Episódios de Petit Journal

A guerra se expande - BP 1029

02 de março de 202634min
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A guerra envolvendo o Irã deixa de ser um confronto concentrado e passa a irradiar instabilidade por toda a região. Discutimos as opções internas para a substituição do líder supremo morto, os nomes mais prováveis e o peso da Guarda Revolucionária no processo sucessório. Ao mesmo tempo, o Líbano é engolido pela escalada militar, com bombardeios intensos e a morte do líder do Hezbollah, ampliando o risco de um conflito regional aberto e alterando o equilíbrio político interno libanês.
O fechamento do estreito de Ormuz eleva a apreensão global diante do impacto direto sobre o fluxo de petróleo e os preços internacionais, enquanto aeroportos são fechados em diferentes países do Oriente Médio por razões de segurança, sinalizando deterioração acelerada do ambiente estratégico.
Na Geleia da Shakira, um dono de restaurante prometeu cerveja grátis durante o discurso do Estado da União enquanto Donald Trump não ofendesse ninguém, transformando a polarização política americana em estratégia de marketing.
#Irã #OrienteMédio #Hezbollah #EstreitoDeOrmuz #Geopolítica
Assuntos15
  • Conflito no Estreito de OrmuzImportancia geopolítica · 20% do petróleo mundial · Rota critica de escoamento · Bloqueio iraniano · Segurança de navios-tanque · Aumento de seguros marítimos
  • Morte do líder supremo iraniano Ali KhameneiLiderança suprema vaga desde 1989 · Morte do ministro da defesa · Morte do comandante da Guarda Revolucionária · Decapitação do regime · Contexto de conflito aberto
  • Escalada militar no LíbanoBombardeios intensos a Beirute · Morte do líder do Hezbollah Hussein Makhled · 31 mortos e 149 feridos · Destruição de infraestrutura · Base militar israelense atingida · Deterioração acelerada da segurança
  • Consequências econômicas das guerrasAumento do preço do petróleo · Inflacao de combustiveis · Redução do crescimento econômico · Precos automaticos nos EUA · Volatilidade dos mercados · Efeito cascata na economia
  • Sucessao Lideranca IraAssembleia dos Peritos · Candidatos em discussão · Alizera Araf como interino · Mostaba Khamenei descartado · Hassan Khomeini como alternativa · Adiamento da decisão até fim da guerra
  • Aliancas Regionais IraFinanciamento de Hezbollah · Apoio ao Hamas · Isolamento historico do Irã · Estrategia de aliados na regiao · Enfraquecimento recente dos grupos · Suporte em crises geopolíticas
  • Conflito Irã-EUALancamento de foguetes · Ataques com drones · Base militar em Haifa como alvo · Solidariedade ao Irã · Apoio ao regime iraniano · Estratégia de proxies
  • Capacidade Militar IraMais de 1000 alvos atingidos · Destruicao de infraestrutura submarina · 9 navios iranianos destruídos · 48 líderes mortos · Instalacoes de misseis destruidas · Operacoes aereas coordenadas
  • Fechamento de aeroportos internacionaisDubai fechado · Doha fechado · Abu Dhabi fechado · Dezenas de milhares afetados · Impacto em hubs aeronauticos · Terceiro dia consecutivo fechado
  • Contagem de baixas e perdas humanas555 mortos no Irã · 13 mortos no Líbano · 10 mortos em Israel · 3 mortos nos Emirados · 2 mortos no Iraque · 4 soldados dos EUA mortos · Estimativas subestimadas
  • Opiniao Publica EUA GuerraSondagem Reuters-Ipsos · Apenas 27% aprovam · 43% desaprovam · Ano eleitoral · Grande parte sabia do ataque · Impacto politico
  • Relações InternacionaisNovo governo iraniano · Donald Trump propõe dialogo · Irã nega contatos · Condicoes para negociacao · Estrategia americana · Duração da ofensiva
  • Conflito EUA-IrãPais persa em regiao arabe · Maioria xiita em regiao sunita · Pos-revolucao nao bem vista · Isolamento historico · Diferenca religiosa · Papel regional limitado
  • Forcas Armadas EUATres caças F-15 · Localizacao: Kuwait · Defesa aerea kuwaitiana envolvida · Possível erro de identificacao · Pilotos ejetados · Questionamento de autoria
  • Posicionamento Militar Reino UnidoNao entrada ofensiva · Cooperacao defensiva com EUA · Protecao de bases britanicas · Drone atacado no Chipre · Dano limitado em instalacoes · Investigacao de origem dos ataques
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1029. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 9 horas e 17 minutos da segunda-feira, 2 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de Korteng, ô Bagdadi. Animado, nem tanto, contente, nem tanto, preparado.

bastante, retumbante, resiliente, aquilo tudo que vocês conhecem, Tarifado, segue Tarifado, o professor Bagdadi, menos do que antes, e também muito preocupado. Eu disse para vocês, eu venho avisando que o professor Bagdadi é um poço de preocupações em relação aos últimos acontecimentos internacionais. Temos também Daniel Souza, que é esse que eu vos falo. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas,

Lembrando que nesse último final de semana tivemos dois episódios extras para tratar especificamente do conflito, do novo conflito no Oriente Médio, que acabou sendo iniciado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e com também as suas respectivas retaliações. Tudo bem, Tanguy? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá para esse bate-papo 1029.

está tendo, a gente teve um final de semana muito agitado e diferentemente de outros conflitos que a gente viu recentemente, esse agora não está arrefecendo, algum tempo depois, a gente continua tendo muita ação acontecendo ao mesmo tempo, então se a gente pegasse como referência aquela ação dos Estados Unidos na Venezuela, que foi algo rápido, foram algumas horas e depois houve um recuo, isso não está acontecendo nesse conflito, então a gente tem bastante coisa para falar, deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente, todo mundo que está

seguindo o que está acontecendo na guerra por meio do Petit Jornal. É uma honra, um prazer ter vocês aqui com a gente. E, Daniel, eu quero lembrar que no meio dessas tensões todas, você tem uma forma excelente de economizar com qualidade. E isso é com a Insider Store, Daniel, que ajuda a gente a manter o nosso projeto. Aliás, fica aqui um grande agradecimento à Insider Store. A Insider Store, Daniel, ela tem uma enorme vantagem que é o custo por uso. Então, quando você compra uma roupa, Daniel,

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Afinal de contas, a gente tem o Irã dominando aquela parte norte do Estreito de Hormuz. O Estreito de Hormuz é aquele que liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia, o Golfo de Oman e depois o Mar da Arábia. Então, é uma rota de escoamento importantíssimo do petróleo mundial. Passam por ali cerca de 20% de todo o petróleo mundial produzido. E só para a gente ter uma noção, quando a gente coloca isso aqui em números, a gente está falando de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia.

que é de 5 milhões, menos de 5 milhões de barris. Então é como se você estivesse numa única rota de escoamento, quatro Brasis exportando todo o seu petróleo por ali e tem uma ameaça grande o que está mexendo com os mercados de petróleo. Explica para a gente, Daniel, o que está acontecendo. Pois é, Tanguy, nós exploramos a questão do estreito de Hormuz ao longo dos dois episódios que nós gravamos nesse final de semana e me parece importante trazer algumas atualizações, afinal, nessa segunda-feira, alguns movimentos importantes

Já aconteceram. Não esquecendo que o Estreito de Hormuz é aquele pequeno estreito que controla a saída do Golfo Pérsico. No Golfo Pérsico está a maior parte da produção de petróleo do Oriente Médio. Para vocês terem uma ideia, 90% do petróleo da Arábia Saudita sai pelo Estreito de Hormuz. Além do petróleo saudita, a gente tem também ali Emirados Árabes Unidos,

e o próprio Irã, países que têm o seu petróleo saindo pelo Estreito de Hormuz. Outro dado que acaba sendo super importante é que aproximadamente 60% do petróleo importado pela Índia passa pelo Estreito de Hormuz. Aproximadamente 40% do petróleo importado pela China passa pelo Estreito de Hormuz. E nós tivemos, inclusive, um petroleiro que acabou sendo atacado

ao tentar passar ali pelo estreito. É importante sempre lembrar que navios que carregam petróleo são inflamáveis e, consequentemente, a chance de você ter uma tragédia de grandes proporções não é pequena. Nós temos também um aumento do valor do seguro dessas embarcações na medida em que a passagem se torna muito mais arriscada. Nessa segunda-feira, o petróleo está operando, nesse momento, em alta de mais de 7%.

Afinal, existe aí a possibilidade de uma redução substantiva na oferta de petróleo no mercado internacional. Alguns países que têm a correção do preço dos combustíveis online, que têm ali a correção do preço dos combustíveis ao longo de um dia, é o caso dos Estados Unidos, é o caso da própria Austrália, você observa aumento no preço das bombas.

porque o efeito acaba sendo imediato. Claro que também o impacto sobre o mercado de petróleo tende a ser tão maior quanto mais alongado for a interrupção ali na passagem de petróleo por aquele pequeno estreito, mas de qualquer maneira a gente está falando de algo que traz muitas consequências para a economia mundial. Eu disse em episódio anterior e repito aqui,

mundial, significa também menos crescimento. É enorme a preocupação que o mundo tem diante dessas tensões no Oriente Médio e as consequências até para os Estados Unidos tendem a ser grandes, afinal, nos Estados Unidos o reajuste do preço dos combustíveis acontece de maneira muito alinhada e automática ao preço do barril de petróleo no mercado internacional. É natural que muita gente pressione para que o Estreito de Hormuz

volte a ter algum grau de normalidade, principalmente países como China e Índia. Não me parece que esses países vão se envolver militarmente no conflito, mas diplomaticamente devem exercer uma fortíssima pressão para que haja o restabelecimento de algum grau de normalidade. Registro também que a OPEP acabou se reunindo e ela decidiu aumentar a produção de barris de petróleo em 206%.

mil barris por dia a partir do início de abril. O número é levemente acima das expectativas do mercado e o objetivo é tentar reduzir a volatilidade diante do conflito envolvendo o IRA. O grande problema é que uma parte importante do petróleo produzido pelos países da OPEP vem justamente do Golfo Pérsico, o que torna realmente toda essa dinâmica que nós estamos descrevendo aqui ainda mais perigosa, problemática,

e com importantes consequências para a economia mundial.

se o conflito em si, ele acabou rapidamente. Donald Trump, no entanto, Daniel, disse que o plano era uma guerra de até quatro semanas. Daniel, em cerca de 24 horas, uma parte importante do Estado iraniano, do regime iraniano, já foi decapitado. Então morreu o líder supremo em algumas horas, você teve a morte de outras figuras importantes, o ministro da defesa, o comandante da guarda revolucionária. Então é difícil imaginar o que pode acontecer ao longo de quatro semanas,

o tamanho do strike pode ser feito em quatro semanas, eu queria trazer alguns cenários para isso, mas Donald Trump, Daniel, disse que o novo governo iraniano, o novo governo interino iraniano, e aqui a gente está considerando que, naturalmente, o presidente Massoud Pesekian continua lá, ele não foi, ele continuou sendo presidente, mas que você tem uma nova liderança que está ascendendo no rescaldo da morte do Ali Khamenei. Segundo Donald Trump, eles querem conversar e eu concordei em conversar.

vou falar com eles. Deveriam ter feito isso antes. Esperaram demais, mas eu vou conversar. O próprio regime iraniano já negou ter feito qualquer tipo de contato, mas no meio disso tudo, o que me chamou mais a atenção foi exatamente a ideia de que Donald Trump cogita a possibilidade de permanecer quatro semanas fazendo essa ofensiva. No meio disso tudo, Daniel, a gente teve uma pesquisa Reuters-Ipsos que mostrou que, em primeiro lugar, grande parte dos americanos, dos que foram entrevistados, já ficaram sabendo

ataque. Então não foi aquela coisa que somente quem está prestando muita atenção está sabendo, não todo mundo está sabendo. Então nos Estados Unidos isso é uma informação que mesmo quem não acompanha muito político ou questões internacionais já está sabendo e apenas 27% dos entrevistados apoiam os ataques. Apenas 27%. Essa é uma notícia muito ruim para Donald Trump, enquanto 43% desaprovam. É verdade que você tem 20% ali que não souberam responder se gostam

você não gosta, muito provavelmente você vai ter uma definição dessas pessoas de acordo com o resultado da ofensiva, se vai durar pouco, se vai durar muito e tal, essa opinião vai sendo formada, mas até agora a pesquisa Reuters Ipsos mostra 27% de aprovação e 43% de desaprovação no ano eleitoral nos Estados Unidos. E olhando para o cenário iraniano, Daniel, a discussão que a gente tem agora é uma discussão acerca do que vai ser feito para

para o lugar do Ali Khamenei. Ali Khamenei era líder supremo desde 1989, então ele estava há muito tempo nesse cargo. Esse cargo agora está vago e essa era uma discussão que a gente já fazia, né, Daniel, que era quem que Ali Khamenei poderia indicar como seu sucessor. Você tinha, inclusive, a possibilidade de ele indicar o seu próprio filho, né? Mostaba Khamenei era uma possibilidade para ser colocado no cargo. Agora, o debate que está sendo feito no Irã nesse momento, aparentemente, Daniel, é se vale a pena,

e indicar um novo líder supremo nesse momento. Principalmente quando você olha para a experiência do Hamas e do Hezbollah. A partir de 2023, a estratégia de Israel foi tentar decapitar esses dois grupos, decapitar o Hamas e decapitar o Hezbollah. Esses dois grupos, em determinados momentos, Daniel, no momento em que o líder era eliminado, era morto, eles indicavam rapidamente uma outra pessoa. O problema era que rapidamente o sucessor também era morto.

Daniel, a decisão que o Irã tome é a gente precisa esperar essa guerra terminar, pelo menos essa fase da guerra terminar, para depois indicar alguém. Alguns nomes, no entanto, já começam a ser considerados favoritos, começam a ser imaginados e tal. Você começa a ter toda uma articulação agora para ver quem é que poderia chegar nessa posição. O primeiro deles é o próprio Alizera Araf, Daniel, que está nesse momento como líder supremo interino. Atualmente é uma trinca, são três pessoas que estão

comandando o país, mas ele é que está nessa posição de líder supremo temporário, não sei nem se dá para considerar que pode ser um líder supremo interino, mas ele é que está nessa posição de líder, enquanto você não tem um líder supremo, então ele é um cara, um clérigo do alto escalão, ele tem uma posição bastante conservadora, então ele está ali bem cotado, outro é o próprio filho do Kamenei, o Mostaba Kamenei, que por incrível que pareça, Daniel, não é muito bem-vindo,

viu? Principalmente porque a sucessão de pai pra filho não é bem vista no clero xiita. Então tem muita gente dentro do próprio regime que fala, pô, esse negócio passar de pai pra filho, depois vira uma tradição e fica todo mundo passando o cargo de pai pra filho e a coisa talvez ela fique presa numa família. Então o sobrenome nesse caso aqui não necessariamente jogaria a seu favor. Curiosamente, um outro nome cotado também é Hassan Khomeini. Isso mesmo que você ouviu. Hassan Khomeini é neto

do Ayatollah Khomeini. Não é um cara de muita expressão. É considerado, aliás, curiosamente, um moderado. Claro que moderado comparado com os demais integrantes da cúpula do regime xiita. Mas, de qualquer maneira, a ração Khomeini é um dos que pode ser considerado uma possibilidade. Agora, o que você precisa para escolher o novo líder supremo? Ele é escolhido a partir da Assembleia dos Peritos, que envolve 88 clérigos,

maioria simples, Daniel. Então, no momento em que eles se reunirem, com maioria simples, é um voto que acontece ali de forma secreta, você não tem clareza de quem foi que votou em quem, mas de qualquer maneira, com 88 clérigos, uma reunião com 88 clérigos, maioria simples, você já consegue escolher quem é o próximo líder supremo, mas muita gente começa a dizer que talvez você tenha a decisão de adiar um pouco essa decisão para depois da guerra, para depois que a nossa fase mais aguda da guerra, para evitar que o novo primeiro-ministro seja

eliminado rapidamente, Daniel. Esse adiamento, aliás, faria todo sentido, né, Tanguy? Dentro de um contexto onde um conflito ainda está em curso e pegando o histórico recente, realmente seria mais prudente, pensando do ponto de vista do regime que busca uma autoproteção, esse adiamento da escolha, até porque isso poderia trazer ainda mais instabilidade na eventualidade de um novo líder supremo ser escolhido

o líder supremo também acabar sendo assassinado. Daniel, a guerra, no entanto, como a gente já sabe, ela, claro, está acontecendo em território iraniano. O Irã está reagindo, atacando aliados dos Estados Unidos na região. Então, não apenas Israel, que também é um agressor, mas também países sunitas da região. Então, vários desses países já sofreram com algum tipo de ataque. Mas, nesse momento, a gente tem uma expansão da guerra também para o Líbano.

equilíbrio, muito impactado por aquilo que acontece nessa relação entre Irã e Israel, mas o fato é que ao longo das últimas horas, isso aconteceu da madrugada de ontem para hoje, o Hezbollah lançou foguetes e drones contra uma base militar israelense em Haifa, ali no norte de Israel, como uma forma de oferecer ajuda, de oferecer apoio, solidariedade ao Irã. Essa é uma estratégia iraniana antiga, que é você, o Irã,

historicamente isolado. O Irã é um país que passou por uma revolução que não é bem vista pelos demais países da região. Os outros países da região têm medo de isso ensoflar os xiitas. Aliás, é um país de maioria xiita, numa região na qual grande parte dos países tem maioria da população sunita. Um ou outro tem maioria xiita, como o Iraque. Mas a maior parte dos países ali tem maioria da população sunita. É um país persa, em meio a uma região onde grande parte da população tem maioria árabe. Então, é um país isolado.

E o que o Irã fez, portanto, foi criar aliados, foi financiar aliados pela região para, caso o Irã ficasse numa situação difícil, agir também, entre eles o Hezbollah e o Hamas. Esses dois foram muito enfraquecidos pelas ações israelenses ao longo dos últimos dois para três anos, desde outubro de 2023, mas continuam lá, Daniel. Então o Hezbollah, nas últimas horas, agiu contra essa base militar israelense em Haifa

contra Beirute, principalmente nos arredores, nos subúrbios de Beirute, onde você tem uma força maior do Hamas, o que levou, segundo a agência estatal libanesa, a 31 mortes e 149 feridos. Só para deixar claro, quando a gente fala sobre esses dados aqui, não são dados do Hezbollah. E, aliás, Hezbollah e o Estado libanês são coisas completamente diferentes. Inclusive, o governo libanês atual é hostil ao Hezbollah. Quero ir além.

Quero ir além. Exatamente por conta disso, a gente teve o exército libanês afirmando que vai fazer ditura para desarmar o Hezbollah e o primeiro-ministro libanês, o Nawaf Salam, declarou que as atividades militares do Hezbollah são atos ilegais. Segundo ele, abro aspas, nós, está falando aqui sobre o governo, sobre o Estado libanês,

Hezbollah e limitamos sua atuação à esfera política e demandamos que as instituições militares libanesas apliquem essa decisão. Basicamente o que ele está dizendo aqui, Daniel, é olha, gente, eu não tenho nada a ver com isso. O Estado libanês não é conivente com o que o Hezbollah está fazendo, a gente inclusive está proibindo, a gente não considera legítimo e, portanto, se vocês fizeram alguma coisa contra o Hezbollah aí, saibam que o Líbano não tem ligação com o que está acontecendo. Agora, Tanguy,

É interessante observar também que o Hezbollah tem uma presença no Líbano muito forte já há bastante tempo, mas, ao longo dos últimos tempos, o Hezbollah passou por um forte enfraquecimento em função dos ataques realizados por Israel. E o que acabou acontecendo foi que o governo libanês enxergou nisso uma janela de oportunidade. O Hezbollah não é popular no Líbano há bastante tempo, justamente porque acaba trazendo um tensionamento interno significativo,

para dentro do Líbano. E o atual presidente do Líbano e o atual governo libanês têm feito ali um processo de retirada, de alijamento do processo político libanês do Hezbollah. Isso é algo que chama bastante atenção e vai ao encontro justamente dessas declarações mais recentes, onde o governo do Líbano tenta se separar do Hezbollah e mostrar que ele não tem qualquer tipo de conivência

de responsabilidade ou participação nas ações do grupo, que é um grupo xiita, que tem ali uma vinculação muito forte com o Irã há bastante tempo, aliás, desde a sua criação, e, consequentemente, você tem ali um elemento que traz instabilidade enorme para dentro do Líbano, que já é um país que tem as suas instabilidades próprias, as suas dificuldades particulares. Agora, Tanguy, eu queria registrar que, pelo terceiro dia seguido, nós temos aí importantes aeroportos da região,

que permanecem fechados. Aeroportos como os de Dubai, de Doha e de Abu Dhabi permanecem fechados. Isso traz impacto para dezenas de milhares de passageiros, aqueles que estão retidos e aqueles que também não conseguem viajar porque tinham ali passagens que tinham como destino final um desses países, um desses aeroportos,

afinal, eles são hubs super importantes no que diz respeito ao tráfego de passageiros. Tudo indica, Tanguy, que a gente vai ter um alongamento desse fechamento, afinal, não há condições mínimas de segurança para que esses aeroportos possam operar. E quando a gente pensa também nos ataques que estão sendo implementados, é sempre importante registrar que o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, em particular,

Relações diplomáticas com Israel nos acordos de Abraão do governo Donald Trump I. No primeiro mandato do governo Donald Trump, nós tivemos esses dois países estabelecendo relações diplomáticas com Israel. Nós tivemos ali realmente, num certo sentido, uma tentativa de distensão e de aproximação. O Catar é uma situação um pouco diferente. Você tem ali o Catar com uma posição um pouco mais ambígua. Inclusive, o Catar, em vários momentos,

albergando ali as lideranças do Hamas, albergando inclusive conversas que envolveram as lideranças do Hamas. De qualquer maneira, a gente está falando de uma região que se tornou super central no transporte aeronáutico e que agora não está conseguindo operar e que não tem nenhuma expectativa de voltar a operar com normalidade. No caso da Emirates, que se tornou aí uma referência global de aviação,

na própria reputação da companhia. Afinal, daqui para frente, muita gente vai começar a pensar, puxa, será que Dubai é seguro? Será que dá para passar por ali? Será que vale a pena realmente eu utilizar os Emirados Árabes Unidos como entreposto? E isso é algo que tende a trazer consequências de forma mais alongada. Os Emirados Árabes Unidos que vinham, inclusive, num esforço para se tornar não apenas um hub aeronáutico, mas também um hub financeiro. A gente falou sobre isso, inclusive,

em aulas do Petit Cursos, muita gente levando o seu dinheiro para os Emirados Árabes Unidos, e esse dinheiro está seguro, não tem nenhum tipo de problema em relação a isso, mas é claro que um país envolvido numa confusão desse tamanho é algo que traz sempre preocupação. Emirados Árabes Unidos que estão ali justamente no Estreito de Hormuz, sobre o qual a gente falava há pouco, Emirados Árabes Unidos que tem o seu território projetado em direção ao Irã,

do ponto de vista geográfico e, consequentemente, idealmente deveria ter relações ali minimamente cordiais com o Irã, mas diante desses ataques que têm acontecido nos últimos dias, isso se torna um pouco mais complicado de ser feito. Uma atualização, Daniel, de nove minutos atrás, então a gente já estava gravando o episódio, o exército israelense disse que matou a principal liderança do Hezbollah, a nova liderança do Hezbollah. Então essa liderança já mudou algumas vezes,

de 2023, por assassinato de outros líderes, e agora, portanto, anunciou o assassinato de Hussein Makhled, num desses ataques que eu mencionava agora há pouco em Beirute. Pensando na guerra de uma forma geral, Daniel, só para a gente ter uma noção de em que ponto que a gente está nesse momento, segundo os Estados Unidos, mais de mil alvos iranianos já foram atingidos, houve a destruição, segundo os Estados Unidos, então a gente não tem como verificar isso, de instalações subterrâneas de mísseis e de infraestrutura,

Uma declaração dita do próprio Donald Trump disse que 48 líderes iranianos foram mortos e que 9 navios iranianos foram destruídos. A gente teve também, como outras informações do ponto de vista militar, Daniel, o anúncio por parte do Reino Unido de que você teve um drone que se aproximou de uma base britânica no Chipre e que teria causado dano limitado, nenhum ferido, uma autoria ainda desconhecida.

Ele já considera que foi o Irã que fez algo, mas há uma investigação para saber se dá para se identificar qual é exatamente a origem. E eu acho que vale aqui uma menção, Daniel, a posição britânica diante da guerra. O Reino Unido disse que não entra na guerra de forma ofensiva, mas que dialogará e vai cooperar com os Estados Unidos em ações defensivas. É muito difícil, Daniel, em determinados momentos, separar o que é uma ação ofensiva ou defensiva,

é que o Reino Unido não vai usar armas para bombardear o Irã, ou que é coisa assim, mas vai cooperar com os Estados Unidos para evitar que o Irã consiga fazer algum tipo de ação fora do seu território. A gente sabe que a relação entre Donald Trump e Kim Starmer não é boa, é uma relação que se deteriorou muito ao longo dos últimos tempos, mas quando você fala sobre algo sério como essa guerra contra o Irã, e sabendo que o Reino Unido sempre viu o Irã como uma ameaça também,

A gente tem também, Daniel, três caças F-15 dos Estados Unidos que foram abatidos no Kuwait. E aí você tem um choque de informações. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, esses três caças F-15 foram abatidos pela defesa aérea do Kuwait por engano. E você tem algumas imagens, inclusive, que mostram eles sendo abatidos e o piloto ejetando.

de pelo menos uma das aeronaves. A gente também não tem como verificar. E o momento no qual a gente está em termos de baixas, Daniel, são, no Irã, segundo o Irã, até agora, 555 mortos, 13 mortos no Libro, esse número provavelmente é subestimado, ele deve crescer, 10 mortos em Israel, 3 mortos nos Emirados Árabes Unidos, 2 no Iraque, e os Estados Unidos acabaram de confirmar a quarta morte de um agente seu, de um integrante das suas Forças Armadas,

ao longo desse conflito. Tem muita coisa para acontecer ainda, Daniel, do ponto de vista político, do ponto de vista militar. Os bombardeios, como a gente via dizendo, continuam. Não é algo que parou, não é algo que aconteceu e teve uma pausa. As coisas estão acontecendo exatamente nesse momento e, naturalmente, a gente vai ter muito assunto ainda ao longo dos próximos dias, Daniel. Tem que ir. Apesar de toda essa situação, apesar de todo esse drama e de todos os componentes humanos, podemos terminar com uma nota um pouco mais leve.

hoje, podemos trazer uma edição do nosso quadro Geleia da Shakira? Estamos precisando, né, Daniel Souza? Pô, depois de três dias aí, uma geleiazinha cai bem. Traz pra gente. Tanguy, nós tivemos o discurso do Donald Trump há poucos dias, o discurso do Estado e da União, onde havia ali muita expectativa sobre o que ele ia falar. Eis que um bar de Washington, um bar chamado Pain Social, achou que era uma boa ideia fazer uma promoção. Gente, venham pro bar, assistiu

discurso do presidente Trump. E eu garanto cerveja de graça até o presidente Trump realizar a primeira ofensa. Quando ele realizar a primeira ofensa, nós interrompemos a distribuição de cerveja de graça, ou o bar achou que era uma boa ideia. Afinal, o Trump vai fazer uma ofensa ali no minuto 2, no minuto 3, quem sabe no minuto 5, e o pessoal vai continuar lá tomando cerveja e, consequentemente, aumentando o faturamento do bar. Pois bem, o Trump começa o discurso, tem que

Atacando conquistas na política externa, na economia. E nada de ataques. 10 minutos, 15 minutos, 20 minutos, 25 minutos. E tome cerveja. 35 minutos e tome cerveja para o pessoal, porque o Trump não atacava ninguém. O dono do bar, rapaz, coçando a cabeça, falando, meu Deus, o que eu fiz? O que eu vou fazer da minha vida? Eis que no minuto 45, Trump diz o seguinte, abre aspas,

Fecha aspas. O bartender, rapaz, que estava ansioso, falou, acabou a promoção. Acabou a promoção porque o presidente ofendeu o Biden e os seus parceiros corruptos. Mas, de qualquer maneira, o discurso ainda se alongou num total de 1 hora e 48 minutos e se tornou o discurso mais longo da história dos Estados Unidos, o discurso mais longo da história do Estado da União.

que o nosso amigo teve para aumentar o faturamento, mas quem se deu bem foi quem foi para o bar, ficou assistindo o discurso do Trump durante longos 45 minutos sem que ele atacasse ninguém, mas teve direito a cerveja grátis. Daniel Souza conhecendo Donald Trump do jeito que a gente conhece, se ele ficou sabendo dessa promoção, ele segurou o máximo para fazer as ofensas, Daniel, porque ele ia dar um prejuízo no cara, tenho certeza, porque eu não sei se ele ficou sabendo,

Se ele ficou sabendo, ele ficou prolongando, falou, vou começar a soltar o desceu aço, só lá para o meio do discurso, e acabou dando prejuízo, portanto, para esse dono aí, que certamente não é o dono do bar, certamente, um detrator de Donald Trump, já esperando as ofensas ali. Daniel Souza, dessa maneira a gente encerra o nosso episódio, e quero lembrar aqui uma parte gigantesca do que a gente fala aqui sobre Irã, Israel, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita,

Líbano. Aliás, Resbolar. Tem uma aula só sobre o Resbolar. Está tudo lá no PetiCursos. PetiCursos.com.br Claro que a gente oferece aulas atualizando. Então, volta e meia, a gente retoma um determinado tema para trazer uma atualização. Mas todos esses temas estão lá. Então, se você quiser se informar mais, se você quiser ter mais profundidade, se você quiser entender o contexto no qual as coisas estão acontecendo, acessa lá. Você vai ter acesso à biblioteca de aulas que já foram oferecidas

Além das aulas ao vivo que a gente oferece toda terça-feira às 19 horas, acessa lá peticursos.com.br, o link inclusive está na descrição desse episódio. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé, ajudam o Pet Jornal a produzir conteúdo extra no sábado, no domingo, como aconteceu nesse último final de semana. Fica aqui o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado.

Obrigado a cada um de vocês. O Petit é uma mídia pequena, não tem o suporte de um conglomerado de mídia ou mesmo de uma grande produtora. Por isso, a nossa audiência e os nossos apoiadores e apoiadoras acabam sendo fundamentais nesse processo. Fica até meu convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática instantânea,

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Tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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