Confronto no mar de Cuba - BP 1027
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No episódio de hoje, analisamos o confronto envolvendo uma lancha registrada na Flórida na costa cubana, episódio que eleva a tensão no Caribe e reacende debates sobre segurança marítima, soberania e relações entre Estados Unidos e Cuba. Comentamos também os principais pontos econômicos do discurso recente de Donald Trump, com destaque para comércio exterior, indústria, tarifas e política monetária, e os sinais enviados ao mercado e ao eleitorado.
O programa aborda ainda a tentativa do premiê alemão de reaproximação com a China, a advertência da Comissão Europeia sobre a possível disparada da dívida pública da Polônia e o referendo que a Islândia realizará para decidir sobre a retomada das negociações de adesão à União Europeia. Também analisamos a visita de Narendra Modi a Israel e seus significados estratégicos.
Na Geleia da Shakira, encerramos com a declaração de Pete Hegseth de que pretende pedir pizzas aleatórias para bagunçar o chamado Pizza Index, em mais um episódio que mistura política e humor.
#Cuba #EUA #Europa #China #Geopolítica
- Crise Humanitária de Crianças em CubaLancha registrada na Flórida · Guarda costeira cubana · Tensão EUA-Cuba · Carlos Jiménez · Marco Rubio · Donald Trump
- Discurso de TrumpEconomia americana · Comércio exterior · Indústria · Tarifas · Política monetária · Mercado de trabalho · Inflação · Migração
- A jornada de Jacó e a transformação em IsraelInteligência artificial · Cooperação em defesa · Benjamin Netanyahu · Knesset · Índia · Israel
- Dívida PúblicaComissão Europeia · Ajustes fiscais · Reformas estruturais · Despesas com defesa
- Referendo da IslândiaUnião Europeia · Negociações de adesão · Brexit
- Pizza IndexDesinformação · Contra-espionagem · Pete Hegseth
Petit Jornal.
Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente!
Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal.
Esse é o Bate-Papo número 1027.
Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Jornal.
São exatamente 19 horas e 25 minutos da quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026.
Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.
Tanguy, Obagdadi.
Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retomante, descansado e tarifado.
Menos do que há poucos dias, mas ainda atarifado, o professor Bagdadi, e muito preocupado com essa dinâmica internacional de muita incerteza, muitos perigos.
Um cenário internacional muito pantanoso.
Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala ao longo dos próximos minutos.
Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas.
Como vai, professor Bagdadi?
Tudo bem?
Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza?
Vamos lá para esse bate-papo 1007, essa gravação, acho que foi o quinto take, né?
Foi só quando a gente conseguiu finalmente emendar a gravação aí.
Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está junto com a gente, sejam todos muito bem-vindos para a gente acompanhar tudo o que vem acontecendo no mundo ao nosso redor hoje nessa quinta-feira, dia 25, quarta-feira, aliás, dia 25 de fevereiro.
Daniel, eu quero começar com uma pauta.
de uma notícia que saiu há pouquíssimos minutos.
Na verdade, tem menos de uma hora que essa informação saiu.
E eu confesso que eu não sei ainda qual é a repercussão que isso pode trazer, principalmente por envolver Estados Unidos e Cuba.
Segundo o governo cubano...
Uma lancha, um navio, um barco rápido, da maneira como eles colocaram, se aproximou da costa cubana.
Isso aconteceu há algumas poucas horas e foi noticiado há alguns poucos minutos.
Entrou nas suas águas territoriais, se aproximou da costa de Cuba e acabou sendo abordado pela guarda costeira cubana.
Segundo o governo cubano, no momento em que isso aconteceu, pessoas que estavam nesse barco, que estava registrado no estado da Flórida, nos Estados Unidos, abriu fogo contra agentes da guarda costeira cubana.
O que acabou levando a um confronto.
A guarda costeira reagiu, abriu fogo também contra essa embarcação registrada na Flórida e matou quatro pessoas e deixou seis feridos.
Então, inclusive, um integrante da Guarda Costeira, um comandante cubano, também foi ferido.
Os feridos foram hospitalizados e o governo divulgou o número de registro da lancha na Flórida, para meio que provar, olha, a lancha era essa e o registro era esse.
para a gente saber exatamente o que aconteceu.
Esse é o objetivo do governo cubano.
Inclusive, a versão cubana foi lida em todos os telejornais, em rádio, em Cuba e tudo, para deixar bastante claro qual é a posição cubana.
O funcionário americano, funcionário que se manifestou, dos Estados Unidos que se manifestou, disse que, a princípio, essa embarcação poderia fazer parte de alguns barcos que vêm fazendo esse tipo de ação, que é de chegar perto de Cuba.
pegar pessoas para levar para os Estados Unidos.
Seria uma travessia ilegal que tenta contornar ali a guarda costeira cubana, o que dá a entender, portanto, que isso vem acontecendo com uma certa frequência e que, nesse caso, agora, acabou sendo interceptado.
deu-se o problema e quatro pessoas morreram.
Agora, me parece que existe a possibilidade de sublevantar algumas tensões adicionais nessa relação já complicada entre Estados Unidos e Cuba.
Os Estados Unidos, recentemente, cortaram o envio, o fornecimento.
de petróleo da Venezuela para Cuba.
Eu sei que é estranho falar isso, né?
Mas agora os Estados Unidos é que controlam a comercialização de petróleo venezuelano.
Então, para Cuba, não vai mais.
O México estava disposto a oferecer.
Os Estados Unidos pressionaram.
O México também recuou.
E recentemente quem disse que poderia ajudar Cuba seria a Rússia, o que também não ficou muito claro se vai acontecer, quando é que vai acontecer.
O fato é que, de fato, Cuba vem passando por uma dificuldade econômica muito severa, energética muito severa por conta disso.
E um caso como esse, Daniel, tende a mexer muito com a comunidade cubana.
nos Estados Unidos.
Tanto é que um congressista republicano da Flórida, o Carlos Jiménez, então ele está lá, é um parlamentar dos Estados Unidos, exigiu uma investigação imediata para determinar se havia cidadãos ou residentes nos Estados Unidos entre as vítimas e as circunstâncias exatas do episódio.
Houve quem falasse nos Estados Unidos na necessidade de se investigar um massacre contra possíveis cidadãos.
americanos.
A gente sabe, Daniel, que um caso como esse, muitas vezes ele pode levar uma escalada.
Você pode ter o governo americano pedindo explicações, pedindo uma retratação, pedindo algum tipo de movimento por parte de Cuba.
Cuba, nesse momento, dada a pressão pela qual está passando, pode não responder ou tende a não responder da maneira como os Estados Unidos gostariam e sabe-se lá o que pode acontecer.
Só lembrando que Cuba atacou uma lancha que se aproximou do seu território que se aproximou do seu território.
Está se aproximando do seu território.
Está se aproximando do seu território que se aproximou do seu território.
Está se aproximando do seu território.
O exército americano, no entanto, desde o ano passado, já realizou 44 ataques semelhantes também contra lanchas que nem estavam tão perto assim do território norte-americano, basicamente na costa da América do Sul, que resultaram em 150 mortes.
A gente sabe que isso, no entanto, não deve atenuar exatamente essa tensão.
Vamos ver, Daniel.
A gente vai ter que esperar mais informações, quem é que estava nessa lancha, quais são as condições e tudo, e saber principalmente se isso vai se tornar um tema de Donald Trump e Marco Rubio.
Marco Rubio, que lembrando, tem ascendência cubana.
Então isso pode ser um tema que ele traga para si, que aumente a pressão.
E a impressão que eu tenho, Daniel, não sei se você concorda comigo, é que o governo dos Estados Unidos está só esperando uma brecha, uma oportunidade, tudo para agir ainda mais contra Cuba.
Me parece que é um sonho do Trump de conseguir resolver a questão cubana.
Há muito tempo que os Estados Unidos colocam...
embargos, sanções, isolamento e tal, mas o governo revolucionário continua lá.
Trump gostaria de ser aquele que coloca fim a esse regime, já fez isso na Venezuela, já prendeu lá Nicolás Maduro, a possibilidade de fazer algo parecido em Cuba me parece muito sedutora para Donald Trump.
Estou pensando aqui se um caso como esse não pode ser um gatilho que pode levar a uma sequência de fatos que leve a essa possibilidade, Daniel.
É uma possibilidade, sem dúvida, Tanguy, até porque o Trump está tentando colocar ali na biografia dele o equacionamento dessas questões antigas nas quais os Estados Unidos se envolveram.
Você tem a questão de Cuba, você tem a questão do Irã, você tem a questão do...
da Venezuela, e você também tem a própria questão da Groenlandia numa tentativa de ter ali um novo Alasca, uma nova expansão territorial relevante, o que colocaria o Donald Trump na história dos Estados Unidos com um destaque muito maior.
Sem dúvida, quando a gente pensa em Cuba, fica a impressão...
de que falta só um pretexto para uma intervenção um pouco mais forte ou para algo que possa realmente levar a uma mudança de regime, uma tentativa de mudança de regime.
Não aconteceu até agora porque...
Talvez não exista ali uma oposição minimamente organizada dentro do território cubano.
A oposição cubana é basicamente no exterior.
E isso torna difícil realmente a substituição de um regime tão bem postado que durante tantas décadas aprendeu a se defender.
Tanguy, na próxima pauta, avançamos para a visita.
do premier alemão, do chanceler alemão, o Mertz, para a China.
Ele, inclusive, teve ali um encontro com a sua contraparte chinesa, o Xi Jinping.
Nós estamos falando de uma tentativa da Alemanha em se reaproximar da China.
Afinal, você tem ali uma série de objetivos por parte dos alemães em manter as suas exportações elevadas e, claro, o mercado chinês é absolutamente incontornável, ainda mais dentro de um contexto onde os Estados Unidos aumentam tarifas para produtos alemães.
O Merckx quer manter acesso ao vasto mercado consumidor chinês, quer reduzir riscos nas cadeias de suprimento das quais a China faz parte, quer evitar a dependência excessiva de outros mercados, como o caso do mercado americano, que ainda é o principal mercado para os produtos alemães, e quer proteger também a sua competitividade industrial.
Do outro lado, a China busca se apresentar como uma parceira comercial confiável.
diante das instabilidades globais e diante do comportamento tarifário do Donald Trump.
E, uma vez mais, nós tivemos ali o Li Qiang defendendo o multilateralismo e o livre comércio, o que é sempre uma loucura, né?
O primeiro-ministro chinês, o Li Qiang, é o grande defensor do livre comércio hoje.
no planeta Terra.
O movimento pode sempre influenciar, claro, as relações entre a União Europeia e China ao longo desse ano.
A bem da verdade, você não teve ali decisões muito concretas.
Os acordos que foram formalizados envolvem mudanças climáticas, prevenção de doenças animais, produtos avícolas, cooperação esportiva, quer dizer, nada de muito substantivo.
Foi muito mais uma tentativa de reaproximação do que qualquer outra coisa.
A Alemanha tem um déficit comercial importante com os chineses, foram 90 bilhões de euros em 2025.
A Alemanha foi com uma forte delegação empresarial, você teve mais de 30 empresas alemãs junto com o MET.
As montadoras acabaram sendo o grande destaque, Volkswagen, BMW, que têm perdido muito mercado na China.
Aliás, quando a gente olha para a posição dessas montadoras globalmente, elas estão perdendo muito mercado na China, o que fragiliza a posição global delas em função do fortíssimo crescimento do mercado chinês.
A China encomendou 120 aeronaves da Airbus, segundo o METS, etc., mas fora isso...
Nós tivemos apenas protocolos em áreas correlatas e não exatamente áreas que podem trazer uma profunda mudança no que diz respeito na dinâmica comercial entre China e Alemanha, mas é uma tentativa de aproximação.
A Alemanha quer diversificar, quer depender menos dos Estados Unidos.
Olha lá o Trump, uma vez mais, estimulando as pessoas a baterem a porta de Pequim.
E os chineses também, claro, o mercado alemão é super importante, ter boas relações com a Europa é algo que interessa a China.
E só um dado aqui que foi levantado muito por conta dessa visita.
A China foi a principal parceira comercial da Alemanha entre 2016 e 2023.
Todos os anos.
Todos os anos entre 2016 e 2023, sempre a China foi a maior parceira comercial da Alemanha.
Em 2024, os Estados Unidos ultrapassaram a China.
E aí vem Donald Trump, coloca um monte de tarifa, azeda a relação, e no ano de 2025, portanto, a China retoma o posto.
Então a China voltou a ser a maior parceira comercial da Alemanha.
Essa foi a primeira visita do Mertz, aliás, à China.
A gente sabe como é que, desde que ele se tornou primeiro-ministro, naturalmente, a gente sabe como é que a Alemanha, assim como outros países da Europa Ocidental,
vinham tendo um certo nojinho com relação à China, não querer se aproximar, uma preocupação com relação à espionagem, algumas críticas à China, direitos humanos e tal.
Mas na hora que o bicho pega, você vai ter o Mertz lá visitando o Xi Jinping.
Ele vai lá fazer um monte de crítica também.
Ele vai lá dizer que a moeda chinesa é subvalorizada, desvalorizada artificialmente, que tem muitos subsídios industriais, que tem excesso de capacidade produtiva chinesa.
que o déficit alemão com relação à China, como você falou, Daniel, é muito grande, mas ainda assim, com todos esses problemas, está lá a Alemanha batendo na porta da China, querendo estabelecer relações mais intensas.
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Agora, Tanguy, avançando aqui para a próxima pauta, eu queria falar um pouco sobre o discurso do Donald Trump.
Nós tivemos aí o discurso da União, que o Donald Trump fez no Congresso dos Estados Unidos, do Estado e da União, e nós tivemos um Donald Trump que falou para caramba de economia, o que mostra até uma certa tentativa dele de recuperar a perda de popularidade que a economia vem causando.
E o Donald Trump tem uma visão muito particular, digamos assim, de enxergar os acontecimentos do seu governo.
Por exemplo, ele destaca que a economia americana está numa recuperação rápida depois de uma pesada crise herdada.
que é sempre algo um pouco discutível se a economia americana está nessa recuperação tão veloz ou se a crise herdada por ele era tão grave e assim.
Ele também falou da queda da inflação, quando a gente sabe que o Fed está tendo muita dificuldade de levar a inflação para a meta de 2% e houve aí uma pressão sobre a inflação causada pelas tarifas.
Temos aí o mercado de trabalho no nível mais alto da história, ele também destacou isso, que é verdade, mas não é algo que acontece só nos Estados Unidos.
A gente tem tido aí mundialmente, o próprio Brasil é um exemplo disso, esse cenário de mercado de trabalho bastante aquecido, mas aquecido com uma taxa de desemprego baixa, aquecido com muita precarização em alguns casos.
aquecido com perda de poder de compra em relação à inflação em muitos casos também.
Então, não é, às vezes, tão simples como Donald Trump coloca.
Ele também destacou o mercado de ações bombando.
O mercado de ações está bombando muito puxado pela questão da inteligência artificial.
Então, se você tira a inteligência artificial do mercado de ações dos Estados Unidos, o resultado é muito diferente.
Ele também destacou a questão da forte entrada de investimentos estrangeiros.
Você tem tido entrada de investimentos estrangeiros nos Estados Unidos, sempre teve.
O que ele está fazendo referência aqui são os acordos que ele celebrou, forçando alguns parceiros a ampliar esses investimentos.
Ele falou do maior corte de impostos da história por conta da Big Beautiful Bill, porque você passou a ter isenção de tributos sobre gorjetas, horas extras.
e assim por diante.
Ele também falou sobre expansão do crédito para algumas situações específicas que têm acontecido.
E aí entrou nas tarifas, defendeu as tarifas, porque essas tarifas podem substituir parcialmente o imposto de renda.
Falou da arrecadação de centenas de bilhões.
com essas tarifas, as tarifas como instrumento econômico, instrumento de desenvolvimento.
Falou também do aumento da produção de petróleo, aumento de 600 mil barris por dia na produção de petróleo nos Estados Unidos.
A política de baby drill... E... E... E...
Drill, Babe Drill, que o Donald Trump sempre defendeu.
Falou também ali do petróleo venezuelano, falou da construção de data centers, de inteligência artificial, e por aí foi.
Falou também na queda das taxas hipotecárias.
Aqui eu achei interessante, porque caiu a taxa de juros sobre as hipotecas imobiliárias.
Mas é óbvio, o Fed reduziu a taxa de juros, não no ritmo que o Trump criticou.
Mas isso me parece uma consequência direta justamente dessa redução de juros que aconteceu, embora tenha sido interrompida, num passado recente.
Você também teve ali críticas ao Obamacare, você teve ali também defesa da desregulamentação destruidora de empregos que ele tem feito durante o seu governo.
Enfim, ele perpassou ali fazendo quase que...
uma prestação de contas à sociedade dos Estados Unidos, e sempre com muitos adjetivos, sempre argumentando que é o melhor da história, o melhor do mundo, o melhor de todos os tempos, Donald Trump sendo Donald Trump nesse discurso do Estado e da União, discurso, inclusive, que foi marcado ali com algumas polêmicas e por algumas confusões até junto aos presentes, né, Taguê?
Pois é, aliás, ele comprou briga com os democratas até no Podemais, disse que os democratas estão destruindo o país e tal, destruíram o país e que agora ele está tendo o trabalho de reconstruir.
Em termos de política externa, Daniel, que é um tema tão presente no governo dele, por incrível que pareça, ele falou muito pouco.
Ele não mencionou, por exemplo, a Groenlândia.
Ele não falou do Canal do Panamá.
Ele não falou da China.
Ele fez uma menção muito rápida à guerra entre Rússia e Ucrânia, mas o foco dele, de fato, foi a economia, a migração.
Falou bastante sobre migração.
Em termos de política externa, o que ele mais falou foi sobre o Irã.
Aliás, me parece que, em grande medida, Daniel, ele responde.
Aquela pesquisa sobre a qual a gente falou no episódio de ontem, que mostrou que os americanos não vêm com muito bons olhos esse negócio de ficar agindo militarmente no exterior, a não ser que você tenha uma ameaça iminente e tudo, mas que ações militares no exterior não são muito populares.
E ele passou um tempão tentando justificar, durante o discurso do Estado da União, por que seria importante agir contra...
o Irã, caso houvesse a possibilidade.
Então ele falou sobre o risco, por exemplo, do Irã ter uma bomba nuclear, e o que ele disse foi que até agora não ouviu o Irã dizer não teremos uma bomba nuclear.
É isso que ele quer que o Irã diga, não teremos uma bomba nuclear, que o Irã apoia grupos militantes ao redor do Oriente Médio, ao redor do mundo, que isso é um risco para todo mundo, e que o Irã...
busca desenvolver mísseis que, em breve, poderiam atingir os Estados Unidos.
Parece que isso não está muito ancorado na realidade, ou dados que a gente tem.
Ele chegou a dizer, inclusive, que as manifestações que aconteceram desde o ano passado, entre o finalzinho do ano passado e início desse ano agora, entre os manifestantes nós tivemos 32 mil mortos.
Eu acho que esse dado nunca apareceu em lugar nenhum, 32 mil mortes.
Eu lembro que quando o governo iraniano admitiu algo muito alto, foram 6 mil que estavam mais ou menos em linha com o que ONGs independentes falavam também.
Então, 32 mil mortes me pareceu um pouco exagerado, mas é uma tentativa dele de falar para o público interno, dizer, olha, eu sei que você não gosta de intervenções estrangeiras, enfim, no exterior.
Mas essa daqui eu acho que seria importante a gente fazer porque acho que o Irã é um ponto fora da curva, Daniel.
Tanguy, avançando aqui para a próxima pauta, eu quero registrar que a Comissão Europeia advertiu que a Polônia pode enfrentar uma forte alta da dívida pública na próxima década caso não implemente ajustes fiscais e reformas estruturais.
Você tem tido aí um aumento muito forte das despesas polonesas, incluindo despesas com defesa.
Ninguém gasta na região proporcionalmente ao PIB, mais com defesa do que a Polônia.
Aliás, se eu fosse a Polônia, eu também estaria muito preocupado.
Afinal, Tanguy, a OTAN diz que vai defender a Polônia.
Você sabe que a última vez que disseram que viriam defender a Polônia não vieram, né?
Teve a tal da Segunda Guerra Mundial.
Ah, a França e o Reino Unido disseram que vêm me defender.
Vou ficar tranquila.
Não vieram.
A Polônia conhece história e sabe que, sei lá, se a Rússia partir para cima da Polônia, será que a OTAN vem mesmo em defesa da Polônia?
E claro que, para se garantir, a Polônia está fazendo investimentos em defesa muito substantivos.
O que me chamou a atenção é que a Polônia tem uma dívida de aproximadamente 58% do PIB, muito, mas muito inferior a dívidas de Itália, França, Bélgica, Espanha, todas elas, Portugal.
todas elas superiores a 100% do PIB.
Mas você já está projetando que daqui a 10 anos a Polônia vai ter problemas fiscais significativos.
Alô, gente.
Oi, oi.
E a França, hein?
Ou fala, seu França, eu se fosse a Polônia faria isso.
Ou, gente, achei ótimo essa advertência que vocês me passaram, que eu vou ter problemas daqui a 10 anos.
Pode falar até da Alemanha, Daniel.
Se quiser falar da Alemanha também dá.
Pois é.
E se a gente falasse sobre países que estão com problemas fiscais, tipo hoje, e que não estão fazendo nada para resolver esses problemas fiscais, e eu acho maravilhoso esses ajustes fiscais e reformas estruturais sugeridas à Polônia.
Alô, França, cadê as suas reformas estruturais e seus ajustes fiscais que precisam ser implementados?
Alô, Alemanha, vamos cortar na própria carne.
Só quem é capaz de dar lição de moral hoje na União Europeia é a Grécia.
Então, é isso, a Grécia se tornou a grande referência em termos de austeridade fiscal, em termos de equilíbrio das contas públicas.
Mas, de qualquer maneira, nós temos aí uma Polônia que foi advertida em relação à sua situação fiscal e à perspectiva de, quem sabe, talvez, eventualmente, em 10 anos, você ter aí um crescimento fora, muito forte do endividamento do setor público alemão.
E uma outra notícia que me chamou a atenção, Tanguy,
é que nós tivemos aí a primeira-ministra da Islândia em visita à própria Polônia, anunciando que realizará nos próximos meses um referendo para decidir sobre a retomada das negociações da adesão do país à União Europeia.
A Islândia abandonou as negociações de adesão em 2013, dentro daquele contexto de nacionalismos, de uma década bastante nacionalista.
Mas as coisas andaram mudando de lá para cá.
O Brexit deu errado, nós passamos a ter ali muita tensão próxima ao Ártico.
É claro que a Islândia já faz parte da OTAN, mas ter uma integração econômica maior com a União Europeia também viria a calhar.
De qualquer maneira, isso sinaliza um apoio, um apoio explícito do atual governo islandês para a retomada dessas negociações, mas antes vai submeter isso ao escrutínio público para ter maior legitimidade para fazê-lo.
Daniel, eu queria fazer uma nota rápida aqui de Narendra Modi sendo Narendra Modi, fazendo política externa do jeito que ele gosta, Daniel.
Narendra Modi não tem limite, ele conversa com todo mundo, ele conversa com a Rússia, ele conversa com os Estados Unidos, ele conversa com o país árabe.
E agora, nesse exato momento, a Narendra Modi está em Israel.
Só para lembrar, Narendra Modi, no ano de 2017...
foi o primeiro primeiro-ministro indiano a visitar Israel.
Nunca até 2017 nenhum primeiro-ministro indiano tinha visitado Israel.
Ele foi o primeiro no ano de 2017, volta para lá agora.
Aliás, ele diz que é amigo do Netanyahu, ele diz que tem uma relação de amizade, uma relação bastante próxima.
e vão discutir temas, Daniel, que não chegam a surpreender.
São temas de interesse dos dois, como inteligência artificial.
Então, lembrando que Israel se orgulha de ser a Startup Nation, um país que vive ali, quase um quarto da economia israelense, gira em torno de inovação.
E a Índia também tem feito investimentos muito importantes em inovação.
e cooperação em defesa.
A gente tem a Índia sendo um país que tem comprado cada vez mais armas, Israel é um vendedor de armas, Israel vem tentando encontrar novos mercados para os seus armamentos também, então existe a possibilidade de Israel encontrar na Índia um novo parceiro para a venda desses armamentos.
O Modi vai discursar no Knesset, que é o parlamento israelense, e vai visitar o memorial do Holocausto.
Então você tem aí uma visita que soa bastante amistosa, soa ali como uma nova etapa dessa relação entre Índia e Israel.
Só lembrando que quando a gente fala sobre a Índia, ela está lá se aproximando de Israel, então você tem a visita do Narendra Modi ao Netanyahu.
Ao mesmo tempo, claro que o Narendra Modi não quer que o Irã tenha ogivas nucleares, que se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino se reino
Mas a relação entre a Índia e o Irã não é uma relação ruim.
Aliás, pelo fato de que o Irã tem uma relação muito ruim com o Paquistão.
Então, se a relação do Irã com o Paquistão é ruim, a relação da Índia com o Irã, ela tende a ser ali cooperativa em determinados pontos.
Mais uma vez, Narendra Modi não enxerga esse tipo de barreira.
Se tiver que conversar com o Irã e no dia seguinte conversar com Israel, que seja, tem que comprar petróleo da Rússia e encontrar com o Trump.
que seja o Narendra Modi nesse sentido, ele faz aquela política externa o mais liberada possível, sem alinhamentos e tal, e dá essa demonstração agora mais uma vez, se aproximando de novo, mais uma etapa nessa aproximação a Israel, Daniel.
Daniel, podemos avançar para a giléia da Shaquille de hoje?
Por favor, Daniel, o que você traz para a gente hoje?
Eu quero trazer uma medida de desinformação.
O governo dos Estados Unidos está muito preocupado em desinformar, em fazer ali operações de contra-espionagem para evitar que os inimigos dos Estados Unidos antecipem seus movimentos.
Diante disso, nós tivemos aí o nosso secretário de defesa, ou melhor, o secretário de defesa dos Estados Unidos, o Pete Hexed.
dizendo que vai pedir pizzas aleatórias.
Vai começar a pedir pizzas aleatórias para mexer o Pizza Index.
Esse grande indicador da política externa americana que nos permite saber exatamente, de maneira antecipada, quando os Estados Unidos implementarão algum tipo de operação de grande envergadura.
O Pete Hexet acabou destacando isso.
Não fiquem acompanhando esse Pizza Index, porque agora eu vou começar a pedir pizza de maneira aleatória.
para que vocês não saibam os movimentos que os Estados Unidos estão realizando.
O que diz muito sobre os Estados Unidos também, né, cara?
Quer dizer, você para monitorar os Estados Unidos, a gente já falou sobre esse pizza índex aqui, cara, basta olhar as pizzarias em volta do Pentágono, que você sabe se o pessoal vai fazer ali um serão e tal, aí pede pizza, o pessoal americano ali sabe como é, gosta de pizza, e aí você sabe exatamente...
que está havendo ali algum tipo de esforço concentrado por conta de alguma operação de grande envergadura.
E pior que seria a cara dos Estados Unidos anunciar não que vai pedir pizzas aleatórias, mas que vai instalar uma pizzaria dentro do Pentágono e ninguém vai saber, porra, quem é que está comendo pizza, está comprando aonde e tal.
Mas o Peter Hexater foi além, né?
Vou pedir pizza em outros lugares da cidade.
Agora eu quero ver vocês, porra, me rastrearem.
Não, e vou pedir em momentos que não tem nada a ver, em momentos que a gente não está fazendo nada, que nada não está acontecendo, vou pedir um caminhão de pizza.
Para bagunçar, é.
É, para bagunçar justamente esse indicador de vocês.
É um governo de troll, né, Daniel?
Eu vou trollar todo mundo.
Porra, agora vocês vão achar que tem e não vai ter, né?
Pô, sou demais.
Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio.
Queria agradecer mais uma vez todo mundo que acompanha a gente aqui no podcast.
É um prazer gravar os episódios todos os dias da maneira como a gente grava.
A gente já faz isso há quase 10 anos, né?
Nos últimos 4 anos, gravando de forma diária.
A gente agradece muito a sua presença, estar junto com a gente.
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Aliás, na semana que vem a gente vai começar um curso que a gente vai falar um pouquinho sobre
a perspectiva de um esfacelamento da liderança americana, do poderio americano.
A gente vai analisar as variáveis políticas e econômicas disso, inclusive, com reflexo aqui para a América Latina.
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No descritivo desse episódio, tem várias alternativas.
Tem a chave Pix para apoiar o PetJornal, é uma forma prática, instantânea para apoiar o PetJornal.
Você pode, inclusive, ativar o Pix Recorrente, chave Pix, no descritivo desse episódio.
Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon.
Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
Daniel Souza, amanhã estamos de volta.
Um abraço, até a próxima.
Valeu.
Tchau, tchau.
Petit Jornal.
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