Guerra comercial entre Equador e Colômbia - BP 1028
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No centro da agenda hemisférica desta semana está a escalada da guerra comercial entre o Equador e a Colômbia, com Quito elevando tarifas sobre produtos colombianos de 30% para 50% a partir de 1º de março, uma resposta explícita à percepção de falhas de Bogotá no combate ao crime organizado na fronteira de 600 km e ao desequilíbrio comercial crônico, intensificando uma disputa que já levou Bogotá a suspender o fornecimento de energia e aplicar tarifas recíprocas a produtos equatorianos, afetando energia, petróleo e cadeias logísticas na região andina. Enquanto países vizinhos debatem as negociações de condições para retirar barreiras e Washington aparece como potencial mediador, o conflito econômico expressa uma combinação de segurança e interesses políticos entre os presidentes Daniel Noboa e Gustavo Petro, num contexto em que as tensões comerciais são utilizadas como ferramenta de pressão diplomática e segurança regional.
No plano macroeconômico global, o FMI tem feito cobranças públicas aos Estados Unidos sobre a necessidade de consolidação fiscal para reduzir déficits excessivos em conta corrente e saldos orçamentários persistentes, alertando que déficits entre 7% e 8% do PIB e o crescimento contínuo da dívida pública podem representar riscos à estabilidade econômico–financeira além de compartilhar preocupações com a trajetória fiscal da maior economia mundial, mesmo com crescimento considerado resiliente em 2026; na Venezuela, o procurador-geral Tarek William Saab renunciou após quase nove anos no cargo e foi designado para nova função interina, um sinal de mudança institucional no governo chavista; e no front geopolítico europeu a França negou categoricamente alegações russas de que Paris e Londres estariam planejando transferir armas nucleares a Kiev, classificando as acusações como desinformação, enquanto na esfera tecnológica a rivalidade entre OpenAI e Anthropic se intensifica com disputas de mercado e estratégicas no setor de inteligência artificial, refletindo tensões competitivas em um dos segmentos de maior crescimento global neste momento.
#GuerraComercial #EquadorColômbia #FMI #Venezuela #AICompetição
- Conflito Equador-ColômbiaAumento de tarifas · Combate ao crime organizado · Comunidade Andina de Nações · Daniel Noboa · Gustavo Petro
- Disputa entre OpenAI e AnthropicInteligência Artificial · Segurança e alinhamento de valores · OpenAI · Anthropic · Sam Altman · Dario Amodei
- Sanções à Venezuela flexibilizadasRenúncia de Tarek William Saab · Defensor do Povo · Helicoide · Tarek William Saab · Nicolás Maduro
- Conflito Rússia-UcrâniaDesinformação russa · Armas nucleares · Tratado de não proliferação nuclear · França · Reino Unido
- Relatório do FMIConsolidação fiscal · Déficits comerciais e orçamentários · Política monetária · Donald Trump · Jerome Powell
- Forças Armadas e DefesaAbolição de restrições de exportação · Militarização do Japão · Partido Liberal Democrático · Marinha Australiana
Petit Jornal.
Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal.
Esse é o bate-papo número 1028.
Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal.
São exatamente 17 horas e 11 minutos da quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026.
Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.
Tanguy, Obagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado.
mas menos tarifado do que estava até bem pouco tempo atrás.
E também muito preocupado, o professor Bagdadi, muito, muito preocupado com o cenário internacional pantanoso no qual estamos inseridos nesse contexto, baixíssima previsibilidade, muita incerteza.
Isso acaba tirando o sono do professor Tanguy Bagdadi.
E temos também o Daniel Souza, que é esse que vos fala.
Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas.
Como vai, professor Bagdad?
Tudo bem?
Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza?
Vamos lá para esse bate-papo 1028.
Um prazer estar aqui com você, Daniel Souza, nesse cenário pantanoso que encontramos agora.
Deixa aqui as boas-vindas a todo mundo que nos acompanha, Daniel Souza, seja no YouTube, nessa live, de onde sai a gravação, todo mundo que acompanha a gente também pelo podcast, é um prazer ter vocês aqui.
E, Daniel Souza, eu queria começar falando sobre a América Latina.
Um tempo atrás, você chegou a falar que Equador e Colômbia trocaram gentilezas, aumentando...
tarifas de parte a parte para 30%, o que é bastante alto, né?
E hoje tivemos uma novidade.
Você me conta, Daniel, o que aconteceu?
Pois é, Tanguy.
Realmente nós tivemos essa pauta aqui no Petit Jornal não tem tanto tempo.
No início de fevereiro, começaram a vigorar essas tarifas de 30% dos produtos colombianos quando entram no Equador.
Inclusive, a Colômbia retalhou com 30% de tarifas sobre os produtos equatorianos.
E agora, há poucas horas, nós tivemos o anúncio de um agravamento dessa crise entre os dois vizinhos.
O governo do Equador anunciou que as tarifas agora não serão apenas de 30%, serão de 50% a partir de 1º de março de 2026.
O Ministério Equatoriano classificou o novo aumento como uma taxa de segurança.
alegando as falhas colombianas na implementação de medidas eficazes de controle fronteriço.
E, segundo o governo equatoriano, a decisão visa reforçar a corresponsabilidade no combate ao narcotráfico.
É importante lembrar que ambos os países levaram já ao caso a comunidade andina de nações.
bloco econômico do qual fazem parte.
A escalada tarifária tende a prejudicar cadeias produtivas regionais, elevar preços para consumidores, como sempre acontece com tarifas, e, ao mesmo tempo, intensificar tensões diplomáticas.
Lembrando que os dois governos têm alinhamentos ideológicos distintos e isso acaba sendo um ingrediente adicional nessa confusão que envolve os dois países.
O pano de fundo acaba sendo uma deterioração muito forte da segurança pública equatoriana.
O Equador, até 10, 15 anos atrás, era um país relativamente tranquilo.
E o que acabou acontecendo foram que rotas de escoamento do narcotráfico...
passaram a adentrar o Equador e isso levou ali a disputas, a violência e levou realmente a uma degradação muito palpável da qualidade de vida dos equatorianos.
O Equador, inclusive, passou por alguns eventos dramáticos ao longo dos últimos anos envolvendo segurança pública.
Por um lado, é verdade que a Colômbia é parte do problema, afinal, algumas rotas de transporte de drogas passam realmente pelo território colombiano e acabam chegando ao Equador pelo território colombiano, para que depois você tenha ali o escoamento dessa droga através, principalmente do porto de Guayaquil, em direção à América do Norte.
Mas, por outro lado, Tanguy, me parece também um pouco o governo do Equador tentando terceirizar responsabilidades.
Como quem diz, olha, a segurança pública vai mal, mas é culpa da Colômbia, hein?
Pô, não é culpa minha, né?
Eu sou responsável pelo controle da fronteira?
Sou.
Eu sou responsável por enfrentar a insegurança pública doméstica também.
Mas é tudo culpa da Colômbia.
Veja bem, vejam vocês aí como a Colômbia é malvada.
A Colômbia desses esquerdistas aí que ficam, de alguma forma, atrapalhando o funcionamento regional, produzindo cocaína, cocaína que passa aqui pelo território equatoriano para depois seguir em direção à América do Norte.
E é o Donald Trump fazendo escola, porque na prática você está utilizando tarifas com objetivos políticos e objetivos até punitivos.
Você não está se comportando da maneira como eu gostaria, então eu coloco tarifas em você.
É o Equador nesse sentido se posicionando dessa forma, mas acho que tem um pouco esses dois lados.
Mas o impacto econômico é muito evidente, o impacto econômico acaba acontecendo porque tarifas distorcem o comércio, atrapalham.
cadeias produtivas e geram inflação para os consumidores dos países que praticam essas tarifas.
É claro que você tem ali alternativas comerciais para o Equador, alternativas comerciais para a Colômbia, mas de qualquer maneira não deixa de ser algo que constrange o funcionamento da economia, atrapalha a vida dos consumidores dos dois países.
Falando agora sobre, aproveitando que você está falando sobre a América Latina, Daniel, vamos seguir no sentido horário, né?
Falou sobre Equador, Colômbia, vamos falar então sobre Venezuela.
No dia de hoje nós tivemos a renúncia de um dos pilares do governo de Nicolás Maduro, do regime de Nicolás Maduro, Tarek William Saab, Daniel.
Ele era o procurador-geral.
da Venezuela desde o ano de 2017 e era um super aliado histórico de Nicolás Maduro.
A saída dele foi anunciada pelo Jorge Rodrigues, que é o presidente da Assembleia Nacional, que por acaso também é irmão da presidente Delcy Rodrigues.
E aí, Daniel, eu sempre acho importante dar uma contextualizada em quem é Tarek William Saab e por que a renúncia dele é tão importante.
Ele é um cara, Daniel, de ascendência libanesa.
Ele é budista, né?
É sempre curioso.
E é o autodenominado poeta da revolução.
Ele está desde 2017 no Ministério Público.
E quando ele assumiu, inclusive, esse posto, Daniel, ele substituiu a Luísa Ortega Dias.
A Luísa Ortega Dias foi retirada desse cargo porque ela rompeu com o Maduro.
Ele não perdeu tempo, Daniel.
Assim que ele assumiu, ele deu um jeito de condenar, na verdade, de processar e acabou conseguindo levar a condenação da Luísa Ortega Dias, a sua antecessora, à prisão.
Ela fugiu para Colômbia, então ela acabou não sendo presa.
Mas, de qualquer maneira, a gente está falando sobre um dos pilares mais importantes do governo Nicolás Maduro caindo.
Ele foi responsável durante muito tempo, Daniel, na perseguição sistemática a opositores, como, aliás, ele fez com a sua própria antecessora.
Você discorda do governo...
Fica ligado porque o Tarek Saab, o Tarek William Saab, vai atrás de você.
Então, isso é uma preocupação quando a gente fala sobre questões relacionadas a direitos humanos.
E aí, Daniel, temos um problema sério.
O problema sério é que, a partir do momento em que ele sai dessa posição de procurador-geral, havia uma certa expectativa de que, embora a situação dos direitos humanos talvez vá melhorar, de repente pode ser um aceno positivo.
O problema é que ele não saiu completamente da vida pública venezuelana.
O Tarek Saab, Daniel, ele foi realocado para a função de defensor do povo.
Aí você vai ver o que significa o defensor do povo, né, Daniel?
O defensor do povo é um cargo responsável por fiscalizar o cumprimento dos direitos humanos na Venezuela.
Ora, Daniel, esse cara como procurador-geral, ele era conhecido exatamente por perseguir opositores.
Se você é opositor, você vai ser perseguido independente da legitimidade do seu pleito.
Não importa, você vai ser perseguido.
E, de repente, esse cara sai da posição de procurador-geral e aí muita gente respira aliviado.
Pô, temos uma cena e tal.
Mas, ao mesmo tempo, ele vai para uma posição que pode, na verdade, dificultar ainda mais o cumprimento.
dos direitos humanos.
São sinais muito confusos que o governo venezuelano oferece, né, Daniel?
A gente vem falando isso aqui já tem um tempo.
O governo venezuelano tem determinados momentos que acena para um super diálogo com os Estados Unidos.
Aí ele pôs, diz que está cansado dos Estados Unidos mandarem demais.
Aí, em determinado momento, tira o cara que, o procurador-geral...
que tinha uma posição ali de perseguir direitos humanos, de violar direitos humanos, aí coloca o cara para ser exatamente o fiscal dos direitos humanos.
No meio disso tudo, o governo anunciou também, esse anúncio já tinha sido feito, mas foi confirmado recentemente, a transformação do helicoide.
A helicoide, Daniel, é uma prisão que fica no centro de Caracas.
que é acusada de ser um centro de tortura.
Inclusive, acumula ali, além de ser uma prisão, é também a sede da agência de inteligência chavista.
E aí o governo...
Da Delci Rodrigues, anunciou que esse prédio vai ser convertido em centro cultural, espaço esportivo e área comercial e social, e que o local atenderá a família policial e a comunidade.
Então, a Venezuela, Daniel, ela está dando vários sinais que não apontam exatamente no sentido de uma mudança do que era o regime e tampouco no sentido de uma manutenção do que era o regime.
Você tem um negócio meio híbrido.
não sei se é exatamente proposital ou se, me parece que essa talvez seja a minha hipótese, Daniel, aponta também para determinadas contradições que você tem dentro do próprio governo.
Ora, contradições que são naturais a partir do momento que você pensa que é um governo que é um resquício de um governo anterior.
que foi retirado, mas cujo regime mais ou menos se mantém.
Delcey Rodrigues era vice-presidente do Nicolás Maduro.
Nicolás Maduro não é mais presidente, ela fica dialogando com os Estados Unidos.
Então a Venezuela se encontra num período de transição, mas é uma transição que se dá num caminho ainda meio errático, Daniel.
Está avançando para que lado?
É uma manutenção do regime?
É um desmoronamento do regime?
A gente vai ter que acompanhar para saber exatamente...
o que vai acontecer.
Agora, no meio disso tudo, Daniel, se você está querendo saber mais, conhecer mais, a gente tem uma outra recomendação na área da tecnologia, que é a Alura.
Daniel Souza, entrei no site da Alura hoje utilizando o link que está na descrição do episódio.
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Tengue, avançando para a próxima pauta, eu sou de um tempo em que o FMI soltava relatórios esculhambando países emergentes, dizendo que estavam fazendo tudo errado, que ia acabar mal, meu Deus do céu, não façam isso, essa política econômica está errada.
Eis que, de repente, não mais que, de repente, o FMI traz considerações...
sobre os Estados Unidos.
É o processo de latino-americanização dos Estados Unidos que segue imparável, professor Bagdadi.
E o FMI traz aqui muitas recomendações para o governo do presidente Donald Trump.
Em relatório divulgado nessa quarta-feira, o FMI sugeriu aos Estados Unidos, tome nota, substituir tarifas de importação por um imposto sobre consumo baseado no destino.
e adotar um sistema de migração baseado em habilidades.
Segundo o FMI, essa abordagem ajudaria a evitar desequilíbrios externos, ou pelo menos reduzir esses desequilíbrios externos, e também evitar efeitos colaterais negativos associados às...
tarifas.
O FMI lembra que tarifas têm efeito negativo sobre a oferta de produtos que contribuem para a inflação de bens e que o índice de inflação nos Estados Unidos fica mais alto por conta das tarifas que foram adotadas por Donald Trump.
Tem mais, o FMI destaca que a colocação de tarifas por parte do governo Trump deve diminuir modestamente o déficit comercial dos Estados Unidos.
Ou seja, o ônus seria muito superior ao bônus nesse caso.
E a gente está falando de um relatório que foi produzido antes do revés que aconteceu na Suprema Corte dos Estados Unidos, que acabou derrubando as tarifas recíprocas.
O FMI também falou da situação fiscal nos Estados Unidos.
Veja você, situação fiscal nos Estados Unidos.
Segundo o FMI, o déficit público americano, da maneira como está, deve permanecer entre 7% e 8% do PIB.
Não existe aí uma clara trajetória de queda do déficit dos Estados Unidos.
Existe uma trajetória de aumento do déficit dos Estados Unidos.
Com isso, a dívida pública do país poderia atingir 140% do PIB até 2031, o que seria algo muito preocupante.
O FMI, veja você, propõe medidas de consolidação fiscal.
Consolidação fiscal é o eufemismo para ajuste fiscal, para cortar gastos, aumentar impostos e reequilibrar as contas.
Então, os Estados Unidos estão com uma trajetória fiscal insustentável, na opinião do FMI.
E teve mais.
O FMI avaliou que o Federal Reserve agiu corretamente.
ao afrouxar a política monetária de maneira lenta, de maneira gradual, como tem acontecido.
E, consequentemente, fez vários elogios à gestão de Jerome Powell como presidente do Fed.
A bem da verdade, Tanguy, olhando para essas considerações do relatório, me parece que o Fundo Monetário Internacional segue onde sempre esteve.
Quem mudou de lugar foi os Estados Unidos.
O FMI segue aqui criticando tarifas de importação, o FMI segue defendendo disciplina fiscal, equilíbrio das contas públicas.
e ali uma certa responsabilidade para que o endividamento não saia do controle.
O FMI continua defendendo um banco central que atue de maneira independente e possa, através da política monetária, controlar a pressão inflacionária.
Quem está diferente não é o FMI.
Quem está diferente é os Estados Unidos de Donald Trump, que deu aí um cavalo de pau, que não está se preocupando com questões relacionadas ao fiscal.
Você está tendo aí, inclusive, um aumento importante do endividamento.
Teve a Big Beautiful Bill.
que na prática aumenta o déficit americano e a dívida dos Estados Unidos ao longo dos próximos anos.
A gente chegou a falar sobre isso aqui no Petit Jornal.
Um governo americano que ataca o Fed, que vai contra a autonomia do Fed.
Tudo isso junto e somado me parece algo importante, mas é o FMI que está onde sempre esteve.
Quem mudou de lugar foi o governo dos Estados Unidos.
Perfeito.
Daniel, eu queria falar um pouquinho sobre a Europa, porque essa semana agora a gente teve uma tentativa de, na União Europeia, aprovar duas coisas.
Novas sanções contra a Rússia e um empréstimo de 90 milhões de euros para a Ucrânia.
Então eram duas maneiras de tentar ajudar a Ucrânia, pressionar a Rússia e ajudar a Ucrânia.
Só que essas duas medidas não passaram pelo fato de que dois governos de países da União Europeia votaram contra e justificaram o voto contrário, que foram a Hungria, de Viktor Orbán, e a Eslováquia, do premier Robert Fico.
O argumento dos dois, Daniel, em primeiro lugar, foi que, olha, a gente não tem motivos para sancionar mais a Rússia, sanções a Rússia já foram colocadas, desse mato não sai mais coelho, né?
Então, o que tinha que sancionar já foi sancionado e nós somos contra novas ajudas à Ucrânia.
O motivo que é estabelecido por eles, Daniel, é que, segundo eles,
a Ucrânia parou de fornecer, na verdade, interrompeu o fluxo de petróleo que tradicionalmente sai da Rússia em direção à Hungria e à Eslováquia por motivos políticos.
O problema, Daniel, é que a Ucrânia diz que não é por motivos políticos.
Segundo a Ucrânia, a interrupção no fornecimento de petróleo se deu por conta de um dano ao principal oleoduto, que é o oleoduto Druzba, aliás, é um oleoduto da época da União Soviética, lá da década de 1960, foi danificado, teria sido danificado, por um ataque russo.
Então a Ucrânia diz, olha, vocês não estão recebendo petróleo da Rússia aí por culpa da própria Rússia.
Você vê lá com a Rússia porque ela atacou aí o oleoduto, danificou, e o óleo, portanto, o petróleo não passa mais.
O problema é que tanto a Hungria quanto a Eslováquia estão subindo o tom e dizendo a gente sabe que não foi por conta de uma questão técnica.
A gente sabe que é por conta de uma questão política.
E aí Daniel Victor Orbán, ontem, ele veio a público para dizer que acha que a Ucrânia está fazendo de tudo para levar a um colapso da estrutura energética da Hungria, que inclusive estaria movimentando tropas para proteger instalações críticas da Hungria.
Já achei grave isso aqui, né?
Você tem aí a Ucrânia e um membro da União Europeia, a relação nunca foi boa, mas subindo bastante o tom com a Hungria, inclusive falando da movimentação de tropas.
Hoje, a gente teve a Hungria, mais uma vez, pedindo uma comissão independente para ir lá na Ucrânia para verificar o oleoduto.
Daniel, a impressão que eu tenho...
é que o Victor Orbán já tem a informação de que o oleoduto pode transmitir, pode passar o petróleo tranquilamente.
Porque ele está apostando muito alto.
O que ele está dizendo é, gente, União Europeia, União Europeia, vocês não acreditam em mim?
Faz uma comissão.
Vamos lá ver o oleoduto.
Cadê o dano no oleoduto?
Eu quero ver o dano no oleoduto.
Se tiver dano no oleoduto, eu recuo.
E beleza, a gente aprova aí o que a Ucrânia está pedindo.
Mas eu sei que não tem dano nesse oleoduto, ou seja, a Ucrânia está boicotando a Hungria e a Eslováquia, e dessa maneira a gente não vai aprovar nem empréstimo, nem novas sanções contra a Rússia.
De novo, Daniel, não é uma surpresa que você tenha um atrito entre Hungria e Ucrânia.
Isso já vem há algum tempo.
Mas você tem a Hungria e a Eslováquia subindo mais ainda o tom do que você tinha há pouco tempo atrás, o que torna a vida da Ucrânia ainda mais complicada.
Afinal de contas, nem empréstimo eles estão conseguindo junto à União Europeia.
Vamos acompanhar, mas o fato é que, de fato, o Orbán e o Robert Fico também, da Eslováquia,
um amigo do peito do Putin.
É tudo que o Putin poderia querer, Daniel.
Tengui, registro rapidamente que o partido governista do Japão, o sempre ele, o Partido Liberal Democrático, aprovou recomendação para abolir...
Restrições que hoje limitam as exportações de equipamentos de defesa a cinco categorias não letais.
Ou seja, hoje o Japão só pode exportar equipamentos não letais e o Partido Liberal Democrático quer remover essa limitação.
A proposta, inclusive, será discutida com o parceiro da coalizão.
que é o Partido da Inovação do Japão, antes de ser apresentada formalmente para submissão ao parlamento.
E tudo sugere que esse é um desejo, inclusive, da primeira-ministra do Japão.
Atualmente, o Japão só pode portar equipamentos de defesa para finalidades.
Não letais, equipamentos de transporte, resgate, alerta e vigilância.
Por exemplo, as exportações de equipamentos letais seriam permitidas apenas a países com acordos com o Japão.
Você já tem, inclusive, vários países interessados em comprar equipamentos japoneses.
A Marinha Australiana tem interesse na fragata classe Mogami, da Mitsubishi.
Você tem conversas avançadas com Filipinas sobre destroyers usados.
A Nova Zelândia também está interessada em navios.
E a Indonésia avalia a compra de submarinos japoneses.
Na prática, então, a gente está falando de um Japão que imagina que pode se militarizar.
E, obviamente, quando você começa a exportar armamentos letais, isso dá escala para a sua produção de armamentos, reduz custos e aumenta a sua eficiência, além de gerar caixa, para que você possa produzir ainda mais armamentos e se militarizar.
Ainda mais.
É um passo adicional nesse Japão que abandona o pacifismo e caminha na direção de uma militarização em função de um contexto geopolítico mais delicado.
E também observa aí na indústria armamentista um ótimo filão econômico, uma ótima oportunidade de gerar receita e de ganhar dinheiro.
Daniel, eu queria trazer uma outra pauta que talvez as pessoas já tenham começado a ver em alguns lugares, alguns veículos de imprensa, redes sociais, isso tem começado a aparecer, que é basicamente a Rússia, que está espalhando por aí, que Reino Unido e França estariam planejando entregar uma arma nuclear para a Ucrânia.
Então, segundo a Rússia, o plano dos britânicos e dos franceses seria garantir que a Ucrânia tivesse condições melhores de negociação caso possuísse uma bomba nuclear.
Então está ali negociando a questão do Luhansk, Donetsk, território, sem safogo, e que, segundo a Rússia, Reino Unido e França acreditam que, olha, se a Ucrânia tiver uma bomba nuclear, a negociação muda de patamar.
Seja uma bomba nuclear especificamente, um explosivo nuclear, ou seja pelo menos uma bomba suja.
Bomba suja é aquela que não é que vai explodir, mas ela solta radiação, ela pode gerar, portanto, danos à saúde pública, inclusive a militares, a soldados russos em alguma situação assim.
Segundo a França, e a França veio a público hoje, isso é uma notícia absolutamente infundada e que seria, portanto, algo que estaria sendo plantado pela inteligência externa russa, a agência SVR, e que seria, portanto, desinformação.
Então, Moscou, segundo a França, Moscou recorre...
frequentemente é esse expediente de ir espalhando informações por aí, você solta informações em determinadas bolhas e deixa a coisa se espalhar e tudo, mas, segundo a nota francesa, a França cumpre rigorosamente seus compromissos internacionais, especialmente aqueles ligados ao tratado de não proliferação de armas nucleares.
deixando claro também que Dona França está saindo de santa nessa daí, mas também é um país que tem ogivas nucleares, que não se desarma, que não fala em desarmamento, que não dá força para qualquer discussão nesse sentido.
Mas que a maneira que eu achei importante trazer, Daniel, porque já começou a chegar em mim, assim, Twitter, você começa a ver algumas pessoas falando, pô, a Ucrânia, de repente, vai ter bombas nucleares, britânicos e franceses vão ceder.
Então, segundo a França, isso é desinformação da Rússia e seria, portanto, uma informação falsa, Daniel.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shaquille de hoje?
Vamos embora, Daniel.
O que você traz hoje?
Hoje eu trago rinha de executivos de inteligência artificial.
Nós tivemos um evento há poucos dias na Índia, um Narendra Modi organizando ali.
debates sobre inteligência artificial.
O presidente Lula até foi convidado, esteve presente.
Eis que, num determinado momento, o premier indiano resolveu ali pegar os camaradas da inteligência artificial e dar as mãos.
Vamos levantar as mãos, mostrando união, mostrando como é importante.
Eis que o Sam Altman, que é o CEO da OpenAI do Chate-EPT, estava ao lado do Dário Amodei, da Antropic.
E eles são, como direi, arquinimigos.
E aí, rapaz, todo mundo dando a mão ali?
Vamos lá, vamos dar as mãos aqui, gente.
União, os dois...
Não, não vou dar a mão, não.
Que isso?
Não vou dar coisa nenhuma para esse meu arqui-inimigo.
Lembrando que o senhor Amodei, ele foi vice-presidente e senior research leader da OpenAI antes de pedir demissão em 2021 para fundar a Antropic.
O que acaba acontecendo é que eles têm visões...
muito diferentes sobre o futuro da inteligência artificial.
Recentemente, inclusive, você teve uma propaganda no Super Bowl, uma propaganda da Antropic, dizendo o seguinte, propagandas estão a caminho na inteligência artificial.
mas não para o Cloud.
O Cloud é justamente o chatbot ali da Antropic e é o rival da OpenAI.
A referência, a provocação é que a OpenAI está cogitando colocar propaganda no seu chatbot como forma de aumentar a sua rentabilidade.
Na prática, a OpenAI foi fundada com a missão de desenvolver inteligência artificial para beneficiar a humanidade, etc.
Mas as coisas têm mudado.
Você tem aí um CEO que acredita num crescimento agressivo e comercialização rápida.
Já o Dário, da sua rival, ele tem muito mais preocupação com segurança e alinhamento a valores.
Aliás, muita gente diz que essa foi a principal motivação dele deixar a OpenAI, porque a OpenAI estaria abandonando os seus valores originais e estaria caminhando para uma postura muito mais agressiva.
E ele tem aí um discurso mais cauteloso sobre o impacto da inteligência artificial.
Tudo papinho também, né, Daniel Souza?
Os caras de inteligência artificial aí, umas big tech.
Ah, não, porque eu faço uma big tech mais responsável, mais sei lá o que.
Enfim, Daniel Souza, a Antropic.
me engano também não, tá, Antropik.
Lançou o Clodi aí, agora, porra, é bonzinho, agora é bonzinho, Daniel.
Enfim, mas rinha desse pessoal aí, Daniel, sempre diverte.
Então, é, queiramos mais, Daniel Souza.
Queira mais, pode continuar, porque pelo menos gera pauta aqui pra Gelera Shakira.
Não esteja faltando pauta na Gelera Shakira, né?
Tem sobrado, aliás, mas sempre bom saber.
Daniel Souza, dessa maneira a gente encerra o nosso episódio.
Muito obrigado a todos que nos ouvem, todos que nos acompanham.
Tem sido um prazer.
Muita gente, aliás, encontra na rua.
Deu uma palestra hoje, Daniel, lá na Petrobras.
Muita gente falando que ouve o Petit Jornal, que curte e tal.
Então fica um abração para todo mundo.
Aliás, se você quer palestra do Petit Jornal, fala com a gente também.
Tem um e-mail que está na descrição desse episódio.
Vai ser um prazer a gente conversar sobre a possibilidade de te ajudar, ajudar na sua empresa a ter uma visão acerca desse mundo, da maneira como vem mudando.
E se você quer outro conteúdo do Petit Jornal, acessa também a descrição desse episódio.
Tem lá o link, peticursos.com.br.
A gente vai oferecer um curso que vai começar na semana que vem sobre o esfacelamento da liderança americana.
Os Estados Unidos estão passando por um momento no qual ainda são líderes internacionais, não há dúvida disso, mas é uma liderança que...
já dá demonstrações de fraqueza.
E esse é apenas um dos muitos e muitos cursos que você passa a ter acesso, se você acessar lá em peticursos.com.br.
Tenho certeza que muitos dos cursos que estão lá vão te interessar.
Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Peti Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto.
O Peti, que é uma mídia artesanal, não tem o suporte de um grande conglomerado de mídia, nem de uma grande produtora, por isso a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de tanta importância.
e por isso registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.
Fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.
No descritivo desse episódio tem várias alternativas.
Tem a chave Pix, que é uma maneira prática, instantânea, de apoiar o petijornal, dá inclusive para ativar o Pix recorrente.
Chave Pix no descritivo desse episódio.
Temos também o link para o Boias, o link para o Patreon.
Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza.
Amanhã, às 9 da manhã, a gente tem a gravação do Petit Invest.
E bate-papo, a gente volta na próxima segunda-feira, às 9 da manhã.
Nos vemos.
Um abraço.
Até a próxima.
Valeu.
Tchau, tchau.
Petit Jornal.
Inteligência e irreverência em doses diárias.
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