Episódios de Petit Journal

Idas e vindas do petróleo - BP 1044

25 de março de 202630min
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CAMBLY
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O preço do petróleo segue marcado por fortes oscilações diante da crise no Estreito de Ormuz, refletindo a instabilidade geopolítica e a dificuldade de antecipar movimentos no fluxo de energia. No episódio analisamos como essas variações afetam mercados e expectativas, além de discutir relatos de transações suspeitas que antecederam mudanças bruscas nos preços, levantando dúvidas sobre informação privilegiada em meio ao conflito. Também abordamos a oferta do Paquistão para mediar negociações entre Estados Unidos e Irã, negada por Teerã, e o acordo de livre comércio entre União Europeia e Austrália.
Discutimos ainda os desdobramentos militares na região, com Israel planejando ocupar o sul do Líbano, ampliando o risco de uma nova frente de conflito.
Na Geleia da Shakira, a embaixada iraniana entra no clima das redes e publica um meme ironizando declarações de Donald Trump.
#Petróleo #OrienteMédio #EstreitoDeOrmuz #Geopolítica #Energia
Assuntos15
  • Conflito no Estreito de OrmuzBloqueio iraniano · Ultimato de Trump · Negociações EUA-Irã · Impacto no comércio global · Segurança da navegação
  • Preço do petróleoVolatilidade de mercado · Impacto geopolítico · Transações suspeitas · Informação privilegiada · Especulação financeira
  • Operacoes Militares Israel LibanoDestruição das pontes do rio Litani · Deslocamento de população · Zona de exclusão militar · Modelo Gaza aplicado · Ocupação de longo prazo
  • Acordos Livre Comercio UEUE-Indonésia · Mercosul-UE · Índia-UE · Austrália-UE · Diversificação de mercados
  • Arabia SauditaApoio velado a ataques ao Irã · Pressão do MBS a Trump · Oposição ao regime de Teherã · Neutralidade aparente · Negação oficial
  • China e PetroleoImportação de 11 milhões de barris/dia · Diversificação de fornecedores · Reservas estratégicas · Planos de expansão de armazenamento · Produção doméstica
  • Estreito de OrmuzTaxa de segurança para navios · Receita adicional do Irã · Modelo discricionário · Valor de até 2 milhões por travessia
  • Seguranca Energetica ChinaRedução de dependência de petróleo · Investimentos em energia limpa · Posicionamento estratégico em tecnologias verdes · Painéis solares · Veículos elétricos
  • Negociações EUA-IrãFake news de Trump · Rejeição da proposta paquistanesa · Postura oficial do Irã
  • Deslocamento de população libanesaÊxodo de 1 milhão de pessoas · Proibição de retorno · Permanência indefinida da ocupação
  • Cobrança de taxas no Estreito de OrmuzModelo de pedágio iraniano · Valor de até 2 milhões por navio · Seguro de passagem segura · Controle total de passagem · Receita extra para o Irã · Tabela discricionária caso a caso · Negociação entre países · Oportunidade pecuniária em conflito
  • Proposta mediadora do PaquistãoOferecimento como sede neutra · Possibilidade de reunião em uma semana · Contexto de negociações
  • Conflito Irã-EUAOcupação 1978-2000 · 22 anos de duração · Origem do Hezbollah · Conflito recorrente
  • Migracao EuropaDeclínio relativo europeu · Recepção de migrantes · Oxigenação econômica · Crescimento econômico
  • Ironia iraniana em redes sociaisPostagem debochada da Embaixada do Irã · Crítica a Trump · Meme sobre controle do Estreito de Ormuz
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1044. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 27 minutos da terça-feira, 24 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tangui, vírgula, ô bagdadinho, animado, contente, preparado.

revigorado, resiliente, returbante, descansado, tarifado em 15% e bastante preocupado. Bastante preocupado com a dinâmica internacional extremamente pantanosa neste momento. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza. Vamos lá para esse bate-papo 1044.

A gente inicia, portanto, mais um episódio aqui desse momento tenso do mundo. Hoje a gente vai falar sobre questões militares, vamos falar sobre Irã, vamos falar sobre Libra, vamos falar sobre preço do petróleo, vamos falar sobre muitos assuntos que estão acontecendo. Nesse exato momento, deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente, pessoal que acompanha a gente pelo YouTube, sejam bem-vindos. Pessoal que acompanha a gente pelo podcast, sejam bem-vindos também.

Se inscreve no canal do Petit Jornal no YouTube, porque isso para a gente faz muita diferença. Dá uma olhada lá, porque às vezes você está recebendo notificação e tudo, mas não está inscrito. Se inscreve lá no canal do Petit Jornal, no canal de corte do Petit Jornal também. Está tudo lá na descrição desse episódio, porque isso ajuda demais a gente. Daniel, para a gente falar sobre, mais uma vez, a guerra entre Estados Unidos e Israel de um lado e Irã do outro, eu queria falar sobre a proposta paquistanesa.

oficialmente o seu país, como sede para conversas diretas entre Estados Unidos e Irã. Fontes do governo paquistanês indicam que, se houver concordância de ambas as partes, a reunião, e aí tem uma longa distância até aí, tá, Daniel? Apenas uma oferta e tal, a gente não faz a menor ideia sobre se vai acontecer ou não, mas essa reunião poderia acontecer, o Paquistão teria condições de organizar essa reunião dentro de uma semana. É interessante porque essa proposta do Paquistão, ela é mais ou menos uma sequência

daquela fala do Trump de que negociações estão acontecendo. Então, só para a gente lembrar o que aconteceu ao longo do fim de semana. O Trump colocou um deadline. O Trump falou, olha, ele tem 48 horas. O Irã tem 48 horas para abrir o Strait de Hormuz. Ele falou isso na noite de sábado. Quando estava se aproximando, ele falou, não, agora são cinco dias, porque ótimas negociações estão acontecendo. O Paquistão levanta a mão e fala assim, opa, se tem ótimas negociações acontecendo, podem acontecer.

no Paquistão, eu recebo tudo, organizo, território neutro, a gente bate papo e vê se consegue uma solução para a coisa. Então, o Trump, Daniel, ele continuou dizendo que as negociações têm sido muito boas e produtivas e que elas teriam acontecido no domingo e na segunda-feira, visando uma resolução total das hostilidades. Então, o cenário que a gente tem é, eu ia bombardear, não bombardeei,

entender que o ultimato que ele deu trouxe resultado. Olha, o Irã aceitou negociar com a gente. Então, o estresse de Hormuz continuou fechado, mas o Irã aceitou negociar. Só faltou combinar com o Irã. O presidente do parlamento iraniano, o Mohammed Khadbaqir Qalibaf, que é o cara influente dentro do regime iraniano, dentro do governo iraniano, classificou os relatos de negociação como fake news. O que o Irã está dizendo, portanto, é não tem negociação nenhuma, não há negociação.

O Trump, na verdade, está falando isso aí para tentar se livrar de um vexame, que é ter dado o ultimato e não seguir adiante, porque as consequências seriam severas. Lembrando que o Irã fez ameaças duras contra aliados dos Estados Unidos ali na região, ameaçou atacar instalações críticas de produção de energia, o que poderia ser dramático para aqueles países do Golfo, e, portanto, os Estados Unidos tiveram que recuar. O que o Irã está dizendo é que essas negociações não existem.

noção se tem negociação ou não. Faz sentido os Estados Unidos dizerem que tem, mesmo que não tenha. Faz sentido o Irã dizer que não tem, mesmo que tenha. Então, por enquanto, a gente fica nessa meio que tentando entender sobre as negociações estão acontecendo ou não estão. Agora, nisso tudo, Daniel, a gente tem uma gangorra, uma montanha russa, não tem nada a ver com a Rússia, mas tem uma montanha russa de preço do petróleo. O petróleo fica louco.

Na hora que você diz que tem negociação, o petróleo cai. Na hora que você dá ultimato, o petróleo sobe.

isso acaba se tornando, portanto, um elemento meio estressante. Daniel Cunha te fala sobre mercados e expectativas econômicas. Super estressante, Tanguy. E uma coisa que me chamou bastante atenção, saiu há poucas horas uma matéria do New York Times, cravando que o Mohammed bin Salman, ali o príncipe herdeiro do regime saudita, da ditadura saudita, teria sido um dos grandes entusiastas, e ainda continua sendo um entusiasta, do ataque ao Irã por parte dos Estados Unidos.

e que ele teria pessoalmente pressionado Donald Trump a realizar os ataques, a continuar na guerra, por considerar que abriu-se uma janela de oportunidade para enfraquecer o regime dos ayatolás. Não é exatamente um segredo que os sauditas enxergam ali no regime de Teherã uma ameaça, não só uma ameaça para sua liderança regional,

alinhamentos completamente distintos. Não deixaria de ser algo curioso, porque, nesse sentido, a Arábia Saudita estaria com uma posição muito parecida com a de Israel, acreditando que o enfraquecimento do regime iraniano e, eventualmente, a sua substituição, claro que está mais do que evidente nesse momento que a substituição não acontecerá, pelo menos nesse momento, mas que a Arábia Saudita olhou com bons olhos. É claro que ela disse, olha, não passem por cima do meu território, hein, não passem, porque eu quero mostrar aqui

a minha neutralidade. Mas, ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também não tem ali retaliado o Irã, embora o Irã tenha realizado ali alguns ataques contra os sauditas. É óbvio que existe ali um certo posicionamento dos sauditas que não querem ser vistos ao lado de Israel no mesmo fronte de batalha. Ao mesmo tempo, não querem eles se envolver de forma mais direta nesse conflito. Mas, de qualquer maneira, chama muito a atenção essa matéria,

porque ela não soa nem um pouco absurda. Ela parece fazer bastante sentido dentro do posicionamento da Arábia Saudita na região e dentro de um contexto de inimizade entre a Arábia Saudita e Irã. Lembrando que até bem pouco tempo atrás, os dois países estavam, inclusive, com relações diplomáticas suspensas. Aliás, rompidas mesmo. Você estava com as relações entre os dois países nesse quadro.

de rompimento até bem pouco tempo atrás. E um outro aspecto que também está chamando bastante atenção, Tanguy, é que como o Irã controla o Estreito de Hormuz, ele acaba controlando quem passa e quem não passa. E aí não demorou muito para o Irã olhar para isso e enxergar uma oportunidade pecuniária. O Irã está cobrando para que o navio ou que os navios passem em segurança pelo Estreito de Hormuz.

que pode alcançar 2 milhões de dólares por navio, por travessia. E é um modelo absolutamente discricionário, caso a caso. Não existe uma tabela ou marco regulatório especificado, mas, óbvio, a gente está falando de países que, eventualmente, têm esse tipo de diálogo com os iranianos e podem negociar ali o pagamento de uma taxa de segurança. Tem taxa de segurança!

você, para você passar. Botou uma cancela, uns cones, é isso? Exatamente isso. Para passar, tá. Pagou a taxa de segurança, está comigo, está com Deus. Pode passar aqui tranquilamente pelo Estreito de Hormuz, que ninguém vai mexer com você e você pode levar a sua embarcação para onde você quiser. A gente está falando nesse sentido de uma oportunidade que os iranianos acabaram obtendo para majorar os seus ganhos dentro desse contexto de guerra.

Aliás, o Irã vem ganhando com as suas exportações de petróleo, embora elas tenham sido impactadas, até houve um relaxamento das sanções contra o petróleo iraniano por parte dos americanos, como nós colocamos aqui no Petit Jornal. E agora também tem esse elemento de receita extra que está sendo gerado. Só um último ponto, Tanguy. Eu queria registrar que há pouco eu falei sobre a Arábia Saudita, mas o New York Times destacou que o governo saudita nega.

defendem solução pacífica, que nunca apoiaram em momento nenhum ataques ao Irã, que não tem nenhum tipo de diálogo entre o MBS e o Donald Trump nesse sentido, que eles querem apenas uma solução pacífica para esse conflito e que a Arábia Saudita é uma grande patrocinadora da paz. Perfeito, Daniel Souza. Então é importante saber que a Arábia Saudita nunca apoiaria qualquer ataque como esse contra o Irã, como a gente sabe bem. Aliás, esse negócio do pedágio, Daniel, se for pensar, o Irã

coloca ali um valor que quem estiver conseguindo passar não vai nem reclamar. Se você tem uma carga que é muito mais valiosa que isso, 2 milhões é aquele negócio que a empresa paga feliz da vida. Pelo menos eu vou conseguir passar. É melhor que seguro isso. Imagina, vai passar com tranquilidade. E realmente, e essa é a conta do Irã, 2 milhões de dólares, meu amigo, é uma pechincha para você levar esse carregamento e tocar a sua vida garantindo essa receita que você vai ter da venda desse petróleo. Pois é. Agora, Daniel, no meio disso tudo, a gente está falando

sobre negociação, vai ter negociação, não vai, independente de envolver o Irã, envolver a Arábia Saudita, Estados Unidos, quem quer que seja, Daniel Souza, as negociações acontecem em inglês. Isso aí não tem jeito, não tem como fugir. O inglês, aliás, ficou com o nome da Inglaterra, mas é o globalese, você está falando sobre a língua, que na prática todo mundo fala, é a língua da diplomacia, é a língua dos negócios, e o Cambly, Daniel, é a melhor maneira para você que está nos ouvindo aprender o inglês e exercitar o seu inglês.

E o Cambly, Daniel, ele tem uma capacidade de adaptação máxima às suas necessidades. Você quer uma coisa mais flexível, você quer poder ali, no momento que você quiser conseguir um tempinho, entra na plataforma, conversa ali com tutores, todos eles 100% nativos, conversa da vida real, você tem lá o Cambly Private Plus. Ou não, você quer uma coisa mais direcionada para algum objetivo seu, é fazer uma entrevista, é poder dar uma aula, é poder chegar a algum determinado objetivo, você tem lá o Cambly Private.

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e o inglês acaba sendo realmente uma língua que a gente precisa estar o tempo todo treinando, o tempo todo aprendendo, e a plataforma do Cambly é uma magnífica oportunidade para fazê-lo. Link no descritivo desse episódio, clique, conheça o trabalho do Cambly, e aproveite essas condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Jornal. Daniel, nisso tudo que a gente está falando sobre o Estreito de Hormuz, se está fechado, se está aberto, o petróleo está circulando, se não está, a gente tem comentado sempre aqui,

a China. A China era a principal compradora de petróleo da Venezuela. Aí os Estados Unidos passam a controlar o petróleo venezuelano. A China naturalmente fica prejudicada. A China compra uma quantidade enorme de petróleo do Golfo Pérsico. Se o Golfo Pérsico fica fechado, independente de ter sido o Irã ou não, a China passa a ter dificuldades também. A gente sabe que petroleiros em direção à China estão passando. Então a China tem conseguido, porque o Irã abre essa via para que petroleiros em direção à China passem.

Mas ainda assim, há um risco bastante grande. E aí eu acho importante a gente dar uma contextualizada em qual é a posição da China nesse cenário todo. A China é hoje o país que mais importa petróleo em todo o mundo. A gente está falando sobre uma importação, Daniel, que supera 11 milhões de barris por dia. É uma quantidade enorme de barris de petróleo. E é um país que, naturalmente, é um produtor de petróleo, é verdade, mas não é um produtor pequeno, mas consome tanto mais petróleo

independente da importação de petróleo. A China hoje importa três vezes mais petróleo do que produz. Então tem uma produção que não é desprezível, são mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, mas importa, como eu disse, mais de 11 barris de petróleo e cerca de 50% dessa importação de petróleo vem do Oriente Médio. Como é que a China tem agido nisso tudo, Daniel? Primeiro, ela tem tentado garantir que outras fontes de petróleo se mantenham constantes. Então quem puder me vender petróleo, eu quero.

A Rússia, naturalmente, acaba sendo uma alternativa muito boa. Mas outra coisa que a China veio se preparando ao longo do tempo, Daniel, foi de criar reservas estratégicas maiores. Nesse momento, segundo consultorias especializadas, a China tem reservas estratégicas de petróleo que, se ela parar de importar petróleo, ela continua tendo petróleo para 104 dias. Então, isso já é uma segurança. A China não parou de importar petróleo.

petróleo armazenado. E ela está com um plano, Daniel, ela está em meio a um plano, que agora para o BN 2025, 2026, que é para adicionar mais 169 milhões de barris como capacidade de armazenamento, o que significa que ela passaria a ter uma gordura ainda maior e ela gostaria de chegar lá na frente a 2 bilhões de barris de petróleo, que daria para ela, portanto, uma segurança de 6 meses. Isso é um futuro distante, mas é meio que a China dizendo, olha, eu preciso garantir que enquanto eu puder comprar petróleo,

eu vou comprar para utilizar, mas eu vou comprar também para armazenar. E outra coisa que está entrando na conta também, Daniel, é que se o preço do petróleo é pressionado para cima, começa a ter cada vez mais gente pensando em transição energética. Eu vou começar a pensar em alternativas limpas, em alternativas renováveis e tudo. A China, naturalmente, já está pensando nisso há bastante tempo. Aliás, a gente já comentou isso aqui várias vezes, né, Daniel?

A China já deu esse passo para tentar fazer a transição energética para depender menos do petróleo,

situações como essa. E se qualquer país, a qualquer momento, pensar em fazer essa transição energética, a China se torna absolutamente estratégica, porque é ela que produz tudo o que você pode precisar para conseguir fazer essa transição energética. A gente está falando sobre quem produz painéis solares, veículos elétricos e toda uma gama de produtos que você pode precisar. Ou seja, Daniel, a China fica pressionada? Fica. Mas ela acabou criando alternativas para ter uma reserva de petróleo

importante, outros parceiros que fornecem petróleo, e no momento em que a eletrificação, enfim, que a transição energética acontecer, a China também aparece muito bem posicionada. Então, claro que a China olha para isso tudo com preocupação, mas é como se ela agora estivesse recebendo os dividendos de investimentos que ela fez com o passar do tempo, que é, eu preciso ter uma necessidade de petróleo menor do que eu tinha. E nesse momento, de fato, ela tem uma necessidade que, ainda que seja grande, já não é tão grande quanto já foi no passado, e ela consegue oferecer, inclusive,

para outros países, Daniel.

celebrar acordos comerciais com grandes mercados. Agora, estava tudo meio travado, estava tudo meio devagar, mas nada como Donald Trump para fazer os europeus avançar numa pauta tão importante. Nós tivemos, em setembro do ano passado, a União Europeia celebrando um acordo de livre comércio com a Indonésia, mercado importante, um país grande, populoso,

estratégico. Um pouco depois, tivemos a celebração do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, ali na virada de dezembro para janeiro, já em 2026. Já no final de janeiro, tivemos a celebração de um acordo entre Índia e União Europeia. E agora, em março de 2026, temos o acordo de livre comércio entre Austrália e União Europeia. A União Europeia

novos mercados para substituir o mercado dos Estados Unidos com o qual eles não podem mais contar, como no passado. A União Europeia percebeu que a sua grande economia, a sua grande locomotiva, a Alemanha, que depende muito das suas exportações para impulsionar o crescimento, precisa de mercados consumidores vultosos, mercados consumidores que realmente estão em expansão. E essa foi a lógica europeia desses acordos.

de livre comércio com mercados grandes, com mercados escaláveis, com mercados consumidores em expansão. Onde eu tenho isso? Tenho no Mercosul, tenho na Indonésia, tenho na Índia, tenho na Austrália. Mesmo tendo ali uma série de sensibilidades, no caso australiano e também no caso do Mercosul, em relação a questões agrícolas, você conseguiu ali construir um arranjo para contornar essas dificuldades

comerciais entre a União Europeia e a Austrália. Também tivemos ali também uma preocupação no acordo em relação a minerais, inclusive minerais críticos que são produzidos na Austrália, como forma de diversificação para os europeus. Os europeus que têm tido aí uma enorme preocupação em relação à temática. De qualquer maneira, a gente está registrando aqui que a União Europeia está seguindo um rumo que me parece um rumo absolutamente correto.

Aliás, uma outra coisa que a Europa precisa enfrentar se ela quiser combater o seu declínio relativo, o declínio relativo que está claramente em curso, é a questão demográfica. A questão demográfica europeia que, bem ou mal, incontornavelmente acaba passando por receber pessoas, receber migrantes, receber pessoas que podem trabalhar, oxigenar a economia europeia e, consequentemente, mantê-la em crescimento.

Tanguy, que eu queria registrar aqui, veja você, Tanguy, coincidências acontecem, e algumas coincidências acabam sendo extremamente volumosas, chamam muito a atenção. Poucos minutos antes do Donald Trump sinalizar ali uma melhora no seu relacionamento com o Irã, sinalizar conversas produtivas com o Irã, e quando eu digo poucos minutos antes, eu estou falando de algo em torno de 15 minutos antes.

absolutamente atípica nos mercados de petróleo. A gente está falando de milhares e milhares de contratos que foram celebrados tanto em relação ao barril do tipo Brent, quanto em relação ao barril tipo WTI, que é o do Texas, que acaba sendo uma referência muito utilizada nos Estados Unidos. Eis que o Donald Trump traz essa fala 15 minutos depois de que está tendo conversas

muito produtivas com o Irã, o preço do barril de petróleo começa a cair e as pessoas que comercializaram esses contratos 15 minutos antes ganharam uma fortuna. Então, peraí, peraí. Então, o Trump diz que vai atacar o Irã, aí o preço sobe. Isso. Aí você tem um monte de contrato, aí o preço desaba e tem gente que ganha dinheiro com isso e você está dizendo que isso é de propósito. Não, de forma alguma. Estou dizendo que é uma coincidência. É uma coincidência, claro. Que essas coincidências acontecem. É, imagina.

15 minutos antes, mais de 6 mil contratos sendo celebrados naquele momento. E depois acontece, gente. Isso é uma coincidência. Até porque a gente sabe que o governo Trump não aconteceu nenhum outro elemento parecido ao longo desses últimos meses. Nunca aconteceria. Nunca aconteceria. Em outros momentos, aconteceram outras coincidências no governo Trump? Aconteceram, mas eram coincidências. Essas coincidências, elas acontecem de tempos em tempos. Tem gente que tem sorte, né, Daniel?

É, desde que tem mais força do que outros, sim. E isso chamou demais a atenção, mas chamou demais a atenção pela coincidência. Você sabe, né, Tanguy, eu lembro de uma CPI nos anos 90, onde uma pessoa estava lá sendo interrogada e ela acabou dizendo, Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro. Exatamente o que está acontecendo aqui. Pessoas, às vezes, são avisadas em sonhos e, eventualmente, podem ali antecipar determinadas movimentações que estão acontecendo na geopolítica internacional.

e que trazem ali oportunidades de enriquecimento instantâneo, mas tudo é uma questão de sorte. Se você não tem sorte, não culpe quem tem sorte, porque Deus abençoa alguns em detrimento de outros e isso faz parte da vida. Perfeito. Aliás, para falar em antecipada, eu queria falar mais um pouquinho sobre o Líbano. Nesse cenário todo, a gente já falou várias vezes que na hora que o bicho começa a pegar no Oriente Médio, normalmente o Líbano vai se dar mal. E a gente antecipou aqui, Daniel, no episódio de ontem,

Israel, de fato, está destruindo. Na verdade, agora já concluiu, Israel confirmou, inclusive, a destruição das cinco pontes que cruzam o rio Litane. O rio Litane é basicamente o rio que cruza o Líbano, grosso modo, leste-oeste, e que liga, portanto, a parte norte do Líbano para aquela parte sul. São cerca de 30 quilômetros entre a fronteira israelense, a fronteira do Líbano com Israel, e o rio Litane. Israel, portanto, destruiu as cinco pontes de ligação,

Hoje nós tivemos a declaração do Israel Katz, que é o ministro da Defesa de Israel, dizendo que a intenção é, sim, ocupar o sul do Líbano. É ocupar o sul do Líbano, Daniel, sem muito prazo para ir embora. Só para lembrar que isso aqui traz uma memória muito dura para o Líbano. Israel, de fato, ocupou o sul do Líbano de 1978 até 2000. Foram 22 anos de ocupação israelense no sul do Líbano.

parte de 82, não por acaso, o ano de criação do Hezbollah. Então esse sul do Libro, ele normalmente é exatamente refém dessa disputa entre Israel e o Hezbollah no sul do Libro. Segundo o próprio Israel Katz, Daniel, o objetivo é utilizar no sul do Libro, isso é terrível, né, o modelo de Gaza. O modelo de Gaza. O que a gente fez em Gaza, a gente pretende aplicar no sul do Libro. Então, principalmente o modelo de Rafa e de Beit Hanun.

regiões de Gaza, Daniel, que você teve a destruição de determinadas residências que, segundo Israel, eram utilizadas pelo Hamas. Agora, o objetivo, portanto, é fazer mais ou menos a mesma coisa com residências que, segundo Israel, são utilizadas pelo Hezbollah e destruição também de infraestruturas para criar uma zona de exclusão militar sob comando militar permanente. Ele vai além. Cerca de um milhão de pessoas deixaram essa área. Aliás, Israel disse que essas pessoas tinham que deixar o sul do

E segundo Israel Katz, essas pessoas não terão permissão para retornar ao sul do Rio Litane até que a segurança do norte de Israel esteja totalmente garantida. Basicamente, Daniel, o que você está dizendo é Israel está ficando com o sul do Líbano e Israel não vai sair do sul do Líbano tão cedo. Basicamente, o que Israel está dizendo é só quando eu me sentir seguro e quem vai dizer quando Israel está seguro é Israel mesmo.

não poderão voltar. A gente está iniciando, portanto, Daniel, mais um período de ocupação israelense no sul do Líbano, que da primeira vez que aconteceu durou 22 anos e que agora sabe, sei lá, quando é que vai terminar, Daniel. Então, mais uma vez, a guerra começou, né? Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, mas normalmente sobra um monte de consequências para o Líbano, Daniel. Tanguy, podemos avançar aqui para a nossa geleia da Shakira de hoje? Bora, Daniel. O que você traz aí para a gente?

uma postagem. Uma postagem que foi feita pela Embaixada do Irã em Pretória, na capital da África do Sul. Eis que os iranianos, Tanguy, acabaram dando uma debochada em Donald Trump. Eles colocaram a seguinte legenda. Eles disseram aqui em inglês,

E pelo Ayatollah foi algo dito pelo Donald Trump. E aí eles colocam uma imagem, Tanguy. A imagem de um carro onde tem um volante, o volante verdadeiro do lado esquerdo, e do lado direito tem um volante de criança em cima do porta-luvas. Como quem diz, olha só, Donald Trump, está aqui o teu brinquedinho para você fingir que controla o estreito de hormônios.

seríssimos como essa do estreito de almoço. Mas tivemos aqui essa publicação. Quem tiver curiosidade pode ir lá no Twitter, no She's, e procurar a Embaixada do Irã na South Africa, quer dizer, na África do Sul, que você vai encontrar essa postagem provocadora dos iranianos em relação a Donald Trump. O deboche, né, Daniel? O deboche é sempre a melhor maneira de você lidar. O mundo está, o caos está, pelo menos, pessoal, se diverte.

postagem aí, certamente se divertiu bastante, está aí, virou a geleia da Shakira, parabéns para o estagiário. Daniel Souza, vou deixar aqui o convite para todo mundo que está ouvindo a gente, quer mais conteúdo do PetiJornal, acessa lá peticursos.com.br. Por lá, Daniel, a gente tem uma gama de conteúdo gigantesca e que te ajuda a entender grande parte do que está acontecendo nesse momento. Quer saber sobre Irã, sobre Estados Unidos, sobre Líbano, quer saber sobre Israel, quer saber sobre política doméstica,

dos Estados Unidos, quer saber sobre China, sobre Índia, sobre países europeus, está tudo lá no PetiCursos, acessa lá, preço muito acessível, PetiCursos.com.br, torne-se aluno, você passa a ter acesso a aulas ao vivo, que acontecem toda semana às 19 horas, além de aulas gravadas, todas as aulas gravadas desde o ano de 2020 estão disponíveis lá para você, PetiCursos.com.br. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetiUanal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto, fica nosso carinho, nosso abraço,

Nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petit é um trabalho artesanal e a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância. Por isso, sempre registramos aqui o nosso agradecimento. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio, a gente tem várias alternativas. A gente tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal.

Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. É uma forma muito bacana de apoiar o Petit.

Você tem o link no descritivo desse episódio, tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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