O novo Líder Supremo do Irã - BP 1034
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O Irã escolhe seu novo Líder Supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. No episódio analisamos o perfil do novo líder e o significado político de sua escolha em pleno cenário de guerra, além do recado que o regime iraniano busca transmitir ao país e à região. Também discutimos a reação dos mercados de energia, com forte alta do petróleo após a confirmação do nome de Mojtaba, seguida de queda quando Donald Trump indicou que o conflito poderia se aproximar do fim.
Abordamos ainda a tentativa de reposicionamento diplomático de Teerã, com o presidente iraniano pedindo desculpas a países árabes e afirmando que não pretende atacar vizinhos do Golfo, apesar de novos ataques continuarem sendo registrados. Também discutimos a declaração de Trump de que avalia classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que teria implicações relevantes para o Brasil.
Na Geleia da Shakira, Vladimir Putin teve um acesso de tosse durante um discurso do Dia da Mulher e o Kremlin publicou o vídeo mesmo assim.
#Irã #OrienteMédio #Petróleo #Geopolítica #Brasil
- Sucessao Lider Supremo IraEleição de Mojtaba Khamenei · Sucessão hereditária inédita (pai para filho) · Falta de credenciais religiosas (não era Ayatollah) · Escolha por rapidez em contexto de guerra · Nomeação de Ayatollah após eleição · Recado de continuidade da linha dura
- Conflito EUA-IrãMorte de Ali Khamenei · Escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder · Legitimidade religiosa questionada · Continuidade da linha dura · Recado de não-recuo ao Ocidente
- Conflito Irã-EUADeclaração de Trump sobre fim iminente da guerra · Objetivos de guerra indefinidos · Estratégia de 'proclamar vitória' · Pressão inflacionária como fator político · Mitigação através de reservas estratégicas
- PCC e Comando Vermelho TerrorismoAnúncio em cúpula de Trump na Flórida · Marco Rubio (secretário de Estado) liderando iniciativa · Aprovação quase pronta · Impacto potencial no Brasil · Congelamento de ativos e sanções · Possibilidade de ações militares cobertas ou abertas
- Petroleo Economia GlobalAlta do barril para USD 120 · Reação a nomeação de Mojtaba · Queda após declaração de Trump · Pressão inflacionária global · Impacto em bolsas de valores
- Posição dos EUA e TrumpTrump declara Mojtaba inaceitável (paradoxo de aceitabilidade) · Sinalização de possível fim próximo da guerra · Indefinição dos objetivos finais da guerra · Mobilidade estratégica via objetivos vagos · Preocupação com pressão inflacionária · Recuo britânico confrontado por Trump
- Posição britânica hesitante e crítica de TrumpK. Starmer oscilando entre neutralidade e participação · Declaração inicial contra guerra (com França e Alemanha) · Mudança para participação defensiva · Ameaça de envio de dois porta-aviões · Crítica Trump: 'não é Churchill' · Recuo de Trump: 'agora não precisamos deles'
- Conexão Hezbollah-PCC-Comando VermelhoPresença de Hezbollah na tríplice fronteira · Cooperação com organizações criminosas brasileiras · Mecanismos de lavagem de dinheiro · Contorno de sanções americanas · Conexão terrorismo-crime organizado · Justificativa americana para sanções ao Brasil
- Classificacao Terrorismo BrasilCogitação de classificar PCC como terrorista · Possível classificação do Comando Vermelho · Implicações para comércio e economia brasileira · Conexões com Hezbollah na tríplice fronteira · Lavagem de dinheiro e contorno de sanções
- Expansao OTANAbatimento de míssil iraniano pela OTAN sobre Turquia · Hesitação da Grã-Bretanha em participar da guerra · Crítica de Trump a Keir Starmer · Comparação com Winston Churchill · Proposta britânica de envio de porta-aviões
- Sucessão hereditária no Irã como ruptura históricaContraste com primeira sucessão (Khomeini a Khamenei) · Sem relação de parentesco anterior · Oposição cultural à transmissão pai-filho · Falta de alinhamento com espírito da revolução · Precedente aberto por Ali Khamenei · Pragmatismo sobre pureza ideológica
- Bases Militares EUA Golfo PersicoPresença em Kuwait · Presença no Qatar · Presença no Bahrein · Presença nos Emirados Árabes · Presença na Arábia Saudita · Presença no Iraque · Vulnerabilidade a represálias iranianas
- OTAN TurquiaInterceptação de mísseis sobre Turquia · Segundo incidente de defesa aérea da OTAN · Base americana de Incirlik em território turco · Importância para operações no Oriente Médio · Alerta para país membro da OTAN · Escalação de ameaça regional
- Qualificações religiosas de Mojtaba KhameneiNão era Ayatollah antes da nomeação · Currículo religioso pouco sólido · Representante do pai em Qom (cidade sagrada) · Conexões com guarida revolucionária · Intermediário com clérigos experientes · Nomeação como Ayatollah retrospectiva
- Geleia Shakira PutinDiscurso de Putin no Dia Internacional da Mulher · Vídeo publicado sem edição · Tosse constrangedora do líder russo · Possível consequência para funcionários do Kremlin · Imagem pública de força comprometida
Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1034. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 16 minutos da segunda-feira, 9 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, vírgula, ô Bagdadinho animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado.
Daniel Souza, um prazer ter você aqui, principalmente porque quem está vendo no vídeo,
voltou à pátria-mãe, voltou ao Brasil, está de volta finalmente ao país. Não está mais virado naquele fuso horário completamente maluco, então seja muito bem-vindo de volta. Deixe aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, sejam muito bem-vindos também. Esse é o primeiro episódio da semana, não tivemos episódio nessa segunda-feira de manhã, mas daqui a gente segue. Sejam todos muito bem-vindos. Daniel Souza, esse e-mail é o seguinte, tem gente que precisa, que pode precisar de palestra, de consultoria,
de algum tipo de ajuda para entender esse momento pelo qual o mundo está passando. Está tudo sendo alterado. Questões geopolíticas, questões econômicas, questões energéticas. Está tudo sendo muito modificado. Então, se esse é o seu caso, se você gostaria de uma palestra do Petit Jornal na sua empresa, por exemplo, fala com a gente, conversa com a gente, porque a gente está fechando a agenda dos próximos meses. Ainda temos algumas vagas para palestra.
Se esse é o seu interesse, entre em contato com a gente pelo e-mail que está na descrição desse episódio, que a gente pode conversar e fazer algo
direcionado para aquilo que você precisa, bem personalizado para as suas necessidades. Daniel Souza, por falar nisso, aliás, a gente teve modificações importantes no cenário relacionado à guerra, que envolve ali o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O Irã já tinha anunciado que não demoraria a escolher um novo líder supremo, depois da morte, há pouco mais de uma semana de Ali Khamenei, era líder supremo desde 1989, fazia muito tempo, 37 anos,
E agora nós já temos um novo líder supremo, que é Mostaba Kamenei, ou Mostaba Ramenei, como você queira a pronúncia, filho de Ali Kamenei. Eu vim comentando aqui na semana passada, Daniel, que a sucessão hereditária dentro do Irã não é muito bem vista. A ideia de que você passa o poder de pai para filho não é muito o espírito da revolução, tanto é que o primeiro você teve lá o Ayatollah Khomeini, e depois você teve o Kamenei,
não tinha nenhuma relação de parentesco entre eles. Claro que os dois dizem que tem uma ligação direta com o próprio profeta, com Mohamed, mas isso é algo que soa mais simbólico do que qualquer outra coisa. Mas aqui, Daniel, optou-se pelo sobrenome. Precisavam de alguém com uma certa rapidez e opta-se pelo sobrenome. Ali, Ramenei, Daniel, ele tentava preparar Mostaba Ramenei, o seu filho, para ser o seu sucessor,
Havia muita resistência a Mostaba Ramenei de repente ser o seu sucessor. Primeiro, que ele era considerado muito jovem. Mostaba Ramenei tem 56 anos. Aliás, o pai dele se tornou primeiro líder supremo quando tinha 60. Então, os dois relativamente jovens para o cargo. Mas Mostaba Ramenei tem 56 anos e tem um currículo religioso, Daniel, pouco sólido. Só para ter uma ideia, Daniel, até o dia de hoje, Mostaba Ramenei não era Ayatollah.
Ayatollah no dia de hoje. Então ele não estava na Assembleia dos Especialistas, ele estava, na verdade, muito em contato com os ayatollahs, com clérigos mais cotados, mais experientes, porque ele atuava como representante do pai em Qom, que é a cidade sagrada do chiísmo, que é exatamente onde os clérigos se reúnem tradicionalmente. Então ele era meio que o enviado do pai. Claro que com isso ele ganha muita força, ele é um cara conhecido, ele tem boas conexões ali junto à guarda revolucionária,
Mas Mustafa Khamenei está longe de ser uma sumidade quando você fala sobre questões religiosas. Ele está ali, Daniel, num patamar meio intermediário e torna-se Ayatollah só agora, depois da sua nomeação. Ou seja, claramente, Daniel, a questão política, a necessidade de você ter um líder supremo com rapidez no momento em que o país está sob ataque, falou mais alto do que a pureza religiosa. E tem outro elemento aqui que é sempre importante a gente,
lembrar, que é o fato de que o Trump disse que Mostaba Ramenei era inaceitável. Ah, Daniel, na hora que o Trump diz que o nome dele é inaceitável, ele se torna automaticamente favorito. Aí, claro que o corpo de especialista, os 88 especialistas ali que se reuniram, que tinham que se reunir para escolher o seu sucessor, vão olhar para Mostaba Ramenei automaticamente como um nome muito adequado para o momento no qual os Estados Unidos,
Falou sobre isso na semana passada que Trump queria participar diretamente da decisão. O que o Irã está dizendo aqui é não, não, não. A gente tem uma linha de continuidade. Os Estados Unidos não vão mudar a nossa continuidade, a nossa lógica interna de tomar as nossas próprias decisões. E você passa um recado que é a ideia de continuidade, inclusive da linha dura. Mostaba Ramenei é considerado um cara da linha dura. É considerado um cara que é visto como um recado que você está dando, que é
a gente não vai recuar, a gente não vai esmorecer, a gente não vai pedir pinico, a gente não vai ceder o que os Estados Unidos querem, mesmo que, para isso, a gente precise escolher um líder supremo que não seja tão sólido ou tão puro do ponto de vista religioso. Então, esse é um ponto importante, Daniel, porque ele aproveita, inclusive, uma brecha que foi aberta pelo seu pai. A lógica, assim que teve a Revolução, Daniel, é que, para ser líder supremo, tinha que ser Ayatollah.
Lacomene morre, o nome mais forte que tinha para assumir esse cargo era de Ali Khamenei, que não era Ayatollah ainda. Então foi aberta uma brecha na Constituição Iraniana que determina que, mesmo se o cara não for Ayatollah, ele pode se tornar o líder supremo e vai ser nomeado Ayatollah a partir daí. Então é interessante, porque o Mostaba Khamenei acaba aproveitando uma brecha que foi aberta para o pai dele, que também não era Ayatollah, o caso foi muito parecido. Ali Khamenei tinha sido presidente de 81 ou 89,
já era um nome forte dentro do Irã. No momento em que houve necessidade, ele foi alçado a esse posto. Mas de qualquer maneira, Daniel, o ponto que eu quero trazer aqui é a gente tem um recado de continuidade que é dado por parte do Irã, que é não vamos esmorecer. A gente está disposto a continuar. E me parece que o recado foi entendido mundialmente, né, Daniel? Como é que o mundo entendeu esse recado que foi dado pelo Irã? Tem que ir. O mundo entendeu o recado na hora.
o filho do líder supremo anterior, sinalizava a ausência de qualquer tipo de recuo por parte dos iranianos e, consequentemente, o alongamento da guerra. Diante disso, o petróleo entrou numa escalada fortíssima. Nós tivemos aí o barril de petróleo, chegou a tocar os 120 dólares o barril, algo em torno disso. Uma alta considerável, quer dizer, o maior nível para o barril de petróleo desde 2022, na medida em que percebeu-se que, olha,
O Irã não vai recuar, o Irã vai radicalizar, até porque essa radicalização é vista pelo próprio regime como um gesto de sobrevivência. É importante sempre lembrar que a gente está falando de muitos apoiadores do regime espalhados pelo país, espalhados pelas aldeias, muita gente que ascendeu socialmente pelas graças do regime, muita gente que está disposta a matar e morrer pelo regime dos ayatolás.
pessoas. Como é que você sinaliza para radicalizados? Radicalizando, porque com isso você consegue manter ali o regime forte, é um regime que está disposto a matar dezenas de milhares de pessoas, de cidadãos nacionais, se necessário for, como nós vimos, para se manter de pé. Diante dessa intransigência, ficou muito claro que, olha, essa guerra vai continuar por bastante tempo. E agora a gente está cruzando também, Tanguy, a barreira psicológica
lógica dos 10 dias. 10 dias de guerra é o período considerado onde você consegue reorganizar suprimentos de petróleo, você consegue dispor de reservas, você consegue dispor de estoques e, consequentemente, os impactos não são lá muito relevantes. A partir do décimo dia, a coisa muda de figura. Você já começa a ter a percepção de que, olha, o impacto será real. E, sendo um impacto real,
Não tem jeito, com menos oferta de petróleo, não tem como contornar o Golfo Pérsico, não tem como ampliar a oferta em outros lugares tão rapidamente, não tem soluções logísticas de escala para que esse petróleo possa ser escoado de uma outra forma. O impacto veio, o impacto virá, o impacto realmente será relevante. E diante disso, o mercado antecipa e já empurra o preço do barril de petróleo para cima.
Então, o mais caro acaba trazendo consequências severas sobre a inflação mundial e também sobre o crescimento mundial. Uma inflação mais alta diminui o poder de compra das pessoas, elas consomem menos, a economia cresce menos. Uma inflação mais alta aumenta o custo das empresas, elas investem menos, produzem menos, a economia cresce menos. Além da própria escassez de energia em si, com menos energia, você tem menos capacidade de produzir justamente por conta dessa escassez.
que Donald Trump sentiu o baque. E o que acabou acontecendo foi que ele acabou dando uma entrevista na tarde dessa segunda-feira, sugerindo que o fim da guerra está próximo. Ou seja, já temos ali uma luz no fim do túnel, é uma operação de curto prazo, é Donald Trump sendo Donald Trump. Ele pode muito bem encontrar uma justificativa qualquer, proclamar vitória,
fazer a malinha e ir embora. As pessoas também já começaram a entender como o Donald Trump funciona. Diante disso, o petróleo que estava subindo, feito um foguete, começou a desabar. Nós tivemos o petróleo caindo para menos de 90 dólares o barril. Quer dizer, uma oscilação muito significativa num período de tempo muito curto. As bolsas que estavam caindo, estavam caindo por conta da percepção de um petróleo mais caro, que faz com que as empresas produzam menos, vendam menos, lucrem menos.
precisa ter um ajuste no valor das ações, as ações que estavam caindo começaram a subir. As bolsas que estavam caindo começaram a se recuperar. Tudo isso porque o Donald Trump, que não é bobo, sinalizou que a guerra pode estar próxima do seu final. Ele sabe, Tanguy, que uma pressão inflacionária sobre os Estados Unidos seria mortal para ele agora. Por mais que os Estados Unidos tenham reservas estratégicas, por mais que outros países também tenham e possam colocar essas reservas estratégicas
mercado como forma de mitigar o impacto sobre o preço, é muito improvável que o Donald Trump saísse protegido ou saísse inteiro de uma pressão inflacionária violenta com uma escalada do preço do petróleo como essa. Na semana passada, aliás, a gente comentou várias vezes que os Estados Unidos pareciam meio oscilantes com relação a qual é o objetivo final da guerra. E me parece que aí a gente tem talvez uma explicação. No momento que você não determina qual é o objetivo final da guerra,
Se é acabar com o programa de mísseis balísticos, se é acabar com o programa nuclear ou se é qualquer outra finalidade, você também passa a ter a possibilidade de a qualquer momento falar assim, opa, ganhei, acabou a guerra. Você tem uma mobilidade maior. Então quando Donald Trump diz, quando ele falou isso, o que ele disse é, os nossos objetivos já estão quase todos atingidos. Nos resta acreditar, porque os objetivos nunca foram delineados.
Quais objetivos? O que ele está dizendo para todo mundo é, vocês têm que acreditar em mim, nós determinando os objetivos, e nós estamos cumprindo esse objetivo, estamos quase acabando. Gente, fica tranquilo aí, vamos tranquilizar, porque o problema não é tão grande assim. Aliás, Daniel, vou aproveitar aqui essa deixa para lembrar que se o petróleo, o preço sobe, o preço desce e tal, a Insider está aproveitando agora o mês do consumidor. Parece que não tem mês do consumidor do petróleo, que aí não tem essa,
mês do consumidor e nós estamos no momento culminante do mês do consumidor da Insider. Tome nota, Daniel. Pega sua caneta aí. 50% de desconto que você pode chegar se você somar os descontos que já estão no site. Aliás, os descontos do site que também estão completamente sem noção, tá, Daniel? Baixaram tudo lá. Mais o cupom do Petit Jornal. Até 50% de desconto. Então, assim, estava pensando em comprar alguma coisa na Insider,
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tem o presidente do Irã, o Massoud Pesekian, que estava meio sumido, né, Daniel? Fazia tempo que a gente não ouvia falar do homem, né? O homem estava ali participando de uma administração netrina, né? Então ele e mais duas pessoas ali tocando o país enquanto você não tinha ainda o líder supremo. Foi escolhido o líder supremo e Massoud Pesekian, presidente do Irã, vem a público para pedir desculpas publicamente às nações árabes do Golfo depois de uma semana de ataques iranianos.
Mas depois desse pedido de desculpas, eu estou vendo aqui no caderninho e ataques tivemos depois desse pedido de desculpas. Então, a frase dele foi a seguinte. Pedimos desculpas. Ele colocou na conta pessoal dele. Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã. Não temos a intenção de atacar países vizinhos. Como já disse repetidamente, olha que bonito, eles são nossos irmãos. Então, o que ele disse é...
A partir de agora, já passei as instruções para o exército, para as Forças Armadas, e as Forças Armadas iranianas só atacarão países árabes, países do Golfo ali, de onde saírem ataques americanos e, eventualmente, israelenses contra o território iraniano. Então, assim, se do seu território sair um ataque, aí a gente vai retaliar, a gente vai reagir. Parece, Daniel, que a estratégia é meio do good cop, bad cop. Então, você tem o Mostaba Khamenei,
filho do Ali Khamenei, que está sendo eleito ali, está sendo colocado já como cara radical, alinhadura, é o cara que não vai recuar, é o cara que vai conduzir o país em direção a uma resistência aguerrida, violenta, agressiva, contra Estados Unidos e Israel e que vai tragar, portanto, os países do Golfo junto. Ao mesmo tempo, vem o presidente e diz, olha, não é bem assim, não é o que a gente quer e tal, e disse que, olha, vocês, países do Golfo, têm que se livrar desse negócio aí de serem,
lamba e bota de imperialista. Esse aqui é um ataque imperialista contra a gente. O recado dele é meio assim, hoje tá sendo contra a gente, mas já foi contra o Iraque, já foi contra outros países, é melhor vocês. Já foi contra a Síria, é melhor vocês se ligarem aí, porque a gente não quer brilho com vocês. O que não tá claro ainda, Daniel, é quanto que esse negócio começa a valer. Se já entrou em vigor, se o Massoud Pesachian falou isso só pra ver se ameniza um pouco a relação com os países da região e tal,
foi que a gente continuou tendo ataques. A gente tem, por exemplo, um incêndio grande no Bahrein. No Bahrein você teve um incêndio grande que teria sido causado por drones iranianos. Mais uma vez, é muito difícil porque a gente nunca tem confirmação se for um drone iraniano mesmo. A gente não tem como saber. Mas imagina-se que sim. O Bahrein disse, olha, houve um ataque com um drone aqui que gerou grandes, um incêndio razoável, não deixou vítimas, mas um incêndio razoável no Bahrein.
passo adiante e começar a utilizar helicópteros de ataque Apache para abater drones iranianos Shahid, aquele mesmo que o Irã vende lá para a Ucrânia, sobre o Golfo Pérsico. Então, é uma lógica meio, olha, a gente continua vendo drones iranianos chegando perto do nosso território, a gente vai continuar se protegendo, mesmo com o Massoud Pezeskian dizendo que a gente não é mais alvo de coisa nenhuma. A mensagem é muito clara, né, Tanguy? Nós já atacamos uma vez, poderemos eventualmente estar atacando outras vezes.
Estava aqui olhando no meu bloco de notas, que parece que o presidente do Irã é subordinado ao líder supremo. Consequentemente, o líder supremo que comanda as forças armadas pode eventualmente estar realizando ataques a despeito da opinião pessoal, como ele muito bem colocou, do presidente iraniano. E tem mais. Nós temos aqui os Estados Unidos com bases militares no Kuwait, no Qatar, no Bahrein, nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita, no Iraque, isso tudo no Golfo Pérsico.
você ter um ataque contra um desses países, ou novos ataques contra esses países por conta de alguma movimentação numa base americana nesses países é enorme. Você tem ali uma estratégia um pouco de morde a sopra, quer dizer, você tenta baixar a pressão em relação aos vizinhos, mas pode aumentar a pressão assim que for necessário, até porque a justificativa já está endereçada. Olha, vocês têm bases do meu inimigo, se vocês têm bases do meu inimigo, vocês
podem ser atacados por mim. Esse momento é o momento no qual o Irã tem adotado uma estratégia realmente de jogar na confusão, de aumentar a confusão para os países da região e também para o mercado internacional de petróleo. Como nós vimos há poucos instantes, a alta do petróleo está começando a pressionar o Trump, a água está subindo. A pressão também sobre os países da região agora arrefece um pouco, mas pode voltar a aumentar. O Irã está jogando com as armas.
que tem, e me parece que nesse caso em particular, adoto bad cop, good cop, como você colocou há pouco, ou então uma certa estratégia de morde à sobra. Ataquei, peço desculpas, mas quem está pedindo desculpas é o presidente, presidente que não comanda as forças armadas, e na sequência pode ser que um outro ataque aconteça por uma justificativa de envolvimento daquele país com as bases americanas que podem estar sendo utilizadas dentro de um conflito de guerra. É uma desculpa, mas é uma desculpa muito
com vários cenões e possibilidades em aberto para novos ataques. Eu queria falar um pouquinho também sobre a OTAN, Daniel, porque a gente teve dois países que hoje, membros da OTAN, olharam para essa guerra de novo de maneira renovada. Então a gente teve, pela segunda vez desde o início da guerra, forças da OTAN no Mediterrâneo abatendo um míssil disparado do Irã que estaria indo em direção à Turquia. Então você já coloca ali mais um país em alerta, lembrando que há uma base da OTAN
Estados Unidos, em território turco, que é a base de Incirlik, que é uma base importante para as operações norte-americanas ali no Oriente Médio. E a gente também teve mais um capítulo da treta infinita entre Donald Trump e o primeiro-ministro britânico, que é o K. Stormer. O K. Stormer, Daniel, ele parece muito hesitante. Então, no primeiro momento, ele disse que apoiava, ele soltou uma declaração junto com a França e com a Alemanha, dizendo que apoiava a volta à diplomacia, e aí parecia que não ia
participar da guerra, assim como franceses e alemães. Depois ele diz que participaria de forma defensiva e aí o Trump desceu o cacete nele, dizendo que, olha, nós não estamos mesmo lidando com Winston Churchill. O recado é, Churchill não tinha medo. O Churchill ia junto com a gente. O Churchill foi lutar contra o eixo junto com a gente. Mas o Churchill tinha um Roosevelt do outro lado. Isso também faz muita diferença. Um Roosevelt que sempre que pôde... O Churchill sempre teve um Roosevelt,
que dentro das possibilidades dele, às vezes até indo contra o Congresso dos Estados Unidos, ajudou os britânicos do jeito que deu, até que finalmente os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, cerrando fileiras ao lado dos britânicos. Mas se de um lado o Starmer não é o Churchill, o Trump também não é o Roosevelt, né? Pois é, e aí no meio disso tudo, o Starmer começou a ficar pressionado, você tem uma oposição dentro do parlamento que diz, pô, a gente tem que ir para a guerra, o Irã é uma ameaça para a gente,
os Estados Unidos são nossos aliados. E aí o Starmer, ainda de forma muito hesitante, sugeriu que poderia mandar dois porta-aviões britânicos para o Oriente Médio. Aí, Daniel, você entrega de mão beijada para o Trump sapatear na cara do Starmer. E o que ele disse foi, Donald Trump, abro aspas, o Reino Unido está finalmente pensando em mandar dois porta-aviões ao Oriente Médio. Tudo bem, não precisamos mais deles.
Então o que ele disse é, já vencemos a guerra, os britânicos agora estão querendo vir, mas agora quem não quer sou eu. Isso coloca o Stalin numa situação horrorosa, né, Daniel? Porque de início ele queria ficar naquela ideia de eu não vou, ele é muito pressionado, inclusive pelo próprio Trump, e aí de forma hesitante ele resolve ir, mas na hora que ele vai ele já perdeu o time. Meu amigo, ou você vai, você vai de primeira, ou você não vai e você não vai mesmo, você vai firmar a posição que você não vai.
Então, a posição britânica nesse momento é muito delicada. Fica ali entre uma certa racionalidade, e essa guerra não faz sentido para mim, e uma aliança com os Estados Unidos. E a situação para o Starmer ficou muito esquisita do ponto de vista diplomático, Daniel. Fez que foi, não foi, e acabou fundo. Né, Tanguy? Numa situação como essa, você muito bem colocou o líder das duas uma. Ou logo no início ele entra, abraça o Trump e seja o que Deus quiser, ou não abraçou. Meu amigo, segura o rojão também. Você não foi.
a guerra não está andando como se esperava e segura a posição e diz que não vai e acabou. Defende qual é o seu ponto de vista, olha, não faz sentido, etc. De repente podemos defender ali a nossa base no Chipre, podemos ter ali algumas operações de contenção, mas eu não vou mandar dois porta-aviões, que é um gesto de guerra muito forte, você mandar porta-aviões ali para a região do conflito. Daniel, eu queria finalizar o nosso episódio hoje como última pauta,
questão que não está relacionada à guerra de Irã e Israel, que naturalmente tem monopolizado e tem que ser mesmo, né? Enfim, essa guerra Irã, Estados Unidos e Israel, que é falar um pouquinho sobre a cúpula. A gente tinha falado sobre essa cúpula, se eu não me engano, umas duas semanas atrás, que Donald Trump organizou na Flórida, mais especificamente na cidade Doral. E ele convidou para essa cúpula líderes da América Latina aliados dos Estados Unidos.
Então estava lá o Javier Mele, estava lá o Santiago Penha, do Paraguai, estava lá o Naí Bukele, de El Salvador e tudo.
E nessa cúpula, Daniel, ele começou a cogitar, começou a soltar a possibilidade de reconhecer determinados grupos latino-americanos como entidades terroristas, entre eles o primeiro comando da capital, o PCC, e o Comando Vermelho. E é importante a gente ter noção de quais são as implicações disso. Esse reconhecimento ainda não foi feito. Ao que tudo indica, Marco Rubio, o secretário de Estado, é que está liderando essa iniciativa.
e as informações que a gente tem é que já está praticamente pronto e vai ser levado para o parlamento e no parlamento lá eles vão ver o que vai acontecer. E que Mauro Vieira, o chanceler brasileiro, falou com o Marco Rubio no dia de ontem, no domingo, para tentar ver se consegue um recuo disso, porque isso de fato pode ser um problemaço para o Brasil. O que quer dizer você reconhecer o primeiro comando da capital e o comando vermelho, entre outras possíveis organizações como terroristas?
determinam que alguma organização é terrorista, você passa a ter uma facilidade maior para ações muito duras contra essas organizações, organizações essas que estão num país soberano, que pode ser severamente prejudicado também. Então os Estados Unidos passaria a ter uma certa liberdade para, por exemplo, promover determinados congelamentos de ativos, determinadas ações que poderiam prejudicar o PCC e o Comando Vermelho, mas que eventualmente poderiam prejudicar o Brasil como um todo.
prejudicar, por exemplo, o comércio. Ah, não, olha, esse produto aqui, ele foi feito, vou dar um exemplo, tá? Ele foi feito no estado de São Paulo. O estado de São Paulo é aquele lá do PCC, que é terrorista? É. O PCC é de São Paulo. Esse produto aqui é de São Paulo. Esse produto, ele pode ser prejudicado ao entrar nos Estados Unidos. Esse produto aqui é do Rio? É. Rio de Janeiro, que é da onde tem lá o Comando Vermelho? É, Comando Vermelho.
Então tem um grupo terrorista lá? Tem. Esse produto, ele pode ter dificuldade de entrar. Além de outras ações mais extremadas, Daniel, como o
eventualmente, claro que aqui é um caso bem mais complicado, mas que não se torna impossível a partir de agora, de ações militares. Vamos fazer ações militares encobertas ou ações militares abertas mesmo contra o PCC e contra o Comando Vermelho, e no meio disso tudo temos o Brasil. Você pode ter dificuldade de até te aviso, Daniel. Você mora numa cidade onde tem a atuação do PCC e do Comando Vermelho, eu preciso saber muito bem o que você está fazendo e se você não tem negação com essas pessoas. Então, por isso que diplomaticamente o Brasil tem agido bastante para evitar,
que isso avance e se torne um problema para o Brasil, Daniel. A justificativa que os Estados Unidos têm utilizado, Tanguy, é que o grupo Heisbola teria ali uma presença na tríplice fronteira no sul do país e que esse grupo teria estabelecido relações com as organizações criminosas brasileiras no que tange a mecanismos de lavagem de dinheiro e como forma de contornar sanções que são impostas aos Estados Unidos, etc. Ou seja, se esses grupos,
cooperam com o terrorismo, com grupos terroristas como o Hezbollah, o Brasil teria que ser potencialmente sancionado para evitar justamente que esse tipo de cooperação acontecesse. E, claro, tem também ali uma mensagem que é a seguinte, olha, eu quero criar ali um discurso favorável ao candidato da oposição, contrário ao atual governo, porque o governo brasileiro fica numa situação muito difícil, Tanguy, que é ser contra a classificação
dessas organizações criminosas, como grupos terroristas, e, consequentemente, é como se o atual governo estivesse defendendo essas organizações criminosas. Tem uma pegadinha e uma sutileza que pode criar embaraços durante a corrida eleitoral. A gente está falando de um Brasil onde o crime organizado é um problema sairíssimo, e o combate ao crime organizado é uma prioridade para a maioria dos brasileiros. Portanto, o Trump, ao mesmo tempo em que ele dá uma ajuda ao candidato da oposição,
ele mantém ali os seus canais de diálogo com o Lula e pode manter todas as suas conversas com o Lula. Mas, tecnicamente, a justificativa seria essa. Quer dizer, grupos terroristas como o Hezbollah estariam cooperando com as organizações criminosas no Brasil para que eles não fossem alcançados por sanções que são impostas pelos Estados Unidos. Ô, Daniel Souza, para a gente encerrar nosso episódio, temos uma geleiazinha no ponto aí para ser servido para os nossos ouvintes? Ah, temos sim, Tanguy.
Hoje eu quero falar sobre pessoas que cometem erros. Todos nós cometemos erros. Todos nós somos suscetíveis a falhas. Pois bem, Vladimir Putin, Tanguy, resolveu gravar um discurso em homenagem ao Dia das Mulheres. Aliás, o nosso carinho a todas as ouvintes do Petit Jornal. Esquer, ele começou a tossir. E aí não conseguia falar. Alguém oferece água para ele. Ele fala, não, não, não, não. Afinal, sei lá, que água é essa que vocês vão me oferecer?
Mas o Vladimir Putin, depois de muito tossir, conseguiu gravar lá o seu pronunciamento, a sua mensagem de homenagem às mulheres pelo Dia Internacional da Mulher. O Kremlin, Tanguy, resolveu publicar o vídeo sem edição. Publicou sem edição lá o vídeo com o Putin constrangidoramente tossindo. Algo que o Putin jamais admitiria, porque o Putin não falha. O Putin é um homem forte, é um homem que monta ursos, é um homem que caça sem camisa.
que mergulha no gelo, ele não tosse, Tanguy. Então, esse erro pode ter custado o emprego de alguém, alguém pode estar na Sibéria nesse momento, porque publicou ali a versão sem edição do pronunciamento de Vladimir Putin em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Alô, Vladimir Putin! A gente falou que pode ter custado emprego, a gente não falou nada que pode ter custado a vida, porque a gente tem certeza que isso jamais aconteceria na Rússia.
Era mais que Vladimir Putin, que é um cara que certamente ama todos os funcionários do Kremlin.
Está bastante claro, o Petit Jornal tem certeza que o máximo que pode ter acontecido é ter custado o emprego de alguém. Daniel Soa, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Se você quer saber mais sobre tudo, todo esse ambiente periclitante do mundo de hoje, acessa lá... Pantanoso. Pô, pantanoso ficou bonito. Esse mundo pantanoso que nós temos diante de nós, acessa lá peticursos.com.br Você vai ter acesso às aulas ao vivo que acontecem toda terça-feira às 19 horas,
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