Putin em Pequim - BP 1078
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Vladimir Putin visita Pequim em um momento decisivo para as relações entre Rússia, China e Estados Unidos, com energia e comércio no centro das negociações. No episódio analisamos os interesses econômicos e estratégicos por trás da aproximação sino-russa, além dos sinais de que Washington pode retomar ataques contra o Irã, elevando novamente a tensão no Oriente Médio. Também discutimos a defesa da “reglobalização” feita pela OMC como forma de reduzir a dependência excessiva de grandes potências e reorganizar cadeias globais de produção.
Abordamos ainda o alerta da OMS diante de um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo e as novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra a rede financeira e a chamada “frota sombra” do Irã.
Na Geleia da Shakira, a prefeita de Arcadia, na Califórnia, renuncia após admitir atuar como agente da China, em um episódio que mistura espionagem, política local e disputa geopolítica.
#China #Rússia #Geopolítica #Irã #EconomiaGlobal
- Viagem à ChinaVladimir Putin · Xi Jinping · China · Rússia · Estados Unidos · Donald Trump e a NASA
- Power of Siberia 2Power of Siberia II · Gás natural · Gazprom · China · Rússia
- Tensão EUA-IrãEstados Unidos · Irã · Sanções · Frota Sombra · Guerra
- Globalização e suas contradiçõesReglobalização · Organização Mundial do Comércio · Cadeias de suprimentos · China · Taiwan
- Surto de Ebola na ÁfricaEbola · Organização Mundial da Saúde · República Democrática do Congo · Uganda · Pandemia
- Espionagem Chinesa nos EUAElian Wang · China · Estados Unidos · Espionagem
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1078. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 33 minutos da terça-feira, 19 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de Kortang, vírgula, ô Bagdadinho, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante.
descansado, tarifado em 15%, ressarcido de tarifas e muito preocupado. Muitas noites de insônia. Tanguy Bagdadi está aí realmente se debatendo com questões internacionais diversas, que tem tornado o mundo muito incerto e pantanoso.
E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdade? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para esse bate-papo 1078, um prazer estar aqui mais uma vez nessa terça-feira, né? Junto com os nossos amigos aqui, pessoal que nos acompanha todos os dias, quem assiste ao que está acontecendo no mundo por meio do Petit Jornal, é uma honra ter vocês aqui com a gente. E, Daniel, eu quero começar a nossa pauta de hoje, começar o nosso episódio, falando sobre a visita de Vladimir Putin a Pequim.
Ora, Trump foi para Pequim, o Putin ficou de longe só olhando, está lá com os meus amigos, está lá na China, que história é essa, que papo é esse. Daniel não deu tempo de esquentar ou de esfriar a cadeira que estava sendo utilizada por Donald Trump. Putin já chegou na China.
Então, apenas quatro dias depois de Donald Trump ir embora de Pequim, Vladimir Putin desembarcou na capital chinesa nesse dia de hoje, no dia 19 de maio. Essa é a 25ª visita oficial de Putin à China. 25ª vez que ele vai.
para a China, então o Putin naturalmente já é presidente desde 1999, o Xi Jinping está à frente da China desde 2012, então deu bastante tempo para os dois se encontrarem, então os dois já se encontraram mais de 40 vezes, claro que Putin foi à China antes do Xi Jinping, mas Putin e Xi Jinping já se encontraram mais de 40 vezes, aí naturalmente entre visitas na China, na Rússia e em outras ocasiões.
Uma coisa que parece bastante clara, Daniel, é que o Putin vai para a China para tentar garantir que qualquer acordo que tenha sido feito entre os Estados Unidos e a China, e naturalmente a gente não sabe tudo que foi conversado, não traga qualquer tipo de prejuízo estratégico na região para Vladimir Putin. Ele quer estar atento ao que está acontecendo, sabendo naturalmente que ele tem.
Uma posição muito vantajosa nessa parceria com os chineses. Então a impressão que dá é que ele foi lá para ver o que está rolando, o que rolou, o que foi conversado e tal. E o próprio Xi Jinping, Daniel, tem aproveitado muito essa centralidade que a China tem. O fato de você ter, em pouquíssimos dias, a visita do presidente dos Estados Unidos, do presidente da Rússia,
mostra uma centralidade diplomática da China. Ele, aliás, utilizou isso, inclusive, na própria visita do Trump. Isso eu achei curioso, Daniel, porque o Xi Jinping levou o Trump para visitar os seus aposentos pessoais, o local onde ele mora, a residência oficial do Xi Jinping. E ele falou para o Trump assim, ó, o Putin foi um dos pouquíssimos líderes
que eu trouxe aqui, hein? Tipo, valoriza aí, você está vindo aqui, pouquíssimas pessoas conhecem essa residência oficial e tal, e ao que tudo indica, Daniel, o que consta, o que Donald Trump disse foi Ah, good, good, bom, ah, beleza, bom, bom, ok.
Então, assim, a China também, Daniel, está toda feliz que está podendo falar assim, ó, se liga aí, hein? E certamente, Daniel, agora com o Putin indo lá, ele também vai contar altas histórias do Trump. Ah, o Trump é muito legal, né? Pô, ele esteve aqui conversando, foi ótimo, ótimas conversas e tal. Então, óbvio que a China...
ela tenta aproveitar exatamente esse cenário no qual todo mundo quer e todo mundo precisa conversar com ela. A impressão que dá é de que ele também vai utilizar com a Rússia uma estratégia parecida com a que ele usou com o Trump, que é deixar a conversa transcorrer, deixar a vizir transcorrer sem necessariamente fazer grandes concessões ou grandes acordos ou qualquer coisa assim. Agora, tem um tema, Daniel, que não é de hoje.
é muito trabalhada, é muito central para os dois, que é energia. A gente está falando sobre uma Rússia que é uma exportadora de energia, precisa exportar energia, uma China que é a maior compradora de petróleo do mundo, e você tem alguns projetos bilaterais, um deles que foi tratado foi o Power of Siberia 2.
A gente já tem o Power of Siberia, a energia da Sibéria, agora a ideia é tentar construir o 2, e que é um gasoduto que, na verdade eu falei de petróleo, mas nesse caso aqui é de gás natural, planejaram de 2.600 quilômetros para abastecer. O que você vê nessa parceria aí, Daniel? Que detalhes você tem?
Pois é, Tanguy, como você muito bem colocou, um dos temas centrais nas conversas entre o Xi Jinping e o Putin é justamente o Power of Siberia II. Claro que existe um Power of Siberia I, que foi alvo ali de um projeto desde 2019, só que ele está chegando no limite da sua capacidade de escoamento de gás da Rússia, da Sibéria, na Rússia.
para o nordeste da China. E, por isso, existe aí essa discussão para a construção de um novo gasoduto. É importante registrar que, na visita de Putin, em setembro de 1925, Rússia e China concordaram em construir esse gasoduto.
mas ainda não chegaram a um acordo sobre preços. A escassez de energia ligada ao conflito do Irã pode reforçar a argumentação em favor deste projeto. Pequim mantém a estratégia de diversificação. Está negociando também com o Turcumenistão, um gasoduto como forma justamente de garantir a segurança energética do país.
E a China poderia fechar um acordo amplo com a Rússia, só que esse acordo ainda não está fechado. Me parece, Tanguy, que o Xi Jinping, sendo o Xi Jinping, deixa a coisa decantar um pouco para tentar conseguir o melhor acordo possível com o Vladimir Putin. Como quem diz o seguinte, Putin, realmente, a gente assinou no ano passado, mas ainda não chegamos a...
um bom termo no que diz respeito à questão mais importante, que é justamente o valor do gás, o preço do gás que eu vou ter que te pagar num projeto de longo prazo, um contrato longo de fornecimento de gás natural. Negociações de preços podem levar alguns anos. Isso não é incomum, ainda mais tratando-se de Xi Jinping, que tem uma dinâmica de negociação gradual e lenta.
Nós estamos falando também de uma Rússia que exporta GNL para a China. Aliás, em relação ao ano passado, as exportações cresceram 18,2%. A Rússia foi o terceiro maior fornecedor de GNL para a China, atrás da Austrália e do Catar.
Com o Catar enfrentando dificuldades, é natural que a Rússia ganhe um pouco mais de espaço. Aliás, a participação no GNL da União Europeia foi de 16% no ano passado, o GNL da Rússia. A China, como você destacou, é a maior compradora de petróleo russo. Importações em 2025, 2,01 milhões de barris por dia. Representa algo em torno de 20%.
de todo o petróleo importado pela China. E tem um outro detalhe para encerrar, Tanguy, para te devolver a palavra. Nós tivemos no dia de hoje o Besant, que é o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, dizendo que não tem pressa, que os Estados Unidos não têm qualquer tipo de pressa para estender a trégua comercial com a China sobre tarifas. Lembrando que essa trégua comercial vai até o segundo semestre desse ano.
E é mais ou menos os Estados Unidos dizendo o seguinte, Alô, China, eu estou vendo que você está conversando com o Putin, hein? Não me traia porque, eventualmente, eu posso estar estendendo essa trégua comercial. Ou não, nós podemos voltar ao tarifácio.
Mas, além da verdade, os chineses ganharam muito capital de negociação com os americanos, uma vez que diversificaram e diminuíram a dependência do mercado americano no que tange às suas exportações, algo que a gente já explorou aqui no Petit Jornal, em função de empresas chinesas que se espalharam por outros países e exportam a partir desses países para os Estados Unidos como forma de contornar eventuais tarifácios impostos pelo Trump.
Ainda sobre energia, Daniel, sobre a tentativa de fazer esse Power of Siberia 2, a questão do valor, é exatamente o tema que está na mesa nesse momento. E quem fez a proposta foi a Gazprom, que é uma estatal russa, uma das maiores empresas da Rússia, que fez uma proposta bastante agressiva para a China. A impressão que havia na Rússia era de que a proposta da Gazprom vai ser aceita. Não tem jeito, a China vai aceitar essa proposta.
E o que a China disse foi... mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas
Sabe que eu não sei se eu vou aceitar? Vou pensar um pouco melhor. Me dá um pouco mais de tempo. Eu vou dar uma volta e eu volto a falar com você. Não se preocupa que a gente vai voltar a conversar. O que a China está pedindo basicamente, Daniel, é que
o gás natural chegue na China mais ou menos com o valor do preço doméstico da Rússia, o que significa que seria a Rússia subsidiando. A Rússia vai ter que é subsidiado domesticamente. O que a China está dizendo é, ô Rússia, você quer ser minha parceira, quer ser meu aliado, você está vendo como é que eu estou crescendo, você está vendo como é que eu sou poderosa.
eu preciso que você se empenhe aí também. Então, eu quero energia mais barata do que essa que você está me oferecendo. É claramente, Daniel, um cenário no qual a negociação é dura, é uma negociação complicada. E a China não está com essa de, não, a Rússia é minha aliada, eu vou aceitar o que eles oferecerem. O que a China está falando é negativo.
O Trump vem aqui, o Putin vem aqui, e eu não preciso fazer concessão para ninguém. Todo mundo vai ter que fazer alguma concessão para mim. Então esse é um ponto que ainda está pendurado. A gente não sabe exatamente para que lado que vai exatamente o valor do Power of Siberia 2. A lógica da China, inclusive, acaba sendo a seguinte. Rússia.
Você vai construir gasoduto para onde, querida? Para onde você vai construir gasoduto? Europa não te quer. Com esse volume, com essa capacidade de exportação inacreditável. Exatamente. Queria lembrar você, Rússia, que eu posso estar comprando gás do Turco-Menistão, eu posso comprar gás do Catar quando houver uma normalização no Oriente Médio, afinal, a gente está falando aqui de um contrato de longo prazo. Eventualmente, eu posso comprar gás até dos Estados Unidos, veja você, como forma justamente de diversificação.
E me parece que a lógica chinesa é justamente essa, eu não quero ficar dependente de ninguém. Eu não vou cometer o erro de ficar muito dependente do ponto de vista energético da Rússia, e a Rússia vai ter que baixar o preço. Eu não sou um cliente qualquer, eu compro um volume gigante, e a Rússia não está em condições tão favoráveis assim para negociar ou para endurecer a negociação comigo.
Daniel, e por falar em preço, a China está aí endurecendo a negociação e tal, você nem precisa ser tão agressivo assim para conseguir um descontaço na Insider Store. A Insider, Daniel, só até segunda-feira, a gente está falando aqui, hoje é dia 19, hoje é terça-feira, dia 19, até segunda-feira, dia 25. Você que está me ouvindo, que é cliente novo, que nunca comprou na Insider Store, você vai ter um desconto de 30% na loja toda.
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Daniel Souza, a próxima pauta que eu quero trazer sobre o Oriente Médio, ela é ligeiramente especulativa, porque a gente não tem certeza. Mas o fato, Daniel, é que o que está correndo nos meios diplomáticos, nas comunicações e tudo, é de que está todo mundo meio esperando a possibilidade de uma volta de ataques dos Estados Unidos contra o Irã.
diplomatas ocidentais e agências de inteligência estão monitorando uma série de movimentações por parte do governo dos Estados Unidos e de aliados próximos, que indica a possibilidade de que os Estados Unidos estejam de novo colocando o dedo no gatilho para talvez voltar a bombardear o Irã. O próprio Irã já está formulando alguns cenários de como é que reagiria, o que poderia ser feito.
Claro que a gente não sabe, Daniel, se os ataques vão de fato acontecer ou se eles são uma tentativa de forçar o Irã a negociar. Irã, estou pronto para atacar. É melhor você fazer as concessões que eu estou pedindo. Mas alguns indícios, Daniel, dezenas de aviões de carga de grande porte saíram da Alemanha e pousaram em Israel, carregados com estoques de munições e missiles americanos.
Isso é um sinal de que vai ter ataque? Talvez não, mas é um indício de que há uma preparação. Outra, atividades aéreas e navais atípicas foram detectadas na base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, ponto estratégico para o lançamento de bombardeios de longo alcance. A gente está falando aqui principalmente da base Diego Garcia, que é um ponto de apoio importante para os Estados Unidos ali.
no Oceano Índico. E a gente teve, Daniel, esse aqui eu sei que você gosta, a explosão do índice da pizza, o Pizza Index, que é aquele pedido desvairado de pizza quando o pessoal está tendo que fazer a hora extra no Pentágono, que é o Departamento de Defesa. Então, normalmente, isso indica que o pessoal está passando mais tempo no trabalho, fazendo o serão, que indica que há um planejamento mais aprofundado de determinadas ações.
A gente tem do lado iraniano, portanto, Daniel, a definição de alguns alvos. E é claro, o que o Irã está dizendo é, Estados Unidos, se você me atacar, eu estou com tudo pronto aqui. Entre as ações que o Irã pode adotar são, por exemplo, ataques à data center.
nos Emirados Árabes Unidos. Esse aqui é um ponto importante porque os Emirados Árabes Unidos vêm investindo ao longo dos últimos anos em fazendas de servidores e complexos de inteligência artificial. Você atinge isso aí, são bilhões de dólares de investimentos que vão para o espaço.
Você pode trazer também, Daniel, também uma estratégia que o Irã pretende utilizar, que é você atingir, por exemplo, cabos submarinos de fibra ótica que passam pelo leito do Golfo Perso. Ora, gente, a internet não vem exatamente pelo céu. A internet vem por cabos submarinos. Você atinge esses cabos submarinos, isso leva a uma disrupção da comunicação ali na região. E, por último, a possibilidade de bloqueio total do Mar Vermelho.
Então o recado iraniano é, você já viu o que eu fiz quando eu resolvi fechar o Estreio de Hormuz? Eu fecho e ninguém passa. Os meus aliados, Ruts, lá no Iêmen, podem levar a um fechamento também do Mar Vermelho. É mais um problema. E a gente chegou a ter medo, Daniel, o Irã a dizer recentemente, nas últimas horas, que poderia reabrir o Estreio de Hormuz para todo mundo.
menos para os Estados Unidos. Você não é todo mundo dos Estados Unidos. Para você, eu tenho que ver. Então, Daniel, não dá para ter certeza, a gente não pode cravar que vai acontecer, mas que há uma movimentação que sugere a possibilidade de algum tipo de retomada das ações.
Existe, Daniel. Aliás, Tanguy, falando em Irã e seu relacionamento com os Estados Unidos, nós tivemos hoje o governo Trump anunciando novas sanções. Sim, novas sanções contra o Irã, mais especificamente a rede financeira e a chamada Frota Sombra, que é responsável pela comercialização de petróleo.
Os Estados Unidos então bloquearam 19 embarcações supostamente envolvidas nos transportes de petróleo e petroquímicos iranianos para compradores estrangeiros. E o Tesouro Americano também focou em casas de câmbio iranianas, que facilitam, segundo o governo dos Estados Unidos,
a saída e as transações cambiais de bilhões de dólares. Segundo o Fano Americano, são empresas de fachada que acabam tendo, inclusive, sedes e filiais em outros países, tanto da região quanto de outras partes do mundo.
Segundo o Besant, que é o secretário do Tesouro, o sistema bancário paralelo do Irã facilita transferência ilícita de recursos para fins terroristas. Essas são palavras do Besant. Enquanto o Tesouro Americano está trabalhando aí sistematicamente tanto para combater o sistema financeiro paralelo do Irã, quanto...
a chamada frota sombra de navios iranianos. O Besson também pediu que os aliados atuem de forma mais agressiva para desarticular redes de financiamento do Irã e adiantou que o Tesouro revisaria sua lista de sanções para remover eventuais designações obsoletas e facilitar o combate dos esquemas mais sofisticados de financiamento ao terrorismo.
Essa pauta vai ao encontro da sua pauta anterior, que mostra que o governo americano está decidido a apertar o Irã. Não sabemos até que ponto Trump está disposto a isso, ele está efetivamente disposto a retomar os ataques contra o Irã e trazer todos os impactos que isso pode trazer para a economia mundial. Aliás, nós temos observado que o mercado tem dado uma derretida, e as expectativas têm se deteriorado nas últimas horas.
justamente por conta desse temor de reaquecimento da guerra entre Estados Unidos e Irã. Vamos seguir acompanhando nos próximos dias o que ocorre, mas o governo americano está claramente avançando. Sanções, movimentação de...
equipamentos, tudo para tentar intensificar a pressão sobre o Irã, ou pelo menos para fazê-lo negociar. Não sabemos qual é o objetivo final do Trump, é atacar mesmo ou é apenas forçar o Irã a sair dessa condição que ele está no presente momento, que é reafirmar o tempo todo as mesmas exigências e, dessa maneira, colocar os Estados Unidos sob pressão.
Daniel, eu queria trazer como próxima pauta uma questão que é muito preocupante pelo que a gente viu recentemente em termos de pandemia da Covid-19 e do que a gente se lembra do que foi o ebola, que foi uma crise sanitária muito grave que a gente teve recentemente. Só no surto de ebola que a gente teve entre 2018 e 2020,
2.300 pessoas morreram vítimas dessa doença. E a gente tem tido, ao longo dos últimos poucos dias, um crescimento muito grande, uma nova cepa do ebola. A OMS, a Organização Mundial da Saúde, confirmou...
26 novas mortes por ebola apenas nas últimas 24 horas. 26 pessoas morreram de ebola no último dia, nas últimas 24 horas. O surto é concentrado principalmente no leste da República Democrática do Congo.
Isso tem levado, portanto, a uma série de preocupações com relação à possibilidade disso se espalhar. Só nesse atual surto, a gente está falando de 26 mortes nas últimas 24 horas, mas essa nova fase agora já levou a 131 mortes ao longo das últimas poucas semanas e a coisa tem se acelerado. Apenas a República Democrática do Congo, por exemplo, já soma 543 casos suspeitos, 33 confirmados.
A vizinha da República Democrática do Congo, que é a Uganda, também já registrou dois casos, ambos confirmados. Isso tem levado, portanto, a uma corrida dos países da região para estabelecer restrições ao trânsito de pessoas. E é exatamente o que a OMS demanda, é uma coordenação maior. Não é apenas você fechar a fronteira. Fechar a fronteira, muitas vezes, inclusive, pode dificultar o acesso a determinados equipamentos, a teste e tudo, o que pode agravar o problema.
Você tem uma dificuldade maior de ter um diagnóstico mais correto do que está acontecendo exatamente nesse surto. Ainda mais quando você trata, Daniel, de uma nova cepa, até a identificação da doença se torna mais desafiadora. Depois de um tempo você já consegue identificá-la com uma facilidade maior, mas num primeiro momento isso pode ser um problemaço.
Os Estados Unidos, por exemplo, suspenderam por 30 dias a entrada de viajantes que estiveram na República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul nos últimos 21 dias. A gente já teve, inclusive, um médico alemão infectado e que foi levado, portanto, para um centro de isolamento na própria Alemanha exatamente por risco de espalhamento do ebola.
E quando a gente fala sobre esse cenário, Daniel, obviamente a OMS deveria ter uma participação muito importante. Como eu disse aqui, os Estados Unidos estão estabelecendo medidas de restrição de entrada de pessoas no seu território. E uma coisa que é importante a gente lembrar é que os Estados Unidos saíram da Organização Mundial da Saúde. O governo Trump resolveu sair. E a gente está falando, Daniel, com isso não apenas a ausência dos Estados Unidos dos debates na OMS, mas também a dificuldade de ter acesso a recursos.
Uma parte importante da OMS era financiada pelos Estados Unidos. Se os Estados Unidos se retiram, naturalmente o dinheiro americano escasseia também. O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou uma mobilização inicial de 13 milhões com M de mamãe.
é pouco dinheiro para a OMS para lidar com a questão do ebola, mas é uma coisa meio voluntária, Daniel. Não é uma grana com a qual a OMS possa contar, não é uma coisa estrutural. Então, eu estou trazendo isso aqui, Daniel, porque é uma preocupação. De novo, a gente viu o que uma pandemia fez com o mundo todo.
em termos humanos, em termos econômicos, em termos culturais, toda a mudança que isso gerou na pandemia da Covid-19, quando a gente fala sobre a bola, que é devastador também, é sempre uma preocupação. E nesse momento você tem uma retomada, uma volta do risco, principalmente na República Democrática do Congo, Daniel.
Dengue saindo da OMS para a OMC, a Organização Mundial do Comércio. A diretora-geral da organização, a nigeriana Ngozi Okonjo, ela defendeu em entrevista ao Nikkei Asia nessa segunda-feira que os países promovam uma reglobalização.
para, dessa forma, reduzir riscos de gargalos logísticos e dependência de grandes potências. A lógica dela é que os países precisam descentralizar e diversificar suas cadeias de suprimentos para regiões e partes do mundo que antes estavam fora delas.
na opinião dela também, você acaba incluindo regiões que ficaram para trás e, ao mesmo tempo, aumenta a resiliência ao criar novas cadeias de suprimentos globais. Ela, inclusive, citou nominalmente a excessiva dependência do mundo das terras raras e minerais críticos chineses.
e a excessiva dependência do mundo dos semicondutores taiwaneses. Então, você precisaria justamente buscar uma diversificação. E, óbvio, ela citou também a excessiva dependência de energia pelos treitos de Hormuz. Trouxe preocupações em relação ao estreito de Malacca, que também acaba sendo justamente um elemento que pode se tornar um gargalo num futuro não muito distante.
De qualquer maneira, é a OMC lutando para permanecer também relevante. Afinal, o sistema de solução de controvérsias da OMC está paralisado desde 2019, quando o primeiro governo Trump bloqueou a nomeação de juízes para o órgão de apelação, algo que não foi corrigido pelo Biden e, muito menos, pelo Trump, que agora volta a ser presidente. A OMC tenta manter ali.
no que diz respeito ao debate internacional, uma visão muito favorável. Agora, uma das críticas que tem sido feita a essa declaração dela, Tanguy, é que quando você busca essas alternativas, eventualmente essas alternativas são mais caras.
Ou seja, comprar terras raras da China, quando você concentra num único país, barateia muito, você tem economia de escala, Taiwan é a mesma coisa e tal. Mas o que ela está dizendo como subtexto é que não tem alternativa se você tem problemas geopolíticos.
No passado, era possível realmente você ter esse tipo de mentalidade, o foco estrito na eficiência, mas de uns tempos para cá não dá mais. Você tem que diversificar, mesmo que essa diversificação envolva, eventualmente, custos um pouco maiores. Mas a segurança, nesse caso, acaba sendo importante. Então, é uma reglobalização, mas com características um pouquinho diferentes da globalização anterior, o que ela está propondo aqui, a nigeriana.
que é a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio. Daniel, antes da gente partir para a geleira, Shakira, eu queria deixar um convite para quem está ouvindo a gente aqui. Talvez você não conheça ainda a newsletter do Peti Jornal, que é a Peti News. O link para você se inscrever está na descrição desse episódio. Se você já é assinante, talvez não esteja recebendo, que pode ter ido para a sua caixa de spam, dá uma olhada lá, coloca como site confiável, como destinatário confiável.
Tem sido muito legal a newsletter, o pessoal que tem nido tem sido bastante elogioso. Fica aqui o convite, o link também está na descrição desse episódio. Lembrando que assinar a newsletter do PetJornal é gratuito. Basta clicar no link que você passa a receber semanalmente aos sábados. E a Gelera Shakira, Daniel? Tanguy, na Gelera Shakira de hoje eu trago uma história que parece surreal, mas é verdadeira.
A prefeita de Arcádia, na Califórnia, ela renunciou após admitir ser agente da China. É isso mesmo. Elian Wang, 58 anos, construiu uma carreira política a partir da atuação comunitária no Vale de San Gabriel, região com forte presença de imigrantes asiáticos no sul da Califórnia.
E em entrevista ao Los Angeles Times, de 2024, disse ter se mudado da China para o sul da Califórnia cerca de 30 anos atrás. Escolheu Arcádia por conta das escolas e do desejo de participar da comunidade local. Entretanto, Wang renunciou na semana passada após admitir, então não é uma expoculação, ela admitiu,
ter promovido propaganda favorável ao governo chinês sob direção e controle das autoridades de Pequim entre o fim de 2020 e 2022. A acusação federal prevê pena máxima de até 10 anos de prisão e fiança fixada em 25 mil dólares. Ela recebia orientações das autoridades chinesas sobre conteúdos a serem publicados, incluindo artigos que contestassem denúncias internacionais mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas
de violações de direitos humanos contra os Uigures na China. Em troca de mensagens citadas na investigação, ela recebia elogios do governo chinês.
Veja você, Tanguy, uma prefeita de uma cidade de Nova York que era uma gente chinesa. E você aí achando que agentes chineses não existem. Eles eventualmente existem. Às vezes não, mas às vezes eles existem. Dependendo do caso, é preciso sempre olhar com cuidado. Ô Daniel Souza, da Califórnia, né? Ô Daniel Souza, a China podia escolher melhor também, né, Daniel Souza? Pô, uma cidadezinha de 50 mil habitantes ali no sul da Califórnia.
não sei, acho que uma escala de prioridades aqui, né? O que essa mulher fazia era que ela basicamente respondia a notícias sobre a China no jornal local. Não sei, viu, Daniel? Estou achando que a escala de prioridade da China tinha que ser revista aí. Mas é impressionante, né? Porque a gente sempre fica... Tem filme, tem relatos e tal. E está aí, né? Acontece. Imagino que isso aconteça mundialmente. Os Estados Unidos também deve ter uma rede de influenciadores, né? Mundo afora.
Eventualmente até no Brasil, né, Tanguy? Vai saber. Temos aqui influenciadores, quem sabe? Que estão, de alguma forma, sendo agentes chineses. Meu Deus do céu. É isso. A gente é acusado às vezes, né, Daniel, de ser Yankee. A gente é acusado também de ser pró-Rússia. De ser pró-China. De ser pró-Paquistão, pró-Mongólia. De ser pró-galera. Então, eu só queria que o pessoal se decidisse a favor de quem a gente é. E seguimos atualizando a lista de quem a gente é pró, né, Tanguy? A gente é vendido para quem?
Podemos ser agentes americanos também, europeus, japoneses, indianos, chineses, russos, ucranianos. É Belize. É Belize. Mas acima de tudo, somos agentes das Ilhas Virgens Britâneas, onde está sediada a Petty Corps, nesse magnífico país aqui do Caribe, de onde falamos nesse momento. Ou não, né, Tanguy? Vai saber. É sempre bom deixar registrado que às vezes a ironia...
nas Ilhas Vias Britânia, certamente vocês vão encontrar a gente lá. Daniel, senhor, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio e eu queria deixar um convite, você que está assistindo ao vivo ou nas próximas poucas horas, a gente vai dar uma aula gratuita lá no YouTube do Petit Jornal, hoje, dia 19, terça-feira, às 19 horas. Ah, Tanguy, estou ouvindo no dia seguinte, estou ouvindo depois, horas depois, está gravado, assiste lá, a gente vai falar sobre a OPEP. Aliás, é uma forma de você conhecer...
o nosso projeto de cursos. Se você quiser saber mais sobre os temas que a gente já abordou, acessa lá, peticursos.com.br. Eu duvido, eu duvido que você entre no site e você não fique muito interessado por boa parte dos assuntos que a gente trata por lá. Acesse lá, peticursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petional, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petional Mídia Pequena não tem aí o suporte de um conglomerado, acaba sendo realmente um projeto bastante artesanal. E por isso agradecemos imensamente os nossos apoiadores. Obrigado.
Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio, temos várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetJornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix Recorrente. Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu! Tchau, tchau!
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