Episódios de Petit Journal

Turquia em risco - BP 1032

05 de março de 202631min
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A guerra no Oriente Médio ganha novos contornos após a OTAN interceptar um míssil iraniano que seguia em direção à Turquia, elevando o risco de envolvimento direto da aliança atlântica no conflito. Também analisamos as versões contraditórias sobre o Estreito de Ormuz, com o Irã afirmando que a passagem está totalmente fechada enquanto os Estados Unidos dizem que o fluxo marítimo continua. Ao mesmo tempo, Israel e EUA ampliam os ataques contra o aparato de segurança do regime iraniano, atingindo delegacias e prisões e pressionando a estrutura interna de controle do Estado.
Discutimos ainda os impactos da guerra sobre os mercados financeiros, especialmente sobre moedas como euro e dólar, em um contexto de busca por ativos considerados mais seguros. No cenário político iraniano, Mojtaba Khamenei surge como favorito para assumir o posto de líder supremo, o que levanta debates sobre continuidade dinástica dentro da República Islâmica.
Na Geleia da Shakira, um porta-aviões dos Estados Unidos enfrenta problemas no sistema de esgoto e literalmente está fedendo, situação que derruba o moral da tripulação em meio a uma operação militar delicada.
#OrienteMédio #Irã #OTAN #EstreitoDeOrmuz #Geopolítica
Assuntos13
  • Estrategia EUAContradição entre objetivos declarados · Programa nuclear vs mudança de regime · Mísseis balísticos como alvo · Ajuste contínuo de justificativas · Falta de clareza estratégica
  • Estratégia iraniana de regionalizaçãoAtaques contra países aliados dos EUA · Pressão sobre Arábia Saudita, Emirados e Catar · Objetivo de espalhar caos regional · Busca por negociação através do caos · Reação iraniana aos ataques americanos
  • OTAN TurquiaInterceptação de míssil iraniano · Possível acionamento do artigo 5º · Resposta coletiva da aliança atlântica · Base de Incirlik como alvo potencial · Risco de envolvimento direto da OTAN
  • Estreito de Ormuz e bloqueio marítimoVersões contraditórias sobre fechamento · Afirmações iranianas de controle total · Negação americana do bloqueio · Destruição de embarcações iranianas · Impacto no tráfego de petroleiros
  • Ataques Infraestrutura IraBombardeio a delegacias e centros de detenção · Ataques a órgãos de inteligência · Libertação potencial de presos políticos · Fragilização do aparato repressivo estatal · Objetivos para enfraquecimento interno do regime
  • Sucessao Lider Supremo IraMorte de Ali Khamenei no sábado · Mojtaba Khamenei como favorito · Risco de dinástica familiar · Bombardeio da Assembleia de Especialistas · Ameaça de assassinato por Israel
  • Mercado FinanceiroBusca por ativos seguros · Volatilidade de moedas · Recuperação tímida do dólar · Busca por ouro · Impacto na inflação e crescimento
  • Basij e milícias revolucionáriasMilícia ligada à Guarda Revolucionária · Estimativa de um milhão de membros · Papel central na repressão de protestos · Ataques coordenados a instalações Basij · Radicalização religiosa
  • Votação no Senado AmericanoRejeição de resolução limitadora de poderes · Votação 53 contra 47 · Apoio democrata parcial a Trump · Solidariedade republicana com Israel · Concessão de poderes expandidos
  • Cotação do DólarPerda do dólar em 2025 · Diversificação de reservas internacionais · Ouro como alternativa · Menos hegemonia que no passado · Possível volta de programação normal
  • Conflito EUA-IrãPopulação curda do Irã · Manifestações contra o governo · Milícias curdas em avaliação · Receio de abandono americano · Condições para entrada no conflito
  • Influência evangélica protestante na política externaVinculação de protestantes com Israel · Conexão com Israel bíblico · Presença em igrejas pentecostais e neopentecostais · Apoio político a Israel · Similaridade com fenômeno no Brasil
  • USS Gerald Ford e problemas no esgotoPorta-aviões de 13 bilhões de dólares · Falhas crônicas no sistema de esgoto · Navio comissionado em 2017 · Tripulação com moral baixa · Extensão de missão de 6 para até 11 meses
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1032. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 21 horas e 32 minutos da quarta-feira, 4 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de Kortang, o Bagdadinho animado, contente, nem tanto, preparado, bastante,

retumbante, descansado e tarifado. Segue tarifado o professor Bagdadi. Aliás, tarifas saíram do radar de muita gente, mas ele segue tarifado. E também muito preocupado. As noites em sono do professor Bagdadi, preocupado com a geopolítica e com questões internacionais, mostraram-se filhas dignas com o cenário em tela. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais

últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Sinto que você, uma vez mais, ficou orgulhoso do meu improviso, sem deixar a peteca cair, sem deixar o ritmo diminuir. Tudo bem? Vamos a isso. Daniel, a partir ali dos 40% da abertura, você já estava quase rindo. Estava quase. Estava assim, ali, rabiando, tentando ver se conseguia. Fiquei orgulhoso, Daniel Souza, que você conseguiu manter a seriedade. Deixo, Daniel Souza, as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente. Muito bem-vindos.

Muito bem-vindos, um prazer ter vocês aqui. E Daniel Souza, a gente começa o nosso episódio lembrando que no meio dessa bagunça toda, no meio dessa tensão toda, você que está ouvindo a gente pode ser que tenha a possibilidade de ter mais um passaporte. Isso pode para você ser uma grande segurança. No mundo mais instável, um novo passaporte, um passaporte europeu, pode ser um grande diferencial para oportunidades de estudo, de negócios, para você poder morar, é claro, para turismo também.

antepassado que tenha sido português, espanhol ou italiano, procura a Você Portuguesa, Você Portuguesa e Você Europeu, eles têm um trabalho conjunto ali com tudo que você precisa no Brasil e na Europa para buscar documentos, para saber se a análise de viabilidade, aliás, análise de viabilidade gratuita, caso você tenha algum antepassado de alguma dessas nacionalidades, faz muita diferença, Daniel vai trazer o relato dele, é cliente da Você Português, procura lá, o link está na descrição

para você entrar em contato com eles. Aliás, Tengue, como você muito bem disse, há poucas semanas concluímos o processo de nacionalidade portuguesa da criança, da família, e agora ela já é uma cidadã portuguesa. Isso foi feito com o auxílio super eficiente e luxuoso da Você Português. Fica aqui a minha recomendação do trabalho deles. Dentro de um contexto tão pantanoso, de um mundo tão imprevisível, você ter aí realmente alternativas.

algo super importante, seja alternativas para você imigrar, alternativas para você viajar, alternativas para você investir. Uma nacionalidade europeia abre muitíssimas portas e isso acaba sendo algo interessante. Eu vim para a Austrália, por exemplo, com a nacionalidade europeia, você não tem visto como os brasileiros têm. Você tem apenas uma comunicação de viagem que você faz no site da imigração australiana. É algo muito mais prático e gratuito, ao contrário do passaporte brasileiro em que você tem que pedir esse visto,

mais complexo, pagar uma taxa. Conheça o trabalho da Você Português, clique no link do descritivo desse episódio. Daniel Souza, eu queria começar o nosso episódio de hoje falando, obviamente, sobre a guerra, pelo fato de que a grande preocupação de muita gente, e acertadamente, era uma regionalização do conflito. Então, os Estados Unidos e Israel iniciaram essa agressão contra o Irã no sábado passado. O Irã, naturalmente, está resistindo, está reagindo da maneira como pode. E a maneira pela qual o Irã tem reagido,

Daniel tem sido principalmente atuar contra países aliados dos Estados Unidos que tenham bases americanas. Então isso tem levado a uma disrupção da tranquilidade, da ordem, inclusive de países que não estão diretamente envolvidos no conflito. Então a gente já teve ataques iranianos contra a Arábia Saudita, contra os Emirados Árabes Unidos, contra o Catar, contra alvos no Iraque e tal.

os Estados Unidos e os aliados americanos. A atuação ali no Estreio de Hormuz, que vai ser um assunto sobre o qual a gente vai tratar hoje. Hoje, no entanto, Daniel, a gente teve mais um passo no sentido dessa regionalização a partir do momento em que um míssil balístico disparado pelo Irã foi destruído por sistemas de defesa aérea da OTAN no Mediterrâneo Oriental. E, ao que tudo indica, o alvo era a Turquia. Então, a gente está falando aqui sobre um país da OTAN que poderia...

provavelmente era o alvo desse ataque, e é sempre importante lembrar que também a Turquia tem uma base americana, a base de Incirlik, é uma das bases mais importantes dos Estados Unidos ali no Mediterrâneo, é também uma das bases que os Estados Unidos utilizam para ações no Oriente Médio, então você tinha também, teve provavelmente como alvo, a gente não dá para saber exatamente para onde estava indo, a gente não tem acesso a essa informação, mas a Turquia, de qualquer maneira,

com o Irã. É uma relação bastante ruim, uma relação de competição, tem uma certa agressividade ali entre os dois. Então o Irã aparentemente lançou um míssil contra a Turquia. Você teve uma reação, Daniel, por parte da porta-voz da aliança Alison Hart, a porta-voz da OTAN, que disse que a OTAN permanece firmemente ao lado de todos os alianos, incluindo a Turquia, enquanto o Irã continua seus ataques indiscriminados na região. Nossa postura de dissuasão e defesa permanece

forte em todos os domínios, incluindo defesa aérea e antimísseis. Uma coisa que eu acho importante notar, Daniel, é que quando a gente fala sobre a OTAN, quando a gente fala sobre a Turquia, é um membro da OTAN, e isso poderia acionar o artigo 5º da OTAN. O artigo 5º da OTAN é que fala sobre defesa coletiva. Ou seja, se um membro da OTAN for atacado, todos os demais, e aí a gente está falando sobre, são 32 países no total, deveriam responder a essa ameaça. Claro, Daniel, que a gente sabe que essa resposta não é

Não é assim, foi atacado, automaticamente todo mundo vai lá atacar o Irã, mas de qualquer maneira seria mais um passo que você daria no sentido de juntar várias forças contra o Irã. Ao mesmo tempo, Daniel, o Irã está meio sem alternativas. O Irã está sendo atacado, ele vai precisar reagir, não tem como atingir os Estados Unidos, tem atacado Israel e tem buscado, portanto, atacar outras bases americanas pela região. O objetivo do Irã nesse momento, Daniel, é tentar regionalizar o conflito.

se não ela vire uma bagunça tão grande que em algum momento queiram recuar e queiram negociar. Aliás, o Putin falou sobre isso na semana passada, não, hoje é quarta-feira, isso foi na segunda-feira, o Putin disse que, olha, eu estou recebendo ligação de um monte de líderes árabes para ver se eu falo com o Irã, mas quem está atacando são os Estados Unidos. Eu imagino que vários desses países árabes também estejam ligando para os Estados Unidos, falando dos Estados Unidos, pelo amor de Deus, eu estou sendo atacado, eu estou sendo agora considerado um país inseguro,

Como é que vai ser isso? O objetivo iraniano, portanto, é eu vou sofrer, mas eu vou carregar uma galera comigo. Então a tentativa de atacar a Turquia, aparentemente atacar a Turquia, faz parte exatamente desse movimento, Daniel, de tentar levar um pouco desse caos que engolfou o Irã a partir dos ataques americanos e israelenses também para outros países da região.

internacional, se isso começa a virar inflação para o planeta inteiro, se isso começa a trazer impactos sobre o crescimento, a tendência é que o Donald Trump e o Netanyahu comecem a receber mais e mais ligações, mais e mais pressão para tentar buscar algum tipo de alternativa, algum tipo de interrupção das hostilidades, algum tipo realmente de desescalada nesse conflito.

revolucionária do Irã, afirmando que o Estreito de Hormuz está sob controle total da marinha iraniana. O governo do Irã já havia anunciado o fechamento da rota na última segunda-feira e Teheran tem declarado e reiterado que poderá atacar embarcações que tentarem atravessar a passagem. Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos afirmou que os Estados Unidos estão preparados

para agir caso o tráfego de petroleiros seja ameaçado. Não é que esse tráfego será ameaçado, ele já está ameaçado. E o tráfego de petroleiros já desabou naquela região. É engraçado que o Trump às vezes fala algumas coisas um pouco descoladas da realidade. Não, estamos preparados, caso alguma... Caso não, já aconteceu, já está acontecendo. Em publicação na rede social dele, ele declarou, inclusive, que a marinha americana poderá escoltar

petróleo pela região. Aliás, as Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter afundado 17 embarcações iranianas. Uma dessas embarcações, inclusive, foi alvo de um ataque de submarino dos Estados Unidos. É a primeira vez que você tem esse tipo de ataque desde 1982 no contexto da Guerra das Malvinas. Então, mais de 40 anos. É para a gente ter uma ideia do nível de violência e da intensidade desse conflito que a gente está observando. E segundo as Forças Armadas

americanas ainda, não há navios iranianos operando no Golfo Arábico, no Estreito de Hormuz ou no Golfo de Oman. Ô Tenguer, ô gente, como assim? Não tem navios da marinha iraniana? Todos foram afundados pelo governo dos Estados Unidos. Também é algo um pouco difícil de acreditar, mas aqui a gente está falando de duas versões para o mesmo fato. De um lado, você tem o Irã dizendo que tem controle total sobre o Estreito de Hormuz, que ninguém vai passar, que se passar vai

atacar, etc. E do outro lado, você tem o governo dos Estados Unidos dizendo, não está nada bloqueado, podem passar à vontade. Se precisar, eu mando a marinha dos Estados Unidos para proteger. Eu, inclusive, também estou atacando a maria iraniana, que já teve uma série de embarcações afundadas, etc. O poderio bélico do Irã está muito fragilizado e, consequentemente, está tudo sob controle. Esses anúncios, inclusive, das forças armadas dos Estados Unidos, chegaram a ter até algum impacto sobre o preço do petróleo,

que acabou tendo ali um certo arrefecimento, ele que tem experimentado uma alta nesses últimos dias, mas não explodiu ainda, como muita gente chegou a imaginar, e não explodiu porque a aposta principal, Tanguy, é que os Estados Unidos e Israel não têm nem capacidade bélica, nem interesse de manter essa intensidade de ataques ao Irã por muito tempo,

grau de normalidade num futuro não muito distante. O que é sempre algo muito complicado, porque a gente está observando um governo americano que reiterou, através da Casa Branca, os seus objetivos. Reiterou seus objetivos, porque afinal tem podcastzinho aí dizendo que os Estados Unidos estão perdidos, que não tem plano, que não tem projeto. E aí a nossa porta-voz da Casa Branca veio dizer não, não, não. Temos um plano. Sabemos exatamente o que estamos fazendo. Você tem ali objetivo

de impedir que o Irã tenha uma arma nuclear, você tem o objetivo de acabar com o programa de mísseis do Irã. Eu só achei interessante que ela não citou derrubar o regime. Achei curioso. Achei que faltou essa citação da nossa porta-voz da Casa Branca, mas, de qualquer maneira, ela está mostrando que está tudo sob controle. Sabemos exatamente o que estamos fazendo e onde queremos chegar com tudo isso. E aí, Daniel, olha o cenário que a gente tem. Tem podcastzinho no Brasil dizendo que os Estados Unidos estão perdidos,

E aí, de início, os Estados Unidos dizem que, pô, é mudança do regime. Quer dizer, de início era programa nuclear, não pode. Aí depois é, não, mudança do regime. As pessoas vão sair às ruas e vão mudar o regime. Aí depois deixa de ser mudança do regime, é só para impedir o programa nuclear de avançar e o Irã de ter mísseis balísticos. No meio disso tudo, a gente tem a informação de que os Estados Unidos e Israel estão atacando delegacias, centros de detenção e escritórios de inteligência do Irã.

Daniel. A lógica, quando você começa a atacar delegacia, centro de detenção, escritório de inteligência, é porque você quer garantir que o regime se enfraqueça. Você quer colocar nas ruas pessoas que estavam presas. Então, pessoas que são, eventualmente, presos políticos, mas, eventualmente, criminosos comuns. Você está querendo aumentar a pressão sobre o governo para ver se o governo cai de forma definitiva. Então, você tem uma quantidade de contradições que é muito grande, Daniel, do que os Estados Unidos

estão querendo, das duas uma, ou eles têm um objetivo muito claro e estão guardando para eles, e ninguém está sabendo interpretar a genialidade da coisa, ou então eles estão, a cada momento, eles vão ajustando a justificativa de acordo com as suas necessidades. Um dos alvos principais desses ataques, Daniel, tem sido o Basij. Basij é uma milícia que é ligada à Guarda Revolucionária do Irã, que se considera que pode ter ali cerca de um milhão de membros, esse número também não é muito preciso, mas que tem uma quantidade grande de membros,

papel central na repressão de protese. Então, quando você tem manifestações e tal, claro, você tem a Guarda Revolucionária do Irã, mas você também tem essas milícias Bacis, a milícia Bacis, que atua com o objetivo exatamente de tentar fazer essa repressão. Então, é um grupo bastante radicalizado, inclusive, do ponto de vista religioso. Então, esse é um grupo que também está sendo bastante atacado. Você tem uma série de instalações da Bacis que estão sendo atacados.

Por que você ataca Bacis? Se o objetivo é programa nuclear e programa de mísseis balísticos,

O Bassis não tem nada a ver com isso. Agora, o Bassis reprime manifestações. Ora, então se a galera começar a sair às ruas para tentar derrubar o regime de forma definitiva, a milícia Bassis não estando mais articulada, esse é um ganho. Você tem uma questão importante aí. E outro ponto que tem sido bastante comentado quando se fala sobre o Irã são os curdos. Ora, Daniel, a população curda, você tem uma parcela da população iraniana que é curda,

partido de manifestações contra o governo. Então, é um problema para o Irã, não é um problema tão grande quanto a Turquia, por exemplo, porque é uma parte menor da população. Agora, segundo informações que a gente tem, os curdos ainda não entraram em ação para eventualmente fazer algum tipo de ação militar perto das fronteiras e tal, porque tem medo que os Estados Unidos e Israel desistam da ação rapidamente. Então, você imagina, você ali é de uma milícia curda que é contra o governo, aí começa a bombardeio,

do Irã, e aí você entra em ação. De repente, Estados Unidos e Israel falam, ó, acabei, vou embora. E você se ferrou, porque você está ali mobilizado contra um governo que ainda está ativo e a tendência é que você sofra as consequências meio sozinho. Então, as informações que se tem é que está todo mundo meio esperando também, ninguém está entendendo exatamente o que está acontecendo, então que milícias curdas estariam avaliando entrar no conflito mais apenas se o aparato de segurança tiver

de fato enfraquecido, se você tiver alguma garantia de que você vai ter algum apoio. Ou seja, Daniel, os indícios, os sinais que os Estados Unidos dão, eles são muito confusos. Você está querendo o que, afinal? Essa foi a pergunta que eu fiz no episódio de ontem e me parece que a cada hora essa pergunta se torna mais séria. Quando é que os ataques vão terminar? Porque você só sabe quando os ataques vão terminar quando você souber qual o objetivo.

Se esse objetivo o tempo todo muda, se ele é o tempo todo reajustado, a gente simplesmente não tem um horizonte de quando que isso vai terminar.

E aí isso impacta muito seriamente, não necessariamente os Estados Unidos, mas os países que são aliados dos Estados Unidos que estão ali perto. Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Israel, que é quem está atacando também. Mas enfim, são países ali do entorno que estão tentando entender, vem cá, que horas que normaliza isso, quando é que normaliza. Eu tenho que torcer para acontecer o quê? É para cair o regime? É só para desarmar o programa nuclear, o programa de místices balísticos?

Ninguém sabe exatamente para onde que os Estados Unidos estão apontando, Daniel.

Diz o Tanguy que, no dia de hoje, uma resolução visando limitar os poderes do presidente Donald Trump na guerra contra o Irã foi rejeitada no Senado dos Estados Unidos. A maioria acabou votando contra essa resolução, foi uma maioria de 53 contra 47. O democrata John Fetterman, que apoia a guerra, votou contra essa resolução que limitaria os poderes do presidente Trump.

enquanto o republicano Rand Paul foi o único republicano a votar a favor, ou seja, de limitar os poderes do presidente Trump. Ou seja, a gente está falando de um Senado que está chancelando a decisão do Trump e está dando a ele mais poderes do que diz respeito a essa guerra contra o Irã. Nós temos aí um apoio robusto do Partido Republicano, claramente estabelecido,

chama a atenção. Israel é sempre um tema muito sensível nos Estados Unidos para uma parte do eleitorado, e me parece que esses republicanos não querem ser vistos como alguém que está contra Israel, que está contra a defesa do Estado de Israel. E a gente já disse aqui, o Tanguy sempre reforça essa ideia, isso não tem nada a ver com um lobby judaico, que muitas vezes as pessoas colocam, que os judeus são poderosíssimos nos Estados Unidos,

ou teorias, muitas vezes, que acabam transbordando para os conspiracionismos. Isso tem muito mais a ver com os protestantes americanos, que têm ali uma vinculação muito forte com Israel, algo que também acontece no Brasil. A gente observa, inclusive, muitas igrejas pentecostais e neopentecostais no Brasil, que muitas vezes têm símbolos israelenses, a bandeira de Israel. Existe ali uma certa mistura entre o Estado de Israel moderno e o Israel da Bíblia.

entre a Israel bíblica e, consequentemente, isso acaba estando muitas vezes presentes nessa parte do eleitorado americano, que é uma parte super importante. Registro também, Tanguy, que nós temos tido, nesses últimos dias, uma certa tendência de valorização do dólar. O dólar se recuperou desde segunda-feira, quando os mercados acabaram abrindo. Você teve ali uma busca pela moeda americana, mas foi uma recuperação muito tímida.

todo. O pessoal saía correndo atrás da moeda americana como mecanismo de proteção e dessa vez o dólar subiu, mas nem tanto. O que mostra que o dólar já não está mais com aquela hegemonia que teve no passado. Ainda é a moeda hegemônica, ainda é a principal referência do sistema financeiro internacional, mas não tem a força que teve no passado. Aliás, em 2025 o dólar experimentou uma perda muito expressiva em relação às principais moedas do mundo. O dólar deu uma boa derretida

A gente observa também muitos países diversificando suas reservas internacionais, ainda tem no dólar a sua principal moeda, mas muita gente já buscando outros ativos, algumas outras alternativas, entre elas o próprio ouro, que experimentou uma valorização muito importante.

momento em que essa incerteza aguja de desaparecer, você acaba tendo aí uma volta da programação normal, e essa volta da programação normal é um dólar enfraquecido em relação ao que nós tínhamos no passado, um dólar menos hegemônico do que nós tínhamos no passado. O dólar deve seguir hegemônico, até porque não existe uma alternativa a ele, o ouro não é uma alternativa, o ouro não tem volume para substituir o dólar e para ser estoque de riqueza de tanta gente ao mesmo tempo,

uma certa batida de fragilização da hegemonia, e isso, inclusive, vai ser objeto de uma aula do nosso Petit Cursos. A gente vai falar disso de maneira bastante aprofundada, aliás, nas próximas duas semanas, o atual curso em que nós exploramos a liderança dos Estados Unidos, a quantas anda a liderança dos Estados Unidos, se ela está se fragilizando, se essa fragilização é permanente, não é permanente. A gente vai explorar, inclusive, essa questão da hegemonia do dólar e como ela está se comportando. Olhando para o Irã, Daniel,

a gente tem que falar um pouquinho sobre a escolha do novo líder supremo. Então, Ali Khamenei, líder supremo desde 1989, foi morto no último sábado e, portanto, a gente tem agora a expectativa de que essa Assembleia de Especialistas se reúna para poder definir quem será o seu sucessor. A gente trouxe aqui no episódio de ontem, Daniel, que o prédio da Assembleia dos Especialistas foi bombardeado por Israel no dia de ontem, o que naturalmente traz mais uma camada de dificuldade para você dar continuidade para algo que, enfim,

a ordem da política do país. Você pode questionar se você gosta, se você não gosta, mas o país tem um cargo de líder supremo. E nesse momento, portanto, você tem um favorito, Daniel, que despontou como favorito, que é o filho do Ali Khamenei, o Mostaba Khamenei. O Ali Khamenei, Daniel, ele já tinha cogitado a possibilidade de indicar o seu filho como o seu sucessor. Eu falei sobre isso aqui outro dia, inclusive, que não era todo mundo que considerava isso uma boa ideia,

tinha medo de se tornar um negócio meio dinástico. Então, assim, agora é o Ali Khamenei, aí daqui a pouco é o Mostaba Khamenei, daqui a pouco vai ser o neto do Ali Khamenei, que vai ser eleito também. Onde que isso vai parar? Isso não pode ficar numa mesma família e tudo. Só que havia uma dúvida muito grande sobre se o Mostaba Khamenei teria morrido também no ataque contra a residência do pai dele. E, ao que tudo indica, Mostaba Khamenei não estava em Teheran. A mulher dele estava.

do Mostaba Kamenei, estava no prédio, aparentemente ela morreu durante o ataque, mas Mostaba Kamenei está em segurança. Então não estava em Teirã e já é apontado nesse momento como uma figura que é um pouco mais conhecida, até por ser filho do Ali Kamenei, um cara mais conhecido e tudo, que talvez nesse momento pudesse ser uma figura minimamente conhecida das pessoas. Ele tem 56 anos, ele tem a formação suficiente para ser líder supremo, ele é considerado um cara da linha dura,

e aí é curioso, porque o neto do Khomeini, ele é considerado um moderado, moderado naquele padrão diante dos demais clérigos, mas o Mostaba Kamenei, ele é considerado um cara da linha dura, tem relações bastante fortes com a guarda revolucionária do Irã, o que é um ponto a seu favor, então ele teria uma certa articulação com o grupo armado, com o grupo, na verdade, que tem articulações no país como um todo, então ele conseguiria dialogar com essas pessoas, e ele é considerado, portanto, uma figura

que poderia estar nessa posição. Agora, Daniel, Israel já disse que o próximo que for escolhido líder supremo será alvo também. O que Israel está dizendo é que vai acontecer com o líder supremo a mesma coisa que aconteceu com os líderes do Hamas e do Hezbollah. Eu vou matar um líder, o outro vai ser escolhido e vai morrer também. Então, o que é bastante problemático, né, Daniel? Porque você tem ali, você falar que vai lutar contra terrorismo e tal, perfeito. Ah, ok. Agora, é um carro que existe no país, Daniel.

determinar que essa pessoa vai morrer, independente de quem seja, é algo que tem lá as suas complicações. Mas a gente tem que ver, Daniel, porque segundo a Assembleia de Especialistas, a expectativa já é escolher por agora um novo líder. Eu falei sobre a possibilidade de, de repente, eles adiarem essa decisão, deixar um pouco mais pra frente, depois que a coisa der uma arrefecida e tal, mas aparentemente eles querem escolher imediatamente porque consideram que ter um líder supremo é importante até pra ajudar na resistência nesse momento de guerra.

Agora, é um super dilema, Tanguy, porque se você adia a escolha, isso pode emular ou pode projetar uma certa covardia. Olha, vocês estão com medo, etc., dos adversários, dos inimigos. Pode sugerir que o regime não é tão forte como muitas vezes ele gosta de dizer que é. Agora, se você faz a escolha mais rapidamente, você assume um risco gigantesco, porque se o novo líder supremo escolhido,

acaba sendo assassinado, caramba, você também projeta ali uma fraqueza muito significativa de que você não é capaz sequer de proteger o líder supremo. Quer dizer, se você não é capaz de proteger o líder supremo, você é capaz de proteger quem no Irã? O que esse regime é capaz de proteger? O que ele é capaz de fazer se você, na eventualidade, claro, de ter dois líderes supremos assassinados em sequência por forças estrangeiras? É uma escolha difícil, porque em qualquer um dos casos,

muito grande. Agora, Tanguy, podemos avançar para a nossa geleia da Shakira de hoje? Precisamos, Daniel. Traz. Na geleia da Shakira de hoje, trazemos uma nota um pouco mais leve de problemas. Problemas, como direi, sanitários. Em e-mails obtidos pela NPR dos Estados Unidos, nós temos falhas crônicas e graves no sistema de esgoto do USS Gerald Ford, o porta-aviões de 13 bilhões de dólares

Marinha dos Estados Unidos, que atualmente segue para se juntar à armada de Trump que cerca o Irã. Os problemas são causados por falhas de projeto, apesar de o navio ter sido comissionado em 2017, ou seja, um navio bem novo. E elas estão piorando diariamente, sem qualquer possibilidade de conserto, sem retorno aos estaleiros nos Estados Unidos. Nós temos, inclusive, uma tripulação, Tanguy, que está com baixa moral,

a oito meses, inicialmente a missão seria de seis meses, mas agora pode se estender por onze meses, eles haviam sido anteriormente destacados pra região da Venezuela. E, pô, você tá num navio, porque o sistema de esgoto não tá funcionando direito, tá meio complicado, né, tem uma coisa meio pesada isso. É muita gente, são mais de dez soldados, não são, Daniel? Ih, rapaz, são bem mais de dez soldados, a gente tá falando de milhares e milhares de soldados nessa embarcação, o pessoal fazendo ali o seu número dois, né, fazendo o número um,

e aí o negócio começa a não funcionar direito, é uma manhaca que vai se formando no navio. E a gente está falando aí de uma embarcação nova, de uma embarcação multibilionária, inclusive, que custou bilhões de dólares para a marinha dos Estados Unidos. Mas como é que você luta? Tem que ir com uma moral alta. Se porra, estiver fedendo, se estiver com problemas no encanamento, se estiver com problemas no esgoto, é realmente um negócio muito embaraçoso isso. Então o Irã vai saber da chegada dele, não precisa nem de radar.

só seguir o cheiro, isso? É mais ou menos por aí, mais ou menos por aí. Mas que loucura essa guerra, né, Tanguy? Essa guerra realmente está nos levando. A gente tem de um lado os Estados Unidos que dão sinais de que não sabem muito bem para onde estão indo, o que estão fazendo. Do outro lado você tem o Irã também que, pô, começa a jogar sujeira no ventilador, começa realmente a sinalizar que não tem ali muitos objetivos a não ser lutar pela sua sobrevivência. Mas vamos acompanhando, seguimos acompanhando aqui

no PET Jornal, essas loucuras do cenário internacional e os desdobramentos delas para a vida das pessoas, inclusive para nós. Nós acabamos sendo impactados porque combustível fica mais caro, gera inflação, pode ter impacto sobre juros. É uma discussão, inclusive, que a gente pode aprofundar ao longo dos próximos episódios. A gente pode dizer, então, que a coisa está fedendo, né, Daniel? No cenário internacional, nos navios americanos e tal, a coisa está fedendo, é isso?

É isso, está fedendo. Realmente não está cheirando bem. Não está cheirando bem. Ô, Daniel Soto, você já antecipou, inclusive, né, cara?

de maneira precisa. Você quer saber como é que a economia dos Estados Unidos está lidando com todo esse cenário de transformação? Petit Cursos. Além, faço esse jabá aqui sempre, Daniel, você quer saber sobre qualquer coisa que a gente tenha mencionado aqui ao longo do nosso episódio, ao longo dos nossos episódios, praticamente tudo que a gente falou aqui aparece lá no Petit Cursos. Acesse lá petitcursos.com.br para você ter acesso a ainda mais informações de forma estruturada, sempre aulas em dupla, sempre eu e o professor Daniel. A gente tem uma plataforma nova, está lindíssima a plataforma,

bonito, está fácil. Você tem certificado para todos os cursos que você fizer. Você tem uma gamificação ali que é muito legal também, né, Daniel? Para você ver quantas aulas você está assistindo, quais são os temas que mais te interessam. Tudo isso está lá, peticursos.com.br. Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PETI, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PETI é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado de mídia,

já não tem ali o suporte de uma grande produtora. É um trabalho bastante artesanal e por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um dos apoiadores do Petit Jornal. Apoiadores e apoiadoras. Fica o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado a cada um de vocês. Fica também o convite. Se você gosta do projeto do Petit Jornal, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas.

Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente.

Chave Pix disponível no descritivo desse episódio. Tem também o link para o apoia-se, o link para o Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas pode ser confortável para você. É isso, Daniel Souza. Mas estamos de volta. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br

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