UE abre as portas para a Ucrânia - BP 1084
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A União Europeia amplia a abertura política para a entrada da Ucrânia no bloco, mesmo diante da forte resistência da Rússia e das preocupações com os impactos geopolíticos da decisão. No episódio analisamos o significado desse movimento para a segurança europeia e para o futuro da guerra no leste europeu. Também discutimos a renegociação do USMCA iniciada pelos Estados Unidos com o México, deixando o Canadá temporariamente de fora, além do novo acordo de segurança firmado entre Reino Unido e Polônia diante das tensões com Moscou.
Abordamos ainda a decisão do Brasil de enviar um avião com alimentos para ajudar a Bolívia em meio aos protestos que bloqueiam estradas e afetam o abastecimento do país. Também discutimos o relatório do Banco Africano de Desenvolvimento que aponta crescimento resiliente da África apesar da crise no Oriente Médio.
Na Geleia da Shakira, Robert F. Kennedy Jr. viraliza após relatar que costuma pegar cobras com as mãos e já foi picado “diversas vezes”.
#Ucrânia #UniãoEuropeia #Geopolítica #Rússia #AméricaLatina
- Empréstimo da União Europeia para a UcrâniaUnião Europeia · Ucrânia · Rússia · Ursula von der Leyen · Viktor Orbán · Zelensky · Alemanha · Friedrich Merz
- Renegociação de DívidasUSMCA · Estados Unidos · México · Canadá · Donald Trump · NAFTA · Jeffrey Goldman · Claudia Sheinbaum
- Eleições e política na BolíviaBolívia · Brasil · Força Aérea Brasileira (FAB) · Evo Morales · Rodrigo Paz · Luiz Arce · Lula · Crise econômica boliviana
- Acordo de segurança Reino Unido-PolôniaReino Unido · Polônia · Rússia · OTAN · França · Alemanha
- Geleia Shakira PutinRobert Kennedy Jr. · Mehmet Oz · Flórida
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1084. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 21 minutos da quarta-feira, 27 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.
Tanguy, ô Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e muito preocupado. Insônia. Insônia realmente acomete o professor Bagdadi nesses últimos tempos, esse mundo pantanoso, inseguro, incerto, com múltiplas preocupações. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas.
E começamos com o Crânia. O Crânia vai partir para o abraço. O Crânia vai para a galera. O Crânia finalmente vai entrar na União Europeia. Ou não, saberemos hoje. Tudo bem, professor Magdati? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1084. Um prazer estar aqui de novo nessa noite de quarta-feira. Friozinho no Rio de Janeiro, Daniel Souza. Não estamos nem acostumados. Estamos aqui fingindo o costume para gravar mais esse episódio.
E queria dar as boas-vindas a todo mundo que está aqui com a gente. E é verdade, Daniel, a gente começa a falar o nosso episódio hoje sobre a Ucrânia. Eu quero apenas lembrar, Daniel, que você trouxe uma pauta ontem falando sobre a Armênia. O Marco Rubio esteve na Armênia e aí a Rússia deu o recado dela que foi, olha só, Armênia, o seguinte. Quiser conversar com esse povo aí, quiser falar com os Estados Unidos, quiser entrar na União Europeia, pode entrar.
Mas vai ficar com frio. Vai ficar sem petróleo, vai ficar sem gás, vai ficar sem diamante, vai ficar sem um monte de coisa que lembra que é mamãe Rússia que oferece. Já parei de comprar teu conhaque também. Não vou realmente ficar dando aquela molezinha que eu dava até bem pouco tempo atrás.
Para eu cortar, Daniel, é dois palitos. Eu corto esse negócio de uma hora para outra. E aí agora, Daniel, a gente tem não apenas a União Europeia dialogando com a Armênia, e a Armênia, portanto, ficando numa situação complicada, a relação da Armênia com a Rússia é uma relação...
complicada ao longo dos últimos anos. A Armênia se ressente um pouco do fato de não ter sido protegida quando o Azerbaijão atacou lá em 2023 na Goro Karabakh. E agora, Daniel, a Ucrânia está forçando a barra de novo para tentar entrar na União Europeia. Hoje a gente teve uma declaração da Ursula von der Leyen, que é presidente da Comissão Europeia.
dizendo que pretende sim avançar com a entrada da Ucrânia na União Europeia. A gente lembra, a gente vem acompanhando isso já há alguns anos, que a Ursula von der Leyen é uma super defensora da Ucrânia. A Ursula von der Leyen, um tempo atrás, ela não saía de casa se não tivesse vestido com as cores da bandeira da Ucrânia. Você deve se lembrar disso, ela estava sempre de azul e amarelo. Todos os dias de azul e amarelo. Qualquer discurso, qualquer visita e tal, estava sempre de azul e amarelo. E, portanto...
A Ustav von der Leyen disse, não, a gente vai avançar, porra, a Ucrânia vai entrar na União Europeia e tal. E o Zelensky, Daniel, falou assim, olha, a hora da gente entrar na União Europeia é essa, principalmente porque até pouco tempo atrás havia um grande entrave que era o Viktor Orbán.
O Viktor Orban estava sempre ali dizendo, não vai entrar, não vou permitir e tal, e agora não tem mais Viktor Orban, dá para finalmente a gente pensar nessa possibilidade. A impressão que eu fiquei, Daniel, era que o Viktor Orban era uma excelente desculpa para outros países que achavam que a entrada da Ucrânia podia trazer mais dores de cabeça do que exatamente soluções. A Alemanha, por exemplo, se manifestou, o Friedrich Merz, o chanceler alemão,
se pronunciou de maneira extremamente cautelosa e falou assim, não, pô, a Ucrânia, claro, é sim, sim, a Ucrânia, pô, nosso aliado e tal, e eu acho que a Ucrânia pode se tornar uma parceira da União Europeia. Aí, Daniel, você tem que ir pro Meandro, né? Parceiro da União Europeia não é membro da União Europeia, mas a Alemanha, ela tá nessa, então, enquanto era o Viktor Orbán bloqueando...
Esses países que ficam meio desconfortáveis estavam numa boa, Daniel, porque tem o teu doido lá que está dizendo que não. Mas o Zelensky foi a público também e disse que considera essa solução proposta pela Alemanha extremamente injusta. Naturalmente, o que o Mersi tem na cabeça, o que ele está pensando quando ele diz que no máximo é uma parceria,
É que quando a Geórgia começou a conversar sobre a entrada na União Europeia, a Rússia foi lá e tomou duas partes da Geórgia. Quer dizer, financiou a independência de duas regiões da Geórgia. Quando a própria Ucrânia começou a dialogar com a União Europeia, a gente está falando de mais de 10 anos atrás, a Rússia foi lá e tomou a Crimea. Então, o recado está dado há bastante tempo, que é se for da minha zona de influência.
pensando da Rússia aqui, né? Se for da minha zona de influência e tentar entrar na União Europeia ou na OTAN, eu vou agir. E, naturalmente, a Alemanha não está afim de cutucar essa onça com vara curta, principalmente levando em consideração que já não dá muito para contar com a proteção dos Estados Unidos da América. Então, a gente tem ali o diálogo de dois países, né? Tanto a Armênia quanto a Ucrânia.
cogitando, de repente, conversar com a União Europeia, a própria Ursula von der Leyen abrindo as portas, dizendo, pô, mas claro, pode vir e tal. Mas todo mundo sabe o tamanho da repercussão que isso pode trazer, a gente vai ter que acompanhar. Meu palpite, Daniel, é que não vai avançar. Mas, de qualquer maneira, a Ursula von der Leyen está soltinha, querendo fazer esse diálogo acontecer, Daniel.
E faz muito sentido dentro de um contexto onde a Ucrânia está fortalecida na guerra contra a Rússia. Talvez essa sinalização seja um estímulo aos ucranianos. Força, continuem, enfrentem a Rússia, lutem contra a Rússia por nós. Afinal, a Europa vai lutar contra a Rússia até o último ucraniano, certamente. E esse tipo de sinalização acaba sendo justamente algo que traz ali uma proximidade.
dentro de um contexto onde a Ucrânia se mostra fortalecida. Avançando para a próxima pauta, Tanguy, nós teremos amanhã, na Cidade do México, o início das negociações, ou melhor, da renegociação, porque esse acordo já está em vigor, do USMCA.
Só que teve um detalhe que me chamou muito a atenção, afinal esse é o acordo de livre comércio de 2020 entre Estados Unidos, Canadá e México. Nós teremos amanhã uma rodada de negociações na cidade do México e o Canadá não foi convidado. Não foi. Não foi convidado. Não foi. Eu devo ter perdido alguma coisa. O nome do negócio é US de Estados Unidos.
M de México. C, A, C, A de Canadá. Aí o Canadá não está convidado, então esse C, A é o quê? É Califórnia? O que significa isso? Na realidade, não quiseram convidar o Canadá. O Canadá não foi convidado, embora esse acordo esteja em vigor desde 2020, foi celebrado pelo Donald Trump em substituição.
ao NAFTA, da década de 90. Então, essa primeira rodada acontece na Cidade do México, amanhã e sexta-feira, o foco em segurança econômica e regras de origem para os principais produtos industriais. A segunda rodada vai acontecer em 16 e 17 de junho, em Washington, foco em agricultura e igualdade de condições.
E a terceira rodada vai acontecer na Cidade do México de novo, no dia 20 de julho. O Jeffrey Goldman, que é o representante comercial de Junto dos Estados Unidos, lidera as negociações pelo lado americano. Segundo ele, as negociações estão se concentrando em garantir que o USMCA, ele citou isso, beneficie fabricantes, agricultores, pecuaristas, trabalhadores e fornecedores de serviços e empresas de todas as partes dos Estados Unidos.
inclusive nossas pequenas e médias empresas. Como eu disse há pouco, nenhuma menção a negociações com o Canadá foram feitas. Poucas conversas entre Jameson Greer e o ministro canadense Dominique Leblanc têm acontecido nos últimos meses. Aliás, o Greer disse que os Estados Unidos têm diferenças significativas com o Ottawa, fazendo referência ao governo canadense.
E o Canadá não aceitou tarifas do Trump sobre veículos, aço, alumínio, tem reclamado, tem buscado parceiros comerciais alternativos. Aliás, o primeiro-ministro canadense, o Mark Carney, anunciou negociações para comprar aeronaves de radar da Saab, da sueca Saab, em vez da americana Boeing, como quem diz o seguinte, queridos, não preciso de vocês, também vou fazer comércio com os suecos, vou comprar aqui belíssimos caças suecos.
Não vou ficar comprando esses casos americanos, porque depois, Tanguy, eu fico dependendo da manutenção dos americanos, das peças dos americanos. É chato isso. Prefiro ter um relacionamento com o povo mais civilizado, que são esses suecos e não esses meus vizinhos do sul, com os quais eu não tenho tido um bom relacionamento nos últimos tempos.
A gente está falando realmente de algo que traz um alto grau de incerteza e de insegurança. Afinal, como eu disse há pouco, esse acordo USMCA foi assinado pelo Trump em 2020. Ah, porque o nafta é ruim. Ah, porque o nafta não serve. Ah, porque o nafta prejudica os Estados Unidos. Ah, Trump, vamos fazer um novo acordo. Aí fizeram o acordo USMCA em 2020 e agora o Trump quer renegociar o USMCA.
justamente para, de alguma forma, aumentar benefícios para os americanos e entrar dentro daquela lógica de internalização produtiva, que os Estados Unidos querem realmente se reindustrializar, trazer empregos de volta para os Estados Unidos. Estados Unidos tem um déficit comercial com o México enorme, com o Canadá também.
têm tentado reduzir esse déficit comercial, e ao longo dos últimos tempos, os dois têm adotado uma estratégia, o México e o Canadá, de tentar diminuir a sua dependência em relação ao mercado americano. Mais de 80% das exportações mexicanas vão para os Estados Unidos, mais de 70% das exportações canadenses vão para os Estados Unidos.
O Canadá tem tido muito sucesso na redução desse peso das exportações que vão em direção aos Estados Unidos. O México tem se esforçado também, embora não tenha tido o mesmo sucesso até o presente momento. O Canadá fala grosso contra os Estados Unidos. O México tenta ali, pô, os Estados Unidos, veja bem, vão conversar, vão dialogar. Se você quer fazer uma reunião, a gente faz a reunião. Não tem problema. Vamos negociar uma, duas, três rodadas. Vamos tendo rodada aí, Estados Unidos. Quanto mais rodada, melhor.
Até porque os Estados Unidos sucessivamente adiaram tarifarços relevantes contra o México nesse pouco mais de um ano, em parte por conta da habilidade da Claudia Sheinbaum, que conseguiu ali lidar um pouco com o Trump, em parte por reclamações das próprias empresas americanas. Afinal, são décadas de empresas americanas se instalando no México e exportando para os Estados Unidos. Esse pessoal também bate lá na porta do Trump e fala, meu amigo, você pirou, cara?
Como é que você vai botar tarifa para produto mexicano? E a minha empresa, a minha indústria que está no México?
que acaba sendo uma parte relevante do meu negócio, inclusive no segmento automobilístico. Você tem ali uma série de conexões importantes entre os dois países e esse acaba também sendo um elemento que ajuda a explicar essa postergação de uma dureza maior dos americanos em relação aos mexicanos. Vamos ver como essas conversas avançam, mas é sintomático que o Canadá não seja convidado para a renegociação de um acordo que se chama USMCA.
É algo que não tem como nos escapar e não ser observado em um momento como esse. Tamanha o desgaste, né? Tamanha o desgaste do relacionamento entre Estados Unidos e Canadá, que sempre foram aliados. O Canadá que sempre foi aquele país que mergulhou na lama ao lado dos americanos em todas as guerras e todos os buracos que os americanos...
se meteram. Aliás, os canadenses, inclusive, ao longo dos últimos meses, têm feito questão de lembrar isso aos americanos e de mostrar o descontentamento com essa nova fase no relacionamento entre os dois países. Sinal dos tempos, né, Daniel? Sinal de tempos mais incertos e que questões econômicas são profundamente abaladas por questões geopolíticas, questões até pessoais. Donald Trump se sente atacado pelas políticas canadenses e, portanto, acaba deixando de lado.
o Canadá de um acordo que tem o nome do Canadá, não é simplesmente isso, tem o nome de três países, o Canadá está lá, e essa incerteza toda naturalmente mexe também com as expectativas de longo prazo, isso mexe com todo mundo, mexe com a nossa economia, mexe com as nossas finanças, mexe com a nossa capacidade de prever o que vai acontecer no futuro. Se você quer planejar o seu futuro em tempos de incerteza, é muito importante que você tenha do seu lado quem sabe fazer isso.
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Daniel, no finalzinho do ano passado, a gente teve uma mudança de governo importante na Bolívia. A gente falou sobre a Bolívia recentemente e a gente deixou de ter, depois de muito tempo, um governo de esquerda. A gente chegou a ter um interregno ali, naquela confusão de uma eleição do Evo Moraes, a gente chegou a ter um governo conservador, mas de forma de ter o mandato completo e tudo, fazia muito tempo que a esquerda estava à frente da Bolívia.
E no ano passado a gente teve a eleição do Rodrigo Pass, que se tornou o novo presidente, um presidente de centro-direita, uma pegada mais liberal, que propôs, assim que assumiu a presidência em novembro do ano passado, propôs uma reformulação econômica na Bolívia, propôs uma série de cortes e subsídios, propôs uma questão de ajuste fiscal na Bolívia, porque disse que, olha, o que...
A gente recebeu do Luiz Arce, que era um antigo presidente, do Evo Morales. Foi um país completamente desorganizado. Temos que fazer esse ajuste. Isso acabou levando a manifestações que já duram semanas na Bolívia. Já tem algum tempo, Daniel, que sindicatos, trabalhadores de setores como mineração, agricultura, vêm organizando manifestações, inclusive fechando estradas. Aliás, a gente tem uma participação muito importante da própria figura do Evo Morales, liderando.
esse manifestante, incentivando esse tipo de protesto, o que tem levado, portanto, a problemas muito sérios, inclusive em termos de desabastecimento. Começou a faltar, Daniel, itens essenciais, alimentos, combustíveis, medicamentos, e a gente deu notícia há pouco tempo aqui de que a Argentina tinha mandado uma aeronave com alimentos para tentar ajudar a Bolívia a passar por esse momento. Naquele momento, Daniel, a gente inclusive associou que, olha,
O Javier Milley é um presidente de direita, ele tem no Rodrigo Paz, que também é um presidente à direita, não tão à direita quanto o Milley, mas é um presidente também à direita do espectro político, um possível aliado e tal, então tinha oferecido essa ajuda.
Pois bem, no dia de hoje, Daniel, o governo brasileiro confirmou que também vai enviar uma aeronave, uma aeronave da Força Aérea Brasileira, da FAB, vai servir para oferecer apoio logístico à Bolívia durante essa crise e vai levar alimentos. Havia uma dúvida sobre se levaria medicamentos também. O Brasil chegou a enviar medicamentos para a Venezuela em momentos de dificuldade, mas não serão medicamentos, serão apenas alimentos. E a gente teve, inclusive, a revelação de um contato muito...
muito bom, muito cordial, entre o presidente Lula e o presidente boliviano Rodrigo Paz. A gente sabe que o Rodrigo Paz, apesar de ser, sendo um presidente de direita, há sempre uma preocupação como é que vai ficar exatamente a relação com o governo.
petista brasileiro, será que isso pode trazer algum tipo de problema? Mas logo depois da eleição, os dois se falaram por telefone, manifestaram a intenção de manter um bom relacionamento, e isso se confirma exatamente nesse momento. Uma coisa que é importante lembrar é que o Rodrigo Paz, ele está passando por esse momento a partir de manifestações que são convocadas pelo Evo Moraes, que tinha uma ótima relação com Lula, enquanto os dois eram presidentes.
Isso para o Brasil, nesse momento, não parece fazer muita diferença. A lógica brasileira é uma lógica de Estado. Então, se a Bolívia está precisando de ajuda, vai se mandar ajuda, então os alimentos serão enviados. E essa aeronave da FAB vai ficar durante uma semana na Bolívia, oferecendo apoio logístico, principalmente no trânsito entre a capital, La Paz e Santa Cruz e La Sierra. É uma distância razoável, Daniel, entre uma cidade e outra.
E no momento no qual você tem estradas bloqueadas, ter mais aeronaves que fazem esse trânsito, acaba sendo importante. Então é o momento no qual o Brasil assume, inclusive, uma posição de liderança regional. A Bolívia está precisando, o Brasil tem condições de ajudar, o Brasil precisa ajudar. Não importa se o presidente é mais à direita, mais à esquerda, se é pró-evo-moral, se é contra e tudo. Então a gente tem um diálogo muito bem feito e é da maneira como tem que ser, viu, Daniel?
as relações elas têm que ser amigáveis elas têm que, o Brasil particularmente é um país importante demais para a região
para simplesmente não oferecer ajuda. A Bolívia tem uma fronteira enorme com o Brasil, então é de fato uma relação que o Brasil precisa alimentar. E que bom que é despeito do que está acontecendo lá, e aí eu não estou entrando no mérito aqui sobre essas manifestações, são justas ou não são, mas o fato é que o Brasil, tendo condições de ajudar a Bolívia, precisa ajudar, e é isso que vai fazer, enviando uma carga numa aeronave da Força Aérea Brasileira, Daniel.
E, Tanguy, o coração da crise econômica boliviana é um modelo baseado na exportação de gás, de gás natural. Durante vários anos, o país acabou surfando no gás valorizado e na grande produção e exportação de gás. Só que, há vários anos, você tem tido um declínio super importante.
tanto na produção quanto nas exportações, quanto na própria dinâmica de geração de dólares que a Bolívia é capaz de fazer. Só para a gente ter uma ideia, a produção diária de gás na Bolívia era de 60 milhões de metros cúbicos por dia em 2014.
E em 2025, ela fechou em 24 milhões de metros cúbicos por dia. Esses são dados da Gas Outlook. Na prática, então, a gente está falando de um país que perdeu muita capacidade de gerar receita, de trazer dólares, de subsidiar combustíveis e de fazer políticas sociais. Nós tivemos, ao longo desse período, a receita do Estado boliviano desabando.
e os gastos acabaram sendo mantidos. Isso gerou um desequilíbrio fiscal importante, tem gerado também desvalorização da moeda boliviana, porque, afinal, os dólares estão cada vez mais escassos em um cenário onde as exportações estão em queda, e a Bolívia não tem, há muitos anos, realizado os investimentos necessários para tentar manter o seu setor de gás minimamente competitivo. As reservas comprovadas na Bolívia têm caído muito.
E é um país que está um pouco sem alternativas do ponto de vista econômico para construir um futuro. E isso ajuda a explicar um pouco esse barril de pólvora que a Bolívia se tornou nesse momento. Avançando para a próxima pauta, Tanguy, eu queria falar um pouco sobre a economia do continente africano. Nós tivemos hoje a divulgação de um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento.
E o Banco Africano de Desenvolvimento trouxe perspectivas e projeções para o ano de 2026 e para o ano de 2027. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, o crescimento do continente em 2026 vai ser um pouco menor do que havia sido previsto anteriormente. Será de apenas 4,2%, Tanguy. Veja você! Cara, 4,2% para um continente inteiro é um negócio espetacular, Daniel. É um negócio inacreditável.
É espetacular. Isso a gente fala bastante, inclusive, nas nossas aulas do Petit Cursos. O continente africano é a fronteira de expansão da economia mundial, apresenta ótimas taxas de crescimento. É um continente com recursos naturais, com uma população muito jovem, com uma digitalização em curso e bastante acelerada, com inclusão cada vez maior de contingentes de populações de diferentes países. Claro que é um continente grande, heterogêneo.
Tem países com situações muito diferentes. Mas pegando aqui o continente como um todo, 4,2% de crescimento é muita coisa. A previsão anterior era de 4,4% para esse ano de 2026. Desacelerou um pouquinho. Em 2027, o banco... A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A
de desenvolvimento, o Banco Africano de Desenvolvimento prevê 4,4%. Então, 4,2% esse ano, 4,4% no ano que vem. A África Oriental deve crescer em 2025 5,9% e no ano que vem 6,4%.
A África Central vai crescer 3,8%. A África Austral segue fraca, é a parte do continente que cresce menos. Ela deve crescer 2,1%. E quando a gente pensa nessa desaceleração do crescimento, veja, você tem a ver com inflação e estreito de Hormuz. Ah, meu Deus, que surpresa. O estreito de Hormuz desorganizando a economia mundial, aumentando o preço da energia e gerando inflação. A inflação no continente africano é alta. A gente está falando realmente...
de um continente que tem uma inflação na casa de 10,4%. É a projeção do Banco de Desenvolvimento Africano para esse ano. 10,4% de inflação para um continente é muita coisa, mas isso se deve ainda a uma infraestrutura que carece desenvolvimento, carece melhor. Mas a gente está falando de um continente que traz ótimas perspectivas em termos de crescimento, negócios, oportunidades.
E isso realmente é incontornável quando a gente pensa nas tendências globais. Nós temos aí um continente em expansão, em ascensão, e esse é o continente africano. Daniel, como próxima pauta, eu queria falar sobre a insegurança que os países europeus, principalmente da Europa Ocidental, têm vivenciado com relação a esse cenário atual. Tem um amigo meu que fala de um cenário pantanoso, eu sempre acho muito poético imaginar um cenário...
pantanoso. Existe naturalmente uma preocupação, Daniel, com a Rússia. A gente tem visto uma Rússia que voltou a ser muito ativa nos ataques à Ucrânia, ameaças crescentes, inclusive, a estrutura do governo ucraniano, a gente falou sobre isso no episódio de ontem. A gente vê uma Rússia ameaçando a Armênia, a gente vê uma Rússia que tem sido cada vez mais vocal.
E uma preocupação naturalmente da Europa Ocidental, que é, se acontecer alguma coisa, a gente não pode contar com os Estados Unidos, o que tem sido reiterado todos os dias. Não é para contar com os Estados Unidos. Nessa toara, Daniel, o Reino Unido acabou de assinar um acordo com a Polônia. Esse acordo foi anunciado hoje, um tratado de segurança e defesa.
foi assinado em Londres, cujo objetivo, Daniel, é tentar fomentar, principalmente, a construção de novas tecnologias, uma modernização das forças armadas. Esse acordo por si só, Daniel, de forma isolada, ele não significa tanto assim, mas ele me chama a atenção a partir do momento que a gente lembra que a França assinou um acordo parecido com a Polônia.
e que a Alemanha também assinou um acordo parecido com a Polônia. O recado que, aparentemente, esses três países dão para a Polônia, a Polônia, pelo amor de Deus, você segura as pontas aí, hein, Polônia? Porque se acontecer alguma coisa, se a Rússia, por exemplo, resolve encarar e invadir um país da OTAN, imaginando que os Estados Unidos não venham, se os Estados Unidos não vierem mesmo...
a guerra vai ser no teu território, hein? Você, pelo amor de Deus, você não deixa essa Rússia passar daí. Se passar da Ucrânia e chegar na Polônia, a fronteira seguinte é a Alemanha. Então, esses três países, Reino Unido, França e Alemanha, têm oferecido cada vez mais apoio à...
a Polônia. Então a gente tem tido uma movimentação nesse sentido, inclusive com a tentativa de fortalecer a Polônia diante de ameaças como ataques híbridos. Então a gente está falando sobre espionagem, cibersegurança, propaganda. Existe toda uma tentativa desses países de fortalecerem a Polônia para esse tipo de resistência. Então mais uma vez a Alemanha e França já tinham assinado esse acordo com a Polônia e agora o Reino Unido oferece também. E aliás, quando a gente pensa nessa, inclusive nessa ideia de uma...
Olha, a gente tem que pensar na nossa segurança por conta própria e tudo. Não é somente a Europa que está muito preocupada. Tem com os outros países que estão demonstrando preocupação. E não por acaso, quem vai ser convidado para participar da próxima cúpula da OTAN em Âncara serão Japão,
Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Esses quatro países têm algo em comum, né, Daniel? São quatro países que, assim como a Europa Ocidental, depositam muito da sua expectativa de segurança nos Estados Unidos e que, nesse momento, começam a olhar para os Estados Unidos e falam pô, estou achando que eu posso ficar na mão. Se alguma coisa acontecer, se, de repente, a China quiser fazer alguma coisa contra a gente, eu sei lá se os Estados Unidos vêm. E, portanto, os países europeus conseguiram...
a aprovar o convite desses quatro países, então mais uma vez Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, para a próxima cúpula da OTAN. Esses quatro países, inclusive, eles têm um nome que é IP4, IP de Indo-Pacífico 4. São os quatro países do Indo-Pacífico que são aliados da OTAN, então não é a primeira vez, mas eles vão ser convidados mais uma vez. Havia uma preocupação.
de que os Estados Unidos eventualmente pudessem bloquear esse convite. Não houve bloqueio e, portanto, eles estarão presentes. Quem não se sabe se vai estar presente na cúpula é, rufo e os tambores, os Estados Unidos. Ninguém sabe se os Estados Unidos estarão presentes na cúpula da OTAN. É até estranho, Daniel, ouvir essas palavras saindo da minha boca. Vou repetir, não se sabe se os Estados Unidos da América estarão presentes na cúpula da OTAN que vai acontecer em Âncara.
mas a gente já sabe que Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, esses sim estarão. Vamos ver, Daniel, mas aparentemente a OTAN, mesmo que os Estados Unidos não saiam, o grau de confiança que se deposita na OTAN está muito reduzido e naturalmente todo mundo está vendo o que está acontecendo. Vamos acompanhar, Daniel, mas é uma mudança tectônica na maneira pela qual a gente enxerga questões relacionadas à segurança internacional.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje, terminando com uma nota um pouco mais leve no nosso episódio? Precisamos, Daniel. Traz para a gente, conta. Tanguy, hoje eu vou falar sobre Robert Kennedy Jr. Sim, o filho do Robert Kennedy, sobrinho de John Kennedy, que é o secretário de saúde dos Estados Unidos, seria o equivalente a ministro da saúde no Brasil.
O Robert Kennedy acabou viralizando porque ele recolheu duas cobras com as mãos, com as mãos, sem equipamento, sem qualquer tipo de proteção, no pátio da casa de um amigo. O amigo é Mehmet Oz, diretor dos programas de saúde dos Estados Unidos, e o caso ocorreu na Flórida. As cobras picaram diversas vezes, segundo a Fox News, e aparece no vídeo justamente o Robert Kennedy dizendo A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A Xavier A
Elas estão me picando, elas estão me picando, elas estão me picando. E perguntou, na prática, na prática... Foi o que aconteceu até aqui. Meu Deus do céu.
Então, eram cobras negras não venenosas comuns na Flórida, mas o amigo selpicado, porque não utilizou qualquer tipo de equipamento de segurança. Senhoras e senhores, esse é o secretário de saúde dos Estados Unidos da América.
Esse é um amigo que é antivax e que falou outro dia que essa geração está perdida, porque na minha geração eu cheirava cocaína no assento da água privada, no vaso sanitário. Ele diz que germes são inofensivos, germes são inofensivos porque ele cheirava cocaína no vaso sanitário, na tampa privada e, consequentemente, ele é a prova viva de que germes são inofensivos.
Perfeito. Então, esses são os Estados Unidos nos dias de hoje. Está aí. Sempre tiveram uma vocação para isso, né, Daniel? Mas eles não abraçavam a vocação. Agora eles estão abraçando a vocação da loucura completa. E, Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Muito obrigado pela presença de vocês. É uma honra, um prazer.
ter vocês aqui junto com a gente. Fazer o Petit Jornal dá um trabalho danado, dá de verdade. Eu tenho que aguentar o Daniel Souza todo dia, tenho que falar com ele várias vezes, tenho que gravar com ele e tal. Mas é um prazer, né? A gente faz isso aqui com uma honra, de fato, gravar esse episódio.
E se você quer ainda mais da nossa companhia, a gente tem o nosso projeto paralelo, que é o PetiCursos. Acesse lá, peticursos.com.br, para você dar uma olhada no catálogo de aulas de curso que a gente oferece por lá. Eu tenho certeza que muitos dos assuntos vão te interessar. Peticursos.com.br
Aliás, tem a newsletter gratuita do PetJornal, link no descritivo desse episódio. Fica também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PetJornal é mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado de mídia, ou uma grande produtora, um trabalho artesanal.
E por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante. E por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. E fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea de apoiar o Pitch Journal. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
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