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Pessimismo no mercado de ações - Invest 109

28 de março de 202616min
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RIO CLARO
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O mercado de ações global atravessa um momento de pessimismo diante da combinação entre guerra no Oriente Médio, alta do petróleo e incerteza sobre os próximos passos da política externa dos Estados Unidos. Mesmo com sinais pontuais de adiamento de ataques e possíveis negociações, os investidores seguem cautelosos, com futuros de ações pressionados e uma leitura de que o risco geopolítico continua elevado e sem solução clara no curto prazo.
A alta do petróleo reforça temores inflacionários e reduz o espaço para cortes de juros, pressionando bolsas e aumentando a volatilidade global. Esse ambiente leva a uma reprecificação de ativos, com fuga de capital de setores mais sensíveis e maior aversão ao risco, enquanto investidores tentam entender se o cenário aponta para desaceleração econômica mais forte ou apenas um choque temporário ligado à guerra.
#MercadoFinanceiro #Bolsa #Petróleo #Geopolítica #Investimentos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos1
  • Pessimismo Mercado AcoesGuerra no Oriente Médio · Alta do petróleo · Expectativas de investimentos · Impacto na economia · Declínio das ações
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Petit Invest número 109. Estamos gravando excepcionalmente no sábado 28 de março de 2026. São exatamente 8 horas e 40 minutos da manhã.

E temos aqui Tanguy, opa, Gdadia, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15% e preocupado, muito preocupado com os seus investimentos. Ainda bem que ele tenha Rio Claro para auxiliá-lo nessa...

trajetória extremamente difícil nesse momento específico. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos falar um pouco sobre esse ambiente internacional e o impacto sobre a dinâmica de investimentos, o ambiente econômico. Esse é o Petit Invest, espaço semanal aqui do Petit Jornal. Tudo bem, professor Paquitadinho, vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza, com S, vamos lá para esse Petit Invest, número 109. Um prazer estar aqui mais uma vez nesse sábado de manhã.

para falar sobre as coisas que nos afligem, né, Daniel Souza? O mundo está olhando para essa guerra aí com preocupação. Havia uma certa expectativa, e real, a meu ver, que a guerra poderia ser rápida, e a guerra não será rápida, não está rápida, aparentemente vai demorar.

E, naturalmente, o pessoal está começando a colocar na conta, está começando a botar lá na sua calculadora científica que a guerra demorando mais, o problema se mantém, a gente passa a ter problemas um pouco mais prolongados. E aí, Daniel, você falou aí que a Rio Claro pode ajudar e tudo, e pode de verdade, né? A Rio Claro...

é nossa parceira, que é uma gestora completa. E o que você precisa nesse momento para você resguardar as suas finanças, as suas economias, garantir que você faça boas escolhas, é uma gestora como a Rio Claro. A Rio Claro olha para tudo isso que está acontecendo e encontra as melhores soluções, encontra os melhores caminhos para garantir que lá na frente...

Essa guerra, essa turbulência e as outras pelas quais a gente vai passar ao longo da nossa vida não se torne um problema para a aposentadoria, para você ter um futuro tranquilo. Esse é o ponto fundamental, esse é o compromisso da Rio Claro com você. Entre em contato com eles, o link está na descrição desse episódio. Daniel Souza, havia expectativa de que a guerra poderia ser rápida.

Faltou o Vipetir Jornal, que a gente falou desde o início que, olha, do jeito que a coisa está se desenhando, sei lá. Mas o mercado de ações está perdendo o nosso sono, Daniel. E aí, cara, me conta o que está acontecendo, como é que você está vendo esse cenário aí? Pois é, Tanguy, na medida em que você tem uma guerra no Oriente Médio e o preço do petróleo acaba sendo impactado...

O efeito óbvio é que as empresas passam a ter um custo maior para produzir. E pior, os consumidores também perdem ali poder de compra. Então, empresas com custo maior produzem menos, consumidores com um custo de vida mais alto consomem menos.

Diante disso, o mercado começa a precificar uma economia mais lenta, empresas produzindo menos, consumidores consumindo menos, lucros menores, e, consequentemente, o valor das empresas não pode ser o mesmo que era antes de surgir essa guerra no Oriente Médio.

Então, desde que essa guerra começou, nós temos observado um declínio no valor das ações, no valor dos ativos, incluindo aí empresas dos Estados Unidos. Tanto a Bolsa de Nova York quanto a Nasdaq, que acaba comercializando empresas da área de tecnologia, tem passado, ao longo das últimas semanas, por um processo contínuo de queda.

Teve ali uma pequena interrupção no início dessa semana, quando o Donald Trump disse, estamos conversando, a guerra vai acabar, gente. Aí teve ali uma pequena inflexão, mas poucas horas depois voltamos à programação normal. Aliás, a gente está vendo que isso parece meio arquitetado, parece meio ensaiado, porque toda vez que você começa a ter um pessimismo muito grande...

o Trump aparece com alguma explicação também, de real, de que a guerra vai acabar. Não é nenhuma explicação, né? Uma esperança de que a guerra vai acabar. Aí ele fala, mais quatro semanas. Aí a bolsa fala assim, opa, quatro semanas, acho que dá, né? Quer dizer, vamos chegar a quatro semanas de guerra. Quatro semanas, beleza, faltam ali duas, né? A gente consegue lidar com isso.

Aí o Irã fala assim, ó, não vai ser quatro semanas não, hein, vai ser mais. Aí a Bolsa volta a sofrer. Aí o Trump fala assim, estamos tendo negociações excelentes. Aí a Bolsa fala assim, ufa, não, pô, então beleza. Mas isso vem sendo feito de forma recorrente pelos Estados Unidos, né, Danã? E me parece que é uma tentativa de falar assim, gente, pelo amor de Deus, calma, não vamos ter um pessimismo tão grande assim.

que a Bolsa não para de cair no momento em que todo mundo precifica que a guerra vai continuar. Não tem como parar de cair mesmo. Na medida em que você projeta que a guerra vai continuar, as empresas e os consumidores vão ter uma vida mais difícil. Eles serão necessariamente mais pobres do que seriam se essa guerra não tivesse aparecido no horizonte.

E quando a gente observa, tem que ir num recorte um pouco mais longo, a gente consegue enxergar que ao longo do ano de 2025, nós tivemos muita valorização de ativos, de ações, etc., muito em cima da inteligência artificial. A inteligência artificial acabou trazendo ali uma série de expectativas positivas do que diz respeito a ganhos de produtividade, de aceleração de crescimento e também de surgimento de novos negócios.

Fora isso, a gente está falando de um contexto internacional onde a taxa de desemprego está muito baixa e isso aumenta o consumo das famílias e, consequentemente, também acaba tendo impactos positivos sobre o crescimento econômico. Portanto, havia ali um ambiente de otimismo claramente estabelecido. Aliás, quando você olha o gráfico, chama muito a atenção. Você estava numa tendência de alta, uma tendência de alta, uma tendência de alta, e aí essa tendência de alta é quebrada.

E aí você começa a ter claramente um declínio e a quebra coincide justamente com o início da guerra no Oriente Médio. Aliás, eu queria que você explicasse um pouquinho, Daniel, porque a gente tem ouvido falar muito assim. No momento atual, o mercado de ações está no seu pior momento nos últimos sete meses.

Mas sete meses atrás não era exatamente um momento ruim. O que quer dizer quando a gente fala que nos últimos sete meses nunca esteve tão ruim? O que significa isso? Há sete meses não estava num momento nada ruim. Há sete meses, na prática, nós estávamos observando uma escadinha. Mais ou menos o seguinte, imagina que no início do ano, e aqui eu vou dar valores absolutamente ilustrativos, você estava no terceiro degrau.

Aí, há sete meses, você estava no sétimo degrau. Ou seja, há sete meses, você já estava numa situação melhor do que no início do ano passado. Você subiu mais ainda, você chegou ao décimo degrau. Aí começou a guerra no Oriente Médio, você voltou do décimo degrau para o sétimo. Ou seja, há sete meses, você estava ali com uma tendência de alta. Essa tendência de alta vinha de meses anteriores e continuou em meses posteriores. Mas, claro, quando você pega ali o recorte...

de comparação, você chega à conclusão que o mercado está no pior momento dos últimos sete meses. É óbvio que se nós continuarmos tendo queda ao longo das próximas semanas, esse recorte vai se ampliar, ou seja, vai ter gente dizendo, olha, está no pior momento há oito meses, há dez meses, porque você começa a fazer comparações justamente com degraus mais baixos que estavam sendo apresentados no ano passado.

E a gente vai ter um fenômeno curioso porque o mercado, naturalmente, ele ouve muito o presidente dos Estados Unidos, né? Isso historicamente é assim, né? O que o presidente fala, ele está falando sobre uma superpotência econômica, uma superpotência do mercado de capitais, uma superpotência militar. Então, no momento em que o Trump fala, não, mas vai ser uma guerra demais apenas algumas semanas, o mercado ouve, o mercado escuta e precifica aquilo.

A gente está tendo um fenômeno agora, Daniel, no qual o mercado está tendo que ouvir o Irã também. Porque se o Trump diz que a guerra vai acabar, não, mas vai ser um fenômeno.

que estamos vencendo e que o Irã a qualquer momento vai ser obrigado a admitir que foi derrotado. E o Irã fala, não, inclusive estou cobrando para os navios passarem, para passar ali por Hormuz, sou eu que decido quem é que vai passar e para passar vai ter que negociar comigo e me pagar.

O mercado olha para isso e fala, não está me parecendo que a guerra vai ser tão rápida assim. E aí isso reflete no mercado de ações. É curioso como é que a realidade acaba colocando o Irã, que não é um país que tem uma grande credibilidade junto ao mercado financeiro, mas que tem que ser escutado também, porque ele tem o poder também de determinar quanto que essa guerra vai demorar e quanto que as ações ainda vão sofrer.

E, nesse sentido, o Irã se colocou numa posição de muito poder, na medida em que ele passou a ter uma projeção internacional que ele não tinha antes do conflito. E é interessante, porque você falou um pouco sobre o presidente dos Estados Unidos e o que ele fala é sempre ouvido com atenção.

Mas é óbvio, ele é o presidente dos Estados Unidos. Quer dizer, as pessoas ainda têm um certo cacuete, Tanguy, veja você, de levar a sério o que o presidente dos Estados Unidos fala, mesmo que o que ele diz não se escreva ou não se confirme poucas horas depois. Historicamente, os presidentes dos Estados Unidos tinham muito cuidado ao falar.

Falavam com muita parcimônia, tinham ali realmente um excesso de zelo nas palavras que usaram, etc. Claro que nem todo presidente era tão zeloso assim, mas nenhum presidente, nem de perto, o Donald Trump, no que diz respeito a uma certa irresponsabilidade mesmo que ele fala.

Ah não, porque estamos conversando que a guerra vai acabar nas próximas horas. E em vários momentos fica evidente que ele está mentindo. Ele sabe que não vai acabar nas próximas horas, mas que de alguma maneira ele está ali tentando segurar as expectativas. De novo, claro que não é o primeiro presidente americano a mentir, não é o primeiro presidente do planeta a mentir, mas existe um certo descaramento do Donald Trump, existe ali uma certa característica de tentativa.

de recorrente manipulação do mercado que me parece um pouquinho diferente dos seus antecessores, até porque ele chega em alguns momentos a ser até um pouco caricato, exigindo do Irã que o Irã aceite que foi derrotado, etc., que estamos ganhando a guerra. Enfim, existe, ainda mais dentro de um contexto de redes sociais e de informação circulando de maneira tão ampla, um certo descrédito em algumas declarações do presidente americano.

Ele tenta, inclusive, fazer com o mercado, Daniel, mais ou menos o que ele faz com o público dele domesticamente. Uma brincadeira que a gente já fez aqui várias vezes. É brincadeira mais ou menos também, né, Daniel? Que ele se tornou presidente para poder ganhar dinheiro de outras maneiras. Então ele dá uma declaração, um determinado ativo sobe, ele ganha dinheiro com essa operação. Ele vende produtos dele, bíblia do Trump, tênis do Trump, caneta do Trump.

Ele vende o Bitcoin, né? Quer dizer, a criptomoeda do próprio Trump e da mulher dele.

Então, ele manipula isso. Agora, quando ele faz isso em outros momentos, ele está basicamente lidando com a base dele. É o cara que vai comprar qualquer coisa que o Trump vendeu, o cara que vai seguir o que o Trump falar. Agora, ele está tentando fazer isso com o mercado mais amplo, que naturalmente olha para isso num primeiro momento, até tenta acreditar, beleza, o presidente está falando, deve ser verdade, deve ter alguma base no que ele está falando, mas com o passar do tempo, essa credibilidade vai desaparecendo também.

Me parece que o próprio mercado começa a acreditar um pouco menos nas promessas que Donald Trump faz daqui para frente. Isso é inevitável, Tanguy, porque na prática, se você leva a sério as sucessivas declarações do presidente e essas declarações não se confirmam, na prática você perde dinheiro. Puxa, eu acreditei no presidente.

E aí o que aconteceu? Comprei, apostei dinheiro, coloquei recursos realmente em determinados ativos, passaram-se dois dias, a declaração do presidente virou pó, e aqueles ativos que eu comprei começaram a cair de valor, quer dizer, eu perdi dinheiro que eu acreditei no presidente. Com isso, é natural que as pessoas gradualmente comecem...

a acreditar menos, a levar menos a sério o que ele está fazendo, e aí você tem um problema grave, porque uma das funções do governo é coordenar as expectativas. Me parece que é interessante tentar diminuir oscilações, tentar conter euforia excessiva, tentar conter pessimismo excessivo, mas o que a gente está olhando nesse caso em particular é um problema concreto, é um problema real, é um problema gravíssimo. O petróleo subiu muito ao longo das últimas semanas.

Isso desorganiza a economia do planeta. Isso desorganiza a circulação de marcadorias. Isso desorganiza a distribuição de comida. A comida vai ficar mais cara, porque a comida chega no caminhão que é movida a diesel. Então, isso não é brincadeira. E a comida ficando mais cara, a família passa a ter menos dinheiro, de repente, para comprar um produto de uma outra empresa. E aí essa outra empresa vai perder venda.

E aí essa outra empresa vai ter ali uma lucratividade menor, eventualmente vai despendir funcionários porque a produção caiu, porque as vendas caíram, porque a comida ficou mais cara, porque o petróleo ficou mais caro, porque os Estados Unidos entraram numa guerra no Oriente Médio. O pessimismo me parece bastante natural. A gente acaba tendo a oportunidade de circular bastante, conversar com muitas empresas. A gente não consegue ver ninguém muito otimista nesse momento enquanto a guerra não acaba.

Porque isso é um problemaço. O petróleo já subiu bastante. Poxa, será que ele pode subir ainda mais? Será que isso pode desorganizar ainda mais a economia? E, consequentemente, as minhas previsões precisam ser revistas, as minhas previsões de venda, as minhas previsões de produção, se disserem. Então, quando a gente pega esse indicador da Bolsa, na prática, a Bolsa é um termômetro do que as pessoas estão projetando para o futuro.

E se as ações caem sistematicamente ao longo das semanas, e é isso que tem acontecido nas últimas semanas, elas estão projetando que o futuro será difícil. E eu acho muito interessante porque não é um crack, não é um processo onde...

desaba de forma muito violenta uma única vez. Não, não. Vai caindo gradualmente, dia a dia. Porque cada dia é uma erosão. Conforme a guerra vai continuando, a situação vai piorando gradualmente. Nesse sentido, me parece uma análise bastante aderente, uma expectativa bastante aderente em relação ao que está acontecendo nesse momento. Você vai tendo um declínio, um declínio, um declínio, porque cada dia a mais de guerra é um dia...

onde você tem uma perda relevante e impactos sobre a economia real, impactos sobre a vida das pessoas. Isso sem entrar nas vidas humanas que são perdidas, isso sem entrar numa dimensão humana que é super importante também, que não pode ser jamais esquecida. Mas se a gente pensa no resto do mundo, que não está necessariamente envolvido diretamente no conflito, o resto do mundo acaba sendo impactado também.

E os americanos que vivem nos Estados Unidos, as pessoas que vivem nos Estados Unidos, também estão tendo a sua vida impactada e isso ajuda também a erodir a popularidade do Trump. Ou seja, Daniel, dessa maneira a gente vê que o que acontece lá no Oriente Médio impacta a nossa vida de forma direta, de forma muito direta. Eu sei que até hoje a gente fala assim, é um mercado de ações, eu não quero nem saber, não tem impacto na minha vida.

tem, é claro que tem, é óbvio que tem, você pode mexer bastante com expectativas de tudo, inclusive se vai ter investimento, se não vai, se vai ter mais emprego, se não vai, e tudo isso, portanto, acaba dando muita força para essa necessidade que a gente tem de olhar o que está acontecendo no mundo afora, o que está acontecendo no Oriente Médio.

Aliás, na segunda-feira, Daniel, a gente volta com mais um episódio do Bate-Papo. A gente grava às 9 da manhã. Queria agradecer a todo mundo que está com a gente nessa manhã de sábado. Você que está ouvindo a gente ao longo do fim de semana, ao longo da semana que vem. Você que está no futuro. Um abraço para você que está no futuro ouvindo a gente. Daniel Souza, segunda-feira a gente está de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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