A diplomacia dos CEOs - Invest 113
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Neste episódio do Petit Invest, analisamos a cúpula entre Estados Unidos e China em Pequim e o papel crescente dos grandes CEOs na diplomacia contemporânea. A delegação americana, que contou com nomes como Elon Musk e Jensen Huang, participou de encontros marcados por gestos simbólicos, recepção calorosa e tentativas de reconstrução de confiança entre as duas maiores economias do mundo. Discutimos como a chamada “diplomacia dos CEOs” se tornou parte central da disputa econômica e tecnológica entre Washington e Pequim.
Também avaliamos os limites concretos da visita, que terminou com poucos acordos bilionários efetivamente fechados, apesar do clima positivo e das sinalizações políticas favoráveis. O episódio explora como empresas privadas passaram a atuar como agentes geopolíticos e como a relação entre Estados, tecnologia e mercado está redefinindo o funcionamento da economia internacional.
#China #EstadosUnidos #Geopolítica #Tecnologia #PetitInvest
- Esforços Diplomáticos InternacionaisElon Musk · Jensen Huang · Tim Cook · Jane Fraser · Larry Fink · Tesla · NVIDIA · Apple · BlackRock · Citigroup · Boeing · Mastercard · Visa · Estados Unidos · China · Pequim · Relação EUA-China · Comércio internacional · Geopolítica · Tecnologia · Semicondutores · Inteligência Artificial · Veículos autônomos · Indústria aeronáutica · Tarifas comerciais
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Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o Peti Invest, número 113. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 10 horas e 18 minutos da sexta-feira, 15 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de corta, em vírgula, o Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado.
e ressarcido das tarifas que foram cobradas indevidamente. Mas muito preocupado com o cenário internacional, muito preocupado realmente com esse ambiente pantanoso e incerto que temos vivenciado. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos.
Vamos falar um pouco sobre o ambiente de negócios, a dinâmica internacional de investimentos, temas que acabam sendo correlatos ao Petit Invest, episódio de toda sexta-feira, aqui no Petit Jornal. E hoje falaremos sobre algo incontornável do ponto de vista econômico e na dinâmica de investimentos, que é o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump envolvendo CEOs, envolvendo ali negociações.
com empresas, afinal, isso acaba sendo algo absolutamente central no relacionamento entre Estados Unidos e China. Tudo bem, professor Bagdadi? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza, com o S. Vamos lá para mais um Petit Invest, episódio toda sexta-feira, toda sexta, a gente termina a nossa semana falando sobre temas econômicos, macroeconômicos, aliás, falou de economia, Daniel, você está falando sobre gastar bem.
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Dessa sexta-feira. Condições especiais para os amigos e amigas do Petit Jornal. Aproveite, link no descritivo desse episódio e conheça a Insider Store. Daniel, Donald Trump foi para a China, passou dois dias lá, dois dias e meio, mas dois dias de trabalho efetivamente. E uma coisa que foi uma marca dessa visita foi o tamanho da sua delegação.
Não apenas ele esteve lá com pessoas do seu próprio governo, o que seria natural, você está falando ali sobre todo um protocolo, você tem negociações, você tem a chamada diplomacia culinária, Daniel, que foi muito forte nessa visita agora também. Então você teve aqueles banquetes chineses, que é para apresentar ali a culinária local. Então tudo isso a China preparou para fazer com que essa visita fosse o mais agradável possível.
Mas além da visita oficial, da visita política, a gente teve também a presença de uma quantidade surpreendente, a gente pode colocar assim, de CEOs. Eu vou listar alguns aqui, Daniel, depois eu queria te ouvir sobre aqueles que para você chamaram mais atenção. Entre outros, a gente teve Elon Musk, que é CEO da Tesla e da SpaceX. A gente teve o Jensen Huang, da NVIDIA. Esses dois, Daniel, tiveram um papel muito destacado, uma presença muito destacada. Além deles.
Tim Cook, o CEO da Apple. A gente teve representante da Mastercard e da Visa, o CEO de Mastercard e Visa. O Larry Fink, que é o CEO da BlackRock, que é uma das maiores empresas do mundo quando a gente fala sobre sistema financeiro. A gente teve o CEO do Citigroup, que foi a Jane Foster, perdão, Jane Fraser, teve lá também. Além do CEO da GE.
e do CEO da Boeing. Essa galera toda esteve lá, entre outros da DEMO, nem citei todos aqui, para tentar fazer negócios, para ver o que poderia conseguir. O que você destacaria, Daniel, dessas visitas, dessa presença, dessa galera toda em solo chinês? Tanguy, não é exatamente incomum um presidente levar um grupo de empresários numa visita a um outro país. O próprio governo brasileiro, em diferentes oportunidades, leva muitos empresários para tentar celebrar acordos e para tentar...
ampliar comércio e parcerias em diferentes áreas. Agora, essa visita em particular, ela tinha um pouco um quê de pressão do Donald Trump ao levar todos esses figurões. E a gente pode pegar aqui caso a caso e entender o que aconteceu, mas os avanços realmente acabaram sendo muito pequenos. No caso do Elon Musk...
O grande interesse dele é a Tesla, que tem uma fábrica grande na China. Aliás, essa fábrica produziu só nos primeiros quatro meses de 2026 292.876 veículos.
uma alta de 26,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na realidade, não foi produção, foram vendas, foi o report de vendas, mas mesmo assim são números muito impressionantes. E o Elon Musk está muito interessado na aprovação regulatória completa do FSD, que é o Full Self Driving na China, ou seja, para a venda de veículos autônomos, completamente autônomos, no mercado chinês. Isso estava previsto para fevereiro ou março.
Depois que foi jogado para abril, o Elon Musk tentou destravar agora nessa visita e pelo menos até agora não há nenhuma informação de que esse objetivo tenha sido alcançado. Além disso, ele está muito preocupado no acesso a terras raras para baterias dos seus Tesla e isso...
passa necessariamente por decisões de Pequim. No caso da NVIDIA, você tem aí o interesse de vender o chip H200. A China é o principal mercado para a NVIDIA.
Aliás, segundo o CEO, você teve a China representando 13% da receita do país num passado recente. E ele tem aí o interesse de tentar voltar a vender. Houve uma aprovação recente.
O departamento de comércio chegou a autorizar 10 empresas chinesas a comprar 75 mil chips cada uma. Entretanto, isso ainda não se concretizou por restrições agora do lado chinês. Quer dizer, os americanos liberaram a venda e os chineses não liberaram a compra por conta realmente dessa queda de braço entre os dois governos.
porque existe o interesse dos americanos em vender com restrições e os chineses não estão muito satisfeitos com as restrições impostas pelo governo americano. E o CEO, como eu disse agora há pouco, Daniel, o CEO da NVIDIA é um cara chamado Jensen Huang. Ele é taiwanês de nascimento.
Então ele tem uma facilidade para circular no meio político chinês, entre empresários chineses, e havia, portanto, uma expectativa de que, de repente, lá ele conseguisse fazer esse meio de campo. Agora, sinal dos tempos, né, Daniel? Até pouco tempo atrás, a gente pensaria nas maiores empresas que fariam visitas como essa, empresas de petróleo.
Até pouco tempo atrás já teria mudado, aí seria ali Apple, Microsoft, né? E, claro, o Tim Cook estava lá, da Apple, mas também não foi ele o centro das atenções. O Jansen Huang, lá da NVIDIA, é que foi. A gente está falando sobre uma empresa que, quando a gente fala sobre inteligência artificial, quando a gente fala sobre...
a estrutura para a inteligência artificial sobre semicondutores é um dos assuntos mais importantes para os dois, né, Daniel? Então a gente está falando sobre os Estados Unidos, que são enormes produtores, a China que precisa comprar, mas é uma preocupação chinesa de que a entrada desses chips, que são superpoderosos, superpotentes, poderia limitar a própria capacidade chinesa de desenvolver semicondutores como esse. Então dá para ver, dá para entender porque de repente a NVIDIA, lá do Jensen Huang, se tornou um dos pontos mais importantes dessa visita.
E eu queria te ouvir também, Daniel, sobre o amigo que foi lá, fez um trabalho que, para grande parte das pessoas, poderia ser ótimo, e que mesmo assim a pessoa ficou chateada com ele. Me conta aí. Foi o Kelly Orteberg, que é justamente o CEO da Boeing. Ele foi lá para vender aviões da Boeing e conseguiu a primeira venda desde 2017, conseguiu vender 200 aeronaves e as ações da Boeing desabaram. Porque havia ali a expectativa de que ele venderia pelo menos...
500 aeronaves, ou seja, essa compra da China foi meio que um calabouco. Ah, tá bom, quantas eram? 200? Comprei 200 aeronaves. Mas não vou comprar muito, não, porque eu estou desenvolvendo aqui a minha indústria aeronáutica local, assim como eu tenho interesse de desenvolver a minha indústria de semicondutores local. O Tim Cook, que você citou há pouco, foi lá...
para tentar evitar mais briga, Tanguy, porque ele vende aproximadamente 60 milhões de iPhones por ano nos Estados Unidos, com cerca de 80% deles sendo fabricados na China. Uma parte já não é mais fabricada na China, mas 80% ainda é. E evitar novas tarifas, novas rusgas entre China e Estados Unidos é algo absolutamente estratégico para ele.
E você teve a galera do mercado financeiro, City do City, pessoal do Mastercard, da Visa, da BlackRock, todos eles querendo expandir as suas operações de gestão de ativos e também de intermediação financeira na China. O grande problema é que a China tem um ecossistema financeiro muito particular, muito próprio e bastante desenvolvido. E essas empresas têm tido muita dificuldade de participar do mercado chinês.
e havia ali a expectativa de que avanços fossem realizados. É mais ou menos o seguinte, Tanguy, o Trump reuniu a sua tropa de choque, foi para cima do Xi Jinping, e o Xi Jinping recebeu eles muito bem com um jantar e, no melhor estilo chinês, disse, vou pensar.
Com calma, sem pressa, muito interessante. Gosto dessas possibilidades, dessas ideias. Mas não tenho pressa até porque, Trump, essas tarifas... Você vai fazer o quê? Vai me tarifar? É isso. Ah, vai meter tarifa em mim. Pode fazer. Eu já dependo muito menos do mercado americano do que eu dependia no passado. Já tenho as minhas empresas...
chinesas espalhadas por vários países exportando para os Estados Unidos. E nesse sentido, me parece que a estratégia do Trump de se colocar como alguém que dobrou a China através de uma negociação comercial não funcionou. O Xi Jinping tem uma outra pegada. A ideia de, olha, eu não me dobrei aos Estados Unidos, eu consegui preservar aqui a minha autonomia. Então, para o Xi Jinping me parece que era importante não...
anunciar nada, ou não anunciar nada grande, porque isso poderia fazer mal à imagem dele de alguém que resiste às pressões do Donald Trump. E, no fim das contas, foi isso o sabor que a gente viu, todo mundo falando. A visita do Trump foi muito cordial.
O Trump e a delegação dele foram muito bem recebidos, não houve momentos de tensão, aliás, a China sempre evita esses momentos de tensão. É muito diferente de quando você tem uma visita aos Estados Unidos, há sempre a preocupação de que algum mal-estar possa acontecer, possa existir. A China, nesse sentido, ela faz de tudo para receber muito bem a diplomacia culinária, que eu fiz referência mais cedo.
diz respeito exatamente a isso, você vai comer bem, você vai ser bem recebido, você vai ter tudo o que você precisa para uma boa visita, mas sem anúncios grandes. Pode destravar uma coisa ou outra, vai avançar, a gente vai ter conversas e tal, o clima vai melhorar, isso claramente aconteceu, mas sem anúncios grandes. E o ponto, Daniel, que eu acho que é fundamental também a gente ter visto, quando a gente fala sobre isso que a gente está chamando aqui de diplomacia dos CEOs,
é que quando você fala sobre uma empresa americana, é claro que é uma empresa privada, é claro que o ideário americano diz não, mas é uma empresa 100% privada, não tem nada a ver com o Estado, mas não é bem assim, né, Daniel? Quando você tem uma empresa americana, ela tem ligação com o Estado. Ela...
abastece o Estado, ela fortalece os Estados Unidos. Então, claro que quando o Trump leva essa quantidade de CEOs com a relevância que tem, o objetivo deles, do governo americano, do próprio Trump, é posicionar essas empresas americanas de modo que elas ganhem espaço. Elas ganhando espaço, elas levam os Estados Unidos juntos. E é óbvio que a China sabe disso. Então, a China também olha para essa galera toda, para esses CEOs todos e fala olha, eu posso ter interesses que são condizentes, de repente fazer negócio aqui e acolá, e acolá,
mas não necessariamente também, porque eu também tenho um ecossistema de empresas chinesas que são capazes de fazer isso aí tudo que vocês estão fazendo. Eventualmente, a gente vai estar um pouquinho atrás e outros cenários a gente vai estar mais à frente. A gente pode ter equivalências em outros. Então, conversar não faz maior ninguém. Agora, ficar fazendo anúncio, colocando empada na azeitona das empresas americanas, acaba sendo fortalecer os próprios Estados Unidos.
Então você joga essas decisões para frente, depois a gente vê, não vai ser aqui que você vai ficar fazendo anúncios dizendo que fui lá e a China teve que fazer concessões para os Estados Unidos, para empresas chinesas, porque a gente também está no controle da situação. E é impressionante, Danque, porque a estratégia americana é muito clara. Quando você tenta colocar essas vendas de aeronaves, de semicondutores, etc.
é manter ali uma certa dependência da China em relação a esses produtos. E os chineses sabem disso e, consequentemente, acabam resistindo ali a compras mais vultosas para tentar, de alguma forma, desenvolver a indústria local. É um pouco sinal dos tempos, porque, se fosse há algumas décadas, talvez Estados Unidos e China não estivessem tão preocupados em estarem interdependentes do ponto de vista econômico.
Olha, Estados Unidos, eu vendo para você esses produtos, você vende esses produtos para mim, a gente se especializa em diferentes segmentos e está tudo bem, nós dois ganhamos, é vantajoso para todo mundo, a economia mundial cresce e se desenvolve. Mas é sinal dos tempos, realmente, é essa desconfiança.
da China em relação aos Estados Unidos e dos Estados Unidos em relação à China. É os Estados Unidos balançando o tabuleiro global, tentando atrapalhar o crescimento chinês para que a China não alcance o PIB americano pela taxa de câmbio oficial. E é a China tentando, de alguma forma, contornar os Estados Unidos e reduzir a sua dependência, além da construção de alternativas, para manter ali realmente o seu passo a passo rumo a um desenvolvimento mais acelerado.
Isso ilustra muito, mas muito bem, o cenário que a gente está vivendo. São as duas maiores economias do planeta, juntas, representam mais de 40%. E essas duas economias menos integradas representam um mundo que cresce menos. Porque se os dois países querem desenvolver, de repente, os mesmos setores, se os dois países querem ser autárquicos, autônomos, independentes da outra potência,usausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausausa
Isso significa um certo retrabalho, isso significa perda de recursos, desperdícios de recursos, um mundo mais integrado, um mundo onde a confiança fosse algo mais presente, potencialmente cresceria mais, se desenvolveria mais e aceleraria realmente os avanços em uma grande quantidade de áreas e a geração de riqueza tenderia a ser muito maior, como foi.
durante várias décadas. Durante várias décadas, com essa integração e essa abertura muito frontal que a economia americana teve em relação à China e vice-versa, os dois países que eram mundo muito e o mundo enriqueceu. Mas agora existe uma disputa por poder, e se você tiver que crescer um pouco menos e se desenvolver um pouquinho mais devagar...
Tudo bem, porque o poder é mais importante, o poder e a hegemonia do seu país. Perfeito, Daniel Souza. Dessa maneira, a gente consegue entender uma boa parte do que está acontecendo nesse cenário. A gente fala muito sobre isso, aliás, no Petit Cursos. Fica o convite aí para quem quiser saber mais sobre isso, sobre essa relação também.
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