Episódios de Petit Journal

Taiwan, Irã e comércio em pauta - BP 1075

15 de maio de 202629min
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FGV
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Donald Trump e Xi Jinping discutem em Pequim temas centrais da geopolítica contemporânea, como Taiwan, a guerra com o Irã e o comércio bilateral entre Estados Unidos e China. No episódio analisamos os principais pontos da cúpula, incluindo as tensões em torno de Taiwan, o esforço americano para reduzir dependências estratégicas e o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia global. Também abordamos as declarações do FMI, que considera positiva a retomada do diálogo entre Washington e Pequim, apesar das pressões provocadas pela crise energética.
Discutimos ainda a criação de um “Conselho de Comércio” entre EUA e China detalhado por Scott Bessent, a divisão interna do BRICS+ diante da guerra no Oriente Médio e a retirada de urânio enriquecido da Venezuela pelos Estados Unidos. No Reino Unido, Keir Starmer enfrenta pressão crescente dentro do Partido Trabalhista, enquanto a guerra com o Irã se transforma em um problema econômico para Trump. 
Na Geleia da Shakira, o tapa levado por Emmanuel Macron ganha uma explicação, com a revelação de que ele vinha trocando mensagens com atriz iraniana.
#China #EstadosUnidos #Geopolítica #Taiwan #OrienteMédio
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos6
  • Encontro Xi Jinping e TrumpTensões em torno de Taiwan · Venda de armamento dos EUA para Taiwan · Guerra no Oriente Médio · Impacto da guerra na economia global · Diálogo EUA-China · Conselho de Comércio EUA-China · Redução de tarifas em produtos não estratégicos · Compra de petróleo e gás natural liquefeito pela China
  • BRICSReunião de ministros das relações exteriores em Nova Delhi · Acusações do Irã contra Emirados Árabes Unidos · Afundamento de navio indiano em águas de Oman · Brasil e a busca por diplomacia e multilateralismo
  • Direitos de enriquecimento de urânio do IrãOperação conjunta EUA-Venezuela · Reator nuclear RV1 · Iniciativa Átomos para Paz · Tensões sobre urânio enriquecido no Irã · Proposta de anexação da Venezuela por Trump
  • Crise política e segurança no EquadorRenúncia do secretário de saúde Wes Streeting · Pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer · Eleições regionais · Potenciais sucessores de Starmer
  • Inflação e Política MonetáriaInflação de 3,8% em abril · Meta de inflação do Fed · Plano de redução de impostos · Impacto na popularidade de Trump
  • Emmanuel Macron· PoliticaTroca de mensagens com atriz iraniana · Publicação de livro sobre o incidente
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1075. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 17 horas e 32 minutos da quinta-feira, 14 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, vírgula, o Bagdad. Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado.

tarifado em 15% e também ressarcido pelas tarifas que foram cobradas indevidamente. Mas ele segue muito preocupado, muitos elementos de incerteza, um mundo muito pantanoso, é um cenário internacional complexo.

E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. E começamos falando sobre a reunião entre Xi Jinping e Donald Trump. Rapaz, eu fiquei vendo o menu e o que eles estavam comendo. Pô, senti uma inveja boa. Falei, pô, eu podia ter sido convidado para esse regabofe.

poderia ter degustado essas maravilhosas comidas que foram oferecidas nesse jantar de gala. Mas, enfim, Tanguy, estamos aqui para falar sobre esse magnífico encontro, esse relevante encontro entre Xi Jinping e Donald Trump. Tudo bem? Vamos a isso?

Tudo bem, Daniel Souza? Com esse, vamos lá pra mais esse episódio, pra esse bate-papo 1075. 10 pratos, viu, Daniel? Porra, 10 pratos, cara? Você imagina, você tem que comer um pouquinho de cada um, cara, senão você não chega no último. Mas fica aí o pedido, né, pra convidar a gente quando tiver uma bocada dessa daí, que, pô, deve ser realmente assim, coisa de altíssimo nível. E, aliás, antes de deixar o agradecimento aqui, você viu a delegação americana tirando foto de tudo?

Os caras meio impressionados, filmando, que, pô, caramba, que palácio bonito, né, e tal.

Mas deixo aqui, Daniel, as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, sejam todos muito bem-vindos. É um prazer estar com vocês aqui em mais esse episódio, nesse bate-papo 1075. Daniel, hoje foi, na prática, o primeiro dia real de cúpula, a gente falou sobre essa cúpula.

com a visita de Donald Trump a Pequim no dia de ontem, mas ontem ele estava chegando. A reunião, de fato, aconteceu hoje, nesse dia 14 de maio, lembrando que tem um grande fuso horário, então isso já tem algumas horas. E ficou um pouco mais claro, Daniel, qual era exatamente o tom da reunião, o que a gente esperava da reunião, o que a gente pode esperar, inclusive, como resultado dessa reunião.

E a gente vai ter uma China, Daniel, que deixa muito claro que, olha, a gente pode discutir um monte de coisa, pode debater e tal, mas tem uma linha vermelha que não pode passar, que é Taiwan. O tema de Taiwan, ele dominou uma grande parte das discussões no dia de hoje.

inclusive com o papo reto do Xi Jinping dizendo que se alguma coisa acontecer em Taiwan, isso pode levar Estados Unidos e China a uma situação extremamente perigosa. A gente sabe, Daniel, que o Xi Jinping costuma, ele não é muito direto, então ele não fala, podemos ter guerra, mas quando ele fala uma situação extremamente perigosa, o que ele está querendo dizer com isso é que, olha, a situação realmente pode ficar.

realmente muito complicado. Só que no meio disso tudo, Daniel, a gente tem um pacote de 14 bilhões de dólares que foi aprovado de venda de armamento dos Estados Unidos para Taiwan. E esse tema continua em aberto, afinal de contas o pacote está aprovado.

A China está dizendo, olha, com relação a Taiwan, é melhor os Estados Unidos serem muito cautelosos, porque a gente não está disposto a ter interferência e tudo. É verdade que não é uma novidade que os Estados Unidos vendam armas para Taiwan. Um detalhe que é sempre importante lembrar é que os Estados Unidos não têm relações diplomáticas com Taiwan. Os Estados Unidos reconhecem diplomaticamente apenas a República Popular da China, mas vendem armas para Taiwan desde a década de 1970.

mas Pequim está estabelecendo ali uma linha no chão. Não é para avançar. Se for vender arma para Taiwan, ok, não gostaria que vendesse, mas ok, vá lá. E o Marco Rubio, Daniel, o secretário de Estado americano, reforçou que a situação permanece inalterada. A gente vai continuar vendendo armamentos.

A gente continua tendo uma postura dúbia com relação a Taiwan, então uma postura de apoio militar, de considerar que eventualmente poderia haver uma autonomia maior, mas reconhecimento apenas da República Popular da China. Aliás, a citação do próprio Xi Jinping, só para a gente ter uma noção de como é que ele organiza a coisa, o pensamento dele, o que ele disse foi a questão de Taiwan é a mais importante que enfrentamos ao longo desse primeiro dia de cúpulo.

se for tratada inadequadamente, poderá empurrar toda a relação Estados Unidos-China para uma situação extremamente perigosa e fazer com que os países colidam ou até entrem em conflito. É uma coisa muito cuidadosa, eventualmente e tal, mas o recado aqui é, é para ter cuidado.

Óbvio que Taiwan, óbvio que o Irã também foi tratado, falou-se bastante sobre a questão iraniana também. Há uma convergência entre os dois pela vontade de reabrir o Hormuz, quanto antes o Hormuz for reaberto, melhor. E o Xi Jinping demonstrou interesse em aumentar significativamente a compra de petróleo americano.

Essa coisa que a gente já falou outras vezes, né, Daniel? A China é a maior importadora do planeta de petróleo. Os Estados Unidos são os maiores produtores, os maiores exportadores do mundo de petróleo. Então, o Donald Trump também tenta fazer um jogo, que é, olha, tudo está fechado ali, mas eu também posso te vender. E a China não tem essa. Você tem petróleo para vender?

Eu compro. Ah, é dos Estados Unidos. É bom que a relação melhora também, a gente dá um jeito. E outra coisa que eu queria te ouvir, Daniel, é sobre a questão do comércio. O comércio entre os dois, o Board of Trade. O que aconteceu hoje? O que você viu ao longo desse primeiro dia de encontro, Daniel? Tengue, nós antecipamos no episódio de ontem que esse seria um dos temas discutidos.

E o Bassett, que é o secretário do Tesouro, confirmou nessa quinta-feira, em entrevista à CNBC, que Washington está propondo à Pequim a criação de um conselho de comércio para decidir reduções tarifárias em produtos não estratégicos. Os dois lados usariam o conselho para identificar produtos elegíveis para reduções tarifárias no valor de cerca de 30 bilhões de dólares. E aí

Passant citou exemplos como fogos de artifício, achei interessante que os americanos podem comprar dos chineses, produtos de consumo de valor baixo que continuarão vindo da China de qualquer forma, segundo ele. A condição é clara, as reduções se aplicam apenas a produtos sem importância estratégica. Passant disse ainda que Pequim sinalizou interesse em adquirir gás natural liquefeitovosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvosvos

e petróleo bruto dos americanos. E defendeu que a produção no Alasca seja ampliada para atender a demanda crescente ao redor do mundo. O Conselho de Comércio foi discutido pela primeira vez pelo representante comercial, o Jameson Greer, em março desse ano.

e é considerado um dos principais entregáveis, um dos principais frutos possíveis dessa reunião de cúpula em Pequim. Aliás, o FMI acabou se pronunciando também sobre essa reunião de cúpula. Ele disse nessa quinta-feira que tem satisfação em observar os resultados iniciais das conversas entre Trump e Xi em Pequim.

mas alertou que a guerra no Oriente Médio já está empurrando a economia global para um cenário bastante adverso. A gente está falando de duas economias que representam, juntas, mais de 40% do PIB mundial. Então, claro que Estados Unidos e China...

tendo diálogo, tendo conversa, ampliando o comércio, de alguma maneira criando ali um ambiente menos tenso, isso é muito, mas muito favorável para a economia mundial. Ah, nossa, todo mundo dá muita importância para esse diálogo. Mas é lógico, a gente está falando de dois países que representam mais de 40% da economia mundial. A economia mundial tem um grande nível de concentração de renda.

Em poucos países, Estados Unidos e China ilustram isso de maneira muito cristalina. E, sem dúvida, o FMI acabou ficando muito bem impressionado pela disposição do Xi Jinping em receber bem os americanos, em se mostrar aberto ao diálogo.

E, claro, os americanos muito abertos também a conversar sobre diferentes temas, não só a questão comercial, mas questões tecnológicas e mesmo pontos geopolíticos extremamente sensíveis, como é o caso do Oriente Médio e de Taiwan.

Aliás, Daniel, quando a gente fala sobre essa guerra, sobre as guerras todas, a guerra no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia, tudo isso leva a consequências para o nosso cotidiano, para o nosso dia a dia. E aí eu queria fazer um convite muito especial aqui, Daniel, que é para quem se interessa por esses temas, e se você está ouvindo o Petit Jornal, certamente você se interessa, que é o Workshop Internacional da FGV.

chamada Geopolítica para Líderes, o conflito entre potências e suas consequências no dia a dia. São os últimos dias de inscrição, eu estava dando uma olhada no programa aqui, é sensacional. A gente está falando sobre 24 horas aula de interação, divididos em quatro sessões online, ao vivo, no período noturno, e um dia de imersão presencial. Tem no Rio.

Tem em São Paulo, então você pode escolher entre essas duas possibilidades. E a gente está falando sobre toda uma análise, Daniel, que passa ali por riscos e oportunidades. A gente está falando sobre palestrantes de renome internacional. E tem um aqui, Daniel, que eu estava dando uma olhada nos nomes aqui. Tem um tal de Daniel Souza. É você, Daniel Souza?

Sou eu, sou eu, Tanguy. Eu vou palestrar no Rio de Janeiro na imersão presencial. Como o Tanguy muito bem destacou, a gente está falando de uma parte online e uma parte presencial. Fica aqui o convite, a nossa recomendação. É um supercurso, sem dúvida nenhuma, para quem gosta de geopolítica, particularmente lideranças que estão preocupadas com essa temática. E, Tanguy, tem condições especiais para os amigos e amigas do Petit Journal, não é verdade?

10% de desconto com o link que está na descrição desse episódio. É um formulário. Você vai clicar lá, vai para o formulário. Você indica que veio pelo Petit Jornal. Você ganha 10% de desconto agora. É por tempo limitadíssimo. Tem vagas limitadas e está acabando. Está acabando o prazo de inscrição. Então não perde a oportunidade. O link está na descrição desse episódio. Vai lá, se é aluno Daniel Souza, além de um grupo estrelado de professores internacionais.

Vale a pena, gente. Cliquem no link e conheçam mais do programa, das condições, porque vai valer muito a pena, além das condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Jornal. Daniel Souza, no meio dessa bagunça toda, no meio de tudo que está acontecendo, está acontecendo em Nova Delhi uma reunião de ministros das relações exteriores do BRICS+. Pode lembrar, gente, o BRICS era um grupo que era composto por Brasil, Rússia, Índia e China.

Um pouquinho depois entrou a África do Sul. E no ano de 2023, resolveram abrir a porteira, Daniel. Convidaram uma galera. Convidaram a Argentina. A Argentina acabou não entrando. Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Aí, Daniel, você olha para esse cenário aqui e você entende por que deu problema. Durante essa reunião, Daniel, acontecendo lá...

em Nova Delhi, na capital indiana, a gente teve um problema sério pelo fato de que o chanceler iraniano, o Abbas Araqchi, elevou o tom e acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto nas operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Disse ele, abro aspas, o Irã é vítima de um expansionismo ilegal e de beligerância.

Os Emirados Árabes Unidos, os nossos queridos colegas aqui do BRICS+, estão diretamente envolvidos na agressão contra o meu país. Naturalmente, Daniel, isso impede que você tenha nos BRICS qualquer tipo de consenso, porque as reuniões são... Você só consegue uma declaração por consenso, então você não vai conseguir declaração. Afinal de contas, o Irã quer que faça constar que o seu país é vítima de agressão e que tem gente nessa sala aqui que está envolvido, que me atacou.

Para piorar a situação, Daniel, no meio disso tudo, você ainda teve a notícia de que um navio de bandeira indiana afundou em águas de Oman. Era um navio que estava carregando uma carga de madeira, né, oriunda do continente africano. Não dá para saber exatamente para onde que estava indo. Esse navio foi afundado, ao que tudo indica, Daniel, por ação de drones ou de mísseis. Então você imagina o clima que estava, Daniel.

O clima do BRICS+, é o pior possível, com essa expansão toda. Você tem uma galera ali que não se entende, você tem países muito atingidos, você tem a China, que está lá dialogando com o Trump, tentando garantir a abertura de hormus, você tem a Índia sendo severamente prejudicada. E o Brasil tem que ir no meio...

desse tiroteio tá bom. O Brasil no meio disso tudo tá, gente, por favor, diplomacia, multilateralismo, pelo amor de Deus, vamos conversar civilizadamente. E tá todo um cusano, os exacerbados. O Brasil, não, gente, diplomacia, por favor, não larguem o multilateralismo.

Então, esse é o clima dos BRICS mais nesse momento, Daniel. Então, a reunião está acontecendo lá em Nova Delhi. Havia uma expectativa nos últimos anos, de repente os BRICS se tornarem um grupo um pouco mais coeso. Essa expansão, que foi patrocinada em grande medida pela China, ela tinha por objetivo fortalecer os BRICS, mas ela também expõe os BRICS a um risco maior. Claro, você está colocando países ali que são...

rivais, rivais regionais, podem ter tido uma relação razoavelmente boa nos últimos anos. A própria China, aliás, levou Irã e Arábia Saudita a se reaproximarem e tudo, mas é um grupo que tem um potencial explosivo nas relações internas.

Então, essa reunião, sei lá, Daniel, eu estou achando que ela não vai muito mais longe do que a gente podia imaginar ao longo dos últimos anos. E não sei, a impressão que eu tenho é que a gente não vai ter uma declaração final nessa reunião. Essa reunião de ministros das relações exteriores começou hoje, no dia 14, vai acontecer também no dia 15, mas o cenário todo, Daniel, é muito adverso para essa organização dos BRICS+, Daniel.

Tanguy, os Estados Unidos anunciaram nessa quinta-feira a remoção bem-sucedida de urânio altamente enriquecido do único reator nuclear venezuelano, em uma operação conjunta com a própria Venezuela, Reino Unido, e apoio técnico da Agência Internacional de Energia Atômica.

Ao todo, 13 quilos de urânio enriquecido foram retirados de um reator de pesquisa RV1 da Venezuela. Uma parte do material tem pureza suficiente para uso militar.

Aliás, esse urânio havia sido fornecido pelos próprios Estados Unidos à Venezuela na década de 50, durante a iniciativa americana Átomos para Paz. O reator foi construído para pesquisa científica pacífica e depois passou a ser usado na esterilização por raios gama de materiais médicos, alimentos e outros produtos. A operação...

reflete a virada nas relações entre Washington e Caracas após as forças americanas deterem e capturarem e sequestrarem o ditador Nicolás Maduro no último mês de janeiro. A remoção acontece no meio de tensões que envolvem justamente o urânio, mas no caso o urânio no Irã, o urânio enriquecido iraniano. Aliás, nesta semana, o Irã chegou a ameaçar que...

eventualmente ele pode estar enriquecendo urânio até 90%, se ele for atacado, se houver ali a necessidade de ele estar se defendendo. Queria lembrar vocês, senhores, que eu posso estar enriquecendo urânio a 90% e vocês sabem o que isso significa. Significa que eu terei ali um armamento militar. Aliás, voltando à Venezuela...

O Trump publicou na Truth Social, nessa terça-feira, um mapa da Venezuela coberta pela bandeira americana, a segunda vez na semana que ele expressou interesse em anexar a Venezuela, que poderia se tornar ali o 51º Estado americano. Estou com um pouco de bode, de preguiça para isso, porque é tudo da hora, o Trump quer anexar alguém, quer anexar o Canadá, quer anexar a Grunelange, quer anexar a Venezuela.

Mas não anexa ninguém, né? É, Cuba, mas no final do dia não anexa ninguém, fica tudo do jeito que tá, porque Trump é alguém muito bom de noticiário, de manchetes. Mas na hora de entregar o que ele promete, ah, vou anexar. Então, anexa. Vamos lá.

Ô, tu não é brabo? Vamos anexar aí. E aí os venezuelanos podem circular livremente para dentro dos Estados Unidos, porque afinal vai se tornar um Estado americano. Vão poder votar para presidente dos Estados Unidos. Vai ter senador venezuelano, vai ter deputado venezuelano em Washington. Eu quero ver se a coisa realmente fica boa, ou se você faz a mesma coisa com Cuba, etc. E isso poderia trazer repercussões políticas importantes dentro dos Estados Unidos. Eu imagino um americano médio...

que vota no Trump, pensando assim, agora os venezuelanos podem entrar livremente nos Estados Unidos? Como assim? Porque virou mais um Estado americano? Passaporte, passaporte americano, maravilhoso. Passaporte americano, enfim, é o Donald Trump sendo Donald Trump. Daniel Souza tem sangue na água no Reino Unido.

Eu falei aqui ontem que a situação do primeiro-ministro, o Keith Starmer, era uma situação muito difícil, uma situação de impopularidade. O governo levou um baile nas eleições regionais no Reino Unido. O Partido Trabalhista perdeu uma série de regiões que tradicionalmente sempre venceu. Ele mesmo fez o seu mea culpa, né? Ah, eu tenho sido um pouco discreto, poderia agir mais e tal.

Mas o fato é que o governo dele está desmoronando. A gente teve mais uma notícia no dia de hoje, que foi a renúncia do secretário de saúde, que é o Wes Stritten. O Wes Stritten, Daniel, ele é um secretário de saúde do governo do Keith Starmer.

E ele ganhou uma relativa popularidade porque ele teve êxito em diminuir a fila do NHS. O NHS é o SUS lá, o sistema de saúde pública do país. Vinha ser muito criticado porque as filas estavam muito grandes, o tempo de espera para você conseguir um atendimento era muito grande. E o West Streeting é visto como o cara que conseguiu resolver isso. Então, entre um governo, em meio a um governo...

considerado ruim, ineficiente, meio ausente e tal, ele é um cara lembrado, né, volta e meia, e ele é considerado um cara da ala mais à direita do Partido Trabalhista, ou seja, ele é um centrista britânico, ele é um cara que tem um perfil ali que ele gosta de se identificar bastante com o Tony Blair, o ex-primeiro-ministro britânico. No momento em que esse cara renuncia, Daniel, aliás, ele renuncia atirando, o que ele diz é o que o Starmer não pode continuar como líder do Partido Trabalhista,

e se ele não permanece como líder trabalhista, ele deixa de ser primeiro-ministro também, isso abre, Daniel, uma campanha, um momento no qual está todo mundo bem em campanha, tem uma galera que já está olhando para o cargo dele. Então, o West Reading, ele já anunciou que tem 80 parlamentares, 80 deputados, que o apoiam para você conseguir se viabilizar como líder.

do Partido Trabalhista, você tem que ter 20% da bancada, então ele sairia de 81%. Ele já tem 80%, então ele está praticamente viabilizado para ir adiante. E alguns outros nomes aparecem também. O Andy Burnham, Daniel, que atualmente é prefeito da Grande Manchester.

Ele é um cara muito popular no Partido Trabalhista também. Ele tem um problema pelo fato de que ele não é parlamentar. Então, para ele poder se tornar primeiro-ministro, algum parlamentar do Partido Trabalhista tem que renunciar. Ele tem que disputar a eleição naquela região e ganhar.

E aí ele pode eventualmente se tornar primeiro-ministro, então seria uma eleição fora do período de eleições, seria uma eleição separada, uma eleição isolada, e alguns outros nomes começam a ser viabilizados. Inclusive o Ed Miliband, a gente já falou bastante sobre ele aqui, Ed Miliband atualmente é o secretário de Energia.

e ele já foi, inclusive, um dos líderes do Partido Trabalhista alguns anos atrás, só que ele ficou muito marcado porque nessa época o Partido Trabalhista só perdia para os conservadores. Mas a gente já começa a ver, Daniel, uma campanha aberta. Então me parece que está muito próximo o dia no qual o Kiel Starmer, ele deixa de ser primeiro-ministro britânico, isso pode acontecer em breve. Imagino que Donald Trump esteja sorrindo de orelha em orelha, não gosta do que está, a relação realmente não é boa, mas o fato é que...

a renúncia de um secretário importante, como o Streeting, pode ser um marco no governo do Keith Starmer. A gente já teve outras pessoas com cargos inferiores que saíram também, mas o secretário de Saúde, que seria o equivalente ao ministro da Saúde, é algo bem mais importante. Vamos ver, Daniel, quanto tempo que Keith Starmer permanece no poder a partir de agora, Daniel.

Tem que, nessa semana, o Donald Trump deu todos os sinais de que está muito preocupado com a inflação. Aliás, integrantes do governo Trump correm para tentar, de alguma forma, mitigar a pressão inflacionária que o país está experimentando.

No último mês de abril, a inflação nos Estados Unidos, em 12 meses, alcançou 3,8%, o que para o padrão americano é muita coisa. A gente está falando de uma inflação nos Estados Unidos que tem como meta 2% ao ano. Aliás, nessa semana nós tivemos...

A aprovação do novo presidente do Fed, ele foi cancelado pelo Congresso dos Estados Unidos e vai substituir o Powell no final dessa semana. É um enorme desafio uma inflação desse tamanho. O Trump, no início, tem que dizer, não precisa fazer nada, está tudo bem, etc.

Mas essa semana ele já sinalizou que existe aí um plano de reduzir impostos para tentar conter a escalada do preço dos combustíveis dentro de um contexto onde a popularidade do Trump está sendo corroída pelo processo inflacionário. Lembro aos nossos amigos e amigas que uma das principais promessas do Trump quando foi candidato contra a Kamala Harris, contra os democratas, é que ele ia baixar a inflação.

E o que nós estamos vendo nesse momento é uma inflação mais alta, corroendo aí o poder de compra dos americanos, particularmente de americanos de renda um pouco mais baixa. E, diante disso, o Trump acaba correndo para buscar alguma alternativa. Por um lado, isso sinaliza um pragmatismo, mas, por outro, tem que...

sinaliza também que o Trump não tem mais muita esperança de resolver o problema de Hormuz rapidamente. E, consequentemente, vai ter que conseguir, vai ter que buscar algum tipo de medida compensatória, isso vai ter impacto sobre o Tesouro Americano, vai ter impacto sobre as contas públicas. Mas, assim como muitos países do mundo, a administração Trump agora está sinalizando que pode, de alguma forma, atuar oferecendo ali um subsídio.

para os impostos nos Estados Unidos. Então, você teria ali realmente um ganho de renda nas pessoas por conta de um barateamento em comparação ao que está hoje. Não vai ser suficiente para levar os combustíveis para o patamar pré-guerra, mas já ajudaria e já seria ali uma contenção de danos nessa perda de popularidade do Trump.

Daniel, alguns meses atrás você trouxe uma geleia que foi cuidadosamente guardada lá no fundo da geladeira. E agora essa geleia será retirada da geladeira para ser degustada novamente com mais informações. Você pode requentar essa geleia para a gente, Daniel, por favor?

Tanguy, há alguns meses aqui na Geleia da Shakira, nós falamos sobre o Tabefe. A gente fala Tabefe, né, Tanguy? Que o Macron tomou da esposa a Brigitte Macron. Quando foi aberta ali a porta da aeronave da República Francesa, nós vimos, foi capturado pelas câmeras.

o Macron tomando um tabef da Brigitte Macron. Pois bem, um livro publicado nessa quarta-feira, 14 de maio, afirma que o tapa viral que a Brigitte Macron deu ao marido durante aquela visita oficial no ano passado foi provocado por uma troca de mensagens entre o presidente Macron e a atriz iraniana Farhani, de 42 anos.

O que diz o livro? A jornalista Florian Tardif, da Paris Match, afirma no livro que esse casal teria sido perturbado por essa briga conjugal em função dessa troca de mensagens. Inclusive, Tang, o Macron teria enviado uma mensagem para a atriz dizendo o seguinte, abre aspas, Acho você muito bonita, fecha aspas.

Ô, Tanguy, o que um homem casado tem que achar outra mulher muito bonita e ficar mandando gracinhas, Tanguy? Não é possível uma coisa como essa? Isso muda completamente a perspectiva do tabef que a Brigitte deu no Macron.

A gente sempre soube que o Macron com o telefone na mão era um perigo, né, Daniel? Porque sabe o que acontece? Ele liga pra todo mundo e o pessoal não atende mais. Ele liga pro Putin e o Putin não atende. Ele liga pro Trump e o Trump não atende. Ninguém atende mais ele. Aí, Daniel, acontece isso, né? Ele começa a mandar mensagem pra outras pessoas e tal. Ficou seduzido pela atriz.

A Farahane, a Gotshifté Farahane, difícil falar o nome dela, mas aí levou o Tabeth. Merecido, né? Aliás, a gente sabia que era merecido, a gente não sabia o motivo. Mas que tinha sido merecido a gente já imaginava, né Daniel? É verdade, Tanguy. A gente sabia que ele estava errado. E ainda mais tratando-se de telefone, Maconu está sempre errado.

Aliás, ele é habitué aqui na geleia da Shakira, né, Tanguy? Porque ele está sempre fazendo lambança pelo mundo, ele está sempre tentando. O Macron, rapaz, é aquela pessoa que, na época de escola, o Tanguy, ele devia ser um rapaz com dificuldade de fazer amigos no recreio. Você não acha, Tanguy? Ele devia ser aquele cara isolado, que ficava ali no canto, sem muitos amigos, etc. Aí virou presidente.

E aí não tem maturidade para lidar com a exposição que a presidência da República proporciona a ele. É isso. Daniel Soura, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio, aliás, em condições normais de temperatura e pressão, o último bate-papo da semana. Amanhã a gente volta com o Petit Invest, que a gente grava toda sexta-feira, às 9 da manhã.

Vai, claro, como sempre, para o seu feed, caso você ouça pelo podcast. E quero lembrar, Daniel, que na próxima terça-feira nós temos, além do bate-papo, que a gente tem todos os dias, a gente tem também mais uma aula gratuita, na qual a gente vai falar sobre o OPEP. O tema é importante. Os Emirados Árabes Unidos acabaram de sair do OPEP. O que é o OPEP? Quando é que ela foi criada? Quem são os atores mais importantes? Como é que é o jogo político ali dentro? Tudo isso.

Vai estar no YouTube do Petit Jornal. É o momento, aliás, de você, inclusive, conferir para ver se você está inscrito no YouTube do Petit Jornal. Ative o sininho, né? Isso tudo ajuda muito o Petit Jornal. E você também fica informado de tudo que a gente tem feito por lá. Acesse lá o YouTube do Petit Jornal para não perder essa aula gratuita, terça-feira, às 19h.

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal. Vocês que ajudam a manter nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço. Nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petit é uma mídia pequena, é um produto digital artesanal. A ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de fundamental importância. E fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

Fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas, tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea, de apoiar o PetJornal, dá inclusive para ativar o Pix recorrente, chave Pix, no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

É isso, Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu! Tchau, tchau!

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