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Novo choque do petróleo? - BP 1030

03 de março de 202630min
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RIO CLARO
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A escalada da crise no Golfo Pérsico levanta a pergunta central deste episódio: estamos diante de um novo choque do petróleo? Suspensões de produção, paralisações por precaução e riscos às exportações ampliam a incerteza sobre a oferta global de energia, enquanto seguradoras elevam prêmios e encarecem o transporte marítimo na região. Analisamos como esses movimentos podem pressionar preços, afetar cadeias globais e testar economias como a dos Estados Unidos, além de discutir a posição da China e o grau de resiliência do mercado no curto prazo.
Também detalhamos o dia do conflito, que ganha caráter cada vez mais regional, ampliando riscos estratégicos e econômicos.
Na Geleia da Shakira, uma fundação ligada a Alina Kabaeva é acusada de receber o equivalente a R$ 438 milhões em sobras de um palácio atribuído a Vladimir Putin, adicionando mais um capítulo às controvérsias envolvendo o círculo de poder russo.
#Petróleo #GolfoPérsico #Energia #Geopolítica #MercadoGlobal
Assuntos15
  • Crise Hidrica Golfo PersicoEscalada de conflito regional · Bloqueio do Estreito de Hormuz · Ameaças iranianas · Incerteza sobre oferta global de energia
  • Possibilidade de Novo Choque do PetróleoPreço do barril acima de US$82 · Comparação com choque de 1973 · Comparação com Guerra do Golfo 1990-91 · Diferenças em coordenação da OPEP · Gravidade do cenário atual
  • Conflito Irã-EUAAtaques a instalações nucleares de Natanz · Bombardeio pesado de Teheran · Retaliação iraniana com mísseis · Operações em andamento
  • Impactos na Produção de Energia GlobalCatar interrompe produção de GNL (20% mundial) · Refinaria Has Tanura suspensa · Produção do Kurdistão iraquiano suspensa · Exportações iranianas em risco · Campo de Leviatã abastecendo região
  • Programa Nuclear IrãInstalações de Natanz · Possibilidade de armas nucleares · Divergência entre Trump e agências de inteligência · Prazos de desenvolvimento
  • Defesa EuropeiaCooperação franco-alemã · Grupo franco-alemão criado · Exercícios nucleares conjuntos · Acordo nuclear Dinamarca-França · Participação de vários países europeus
  • Estrategia EUAOperações militares contra Irã · Trump como tomador de decisão · Duração das operações (4 semanas) · Apoio doméstico limitado (~25%)
  • Transporte MaritimoCancelamento de apólices de seguro · Aproximadamente 150 navios retidos · Danos a navios · Ameaças iranianas · Aumento de prêmios de seguro
  • Geopolítica China-EUAHormuz responsável por ~40% de importações de petróleo · Estoques estratégicos elevados · Pressão para estabilidade regional · Busca de alternativas de fornecimento
  • Economia GlobalValorização do dólar · Alta do ouro · Queda de ações · Risco de inflação nos EUA · Potencial impacto em juros
  • Enfraquecimento OTANOTAN não participou dos ataques · Mark Rutte se distanciou · Trump contrário a envolvimento · Estremecimento de alianças
  • Expansão Nuclear EuropeiaFrança expande arsenal nuclear · Guarda-chuva de proteção europeu · França como protetora da Europa ocidental · Hospedagem de aeronaves francesas
  • Mudanca para EuropaApreensão com retirada dos EUA · Ameaça russa na Ucrânia · Ameaças americanas (Groenlândia) · Busca de autonomia estratégica
  • Impactos na Vida dos ConsumidoresAumento de preços de alimentos · Aumento de custos de transporte · Aumento de combustíveis nos EUA · Redução de capacidade de economizar
  • Impactos Operacionais AeroportosFechamento de aeroportos principais · Dezenas de milhares retidos · Maior redução desde Covid-19 · Efeito cascata
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1030. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 14 minutos da segunda-feira, 2 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece. Tanguy, o Bagdadi, que já esteve mais animado, já esteve mais satisfeito com a vida,

mais retumbante, mas o atual momento traz enormes preocupações para o professor Bagdadi, que segue tarifado e que segue preocupado. Afinal, eu disse isso há pouco e repito agora porque essa tem sido uma das principais características do professor Bagdadi ao longo dos últimos tempos. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem, vamos a isso.

Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse bate-papo 1030. Mais um dia vindo aqui comentar guerra, tensão, conflitos, crises. Mas sempre muito grato de ter todo mundo que acompanha a gente aqui no podcast, seja no YouTube. É um prazer muito grande saber que muita gente acompanha tudo o que está acontecendo no mundo junto com o Petit Jornal. Então sejam muito bem-vindos. Você que acompanha a gente pelo YouTube, você que acompanha a gente pelo podcast.

YouTube. Às vezes você assiste os episódios aqui no YouTube e você nem se dá conta de que não se inscreveu. Isso pra gente faz diferença. Você que ouve a gente no podcast também. Você tá no Spotify, você tá no Apple Podcast, você tá em qualquer outro aplicativo. Vê se você assinou, dá cinco estrelas, porque pra gente isso realmente faz muita diferença. E Daniel, eu quero jogar a primeira bola pra você. A gente já sabia, mas uma crise envolvendo o Irã, envolvendo o Estreito de Hormuz, tudo isso mexe muito com energia,

e hoje a coisa se materializou, né? Me conta o que aconteceu. Pois é, Tanguy, no dia de hoje nós já tivemos alguns movimentos bastante preocupantes. Por exemplo, o Catar interrompeu, nessa segunda-feira, sua produção de gás natural liquefeito após ataques iranianos contra instalações no país. O Catar responde por cerca de 20% da oferta mundial de GNL

E para a Europa, eu lembro inclusive como os europeus fizeram ali um esforço depois do início da guerra entre Rússia e Ucrânia para buscar novos mercados fornecedores de gás e o Catar apareceu naquela altura como alternativa e as compras de GNL por parte dos europeus se intensificaram bastante.

O petróleo chegou a avançar 13%, superando a barra dos US$ 82 o barril. Aliás, a refinaria Has Tanura, operada pela Saudi Aramco, com capacidade de 500 mil barris por dia, também foi interrompida, teve essa operação interrompida, depois de dois drones sendo interceptados e um pequeno incêndio controlado. A produção de petróleo no Kurdistão iraquiano foi suspensa.

interrompeu a produção de gás, embora não tenha tido qualquer tipo de ataque, existe a preocupação de potenciais ataques. No caso de Israel, é a Chevron que explora ali o campo de Leviatã, que acaba abastecendo a região. E as exportações iranianas também estão sob altíssimo risco. A gente está falando também de um ambiente onde o fechamento do Estreito de Hormuz está levando ao cancelamento de apólice

de seguro para navios petroleiros. E nós temos aí aproximadamente 150 navios que já estão retidos. Alguns, inclusive, chegaram a ter danos e o Irã ameaçando por fogo nos petroleiros se eles tentarem passar, o que não é muito difícil. A gente está falando de navios que têm uma carga altamente inflamável. A desorganização da economia mundial já começou. O dólar experimentou um processo de valorização,

apesar dos pesares, muita gente se refugiando na moeda americana, o ouro apresentou uma tendência de valorização, ações apresentaram uma tendência de queda, a não ser empresas que podem ser beneficiadas por esse contexto, como é o caso das empresas de petróleo, tudo mais ou menos dentro do que nós havíamos previsto e já apresentado aqui no Petit Jornal. Na prática, a gente está falando de uma concretude agora,

em função da retomada de algumas atividades que levam, claro, à tomada também de algumas decisões. Os principais aeroportos da região permanecem fechados, o que traz ali um impacto para a circulação de aeronaves muito significativo e também para o transporte de passageiros. A gente está falando de dezenas de milhares de pessoas que estão presas em Dubai, que não conseguem sair, em Abu Dhabi e também em Doha.

impactos de um efeito cascata, e já é a maior paralisação, já é a maior redução do tráfego de aeronaves desde a Covid-19. E existe aí o potencial da situação se agravar ao longo dos próximos dias, semanas e, sei lá, quem sabe até meses, dependendo da gravidade da situação. Os impactos nesse sentido, Tanguy, são bastante graves, já são bastante graves. Alta forte do petróleo, alta forte do preço do gás,

redução do fornecimento de gás, interrupção da passagem de petróleo pelo Estreito de Hormuz, interrupção da produção de gás por parte do Catar. Isso vai trazer consequências para a economia mundial muito relevantes, muito significativas, incluindo os Estados Unidos. A gente tem aí o preço do combustível nos Estados Unidos, já subiu em alguns postos justamente por conta dessa

ligação que o preço dos combustíveis nos Estados Unidos tem com o valor do barril de petróleo. A chance de gerar inflação nos Estados Unidos não é pequena, a chance de impactar juros nos Estados Unidos não é pequena. É claro que tudo depende de quanto tempo essas operações vão durar, de quanto tempo as hostilidades vão durar. O Trump acaba não sendo muito claro, em um determinado momento fala que vai durar quatro semanas, depois fala que vai durar o tempo necessário, não me parece

que essas operações se mantenham por muitas e muitas semanas, mas de qualquer maneira nós temos aí um Trump muito ousado que também agora precisa entregar algum resultado das operações. As operações continuaram depois ali das principais cabeças do regime iraniano sendo decepadas e agora ele precisa de alguma justificativa para eventualmente interromper e para proclamar a vitória como ele sempre gosta de fazer. O apoio ao ataque ao Irã

não é grande nos Estados Unidos, a gente está falando aí de um apoio de aproximadamente um quarto, o que pode trazer também alguns embaraços para ele domesticamente, e isso sem falar na desorganização da economia mundial. Ontem eu cheguei a destacar aqui no Petit Jornal que o Estreito de Hormuz é responsável por aproximadamente 40% das importações chinesas de petróleo, e claro, a China está bastante preocupada com essa situação e tem trazido ali uma série de sinais

e de recados para que esse tipo de situação possa ser interrompida e está ali buscando alternativas de novos fornecedores de petróleo como forma de tentar mitigar a crise que já é bastante grave. E a gente está falando sobre uma crise que ainda tem muito espaço para se agravar quando a gente fala sobre a questão energética. Só para lembrar, olhando para a história, em outubro de 73 começou a guerra do Yom Kippur. Não vou entrar aqui nos detalhes dos motivos da guerra, enfim, mas em outubro de 73 a gente teve a guerra do Yom Kippur. Os países da operação

Pepe iniciaram, portanto, um boicote. Passaram a diminuir a sua produção de petróleo, impuseram uma série de limitações a quem poderia comprar petróleo. Isso gerou um choque do petróleo, considerado o primeiro choque do petróleo, em dezembro, cerca de dois meses depois. Você acha que pode caminhar nesse sentido, Daniel, para ser mais um choque do petróleo? Porque me parece que está tudo mais ou menos colocado, talvez até mais perigoso que a própria Guerra do Golfo, lá de 1990, 90 para 91. Me parece que o cenário é muito sério.

Um país que tem uma capacidade real de colocar medo em todo mundo que quer passar pelo estreito de Hormuz. Pode sim, Tanguy. A gente pode estar diante de um novo choque do petróleo, a depender do que ocorra ao longo das próximas semanas. Quando a gente pensa na guerra do Golfo, o Iraque é lá no fundo do Golfo Pérsico. O Kuwait também. Consequentemente, você acaba tendo ali um impacto regional, como ocorreu naquela altura. Mas você não tem um país controlando o estreito de Hormuz.

Estreito de Hormuz, você impacta a produção dos Emirados Árabes Unidos, você impacta a produção do Qatar, do Bahrein, 90% da produção saudita, você impacta a produção do Kuwait, você impacta a produção do Iraque e você impacta a produção do próprio Irã. Me parece que é uma situação até mais grave do que a Guerra do Golfo em 1990, que vai haver uma escalada do petróleo é algo incontornável, aliás, essa escalada já começou e pode ser que nós estejamos diante

de uma crise do petróleo de maior gravidade, de um novo choque do petróleo. O que pode salvar, entre aspas, o mundo dessa nova crise do petróleo é a pressão, inclusive, de outros atores regionais para que isso não aconteça. Porque existe uma diferença importante no choque do petróleo. Os membros da OPEP estavam todos coordenados no mesmo objetivo. Não é o caso agora. Você tem um desses atores que está querendo realmente jogar a sujeira do ventilador,

como forma justamente de tentar fortalecer o seu posicionamento estratégico e a luta pela sobrevivência do regime, mas você tem ali todos os vizinhos que não têm nada a ver com isso ou que não gostariam de ter nada a ver com isso, gostariam de manter o fluxo regular dos seus negócios e esse acaba sendo um elemento diferente e importante em relação a choques do petróleo anteriores. Agora, isso tudo mexe com a economia de todo mundo, né? A gente fica pensando assim, ah, México é a economia de quem precisa comprar,

petróleo. Eu não compro petróleo, para mim não vai mexer tanto. Se o preço do petróleo sobe, a sua vida é impactada imediatamente. Seus alimentos ficam mais caros, seu transporte fica mais caro, tudo, absolutamente tudo fica mais caro. Isso mexe com sua capacidade de economizar, com sua capacidade de pensar, inclusive, no futuro. É por isso que a gente sempre deixa aqui, Daniel, a indicação da Rio Claro Investimentos, que são os nossos parceiros que estão muito de olho em tudo que está acontecendo.

Aliás, esse é um diferencial da Rio Claro. A Rio Claro acompanha muito o que está acontecendo mundialmente, porque

sabe que não tem como você pensar em investimentos somente dentro do Brasil. É importante você olhar para o contexto, para o cenário internacional de uma forma geral. Rio Claro é uma gestora completa. Tudo o que você precisa para conseguir pensar numa gestão concreta e robusta para o seu futuro, a Rio Claro faz. Desde diversificação de carteira até olhar para a possibilidade de você diversificar para fora do país. Tudo com muita segurança, muita responsabilidade e garantindo o cumprimento dos seus objetivos.

que determina os objetivos da Rio Claro, o link está na descrição desse episódio, não perde não, conversa com eles, porque o momento é muito, muito sério e é importante você ter alguém que saiba o que está fazendo do seu lado. A gente sempre reforça a informação de que a Rio Claro Investimentos é uma gestora independente de patrimônio, ou seja, ela não vai ficar empurrando para você produtos financeiros, ela não é remunerada dessa forma, o objetivo dela é exclusivamente trabalhar para o melhor interesse do cliente.

E a gente está falando de uma economia mundial que está do avesso da semana passada para cá. Isso mexe com os indicadores, desorganiza realmente a dinâmica de gestão de ativos. E é super importante você ter profissionais qualificados ao seu lado. E fica aqui a nossa recomendação da Rio Claro Investimentos. Link no descritivo desse episódio. Clique, conheça o trabalho da Rio Claro, você vai gostar demais. Daniel, eu queria falar sobre algumas coisas que vêm acontecendo ao longo do dia de hoje.

Uma notícia que saiu hoje, na verdade uma declaração do Irã, me chamou a atenção. O Irã afirmou, no dia de hoje, que ontem, no domingo, Estados Unidos e Israel fizeram mais ataques a instalações nucleares iranianas. Segundo o Irã, as instalações nucleares de Natanz, que já tinha sido atingido em ataques no ano passado, em junho do ano passado, foram atacados.

ataques brutais ao complexo que está situado ali no noroeste do país. A gente até agora não tinha essa informação, o Irã não tinha falado nada, tampouco Israel e Estados Unidos, mas aparentemente, segundo o Irã pelo menos, ataques aconteceram contra Natanzi. Lembrando que a questão nuclear naturalmente é um pano de fundo importantíssimo para tudo o que está acontecendo. O Trump hoje, aliás, cantou a vitória dizendo que o Irã poderia ter bombas nucleares em muito pouco tempo,

as próprias agências de inteligência dos Estados Unidos não sustentam, tá, Daniel? Elas dizem que, olha, talvez demorasse aí 3, 4 anos para o Irã vir até o primeiro protótipo de mogiva nuclear e tal, mas de qualquer maneira, segundo Donald Trump, isso era uma coisa urgente, tinha que acontecer imediatamente, então a gente teve esse ataque contra instalações nucleares de Natanzi, ainda a ser confirmado, naturalmente, mas segundo o Irã, esse ataque aconteceu. O Líbano, Daniel, segue sendo um campo de batalha,

importantíssima, a gente falou sobre isso no episódio que a gente gravou hoje de manhã. Então o Hezbollah, que é um aliado histórico do Irã, aliás, não apenas um aliado histórico, o Hezbollah foi criado pelo Irã no ano de 1982, em meio à Guerra Civil Libanesa. Então o Irã criou um aliado para apoiá-lo dentro da Guerra Civil Libanesa, desde então financiado de forma direta pelo Irã. Então o Hezbollah passou a atacar Israel, isso aconteceu de ontem para hoje,

Aliás, inclusive, segundo Israel, matou de ontem para hoje o novo líder do Hezbollah, além do chefe de inteligência do Hezbollah. Até esse momento, Daniel, segundo a imprensa libanesa, que, repito, não tem relação com o Hezbollah, já morreram 52 pessoas e 154 ficaram feridas somente nessa segunda-feira.

Não é que ela pode se regionalizar. Ela já é uma guerra regional, não há muitas dúvidas com relação a isso. E outro ponto que eu acho importante a gente trazer, Daniel, que tem um contraste aqui com relação a cenários anteriores, é a posição da Europa e, por consequência, da OTAN em meio a essa guerra. A gente sabe, Daniel, que os Estados Unidos, eles muitas vezes agiram internacionalmente em nome da OTAN, ou pelo menos tendo a OTAN do seu lado. Tem sempre. Então, por exemplo, quando os Estados Unidos invadiram Iraque,

da OTAN foram críticos, foi o caso da França e o caso da Alemanha. Os dois foram muito críticos, não aceitaram, não concordaram e tudo. Mas, normalmente, quando os Estados Unidos fazem algum tipo de ação, a OTAN está ali ou participando, ou estão dando apoio e tal. E a gente tem um cenário diferente dessa vez. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, por exemplo, ele elogiou a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, mas disse que, olha, isso aí é Estados Unidos.

A OTAN não tem nada a ver com isso, a gente não vai se envolver, não é nosso objetivo, então não tem nem aquela coisa de, não, pode contar com a gente, precisando aí, a gente está dentro e tal, isso não aconteceu, então a gente tem um corte importante nesse relacionamento, aliás, não por acaso, o Trump vem se posicionando de forma bastante constante contra essa necessidade de tudo a OTAN estar envolvida, que os Estados vão ter que financiar a OTAN, então quando a gente falava sobre aquele enfraquecimento da OTAN,

a gente tem aqui um estremecimento muito sério da relação entre os Estados Unidos e os demais integrantes da OTAN. Isso ficou materializado hoje quando o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que a França vai expandir o seu arsenal nuclear. Daniel, tem muito tempo que a gente não ouve falar dos países que têm ogivos nucleares e uma expansão do arsenal.

já perderam validade e tudo. Então a França é mais um país que fala agora sobre uma expansão do seu arsenal nuclear e ele fala também em permitir potencialmente que países europeus hospedem aeronaves francesas em emissões de dissuasão nuclear. Basicamente o que ele está falando, Daniel, é você criar como se fosse um guarda-chuva de proteção da Europa com ogivos nucleares francesas. Claro que isso tem um objetivo da própria França. A França se torna com isso, portanto, a grande protetora da Europa

ocidental, ganha influência, ganha poder na Europa, mas você também tem um cenário no qual a Europa está se sentindo abandonada. É uma Europa que vê a Rússia invadindo a Ucrânia, chegando, portanto, perto da fronteira com a OTAN, uma OTAN que já não tem mais os Estados Unidos. Você tem um cenário no qual os Estados Unidos soam cada vez mais ameaçadores, atuam no Irã e ameaçam agir, inclusive, na Groenlândia. Então, a Europa começa a olhar para isso com uma certa preocupação.

e o Macron, inclusive, anunciou que alguns países poderão abrir a possibilidade de participar de exercícios nucleares franceses. Alemanha, Daniel, você colocou França e Alemanha na mesma frase. Alemanha, Grécia, Polônia, Países Baixos, Bélgica, Dinamarca e Suécia poderão participar de exercícios nucleares franceses, enfim. E o chanceler, Friedrich Merz, o chanceler alemão, anunciou a criação de um grupo franco-alemão

E a participação de forças convencionais alemães em exercícios nucleares franceses. E fala-se já numa cooperação concreta já a partir desse ano. Outro país sempre muito preocupado com esse cenário é a Polônia. Então o primeiro-ministro polonês, o Donald Tusk, já afirmou que, abro aspas,

Os europeus amigos, me parece que dessa maneira você coloca meio que os Estados Unidos em sei lá se eles são nossos amigos mesmo, é para que nossos inimigos nunca ousem nos atacar. Então, acho que a gente tem aqui uma inflexão, tá, Daniel? Essa inflexão não é de agora, é uma inflexão que ela está sendo construída, mas no momento em que a França anuncia isso, a gente tem aqui a formalização de uma mudança que há algum tempo estava se constituindo. E eu queria ressaltar por fim, Daniel, só com relação a essa iniciativa,

Dinamarca também pulou à frente e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciou um acordo de suazão nuclear estratégica com a França. Eu achei curioso, Daniel, porque quando a Mette Frederiksen, ela fala, não, a gente está com a França aí, esse negócio de suazão nuclear e tal, do nada. Ela fala assim, ó, mas é contra a Rússia, hein? Só para deixar claro, é com a Rússia, não tem nada a ver com Groenlândia, não tem nada a ver com Donald Trump, porque a Rússia, falar que não gosta da Rússia, pode, né, Daniel?

contra a Rússia, que a gente está pensando aqui e tal, mas olha a frase dela. Esse acordo complementará e, de alguma forma, substituirá a cooperação que temos na área de dissuasão dentro da OTAN. A gente está falando, Daniel, sobre substituição, ainda que parcial, das funções da OTAN. Olha o tamanho da mudança que a gente tem do ponto de vista geopolítico, Daniel, quando a gente fala sobre um cenário como esse.

muito escondida, ela acaba tomando uma gravidade um pouquinho maior, né, Daniel? E a gente percebe, portanto, como é que essa relação entre Estados Unidos e os membros europeus da OTAN, ela fica bastante estremecida. Tem que o ministro das Relações Exteriores da China, isso aqui é um complemento até a uma declaração minha há poucos minutos, ele instou nessa segunda-feira os países do Golfo Pérsico a se unirem contra o que chamou de interferência externa.

devem fortalecer a cooperação regional, desenvolver relações amistosas com vizinhos, manter seu futuro e destino em suas próprias mãos. É claro que quando a gente está falando aqui do posicionamento da China, o que fica claro para mim é que a China não vai intervir militarmente, não vai mandar arma para ninguém, mas pelo amor de Deus, gente, parem com isso porque está atrapalhando o meu rolê, está atrapalhando o fornecimento de energia,

o meu petróleo que precisa chegar com regularidade e com bons preços para abastecer a minha economia e o meu crescimento econômico. É bem verdade que a China não deve ter grandes impactos no curto prazo. Essa é a avaliação das próprias autoridades chinesas. Afinal, você teve embarques recordes de petróleo iraniano durante o mês de fevereiro. Você tem estoques estratégicos elevados. E você tem, Tanguy, a Rússia, né?

A Rússia que está dizendo ali para a China, não se preocupe, o que seria de você sem mim? Eu estou aqui pronta para fornecer mais petróleo para você em caso de necessidade. Aliás, para quem estiver precisando, tem alguém precisando de petróleo aí? Temos aqui na Rússia. A Rússia fornece com regularidade, com segurança, eventualmente até com desconto, dependendo aí das condições da dinâmica do mercado, embora agora talvez eu ofereça menos desconto, porque, afinal, a demanda tende a aumentar.

E a gente vai tendo aí a economia mundial se reorganizando. Tanguy, acho que é só o começo. E se nós tivermos realmente um prolongamento desse conflito e um prolongamento do fechamento do Estreito de Hormuz, os impactos econômicos vão ser grandes e, potencialmente, nós teremos aí todo mundo sendo impactado, alguns mais, outros menos. Mas quem pode sair beneficiado dessa conclusão toda, dessa confusão toda, é o Vladimir Putin e a sua Rússia.

Daniel, só algumas informações do que está acontecendo nesse momento. Só para localizar aqui, a gente está gravando esse episódio. São exatamente agora 19 horas e 38 minutos, horário de Brasília. E a gente está tendo, nesse momento, um bombardeio bastante pesado do exército israelense contra Teheran. A gente teve, inclusive, a confirmação há alguns poucos minutos, tem coisa de cinco minutos, do bombardeio da TV estatal iraniana em Teheran, que foi bombardeado pesadamente.

confirmou que o Irã retaliou, então está lançando mísseis também contra Israel, que a princípio estão sendo interceptados. Segundo Israel, a interceptação está acontecendo. Mas só para a gente saber que, às vezes, quando a gente está falando aqui, Daniel, pode dar a impressão de que entrou numa certa calmaria e tal. Isso não está acontecendo. Os bombardeios estão acontecendo a todo minuto. De fato, o Irã está sendo pesadamente bombardeado.

Inclusive, a gente tem uma declaração agora há pouco do Marco Rubio. Daniel, isso também tem alguns poucos minutos.

dizendo que adoraria, que amaria, o termo foi esse, love, we would love, amaria que os iranianos derrubassem o regime. Então, meio que o recado é, se vocês derrubarem o regime aí, até economiza, trabalhe para a gente, que a gente não precisa nem ficar 4 ou 5 semanas bombardeando, de repente a coisa pode se resolver mais cedo. Daniel, na geleia da shaquira de hoje, eu queria, acima de tudo, te pedir cuidado. Você vai mexer com interesses poderosos, com a vida pessoal de poderosos,

Você é um cara que não tem medo. Você é um cara que enfrenta. Então, siga em frente, Daniel Souza. Deixando claro que quem está fazendo essa geleia da Shakira é Daniel Souza. Eu não tenho nada a ver com isso. Essa geleia da Shakira de hoje, que é um quadro do magnífico Petit Jornal, que tem entre os seus participantes o professor Tanguy Bagdadi. Tanguy Bagdadi. Está dando interferência, Daniel Souza. É um dos participantes desse magnífico podcast.

notícias absolutamente sem fundamento, fofocas, ou digo, informações de qualidade duvidosa, mas o fato é que a Alina Kabaeva, ex-ginasta olímpica russa, apontada há anos como parceira de Vladimir Putin, é alvo de nova denúncia envolvendo recursos relacionados ao chamado Palácio do Putin no Mar Negro. Temos informações sobre esse Palácio do Putin?

Não temos. Temos informações sobre o envolvimento da Alina Kabaeva? Não temos. Mas temos aqui fofoca, ou melhor, informação. Informação de qualidade. E o que acaba acontecendo, Tang, é que a construção da Mega Mansão, às margens do Mar Negro, teria custado cerca de 7 bilhões de reais, o equivalente a 7 bilhões de reais. E após a conclusão da obra, você teria tido ali uma sobra de algo em torno de uns 400 milhões de reais. E esse valor teria sido transferido para instituições ligadas

Mas também, Daniel, 400 milhões de reais não dá para fazer nada também, né? Não dá para fazer nada. E aí, o que acaba acontecendo é que o Kremlin nega que a propriedade pertença ao Putin. Não tem nada a ver com isso. Formalmente, o imóvel estaria registrado em nome da empresa Investment Solutions, apontada como parte de uma rede de empresas de fachada. Que isso, gente? Empresas de fachada que é absurdo. De qualquer maneira, o dinheiro foi parar lá na fundação ligada à Kabaeva

investimentos, sei lá, para realizar oficinas com pessoas carentes, pessoas que precisam de ajuda. Tenho certeza que será muito bem empregado esse dinheiro. Não é a opinião do professor Bagdadinho. O professor Bagdadinho tem teme que esse dinheiro possa ser surrupiado. Eu não temo. Eu acredito que o dinheiro será usado de maneira correta. Com a confiança, de maneira... Com a transparência do Estado russo e principalmente da senhora Cabaiva, certamente é um mal entendido. E eu fico muito preocupado, Daniel Souza, com você levantando esse tipo de

que mancha um pouco a imagem do presidente Vladimir Putin e da senhora Cabaeva, né? Mulher, quer dizer, ele não quer falar da vida pessoal dele, a gente também respeita, mas Daniel Souza, que está falando isso, se vocês quiserem, eu posso dar, inclusive, localização onde ele está, para onde ele vai e tudo, isso tudo pode ser conversado. Daniel Souza, dessa maneira, a gente chega ao fim do nosso episódio. Se você quiser, aliás, saber mais sobre a Rússia, você quer saber sobre a vida pessoal de Vladimir Putin, temos uma aula sobre a história de Vladimir Putin,

ações dele, quem são as filhas dele, está tudo lá, não é brincadeira não, a gente tem uma aula mesmo, em que a gente destrincha a vida pessoal de Vladimir Putin, num curso todo sobre a Rússia, a gente tem curso sobre os Estados Unidos, a gente tem curso sobre Israel, sobre o Irã, sobre o Líbano, sobre o Hezbollah, sobre tudo o que está acontecendo, está lá tudo no PetiCursos, acessa lá, peticursos.com.br, muitas das coisas que você está curioso para saber, certamente estão respondidas lá ao longo do curso, é um streaming, então você passa a ter acesso a todas as aulas já gravadas,

e mais aulas ao vivo que acontecem toda terça-feira às 19 horas. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petiornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica o nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Peti é uma mídia pequena, não tem nenhum suporte de um conglomerado ou de uma grande produtora, por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante e por isso registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

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