Negociações à vista? - BP 1045
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Estados Unidos e Irã enviam sinais contraditórios sobre a possibilidade de negociações, com Washington afirmando que os diálogos estão em curso e Teerã inicialmente negando, mas depois admitindo conversas. Apesar disso, ambos demonstram disposição para continuar a guerra, em um cenário de ambiguidade estratégica que influencia diretamente os mercados, com o petróleo recuando diante de rumores de cessar-fogo.
Também analisamos os ataques a portos russos e seus impactos energéticos e logísticos, além da sinalização dos Estados Unidos de que garantias de segurança à Ucrânia dependeriam de concessões territoriais no Donbass. Na América do Sul, a Argentina avança na abertura de terras rurais ao capital estrangeiro, enquanto Benjamin Netanyahu enfrenta pressão interna pelos custos econômicos da guerra em ano eleitoral.
Na Geleia da Shakira, vídeos de universitários americanos falando sobre geopolítica viralizam ao expor desconhecimento sobre temas básicos.
#OrienteMédio #Petróleo #Geopolítica #Ucrânia #Argentina
- Negociações EUA-Irã encerradasProposta de paz do Paquistão · Condições dos EUA para o Irã · Reações do Irã
- Alta do petróleo e impacto nos mercados agrícolasQueda do preço do petróleo · Exigências do Irã
- Esquecimento da Ucrânia na pauta internacionalExigências dos EUA à Ucrânia · Pressão sobre Zelensky
- Netanyahu IsraelPressão interna em Israel · Custo de vida em Israel
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinOpiniões de universitários americanos
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o bate-papo número 1045. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 21 horas e 22 minutos da quarta-feira, 25 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15%.
e muito preocupado, com muita insônia, em função dessa dinâmica internacional extremamente pantanosa que temos vivenciado nos últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza? Conhece um prazer estar aqui com você mais uma vez nesse Bate-Papo 1045 para encerrar essa quarta-feira. Muito obrigado pela sua presença, Daniel Souza, sempre iluminando essa live, sempre iluminando esse episódio. E deixo aqui o agradecimento também a todo mundo que nos acompanha, o pessoal que está junto com a gente no YouTube, o pessoal que está junto com a gente no podcast. Sejam todos muito bem-vindos, é uma honra estar com vocês. Daniel Souza, a gente começa esse nosso episódio, esse Bate-Papo 1045.
falando sobre a negociação de Schrodinger. Ninguém sabe se está tendo negociação ou se não está. Um diz que está tendo, o outro diz que não, aí depois o outro confirma que está tendo, aí o outro diz que está tendo negociação, mas eu estou mandando a gente para atacar por terra. Então está uma loucura completa e vamos tentar organizar isso para a gente tentar entender, inclusive, quais são os impactos disso para eventuais negociações e até para questões econômicas, o que está acontecendo com o barril do petróleo.
Hoje nós tivemos a continuação daquela proposta paquistanisa, que eu trouxe nos últimos dias também, de mediar, de sediar negociações, de ajudar nessa mediação de negociações entre Estados Unidos e o Irã. Hoje nós tivemos a confirmação de um alto oficial iraniano.
que falou com a Reuters, falou em condição de anonimato num primeiro momento, que o Paquistão de fato entregou para Teheran uma proposta detalhada dos Estados Unidos para um plano de paz. Esse plano de paz que o Paquistão teria entregue para o governo iraniano segue mais ou menos aquela lógica que o Trump gosta de fazer, que é o...
o plano com vários pontos. Então tinha lá o plano com pontos para resolver a questão de Gaza. Os pontos todos, os 28 pontos para resolver a questão da Ucrânia. Então, nesse momento, Donald Trump teria, o governo Trump, teria passado via Paquistão para o Irã um plano de 15 pontos que não foi feito de forma pública ainda, mas a gente já sabe de alguns pontos que estão lá.
para encerrar a guerra. Então, num primeiro momento, o que a gente sabe é que os Estados Unidos colocaram entre as condições para encerrar a guerra a remoção dos estoques de urânio altamente enriquecidos em posse do Irã. Não pode ter estoque de urânio enriquecido e tem que ter uma interrupção total do enriquecimento de urânio. Algo que, aliás, o Irã já disse várias vezes que não fará.
Outro ponto, limitação drástica do programa de mísseis balísticos, coisa que o Irã também já disse outras vezes que não vai fazer. E o outro, que é o que a gente sabe também, o fim do financiamento a aliados regionais, que é o chamado eixo da resistência. O eixo da resistência, Daniel, é o financiamento iraniano ao Hezbollah, ao Hamas, a milícias na Síria, milícias no Iraque, aos Ruts, essa galera toda que faz parte da estratégia regional de segurança do Irã.
Então, no primeiro momento, Daniel, os Estados Unidos disseram que fizeram essa proposta, que as negociações estão indo muito bem. O Irã falou, não tem negociação nenhuma. Aliás, a gente teve inclusive uma saída engraçadinha, Daniel. Teve um camarada lá no Irã que falou, do governo iraniano, que falou que o Trump está negociando com ele mesmo.
Ele está falando sozinho, está negociando com ele mesmo, não tem negociação nenhuma. E depois veio a confirmação de que o governo iraniano recebeu esses 15 pontos e vai eventualmente apresentar algum tipo de resposta, sem prazo, sem nada. Então tem ali Paquistão, Turquia e Egito, são os três países, que estão tentando exatamente fazer essa negociação.
Ao mesmo tempo, Daniel, já vou te passar a palavra que eu quero saber qual é o impacto disso no petróleo. Ao mesmo tempo, a gente tem um negócio meio passivo-agressivo. Você tem os Estados Unidos dizendo, vamos negociar, temos um plano de paz, vamos ver aí o que pode acontecer para, de repente, essa guerra acabar. E aí você tem a porta-voz da Casa Branca, Carolyn Leavitt, dizendo que o Irã deve aceitar que foi derrotado militarmente. Essa aqui me pegou de surpresa porque isso aqui eu nunca tinha visto, Daniel.
Parece brincadeira de criança, né? Porque, assim, você ser derrotado militarmente é porque você foi efetivamente derrotado militarmente. O que a Carolyn Livre está dizendo é que o Trump colocou como condição que o Irã deve admitir que foi derrotado militarmente. Daniel, para você ser derrotado militarmente, significa que você não consegue mais contra-atacar.
você não tem mais o que fazer. E o Irã está dizendo, olha só, ele está pedindo para eu dizer que eu fui derrotado militarmente, mas eu estou aqui atacando Barém, Arábia Saudita, Catar, Israel. Como é que eu fui derrotado militarmente, Daniel? Que maluquice é essa? E segundo ela também, segundo a Carolyn Leavitt, o Trump estaria preparado para...
enfim, a tradução portuguesa não é muito boa, unleash hell, mas é abrir as portas do inferno, seria mais ou menos isso, e atingir o país, atingir o Irã, com a maior força já vista até o momento. Então é um negócio, Daniel, meio de...
dizer que quer negociar, aí o Irã também faz um certo charme ali, não recebi, não recebi a proposta, vou pensar, e você tem os Estados Unidos aumentando o tom. E, aliás, esse aumento do tom, ele vem acompanhado também com o envio por parte dos Estados Unidos de milhares de tropas para a região do Golfo, o que começa a ter também uma ideia de que eu quero negociar a paz, mas eu também estou me preparando para, eventualmente, uma incursão por terra.
Daniel Souza, eu tenho dificuldade, Daniel. O que os Estados Unidos estão se preparando para invadir o Irã por terra? Eles não entenderam ainda não, Daniel, que o Irã não é um paizinho qualquer que você vai lá, invade e você resolve em duas semanas. Ou então pode ser, claro, uma forma de pressionar o Irã a aceitar algum tipo de negociação. Mas o Irã tem ainda uma lenha para queimar, né, Daniel?
Sei lá. E no meio disso tudo, a gente tem as expectativas, que é vai ter paz, não vai ter paz. Isso mexe, obviamente, com o petróleo, mexe com a economia mundial. O que você traz para a gente, Daniel? Qual o impacto disso tudo no mercado internacional de petróleo? Tanguy, a informação de que os Estados Unidos tinham feito uma proposta, trazendo 15 pontos, etc., foi muito bem recebida pelo mercado internacional.
Houve ali uma expectativa de quem sabe agora teremos paz, quem sabe agora teremos uma retomada da normalidade no que diz respeito à energia mundial. Com isso, o preço do petróleo começou a cair. Muito animado realmente com essa possibilidade que se abriu, pelo menos em função das informações que estavam disponíveis.
Eis que de repente, Tanguy, não mais que de repente, meio do nada, lá na TV estatal iraniana, o governo iraniano destaca que tem cinco exigências para parar com a guerra. Exigência número um, tomem nota. Fim imediato das hostilidades, ou seja, não tem mais agressões, bombardeamentos e assassinatos. Exigência número dois, garantia de segurança. Compromissos concretos para evitar novos ataques futuros.
Compromisso número 3. Reparações de guerra. Os Estados Unidos têm que pagar pelos danos causados ao Irã. Exigência número 4. Proteção aos aliados regionais. Mas não toque nos meus meninos. Não toque mais no Hezbollah, no Hamas, etc. Exigência número 5. O reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Hormuz.
Aí eu olhei para isso e falei, mas eu acho que tem alguém enganando alguém aqui. Porque, na prática, as exigências são exatamente as opostas. Você tem lá na Casa Branca, como você mencionou há pouco, o governo dos Estados Unidos exigindo que o Irã reconheça que foi derrotado. Porque, afinal, o Donald Trump precisa proclamar uma vitória, independentemente do que esteja realmente acontecendo no campo de batalha.
E, do outro lado, os iranianos se sentem fortes o suficiente para dobrar a aposta e para fazer exigências que são absolutamente inaceitáveis para os Estados Unidos. Assim como as exigências americanas para o Irã são inaceitáveis para o Irã. Não me parece, dadas as exigências que estão sendo colocadas pelos dois lados, que exista qualquer chance de acordo.
porque você está muito distante um do outro. Agora, é interessante registrar que o tempo conta a favor do Irã. Na prática, quanto mais o tempo passar, mais a economia mundial é desorganizada, mais a inflação fica alta, mais a popularidade do Donald Trump sangra. O Irã não está com pressa.
Os Estados Unidos é que têm dado, em vários momentos, sinais de uma certa pressa. Puxa, preciso que vocês proclamem que foram derrotados. A guerra está acabando, são só mais alguns dias. Mas, ao mesmo tempo, você manda lá os paraquedistas...
americanos por Oriente Médio, o que poderia estar sugerindo algum tipo de operação terrestre, que é uma insanidade. Se você pensar, quer dizer, o que já está ruim, poderia se tornar ainda pior para a economia mundial e para a economia americana em particular. Mas olhando aqui para o que nós temos até agora, não há nenhum motivo para uma animação muito grande. E, de novo, a ideia do Irã é muito simples.
Eu quero transformar a sua vida num inferno. Eu quero desorganizar a economia mundial. Eu quero arrebentar a popularidade do Trump. Eu não tenho como vencer militarmente. Mas, no futuro, depois dessa guerra acabar, vocês nunca mais vão aparecer aqui ou vocês vão pensar 380 vezes antes de voltar aqui porque vocês sabem o poder que eu tenho para desorganizar a economia mundial e para trazer consequências políticas para quem está me atacando.
E, aliás, no meio disso tudo, Daniel, você tem esse negocia ou não negocia, está negociando ou não está negociando. Aí o Trump começa a dizer que a negociação está acontecendo, que está sendo produtiva, mas ao mesmo tempo também parece que deixa na agenda uma possibilidade de uma incursão por terra. A agência de notícias, o oficial do Irã, a Tasnim, ela disse que o Irã pode abrir uma frente no estreito de Bab el-Mandeb.
O Estreio de Bab El-Mandeb, Daniel, é uma alternativa. Então, se você não consegue escoar petróleo pelo Estreio de Hormuz, então saindo do Golfo Pérsico, eventualmente a Arábia Saudita está colocando petróleo em oleodutos. Esse oleoduto leva o petróleo para o Mar Vermelho. Ali você tem um porto também. Não é o ideal, mas você consegue escoar por ali. Se você abre uma frente de batalha no Estreio de Bab El-Mandeb, onde você tem ali os aliados iranianos, que são os Ruts,
você gera dificuldades, inclusive, para escoar essa produção pelo Mar Vermelho. Então, tanto os Estados Unidos quanto o Irã têm condições de aumentar essa guerra. Essa guerra não chegou no teto ainda, e o ponto é saber se vai ter um recuo antes de cada um dos dois escalar ainda mais.
Essa questão. Isso mexe com o mercado internacional como um todo, isso mexe com a economia global. E se você quer, no meio do futuro, fazer uma boa escolha econômica, você vai ter que olhar para o Brasil, vai ter que olhar para produtos brasileiros e insider story, Daniel. Fábrica brasileira, produto brasileiro de qualidade e tecnologia. E aproveita, porque a gente está nos últimos dias do mês do consumidor. Ou seja, Daniel, são os últimos dias para você conseguir aqueles 50% de desconto que você pode chegar somando...
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que a loja tem peças para as mais diferentes situações, peças tecnológicas, alta durabilidade, qualidade, link no descritivo desse episódio. Agora, Tanguy, você sabe que tem um país que está olhando para todo esse cenário que a gente está descrevendo e chegou à conclusão de que, ah, é? Quer dizer que para ter a atenção do mundo...
É o caso de atrapalhar o fornecimento de petróleo, o escoamento de petróleo. Pois bem, a Ucrânia olhou para isso e falou, vou brincar disso também. Drones ucranianos atingiram os portos de Primorsk e Ustluga, ali no mar Báltico.
Na prática, você vai ter a suspensão de carregamentos de petróleo e derivados da Rússia naquela região. Então, você tem, no caso do porto de Primorsk, uma capacidade de embarque de 1 milhão de barris por dia, o que é muita coisa.
É a principal rota de exportação do petróleo tipo Uraus. Tem um forte peso também no diesel de alta qualidade. E o Urstluga é um hub logístico crucial no Balti. Na prática, ambos são pilares da capacidade exportadora russa.
Com isso, você pode ter, e muito provavelmente terá, interrupção temporária de exportações por ali, o que reduz a oferta de energia no mercado internacional dentro de um contexto onde a Rússia poderia ser ali justamente um escape, uma Rússia que vinha sendo muito beneficiada pela guerra no Irã, uma vez que ela tem ali capacidade de ampliar a sua oferta.
E tem mais. Nós tivemos também, Tanguy, a Rússia suspendendo a exportação de nitrato de amônia até 21 de abril para garantir o abastecimento interno durante a primavera.
E a Rússia é o principal fornecedor de fertilizantes de países como o Brasil, o que traz aí risco de ter zapastecimento por aqui. Meu Deus do céu, que agora a Ucrânia resolveu usar drones para atacar a capacidade exportadora da Rússia, embora o Ministério da Defesa da Rússia diga que triturou esses drones, que derrubou centenas de drones, etc., não deixa de ser mais um elemento de preocupação dentro desse mercado de energia internacional extremamente volátil.
E, aliás, Daniel, só para dar contexto nisso que a Ucrânia está fazendo, o Zelensky está, obviamente, precisando de atenção. Então, quando eu digo precisando de atenção, não é apenas uma carência pessoal e afetiva dele. Ele precisa que as pessoas voltem a olhar para a situação ucraniana, porque, senão, ele está numa situação de ter que entregar uma parte importante do país. Hoje, aliás, ele verbalizou isso.
Zelensky confirmou que os Estados Unidos só vão oferecer garantias à segurança da Ucrânia se a Ucrânia aceitasse retirar totalmente da região do Dombássio. Dombássio, lembrando, Daniel, são aquelas duas províncias, como se fossem dois estados brasileiros, que são Luhansk e Donetsk. Então, a Rússia já conseguiu avançar bastante, mas não conseguiu tomar tudo. Então, o que os Estados Unidos disseram,
textualmente para a Ucrânia foi, Ucrânia, eu te dou garantia de segurança, mas você tem que ceder o resto do Dombássio que você ainda controla. A gente está falando, Daniel, sobre algo em torno de 6 mil quilômetros quadrados. E aí o Zelensky, ele foi para a imprensa para falar isso meio indignado, e o que ele disse foi que o que o Trump está pedindo é para que a gente entregue o nosso cinturão de fortalezas, porque...
É exatamente uma região, uma linha de frente, que a Ucrânia conseguiu a duras penas defender, está conseguindo manter com seríssimas dificuldades os avanços russos, e o que o Trump está dizendo é eu te ofereço garantias da sua segurança se você sair daí e entregar o que a Rússia quer. Se alguém está querendo prova ainda, Daniel, de que o Trump está compradaço com os objetivos do Putin, essas dúvidas acabaram agora. Segundo os elencios também, aliás, isso é uma análise.
muito pertinente, existe nesse momento uma certa pressa dos Estados Unidos para resolver a questão na Europa. Claro, você tem um problema no Oriente Médio e os Estados Unidos estão sentindo o peso que é de direcionar armamentos para a Ucrânia, armamentos que já foram prometidos, que deveriam estar indo, por exemplo, para proteger países do Golfo, países...
aliados dos Estados Unidos, Israel e bases americanas. Então, o Zelensky, o que ele está dizendo é a gente está aí para receber mísseis Patriot, que são aquela bateria antiaérea, os mísseis de proteção aérea produzidos pelos Estados Unidos.
E a gente está com um risco enorme de não receber, porque esses armamentos estão indo para o Golfo. Então, ainda estão chegando? Estão. Mas estão chegando em quantidade muito menor. E, basicamente, Daniel, o que o Zelensky está dizendo é os Estados Unidos estão querendo rifar.
Uma defesa que a gente está fazendo há quatro anos da região do Dombás para agradar logo a Rússia, acabar logo com essa guerra e poder ficar focado basicamente no Oriente Médio. Zero surpresa, né, Daniel? A gente lembra que um pouquinho depois do carnaval, na época do carnaval do ano passado, a gente já tinha tido aquele bate-boca na Casa Branca entre o Zelensky e o Trump, que é exatamente uma pressão que o Trump vinha fazendo ao Zelensky.
entrega logo isso, cede logo para a Rússia, vai ter que acabar com essa guerra o quanto antes. E agora, portanto, no momento de guerra no Oriente Médio, isso se torna ainda mais urgente para os Estados Unidos, a pressão para que entregue 6 mil quilômetros quadrados para a Rússia, Daniel.
que é absolutamente inaceitável que os ucranianos certamente não vão fazer. E essa exigência reaparece, né, Antengue? Os ucranianos dizem não, aí o Trump traz a mesma exigência, que é uma exigência do Vladimir Putin, aí os ucranianos dizem não de novo, e a argumentação é bem simples, quer dizer, se eu perco esse cinturão de proteção, nada impede que a Rússia demande ainda mais território ucraniano e me coloque numa posição de ainda mais fragilidade. E essa promessa do Donald Trump não pode significar.
de que vai prometer a Ucrânia vale tanto quanto uma nota de 3 reais, né, Tanguy? Pelo amor de Deus. Quem é que acredita que o Donald Trump realmente vai se comprometer com a defesa da Ucrânia dentro de um contexto como esse? Contra a Rússia, você imagina, imagina, jamais. Nenhuma chance.
Agora, vindo para aqui, para a América do Sul, o Billy, né, Tanguy, que há poucos dias chegou a oferecer tropas argentinas para ajudar o Donald Trump no Oriente Médio, ele trouxe aqui um novo projeto, que é o projeto de flexibilizar limites a propriedades estrangeiras de terras rurais.
O argumento é atrair investimentos estrangeiros diretos, especialmente em setores intensivos em terra, como é o caso do petróleo, mineração e agricultura. O governo justifica que grandes projetos exigem escala territorial significativa. A legislação atual é vista como um grande entrave.
ao capital internacional. A medida, ela integra ali a agenda para o mercado do Milley, que envolve desregulamentação econômica, redução do intervencionismo estatal e abertura ao capital global. E registro que nós tivemos aí a lembrança dos 50 anos do golpe de Estado na Argentina, em 1976.
onde a sociedade argentina se manifestou mostrando ali que não admitiria, que não admite o retorno de qualquer tipo de governo autoritário no país. Não deixa de ser algo que chama a atenção. E, aliás, o contraste da Argentina com outros países da região é muito evidente, porque você tem ali uma situação em que a questão da democracia parece bastante pacificada diante da sociedade argentina.
e há ali uma clara consciência em relação ao que significou aquele período. Você teve na Argentina, num passado recente, governos de esquerda, agora tem o governo do Milley, que é super liberal e que tem ali uma indicação à direita, mas mesmo assim, os argentinos seguem ali mudando de governos, mudando de ideologia nos governos, mas elegendo governos através do voto.
Daniel, alguns dias atrás, eu trouxe uma pauta aqui para o Petit Jornal que mostrava que a guerra, o cenário de guerra, ele estava sendo bastante nocio para a popularidade de Donald Trump e isso se mantém. De fato, as pesquisas estão mostrando que a popularidade do Trump continua caindo. Aliás, chegou esses dias agora no menor nível desde que ele voltou à presidência.
mas que havia uma certa leitura em Israel de que a guerra poderia ser positiva para Benjamin Netanyahu. E o raciocínio era que a guerra tinha possibilitado que em Israel você trocasse um pouco o foco. Parou-se de falar de Gaza, que era um tema muito controverso, e você começa a falar sobre uma guerra contra o Irã. O Irã é que é basicamente um consenso. A sociedade israelense considera que o Irã é de fato uma ameaça. Aliás, que o Irã...
É a raiz das principais inseguranças do Estado israelense. Pois bem, Daniel, o tempo vai passando e a gente vai vendo pelas pesquisas que a popularidade de Netanyahu não subiu, apesar dessa leitura. Na prática, o que começou a acontecer foi que essa guerra também levou
com a mesma velocidade, há um aumento do custo de vida. Públicos óbvios, né? Se você tem uma pressão sobre o custo da energia, o custo de vida, de uma forma geral, aumenta. Então, por mais que tenha gente de Israel que olhe para essa guerra e fale assim, pô, legal, guerra contra o Irã, tem que fazer mesmo, o custo de vida acaba levando, portanto, a uma insatisfação maior. Isso acaba mexendo no cálculo político do Netanyahu, que estava com a ideia de, eventualmente, convocar uma eleição antecipada.
A eleição, Daniel, em condições normais, as eleições parlamentares em Israel, elas devem acontecer até o dia 27 de outubro, agora de 2026. Ele estava com a expectativa de que, olha, se minha popularidade aumentar, sei lá o que vai acontecer até outubro, convoco eleições, consolido a minha base, garanto maioria, vida que segue, permaneço no poder durante mais um bom tempo. Só que o custo da guerra está sendo bastante elevado.
o Netanyahu vai ter que ir no Knesset para pedir um aumento do orçamento militar, a tendência é que isso não seja bem aceito pela sociedade, ainda mais no momento no qual os preços estão tornando a popularidade do Netanyahu cada vez mais complicada. Então, a perspectiva que a gente tem nesse momento, Daniel, é que você tenha cerca de 40% dos votos para o Netanyahu e outros 40% para a oposição.
E tem 20% ali, Daniel, que tendem a ficar divididos, são os indecisos e tal, mas que podem ficar contra o Netanyahu. Ou seja, Daniel, a perspectiva nesse momento, se as eleições fossem hoje, é que o Netanyahu teria uma maioria do partido dele junto com grupos aliados, partidos aliados, ele ficaria com 51 parlamentares. E você precisa de 61 para ter maioria no Knesset.
O resultado disso é que agora você tem um movimento contrário ao que ele vinha fazendo nos últimos dias. Ele está tentando ao máximo evitar que você tenha eleições antecipadas. Para isso, ele tem um prazo muito apertado. Ele precisa aprovar o orçamento até o dia 31 de março. 31 de março é daqui a menos de uma semana, Daniel. Se ele não conseguir aprovar o orçamento...
As eleições são convocadas automaticamente e Netanyahu pode cair. Ao longo dos próximos dias, portanto, a gente vai ter um governo Netanyahu fazendo toda a gestão possível para aprovar esse orçamento, jogar a eleição para outubro, para ver se lá em outubro...
O efeito da guerra passou, ele conseguiu mexer ali na opinião pública. A gente sabe que apostar contra Netanyahu é sempre muito difícil, né, Daniel? O homem é uma cobra política, sabe tudo. Todas as vezes que a gente achou que Netanyahu estava morto politicamente, ele consegue dar a volta por cima, mas agora ele tem poucos dias e se a eleição acontecer no curto prazo, a chance de Netanyahu deixar o poder por conta da crise econômica, por conta da pressão que a guerra está gerando sobre a economia, é bastante razoável, Daniel.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da chaquira de hoje? O que você traz hoje, Daniel? Me conta aí. Na geleia da chaquira de hoje, Tanguy, eu trago opiniões embasadas. Opiniões embasadas dos Spring Breakers, que na prática são universitários americanos. O programa Jess Waters Prime Time, da Fox News,
foi à praia na Flórida para perguntar a opinião dos jovens universitários sobre a política externa americana. Aí entrevistou o universitário do Tennessee, da Flórida, de Connecticut, de Ohio, e perguntou ali sobre a guerra do Irã, o que eles estavam achando da guerra do Irã.
Não tem ideia do que está acontecendo. Perguntaram o que achavam do Ayatollah. O que é Ayatollah? Né, Tanguy? Mas eles souberam da morte do Chuck Norris. Isso todos eles sabiam da morte do Chuck Norris. Alguma coisa, né, Daniel? Que bom, é um alento. Absolutamente informados. Estamos falando de estudantes universitários que estão no Spring Break, que é o início da primavera, agora no Hemisfério Norte, e que estão ali numa semana de descanso.
Quando questionados sobre o que aconteceu na Venezuela recentemente, Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego Diego
O universitário perguntou se a Venezuela era na Espanha, porque ele não sabe direito onde fica a Venezuela. E ao ser perguntado a um dos universitários qual foi o feito mais importante da política externa de Donald Trump, ele respondeu, sem pistanjar, o Golfo da América.
O Golfo da América é o grande movimento da política externa de Donald Trump. E aí perguntou uma moça, né? Qual a questão mais urgente que os Estados Unidos enfrentam? E ela respondeu, qual biquíni vou usar da próxima vez? Ô, Tanguy é tão caricato. Fica aqui a recomendação, gente. Vai lá no site da Fox News e aí pega lá os vídeos do Spring Break. Os Spring Breakers dando a sua opinião sobre a política externa americana.
que é maravilhoso. É maravilhoso. Isso ajuda a entender, Tanguy, o que é esse mundão de meu Deus. O Donald Trump, rapaz, pode fazer o que quiser. Que a galera está preocupada com o Chuck Norris. A galera está preocupada com o biquíni, com o cação de banho, se vai fazer só na Flórida, e assim por diante. É por isso que a única coisa que realmente pode impactar o Trump não pode significar.
É gasolina cara na bomba. É se você não conseguir fazer compras no mercado. Ninguém dá a mínima sobre as dimensões humanas, políticas, geopolíticas de determinadas movimentações. E o Iran sabe disso. Arrebentou a inflação? Vai arrebentar a popularidade do Trump, porque isso é a única coisa que comove realmente o americano médio, e nesse caso, o americano médio universitário.
E, Daniel, uma coisa que é importante lembrar é que Donald Trump não surgiu do nada. Donald Trump faz parte desse grupo aí que não sabe muito bem e tal. Vamos lá fazer uma coisa no Irã. Aí, vamos. Então, isso aqui a gente já falou várias vezes, né? Que a decisão de atacar o Irã, ela não foi tomada exatamente com técnicos, com pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
É um negócio meio de orelhada, né? O Irã, acho que a gente consegue. Irã, Iraque, é tudo... É Síria, né? Iêmen. É tudo a mesma coisa. Então, vamos lá que, pô, certamente a gente vai conseguir, que a gente... Nós somos Estados Unidos. Então, eu vou até assistir, Daniel. Não assisti, não, mas eu fiquei com medo de passar raiva, cara. Passar raiva, né?
Acho que vai. Ou então você pode achar engraçado. Eu acabei achando engraçado. Por conta de tão caricato que é. E você vê que eles estão sendo sinceros. Dá para ver que aquilo não é montagem. E é algo que chama demais a atenção. Quem tiver curiosidade, vai lá no site da Fox News que você vai encontrar.
Daniel, dessa maneira a gente encerra o nosso episódio. Agradeço demais a presença de todo mundo. Aqui deixar um recado, tá, gente? Amanhã não teremos bate-papo. A gente vai estar fora do Rio de Janeiro, né? Enfim, a gente não vai estar por aqui. Então a gente vai tentar gravar o Petin Veste, mas a gente não tem o horário muito preciso ainda, mas a gente dá notícia para vocês. Certamente voltaremos com novos episódios em breve.
Deixar aqui nosso super agradecimento, Daniel, todo mundo que está junto com a gente, pessoal que nos acompanha. Muito obrigado pela companhia de vocês. E lembrar...
que na próxima terça-feira, terça-feira agora, próxima terça-feira, semana que vem, às 19h, teremos mais uma aula gratuita do Petit Jornal. Vai ser lá no YouTube do Petit Jornal, aliás, inscreva-se no YouTube do Petit Jornal, a gente vai falar sobre o estreito de hormuz.
o que é o Estreio de Hormuz, por que essa importância toda do Estreio de Hormuz, como é que o Estreio de Hormuz pode parar o mundo, do ponto de vista político, geopolítico, econômico, comercial, energético. Essa aula gratuita me parece que não há tema mais importante nesse momento do que a gente entender a importância central do Estreio de Hormuz para a política e para a economia mundial. Nos vemos lá. Aliás, aproveita para ver se você está inscrito no canal do Petit Jornal no YouTube. Ativa lá o sininho.
para você ser avisado sobre essa aula lá no PetiCursos, no YouTube do PetiCursos, lá no YouTube. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetiJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço. Nosso muito obrigado a cada um de vocês, Peti Homem de Pequena. Não tem aí o suporte de um conglomerado, nem de uma grande produtora. É um trabalho bastante artesanal. E por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante. E por isso registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.
E fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias formas de apoiar o PET-1. Tem a chave PIX, que é uma forma prática, instantânea de apoiar o PET-1. Dá para ativar a chave PIX de forma recorrente, ao PIX recorrente.
e a chave está no descritivo desse episódio. Temos também o link do Apoia-se, o link do Patreon, que acaba sendo muito bacana para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Em breve estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu! Tchau, tchau! Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br
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