Episódios de Petit Journal

Ataque à Assembleia iraniana - BP 1031

03 de março de 202635min
0:00 / 35:19
NORDVPN
Acesse e ganhe um desconto exclusivo no seu plano NordVPN, além de 4 meses adicionais gratuitos
www.nordvpn.com/petitjournal
Para patrocínios, palestras e parcerias: contato@petitjournal.com.br
Quer conhecer nossos cursos e aulas gratuitas? Acesse https://www.petitcursos.com.br
Chave PIX: petitjournal.pj@gmail.com
Apoie o Petit Journal: https://www.apoia.se/petitjournal
Se você vive no exterior: www.patreon.com/petitjournal
Quer apoiar pelo YouTube? Clique em Valeu e deixe seu apoio ou vire membro do Canal do Petit Journal no YouTube.
Inscreva-se no canal de cortes do Petit Journal:
https://youtube.com/@petitjournalcortesoficial?si=HnJloDVeGCrrSelB
Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.instagram.com/tbaghdadi/
https://www.instagram.com/danielsousaeconomista/
https://www.instagram.com/petit_journal_/
Israel realizou um ataque contra a Assembleia de Especialistas do Irã, órgão responsável por escolher o sucessor do líder supremo, ampliando o impacto político da guerra e atingindo diretamente o mecanismo institucional de sucessão após a morte de Ali Khamenei. Discutimos o significado estratégico dessa ação e analisamos o que os Estados Unidos buscam com o conflito, quais são os limites da operação militar e até onde essa guerra pode ir. Também abordamos a visão chinesa sobre a crise, marcada pela preocupação com o fornecimento de petróleo e a estabilidade do Golfo.
A guerra continua a produzir efeitos regionais importantes, com impactos sobre aeroportos do Oriente Médio e consequências diretas para o turismo e o transporte aéreo. No Líbano, mais de 30 mil pessoas já foram deslocadas e Israel realiza incursões no sul do país, ampliando a pressão sobre o Hezbollah e sobre o frágil equilíbrio interno libanês.
Na Geleia da Shakira, cresce nas redes a campanha para que Barron Trump seja convocado pelo exército dos Estados Unidos, movimento irônico que viraliza sob a hashtag Draft Baron Trump.
#Irã #Israel #OrienteMédio #Hezbollah #Geopolítica
Assuntos15
  • Ataque Assembleia IraBombardeio do prédio da Assembleia · Possível morte de clérigos · Importância institucional para sucessão · Impacto no mecanismo de escolha do líder supremo
  • Conflito Irã-EUAJustificativas mutáveis (programa nuclear, mudança de regime, mísseis) · Confusão estratégica americana · Horizonte temporal indefinido · Divergência entre objetivos dos dois países
  • Geopolítica China-EUAAcesso ao petróleo (40% pelo Estreito de Hormuz) · Impacto da guerra na Venezuela · Perda de fornecedores estratégicos · Encontro com Trump ameaçado
  • China e PetroleoImportações chinesas de petróleo iraniano · Impacto em acordos comerciais · Possível fechamento do Estreito de Hormuz · Controle americano sobre Venezuela · Ameaça ao acesso energético chinês
  • Estrutura e capacidade regenerativa do regime iranianoMúltiplas camadas de poder · Teia de proteção bem estabelecida · Descentralização decisória · Capacidade de substituição de membros · População fiel ao regime
  • Lições de guerras anteriores (Iraque e Afeganistão)Diferenças entre Irã e Iraque · População iraniana (100 milhões) · Capacidade militar do Irã · Risco de conflito prolongado
  • Conflito EUA-IrãEstrutura descentralizada · Capacidade de regeneração · Lealdade de membros ao regime · Preparação para conflito prolongado · Substituição de lideranças
  • Incidentes regionais e retirada diplomática americanaDrone na embaixada dos EUA em Riad · Ataque no porto de Oman · Evacuação de pessoal não-essencial · Retiradas de múltiplos países do Golfo · Instabilidade generalizada percebida
  • Segurança de americanos no Golfo PérsicoAdvertência de retirada de diplomatas · Drone que atingiu embaixada em Riad · Ataque ao porto de Oman · Risco generalizado na região · Retirada de pessoal não essencial
  • Capacidade Militar IraComparação com Iraque e Afeganistão · Arsenal de mísseis · População e recursos · Potencial para guerra prolongada · Legitimidade de contra-ataque iraniano
  • Sucessao Lider Supremo IraAssembleia de Especialistas (88 clérigos) · Conselho de Guardiães (12 clérigos) · Requisitos religiosos e políticos · Histórico desde 1989 com Khamenei
  • Geopolítica do PetróleoControle americano na Venezuela · Risco de fechamento do Estreito de Hormuz · EUA como exportador líquido · Proteção do mercado interno americano
  • Ameaca EUA EspanhaNegação de bases militares · Ameaça de corte de comércio · Bravata presidencial · Viabilidade questionável da medida
  • Impacto no turismo do Oriente MédioProjeção de queda de 11-27% · Dubai e Doha como polos afetados · Estratégia regional comprometida · Investimentos em risco
  • Campanha Draft Barron TrumpViralização em redes sociais · Crítica irônica ao Trumpismo · Questionamento de envolvimento em guerras · Site de campanha · Ironia sobre sacrifício dos filhos de líderes
Transcrição69 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1031. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 23 minutos da terça-feira, 3 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de Kortang, ô Bagdad animado, contente, preparado.

revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, segue tarifado. O professor Bagdadi menos tarifado do que antes, mas algumas tarifas permanecem de pé e muito preocupado. O pessoal trazia aqui as suas considerações sobre as preocupações do professor Bagdadi, preocupações que têm se mostrado certeiras. Ele tem estado muito preocupado, sem dormir direito, pensando ali nas inúmeras complicações que o cenário internacional,

nos apresenta nesse momento. Temos também Daniel Souza, que é esse que eu vos falo ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá para esse bate-papo 1031. O mundo pegando fogo, o bicho pegando e a gente gravando episódio aqui para o pessoal poder acompanhar dia após dia. Já tivemos dois episódios no final de semana, mais dois episódios na segunda-feira.

mais um episódio. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, o pessoal que colocou a gente na sua rotina. A gente fica sempre muito feliz em saber que a gente contribui para as pessoas entenderem um pouco mais como é que o mundo funciona, o que está acontecendo, análise geopolítica, análise inclusive factuais. Então, deixo aqui as super boas-vindas a todo mundo. E Daniel, nesse mundo perigoso que a gente está vivendo, você que está na internet, se você está ouvindo esse episódio, naturalmente você é um usuário, provavelmente um usuário

sempre aqui, você tem que se proteger também. E a proteção nossa, de nós indivíduos, ela é uma proteção principalmente na internet que se dá por meio de uma boa VPN e é por isso que a gente traz aqui a NordVPN, nossos parceiros do Petit Jornal. Uma VPN, Daniel, num cenário como esse é importante para você garantir a sua privacidade, a privacidade dos seus dados. A gente sabe que uma boa parte das guerras que acontecem hoje se dá na via cibernética, na via digital e o acesso a dados é fundamental. Os big techs estão aí querendo seus dados.

os países estão querendo seus dados. E a melhor coisa que você pode fazer é se proteger, garantir a sua privacidade. E você tem uma série de comodidades também assinando a NordVPN. Você consegue acessar a internet de mais de 8.300 servidores em 127 países ao redor do mundo. Isso significa uma série de vantagens na hora de acessar sites que somente podem ser acessados localmente, acessar streaming, que está disponível apenas em outros países, reservar hotéis e voos aéreos, que também está disponível apenas em outros países.

. . .

Como é isso?

justamente para acessar esse filme. Caso contrário, eu não conseguiria. São múltiplas as situações onde um VPN te auxilia e a NordVPN é demais. Fica aqui a nossa recomendação, link no descritivo desse episódio. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Jornal. Daniel, eu queria trazer como primeira informação um ataque, mais um ataque. De início, não sabia quem tinha feito, se tinha sido Estados Unidos ou Israel, mas foi confirmado agora há pouco que foi Israel.

que fez esse ataque, que foi o ataque ao prédio que abrigava, já estou colocando no passado, a Assembleia de Especialistas do Irã. Só para a gente ter uma noção da importância dessa Assembleia de Especialistas, essa Assembleia reúne 88 clérigos que deveriam se reunir ao longo dos próximos dias para escolher o novo líder supremo do país. Então a gente está falando sobre uma instituição de Estado, Daniel. Isso é um ataque muito importante, muito grave ao Irã.

ter uma noção como é que funcionaria, ou como é que funciona, barra, funcionaria a escolha do novo líder supremo, você tem o Conselho de Guardiães. Esse Conselho de Guardiães ainda é um grupo menor, são apenas 12 clérigos, então são seis escolhidos pelo líder supremo, então são seis pessoas que já eram indicadas pelo Ali Khamenei, e mais seis juristas indicados pelo chefe do judiciário. Esses 12, portanto, eles se juntam e veem quais são os nomes que podem se candidatar a serem líder supremo.

E aí você tem uma série de requisitos, se a pessoa tem um conhecimento da religião suficiente, você tem aspectos políticos e tal. E uma vez que você tem uma lista de quais são os nomes das pessoas que podem se candidatar a serem líderes supremos, líderes supremo ou líder supremo, essa Assembleia de Especialistas de 88 clérigos, ela se reúne para escolher quem é o líder supremo.

ano de 1989. Em 89, Alicamenei, ele foi escolhido e ele foi o líder supremo até agora, até alguns poucos dias atrás, até o último sábado, quando ele foi morto pela primeira leva de ataques. E a outra função dessa Assembleia de Especialistas é, de uma certa maneira, supervisionar a atuação do líder supremo, que a gente sabe que não é exatamente uma atuação muito usual. O líder supremo costuma ter uma grande liberdade, não é exatamente monitorado, mas seria exatamente agora que você teria

uma utilização, uma função mais ativa por parte dessa Assembleia de Especialistas, e o seu prédio foi diretamente bombardeado. Isso é impressionante, Daniel. O prédio foi praticamente demolido. E a gente ainda não sabe, Daniel, essa informação não tem precisão ainda, mas há quem diga, há desconfianças de que uma parte importante dos clérigos, dos 88 clérigos, estavam no prédio.

deles estavam no prédio, então é possível que você tenha tido não apenas a destruição do edifício, mas que você também tenha tido a morte de uma parte considerável dos 88 membros. Essa informação, ela até agora, ela é especulativa, a gente não tem certeza ainda, mas de qualquer maneira é algo pra gente monitorar, pra gente imaginar o que pode acontecer daqui pra frente. E aí, Daniel, eu tenho uma pergunta que eu acho que tem que ser feita nesse momento, que é o que os Estados Unidos e Israel

querem com essa intervenção, com esse ataque que eles estão fazendo ao Irã. Porque essa justificativa já mudou diversas vezes e, dependendo do que você quer, você direciona os ataques para o que você tem como objetivo. Então, a gente tem Donald Trump, num primeiro momento, falando que o motivo era o programa nuclear iraniano. O programa nuclear iraniano, ele, a qualquer momento, pode fazer uma bomba nuclear e tal. E você tem uma série de informações que contradizem essa tese e que dizem que, olha, para o Irã fazer uma bomba

ia demorar bastante tempo ainda, não seria para já. Aí depois ele fala, não, é para mudar o regime. Vamos mudar o regime, a gente vai enfraquecer o regime, os iranianos vão sair às ruas e finalmente o regime vai cair. E aí ontem o Trump continua falando sobre aquele jeito do Trump, ele fala uma coisa em cima da outra, ele se contradiz e você não consegue exatamente entender o que ele quer dizer. E aí no dia de ontem ele fala que é para impedir o desenvolvimento de mísseis balísticos e de novo impedir a produção de uma arma nuclear.

No fim das contas, Daniel, Donald Trump, isso a gente falou no último episódio, ele fala que o horizonte de tempo da intervenção dos ataques americanos ao Irã é de quatro a cinco semanas, mas pode ser muito mais. O que significa que não tem horizonte temporal nenhum. Pode acontecer durante, sabe-se lá, quanto tempo. Netanyahu também responde, a gente não sabe quanto tempo, mas essa não é uma guerra sem fim. Isso é o que foi dito pelo primeiro-ministro de Israel.

dúvida, que é, me parece que Israel e Estados Unidos não sabem exatamente, ou não definiram precisamente o que querem, onde querem chegar e exatamente qual é o ponto no qual ele chega e fala assim, beleza, aqui a gente chegou ao nosso objetivo, a guerra agora termina. Sem isso, Daniel, essa guerra pode sim se tornar uma guerra sem fim. E é impressionante, Tanguy, porque a gente está falando na prática de um presidente Trump que a cada dia fala algo completamente diferente.

em um episódio anterior que o Donald Trump estava destacando que o regime do Irã tinha aberto negociações, que estava disposto a conversar. Aí o regime do Irã negou, ninguém está disposto a conversar coisa nenhuma. Aí no dia seguinte ele vai e diz que o Irã quer negociar, mas que é tarde demais, não queremos mais negociar, mas no dia anterior. É um negócio absolutamente confuso. E o Marco Rubio, que é o secretário de Estado,

declarações em um que os Estados Unidos foram arrastados para a guerra por Israel. Quer dizer que, na prática, é uma guerra de Israel, não é uma guerra dos Estados Unidos. Do ponto de vista de Israel, faz todo sentido. Israel considera o Irã um perigo existencial para Israel, o regime iraniano. Olha, eu não quero que o Irã tenha um programa nuclear, eu não quero que o Irã tenha armas nucleares, eu não quero que o Irã tenha um programa de mísseis, e eu vou atuar ativamente

para retardar qualquer tipo de fortalecimento militar iraniano. Existe aí uma racionalidade, você pode considerar que essa é ou não é a melhor estratégia, etc. Existe aí uma discussão, mas você consegue compreender o que Israel está buscando dentro de um conflito como esse. No caso dos Estados Unidos, não. O que os Estados Unidos estão buscando? Qual é a ameaça que o Irã representa aos Estados Unidos? Claro que existe ali toda uma história, existe ali toda...

realmente uma inimizade e um antagonismo formatado por várias décadas, mas não dá para dizer em absoluto que o Irã represente uma ameaça. E é muito impressionante como está ganhando força dentro do seio do trumpismo a ideia de que essa guerra, na prática, não é make America great again, é make Israel great again. E você começa a observar alguns expoentes do trumpismo,

dizendo, olha, eu moro em Haifa, eu não moro em Tel Aviv, eu moro aqui nos Estados Unidos, eu não acho que os Estados Unidos têm que estar numa guerra como essa, não é problema nosso, é problema de Israel. Portanto, esse é um aspecto que pode levar a um desgaste do transpismo, ou do Trump, melhor dizendo, dentro do próprio trampismo. Afinal, ele prometeu que não colocaria os Estados Unidos em novas guerras,

testa os limites legais, sem qualquer tipo de autorização do Congresso parte para um ataque como esse, sem qualquer tipo de perigo iminente aos Estados Unidos que justificasse uma ação emergencial do presidente de forma excepcional. E existe a possibilidade do Trump começar a ter crescentes problemas do ponto de vista interno. E aí, afinal, a gente entrou nessa guerra para quê? Qual é o objetivo dessa guerra? O que você quer entregar?

Tudo bem, você teve ali algumas cabeças coroadas do regime que foram ceifadas nas primeiras horas, mas o regime dá todos os sinais de que permanece de pé. A gente já falou sobre isso aqui algumas vezes. É um regime que tem muitas camadas, é um regime que tem ali uma teia de proteção muito bem estabelecida, é um regime que se preparou para um momento como esse, inclusive até com uma certa descentralização decisória para que caso alguma coisa acontecesse, o regime continuasse funcionando. A gente está falando de um regime que tem muito

Muita gente, muita gente que deve a sua vida e tudo que conquistou ao regime. Tem muita gente no Irã que vai matar e morrer pelo regime. Ah, puxa, algumas pessoas celebraram a morte do Khamenei. É gente de classe média, de Teheran, que tem a sua própria vida, etc., que não depende do regime. O regime está muito bem postado. É claro que a história às vezes nos surpreende, fatos fora do previsto podem acontecer,

que o regime continuou de pé e continuará de pé e Donald Trump terá o que para entregar. O regime não vai abrir mão do programa nuclear, não vai abrir mão dos mísseis. Ele volta para casa e diz, gente, então, entre nessa guerra para nada. E isso vai trazer problemas para ele domesticamente. Quem falou isso, aliás, foi o Keir Starmer, o primeiro-ministro britânico. Ele falou assim, olha, eu não acho que a gente vai derrubar o regime com bombardeios, com bombardeios aéreos, à distância e tal.

Não vai mudar o regime assim. Você pode enfraquecer, o Irã vai passar por crise, vai prejudicar a população e tal.

que dificilmente vai ser derrubado. Uma outra chave de explicação para essa guerra, a gente vai ter que amadurecer essa análise, ela se dá pela via da China. Aliás, a gente teria, e a gente não sabe se vai ter ainda, um encontro entre Trump e Xi Jinping, que aconteceria no final de março, agora. O objetivo principal era negociar questões relacionadas a comércio, a uma convivência e tal, e nesse momento está todo mundo bem na dúvida se o encontro vai acontecer.

China, né, os Estados Unidos foram lá e estão fazendo um ataque, fizeram, não, estão fazendo um ataque pesado contra o Irã, me parece que a posição do Xi Jinping também é uma posição complicada, pô, vou receber, vou fazer, vou receber, né, na verdade Donald Trump iria a Pequim, como é que vai ser isso exatamente? A China continua falando sobre o direito legítimo do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, sob violação do direito internacional, que aliás é bem o perfil da China, né, gente, é o seguinte, tem a regra, tem

que seguir e tal. Agora, uma via de análise que tem gente que está fazendo e que, de uma certa maneira, faz sentido, é que, no intervalo de dois meses, os Estados Unidos agiram contra a Venezuela e, a partir de agora, passam a controlar o petróleo venezuelano. Aliás, essa é uma tecla que a gente vem batendo constantemente aqui. Donald Trump tirou o Maduro de lá, mas o regime se manteve e os Estados Unidos, sem mudança de regime completa, passaram a controlar o petróleo. Petróleo esse que ia, muito dele, para a China.

tempo, você faz um ataque contra o Irã e o Irã vai lá e fecha o Estreito de Hormuz, mexe com petróleo, petróleo esse que ia também para a China. A China, portanto, está olhando para isso tudo, o que está acontecendo na Venezuela e no Irã, com muita preocupação acerca da possibilidade de começar a ter problemas no acesso ao petróleo. Ah, a Rússia vem em meu socorro e está me vendendo petróleo aqui. É em quantidade suficiente porque a China, só lembrando, a China é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, a China

normalmente está ali sexto, sétimo lugar como produtor de petróleo, mas consome muito mais petróleo do que produz. Os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo do mundo. Então tem que tomar cuidado com essa análise também de que uma guerra no petróleo vai prejudicar muito os Estados Unidos. A gente já teve hoje uma declaração do governo americano dizendo que vai resguardar o mercado americano das oscilações de preço. Então os Estados Unidos falam assim, não, é livre mercado, tem que oscilar.

vai lá e faz um colchão. Faz um colchão. Se o preço do petróleo subir, inclusive os Estados Unidos atualmente são exportadores líquidos de petróleo, vai vender mais caro também. Então essa é uma outra via de explicação de que talvez essas duas ações coordenadas sejam os Estados Unidos prejudicando bastante a China. China essa que não vai entrar na guerra para defender o Irã, como não entrou e não vai entrar numa guerra para defender a Venezuela, porque significa uma guerra direta com os Estados Unidos, mas coloca a China numa posição difícil.

Ao mesmo tempo, no momento em que os Estados Unidos fazem uma intervenção contra o Irã, dificulta, por exemplo, a produção de drones. Drones que são utilizados pela Rússia na guerra contra a Ucrânia. Então, talvez, a gente não sabe se isso tudo foi pensado, se foi colocado nesses termos, mas a China, particularmente, muito mais do que a Rússia, obviamente, olha para tudo isso com muita preocupação, Daniel, com a possibilidade de isso mexer muito numa questão fundamental para a China, que é o acesso à energia, Daniel.

Até ter feito esse cálculo. Ou não, pode ser ali realmente uma situação um pouco mais impulsionada por uma defesa de Israel e por um alinhamento de Israel. Mas a gente até chegou a mencionar aqui no Pet Journal que aproximadamente 40% do petróleo importado pela China passa pelo Estreito de Hormuz, o que é algo muito preocupante. A Venezuela, a gente já chegou a trazer números em outros episódios, ela deixou de exportar petróleo para os chineses

E uma outra coisa que está chamando a atenção, Tanguy, foi o fato do presidente dos Estados Unidos afirmar que pretende cortar todo o comércio com a Espanha após o governo espanhol negar o uso de suas bases militares para operações relacionadas aos ataques contra o Irã. Trump declarou ter instruído o secretário de Tesouro, Scott Passant, a executar a medida.

Olha, Tanguy, acho um pouco esquisito isso, né? Por várias razões. Primeiro, a gente está falando de uma Espanha que faz parte da União Europeia. Consequentemente, você poderia ter ali mercadorias sendo exportadas para a França, por exemplo, depois sendo entregues na Espanha. É uma possibilidade. E outro aspecto, muitos contratos estão firmados entre empresas americanas e empresas espanholas. Você vai romper esses contratos?

Não faz absolutamente nenhum sentido isso. Ou então você vai proibir as empresas americanas de comprar da Espanha, de empresas espanholas. Não faz sentido isso. Quer dizer, quando você olha, é claramente bravata. É bravata, bravata, bravata para tentar sugerir ali que você está sob o controle, que você tem ali realmente uma situação onde quem não estiver a favor dos Estados Unidos estará contra os Estados Unidos

vai ter que enfrentar as duríssimas consequências de estar contra os Estados Unidos. Cada vez mais o Trump vai ficando muito manjado. É claro que essa imprevisibilidade dele é sempre um elemento de certeza, é sempre um elemento de tensão. É a maneira que ele consegue, inclusive, se posicionar e muitas vezes trazer ali algum tipo de movimentação do ponto de vista internacional, mas a coisa vai cansando. E é importante sempre lembrar

que o Donald Trump está muito interessado em mudar a pauta. Dentro dos Estados Unidos você tem Minnesota, dentro dos Estados Unidos você tem o caso Epstein, dentro dos Estados Unidos você tem uma inflação que não cede, como o Donald Trump havia prometido, uma economia que tem ali alguns desafios que não foram endereçados da maneira adequada. E se a gente falasse de Irã? Não é não, Tanguy? Quer dizer, e se a gente falar de Ayatollah, de líder supremo,

dos Estados Unidos e uma capacidade surpreendente de eficácia. Nós chegamos a destacar aqui no Petit Jornal que nas primeiras horas a ação foi muito bem sucedida, quer dizer, você conseguiu ali ceifar vidas e cabeças coroadas do regime iraniano com uma facilidade até bastante impressionante. Mas esse pessoal é substituído e o regime continua. Aliás, o regime iraniano tem uma capacidade de regeneração impressionante, uma capacidade

substituição de membros e de permanência, mais ou menos de tudo como era antes, que chama bastante a atenção. Mas o fato é que Donald Trump agora está ameaçando a Espanha e o Pedro Sánchez, que é ali o chefe do governo espanhol, não parece muito preocupado pelas razões que eu destaquei há pouco. Ele sabe que no final do dia não há muito o que o Donald Trump possa fazer contra os espanhóis simplesmente porque eles estão recusando a utilização de bases em território espanhol.

Aí, o que o Trump fez? Ameaçou usar as bases a despeito da autorização espanhola. Quer dizer, isso já é o Trump mostrando que é bravato o que ele tinha dito anteriormente. Então, vou usar a base de qualquer maneira. Vou usar a base de qualquer maneira. Vamos ver. Vamos ver se ele realmente vai usar ou não. Um outro aspecto que eu queria explorar, Tanguy, é que saiu aqui um levantamento sobre a questão do turismo no Oriente Médio. A tourism economics projeta uma queda que pode ir de 11% a 27%

A gente tem falado bastante sobre a questão do turismo e o tráfego aéreo na região. O Oriente Médio, em particular Dubai e também Duha, apostaram muito no turismo ao longo dos últimos anos.

Muito pesados.

para além do petróleo. O caso dos Emirados Árabes Unidos também recebendo ali os iates dos bilionários russos, tentando se projetar como um lugar absolutamente seguro para investimentos, para abertura de contas, etc. Mas as pessoas parecem que estão lembrando que os Emirados Árabes Unidos e o Catar ficam no Oriente Médio. O Oriente Médio que tem um histórico de instabilidade muito significativo e tem os seus territórios inclusive projetados em direção

o Irã ali no Golfo Pérsico, e esse é um aspecto que vai trazer consequências. Investimentos, turismo, toda aquela estratégia realmente que foi constituída por esses dois países, sai bastante desgastada de todo esse conflito no Oriente Médio. E vamos observar quanto tempo esse conflito demora e qual o tamanho do desgaste, mas o que o desgaste aconteceu me parece incontornável. E no meio disso tudo, Daniel, se envolve Irã, se envolve

Israel, quem está no meio é o Líbano. O Líbano sempre sofre demais quando você tem estabilidades ali pela região. Então a gente teve um aviso, Daniel, por parte do exército israelense de evacuação de um monte de cidades, de várias, de centenas de vilarezes e pequenas cidades no sul do Líbano. Com isso, Daniel, a gente passa a ter de novo mais uma leva de pessoas tendo que fugir daquela região.

Israel e o Hezbollah, e mais uma vez isso acontece em território libanês, e aí isso gera impactos muito severos para civis libaneses, e nós já temos nesse momento, já agora, isso não é uma projeção, isso já é agora, cerca de 30 mil pessoas deslocadas buscando abrir o coletivo no Líbano desde o início das hostilidades. Daniel, hoje é terça-feira, as hostilidades começaram no sábado, na madrugada de sexta para sábado. Nós já temos, segundo a Acnur, que é a agência da ONU

para refugiados, 30 mil pessoas deslocadas. E aí você acha que acabou por aqui? Não. Nas últimas horas, nós tivemos o exército israelense fazendo incursões dentro da fronteira libanesa. Ou seja, nesse momento, mais uma vez, nós temos forças israelenses dentro do Líbano. O exército libanês, Daniel, se retirou de pelo menos sete posições avançadas ao longo da fronteira.

O exército libanês não é lá essas coisas. Aliás, o exército libanês, inclusive, costuma ser menos equipado, ter menos recursos do que o próprio Hezbollah. Então, se o exército israelense quiser entrar no Líbano, a gente sai da frente, a gente não tem muito que possa ser feito. O Líbano está dando demonstrações, a gente já falou sobre isso em outro episódio, que quer se distanciar ao máximo do que o Hezbollah faz.

O rezebolá é ilegal. O rezebolá precisa se ater exclusivamente a uma atuação política no país, mas não pode ter uma atuação militar. Só que, mais uma vez, você tem uma série de ações que acontecem dentro do território libanês. E outro sinal, Daniel, outro indício de que, de fato, as coisas estão avançando muito rapidamente no Oriente Médio é a quantidade de incidentes que a gente está tendo em outros países, principalmente países do Golfo.

dos Estados Unidos para que americanos, em praticamente todos aqueles países aliados do Golfo, se retirem porque estão correndo risco. O recado é saiam o mais rápido possível, tem que sair daí o mais rápido possível, porque a tendência é que você tenha uma guerra um pouco mais prolongada, que ainda deve durar um tempo, e americanos, portanto, podem ser alvo. E a gente teve, inclusive, um drone que atingiu a embaixada dos Estados Unidos em Riad. Foi um incêndio limitado,

segundo a nota que foi liberada pela própria embaixada, mas de qualquer maneira nós tivemos um drone não identificado, imagina-se que tenha sido iraniano, mas pode ser de algum aliado, enfim, que atingiu a embaixada dos Estados Unidos na capital saudita. Também tivemos um ataque no porto de Oman, que fica ali também perto da embocadura do Estreio de Hormuz, sem vítimas, não houve danos materiais muito grandes,

a gente vê como é que isso gera, e aí isso eu até acho que corrobora o que você vinha falando, Daniel, a sensação de que não tem ninguém a salvo. A região, de uma forma geral, está passando por uma instabilidade crônica e generalizada. Não dá para achar que Dubai continua sendo uma pérola intocada de todo o resto. Não, se você vai para Dubai, se você vai para Doha, se você vai para Abu Dhabi, você está correndo risco, sim. Então você teve, inclusive, a retirada, por exemplo,

americano, pessoal não essencial, do Bahrein, do Kuwait, Catar, Jordânia, Iraque. E a ideia, portanto, é quem puder sair daí, sai, porque o recado americano é não podemos dar segurança para vocês. E o último comentário que eu quero fazer, Daniel, eu te devolvo a palavra, é tomaram o Irã como se fosse um Iraque. A gente vai lá, faz uma incursão. Mas a gente falou 78 vezes que o Irã não era o Iraque. Não é possível. Cara, não é possível.

O Irã é um país com quase 100 milhões de pessoas. O Irã é um país muito bem armado. O Irã não é um país qualquer. O Irã não é o Afeganistão. E no Afeganistão, os Estados Unidos demoraram 20 anos para sair do jeito que saíram. No Iraque, a guerra durou muito mais. Você lembra do George W. Bush, parabenizando os militares americanos, falando trabalho cumprido, missão cumprida. Mission accomplished. Isso foi o quê? Deve ter sido 2004, 2003 para 2004. Não, cumprimos.

e tal, mas foram anos e mais anos de guerra. O Irã pode se tornar uma guerra prolongada, a gente não tem bola de cristal, mas o Irã não é um país a ser subestimado, é um país que tem uma quantidade de mísseis grande, é um país que tem um exército forte. A gente, quando a gente compara o exército iraniano com o exército israelense ou americano, é claro que o exército iraniano é inferior. Agora, para botar fogo na região, o Irã tem capacidade e direm, inclusive, que é uma reação legítima. O Irã está sendo atacado. A gente pode discutir

coisas relacionadas à legitimidade. Agora, você está sendo atacado, você vai contra-atacar. Então, me parece que tomaram o Irã como um passeio no parque. O Irã está longe de ser um passeio no parque, Daniel. E claro que isso não significa, em absoluto, uma defesa do regime iraniano. A gente está falando de um regime duríssimo, uma ditadura horrorosa, bastante violenta, que trata mulheres como cidadãs de segunda categoria. E isso não tem nenhum juízo de valor aqui, quando nós trazemos as nossas análises no

Petit Jornal. Agora, Tanguy, podemos avançar para uma nota um pouco mais leve no final do nosso episódio de hoje? Vamos para a geleia da chequeira de hoje? Por favor, Daniel, se eu puder trazer um pouquinho de leveza, vou te agradecer. Vamos embora. Ô, Tanguy, você sabe que no último dia 28 foi aberta uma campanha, uma campanha que está trazendo muita repercussão nos Estados Unidos, que é a campanha Draft Barron Trump. Quer dizer, ou seja, o Barron Trump, o filho do Donald Trump,

precisa ser draftado, precisa ser convocado para lutar nas guerras realizadas pelo seu pai. É claro que aqui a gente está falando de uma ironia, mas está lá o site draftbarontrump.com. Você pode acessar esse site, inclusive, para aderir a essa campanha, se for de sua vontade. E tem ali um texto inicial que diz o seguinte, Tanguy, a América é forte porque seus líderes são fortes. O presidente Trump prova isso todos os dias.

mais do que pronto para defender o país que seu pai comanda com tanta bravura. Servir é honrar. A força é herdada. É isso. Aqui numa tradução livre, nós precisamos encampar essa mensagem. Draft Barron Trump. O Barron Trump é aquele garoto que é bem alto, que entre as duas eleições do Donald Trump era ali um adolescente e se tornou um galal, meio desengonçado.

Esse é o Draft, é o Barron Trump que precisa ser draftado, que é filho também da Melania. Melania, inclusive, que comandou recentemente a Assembleia de Segurança, o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Um negócio, no mínimo, exótico para dizer... Constrangedor, eu diria. Constrangedor, né? Acho que constrangedor define melhor. Mas, enfim, Tanguy, a gente está falando aqui dessa magnífica campanha Draft Barron Trump. Tenho certeza que o Barron Trump está absolutamente pronto

os desafios militares que o pai dele está trazendo para os Estados Unidos.

alegria. É sempre muito bom gravar esses episódios aqui. Então, deixo aqui um super agradecimento. E lembro que muito do que a gente está falando aqui, a gente fala de forma ainda mais aprofundada, com mapas, com análises mais alongadas lá no Petitcurso. Você quer saber mais sobre o Líbano? Quer saber mais sobre Irã? Quer saber mais sobre Israel? Quer saber sobre a relação entre Israel e Irã? Os dois já foram aliados. Aliás, os dois tiveram um bom diálogo, inclusive, depois da Revolução de 1979. Quer saber as bases, as orizes,

a história da relação entre Estados Unidos e Israel. Tem uma aula só sobre isso. Quer saber mais sobre a economia do Oriente Médio? Tem também. Tudo isso está lá em peticursos.com.br. Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petional, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petional Mídia é pequena, é um produto digital artesanal, que não tem ali um conglomerado de mídia,

um grande estúdio e, por isso, a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de fundamental importância. Fica aqui o nosso abraço, o nosso carinho e o nosso muito obrigado a cada um deles. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea, de apoiar o PetJornal. Dá para ativar o Pix Recorrente. Chave Pix no descritivo do episódio.

Apoia-se o link para o Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

Anunciantes1

NordVPN

Plano VPN anual com 4 meses adicionais gratuitos
external