com o petróleo falando assim, ah, pô, eu tô achando que agora tá tudo bem. A coisa parece estar um pouco mais tranquila do que eu tava achando. Eu tava preocupado ontem, mas hoje eu tô vendo que não é tão ruim assim. Só que a boca miúda, Daniel, as pessoas começam a falar, vem cá, que petroleiro foi esse que foi escoltado? Tô sabendo de nada, pô, também não, também não, tô bem não.

Então, isso começa a gerar um certo desconforto, que é, apesar do secretário de energia ter falado isso, ninguém consegue comprovar essa informação. Ele vai para o X, apaga a mensagem, e logo depois, a secretária de imprensa da Casa Branca, Carolyn Leavitt, ela vai para dar uma coletiva de imprensa e nega categoricamente a informação. Os Estados Unidos ainda não escoltaram nenhum petroleiro ou embarcação pelo Strait de Oruz. Mais uma vez, Daniel, você tem um problema,

a informação não está muito bem consolidada. O que é? O petroleiro iraniano está passando, mas o americano está. Os Estados Unidos vão escoltar, mas já escoltaram. A Guarda Revolucionária já falou, não vai passar uma gota de petróleo enquanto os ataques continuarem. Os Estados Unidos dizem que vão escoltar, mas não escoltaram ainda. E aí diz que já teria conseguido escoltar, mas depois tem que voltar atrás. Então tudo isso, Daniel, deixa todo mundo que lida com a questão do petróleo.

essa análise aqui, para além da questão humana, para além de todo o problema que isso gera na vida das pessoas. Acabei de falar que mais de mil pessoas, foi até conferir, nesse momento, segundo o Irã, 1.270 pessoas já morreram nos ataques. Você tem aí um ataque que é muito sério do ponto de vista geopolítico e do ponto de vista humano. Mas pensando do ponto de vista da energia, que é claro que é uma variável muito importante, você tem um problema que é ninguém tem consciência de quando que o petróleo começa a ir para o mercado internacional.

O Trump comprou ontem um pouquinho de tempo, né, Daniel? Não, não vai demorar muito, pô, meio que fiquem tranquilos. Agora, se passam mais três dias, mais cinco dias, mais uma semana, mais dez dias, mais quinze dias e o petróleo não começa a passar efetivamente, a chance desse petróleo voltar a subir dramaticamente no mercado internacional me parece bastante grande. Em pouco tempo chegou a 120 dólares, tudo bem, depois caiu para 90, mas em pouco tempo bateu 120 dólares, né, Daniel?

Faz um tempinho aí esse valor pode voltar a subir, porque, na prática, o mercado internacional continua vendo que o petróleo do Golfo Pérsico não está fluindo para o mercado internacional. Pode sim, Tanguy. O que nós tivemos ontem e hoje, na prática, é uma certa trégua do mercado em função de uma expectativa que foi criada, que pode se confirmar ou não, de que o presidente Donald Trump vai encerrar a participação dos Estados Unidos no conflito. Vai proclamar vitória, vai dizer que eles tiveram uma vitória fantástica.

O secretário de defesa chegou a dizer isso também num pronunciamento mais cedo. Olha como nós somos vitoriosos, olha como nós matamos o líder supremo, como ceifamos ali as principais cabeças do regime. Eles estão fragilizados como nunca tiveram, não amanhecerão jamais os Estados Unidos. Cara, um discurso você inventa, você arruma um discurso e se manda de lá quando você percebe que o impacto econômico pode se tornar pesado demais.

O petróleo vai subir, vai subir com força, e aí a gente pode estar diante de um novo choque do petróleo, ou algo muito próximo a isso, com impactos econômicos internacionais de grandes proporções. Daniel, eu queria trazer só uma oportunidade para quem está ouvindo a gente, em meio às notícias relacionadas à guerra, trazer uma coisa boa. A coisa boa é o Cambly, Daniel, que é a melhor plataforma do Brasil para você estudar inglês, está com descontos de 60% em todos os planos anuais.

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breve retrospectiva, Daniel, e lembrar que no ano de 2014, Vladimir Putin foi lá e tomou a Crimea da Ucrânia. A Ucrânia, que é um país por onde passa um monte de gasoduto que leva energia para a Europa, a energia, portanto, mundial, acabou sofrendo com isso. Em 2022, a Rússia foi lá e invadiu a Ucrânia, tomou 20% da Ucrânia, o que mexeu mais uma vez com a energia, porque começou a ter sanção, os europeus começaram a ter que comprar energia de outros lugares e tal, mexeu com a energia. Aí, janeiro agora de 2026,

vai lá e age na Venezuela, um país que tem as reservas comprovadas de petróleo maiores no mundo inteiro, que mexeu com a energia. E logo depois, Donald Trump, no final de fevereiro, faz um ataque, junto com Israel, contra o Irã, que é um dos maiores produtores de petróleo e gás natural do mundo inteiro. Ou seja, esses dois, Daniel, você pensa em Donald Trump e Vladimir Putin, são presidentes de duas superpotências energéticas, são produtores gigantescos de energia

energético mundial, não é de hoje. Aí os dois se ligaram, foi a primeira vez que eles se falaram por telefone esse ano agora, e segundo Donald Trump, tive uma conversa muito boa com o presidente Putin. Eu disse, você poderia ser mais útil acabando com a guerra entre Ucrânia e Rússia. Isso seria mais útil do que ficar pedindo diplomacia. E aparentemente, o líder russo, Vladimir Putin, alertou que a guerra entre Estados Unidos e Israel, Daniel, contra o Irã, obviamente, desencadeou uma crise energética.

de ética global. Então tá um tentando dar lição de moral pro outro, Daniel Souza. Olha, essas suas ações aí tão mexendo com energia. É, mas e a sua também? Eu fiquei tentando entender, né? Eles se tocam, né? Não é possível, né? Não é possível. Eles sabem. Eles sabem que os dois tão mexendo muito com energia. E Donald Trump foi além. Donald Trump disse o seguinte, ó, tá acontecendo lá no Golfo Pérsico, muito triste e tal. Mais uma vez, como se ele não tivesse nada a ver com isso, muito triste e tal.

Pô, ataque no Irã, o Golfo Pérsico ali, o Estreio de Hormuz tá complicado e tudo.

Estou pensando, inclusive, ele verbalizou isso, não é bastidores, tá? Donald Trump verbalizou isso. Estou pensando em suspender certas sanções relacionadas ao petróleo russo para reduzir os preços. Vamos retirar essas sanções até que isso se resolva. Ô, Daniel, o mundo está muito doido. Mas o fato é que agora os Estados Unidos entram em guerra contra o Irã, com apoio israelense, o petróleo fica maluco, e aí Donald Trump começa a considerar tirar as sanções contra a Rússia,

que foram colocadas porque a Rússia invadiu a Ucrânia, que, por sua vez, é aliada dos Estados Unidos e dos países da Europa Ocidental. Então, não estranhem se, nos próximos dias, para aliviar o preço do petróleo pelo fato de que o Estreio de Hormuz está fechado, a Rússia deixe de ser sancionada. Se isso acontecer, Daniel, eu consigo imaginar perfeitamente a Rússia começando a pressionar o Irã também. Falar, Irã, é o seguinte, você se vira aí, vê o que você faz, porque eu com o meu parça, que é Donald Trump, a gente está bem.

ter, Daniel, e isso é um cenário muito interessante, a possibilidade de a Rússia ficar cada vez mais interessada nessa guerra continuar. Se essa guerra continua, os trades russos continuam fechados e as sanções contra o petróleo russo acabam sendo liberadas. Mas é interessante, Daniel, como é que esses cenários diferentes, Ucrânia, Venezuela e Irã, todos eles acabam se conectando, tendo energia como elemento central e como a disponibilidade energética é uma só, você espalhar a

seja petróleo, seja gás natural pelo mundo todo, o mercado é o mesmo, essas coisas acabam se comunicando, o que acaba resultando em uma conversa absolutamente surreal entre Donald Trump e Vladimir Putin. A redução das sanções contra a Rússia seriam efetivas para reduzir o preço internacional do petróleo, claro, se a Rússia começa a ter novos mercados, se ela tem a possibilidade de aumentar as suas vendas de petróleo, isso aumenta a oferta global de energia e, consequentemente, puxa os preços para baixo

um cenário onde essa movimentação não tivesse sido feita. Isso mostra a enorme preocupação do Donald Trump com a pressão inflacionária que a alta do petróleo é capaz de causar nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos e no mundo, no próprio Brasil, a gente também tem alguns impactos importantes. Embora tanto os Estados Unidos quanto o Brasil, como são exportadores líquidos de energia, ou seja, exportam mais do que importam, na prática tendem a ter uma melhora nos seus resultados,

comerciais em função da alta do preço do petróleo. Mas, de qualquer maneira, o efeito inflacionário, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil, quanto em qualquer outra parte do mundo, aconteceria da mesma forma. E, diante de um cenário tão preocupante, diante da possibilidade de você perder ainda mais popularidade internamente, o Donald Trump olha para a Rússia, um gigantesco produtor de energia, que tem uma capacidade ociosa, que tem uma estrutura subutilizada, e diz,

Quem sabe? Por que não? A Rússia bombeando mais petróleo, vendendo para as pessoas, abrindo novos mercados como forma de minimizar essa crise. É claro que a Rússia não tem capacidade de substituir o Golfo Pérsico, mas já ajuda. Já seria ali uma maneira de minimizar as consequências da alta do preço do petróleo. Aliás, falando em alta do preço do petróleo, nós temos inúmeros governos que já começam a se movimentar

planos para tentar, de alguma maneira, mitigar os efeitos dessa crise. O presidente da Coreia do Sul, por exemplo, pediu um teto para o preço dos combustíveis para reduzir o impacto sobre os consumidores, o que é sempre algo meio problemático, porque, na prática, pode criar um ambiente de escassez. O Reino Unido discute apoio financeiro às famílias diante do aumento dos custos de energia, o que traria ainda mais déficit no governo britânico,

déficit, inclusive, que tem sido um dos principais problemas macroeconômicos do país. No caso das Filipinas, o setor público passou a trabalhar apenas quatro dias por semana como medida de economia de energia. É um país que depende muito da importação de energia. Na Índia, autoridades avaliam também medidas compensatórias, como subsídios, para lidar com a alta dos custos energéticos.

discutem uma possível liberação coordenada de petróleo das reservas estratégicas desses países, reservas estratégicas que poderão ser jogadas no mercado empurrando o preço para baixo. O ministro francês chegou a afirmar que a decisão ainda não foi tomada, mas que a situação está sendo monitorada com a Agência Internacional de Energia. Como você colocou há pouco, o governo Trump caminha na direção de relaxar restrições

Índia e outros países que possam importar petróleo russo, importar mais petróleo russo. O próprio secretário do Tesouro, o Besant, afirmou que mais sanções poderiam ser suspensas, se necessário. Novas sanções podem ser suspensas, além daquelas que já foram mencionadas para garantir a oferta global. E tem mais, Tanguy. A gente tem o Vietnã, que reduziu tarifas de importação de combustíveis. A Tailândia, que ampliou o uso de biocombustíveis.

na mistura dos combustíveis que são utilizados localmente, e também congelou o preço do gás de cozinha. A Indonésia e a Malásia estão caminhando para a implementação de preços subsidiados de combustíveis. É todo mundo se mexendo ao mesmo tempo, porque a alta do preço do petróleo arrebenta todo mundo. Arrebenta porque você acaba tendo uma inflação mais alta, isso diminui o poder de compra das famílias,

o custo das empresas e reduz a sua capacidade de investimento, na prática gera um risco de estagna e inflação. Estagnação da atividade econômica, eventualmente recessão, com alta da inflação, é o pior cenário possível que qualquer governo tem para administrar, ainda mais dentro de um contexto onde ele tem muito pouco para fazer. O que o governo pode fazer, Tanguy, quando você tem uma febre como essa, é dar antitérmico. Mas você não consegue combater a origem da febre. Você pode apenas combater

as consequências, os efeitos, os sintomas que estão ali causando dor ao paciente. De qualquer maneira, a gente vai seguir acompanhando, mas a tensão global em relação ao que acontece no Oriente Médio é gigantesca e é mais ou menos o que o Irã queria mesmo, porque esse tumulto faz com que muita gente ligue para o presidente Donald Trump e diga, o Trump, pelo amor de Deus, vamos parar com isso. Pô, está atrapalhando o meu negócio aqui, está atrapalhando a minha vida.

ontem, quando o Trump deu aquela declaração, muito bilionário americano ligando para o Trump, falando, Trump, pelo amor de Deus, para com isso, vai atrapalhar os lucros das minhas empresas, vai atrapalhar os meus negócios, vamos ter que, de alguma forma, buscar uma saída honrosa para nós e sair do Irã para que algum grau de normalidade seja restabelecido. Daniel, eu queria trazer só mais uma informação, que é o fato de que a Ucrânia, que a Ucrânia lida, já não é de hoje, com drones,

iranianos. O Irã vende os drones Shahed para a Rússia e a Rússia utiliza esses drones na guerra contra a Ucrânia. São aqueles drones, Daniel, de baixo custo. São drones, claro, a gente está falando barato aqui para o cenário de guerra, de armas e tal, que são todos muito caras. E são aqueles drones kamikaze. Então não é o drone que volta. Então é o drone que você lança, ele se choca contra o seu alvo e fica por lá mesmo. Então a Ucrânia, ela ofereceu para alguns países do Golfo e já

alguns especialistas para Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita para oferecer assistência técnica. Então, o recado do Volodymyr Zelensky é que a gente sabe como lidar. A gente tem lidado com esse tipo de drone e já não é de hoje. Então, a gente consegue mais ou menos orientar vocês o que vocês devem fazer para poder se proteger dessa ameaça. A gente tem um problema aqui, Daniel, que é uma simetria muito grande do custo de defesa. Só para a gente ter uma noção, um drone como esse,

valor, ele não é preciso, tá? Mas ele é estimado em algo entre 20 mil e 50 mil dólares por unidade. E sim, isso é muito barato em termos de armamento, tá? Entre 20 mil e 50 mil dólares por unidade. O problema é que o interceptador tradicional pra você lidar com um drone como esse, são os mísseis Patriot, que é de fabricação americana. O problema é que cada míssel Patriot, ele custa 4 milhões de dólares. Aí você imagina, Daniel, você usar um míssel

4 milhões de dólares para interceptar um drone kamikaze que pode custar 20 mil dólares. Então, a estratégia iraniana no início da guerra foi, meu amigo, lança quantos drones tiver, pega todos os drones e lança, porque você vai pegar esses drones, se chegar e atingir o alvo bem, se não chegar e for interceptado por um míssel Patriot, você está dando um prejuízo gigantesco e daqui a pouco vão acabar os mísseis Patriot, porque você não produz uma quantidade tão brutal assim os mísseis Patriot.

Então isso tem levado, inclusive, a um ajuste com o uso, por exemplo, de mísseis menores e de drones interceptadores, que, claro, são muito menos eficazes. O drone interceptador é aquele que o objetivo dele é encontrar o drone inimigo e se chocar contra ele antes que ele atinja o seu próprio alvo. Ou então mísseis menores, que ele tem um alcance menor, e aí também às vezes você não vai conseguir encontrar esse drone iraniano.

e tal, e a gente pode oferecer algum tipo de ajuda. E eu não vou comentar de forma muito aprofundada aqui, Daniel, mas só quero fazer um registro, porque a gente tem falado sobre isso ao longo dos últimos dias também, que é a situação da guerra no Líbano. No Líbano, nesse momento, Daniel, nós já temos 700 mil deslocados internos. Vou repetir, 700 mil deslocados internos, 500 mortos, na verdade, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 500 mortos. Lembrando que o Ministério da Saúde

com o Hezbollah, pelo contrário, o governo libanês tem lá problemas com o Hezbollah, então não tem a menor intenção de inflar esses números, porque é uma guerra contra o Hezbollah. Desses 580, pelo menos, são crianças que morreram durante os últimos dias em bombardeios israelenses contra o Líbano, contra instalações do Hezbollah, contra alvos do Hezbollah, mas acaba que civis também são duramente atingidos. Nos outros momentos, Daniel, que esse tipo de conflito aconteceu, de Israel atacar o território libanês,

a guisa de combater o Hezbollah, que acaba levando, na verdade, a um dano ao Líbano como um todo, os países do Golfo saíam em ajuda, né? Você tinha ajuda humanitária. Só que agora os países do Golfo também estão sob ataque iraniano. Então essa ajuda também não está chegando. A União Europeia, por exemplo, já anunciou em vídeo 45 toneladas de suprimentos de emergência. Então a gente está falando sobre kits médicos, cobertores, alimentos e tudo.

Mas nesse momento, Daniel, claro que você tem um impacto muito grande sobre o Irã,

direto, o Líbano, no entanto, é um efeito, entre aspas, colateral, mas que é muito, muito prejudicado. Ainda mais, levando em consideração mais uma vez que o Estado libanês tem nada a ver com isso. É uma guerra entre o Hezbollah e Israel, que nesse momento está em território libanês, principalmente ali no sudeste do país, Daniel. Tengui, registro rapidamente que a Ursula von der Leyen afirmou que reduzir o setor nuclear na Europa foi um erro estratégico.

ocorre em meio à crise energética provocada pela guerra envolvendo o Irã. Em 1990, a União Europeia produzia cerca de um terço da eletricidade a partir de energia nuclear. Hoje, esse número caiu para aproximadamente 15%. E segundo a Ursula von der Leyen, isso aumentou a dependência europeia de petróleo e gás importados. A presidente da comissão alertou que depender de importações caras

Láteis de combustíveis fósseis coloca a Europa em desvantagem estratégica frente a outras regiões. Tanguier, você jura mesmo que a Ursula von der Leyen descobriu agora que a Europa está mais exposta? Ah, cara. Agora, avisa para a Ursula que isso foi ideia da parça dela, a Angela Merkel. Angela Merkel que fica esse negócio aí. Vamos reduzir, fechar a usina nuclear. Tempos um momento histórico no Petit Jornal. Eu queria que tivesse uma vinheta, não vai ter vinheta.

Queria que agora eu fizesse silêncio e entrasse uma vinheta de um momento histórico no Petit Jornal, que é Daniel Souza tecendo alguma crítica à Angela Merkel. Daniel Souza teve dedos para lidar com Angela Merkel quando Vladimir Putin dominou o mercado energético europeu por causa de Angela Merkel. Criou gasoduto, super amiga de Vladimir e tal. Deu aquele problema todo. Angela Merkel já estava curtindo a aposentadoria dela. Onde que ela estava, Daniel, que a gente estimou? Trancoso.

da água de coco dela. Daniel Souza não criticou. Agora Daniel Souza chega ao ponto de criticar Angela Merkel. Isso aqui é um momento histórico do Petit Journal. É grave a crise, mas foi uma escolha absolutamente equivocada, particularmente dos alemães, que reduziram progressivamente o uso da energia nuclear, ao contrário da França, que se manteve firme na utilização desse tipo de mecanismo. Destacando aqui, gente, que a energia nuclear é bastante segura hoje,

e você teve uma evolução muito substantiva do ponto de vista tecnológico no que diz respeito à reciclagem do lixo tóxico e também no armazenamento do lixo tóxico. Você teve mudanças importantes e, consequentemente, ela se mostra uma boa alternativa até no que diz respeito a emissões de gases de efeito estufa. É uma energia muito adequada, inclusive, para reduzir emissões de gases do efeito estufa,

esse erro estratégico que está custando agora muito caro por conta dessa dependência da importação de petróleo e gás. Agora, Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje? Daniel, siga adiante, precisamos. Me conta. Tanguy, eu quero falar hoje sobre uma estátua que apareceu no National Mall ali na cidade de Washington, na capital dos Estados Unidos. É uma estátua, Tanguy, retratando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,

E aí os dois estão ali abraçados e tem uma placa na base da estátua dizendo o seguinte, abre aspas, os turistas estão fazendo a festa, estão tirando fotos da escultura que estava posicionada diante de banners com imagens de Trump e Epstein.

Epstein. Os banners exibiam o slogan, abre aspas, make America safe again, fecha aspas, uma paródia, claro, do grupo MAGA, justamente que o Trump tanto se orgulha. A obra, é claro que é interpretada como uma crítica política ao Donald Trump, lembrando que o Trump não é nada popular em Washington, D.C.,

inusuais assim. Mas é isso, Tanguy. King of the World, temos aí Donald Trump com Jeffrey Epstein. Um lindo caso de amor. Tentaram dizer que não, a gente não é mais amigo, mas a gente sabe que essa é uma amizade antiga entre os dois, não é por acaso que Donald Trump está desesperado tentando desviar o foco, até, sei lá, atacar o Irã, não sei, Venezuela, para ver se a gente fala sobre alguma outra coisa. Mas o fato é que o pessoal não está esquecendo muito não, não está dando muito certo.

a gente chegou ao fim do nosso episódio. Queria deixar aqui o agradecimento a todo mundo que está junto com a gente até aqui. Daqui a pouco, aliás, Daniel, daqui a uma hora, teremos mais uma aula lá no Petit Curso. Para você que é aluno do Petit Curso, teremos mais uma aula. A gente está falando no curso atual sobre o esfacelamento da liderança dos Estados Unidos. Como é que os Estados Unidos, até há pouco tempo, era uma grande liderança, pelo menos ocidental, e como é que os próprios parceiros dos Estados Unidos estão desconfiados, sei lá, que dá para confiar. E hoje a gente vai começar a falar sobre a dimensão econômica

dessa desconfiança. Se você é aluno do Petit Cursos, você pode assistir essa aula, inclusive gravada, né, depois que a aula for ministrada, vai tudo lá para a plataforma, além de ter acesso a toda a biblioteca de cursos do Petit Cursos, que está lá em petitcursos.com.br. Não perde essa oportunidade. Tanguy, fica aqui também o nosso agradecimento, o nosso abraço e carinho a todos os apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto.

O Petit Jornal é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado, não tem

o suporte de uma grande produtora. Por isso, a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância e fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma ótima forma de apoiar o Petit Jornal. A chave Pix te permite, inclusive, ativar o Pix recorrente.

Temos também o link para o Apoia-se, o link para o Patreon. Tenho certeza que uma dessas

alternativas, será confortável para você. É isso, Daniel Souza, mas estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu! Tchau, tchau!

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