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Azerbaijão e Líbano atingidos - BP 1033

06 de março de 202633min
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ALURA 
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A guerra segue se expandindo e começa a atingir novos países da região. O Azerbaijão afirma ter sido alvo de um drone iraniano, acusação negada por Teerã, enquanto o estreito de Ormuz passa a ser reconhecido como zona de guerra, ampliando os riscos para o transporte marítimo e para o mercado global de energia. Também discutimos o plano dos Estados Unidos para escoltar petroleiros, que enfrenta questionamentos jurídicos internos, além do reforço militar ocidental na região, com o Reino Unido enviando caças para o Catar e a União Europeia ampliando a proteção em torno de Chipre.
No Líbano, o Hezbollah se mobiliza diante da possibilidade de uma invasão israelense ao sul do país, ampliando a tensão em uma frente já extremamente instável. Também analisamos os contatos dos Estados Unidos com grupos curdos iranianos e a declaração de Donald Trump de que Washington deveria participar da escolha do novo líder supremo do Irã.
Na Geleia da Shakira, um momento descontraído viraliza nas redes após o primeiro-ministro canadense Mark Carney soltar um inesperado “f***” durante um evento em Sydney.
#OrienteMédio #Irã #EstreitoDeOrmuz #Hezbollah #Geopolítica
Assuntos15
  • Declaração de Trump sobre influenciar escolha de líder supremo iranianoComparação com caso Venezuela · Veto a Mostafa Khamenei · Contradição estratégica · Participação americana na sucessão
  • Possível expansão de combates para BeiruteBombardeios israelenses · Mobilização Hezbollah · Sofrendimento da capital · Próximas semanas críticas · Violação do governo libanês
  • Plano de Trump para escoltar navegação no Estreito de OrmuzPromessas da campanha · Análise do Financial Times · Limitações legais americanas · Impossibilidade prática · Falta de embarcações
  • Estreito de Ormuz como zona de guerraClassificação formal por sindicatos marítimos · Direitos ampliados dos marinheiros · Repatriação às custas das operadoras · Impacto em 35 mil pessoas
  • Redução do fluxo marítimo no Golfo PérsicoQueda substantiva desde o início do conflito · Aproximação a zero em alguns dias · Impacto econômico global · Aumento de riscos
  • Cessar-fogo de 2024 e violaçõesRio Litane como limite · Proibição de Hadouan ao sul · Regresso de tropas após violação israelense · Defesa de cidades estratégicas
  • Oleoduto Baku-Tbilisi-CeyhanImportância estratégica · Importações israelenses de petróleo · Mensagem do Irã sobre vulnerabilidades · Escoamento de produção
  • Conflito EUA-IrãDrone no aeroporto de Nakhchivan · Negação iraniana · Danos e feridos · Primeiro ataque ao Cáucaso desde o início da guerra
  • Conflito Irã-EUAVenda de armas israelenses · Ligação Irã-Armênia · Visita do presidente Aliyev à embaixada iraniana · Tensões pragmáticas
  • Interrupção de produção de petróleoProdução do Iraque · Produção do Catar · Redução de oferta global · Encarecimento de energia · Efeito dominó
  • Contatos dos Estados Unidos com curdos iranianosCurdos baseados no Kurdistão iraquiano · Pedidos de inteligência e armas · Treinamento militar · Zona de exclusão aérea · Possível ofensiva terrestre
  • Reforço militar europeu em ChipreEnvio de meios navais · Países participantes · Objetivo defensivo · Proteção da navegação no Mar Vermelho · Coordenação europeia
  • Cooperação militar francesa com LíbanoForças Armadas libanesas · Veículos blindados · Apoio logístico · Evitar colapso do Líbano · Objetivo de paz regional
  • Posicionamento Militar Reino UnidoEnvio de destruidor · Helicópteros antidrone · Quatro caças Typhoon para o Catar · Operações defensivas · Crítica de Trump
  • Importância geopolítica de inteligência artificialPotências tecnológicas envolvidas · EUA, Israel, China como atores centrais · Impacto na formação profissional · Futuro do conhecimento
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1033. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 32 minutos da quinta-feira, 5 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

descansado, tarifado e preocupado. O professor Bagdadi está muito preocupado. Aliás, suas noites de insônia mostraram-se absolutamente corretas diante de um quadro internacional tão preocupante e pantanoso. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

tarde de quinta-feira, quer dizer, tarde de quinta-feira aqui no Brasil. Daniel Souza está do outro lado do planeta Terra ainda. Daniel Souza já está na manhã de sexta, mas a gente está gravando aqui na quinta-feira. São agora 17 horas e 33 minutos para trazer mais um boletim, mais um giro do que está acontecendo pelo mundo. E, naturalmente, Daniel, mais uma vez, o nosso assunto principal é a guerra que envolve o Irã, o ataque que os Estados Unidos e Israel fizeram contra o Irã.

que aconteceu no último sábado e naturalmente se estende até o momento atual. Aliás, Daniel, uma coisa que eu sempre acho importante é que a gente está falando sobre uma guerra que envolve algumas potências tecnológicas, e diretamente e indiretamente. Estados Unidos é uma potência tecnológica, Israel é uma potência tecnológica, a China, que é indiretamente impactada, também é uma potência tecnológica. Todos os países que lidam muito com inteligência artificial, o que apenas aponta o tamanho da importância que é você conhecer inteligência artificial,

E eu deixo aqui para a gente começar o nosso episódio um convite da Alura, a maior escola de tecnologia do Brasil. A Alura te convida para a imersão front-end, que é um evento gratuito para quem quer dar os primeiros passos em programação, mesmo que você esteja começando do zero. Você não sabe nada de programação. A imersão front-end da Alura, ela te garante que em quatro dias você saia da curiosidade para a prática e você cria o seu próprio site.

Se você já tem uma certa bagagem, você vai ganhar ainda mais possibilidades. É um evento 100% gratuito e sem pré-requisitos. Em poucos dias, você sai do zero e constrói um projeto completo, aprendendo na prática como funciona o desenvolvimento de sites e como a inteligência artificial já é utilizada e pode ser um fator para acelerar a sua evolução. Faça sua inscrição gratuita, o link está na descrição desse episódio, antes que acabe o prazo.

Aproveita. A Alura, aliás, é super referência no que ela faz. Se você quer começar a entender um pouco mais sobre programação e sobre inteligência artificial, a Alura é o lugar onde você deveria estar. E é importante, gente, porque nós estamos falando de temáticas cada vez mais incontornáveis. Se a gente fala, por exemplo, sobre inteligência artificial, ela está impactando os mais diferentes profissionais nas mais diferentes áreas. Você tem uma super plataforma.

E, Daniel, como primeira pauta do nosso episódio de hoje, eu queria falar sobre mais um país que foi atingido pela guerra, que foi alcançado pela guerra. A gente ainda não tem informações muito precisas sobre o que aconteceu, quais foram as condições, mas o Azerbaijão, ali no Cáucaso, acusou o Irã de realizar um ataque com drone

região de Nakhchivan. Só para a gente lembrar, Nakhchivan é aquela região que é um esclave do Azerbaijão. Entre o território principal do Azerbaijão e Nakhchivan, você tem ali uma perninha da Armênia. Então, é um território que não é muito colado. Ou seja, o aeroporto de Nakhchivan é muito estratégico para o Azerbaijão. Pelo fato de que você faz uma parte importante da comunicação com o Azerbaijão, inclusive com a capital, Baku, exatamente por via aérea.

e, portanto, segundo o Azerbaijão, um drone teria atingido o aeroporto, o único aeroporto, aliás, de Nashville. Então, atingiu o terminal do aeroporto, que gerou, portanto, danos, foi um dano considerado limitado, mas dois civis ficaram feridos. Se isso for confirmado, é o primeiro ataque iraniano contra um país do Cáucaso desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

feito esse ataque. O que o Irã disse é, não ataquei, não tenho nada a ver com isso, não fui eu. Então, isso foi dito pelo vice-ministro das relações exteriores do país, que negou. Então, segundo ele, abro aspas, a República Islâmica do Irã não atacou a República do Azerbaijão, não atacamos países com os quais temos fronteiras. Então, segundo o Irã, esse ataque não partiu do seu exército. Agora, há motivos, Daniel, para a gente imaginar

algum tipo de problema que os dois possam ter. O principal deles, Daniel, é a ligação que o Azerbaijão tem com Israel. Israel vende armas para o Azerbaijão, então esse é um elemento que naturalmente gera uma certa tensão. A relação direta entre os dois costuma ser bastante pragmática, uma relação de uma certa estabilidade, um certo respeito. Só para a gente ter uma noção, depois que o Ayatollah Ali Khamenei morreu, o presidente do Azerbaijão, o Ilan Aliyev, ele visitou a embaixada iraniana em Baku.

embaixada e apresentou condolências pela morte do líder supremo. Então, não é uma relação abertamente tensa. Agora, o Irã é um país que tem uma ligação mais intensa com a Armênia, eu sei que é estranho pensar nisso, né? E Israel tem uma ligação mais forte com o Azerbaijão. Armênia e Azerbaijão têm problemas históricos, né? E você tem Israel tendo uma ligação com o Azerbaijão. O Azerbaijão também é muito ligado à Turquia, né? Mas o cenário que a gente tem aí é de que se, de fato, esse ataque

partindo do Irã, que, repito, o Irã nega, a gente está colocando para dentro do conflito mais um país ali do Cáucaso que disse que se sente no direito de retaliar. Outro ponto importante nessa geopolítica ali da região, envolvendo o Irã e a região do Cáucaso, é que você tem um oleoduto importantíssimo ali na região que liga Baku, passa por Tbilice e chega a Seirã.

no Mar Cáspio, no Azerbaijão, e você está levando até o Mar Negro. Esse oleoduto, por esse oleoduto, passam entre 30% e 40% das importações israelenses de petróleo. Ou seja, se o Irã tiver atacado, que mais uma vez, repito, a gente não tem confirmação, o Irã não confirmou, mas se o Irã tiver atacado, pode ser um recado também. Olha, eu ataquei aí na esquivã. Se eu quiser atacar esse oleoduto, o Azerbaijão, o Israel, eu sei que vocês são amigos aí,

Israel vai começar a ter dificuldade para comprar petróleo. E essa, aliás, é uma prática que o Irã vem buscando, Daniel, levar os países produtores de petróleo a terem dificuldade de escoar sua produção. E, aliás, o próprio Estreio de Hormuz, Daniel, me parece que está muito no centro da discussão, continua no centro da discussão, aliás, inclusive com as promessas do Trump de que vai escoltar quem quiser passar de navio por ali.

É verdade, Tanguy. Aliás, quando a gente pensa, inclusive, nesse oleoduto que você fez referência há pouco,

passa ali pelo território da Geórgia, alcançando a Turquia justamente para um escoamento no mar Mediterrâneo. Esse oleoduto é considerado no Azerbaijão um divisor de águas na história do país. Eu tive no Azerbaijão em setembro do ano passado e isso é muito notável, inclusive no museu, no principal museu da cidade de Baku, que conta bastante essa história.

do Azerbaijão, é que você tem mais Azeres no território iraniano do que no território do Azerbaijão, que é sempre algo muito impressionante. Você tem ali algo em torno de 20 milhões de Azeres dentro do território iraniano e, consequentemente, quando esse país tem tanta gente dentro do Irã e, ao mesmo tempo, estabelece boas relações com Israel, comprando armamentos e fornecendo energia, ele acaba sendo potencialmente um país

que pode trazer ali embaraços para o Irã, problemas para o Irã. E nesse aspecto que você também mencionou do Estreito de Hormuz, nós chegamos a mencionar ontem aqui no Petit Jornal o plano do Trump que ele anunciou de que protegeria todas as embarcações que passassem pelo Estreito de Hormuz. Não é tão simples assim. Hoje saiu até uma análise no Financial Times que pareceu bastante interessante,

você não tem embarcações para esse tipo de serviço, que os Estados Unidos não têm como entregar esse tipo de proteção, e você também tem ali alguns obstáculos jurídicos. Afinal, a legislação americana limita a escolta naval a navios com bandeira americana, ou navios de propriedade americana, ou navios de tripulação americana. E a maioria dos petroleiros do Golfo não atende a esses criaturas.

O fato é que nós já tivemos aí uma redução muito substantiva do fluxo de embarcações. Em alguns dias, desde que o conflito se iniciou, esse fluxo se aproximou de zero. Mas, de qualquer maneira, a gente tem aí um agravamento da situação conforme o tempo passa. Nesse caso em particular, se nada acontece, a situação piora,

na produção de alguns países importantes do Golfo Pérsico, que aconteceu nos últimos dias. Tivemos uma interrupção na produção do Iraque, uma interrupção na produção do Catar. Isso é menos oferta de energia que é disponibilizada no mercado, que leva ao seu encarecimento, e todo o efeito dominó que isso acaba acarretando. Portanto, aquela promessa do Donald Trump, olha, eu vou oferecer segurança no Estreito de Hormuz, pelo menos no curto prazo,

parece impraticável. É claro que, num prazo um pouco mais longo, você pode encontrar soluções para os obstáculos jurídicos, você pode também disponibilizar essas embarcações, mas isso não seria tão imediato e tão rápido. E, claro, no longo prazo pode ser tarde demais também, depois de ter corrido um prazo tão dilatado. O Irã segue aí nessa sua estratégia de espalhamento da sujeira, de espalhamento da confusão,

Peço do ponto de vista iraniano algo que faz sentido, afinal, se você vai criando desconforto para cada vez mais e mais gente, isso tende a aumentar a pressão sobre os Estados Unidos, sobre Israel, para que haja uma interrupção das hostilidades e o mundo deixe de ser impactado justamente pelas consequências desse conflito que está circunscrito ali ao Oriente Médio, mas que cada vez mais está incluindo mais gente indiretamente ou até diretamente,

como é o caso do Líbano, em função justamente desse espalhamento que tem acontecido. Isso vai tornando a situação cada vez mais imprevisível. Aliás, mais uma camada nisso que você está falando, Daniel. Hoje a gente teve uma reunião entre sindicatos e empregadores do setor marítimo de todo o mundo. É uma reunião bastante grande e foi definido que o Estreito de Hormuz, o Golfo Pérsico e o Golfo de Oman são classificados a partir de agora como zona de guerra.

de direitos ampliados aos marinheiros, inclusive o de solicitar repatriação às custas das operadoras. Só para a gente ter uma noção de como é que isso impacta pessoas que estão ali trabalhando, cerca de 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros, 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros, a gente está falando de um total de 35 mil pessoas, estão retidos no Golfo Pérsico devido à guerra no Oriente Médio e à paralisação dos treinos de Hormuz.

São pessoas que não têm como sair. E aí, quando você declara que é estado de guerra,

área de guerra, o que você pode fazer, eu quero sair daqui e a empresa para a qual eu estou trabalhando, enfim, na qual eu estou envolvido, vai ter que pagar, vai ter que arcar com os custos da minha repatriação, eu preciso sair daqui. A Organização Marítima Internacional, que é uma agência da ONU responsável pela segurança marítima, se diz também pronta para colaborar com todas as partes interessadas para contribuir e contribuir para a garantia da paz e da segurança para o bem-estar dos marinheiros.

uma lógica de uma tentativa de solucionar isso aqui para pessoas que não têm nada a ver com isso, que precisavam passar ali por motivos profissionais. Agora, Daniel, eu já te falei que essa notícia me irritou profundamente hoje, porque não é possível, Daniel Souza, mas Donald Trump disse hoje que os Estados Unidos precisam influenciar na escolha do novo líder supremo do Irã. O que ele disse foi que ele gostaria de fazer com o líder supremo do Irã a mesma coisa que ele fez com a Venezuela. Você está misturando galhos com bugários,

sem nada a ver uma coisa com a outra, inclusive porque na Venezuela, quem se tornou presidente depois que ele, Donald Trump, deu um jeito de capturar o Nicolás Maduro, foi a vice-presidente. É importante lembrar, não é que ele pegou uma outra pessoa e colocou lá como presidente, era vice-presidente. Isso, inclusive, foi uma discussão que a gente trouxe aqui à época, grande no governo americano, que é, vem cá, a gente vai tirar o Maduro, vai colocar quem no lugar?

Aí teve gente que falava, aliás, o próprio Trump queria colocar alguém da oposição. Aparentemente o Marco Rubio falou sem presidente,

vai dar mais problema do que trazer solução, deixa a vice mesmo, a gente dialoga com ela e tal, e foi isso que foi feito. Segundo Donald Trump, agora, portanto, ele quer fazer a mesma coisa na escolha do líder supremo do Irã, do novo líder supremo do Irã. O que ele disse é que eles estão longe dessa decisão, sendo que a discussão está muito cedo ainda para você já saber quem é que vai ser o próximo, mas, segundo ele, ele já tem um veto a Mostaba Khamenei,

disse aqui que era, que estava acendendo ali como uma figura de que, de repente, poderia substituir o seu pai. Ele é filho de Ali Khamenei. Então, segundo Donald Trump, eu não gostaria que fosse ele e eu acho que os Estados Unidos deveriam participar para, segundo ele, haver a escolha de um novo líder supremo que fosse bom para o país e que trouxesse paz e que trouxesse estabilidade e tal. Agora, Daniel, é um país que está bombardeando o outro. É um país que não apenas está bombardeando, como está sendo aberta

extremamente hostil, inclusive ao processo de escolha, né, lembrando que não foram os Estados Unidos, foi Israel, mas a coisa está acontecendo de forma coordenada, que atacou literalmente o prédio onde a escolha seria feita, né, e o que ele está dizendo é que ele quer participar, né, quase como um poder moderador de quem será o novo líder supremo do Irã. Então, assim, é uma mistura de arrogância, né, com, enfim, uma falta de entendimento do que está acontecendo, quer dizer, parece que ele entende o que está acontecendo,

mas dizer que os Estados Unidos deveriam participar dessa escolha parece um negócio completamente treslocado, Daniel. Mas vamos ver o que vai acontecer. A gente continua com aquele horizonte temporal. Os Estados Unidos falam ali de quatro a cinco semanas de operação. Aliás, hoje teve uma informação, que não é uma informação oficial de Israel, mas uma fonte do Times of Israel, que é um jornal importante de Israel, que disse que Israel pretende fazer ataques, operações militares, durante mais uma, duas semanas. Então você tem um descolamento aí.

agir durante mais ou menos metade do tempo que os Estados Unidos estão dispostos a agir. Então, ainda tem muita água para rolar por baixo dessa ponte, com as operações militares e com, eventualmente, a escolha do novo líder supremo do Irã, Daniel. É impressionante a quantidade de ruído, né, Tanguy? Porque você não tem uma coordenação entre o que os Estados Unidos dizem e o que Israel diz, assim como você não tem uma coordenação entre o que o Donald Trump diz num dia e o que ele diz no anterior ou o que ele dirá no dia seguinte. Você está descrevendo uma situação,

onde, se ele quer influenciar a escolha do líder supremo, ele reconhece que o regime não vai cair. E, ao mesmo tempo, se ele se coloca frontalmente contra um candidato que é favorito, inclusive na disputa, ele também corre o risco de sair desmoralizado caso esse candidato saque-se vencedor nessa escolha. E, ao mesmo tempo que ele dá sinais de que considera que o regime vai continuar a tal ponto que ele quer influenciar na escolha do novo líder supremo,

Ele continua com aquelas conversas com os curdos iranianos, que estão baseados ali justamente no Kurdistão iraquiano, e existiria aí a possibilidade de algum tipo de ofensiva terrestre desses curdos iranianos a partir do Kurdistão iraquiano. Os curdos pediram aos Estados Unidos inteligência, armas, treinamento militar e uma zona de exclusão aérea.

poderiam ali, de alguma forma, tentar abalar o regime, ou quem sabe, até na melhor hipótese, derrubar o regime iraniano. Quer dizer, de um lado, o Trump, ele sinaliza que quer influenciar na eleição, do outro lado, ele sinaliza que talvez possa ajudar esses curdos iranianos. É muito confuso, é muito ruído, porque parece que você está o tempo todo ali improvisando, tentando manter todas as opções abertas.

Eu consigo entender esse tipo de padrão de comportamento se você é um líder corporativo, líder empresarial. Mas quando você está falando de questões tão sensíveis na área internacional, é bem mais complicado, porque não é assim que funciona, porque as sinalizações que você vai passando para os atores envolvidos são bastante contraditórias. Aliás, um outro aspecto que também tem trazido bastante preocupação, Tanguy, é o Chipre.

Chipre, que faz parte da União Europeia, que está ali bem pertinho, inclusive do Oriente Médio, do ponto de vista geográfico, tem levado a preocupações e os países europeus estão reforçando a defesa do Chipre diante da expansão da guerra entre Estados Unidos e Irã. Itália, Espanha, França, Países Baixos enviarão meios navais para proteger a ilha nos próximos dias.

do próprio Reino Unido. O presidente Macron conversou também com os líderes da Itália e da Grécia. Os países concordaram em proteger a navegação no Mar Vermelho e coordenaram o envio de recursos militares para o chip. Agora, o objetivo é defensivo. Tanguy, veja você, estamos mandando armas, mas armas defensivas, sei lá, Tanguy, isso traz ecos históricos que sempre causam calafrios. O governo britânico, por sua vez, anunciou que vai enviar um destrozo

para o Mediterrâneo Oriental, helicópteros com capacidade antidrone e quatro caças adicionais. O Reino Unido não vai participar dos ataques contra o Irã, mas já participou na interceptação de drones em operações defensivas. A Espanha enviará uma fragata, a França anunciou reforço da cooperação com as Forças Armadas do Líbano.

Koch inclui veículos blindados de transporte, apoio logístico operacional. Macron declarou que o seu objetivo é evitar que o Líbano seja arrasado e também seja arrastado novamente para uma guerra regional. Está cada vez mais confuso, Tanguy. Esses posicionamentos, porque a França é aliada dos Estados Unidos, que é aliada do Israel, que está atacando o Líbano, mas está atacando o Hezbollah no Líbano e não o governo do Líbano. E aí a França resolve defender o governo do Líbano através de uma cooperação militar

até para evitar que o Líbano colapse de vez. Mas são muitos elementos misturados em toda essa situação altamente complexa. Eu quero falar sobre o Líbano também, Daniel, mas antes só um comentário sobre essa questão que você está falando sobre o Reino Unido reforçar a defesa no Chipre. A gente também teve hoje o anúncio por parte do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de que o país vai enviar mais quatro caças taifun para o Catar. Lembrando, gente, você olha no mapa ali, o Catar,

está simplesmente do outro lado do Golfo Pérsico, é o Qatar de um lado, o Qatar é uma verruguinha que sai ali da Península Arábica e do outro lado é o Irã. Então o primeiro-ministro vai mandar quatro caças taifun, sempre deixando clara a mesma postura que o nosso objetivo é fortalecer operações defensivas, a gente não vai participar de bombardeios, mas se houver necessidade de alguma interceptação, interceptação de aeronaves, monitoramento e tal, o Reino Unido vai se mobilizar,

Então, mais quatro caças Typhoon para o Catar. E aí, você tem uma renovação da crítica dos Estados Unidos. Então, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou, obrigado aí por participar defensivamente, mas vocês falharam em fornecer apoio suficiente. É meio que um obrigado por nada aí. Obrigado por nada. Obrigado, pô, eu poderia te agradecer de várias maneiras diferentes, mas vocês não estão ajudando da maneira como eu te gostaria. O que diz muito sobre a relação nesse momento, né, Daniel?

foram para um monte de forada junto com os Estados Unidos, foram para o Iraque duas vezes, em 90 e 2003, foram para o Afeganistão, tiveram guerra na Bosnia, atuaram no Kosovo, atuaram tudo quanto foi lugar. E agora, o governo britânico, ainda assim, vou apoiar, mas vou apoiar defensivamente, e você já tem uma crítica bem mais dura por parte dos Estados Unidos. Agora, outro lugar, Daniel, que você já até começou a falar aí, que é o Líbano, é que a guerra está se aprofundando cada vez mais.

falaram sobre o Líbano praticamente todos os dias aqui, mas é porque todos os dias a gente tem mais uma escalada, mais um degrau nessa escalada de tensões. Hoje, a gente teve Israel avisando para a população do sul de Beirute deixar as suas casas. Eu sei que essa notícia parece com a que eu falei ontem. Ontem eu falei que Israel falou para a população do sul do Líbano deixar as suas casas. Agora você já tem um aviso que é, não é mais apenas o sul do Líbano, é o sul de Beirute.

Então, o sul de Beirute é exatamente uma região onde você tem uma força bastante grande do Hezbollah. Então, é um prenúncio aqui de que essas operações militares israelenses no sul do país, elas tendem a chegar, inclusive, à capital. Daniel, Beirute já sofreu demais, aliás, o sul do Libro no todo sofreu demais desde 2023. O sul de Beirute sofreu demais desde 2023. Israel bombardeou diversas e diversas e diversas vezes a capital Beirute.

a guerra acontece ali no Irã, mas ela acaba tragando várias regiões, vários países para essa guerra e o Líbano é sempre um daqueles que vai sofrer mais. E o Hezbollah, como resposta, mobilizou combatentes da sua unidade elite, que é a unidade Hadouan, para enfrentar as tropas israelenses no sul do Líbano. Essas tropas Hadouan, Daniel, elas estavam até agora seguindo a lógica daquele cessafogo que a gente teve no ano de 2024, que determinava que elas não podiam

chegar ao sul do Rio Litane. O Rio Litane passa ali ao sul de Beirute, então aquela faixa entre o Rio Litane e a fronteira com Israel, você não podia ter forças do Hezbollah, em especial não podia ter a presença da unidade Hadouan. Agora, Daniel, como Israel está entrando em território libanês, essas tropas estão voltando a se mobilizar e o objetivo é, portanto, bloquear o avanço dos tanques israelenses, reforçar posições no sul do país e atuar na defesa

de determinadas cidades estratégicas que tem ali naquela região. Ou seja, Daniel, o pior no Líbano ainda está por vir. O pior no Líbano ainda está por vir, porque você tem bombardeios israelenses, você tem uma ampla mobilização por parte do Hezbollah, que agora está dizendo, olha, o cessafogo já foi violado mesmo, então agora eu também vou para o ataque. Então o sul do Líbano tende a sofrer mais uma vez, Daniel, e Beirute em si também deve sofrer mais uma vez.

Libanês disse que qualquer ação do Hezbollah é considerada ilegal, ou seja, o que ele está dizendo é o exército libanês não tem nada a ver com isso, o Estado libanês não tem nada a ver com isso, é o Hezbollah que está envolvido nisso aí, nós consideramos essas ações ilegais. Agora, Israel não quer saber, vai para a ofensiva, o Hezbollah vai responder. Então, mais uma vez, Daniel, o sul do Líbano e Beirute devem passar por momentos muito difíceis ao longo dos próximos dias e das próximas semanas, Daniel.

a geleia da Shakira de hoje? Temos algo de leve para falar hoje, Daniel? Traz para a gente. Temos sim. Aliás, a geleia da Shakira de hoje é uma homenagem ao professor Bagdadi, que é um coach, é um especialista na arte procrastinação. Perfeito. Nós falamos bastante sobre isso aqui nas nossas lives do Petit Jornal. E hoje trago, Tanguy, algo para ilustrar, algo para mostrar que você não está sozinho nessa arte. O Carney, o Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá,

que em Sydney, na Austrália. E ele foi dar uma palestra ali num think tank. E aí, no determinado momento, o pessoal pergunta para ele de forma descontraída. E aí, você se divertia mais com o primeiro-ministro ou com o presidente do Banco Central? Você que foi presidente do Banco Central do Canadá, presidente do Banco Central da Inglaterra. Aí o Carney soltou um palavrão. Falou a F-word, que a gente sabe que na língua inglesa acaba sendo algo que chama a atenção. E ele resolveu contar uma história.

Ele estava ali numa reunião do G10, dos 10 principais bancos centrais de países ricos, no ano de 2008, antes da crise de 2008, mas depois da falência do Bear Stearns, que foi um banco que falhou em março de 2008. E ele disse, pô, fomos lá nos reunir para conversar sobre o que fazer diante da falência de uma grande instituição financeira. Eis que começa um jantar. Sete pratos diferentes no jantar. Um longo debate sobre os vinhos que estavam sendo servidos no jantar.

sobre a qualidade dos vinhos, sobre a origem das uvas, sobre como aqueles vinhos ornavam com aqueles magníficos pratos que estavam servidos. E aí, Tanguy, no final ele diz que sobraram poucos minutos para falar sobre o que efetivamente interessava, que era a situação financeira do contexto internacional daquele momento de crise, de falência de uma instituição de primeira linha. Tanguy, depois, poucos meses depois, tivemos a crise de 2008, com a falência do Lehman Brothers, etc. Então, fica aqui a observação.

Se não tivessem procrastinado, se tivessem acordado mais cedo, se tivessem trabalhado mais, quem sabe poderiam ter evitado essa crise. Mas não. A procrastinação acabou sendo ali o padrão no encontro dessas lideranças de bancos centrais. E tem mais. Ele começou, Tanguy, a falar a verdade. Perguntaram para ele do Donald Trump. Ele falou, olha só, o Donald Trump, você só pode falar coisas em público que você consiga sustentar. No privado, o Trump escuta mais.

ele acaba gostando de opiniões mais diretas, valoriza conversas francas, ou seja, ele é mais um daqueles que diz que o Trump é um no privado e outro na esfera pública. Com o Xi Jinping, ele diz o seguinte, olha, o Xi Jinping, na última vez que eu encontrei com ele, ele passou 10 minutos explicando como ele gosta das interações diplomáticas. E eu entendi qual era a mensagem, não me dê lições em público, traga problemas ali diretamente. E com o Modi, ele disse o seguinte, o Modi é um cara extraordinário,

O Modi não tira férias há 25 anos. Há 25 anos que o Modi não tira férias. Admiro ele profundamente, até porque ele tem foco em entregar resultados concretos para o cidadão comum. É isso. E o Carney contou às internas dessas reuniões que muitas vezes o pessoal está mais preocupado em comer e beber do que efetivamente trabalhar. E também trouxe percepções pessoais sobre grandes lideranças internacionais.

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desse episódio. Tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma maneira prática, instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix Recorrente. A chave Pix está no descritivo do episódio. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. A gente volta amanhã, na sexta-feira, com o Petit Invest. E bate-papo. A princípio, a gente só volta na terça-feira, segunda-feira. A gente não vai ter episódio. Tem que saber

ainda se vai ter episódio de noite, depois a gente anuncia isso. Vai ter à noite. À noite vai. À noite tem. Perfeito. Então, de manhã não tem, à noite tem. E, assim, sexta e sábado, Daniel Souza, estamos ao sabor do vento. Tem que saber aí se vamos ter que ter episódio ou não. Mas tudo isso a gente anuncia pelas redes sociais. Daniel Souza, nos vemos. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.

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