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A morte de Ali Khamenei - BP Extra

01 de março de 202627min
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Neste BP Extra repercutimos a confirmação da morte do líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, morto em ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel que atingiram seu escritório e instalações-chave do regime, encerrando sua liderança de 36 anos e desencadeando um momento de grande incerteza política em Teerã. O regime declarou 40 dias de luto e uma semana de feriado nacional, enquanto autoridades iranianas e aliados prometem vingança e um vácuo de poder desafia a sucessão pelo Conselho de Especialistas, com possíveis cenários de fortalecimento de líderes linha-dura ou intervenção direta da Guarda Revolucionária.
O impacto regional já começa a se desenhar, com tensões elevadas no Golfo, mobilizações no Oriente Médio e preocupações globais sobre segurança energética e estabilidade geopolítica. A morte de Khamenei pode significar o fim de um ciclo de confrontos echoques contínuos com os EUA e Israel, mas também abre espaço para respostas de atores iranianos e aliados que podem estender o conflito por semanas ou meses, com efeitos imprevisíveis sobre alianças e dinâmicas de poder no Oriente Médio.
#Irã #AliKhamenei #OrienteMédio #SucessãoPolítica #Geopolítica
Assuntos14
  • Morte Ali KhameneiBombardeio do palácio · Confirmação pela agência iraniana · 36 anos no poder · Déclaração de 40 dias de luto · Localização monitorada pelos EUA
  • Conflito Irã-EUAObjetivo de mudança de regime · Bombardeio de instalações nucleares · Morte de ministro da Defesa · Morte de general da Guarda Revolucionária · Escala sem precedentes
  • Sucessao Lider Supremo IraJunta interina · Assembleia de Especialistas · Possível sucessor linha dura · Massoud Pesekian como presidente interino · Jurista sênior do Conselho dos Guardiães
  • Conflito EUA-IrãFechamento do Estreito de Hormuz · Ataque a base Al-Udeid no Qatar · Ataque a base naval no Bahrein · Ataques contra Israel · Incêndio em hotel em Dubai
  • Impacto EconômicoBloqueio do Estreito de Hormuz · 30% do petróleo mundial afetado · Aumento de preços esperado · Inflação global · Redução de crescimento econômico
  • Presença militar americana no Oriente MédioForça mais forte desde guerra do Iraque · Envio de armamentos · Base 5ª Frota no Bahrein · Monitoramento de Khamenei · Capacidade de ataque cirúrgico
  • Política de TrumpGuerras curtas sem ocupação · Crítica a guerras longas · Objetivo de mudança de regime · Pressão do eleitor americano · Possível negociação rápida
  • AviacaoAeroporto Dubai cancelado · Aeroporto Doha fechado · Fumaça no aeroporto de Dubai · Rerouting de aeronaves · Impacto em milhares de passageiros
  • Economia GlobalCustos de energia · Inflação esperada · Redução de oferta · Crescimento econômico comprometido · Paralisia do comércio
  • Programa Nuclear IrãAtaque anterior em junho 2025 · Objetivo de atrasar programa · Continuidade do programa · Possível concessão sobre arma atômica
  • Capacidade de resposta regional do IrãGrupos apoiados em vários países · Redes de ataques terroristas · Atentados na Argentina anos 90 · Ataques em países europeus · Armas regionais de retaliação
  • Morte de comandante da Guarda RevolucionáriaMohammed Pakpur morto · Liderança militar comprometida · Confirmação rápida
  • Morte de ministro da DefesaAziz Narizader morto · Confirmação rápida · Figura importante do regime · Comando militar enfraquecido
  • Khamenei antes de ser líder supremoPresidente de 1981 a 1989 · Oito anos de presidência · Figura já conhecida · Transição para líder supremo
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é mais um bate-papo extra aqui no Petit. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 8 horas e 35 minutos da manhã de 1º de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, ou Bagdadi e Daniel Souza.

Dos próximos minutos, vamos trazer atualizações, análises e reflexões sobre as últimas horas. Afinal, nós temos tido, nesse final de semana, acontecimentos bastante graves, com repercussões significativas econômicas e políticas internacionais. E, por isso, nós sentimos a necessidade de mais um episódio extra, de mais um bate-papo extra. E, como acontece sempre no bate-papo extra aqui do PetJornal,

que é justamente esse conflito que se iniciou entre Estados Unidos e Israel de um lado e Irã do outro. E claro, o primeiro e mais importante tema do nosso episódio de hoje é a morte do líder supremo do Irã, o Ali Khamenei. Nós havíamos destacado aqui no episódio de ontem que ele era um dos alvos e algumas horas depois houve a confirmação até por parte dos iranianos da sua morte.

Tudo bem, Tagui? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse domingo, 1º de março, para mais um episódio. A gente gostaria de não estar fazendo esse episódio hoje. Afinal de contas, a gente só está aqui pelo fato de que coisas muito sérias, muito graves estão acontecendo. Então, a gente já teve um primeiro episódio extra gravado no sábado, algumas horas depois do início do conflito, como a gente falou no início daquele episódio, no calor do momento. Então, a gente ainda não tinha uma visão mais contextual, não era possível.

naquele momento fazer uma visão mais ampla do que estava acontecendo, me parece que agora a gente já tem mais informações, algumas informações a mais, principalmente com algumas coisas muito sérias e que me parece que mudam de fato o patamar do cenário que a gente está vendo com a morte do Ali Khamenei. Uma coisa que eu acho importante notar, Daniel, é o tamanho do ineditismo do que está acontecendo agora. Afinal de contas, isso aqui eu comentei rapidamente na última live, mas eu acho importante que agora a gente tem mais informações pelo fato de que Estados Unidos

Estados Unidos e Israel foram aliados do Irã durante bastante tempo. Durante muito tempo, me arrisco a dizer, inclusive, que o Irã chegou a ser um aliado dos Estados Unidos mais importante do que Israel foi para os Estados Unidos. Afinal de contas, a parceria entre Estados Unidos e Israel se estreitou, de fato, a partir da Guerra dos Seis Dias, a partir de 1967. Desde antes disso, o Irã já era um grande aliado dos Estados Unidos.

tinham ótimas relações. A relação do Irã com o país árabe nunca foi lá das melhores, como, aliás, continua não sendo. A partir de 79, eles se tornam inimigos. Então, sem relações diplomáticas, passa a haver, portanto, uma tensão muito grande. Mas eles nunca tinham se enfrentado até o ano de 2024. Só para a gente ter uma noção de como é que os últimos tempos foram, de fato, muito tensos. Em 2024, a gente teve uma primeira troca de agressões entre Irã e Israel.

naquele ano. Então aconteceu uma vez, se eu não me engano, em abril e depois em outubro isso se repetiu. Foram aqueles ataques, né, Daniel, que um ataca o outro e já espera a reação, vem a reação e a coisa... Foi um balé aquilo, né, Tanguy? Uma coisa super coordenada, num certo sentido, olha, eu vou te atacar, você me ataque, etc. E a gente encerra por aqui, a vida segue. É isso. E aí, em 2025, no ano passado, a gente acompanha isso muito de perto por aqui também, Estados Unidos e Israel,

fizeram um ataque contra as instalações nucleares iranianas. Isso aconteceu no dia 22 de junho do ano passado. Foi a primeira vez que os Estados Unidos fizeram um ataque direto ao Irã. Então a coisa já muda de figura. Os Estados Unidos naquele momento tinham por objetivo, se não destruir, talvez atrasar, retardar o programa nuclear iraniano. O que a gente constatou é que o programa nuclear iraniano continua existindo. Ele certamente passou por algum atraso. Se o objetivo era esse, foi atingido.

obliterou o programa nuclear aniano, isso não aconteceu, seria muito difícil realmente fazê-lo, mas, de qualquer maneira, abre uma brecha ali para um ataque mais direto. O que aconteceu no dia de ontem, Daniel, foi algo que supera, e muito, aquilo que a gente viu em 2024 e 2025. No dia de ontem, a gente viu ataques norte-americanos com o objetivo direto de uma mudança de regime, ou pelo menos de derrubar o topo do regime, e a gente viu, inclusive, imagens do Palácio do Ali Khamenei,

e vive o Ali Khamenei, que é o líder supremo do Irã, tendo sido severamente bombardeado. Num primeiro momento não havia informações sobre se Ali Khamenei tinha sido atingido ou não. A gente teve algumas informações sobre figuras importantes do regime, mas não tão centrais assim, tendo sido mortas. Então a gente ficou sabendo muito rapidamente que o ministro da Defesa do Irã foi morto, o Aziz Narizader. Então a gente ficou sabendo rapidamente que ele morreu, o ministro da Defesa se morto.

É algo muito grande, é algo realmente importante. E que o general comandante da Guarda Revolucionária do Irã também tinha sido morto, que é o Mohammed Pakpur, também tinha sido morto. Isso tinha sido rapidamente confirmado. E começaram a rolar algumas informações vindas principalmente de Israel. Isso não estou falando do governo, tá? Algumas fontes em Israel que me parece que eram fontes que de repente tinham acesso ao governo, tinham acesso à inteligência,

ou um certo vazamento e tal, mas começou a rolar uma ideia de que o Ali Khamenei também tinha sido morto. Ficava na dúvida, Daniel, se era uma esperança ou se era uma informação. Mas, para o fim do dia, Donald Trump foi para as redes sociais para dizer Ali Khamenei está morto. Conseguimos matar Ali Khamenei e a impressão que deu, Daniel, foi que esse tempo foi um tempo em que os Estados Unidos imaginavam que ele tinha sido morto, mas queriam ter a confirmação. Seria muito...

humilhante para os Estados Unidos, se eles anunciassem, olha, a gente tem certeza que ele morreu. Daqui a pouco o cara aparece fazendo discurso. O cara aparece dizendo, pô, não morri nada e tal. Isso já tornaria a operação meio fracasso. Ia parecer realmente uma operação fopada. Pô, acharam que mataram o cara e não mataram. Então, houve um tempo até a confirmação e, num primeiro momento, o Irã negou. O Irã disse, não, Ali Khamenei não está morto. Ali Khamenei continua e ele está comandando a resistência.

e pouco da noite, você teve finalmente a confirmação por parte da agência de notícias iraniana de que Ali Khamenei está morto. Então, nesse momento, Daniel, a gente tem um êxito militar por parte dos Estados Unidos poucas vezes visto. Aliás, Daniel, a gente está falando sobre um ano de 2026 que acabou de completar dois meses, né? A gente só teve janeiro e fevereiro. E nesse período, os Estados Unidos já entraram na Venezuela e tiraram Nicolás Maduro sem grande esforço.

Pareceu simples. E a gente teve a morte do líder supremo do Irã, do Ali Khamenei, que está lá no poder desde 1989. Ali Khamenei, Daniel, foi presidente do Irã de 81 a 89. Depois ele se torna líder supremo. Então ele está no poder no Irã há muito, muito tempo e com uma facilidade que me pareceu bastante humilhante também. Ele é morto nas primeiras horas de uma operação dos Estados Unidos.

importante, Tanguy, porque no ano passado, quando os Estados Unidos fizeram aquele ataque pontual ao programa nuclear iraniano, o próprio governo americano deu a entender que o líder supremo não era alvo, mas que poderia ser se eles quisessem. E a gente chegou a falar sobre isso aqui no Petit Jornal, o que sugere, claro, que o líder supremo estava sendo constantemente monitorado pela inteligência dos Estados Unidos e pela inteligência de Israel, ou seja,

A sua localização não era exatamente um segredo. E quando os Estados Unidos quiseram, mataram o líder supremo do Irã da maneira que quiseram. Inclusive, há ali informações de que ele teria sido encontrado sem vida em meio a escombros, ou seja, algum tipo de bombardeamento teria sido responsável pela sua morte. Mas esse ponto me parece muito impressionante.

para dentro dos Estados Unidos, uma imagem que o Donald Trump quer projetar de alguém que é competente, cirúrgico e que é uma boa liderança para os Estados Unidos no enfrentamento aos inimigos dos Estados Unidos. E quando a gente pensa também na morte, no assassinato do líder da guarda revolucionária, a gente está falando de alguém muito poderoso, do ministro da defesa, cabeças coroadas do regime acabam sendo decepcionadas

de uma vez só numa operação muito bem sucedida. E mais, quer dizer, ao longo das últimas semanas a gente falava aqui no Petit Jornal sobre o envio de armamentos em direção ao Oriente Médio, que a presença americana no Oriente Médio era a mais forte desde a guerra contra o Iraque. Quer dizer, então não era exatamente uma surpresa para as próprias lideranças iranianas que algo poderia acontecer e mostra ali que elas não tinham uma capacidade de defesa

proteção que muitas vezes elas sugeriram e projetavam. Agora, o regime Tanguy, até o presente momento, continua de pé, né? Pois é, e a grande pergunta agora é essa, né? Qual é o cenário daqui pra frente em termos de sucessão do líder supremo? Donald Trump falou ontem, Daniel, no momento em que os bombardeios começaram, que iranianos, os iranianos de bem, né, o termo era mais ou menos esse, fiquem em casa, se abriguem, porque vão chover

Olha que simpatia. Vão chover bombas. Vai cair bomba alucinadamente e depois o país será seu para vocês tomarem. Então, fica ligado aí, porque a gente vai preparar o terreno e aí são vocês que vão ter que fazer o trabalho. Agora, uma coisa que a gente falou ao longo das últimas semanas aqui também, Daniel, é que o regime iraniano é muito bem assentado. É um regime que é muito bem consolidado. Claro que a gente não levava em consideração a possibilidade da morte tão rápida do Ali Khamenei.

Nesse momento, o cenário mais provável é que a sucessão de Ali Khamenei seja feita dentro do próprio regime, muito provavelmente com algum integrante da linha dura, isso não há nenhuma dúvida, se for dentro do regime vai ser a linha dura, de algum integrante da guarda revolucionária do Irã. A gente chegou a comentar aqui durante algum tempo sobre a discussão sobre quem poderia ser o sucessor do Ali Khamenei.

Ostaba Kamenei, que aí muita gente considerava que seria apenas uma sucessão de pai para filho, ele não é exatamente um purista e tal, mas a chance maior que a gente tem agora é de você ter uma substituição do Ali Kamenei, desse cargo de líder supremo, por alguém que também seja da linha dura tal qual ele era. Aliás, no dia de ontem, por exemplo, a gente teve inclusive o bombardeio da residência

governo iraniano, como, por exemplo, o Mahmoud Ahmadinejad, que foi um presidente da linha dura iraniana. Então, me parece que está no cálculo dos Estados Unidos tentar enfraquecer essa linha dura também. Agora, é muito difícil, Daniel, porque é um regime que, de novo, está em tudo quanto é lugar, está no exército, está na guarda revolucionária. Então, a chance maior que a gente tem é de uma substituição dentro do próprio regime.

Em termos de conflito, os Estados Unidos, Daniel, eles fizeram esse ataque contra o Irã, Estados Unidos e Israel,

resposta iraniana não vai ser diretamente para os Estados Unidos, até porque é muito difícil chegar, o Irã não tem capacidade de atingir o território americano, mas você teve ataques aos principais aliados da região, então o Irã atingiu a base aérea de Al-Udeid, que é a base do Catar, é uma base aérea, Daniel, que é de onde os Estados Unidos lançam ataques contra, quando fazem operação no Iraque, na Síria, Afeganistão, é tudo ali de Al-Udeid, e a base, aliás, a base

naval, que é a sede da 5ª frota dos Estados Unidos, Bahrein, que é exatamente onde você tenta manter uma certa proteção, os Estados Unidos tentam manter uma certa proteção para a manutenção do Estreito de Hormuz. Eu queria te ouvir um pouquinho sobre o Estreito de Hormuz, Daniel. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e isso pode trazer consequências econômicas muito sérias, além de militares, claro. Já está trazendo, na prática, quando o Irã anuncia o fechamento do Estreito de Hormuz, ele está anunciando o bloqueio da saída

do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico. É sempre importante lembrar que quando a gente pensa ali na imensa quantidade de petróleo disponível e extraída no Oriente Médio, ela está essencialmente concentrada no Golfo Pérsico. Quer dizer, você pega ali o território dos Emirados Árabes Unidos, da Arábia Saudita, do Catar, do Bahrein, do Kuwait, do Iraque, do próprio Irã. Ali está o grosso do petróleo daquela região.

por cento do petróleo mundial que deixa de ser escoado através de navios, através do Estreito de Hormuz. Muita gente, às vezes, pergunta o seguinte, puxa, mas os americanos não podem desbloquear o Estreito de Hormuz? Até podem, mas quem é que vai passar com um navio petroleiro por ali, né, diante de um conflito? Ninguém vai fazer isso. É dizer, a chance realmente de um conflito envolvendo o Estreito de Hormuz já paralisa o escoamento

de petróleo e, consequentemente, a tendência é que nós tenhamos um impacto muito substantivo sobre o preço do petróleo ao longo dos próximos dias, já a partir dessa segunda-feira, na medida em que você começa a ter uma expectativa de escassez de petróleo. Quer dizer, a oferta de petróleo no mercado internacional deve diminuir e, se a oferta deve diminuir, você já começa a projetar preços maiores e o mercado começa a corrigir

esse processo. É muito difícil também imaginar uma normalização do Estreito de Hormuz enquanto as hostilidades permanecerem. Nós estamos falando de hostilidades muito mais intensas do que nós tivemos no ano passado ou do que nós tivemos ali na primeira escaramuça entre Israel e Irã, a primeira escaramuça direta entre os dois países. Portanto, deve demorar até que haja uma normalização.

mais provável é de um impacto importante sobre o preço do petróleo no mercado internacional durante algum tempo. Petróleo mais caro significa inflação no mundo todo. Petróleo mais caro significa menos oferta de energia e, consequentemente, menos crescimento econômico. Esse é o impacto que o fechamento do Estreito de Hormuz acaba causando. Claro, a gente pensa ali naquela região e observa que é a maneira que o Irã tem

dano, algum tipo de retaliação em escala global. Um outro aspecto que também chamou bastante a atenção é que esses ataques feitos pelos iranianos foram também muito significativos. Você teve até imagens ali de um incêndio naquele super hotel em Dubai, um hotel seis estrelas, etc., que acabou sendo impactado por ataques iranianos. Você tem outras imagens também do Bahrein e em outros locais

sendo implementados, além de, obviamente, ataques iranianos contra o Estado de Israel. E até o presente momento estão fechados os espaços aéreos do próprio Irã, obviamente, do Iraque, de Israel, da Síria, do Kuwait, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. Aliás, eu estava olhando aqui antes da live, você tem ali aquela tabela de voos

Dubai, que é um dos maiores hubs do planeta. E é muito impressionante você ver aquela tabela de voos com cancelado para todos os voos. Todos os voos. Inclusive, você tem imagens ali de fumaça no aeroporto de Dubai, sugerindo que algum tipo de ataque também aconteceu por ali. O aeroporto de Torra, no Qatar, que também é um aeroporto super importante, completamente fechado.

milhares de passageiros já foram impactados por esse fechamento. Você pega ali o flight radar, inclusive é muito impressionante como as aeronaves acabam circulando e não passando pelo território desses países e, consequentemente, o impacto sobre a vida das pessoas que não estão necessariamente diretamente envolvidas no conflito é muito grande e o impacto também econômico é muito significativo.

a dimensão humana. A gente está falando de um conflito onde morre gente, onde pessoas acabam sendo impactadas e isso traz consequências. É uma aposta muito arriscada que os Estados Unidos estão realizando. Me parece que essa era uma guerra de Israel. Israel nunca escondeu que entraria em guerra com o Irã se necessário fosse para impedir que o Irã tivesse uma arma atômica. Mas a novidade é o Donald Trump entrando no circuito,

no conflito, dobrando a aposta e sugerindo literalmente, verbalmente, nós vamos derrubar o regime iraniano, como nós, inclusive, destacamos no episódio de ontem. Pode ser que ele tenha sucesso, até pode, mas a gente está falando de um regime que tem capacidade de se defender e que está muito bem postado. Agora, claro que ele pode nos surpreender e dentro de algumas horas o regime pode ruir, até porque ele está passando o seu momento mais fraco.

nesses 46 anos do regime iraniano, depois da Revolução Iraniana, em nenhum momento o regime teve tão fraco. Agora, em particular, está com o líder supremo interino, o que é algo que também traz algum tipo de instabilidade, de fragilidade e espaço para eventuais traições e até algum tipo de rebelião interna, que o próprio Trump verbalizou que quer incentivar. E quando a gente fala sobre esse cargo de líder supremo,

interinamente sendo ocupado por uma junta. Essa junta é o presidente, o Massoud Pesekian, que a gente não tem muita informação. Ninguém falou que ele esteja morto, então provavelmente ele está vivo. Ninguém tem muita noção do paradeiro dele. Mas seria o Massoud Pesekian, junto com o chefe do judiciário e o jurista mais sênior do Conselho dos Guardiães. O que significa, Daniel, que não é exatamente o líder supremo. Você não tem um líder supremo.

Você tem uma junta ali que está tocando o barco até que você possa ter uma nova Assembleia dos Especialistas. É somente a Assembleia dos Especialistas que escolhe o novo líder supremo, o que é algo raro de acontecer. Nesses últimos 46 anos, você só teve essa Assembleia de Especialistas se reunindo uma vez. Você teve, logo depois da Revolução, o Comeine, que foi o cara que fez a Revolução, enfim, então não havia nenhuma necessidade, ele era o líder supremo, não havia nenhuma dúvida disso. E quando o próprio Alicamenei, enfim, então em 89, morre,

o Khamenei, morre o Komeini, perdão, e é escolhido o Khamenei para sucedê-lo. Era uma figura já bastante conhecida, como eu já disse, ele foi presidente ao longo de oito anos, de 81, 89, ele migra do cargo de presidente para o cargo de líder supremo. E o último comentário que eu queria fazer, Daniel, só para a gente ter uma perspectiva do que a gente pode esperar ao longo das próximas horas ou dos próximos dias, é que Donald Trump sempre prometeu, desde que ele assumiu esse segundo mandato,

a avesso a fazer guerra. Guerra a gente pode fazer, mas são guerras curtas. A crítica que ele sempre fez era aquelas guerras de ocupação. Então ele criticava, inclusive, o próprio George W. Bush, que é um republicano como ele, quer dizer, uma outra raça de republicano, mas também um republicano. Ou então as guerras do Obama, que são aquelas guerras longas, que envolvem ocupação, que envolvem fazer a transição de governo. Isso aí Donald Trump não está disposto

O objetivo dele é fazer algo muito rápido. Lembrando, na Venezuela foram algumas horas de bombardeio, sequestra, pega ali o Maduro, leva embora e acabou. A partir dali você vai ter uma transição política. Segundo Donald Trump, para além da morte do Ali Khamenei, você vai continuar tendo bombardeios, mas na visão dele isso não deveria ser algo prolongado. Inclusive porque as pesquisas estão mostrando que o eleitor americano não gosta da ideia.

o mundo americano com relação àquelas guerras de 20 anos contra Afeganistão, Iraque e tal. Então isso não é bem recebido. Então me parece que é algo mais curto. Qual imagino eu, a gente está no dia 1º de março, tá gente? Então eu posso estar redondamente enganado, mas qual deve ser a reação iraniana? Tentar mostrar que essa guerra, que o Irã tem capacidade de responder regionalmente. Então atingir aliados. Lembrando que o Irã, ele tem vários grupos que apoiam o Irã em vários países da região.

e que o Irã já teve capacidade, inclusive, de mobilizar combatentes por meio de atos terroristas, por exemplo, em outras regiões. Em várias outras regiões, a gente já teve ataques terroristas, por exemplo, tendo o Irã junto na Argentina, na década de 90, contra a Austrália, em países europeus. Então, essas são algumas armas que podem fazer com que o Irã faça os Estados Unidos sofrerem um pouco. Eu vou sofrer, mas você vai sofrer junto, você vai ter que, em algum momento, negociar comigo.

Estados Unidos poderem encerrar a guerra rapidamente, pode ser, olha, manter o regime, a gente faz uma concessão com relação ao programa nuclear, enfim, então a questão do tempo, agora ela vai ser crucial, porque Donald Trump está doido para fazer o que tem que fazer, avançar mais um pouquinho militarmente, de repente lidar com o programa nuclear, agora que a situação está mais crítica, bombardear, enfim, fazer mais alguns bombardeios específicos, estratégicos, e tentar recuar, vamos ver qual vai ser a reação iraniana, para ver se

vai deixar os Estados Unidos recuarem e se livrar dessa guerra rapidamente.

para concorrer a uma série de outros cargos super importantes. E ele deve comandar o processo de eleição do novo líder supremo, o novo líder supremo que aí seria escolhido em definitivo. Essa correção é importante. Esse cara é o jurista mais sênior do Conselho dos Guardiães. Como eu fiz referência, ele estaria nessa junta. Então ele é interino e aí ele é secundado ali, tanto pelo presidente, que é o Massoud Pezeskian,

o chefe do judiciário, então é bom saber que ele é considerado dessa trinca, ele é considerado o líder supremo interino, que aí, Daniel, isso é importante, é uma figura que quase ninguém conhece, então você vê o tamanho, o peso que você tem quando você tem a morte, uma das figuras mais conhecidas e mais relevantes do Oriente Médio, como era o Ali Khamenei. Daniel Souza, queria agradecer muito todo mundo que está acompanhando essa live aqui com a gente, todo mundo que está ouvindo esse episódio, quando quer que seja, a gente está gravando esse episódio, são exatamente

agora, 9 da manhã, horário de Brasília, do domingo, 1º de março. A gente já tinha gravado no episódio de ontem, a gente quis vir trazer um pouco mais de análise acerca das atualizações que a gente teve no dia de ontem, ao longo do sábado. Certamente a gente vai ter uma série de novas repercussões, de novos avanços, de novas questões que vão acontecer ao longo desse domingo. E a gente já tem um episódio que vai acontecer de forma regular e normal na segunda-feira, 9 da manhã. Então, acompanhe.

estejam com a gente e muito obrigado pela presença de todos vocês.

do nosso projeto. No descritivo desse episódio tem várias alternativas para se tornar apoiador ou então uma apoiadora do Petit Jornal. É isso. Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br