O tarifaço brasileiro - Petit Invest 105
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Neste episódio do Petit Invest, analisamos o aumento das tarifas de importação anunciado pelo governo brasileiro, os setores diretamente afetados e a lógica econômica por trás da decisão. Discutimos se a medida tem caráter arrecadatório, protecionista ou estratégico, e comparamos o movimento brasileiro com o tarifaço implementado por Donald Trump nos Estados Unidos, avaliando diferenças de contexto, escala e impacto macroeconômico.
Também respondemos à pergunta central: há risco de inflação? Explicamos como tarifas podem pressionar preços, alterar cadeias produtivas e influenciar expectativas, além de discutir os possíveis efeitos sobre indústria, consumo e câmbio. Um episódio para entender se estamos diante de uma política de defesa comercial pontual ou de uma inflexão mais ampla na estratégia econômica brasileira.
#Tarifas #EconomiaBrasileira #ComércioExterior #Inflação #PetitInvest
- Tarifas Americanas BrasilAumento das tarifas de importação · Setores afetados (bens de capital, informática, telecomunicações) · Lógica econômica por trás da decisão · Caráter arrecadatório, protecionista ou estratégico · Comparação com tarifaço de Donald Trump · Risco de inflação · Impacto em preços e cadeias produtivas · Efeitos sobre indústria, consumo e câmbio
- Custo de Vida e InflaçãoAumento de custos para o setor produtivo · Repasse de custos para o consumidor · Intensidade do repasse em diferentes setores
Petit Jornal.
Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá gente, bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal.
Esse é o Peti Invest número 105.
Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal.
São exatamente 9 horas e 28 minutos da manhã de sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026.
Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.
Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado.
Tarifado, menos tarifado do que estava até bem pouco tempo atrás, mas segue tarifado.
E temos também um professor Bagdad muito preocupado com a dinâmica internacional.
Temos também o Daniel Souza, que é esse que eu te falo.
Ao longo dos próximos minutos, vamos falar um pouco sobre o ambiente de negócios, a dinâmica de investimentos internacional.
Esse é o Petinvest, espaço para esse tipo de reflexão, toda sexta-feira aqui no Petit Jornal.
Tudo bem, professor Tang?
Vamos a isso?
Tudo bem, Daniel Souza?
Vamos lá para esse Petin Invest número 105, último episódio da semana, a não ser que alguma coisa de errada aconteça por aí, mas a princípio, o último episódio da semana, nessa sexta-feira.
Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente.
Muito obrigado, aliás.
por colocar a gente na sua rotina, um prazer, né?
A gente já tem um podcast há quase 10 anos, a gente completa 10 anos em pouco tempo, então a gente fica sempre muito honrado de saber que a gente faz parte da sua rotina, independente do momento que você nos ouça.
E esse é um episódio, Daniel, que a gente pode se dedicar a falar sobre assuntos mais econômicos e financeiros.
E ultimamente, toda vez que a gente fala sobre tarifa, a gente fala sobre os Estados Unidos, a gente fala sobre Donald Trump e tal.
E chegou a nossa vez, Daniel Souza, vamos falar sobre o tarifaço.
brasileiro.
Aí é sempre importante lembrar que sempre que a gente fala sobre tarifa, a gente fala sobre comércio, a gente fala sobre expectativas econômicas, o que vem pela frente, fala sobre inflação, o impacto é sempre relevante, sempre algo que a gente tem que levar em consideração e tudo isso mexe com o seu bolso, com as suas economias.
Se você quiser garantir, se você estiver vislumbrando que lá no futuro você consiga ter uma aposentadoria
boa, que você consiga maximizar os seus ganhos até lá, consiga ter tranquilidade, é muito importante você ter do seu lado alguém que saiba o que está fazendo.
Quem sabe o que está fazendo é a Rio Claro Investimentos.
A Rio Claro Investimentos é uma gestora completa, ela está do seu lado.
para o que você precisar em termos de finanças, para você poder montar uma boa carteira de investimentos, para você conseguir ter segurança e, principalmente, boas alternativas em momento de turbulência.
Tem um link que está na descrição desse episódio.
Conversa com eles, que eu tenho certeza que, lá na frente, você vai desejar ter começado hoje a fazer um bom planejamento das suas finanças.
Daniel Souza, o que aconteceu?
Me conta.
Pois é, Tagui, ao longo dessa semana nós tivemos um intenso debate no Brasil sobre tarifas, sobre decisão do governo brasileiro de impor tarifas.
Na prática, a decisão afeta bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos para produção, além de bens de informática e telecomunicações.
Mas tivemos uma elevação da tarifa de importação dessas compras no exterior em até 7,2 pontos percentuais.
O Ministério da Fazenda do Brasil explicou, em nota técnica, que essa elevação das tarifas é necessária por conta do forte crescimento das importações de bens de capital e informática, que teve um crescimento acumulado desde 2022 de algo em torno de 33%.
O Ministério da Fazenda também esclareceu que no ano passado as principais origens de importações foram os Estados Unidos com 34%, China com 21%, nós tivemos ali Singapura com 8% e França com também 8%.
A gente está falando de um aumento das tarifas de importação.
obviamente produtos que são produzidos no Brasil não estão sujeitos a elas, de smartphones, reatores nucleares, achei isso no mínimo curioso, caldeiras, geradores de gás de ar, turbinas para embarcações, motores para aviação, bombas para distribuição de combustíveis, fornos industriais, freezers, centrifugadores para laboratórios de análise, máquinas e aparelhos.
para fechar, arrolhar, capsular ou rotular garrafas, empilhadeiras e por aí vai.
Você está falando de uma grande quantidade de máquinas, equipamentos e também de insumos na área de informática.
Deu muita confusão, Tanguy, porque muitos desses setores, você não tem exatamente uma indústria nacional robusta.
Consequentemente, colocar tarifas de importação para proteger esses setores com as想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想想
é algo que parece um pouco fora de propósito dentro do atual contexto.
E uma outra crítica que também foi muito feita é a seguinte, olha, muitos desses equipamentos são utilizados como insumos na indústria brasileira ou são utilizados como insumos no setor de serviços.
E, na prática, você vai encarecer a produção industrial e também a produção de serviços, o que não é algo necessariamente desejável.
Mas, claro, sempre o argumento utilizado pelo governo brasileiro é proteger a indústria nacional e estimular a produção local.
Agora, por quê?
Tem alguma explicação lógica que foi dada?
Porque, de fato, a gente está falando sobre uma tarifação que, na prática, prejudica determinados setores brasileiros e não estimula nenhum.
É uma questão arrecadatória?
Qual é o justificativo para você colocar tarifas especificamente nesses setores, Daniel?
Apesar de não ter sido dito explicitamente, há uma suspeita grande de que existe um objetivo arrecadatório.
O governo brasileiro tem buscado novas formas de arrecadação e, consequentemente, essas tarifas seriam um mecanismo interessante de gerar mais recursos para o caixa do governo.
oficialmente, o argumento é de proteção da indústria nacional.
Então, você está tendo um crescimento muito forte da importação de equipamentos, você está tendo um crescimento muito forte da importação de produtos de informática e, consequentemente, nós precisamos ter uma proteção suplementar através de tarifas mais robustas.
para impedir que a indústria nacional seja engolida por esses produtos importados que acabam entrando por aqui.
A gente pode observar que são produtos que vêm primordialmente dos Estados Unidos.
e da China, o que, aliás, coloca um outro componente delicado.
Quando a gente fala de Estados Unidos, nós estamos diante de uma tentativa de aproximação do presidente Lula em relação ao Trump.
Inclusive, o Lula deve ir a Washington num futuro próximo.
A China é o nosso principal parceiro comercial.
Quer dizer, isso pode sempre gerar algum tipo de emparaço, pode trazer algum tipo de problema.
Mas, de qualquer maneira, me parece frágil da maneira como foi colocado, porque colocar tarifas e pronto é algo que o Brasil já fez muitas vezes.
E os resultados dessas políticas tarifárias no Brasil não foram representativos, salvem-se raríssimas exceções.
Aliás, o Brasil não tem o hábito, inclusive, de adotar métricas para avaliar se determinadas políticas são adequadas ou não, se devem ser continuadas ou descontinuadas.
Agora, a gente está falando sobre um momento, Daniel, em que tarifas se tornaram moeda corrente o tempo todo.
Você tem os Estados Unidos colocando tarifa em todo mundo.
No próprio episódio que a gente gravou, no dia de ontem, no último episódio que a gente gravou, a gente falava sobre Equador e Colômbia trocando tarifas também.
Então colocaram tarifas de 30%, 30%, o Equador aumentou para 50% as tarifas sobre a Colômbia.
O que eu queria saber de você, Daniel, é se essas tarifas que foram colocadas agora pelo governo brasileiro
se elas são um ponto fora da curva na política comercial brasileira.
Porque o Brasil é um país que sempre adotou muita tarifa.
O Brasil é um país que não é um símbolo de abertura econômica.
Dá para dizer que o Brasil está surfando numa onda de protecionismo global ou é mais do mesmo?
O Brasil já colocaria tarifas como essa naturalmente e essa, portanto, é apenas mais uma camada.
É mais do mesmo, Tanguy.
Essa seria mais uma camada.
O Brasil, historicamente, é um país bastante protecionista.
É claro que eu lembro quando houve o tarefaço do Trump, muita gente dizia, mas boa parte dos produtos americanos entram no Brasil com tarefa zero.
É verdade, mas tem muitos produtos que sequer entram no Brasil por conta das nossas tarifas de importação elevadas.
O Brasil tem uma tradição de praticar tarifas de importação relativamente elevadas, em particular para segmentos industriais, para proteção de segmentos industriais.
Agora, é sempre importante destacar que o que o Brasil está fazendo não é semelhante ao que o Trump fez.
As tarifas recíprocas eram tarifas contra países específicos, inclusive com tarifas diferentes para cada país.
Aqui não.
Aqui a gente está falando de tarifas em relação a determinados produtos, independentemente de onde venha esse produto.
seria semelhante ao que o Trump fez no setor de alumínio, no setor de aço, onde você coloca uma determinada tarifa para proteger aquele setor e todo mundo que exporta para o seu país vai pagar aquela tarifa.
Essas tarifas, inclusive, a Suprema Corte não derrubou.
A Suprema Corte dos Estados Unidos mantém essas tarifas.
Não há nenhum tipo de questionamento.
É muito claro que existe essa possibilidade.
O Brasil faz algo semelhante.
O Brasil majora tarifas em relação a setores específicos.
A lista é imensa.
Eu falei aqui apenas alguns produtos, mas se você pegar a lista completa, você vai ver que são muitos produtos que estão incluídos nesse pacote de majoração de tarifas com o objetivo de tentar proteger a indústria nacional e, por tabela, também gerar arrecadação para o governo.
E gera inflação em que nível, Daniel?
Você acha que é um risco de inflação elevado ou pouca coisa?
Há algum risco de inflação?
É um pouco prematuro para dizer exatamente qual é o tamanho do risco de inflação.
Você está falando de majoração aí na casa de 7%, em média e tal.
Essa majoração acaba sendo um pouco diluída ao longo do processo.
Ela pode ser diluída ao longo do processo, mas gera impacto inflacionário, sim.
Parece inegável que algum impacto inflacionário acabe acontecendo.
Aliás, majoração de impostos, de uma forma geral, quando acabam impactando o setor produtivo, tendem a gerar impacto inflacionário.
Se você aumenta a carga tributária, por exemplo, sobre um determinado setor, esse setor está tendo um aumento de custos.
Aliás, aumento de impostos tem exatamente o mesmo efeito do ponto de vista econômico que o aumento de custos.
aumento de custos que acaba sendo repassado para o preço.
É repassado com mais intensidade ou com menos intensidade?
A depender do setor que a gente está falando.
Em setores onde a concorrência é mais agressiva, a margem, o espaço para repasse do aumento de custo é menor.
Em setores onde você tem menos concorrência, a margem para o repasse acaba sendo maior.
Claro que aqui eu estou pegando um entre muitos fatores que podem explicar se o repasse é maior ou menor.
repasse de um aumento de custo causado por uma tarifa.
Então, a tarifa acaba sendo um elemento que tem, sim, a capacidade de gerar um impacto inflacionário, ainda é um pouco prematuro para saber qual o tamanho desse impacto que a gente vai observar.
Então está aí, o Brasil entrando nessa ciranda de tarifas para cá e para lá, mas mais uma vez, como o Daniel disse, não quis ser exatamente um ponto fora da curva no caso brasileiro.
E aí, Daniel, sempre importante lembrar que isso gera, sim, impactos econômicos, isso gera impacto na sua capacidade de juntar dinheiro, de ter economias, e é muito importante, Daniel, você estar bem acompanhado.
A Rio Claro oferece...
tudo o que você precisa para conseguir ter um bom acompanhamento, uma boa gestão da sua carteira de investimentos e sempre com muita segurança e sem aquela coisa, né, Daniel, de tentar empurrar algum tipo de investimento e tal.
Não é isso que remunera a Rio Claro, né?
Aliás, esse é um dos grandes diferenciais da Rio Claro.
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Daniel Souza, vamos desejar aqui um bom final de semana para os nossos ouvintes.
A gente volta na segunda-feira, às 9 da manhã.
Temos a gravação para falar um pouquinho sobre o que aconteceu ao longo do final de semana.
Sempre deixando aquele alerta que se alguma coisa de anormal acontecer ao longo do final de semana, se houver necessidade, a gente volta.
Mas a princípio a gente tem o nosso próximo episódio na segunda-feira, às 9 da manhã.
Daniel Souza, nos vemos.
Um abraço.
Até a próxima.
Valeu.
Tchau, tchau.
Petit Jornal.
Inteligência e irreverência em doses diárias.
Rio Claro Investimentos