Uma saída honrosa para a guerra - BP 1082
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Donald Trump tenta reativar os Acordos de Abraão como forma de construir uma saída diplomática para o impasse da guerra com o Irã e reorganizar alianças no Oriente Médio. No episódio analisamos as possibilidades e limitações dessa estratégia, além dos sinais de distensão no mercado de petróleo, que reage com forte queda após a retomada parcial do fluxo no Estreito de Ormuz e rumores de acordo. Também discutimos a decisão da delegação iraniana de permanecer no México durante a Copa do Mundo e os impactos políticos e simbólicos dessa escolha.
Abordamos ainda a nova encíclica do papa Leão XIV, que pede freios globais ao avanço da inteligência artificial, os gastos extras anunciados pelo Japão para enfrentar a crise energética e o custo de vida, e o movimento separatista que ganha força em Alberta, no Canadá.
Na Geleia da Shakira, o “Trump Phone”, celular lançado pela família Trump, viraliza após usuários apontarem que o aparelho seria apenas um HTC disfarçado.
#OrienteMédio #Geopolítica #Petróleo #Trump #InteligênciaArtificial
- Acordo de AbraãoDonald Trump · Acordos de Abraão · Irã · Israel · Arábia Saudita · Gaza
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1082. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 14 minutos da segunda-feira, 25 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, Obagdadia, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, tumbante, descansado.
tarifado e muito preocupado, muito preocupado, insônia, rapaz, é uma preocupação louca por conta dessa dinâmica internacional extremamente pantanosa que temos vivenciado nos últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é isso que eu vos falo ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos falando sobre Ormuz.
Eu quero saber o seguinte, Tanguy, resolveu ou não resolveu a guerra? O Estreito de Hormuz está liberado para o fluxo de embarcações, para que o mercado internacional de energia possa ser abastecido ou não? Ou muito pelo contrário? Diga-me tudo, não esconda nada. Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para mais esse bate-papo, mais um bate-papo nessa segunda-feira. Deixo de novo as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, um prazer ter vocês aqui. E Daniel Souza, eu estou achando que você está com pressa.
E a pressa, Daniel, é inimiga da perfeição. Inclusive, o Irã já falou aqui, ó, é o seguinte. Se tiver acordo aí, abre-se um período de 30 dias para implementar. Não é correndo, a gente não está com pressa de nada. A coisa tem que ser feita de forma paulatina. E aí, Daniel, no dia de hoje, eu tive a certeza, mais uma vez, a confirmação de que Donald Trump não faz a menor ideia do que está fazendo.
completamente perdido. Ele está com o olhar perdido no horizonte, ele não sabe o que fazer. E hoje, Daniel, ele anunciou o seguinte, que ele pediu, ah, tome nota, Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia que ingressem nos Acordos de Abraão. Eu quero lembrar para os nossos ouvintes, Daniel, o que são os Acordos de Abraão. Os Acordos de Abraão começaram lá no primeiro governo de Donald Trump, em 2020.
quando ele fez uma força diplomática, toda uma gestão diplomática, para que alguns países árabes estabelecessem relações diplomáticas com Israel. Ele conseguiu alguns avanços, então ele conseguiu que Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão estabelecessem relações diplomáticas com Israel. E ele colocou isso como uma grande vitória naquele momento, uma forma de inserir Israel um pouco melhor na região. E foi mesmo, né? Acabou sendo muito marcante. Ele conseguiu, de fato.
E a ideia dele era conseguir que mais países entrassem nos Acordos de Abraão e a joia da coroa para ele é a Arábia Saudita. A Arábia Saudita estabelecer relações diplomáticas com Israel para o Trump e para Israel também seria uma enorme vitória diplomática. O problema é que depois de tudo que aconteceu em Gaza,
estabelecer relações diplomáticas com Israel nesse momento é tóxico. Esses países não querem, eles vão se queimar muito junto aos outros países, junto à população muçulmana, se isso acontecer. Então é cada vez mais improvável que isso aconteça. O problema, Daniel, é que nesse momento ele está vendo que um acordo com o Irã dificilmente vai ser um acordo bom.
A gente falou sobre isso no episódio que a gente já gravou no dia de hoje, na Bate-Papo 1081. Ele vai conseguir, no máximo, voltar para o que ele já tinha antes do início da guerra. Ele não vai conseguir avançar muito com isso. Isso está começando a ficar claro para todo mundo. E aí, ele soltou essa. Olha, de repente eu vou assinar um acordo ruim aí. Quer dizer, ele não falou isso. O texto é esse.
Eu vou assinar um acordo ruim, mas pelo menos alguns países vão estabelecer relações diplomáticas com Israel. E a mensagem dele, Daniel, é toda torta. O que ele colocou na Truth Social, a rede social que ele utiliza, é o seguinte. Estou solicitando obrigatoriamente, vou repetir, estou solicitando obrigatoriamente que todos os países citados imediatamente assinem os acordos de Abraão.
e que se o Irã assinar um acordo comigo, com o presidente dos Estados Unidos da América, será uma honra tê-los também como parte dessa incomparável coalizão mundial. Ele não está pedindo, Daniel, ele está dizendo que esses países vão obrigatoriamente assinar esses acordos, disse que o acordo com o Irã está procedendo bem, então ele claramente está tentando vincular uma coisa a outra. O problema, Daniel, é que a Arábia Saudita...
Estava até perto de assinar alguma coisa com Israel, mas recuou depois que Israel iniciou os bombardeios à faixa de casa. Não parece que a Anábia Saudita queira se meter nessa furada nesse momento. O Paquistão rapidamente disse que não vai assinar nada com Israel, que não tem o menor interesse em assinar nada com Israel. E eu acho, Daniel, que ele esqueceu. Ou não falaram para ele?
ou ele não sabe, que Egito e Jordânia já têm relações diplomáticas com Israel. O Egito desde 1979 e a Jordânia desde 1994. Faz pouco tempo, né? Então, de repente, ele não ficou sabendo e tal. Mas o Egito já tem relações com Israel e a Jordânia também. E a Turquia tinha.
até outro dia, até 2024, quando o Erdogan rompeu relações diplomáticas com Israel. Então, a impressão que dá, Daniel, é que ele está realmente tentando uma saída honrosa. Ele está vendo que a guerra que ele iniciou não vai chegar a bom termo, ele não vai conseguir cantar a vitória facilmente, e está querendo transformar um acordo frágil que, eventualmente, ele assine com o Irã.
na construção de uma nova ordem internacional. Como se o meu ataque ao Irã acabou resultando nessa possibilidade desses países desisolarem o Irã. Na prática, o Irã é que vai ficar mais isolado e o Israel vai ficar menos isolado. São dois países tradicionalmente isolados, é verdade, mas ele vai tentar desisolar o Irã, desisolar o Israel e isolar ainda mais o Irã.
Me parece mais uma daquelas iniciativas, Daniel, que amanhã ninguém vai lembrar mais. O próprio Trump não sabe exatamente como é que vai fazer, mas é uma tentativa de encontrar uma saída honrosa para uma guerra que ninguém sabe exatamente para onde vai nesse momento, Daniel.
O tempo todo, Tanguy, fica a impressão de que o Trump está tateando e buscando algum tipo de vitória para proclamar, uma vitória para chamar de sua. Bem, na verdade, a gente observa que o estreito de Hormuz não está liberado para passagem normal de embarcações. Muito provavelmente o Irã vai controlar seus estreitos de forma permanente ou, eventualmente, vai acionar um controle sempre que for pressionado.
Você tem ali um regime que permaneceu de pé, porque tem múltiplas camadas de defesa. É muito difícil o Trump voltar para casa agora e dizer, gente, gastei uma tonelada de dinheiro e, pô, não adiantou nada. Desorganizei a economia mundial, não consegui derrubar a ditadura iraniana, o regime está de pé, não consegui realmente ali trunfos geopolíticos relevantes.
o tempo todo ele fica tendo ideias e testando ideias para, quem sabe, ver se alguma delas cola. Como você muito bem disse, se essa ideia não for adiante, está tudo bem, ele vai ter uma outra ideia que vai colar em cima dessa, e se ela vai adiante, ou pelo menos ela vai parcialmente adiante, já é uma vitória a ser proclamada.
Aliás, é interessante porque, diante da possibilidade de um acordo, nós tivemos uma queda importante do preço do barril do petróleo no mercado no dia de hoje. No caso do petróleo tipo Brent, ele fechou em queda de 5,62%.
Isso é explicado por conta de superpetroleiros que passaram pelo Estreito de Hormuz. Nós chegamos, inclusive, a mencionar isso aqui no Peti Jornal. Falamos também da possibilidade realmente de um acordo, e a possibilidade de um acordo e, consequentemente, de algum grau de normalização na passagem pelo Estreito também leva a uma queda do preço do petróleo.
Mas é pouco, dentro de tudo que o petróleo já subiu ao longo dos últimos pouco mais de dois meses. E ele tem aí o potencial para desorganizar a economia mundial por bastante tempo. É muita gente que depende de petróleo, de energia, de insumos derivados do petróleo.
e que está sofrendo, e muito provavelmente vai continuar sofrendo por vários meses, por conta dessa operação que o Trump fez no Oriente Médio, que até agora ele não consegue ter uma vitória para chamar de sua. Essa me parece que é a grande explicação do motivo pelo qual a guerra não terminou oficialmente. O Trump não tem como voltar para casa e explicar o que ele conseguiu dessa guerra, e os iranianos, por outro lado, esperam.
Querem um desgaste americano porque consideram que o tempo conta a seu favor e não a favor dos Estados Unidos. E uma outra coisa, Tanguy, uma outra pauta, avançando para a próxima pauta, eu queria destacar que hoje repercutiu muito...
a nova encíclica publicada pelo Vaticano, uma encíclica do Papa Leão XIV, chamada Magnífica Humanitas. Ela traz uma série de reflexões super interessantes. Por exemplo, ela destaca que a humanidade pode usar a tecnologia para construir um poder orgulhoso e excludente. E aí ele utilizou como referência Babel, a Torre de Babel.
ou para reconstruir juntos com responsabilidade uma convivência fraterna. E aí o exemplo que ele deu seria a Jerusalém de Neemidas. Ele destacou também, o Papa, que toda inovação, incluindo a inteligência artificial, deve ser avaliada a partir da dignidade inalienável de cada pessoa do bem comum, da destinação universal de bens, da subsidiariedade, da solidariedade e da justiça social.
Ele destacou que a AIA é útil, mas não é neutra. Ela pode curar, educar, conectar, mas também pode concentrar, poder, discriminar e desresponsabilizar. Ela exige transparência, controle humano efetivo sobre as decisões da AIA.
O documento alerta para a desinformação amplificada por algoritmos, pede uma aliança educativa para a era digital e defende o trabalho digno contra o desemprego tecnológico e a precariedade que a tecnologia seria capaz de gerar.
Ele destaca também que a economia digital assenta em trabalho invisível e explorado, o tráfico humano usa ferramentas digitais, um novo colonialismo extrai dados de populações vulneráveis. E aí ele, inclusive, aproveita o ensejo e reconhece que a Igreja demorou séculos a condenar a escravatura de forma absoluta e pede sinceramente perdão por isso.
Ele critica a corrida armamentista potencializada pela IA, o uso de armas autônomas, o falso realismo que apresenta a guerra como inevitável e apela ao diálogo e à diplomacia como soluções para um mundo em paz.
E termina dizendo que, contra o transumanismo, o Papa afirma que a plenitude humana não nasce da técnica, mas da graça, da relação e do amor. O progresso autêntico mete-se pelo cuidado com os mais frágeis. Acabou repercutindo muito, porque ele toca uma série de pontos extremamente sensíveis, mas me chamou particularmente a atenção quando ele coloca...
que a decisão final deve ser de um ser humano, ou seja, de que a máquina pode ser útil, ela pode ajudar, ela pode trazer ali uma série de benefícios para a humanidade, e pode mesmo, mas ela também pode trazer problemas se não houver ali o cuidado do ser humano, o olhar do ser humano, em função de todas as repercussões que essa nova tecnologia acaba trazendo.
Como dá para imaginar, essa encíclica está trazendo muita repercussão em termos internacionais, afinal o Papa é uma figura extremamente conhecida e tem uma ascendência moral sobre uma grande quantidade de católicos e até de alguns cristãos de outras denominações.
e isso acaba sendo um elemento que chama de mais atenção. E ressalto aqui, Tanguy, que o Papa começou muito discreto, nós inclusive chegamos a mencionar isso aqui no PetJornal, mas ao longo dos últimos meses ele vem acelerando, passou a ter inclusive declarações mais firmes em relação a diferentes temáticas e agora está falando um pouco sobre inteligência artificial e todas as suas repercussões.
As duas pautas que você trouxe na sequência, Daniel, você falou sobre petróleo e falou sobre inteligência artificial, apontam para uma série de mudanças econômicas que a gente não sabe exatamente onde é que vão dar. O petróleo volta ao patamar anterior, o petróleo fica no patamar que está, que já é um patamar relativamente, na verdade, consideravelmente mais elevado do que era no início desse ano agora. A inteligência artificial cria empregos, ela destrói empregos, para onde vai isso tudo.
Tudo isso mexe, portanto, com a nossa capacidade até de previsão econômica, de previsibilidade. O que a gente faz? Isso chega até nós, Daniel. O que a gente faz com o nosso próprio dinheiro? E é muito importante, Daniel, que todos nós tenhamos um certo olhar para o futuro. A nossa aposentadoria, lá na frente, a gente sabe que a nossa geração vai ter dificuldade de se aposentar pela via tradicional.
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Daniel Souza, vai começar a Copa do Mundo no dia 11 de junho e a gente tinha uma incerteza de cunho geopolítico que era a participação ou não do Irã. O Irã chegou a dizer que não participaria da Copa do Mundo uma vez que ela será jogada em parte nos Estados Unidos, né? A gente também vai ter partidas acontecendo no Canadá e no México. Mas isso acabou que no fim das contas a própria FIFA fez uma força danada e o Irã vai participar da Copa do Mundo.
A questão é que o centro de treinamento do Irã, Daniel, originalmente seria em Tucson, no Arizona, e os Estados Unidos deram o jeito, Daniel, de todo mundo ficar sabendo que os iranianos não eram bem-vindos no seu território.
Vai jogar aí? Beleza, joga aí. Mas agora, dormir, Daniel, dormir já não fica confortável. É jogar, aí você pega seu uniforme, pega seus equipamentos todos e se manda. E a gente teve hoje, Daniel, a presidente do México, a Cláudia Sheinbaum, anunciando que aceita receber a delegação iraniana para ficar no seu território.
disse que não tem absolutamente nenhum motivo para negar esse abrigo para a seleção iraniana para ela poder jogar a Copa do Mundo a partir de um país que também é um país sede. E, portanto, a sede do Irã na Copa do Mundo migra de Tucson, no Arizona, nos Estados Unidos, para Tijuana. E aí, Daniel, em termos logísticos...
Não ficou nem ruim para o Irã, não, viu? O Irã vai fazer três partidas. Vai jogar contra a Nova Zelândia em Los Angeles, depois vai jogar contra a Bélgica também em Los Angeles e depois vai jogar contra o Egito em Seattle. Portanto, o foco principal, pelo menos nessa primeira fase, a gente não sabe se vai passar para a segunda fase ou não, é jogar em Los Angeles. Originalmente, a seleção iraniana estaria hospedada em Tucson, que fica a 780 quilômetros.
E agora vai pra Tijuana que fica 236
O Daniel ganhar uns 500 quilômetros a menos aí, você imagina aí de volta, duas vezes, né? São duas partidas em Los Angeles, não é nada mal. Então há inclusive uma economia tanto de tempo quanto financeira, mas foi a maneira que se encontrou, Daniel, para que você tivesse uma certa tranquilidade para a participação iraniana para a Copa do Mundo, o México, portanto, recebendo. E, aliás, uma curiosidade, os voos vão ser operados pela estatal iraniana, a Iran Air.
vai poder operar, vai operar nos Estados Unidos, vai operar do México para os Estados Unidos para levar a delegação. Se passar de fase, Daniel, vamos ver, mas quis o destino que, segundo o sorteio, os três jogos da primeira fase do Irã caíssem exatamente nos Estados Unidos, onde o Donald Trump, o governo Donald Trump, não quer que esses caras fiquem. Portanto, Cláudio Sheinbaum, Daniel, de braço aberto, vai receber o Screte iraniano para poder treinar no território mexicano, Daniel.
Tengue, a primeira-ministra do Japão, Atakai-te, anunciou nesta segunda-feira o orçamento suplementar de cerca de 3 trilhões de ienes, algo em torno de 19 bilhões de dólares, para subsidiar custos de combustível e enfrentar pressões do custo de vida.
A medida marca uma reversão em relação a declarações anteriores da primeira-ministra que descartava a necessidade de gastos extras. A disparada dos preços da energia causada pela guerra dos Estados Unidos, Israel contra o Irã, somada ao aumento dos custos de importação provocado pelo iene fraco.
acaba sendo um elemento de pressão inflacionária muito forte no país. O governo já utilizou aproximadamente metade de suas reservas contingenciais de um trilhão de ienes para financiar subsídios destinados a conter contas de serviços públicos. Aliás, ela acabou também destacando que os gastos extras serão financiados por títulos para cobertura de déficit, ou seja, o governo do Japão vai vender títulos, mas prometeu que não haverá aumento no endividamento.
Afinal, receitas tributárias mais fortes, receitas não tributárias e gastos abaixo do previsto em outras áreas eliminarão a necessidade de mais dívida. Nesse sentido, ela está fazendo uma recomposição do orçamento, embora esteja gastando mais com a defesa do orçamento dos japoneses.
É interessante também registrar que nós temos tido um aumento dos juros da dívida pública do Japão nos leilões de mercado. O pessoal está começando a achar o Japão muito arriscado, Tengue. Estão cobrando agora do Japão inacreditáveis 1,56% ao ano de juros.
É, porque o Japão é um gastador, o Japão está fora de controle, está gastando muito e é um endividamento aí que está se expandindo bastante. O Japão realmente é um dos países mais endividados do mundo em proporção do PIB, mas tem muita facilidade para buscar financiamento. Isso acontece porque, por alguma razão, o governo do Japão tem muita credibilidade diante da sociedade japonesa e diante da comunidade internacional. Por alguma razão, o governo do Japão diz que vai pagar... ...
As pessoas acreditam que o governo do Japão vai pagar. E isso aumenta muito a capacidade de engendamento do governo japanês a juros relativamente reduzidos. E diante dessa crise internacional que está impactando fortemente a economia japonesa, que é uma grande importadora de petróleo, particularmente petróleo do Oriente Médio,
o governo se sente pressionado a agir e vem abrindo os cofres públicos com o objetivo justamente de enfrentar todo esse desequilíbrio, todo esse impacto inflacionário.
Daniel, a próxima pauta, na próxima pauta, eu queria falar sobre o Canadá. A gente tem uma região no Canadá, Daniel, que é a província de Alberta, e é riquíssima em petróleo, petróleo e gás natural, que movimenta a economia dessa província. E o Canadá, Daniel, ele é tão grande, um país tão grande, apesar da população pequena, a população do Canadá é cerca de 40 milhões de pessoas, pouco mais de 40 milhões de pessoas.
Mas o Canadá tem quase 10 milhões de quilômetros quadrados, o segundo maior país de extensão territorial do mundo. E a Alberta é apenas uma parte do Canadá, mas é uma região muito grande. Só para ter uma ideia, Daniel, em termos de comparação, a Alberta é maior do que qualquer país da Europa Ocidental. É consideravelmente maior que a França, por exemplo. E a gente compara, inclusive, com o Brasil. A Alberta tem mais ou menos o tamanho, na verdade, um pouquinho maior do que o estado de Minas Gerais.
só para a gente ter uma noção também do gigantismo das dimensões brasileiras. E esse estado, Daniel, exatamente por conta da sua riqueza em petróleo, marcou, agendou para outubro desse ano agora, um referendo não vinculativo acerca da possibilidade de Alberta se separar do restante do Canadá.
Os eleitores de Alberta, em outubro, serão questionados se a província deve continuar fazendo parte do Canadá ou se o governo local deve iniciar o processo jurídico constitucionalmente exigido para, em uma data posterior, realizar um referendo de independência com caráter vinculativo.
A insatisfação de Alberta, Daniel, ela se dá, não é generalizada, daqui a pouco eu vou falar qual é o tamanho do apoio que existe, mas se dá principalmente com relação às leis ambientais, que foram muito aprofundadas durante o governo do Justin Trudeau, que é o antecessor do Mark Carney. Então colocou regras ambientais mais rígidas, o que significa que para determinadas pessoas em Alberta, isso engessa muito a economia da região, mas região que, de novo, é produtora.
de petróleo e gás. O próprio Mark Carney, o atual primeiro-ministro, inclusive suavizou muito dessa legislação ambiental, em parte para deixar a população de Alberta feliz. Alguns marcos importantes aqui, e o primeiro deles é a primeira vez que uma região do Canadá fala em independência sem ser o Quebec. O Quebec já fez isso várias vezes, mas é a primeira vez que uma outra região fala sobre isso. Muita gente diz, naturalmente, Daniel, que é uma forma de ter uma força de pressão.
Então, eu posso me tornar independente, é melhor você fazer maiores concessões e tal. Mas o Mark Carney ficou transtornado, Daniel. O que ele disse foi, abre aspas, é útil fazer essas perguntas fundamentais? Não, não é útil, claro que não. É a vontade democrática dos cidadãos de Alberta? Eles votaram para isso na última eleição provincial? Não, não votar, fecha aspas. O que ele está dizendo aqui, Daniel, é que isso não fazia nem parte da plataforma do Partido Conservador.
que foi eleito lá na região de Alberta, e ele fez inclusive uma comparação com o Brexit. O que ele disse foi, olha, eu vi o Brexit acontecendo, ele era, lembrando, ele era o presidente do Banco da Inglaterra enquanto o Brexit estava acontecendo, e o que ele disse foi que aquela foi uma votação que aconteceu sem que as pessoas tivessem informações suficientes sobre o que estava acontecendo, e está aí, até hoje não se recuperaram da decisão que tomaram 10 anos atrás.
Está longe de ser algo que vai acontecer agora, tem muito caminho pela frente, mas o Mark Carney está sendo muito duro com relação a isso, meio que para tentar matar um nascedor, o Daniel. Agora, as pesquisas mostram que mais de 60% da população de Alberta é contra.
é contra, se chegar essa votação aí eu vou ser contra e tudo, então existe a possibilidade real disso aí morrer no nascedor, mas o fato é que é a primeira vez de novo, sem ser no Quebec, que alguma região cogita essa possibilidade de novo, não é vinculante, teria que ter depois um processo, aí sim, juridicamente vinculante, constitucional e tal, para isso acontecer. Agora, eu convido os nossos ouvintes a dar uma olhada no mapa.
Alberta não fica na ponta, nem de um lado, nem de outro. O Canadá fica no meio do Canadá. Alberta deixando de fazer parte do Canadá, realmente seria um negócio meio inacreditável do ponto de vista territorial. Vamos acompanhar, Daniel.
Ô, Tanguy, esse Alberta que você está falando aí é Alberta, né? Alberta que fica ali do lado de British Columbia e tal. British Columbia. É, fica... Obrigado por traduzir, Daniel. Alberta. Isso, Alberta. Aí na fronteira sul ali tem Montana, nos Estados Unidos, e consequentemente uma grande... Isso porque você sabia de qual, você não consultou no mapa aí não, né, Daniel? Não, jamais, jamais. Alberta, inclusive, eu entendi na primeira que você falou que era Alberta de que você estava falando, Tanguy. Perfeito.
Acho que é bem importante registrar, porque temos aqui um podcast em língua portuguesa, e aí nós gostamos sempre de manter a questão da língua portuguesa como referência fundamental nesses nossos conteúdos de áudio. Eu não vou te responder. A minha vitória será. Você não terá resposta. Sigamos a pauta, Daniel Sousa.
Ô, tem que diante disso, podemos ir para a geléia da xaqueira de hoje para terminar com uma nota um pouco mais leve o nosso episódio? Por favor, Daniel Souza, o que você traz? O Donald Trump está na geléia da xaqueira de hoje? Ô, tem que estar, porque eu preciso falar sobre isso.
finalmente chegaram às mãos dos consumidores selecionados o Trump Mobile T1. É o celular do Trump, né? O celular do Trump que ele está prometendo há um tempão, já falou no ano passado que ia oferecer esse celular do Trump, porque é uma coisa maravilhosa e tal, 499 doletas, dólares americanos, não é barato, mas começou a chegar, ele tinha prometido que ia ser um negócio meio parecido com o Samsung.
uma coisa modernosa, super bacana, super diferencial. Mas o que está chegando nas mãos desses consumidores selecionados, Tanguy, é algo um pouquinho diferente. O T1 foi muito possivelmente construído com base no HTC U24 Pro. A HTC que é uma empresa taiwanesa, não é a Samsung.
E esse HTC U24 Pro foi lançado em 2024. Então, é um telefone meio antigo que está chegando às mãos dos usuários. Tem lá uma bandeira dos Estados Unidos, só que a bandeira dos Estados Unidos está com 11 listras. E a bandeira dos Estados Unidos tem 13.
Isso também chamou a atenção dos entendidos e tal. E o Trump Mobile chega com o sistema Android e com a Truth Social instalada de fábrica para você ter a oportunidade de utilizar a rede social do Trump. O pessoal está ficando um pouquinho chateado, porque não era exatamente isso que tinha sido prometido, mas é um telefone feito nos Estados Unidos, segundo o Trump.
Feito nos Estados Unidos. Eu acredito nisso? Não. Mas tudo bem. De qualquer maneira, porque Assembled em US, eu acho que não. Porque essa empresa é taiwanesa. Essa empresa que faz o telefone. Muito parecido com esse, John. Estou um pouco desconfiado que esse telefone não foi feito nos Estados Unidos. Pelo menos não totalmente feito nos Estados Unidos. Talvez tenha apertado o parafuso. O parafuso final foi apertado nos Estados Unidos justamente para ser.
É, a caixa, a embalagem que foi colocada nos Estados Unidos, vai saber. Mas eu estive vendo algumas imagens, achei um pouco cafona o telefone, mas de qualquer maneira fica aqui o registro, que Donald Trump tem mais uma empreitada, depois de tênis, depois de chaveiro, boné.
Depois de tudo isso, agora temos também o Trumpphone, que tinha sido prometido no ano passado, demorou muitos meses para ser entregue aos primeiros consumidores, mas agora finalmente está chegando. Deve ser que nem aqueles bonés do Make America Great Again, que tem uma etiquetinha Made in China. Deve ser mais ou menos o que aconteceu nesse caso, mas talvez tenha sido Made in Taiwan, diferentemente do que acontece com outros produtos.
Agora, ser presidente deve atrapalhar pra caramba ele, né? Em termos de tempo, né? Assim, de fazer as coisas, né? Aí tem reunião, aí tem que falar com o secretário de Estado, tem que falar com, sabe, lidar com o camarada do Fed. Imagina, Daniel. E ele tá ali, ele tá trabalhando, ele precisa trabalhar, ele precisa, pô, promover a Bíblia dele, o tênis dele, pô, o celular dele. E aí fica, aí por isso que vem com a qualidade um pouquinho inferior, Daniel, porque ser presidente tá tomando um tempo precioso do homem.
E afinal, Tanguy, Trump mobile, Trump phone, é o Trump phone. Ah, você agora quer que seja um telefone igual a outro. Você quer que seja igual a outro, desculpa o outro, mas aí não é do Trump. Não é uma coisa especial. E esse negócio de ser presidente atrapalha muito o Trump de ganhar dinheiro. Não, acho que o que eu disse não faz sentido. É o contrário. Ser presidente ajuda muito o Trump a ganhar dinheiro. Enfim, vocês entenderam o raciocínio.
Daniel Soares, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria agradecer de coração, mais uma vez, a todo mundo que nos acompanha. Fazer o Petit Jornal dá um trabalho danado. A gente dedica horas e mais horas do nosso dia para fazer pesquisa, para poder fazer a pauta, para fazer edição, para gravar naturalmente. Mas é muito bom, principalmente porque a gente conta com a presença de vocês, com a companhia de vocês.
A gente fica sempre muito honrado de saber que a gente faz parte da rotina de tanta gente. Se você curte o Petit Jornal...
apoia a gente, o Daniel daqui a pouco vai falar todas as opções que você tem para apoiar o Petit Jornal e você tem mais uma opção para ter a gente sempre por perto, que é o Petit Cursos, a gente oferece esse conteúdo desde 2020, é um sistema de streaming, ou seja, na hora que você quiser.
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É isso, Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
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