Putin distribui passaportes - BP 1077
Conheça o Workshop Internacional Geopolítica para Líderes: O Conflito entre Potências e suas Consequências no dia a dia
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Vladimir Putin amplia sua estratégia de influência regional ao distribuir passaportes russos para moradores da Transnístria, movimento que reforça a presença de Moscou em uma das regiões separatistas mais sensíveis do leste europeu. No episódio analisamos as implicações geopolíticas dessa decisão, além das novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra lideranças cubanas e dos protestos que aumentam a instabilidade política na Bolívia. Também discutimos o impacto dos juros americanos de 30 anos acima de 5% pela primeira vez desde 2007, sinalizando maior pressão sobre a economia global.
Abordamos ainda o aumento das execuções no mundo ao maior nível em mais de quatro décadas e o envio de soldados paquistaneses para ajudar na defesa da Arábia Saudita em meio à crise regional.
Na Geleia da Shakira, Shakira é absolvida pelo fisco espanhol e recebe de volta cerca de 60 milhões de euros, encerrando uma longa disputa judicial.
#Rússia #Geopolítica #EstadosUnidos #EconomiaGlobal #OrienteMédio
- História da RússiaVladimir Putin · Transnístria · Rússia · Moldávia · Ucrânia · Guerra híbrida · Passportization
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Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1077. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 19 horas e 13 minutos da segunda-feira, 18 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de Kortang, e vírgula, o Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado.
Com tarifas pagas ressarcidas, cheio de dinheiro no bolso, o professor Bagdadi esbanjando com produtos inúteis, está aí comprando figurinhas, está aí realmente querendo completar o seu álbum o mais rápido possível.
E ele segue com muita insônia, muito preocupado com temáticas internacionais que têm trazido muita dor de cabeça para todos ao redor do mundo. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem. Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza? Com esse vamos lá para mais esse bate-papo. Bate-papo 1077. São 19 horas e 14 minutos, então já estamos sabendo, para a alegria de Daniel Souza, que Neymar Júnior foi convocado para a Copa do Mundo. Daniel Souza estava com faixinha na cabeça, esperando a convocação de Neymar.
E já estamos aqui, portanto, para falar sobre esse mundo pedregoso, pantanoso, difícil, complicado. Com a sua companhia, muito obrigado pela sua presença aqui. É um prazer que vocês estejam com a gente e vamos lá para esse episódio. Daniel Souza, eu queria começar o nosso bate-papo de hoje falando sobre um decreto.
que foi assinado pelo presidente russo Vladimir Putin na última sexta-feira, dia 15 de maio. Nesse decreto, Daniel, ele facilitou a obtenção de passaporte russo por parte dos cerca de 350 mil habitantes da Transnistria.
Só para a gente lembrar o que é a Transnistria, Daniel, é uma faixinha de terra que fica entre a Ucrânia, a Ucrânia, portanto, está a leste da Transnistria, e Moldova, ou Moldávia, que fica a oeste da Transnistria. Esse é um território que é internacionalmente reconhecido como território da Moldávia, mas desde o fim da União Soviética, desde 1990, é uma região que manteve a autonomia, manteve uma certa independência com relação à Moldávia.
e têm garantido a sua segurança ali exatamente por cerca de 1.500 militares russos. Só para te lembrar, a Transnistria não tem fronteira com a Rússia, tem fronteira com a Ucrânia e com a Moldávia, é reconhecido como um território da Moldávia, mas é uma área que é garantida, que é mantida, que é...
inclusive mantida do ponto de vista econômico, pela Rússia. E há sempre uma preocupação, porque ali, como você tem militares russos, você tem a possibilidade de demanda de autonomia, de anexação por parte da Rússia, é uma preocupação tanto para a Ucrânia quanto para a Moldávia.
Então, essa estratégia que o Putin adotou, Daniel, de facilitar a obtenção de passaporte russo para 350 mil habitantes dessa região, acaba trazendo, portanto, uma preocupação que é como se fosse um passo para você buscar uma anexação. Olha, essa população aí é majoritariamente russo, tem uma população russa bastante grande, isso aqui deveria ser meu.
Importante lembrar que essa não é exatamente uma novidade. Quando o Putin, por exemplo, argumenta que o leste da Ucrânia deveria ser da Rússia, um dos argumentos, não é o único, mas um dos argumentos que ele utiliza é a população que vive no leste da Ucrânia é russa. Você tem muitos cidadãos russos, você tem ucranianos que falam russo, que tem história ligada à Rússia, logo.
isso aqui deveria ser Rússia. A mesma coisa acontece com aquelas duas regiões na Geórgia, que a Rússia também não anexou, são independentes hoje, então a Ossetia do Sul e a Abkhazia, e a relação é mais ou menos parecida. Então, com relação a essa...
tripinha de terra, que é a Transnistria, existe uma preocupação de esse ser o próximo passo. Aliás, isso faz parte de uma estratégia de guerra híbrida, uma forma que você tem de fazer guerra sem necessariamente utilizar soldados de maneira militarizada ou ativa, que é o chamado Passportization. Você distribui passaporte e, portanto, essas pessoas se tornam nacionais. Óbvio.
que isso levou a uma reação muito forte por parte do governo da Moldávia. Então a Maya Sandu, que é a presidente da Moldávia, foi muito enfática ao sugerir que a concessão massiva de passaporte visa abastecer as frentes de combate na Ucrânia. O que ela está dizendo é que o Putin está precisando de soldado, vai arrumar um monte de russo aí.
que vai para a Ucrânia para lutar ou que vai permitir que, finalmente, a Rússia anexe essa região, que deveria ser, segundo ela, legitimamente parte da Moldávia. E o Zelensky, presidente da Ucrânia, vai mais ou menos no mesmo sentido. E o que ele disse é, basicamente, o que o Putin está dizendo é que esse território da Transnistria é seu. Ele está considerando que é mais uma área a ser anexada. São sempre movimentos, Daniel, que... ...
meio que prenunciam o que vem pela frente. Vamos acompanhar, vamos ver. Mas é um movimento muito importante, do ponto de vista jurídico, é verdade, mas muito importante para o futuro daquela região. Tanguy, no dia de hoje, o Departamento do Tesouro Americano anunciou sanções, novas sanções, contra nove autoridades cubanas, incluindo líderes militares, políticos e a principal agência de inteligência do país.
Tudo isso como parte da estratégia do governo Trump de ampliar a pressão sobre Havana. Aliás, está muito claro que Cuba entrou de vez no radar do governo dos Estados Unidos e se tornou uma das prioridades da política externa. Nós tivemos já a intensificação do embargo econômico, tivemos o bloqueio marítimo no que diz respeito à energia, já tivemos uma intensificação.
nos voos de monitoramento e também de mapeamento da situação em Cuba, o que poderia sugerir, inclusive, algum tipo de operação militar. O diretor da CIA, o John Ratcliffe, esteve em Havana na semana passada e se reuniu ali com altos funcionários do Ministério do Interior, inclusive ofereceu 100 milhões de dólares de ajuda à Cuba.
caso o país estivesse disposto a receber. A resposta do Canel, o presidente de Cuba, foi que os Estados Unidos ajudariam mais a Cuba se removessem as sanções econômicas, que isso seria muito mais impactante do que esses 100 milhões. Foi uma forma...
justamente de recusar essa oferta. E o que a gente observa também é que na próxima quarta-feira existe a expectativa de que Trump anuncie acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raul Castro.
Ou seja, nós teríamos aí realmente o início de uma perseguição formal, de um processo formal contra Raul Castro nos Estados Unidos. Existe também a especulação de que algum tipo de movimento pode ser feito contra o irmão do Raul, o Fidel. Mesmo falecido, você poderia ter ali algum tipo de movimento de constrangimento à figura dele ou de algum tipo realmente de ação nesse sentido.
E o que chama muito a atenção é que a gente tem tido uma série de diálogos do governo Trump com o neto do Raul Castro. E existe a especulação de que o neto do Raul Castro poderia ser a Delci Rodrigues de Cuba.
ou seja, de que o governo Trump teria ali interesse em eventualmente substituir o atual regime. Não está muito preocupado em redemocratizar Cuba, está muito preocupado em virar Cuba a favor dos Estados Unidos, como aconteceu.
No caso da Venezuela, isso poderia ser ali uma vitória a ser proclamada pelo governo Trump nesse ano de eleições, de midterms. A gente está falando de eleições que envolvem, inclusive, distritos em disputa para a Câmara dos Deputados. E você ter esse tipo de sinalização para a comunidade cubana nos Estados Unidos poderia trazer algum tipo de impacto nas midterms e também no equilíbrio de forças dentro do Congresso americano.
É bem verdade que há um pouco de dúvida se a comunidade cubana receberia tão bem assim o nome do neto de um Castro. Quer dizer, você vai trocar os Castro por um outro Castro. Claro que o Canel é o atual presidente de Cuba já há alguns anos, mas você teria uma dinastia castrista, quer dizer, volta um outro Castro para governar Cuba. Mas, de qualquer maneira, a gente está falando aí de uma série...
de movimentações que chamam a atenção e que mostram que realmente Cuba entrou de vez no radar dos Estados Unidos e é uma das prioridades em termos geopolíticos. A gente já falou bastante sobre Cuba, tanto aqui no podcast quanto em aulas do Petit Cursos.
É sempre importante registrar que Cuba é importante por conta da proximidade geográfica, Cuba é importante por conta do acesso ao Rio Mississipi, por conta do acesso ao Golfo do México, por conta realmente de uma série de elementos geopolíticos que precisam ser considerados quando você analisa a relação entre dois países e dois países tão próximos do ponto de vista geográfico.
Agora, é muita ousadia, né, Daniel, por parte do Trump. A gente tem que ver se ele, de fato, vai levar à frente, porque ele está muito pressionado em termos de popularidade, em parte por conta de uma ousadia muito grande em termos de política externa. Ter agido na Venezuela, ok, foi rápido. Quer dizer, quando eu estou dizendo ok, estou dizendo pelo fato de que o resultado foi muito rápido, né? Enfim, você acaba conseguindo tirar o Maduro, que conta pontos junto ao eleitorado americano.
Mas quando você se aventura no Oriente Médio, a situação já é muito mais nebulosa, muito mais complicada. Fazer algo em Cuba, se der certo, pode contar pontos, sim, com relação à comunidade cubana, principalmente da Flórida, mas se não der certo, é mais um indício de que o governo está completamente perdido quando você fala sobre política externa.
Aliás, você falou um pouco sobre popularidade. Hoje nós tivemos a divulgação de uma pesquisa, a pesquisa New York Times-Siena, que apontou que o Trump caiu para 37% de aprovação e também apontou que dois terços dos americanos consideram que a guerra contra o Irã é um erro.
E isso acaba sendo ali um elemento de desgaste. Os dois pontos de desgaste, sem surpresa para o Trump, são a guerra no Irã e também a inflação, que está acima dos 3%, aliás, está em 3,8% nos últimos 12 meses nos Estados Unidos, o que é muito alto para o padrão americano.
E tudo isso, Daniel, o que a gente vê é que são coisas que mexem com o nosso cotidiano e mexem com as decisões que nós temos que tomar, tanto nos nossos negócios quanto na maneira pela qual a gente gerencia as coisas. E aí eu vou deixar aqui o convite da Fundação Getúlio Vargas, a renomadíssima FGV, que está lançando agora o Workshop Internacional Geopolítica para Líderes.
o conflito entre potências e suas consequências no dia a dia. A gente está falando sobre um workshop de 24 horas a aula, são quatro sessões online, sempre à noite, e um dia de imersão presencial, que vai acontecer tanto no Rio quanto em São Paulo. E tem uma série de atividades, tem uma aqui que me interessou demais, que é o Capstone, que é o Geopolítica Games.
Ou seja, você basicamente vai ter uma simulação ali no estilo jogo de guerra, em que o participante treina como é que se toma decisões estratégicas sob pressão geopolítica e geoeconômica, só para a gente ter uma noção do que você vai ter acesso nesse curso, além de uma série de discussões com professores extremamente renomados, entre eles o professor Daniel Souza, que figura entre os professores de destaque desse workshop da FGV.
Fica aqui o nosso convite, gente, a nossa recomendação para o workshop da FGV. Link no descritivo desse episódio. Aliás, você vai, inclusive, ao abrir o formulário, ter a oportunidade de destacar que você chegou no workshop pelo PetJornal e isso vai ser motivo para você ter 10% de desconto no valor do workshop, o que acaba sendo uma condição...
especialíssima para os amigos e amigas do Petornal. Link no descritivo desse episódio. Conheça o workshop porque realmente vai ser muito legal e, claro, com a chancela da Fundação Getúlio Vargas.
Daniel, eu queria falar mais uma vez sobre o Oriente Médio, pelo fato de que a gente tem visto ao longo das últimas semanas, já tem algumas semanas que isso vem acontecendo, o Paquistão querendo se colocar como um articulador, como um mediador dessa tensão entre Irã e Estados Unidos. Então volta e meia a gente vê o Paquistão negociando com o Irã, aí pega a proposta dos Estados Unidos, aí leva para o Oriente Médio, aí tenta receber em Islamabad uma série de negociações, negociação para cá, negociação para lá.
Mas uma coisa que eu acho que é importante a gente sempre lembrar, Daniel, é que o Paquistão está longe de ser uma figura isenta quando a gente fala sobre o Oriente Médio. O Paquistão é um país que tem fronteiras, direto, fronteira territorial com o Irã. É um país com o qual, aliás, há determinadas tensões ali exatamente na fronteira.
Você tem o Baluchistão, que fica exatamente ali, uma região que pega uma parte do Paquistão, uma parte do Irã. O Irã acusa o Paquistão de incentivar os Baluches, que é esse povo da fronteira, a agir contra o Irã. É uma relação complicada e...
Por conta disso, ou consequência disso, ou concomitantemente a isso, o Paquistão também tem uma relação muito próxima com a Arábia Saudita. A lógica paquistanesa é, o Paquistão também é um país sunita, a Arábia Saudita está do outro lado do Irã, então se eu preciso neutralizar, controlar o Irã, ter uma aliança com a Arábia Saudita pode ser uma boa. Eu estou falando isso tudo, Daniel, porque fontes de segurança para fazer uma análise com o Pat fanatismo.
Pat fanatismo para fazer uma análise com o Pat fanatismo. Pat fanatismo para fazer uma análise com o Pat fanatismo.
começaram a falar ao longo dos últimos dias de que há uma mobilização paquistanesa e de ajuda à Arábia Saudita nesse momento de tensões com o Irã. Então, esse é um ponto importante. O Paquistão está querendo se colocar como um país neutro, mas não é um país neutro. O Paquistão enviou, já teria enviado, segundo essas informações, cerca de 8 mil soldados para reforçar a segurança das fronteiras da Arábia Saudita.
E o pacto que existe entre os dois prevê que esse número pode saltar para até 80 mil. Então já teria mandado 8 mil. Poderia chegar a 80 mil soldados paquistaneses na Arábia Saudita, caso a Arábia Saudita sofra novas invasões ou bombardeios de grande escala.
Foi deslocado ainda, Daniel, um esquadrão completo composto por 16 caças JF-17 Thunder, que é um jato, Daniel, desenvolvido conjuntamente pelo Paquistão e pela China. Aliás, Paquistão e China também são países bastante próximos do ponto de vista militar. E aí você vê bem a estratégia paquistanesa, né, Daniel? Eu, de um lado, sou aliado da Arábia Saudita para isolar o Irã ali no meio, e do outro lado eu sou aliado da China para tentar isolar a Índia, que está ali no meio também. Então o Paquistão sempre pula um para isolar.
os seus principais rivais regionais. Então, esse é um ponto importante, Daniel, porque a gente está falando sobre um país, que é o Paquistão, que tem os divos nucleares. Aliás, é o único país muçulmano que tem os divos nucleares e há uma ligação econômica muito grande. A Arábia Saudita abastece o Paquistão com grana, é literalmente isso, com dinheiro, sempre que o Paquistão tem problema de liquidez.
Então é uma troca, uma mão lava a outra. O Paquistão é salvo economicamente pela Arábia Saudita, a Arábia Saudita fica muito feliz de fazê-lo, aliás, o Paquistão oferece soldados, é um problema para a Arábia Saudita, a Arábia Saudita é um país com muito dinheiro, com muito equipamento, mas população pequena e poucos soldados, muito poucos soldados.
e oferece, portanto, também essa proteção nuclear. O Arábia Saudita, se precisar ir, as ogivas nucleares estão aqui. E, aliás, existe uma forte desconfiança de que as ogivas nucleares paquistanesas, que foram desenvolvidas ali a partir da década de 1970, teriam sido construídas com financiamento saudita. Então, esse é um ponto que, naturalmente, deixa o Irã muito desconfiado. O Paquistão está querendo ser o país neutro, isento e tal, só que o Paquistão...
é aliado de um dos principais rivais que eu tenho aqui na região, que é a Arábia Saudita, que é um grande aliado, por sua vez, dos Estados Unidos. Então, algo a se monitorar, Daniel, porque me parece que o Paquistão tem dificuldade de se colocar nessa posição de um mediador. Essas conversas todas lá em Islamabad, o Irã naturalmente se sente muito desconfortável também de participar. Me parece que a construção de confiança não é o forte nesse momento, nessa relação entre o Irã e o Paquistão, Daniel.
Tanguy, no dia de hoje, a Anistia Internacional divulgou seu relatório sobre penas de morte e execuções no ano de 2025, relatando que o número de execuções globais atingiu o maior nível desde 1981 e essas execuções acabaram sendo fortemente impulsionadas pelo IRA.
Foram 2.707 execuções pelo mundo, sendo que dessas 2.707, o Irã, sozinho, foi responsável por 2.159 execuções.
O aumento, no caso do Irã, foi muito representativo. De um ano para o outro, o Irã mais do que dobrou o número de execuções. E isso tem a ver com os enormes protestos que o Irã acabou enfrentando num passado recente. Então, existe aí uma forte motivação política.
Na sequência, a gente tem a Arábia Saudita com 356 execuções, o Iêmen com 51, os Estados Unidos com 47, sendo que a maior parte dessas execuções, no caso dos Estados Unidos, vem da Flórida.
E no caso do Egito, 23 execuções. Então, nos Estados Unidos, como eu disse há pouco, nós tivemos aí realmente um grande número, porque a Flórida é responsável por quase metade do total. No caso de países como a Arábia Saudita, você acaba tendo muitas relacionadas com crimes de tráfico de drogas. Agora tem um detalhe muito importante. Não há informações sobre a China.
E há a possibilidade, aliás, há muitas vezes a percepção de que o número de execuções na China é maior, inclusive, do que o número de execuções no Irã. De qualquer maneira, você acaba tendo ali uma nota positiva no relatório.
porque 113 países aboliram totalmente a pena de morte para todos os crimes no final de 2025. Ou seja, 113 países têm a pena de morte totalmente abolida no final do ano passado, contra apenas 16 em 1977. Quer dizer, há uma tendência ao longo das últimas décadas de diminuição no número de países que permitem a pena capital.
Mas, de qualquer forma, é sinal dos tempos que a gente tem aí um crescimento desse tipo de pena e um crescimento puxado pelo Irã. Muitas vezes a gente fala sobre a República Islâmica aqui no nosso podcast e a gente não pode perder de vista que o Irã é uma ditadura horrorosa que trata mulheres como cidadãs de segunda categoria e executa muitos dos seus cidadãos por razões, por motivações políticas.
Daniel, eu queria trazer a nossa discussão para a América Latina, para um vizinho brasileiro que é a Bolívia. A gente teve, no final do ano passado, uma mudança de governo. Então, depois de muito tempo do MAS à frente do país, claro que a gente teve um interregno ali, depois que o Evo Morales foi afastado, mas a gente teve realmente muitos e muitos anos de governo do MAS. O MAS é o partido do Evo Morales, é o partido do Luiz Arce.
mas é movimento ao socialismo, que ficou à frente da Bolívia, não partiram, ficou à frente da Bolívia durante bastante tempo. E em novembro do ano passado nós tivemos uma mudança e assumiu a presidência Rodrigo Paz. Rodrigo Paz, que é um liberal, ele tem uma visão bem mais à direita para a política boliviana e um dos discursos dele, uma das promessas dele, foi exatamente acertar as contas públicas.
Então esse presidente defende uma série de cortes de gastos e o fim gradual dos subsídios aos combustíveis. Então ele estabeleceu já um cronograma, os subsídios aos combustíveis vão sendo cortados aos poucos e ele diz que são passos dolorosos, mas indispensáveis para estabilizar as finanças públicas e com isso atrair investimentos.
Isso levou, Daniel, a manifestações muito grandes na Bolívia ao longo dos últimos dias. E hoje, essa segunda-feira, dia 18 de maio, nesse momento que a gente está gravando, é um dos dias nos quais a gente teve manifestações mais graves, mais severas. A gente teve grandes manifestações.
É claro, Daniel, que essas manifestações estão levando a consequências econômicas bastante grandes, inclusive desabastecimento e impacto humanitário. Há uma série de bloqueios de estradas, há desabastecimento, você tem problemas porque os preços estão subindo. Inclusive a Argentina, que tem um presidente também à direita, oferece um apoio, portanto, ao Rodrigo Paz, e enviou uma aeronave militar carregada de suprimentos alimentares para tentar ajudar a mitigar a crise.
E são manifestações que também têm um fundo político. Grande parte dessas manifestações são levantadas por sindicatos ligados a Evo Morales, o ex-presidente boliviano. Evo Morales queria ter disputado a última eleição.
foi considerado inelegível. Aliás, ele até agora está em inconformidade com a justiça, ele deveria ser preso e não está sendo preso porque ele é protegido por um grupo que o protege, que o defende. Então, no fim das contas, ele não está sendo preso, mas professores, grupos indígenas e rurais, especificamente ligados a Evo Morales, têm sido muito ativos nessas manifestações e no bloqueio a estradas. O Palácio Queimado, por exemplo, que é a sede do governo boliviano,
mobilizou cerca de 3.500 agentes de segurança para tentar desobstruir os pontos de bloqueio nas rodovias, o que resultou na prisão de pelo menos 57 manifestantes até o momento. Então, Daniel, é um governo relativamente jovem, um governo que começou em novembro do ano passado,
mas que já enfrenta uma crise muito grave, uma crise muito severa, com manifestações que a gente não sabe o quanto tempo vão durar, quais vão ser as consequências, e o que mostra ainda a capacidade de mobilização do Evo Morales. Ele já não é presidente há algum tempo, desde 2019 ele não é presidente, mas ele continua tendo uma força muito grande, principalmente junto a alguns sindicatos na Bolívia. É sempre um tema importante no Brasil, a gente está falando sobre um país que tem uma fronteira enorme com o Brasil.
E, portanto, analisar o que acontece por lá é relevante para nós também, Daniel. Na semana passada, o Kevin Walsh foi aprovado pelo Senado dos Estados Unidos para ser o novo presidente dos FED, do Banco Central de lá, em substituição ao Jerome Powell. E uma coisa chamou muito a atenção. Na semana passada também, nós tivemos os títulos do Tesouro Americano de 30 anos, ou seja, títulos que serão pagos, títulos da dívida americana que serão pagos daqui a 30 anos.
pagando 5% ao ano de juros pela primeira vez desde 2007. O que isso significa na prática? Ao contrário do que muita gente pensa, esses títulos de governos em diferentes partes do mundo são precificados a mercado. Ou seja, o governo aparece com um lote de títulos para vender, para leiloar, e as pessoas têm mais ou menos apetite. Se as pessoas têm menos apetite por comprar títulos de um determinado governo, o juro acaba subindo.
até que o título encontre um comprador. Se você tem uma alta de juros nos Estados Unidos, isso significa que as pessoas estão confiando menos no governo americano do que confiavam no passado. E para financiar o governo americano, elas estão exigindo 5% ao ano de juros. Isso acaba tendo reflexos na economia como um todo. Afinal, se o governo está pagando 5% ao ano de juros, m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m m
todo mundo vai acabar pagando mais de 5%, em função justamente do fato de que o governo, para o bem e para o mal, tem a possibilidade de emitir moeda, criar impostos para pagar justamente os seus credores. É um momento novo que nós estamos vivendo nos Estados Unidos, e isso é explicado fundamentalmente pelo fato do endividamento americano estar crescendo de maneira acelerada e nada está sendo feito para conter o crescimento desse endividamento. Pelo contrário,
o governo Trump, através da Big Beautiful Bill, que foi aprovada, ele aumentou o endividamento do governo dos Estados Unidos e aumentará o endividamento do governo dos Estados Unidos ao longo dos próximos anos.
Mas o que o Kevin Walsh tem a ver com isso? Na medida em que você tem a entrada de um novo presidente do Fed, e esse novo presidente do Fed é escolhido pelo Trump, o Trump o tempo todo tentando intervir no Fed, tentando de alguma forma influenciar as decisões do Fed, cria um elemento a mais de risco.
Pode ser que o Kevin Walsh se mostre absolutamente independente. Ele vai ter um mandato para isso. Mas existe aí um elemento de incerteza que nós não tínhamos antes. Escolha de presidente do Fed nos Estados Unidos era algo absolutamente monótono.
Aliás, os presidentes americanos tinham a tradição de reconduzir o presidente se ele assim desejasse. Então nós tivemos, por exemplo, o Alan Greenspan, que foi presidente do Fed por 20 anos.
E acabou sendo empossado pelo Reagan, depois reconduzido pelo Bush pai, reconduzido pelo Clinton, reconduzido pelo Bush filho. Depois nós tivemos ali o Ben Bernanke, que foi escolhido na época do Bush filho. Depois foi reconduzido pelo Obama.
Quer dizer, não tem ali muito problema. Se você escolheu, escolheu um técnico, seguimos adiante. Agora, o Trump é que quebrou isso, quebrou no mandato anterior. Quando ele não quis renovar o mandato da Janet Yellen, substituiu a Janet Yellen pelo Powell. Powell que foi reconduzido pelo Biden. O Biden acabou...
trazendo de volta um pouco essa tradição. E agora o Trump, insatisfeito com o Powell, que ele mesmo havia escolhido, agora coloca o Kevin Walsh. Vamos ver o que acontece daqui para frente, mas o presidente do Fed tem muito poder e juro nos Estados Unidos tem muita influência para a economia mundial.
Daniel Souza, eu queria que a gente tratasse na Geleira da Chaqueira de hoje sobre mais uma demonstração da força de pressão que o Petit Jornal exerce ao redor do mundo, né, Daniel? Eu acho que o chaquirismo cultural que é difundido pelo Petit Jornal tem trazido influências enormes nas decisões que são tomadas mundo afora. Conta pra gente, Daniel.
Tengui, pois é, nós somos chakiristas, não escondemos isso. Vivemos aqui com Shakira suas dores, mas também suas alegrias. E no dia de hoje, em audiência na Espanha, tivemos uma decisão. O fisco espanhol terá que devolver a Shakira.
60 milhões de euros, anulando cobranças de 55 milhões em liquidações fiscais e multas, mais juros, para aí sim, totalizar os 60 milhões de euros. Lembrando que essa crise começou por conta de acusações do fisco espanhol, que sempre esteve errado. A Espanha está sempre errada. Sempre errada, Tanguy. Sempre errada.
O Fisco Espanhol acusou a Shakira de não ter pago impostos entre 2012 e 2014, período em que ela era casada com o Piquet. A argumentação do Fisco Espanhol é que ela tinha passado mais de seis meses na Espanha e, consequentemente, seria residente fiscal.
E a Shakira considerava que ela era residente fiscal nas Bahamas e, consequentemente, não devia recursos ao fisco espanhol. O fisco espanhol correu atrás, processou, etc., ganhou e agora perdeu. Como deveria ter sido desde o início? A nossa querida Shakira vem sendo uma batalha contra o fisco espanhol. Eu realmente não tenho muito problema. Shakira contra o fisco espanhol, de que lado ficarei? Meu Deus do céu. Obrigado, Shakira, por mais essa vitória.
Daniel, então eu tenho algo em comum com a Shakira, tanto ela quanto eu recebemos o nosso reembolso por conta de injustiças que foram cometidas com relação a impostos, tarifas, tributos, enfim, cobrados indevidamente. Shakira, estamos juntos. Daniel Souza, a gente tem que deixar aqui mais uma vez reforçar o convite.
a todo mundo que está nos ouvindo para a aula gratuita que a gente vai oferecer amanhã, nessa terça-feira, 19 de maio, às 19 horas, lá no YouTube do Petit Jornal. Confere se você está inscrito lá no canal. Ativa lá o sininho para você ser avisado. Com certeza a gente vai falar sobre a OPEP.
O que é OPEP? O OPEP ainda faz a diferença no fim das contas. E é um gostinho, um sabor que você pode ter ali para conhecer como é que funcionam as aulas lá do Petit Cursos. Acessa lá, petitcursos.com.br, que é uma forma de você conhecer a nossa plataforma de aulas, de cursos, de debates acerca de atualidades, acerca de temas econômicos, políticos, culturais, religiosos. Está tudo lá no formato de streaming, ou seja, você assiste do jeito que você quiser, na hora que você quiser, na ordem que você quiser. Petitcursos.com.br
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No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetJornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo do episódio. Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon, que acaba sendo uma forma bacana para quem vive no exterior. Temos certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. Amanhã estamos de volta com aula e com episódio. Nos vemos, Daniel Souza. Um abraço, até a próxima. Valeu! Tchau, tchau!
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