Episódios de Petit Journal

Trump na China - BP 1074

14 de maio de 202630min
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Donald Trump chega a Pequim para uma cúpula com Xi Jinping em um dos momentos mais delicados das relações entre Estados Unidos e China nos últimos anos. No episódio analisamos os objetivos de cada lado, os temas centrais da reunião e os possíveis impactos sobre comércio, tecnologia e geopolítica global. Também discutimos investigações envolvendo autoridades francesas e a Meta sobre uma suposta interferência de uma empresa israelense em eleições locais na França.
Abordamos ainda a reaproximação comercial entre Turquia e Armênia, em um movimento relevante para o equilíbrio regional no Cáucaso, além da reação de Arábia Saudita e Kuwait após ataques de grupos aliados do Irã no Iraque.
Na Geleia da Shakira, Gerard Piqué vira assunto após ser multado por uso de informação privilegiada.
#China #EstadosUnidos #Geopolítica #OrienteMédio #RelaçõesInternacionais
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Visita de Trump à ChinaDonald Trump e a NASA · Xi Jinping · Relações EUA-China · Guerra Irã-EUA · Pressão econômica sobre Irã · Sanções a bancos chineses · Comércio EUA-China · Inteligência Artificial · NVIDIA · Elon Musk · Apple
  • Interferência Externa em EleiçõesMeta · Black Corps · Eleições municipais na França · Jean-Luc Mélenchon · França em submissa · Sébastien Delogui · Desinformação digital
  • Reaproximação comercial Turquia-ArmêniaTurquia · Armênia · Azerbaijão · Genocídio Armênio · Nikol Pashinyan · Tratado de paz
  • Reação dos países árabes do GolfoArábia Saudita · Kuwait · Irã · Milícias xiitas no Iraque · Qatayb Hezbollah · Estreito de Hormuz
  • Penalidades e MultasGerard Piqué · Shakira · Insider Trading · Aspai Global Services · Comissão Nacional de Mercado de Valores da Espanha
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1074. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit. São exatamente 19 horas e 15 minutos da quarta-feira, 13 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdadia, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15%? Vai ressarcido!

ressarcido de tarifas indevidas que foram cobradas pelo governo dos Estados Unidos em tempos recentes. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem? Vamos a isso!

Tudo bem, Daniel Souza? Com esse vamos lá para esse bate-papo 1074. Sejam todos muito bem-vindos, todo mundo que acompanha as voltas que o mundo dá. Junto com o Petit Jornal, é um prazer estar aqui com vocês. E Daniel Souza não tem como ter outro assunto para a gente começar o nosso episódio, que não a visita de Donald Trump à China. Foi lá encontrar com Xi Jinping. Fazia tempo que essa visita estava sendo...

cogitada, imaginada, pensada, foi adiada, né, depois que os Estados Unidos, junto com Israel, iniciaram a guerra lá contra o Irã, mas finalmente Donald Trump cruzou meio mundo e foi parar em Pequim. Naturalmente, Daniel, um dos assuntos que vão ser tratados lá, que estão sendo tratados lá nessa visita que se iniciou no dia de hoje, nessa quarta-feira,

é que o Trump quer ajuda para tentar terminar a guerra, para encontrar alguma saída para essa guerra. O que o Trump já entendeu é que negociar diretamente com o Irã vai ser muito difícil e se tem algum país que tenha capacidade de pressionar o Irã para ver se encontra uma solução, se volta para a mesa de negociações, sem dúvida nenhuma são os chineses.

Na China, Daniel, o clima que se encontra lá, quando a gente fala sobre essas negociações, é que a China está disposta a pressionar o Irã a retomar as negociações. Essa é uma possibilidade. A gente sabe que a China é um país que costuma fazer um recurso à diplomacia, ter que negociar, a busca por uma certa estabilidade e tudo, apesar...

de a China também não ver essa guerra de forma completamente catastrófica. É claro que a questão do acesso ao petróleo é um problema. Por outro lado, a China também entende que no momento em que os Estados Unidos estão focados no Oriente Médio, eles desviam um pouco o seu olhar de Taiwan. Então tudo isso é um cálculo também da China de que a guerra acabe, mas também até que ponto ela vai exatamente se meter. Mas ela poderia fazer com que o Irã, pressionar o Irã, para que ele voltasse a negociar.

Só que os Estados Unidos, Daniel, também parecem, todos os indícios da delegação americana que foi para a China, vai mais ou menos nesse sentido, que gostaria que a China fosse capaz de pressionar economicamente o Irã. Eu queria que você pressionasse o Irã economicamente, se necessário, e nesse sentido a China é muito mais relutante.

O Irã é o maior parceiro comercial, econômico, energético da China no Oriente Médio e fazer algum tipo de pressão do ponto de vista econômico vai além do que a China parece estar disposta. A China também não parece disposta a limitar o seu fornecimento de bens para o Irã.

inclusive fornecimentos de uso dual, fornecimento de uso, produtos, bens de uso dual, são aqueles que podem ser utilizados para fins civis, mas que também podem ser utilizados para fins militares. Esses são aqueles temas, Daniel, que a China, ela considera que, olha, eu não vou chegar tanto, eu não vou chegar tanto, politicamente eu posso até...

conversar, debater, pressionar, mas economicamente eu não estou tão afim assim. Do lado americano, existe uma certa tentativa de avaliar quais são os instrumentos de pressão que os Estados Unidos têm sobre a China. Olha, China, é para tentar me ajudar lá, porque senão tem algo que eu posso fazer. E a principal ferramenta de pressão são as possíveis sanções contra bancos chineses.

Isso está sendo cogitado no governo americano, de repente, bancos chineses podem ser sancionados, só que há um risco grande. O risco é, se os Estados Unidos começam a sancionar bancos chineses para pressionar a China a fazer algo com relação ao Irã,

a China pode também começar a retaliar e pressionar bancos americanos, e aí o prejuízo pode ser grande demais. Então é um cálculo difícil de ser feito. Então nesse momento, Daniel, é basicamente o que está na cabeça de quem está negociando lá na China, quando a gente fala sobre o Irã naturalmente, há outros assuntos, mas eu queria te ouvir também, Daniel, o que você tem visto dessa visita?

O grupo que foi junto com o Donald Trump é um grupo bastante heterogêneo. E é curioso olhar. E me parece, eu queria que você confirmasse ou não, mas é uma certa tentação, uma tentativa, na verdade, dos Estados Unidos de tentar...

voltar a ter uma facilidade econômica e comercial maior nessa relação com a China. Me conta aí, Daniel, como é que você tem visto essa visita do Trump aí? É verdade, Tanguy. Existe o objetivo por parte dos Estados Unidos de tentar destravar algumas pautas comerciais com os chineses, até porque...

A China realmente mitigou muito o poder dos Estados Unidos de impor ali impactos comerciais e econômicos relevantes. A gente pode pensar, por exemplo, que nesse ano de 2025, as exportações chinesas, apenas 10% das exportações chinesas, acabam indo em direção aos Estados Unidos.

O que tem acontecido é que as empresas chinesas têm se espalhado pelo mundo. Então, você tem montadora chinesa no México, você tem empresa de ar-condicionado chinês no Vietnã e assim por diante. O que acaba acontecendo é que você tem empresas chinesas exportando para os Estados Unidos.

a partir de outros países e, consequentemente, exportando a partir desses países, a China não está sujeita às tarifas postas pelo governo dos Estados Unidos. Me parece que esse ponto é importante. Os americanos não têm a capacidade de impactar o comércio e o crescimento dos chineses que tinham no passado por conta dessa estratégia de espalhamento que os chineses têm adotado e, aliás, com muito sucesso.

Existe ali um objetivo muito claro. Os americanos querem destravar algo em torno de 30 bilhões de dólares dos dois lados, 30 bilhões de comércio dos Estados Unidos para a China e vice-versa, com redução de tarifas, mas de produtos que não sejam estratégicos, produtos que não sejam sensíveis. Os sensíveis, os estratégicos não vão ser tocados. A China vai continuar protegendo e os Estados Unidos também. Ou seja...

seria um passo para tentar intensificar um pouco o comércio mútuo entre Estados Unidos e China depois de um período de tensões muito fortes, como a gente viu no ano de 2025. Um outro aspecto que é inescapável nessa visita é o tema da inteligência artificial.

Aliás, o Donald Trump levou no Air Force One o CEO da NVIDIA, levou o Elon Musk, levou o CEO da Apple, quer dizer, levou grandes executivos do Vale do Silício, justamente para dialogar com a China sobre questões relacionadas à inteligência artificial. Existe a ambição de se criar um canal de desconflito em inteligência artificial, ou seja, um canal onde você tenha um mínimo de diálogo.

É lógico que a competição vai continuar sendo fortíssima entre os desenvolvedores americanos e os desenvolvedores chineses, mas algum tipo de diálogo, algum tipo de coordenação parece necessária, e essa coordenação é necessária até por conta de todos os impactos que a inteligência artificial pode ter do ponto de vista global. É algo que precisa ser feito, é algo que precisa realmente ser trazido para uma mesa de negociação.

Portanto, a gente está falando de um governo Trump que está muito ambicioso em relação a essa visita. Tem questões geopolíticas como você trouxe, particularmente a guerra entre Rússia e Ucrânia, e também, e aí Rússia e Ucrânia não, entre Estados Unidos e Irã, e tem questões também super importantes do ponto de vista econômico e do ponto de vista tecnológico que vão ser conversadas. É claro que as conversas propriamente ditas ainda não aconteceram.

Mas não me parece nenhum exagero dizer que é a visita, é a conversa, é o momento mais importante da gestão de Donald Trump nesse segundo mandato. Pode ser que surja algum outro um pouco mais à frente, mas pelo menos até onde a vista alcança.

É um momento crucial. Aliás, o Trump tem perdido muita energia com questões que não são ou que não deveriam ser a prioridade da política externa americana. A prioridade deveria ser justamente o Pacífico em geral e a China em particular. Só que agora dragado pelo Oriente Médio, ele acaba não tendo a energia necessária e isso também coloca ele numa posição de uma certa fragilidade.

se ele não estivesse nesse atoleiro, se ele não estivesse precisando da China para tentar equacionar o conflito no Oriente Médio, certamente os Estados Unidos teriam condições melhores nessa negociação. E quando a gente fala sobre esse encontro, particularmente tratando de internet, de inteligência artificial, de redes, de uma forma geral, que naturalmente, como você bem mostrou, é exatamente o que está sendo negociado, é importante notar que a gente está falando sobre dois dos países que mais coletam dados na internet mundial.

Então, o TikTok é uma empresa chinesa, você tem todo o conglomerado das empresas americanas, então, naturalmente, é uma questão importante, o que nos afeta diretamente. Por isso que eu queria trazer aqui, Daniel, os nossos parceiros da NordVPN, que é uma VPN que permite, a melhor VPN do mercado, e que permite que você proteja os seus dados exatamente contra essas grandes empresas. A gente está falando, portanto, sobre questões relacionadas à privacidade. Todo mundo tem uma história, Daniel, de... ...de...

caramba, eu pesquisei uma coisa, agora só fica aparecendo anúncio daquele produto. Isso é uma quebra de privacidade. A gente está falando sobre a possibilidade com a NordVPN você, por exemplo, bloquear anúncios, você garantir que não tenha ninguém sabendo onde é que você está, o que você está fazendo, com quem você está falando.

é uma forma de proteção da sua privacidade. A gente está falando também sobre a proteção das suas senhas, proteção dos seus arquivos na nuvem, tudo isso com uma VPN que você pode utilizar como a única conta em 10 dispositivos diferentes. A possibilidade de você acessar a internet a partir de milhares, a gente está falando de quase 8 mil servidores ao redor do mundo, que te oferecem uma série de vantagens no acesso à internet, no acesso a determinados sites que são bloqueados por geolocalização.

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Você pode ter certeza disso. A NordVPN pode te ajudar a evitar esse tipo de problema.

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E já que a gente está falando sobre tecnologia, Daniel, eu queria falar sobre um problema, né, diplomático, inclusive, que está surgindo entre Israel e a França. Autoridades francesas, junto com a Meta, que, lembrando, é proprietária do Facebook e do Instagram,

estão investigando o papel de uma empresa israelense chamada Black Corps. Essa empresa, Daniel, é uma empresa meio obscura, é difícil até ter acesso a ela e tal. A gente sabe que ela é israelense porque a meta disse que ela é operada a partir do território israelense. Essa empresa vem participando de uma campanha coordenada de desinformação e interferência estrangeira.

O que foi muito importante quando a gente fala sobre as eleições municipais que aconteceram na França em março de 2026. Essa empresa teria atuado numa operação maciça do ponto de vista digital com o objetivo de...

piorar a imagem, de mexer com a imagem de candidatos do partido à França em submissa. A França em submissa é o partido da esquerda radical francesa, liderado lá pelo Jean-Luc Mélenchon. Foi o partido mais votado, foi a coligação mais votada nas últimas eleições parlamentares francesas. E nessa última eleição que aconteceu agora em março, nas eleições municipais, alguns candidatos da França em submissa tiveram...

uma série de notícias, propagandas que circularam e que podem ter prejudicado a sua capacidade de serem eleitos. Então, em Marsella, por exemplo, um candidato chamado Sebastián Delogui, ele foi alvo de um blog anônimo com códigos de QR Code que foram espalhados pela cidade toda, então não apenas o blog, mas também esse QR Code espalhado pela cidade toda, que aludiam a uma má conduta sexual desse candidato, o que não é comprovado. O Delogui

não dá para saber se é por conta disso ou não, mas acabou retirando a sua candidatura no segundo turno para não dividir os votos da esquerda. A mesma coisa aconteceu em várias outras cidades, o que chamou a atenção de autoridades francesas. Olha, tem um padrão aqui contra determinados candidatos, sempre da França em submissa, que lembrando, é um partido que tem...

uma visão muito pró-Palestina e muito crítica à Israel. E aí isso incomodou não apenas as autoridades francesas, que, aliás, avisaram ao partido, a gente está vendo que há um padrão, a gente está investigando, mas a própria meta também se manifestou e removeu uma rede de contas por comportamento inautêntico coordenado.

E a própria meta identificou que a atividade se origina em Israel e que visava primariamente à França. E isso, na verdade, foi comprovado agora, depois de uma demonstração.

de que essa mesma rede de perfis ligadas a essa empresa, a Black Core, ela já tinha agido em outro país, um país africano, que não foi identificado. Mas isso pode, naturalmente, ser um problema nessa relação. A gente sabe que o governo do Macron vem sendo crítico ao governo do Netanyahu. Aliás, no último episódio, a gente falou sobre...

aquela campanha que está sendo liderada, vinha sendo liderada pelo menos, pelo ex-presidente de Honduras, e que o próprio ex-presidente de Honduras, ele disse que o governo Netanyahu vinha agindo para ajudar nessa campanha aqui na América Latina, para criar, inclusive, uma rede de desinformação com relação a presidentes de esquerda aqui na região. E a gente está vendo que na França isso também está acontecendo.

A França, portanto, está investigando. A Meta vem colaborando. Aliás, eu trouxe informação aqui exatamente porque é uma coisa mais oficial. Não é apenas uma desconfiança. Vamos ver até onde que vai essa informação. E, de novo, é aquele tipo de coisa que a gente sabe que acontece. Isso é o que eu falei no episódio de ontem. A gente sabe que acontece, não há dúvidas de que acontece. Mas a partir do momento que a gente vê que há provas, que há demonstrações de como isso acontece, naturalmente isso chama mais a atenção porque passa a ser um fato político e que a gente precisa levar em consideração. Daniel.

Tanguy, no dia de hoje, quarta-feira, 13 de maio de 2026, a Turquia suspendeu as restrições alfandegárias à Armênia, abrindo caminho para o comércio direto entre os dois países após mais de 30 anos de fronteira fechada. O gesto sinaliza...

uma das maiores viradas diplomáticas na região. A Turquia e a Armênia têm a sua fronteira fechada desde o início dos anos 90. De um lado, a Turquia é solidária ao Azerbaijão, que também acaba sendo ali uma nação túrquica, desde o conflito de Nagorno-Karabakh.

E a Armênia, por sua vez, quer o reconhecimento do genocídio armênio que foi perpetrado pelo Império Otomano, consequentemente pelos turcos, em 1915. A fronteira foi fechada no início dos anos 90 porque antes...

a Armênia fazia parte da União Soviética. Era a República Socialista Soviética da Armênia e, consequentemente, a União Soviética tinha ali fronteira com a Turquia e essa fronteira não estava fechada como passou a estar no início dos anos 90. Existe ali realmente uma tentativa dos dois lados de tentar buscar algum tipo de aproximação.

Para que haja a reabertura formal da fronteira, a Turquia exige que a Armênia assine um tratado de paz com o Azerbaijão, um tratado de paz formal. Nós tivemos, no ano passado, um aperto de mão do primeiro-ministro da Armênia com o presidente do Azerbaijão, o Donald Trump ali como padrinho desse aperto de mão, mas não houve ali a celebração de um tratado formal.

A Armênia, por sua vez, eu estive lá no ano passado e pude perceber isso com muita clareza, é uma sociedade muito dividida. De um lado, você tem aqueles armênios que defendem que não, a Armênia tem que manter a sua posição firme de defesa de um reconhecimento internacional do genocídio armênio, mesmo que isso irrite a Turquia, mesmo que isso traga problemas no relacionamento com a Turquia, e tem que manter ali realmente uma postura dura em relação... a população?

ao Azerbaijão, até para evitar que o Azerbaijão tente tomar um pedaço ainda maior do território armênio, o que levaria ali a um risco de sobrevivência do próprio Estado armênio. E, de outro lado, você tem aqueles, e fica muito claro que o Pashinyan, que é o atual primeiro-ministro, está junto desse grupo, que considera, gente, vamos ser pragmáticos.

A Turquia vai continuar aqui o resto da vida, o Azerbaijão vai continuar o resto da vida aqui. E nós precisamos ter um mínimo de relação econômica com esses nossos vizinhos, porque senão a Armênia vai continuar sendo para sempre um país atrasado, um país empobrecido, um país sem alternativas, um país bastante isolado. E claro que aqueles armênios que não gostam dessa ideia dizem que o Paxinian está no bolso dos turcos, está no bolso dos Azeris, que ele é subornado, etc.

Mas existe algum tipo de racionalidade nessa linha de defesa por parte do primeiro-ministro. Mas até o presente momento, ele não teve condições políticas de celebrar esse acordo com o Azerbaijão.

Vamos ver qual vai ser a resposta da Armênia a esse gesto, que é um gesto forte por parte da Turquia, retirando ali as restrições alfandegárias. Na prática, isso significa o seguinte. Um produto proveniente da Armênia pode entrar na Turquia, mesmo que a fronteira esteja fechada. Vai ter que entrar pela Geórgia, muito provavelmente. Vai ter que buscar ali algum tipo de caminho alternativo.

e vice-versa. Quer dizer, um produto turco pode sair em direção à Armênia sem maiores problemas. Isso seria ali uma maneira de estabelecer relações comerciais. Mesmo os dois países continuando a não ter qualquer tipo de relação diplomática, relações comerciais poderiam começar a ser estabelecidas, o que seria um primeiro passo de uma distensão, de algum tipo de aproximação.

entre esses dois vizinhos. É um movimento importante, é um gesto forte por parte da Turquia e certamente é um gesto que o governo da Armênia já esperava. É como quem diz assim, ah, gente, agora a Turquia fez um gesto, vou ter que fazer um gesto também para a Turquia. Não que eu quisesse tanto assim, mas agora vou ter que buscar algum tipo de aproximação com os nossos vizinhos agora do ponto de vista comercial.

Comercial, gente. É comércio, economia, dinheiro. Todo mundo gosta de comércio. Vamos tentar começar, aos poucos, a escrever uma nova página em nossa história. Daniel, quero voltar a falar sobre o Oriente Médio. A gente teve, tem desde o dia 28 de fevereiro, Daniel, uma guerra no Oriente Médio em que Estados Unidos e Israel atacam o Irã.

E o Irã, como forma de reação, ataca o território israelense, que ataca também os aliados dos Estados Unidos no Golfo. Então, vários países da região, principalmente aqueles que têm bases americanas, foram atacados por mísseis e por drones iranianos.

Isso coloca esses países do Golfo, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Oman, Kuwait, numa posição muito difícil, porque são países que ganham muito com a estabilidade, são países que se constituíram ao longo dos últimos anos, como países...

estáveis, tranquilos, são países que estão lá para receber dinheiro para fornecer petróleo, são países que estão passando por um processo de modernização, de crescimento econômico. Então são países que vêm tentando estar ali no centro do palco dos grandes eventos, de transporte, sistema financeiro, são países que tentaram vender para o mundo, que vêm vendendo para o mundo uma noção de estabilidade.

No momento em que o Irã faz um ataque contra esses países, eles têm duas escolhas e nenhuma das duas é boa o suficiente. A primeira delas é não reagir, esperar a guerra acabar e fingir que nada aconteceu. Olha, foi atacado, poxa, não me ataca mais e vamos deixar a coisa do jeito que está. Só que essa opção, ela traz um risco. O risco é o Irã, no fim das contas, dominar completamente a região e nunca mais esses países conseguirem retomar a sua posição de centralidade e liberdade para, por exemplo, trafegar pelo Estreio de Hormuz.

A outra alternativa, também muito ruim, é engajar em guerra contra o Irã. E aí, Daniel, é rolar na lama. O Irã me ataca, eu ataco de volta. Isso pode gerar ainda mais instabilidade e uma guerra prolongada, o que traz uma série de problemas. Até agora.

A impressão que esses países do Golfo passavam, a Arábia Saudita e o Kuwait, são os meus focos aqui, era que estavam buscando a primeira opção. O Irã estava atacando e eles estavam tentando se defender, mas sem necessariamente reagir.

Fontes da segurança iraquiana e de alguns países ocidentais, fontes não se identificaram, mas normalmente onde tem fumaça tem fogo, confirmaram que milícias chiitas apoiadas por Teherã foram alvos de ataques retaliatórios pesados.

Ou seja, a Arábia Saudita e, aparentemente, também o Kuwait teriam utilizado artilharia pesada. São países que têm muito investimento militar contra aliados do Irã no Iraque. São muitos. O Irã tem muitos aliados, principalmente milícias xiitas no Iraque.

naquele país vizinho, e que esses grupos xíatas teriam atacado, a partir do território iraquiano, teriam atacado também a Arábia Saudita e Kuwait, e que esses dois países teriam retaliado, e buscando, inclusive, a destruição de instalações de milícias, entre eles o Qatayb Hezbollah.

Não é o Hezbollah libanês, é o Hezbollah iraquiano, uma milícia chiita também, aliada do Irã, que atuou a partir do Iraque e que Kuwait e Arábia Saudita teriam atacado de forma direta. Mais do que isso, segundo essas informações, a gente não tem informação de quando isso aconteceu, mas a Arábia Saudita teria utilizado armamentos pela primeira vez na história contra o território iraniano.

Até agora, a Arábia Saudita adotava uma postura que era uma postura tensa, mas é uma postura de não retaliação ainda mais diretamente contra o território iraniano, mas que a Arábia Saudita teria, ao longo desses últimos dois meses, cruzado essa linha vermelha e teria atuado de forma direta contra o território iraniano.

A gente teve, Daniel, um degelo das relações intermediadas pela China em 2023. Então, Riad, Teirana, então Irã e Arábia Saudita chegaram, voltaram a dialogar em 2023. Mas, naturalmente, essa guerra, ela coloca tudo isso à prova e a gente vai ter que ver quais são os próximos passos, Daniel. Mas o fato é que, aparentemente, a Arábia Saudita falou, olha, eu não tenho sangue de barato, eu vou reagir também.

e a gente tem que ver como é que o Irã vai reagir a essas informações. Provavelmente o Irã já sabia, mas o fato disso vir à tona coloca sobre o Irã uma responsabilidade de agir novamente ou não. A gente tem que ver o que vai acontecer daqui para frente, Daniel.

Tanguy, podemos avançar para o final do nosso episódio, uma nota um pouco mais leve, na geleia da Shakira de hoje? Vamos embora, Daniel. O que você traz para a gente hoje? O Tanguy, você sabe que o nosso podcast é chakirista. Então, longe de nós torcer contra qualquer pessoa. Jamais. Mas o Gerard Piquet, que é justamente... Não gostamos, não gostamos. Não, não gostamos. Ex-marido. Chakirista, vizinhante, mas não gostamos. Ex-marido da Shakira e tal, o rapaz da história da geleia de morango,

Ele foi multado em 200 mil euros pela Comissão Nacional de Mercado de Valores da Espanha, que seria o equivalente à CVM do Brasil, por Insider Trading, Tanguy, em uma operação classificada pela reguladora como infração muito grave de abuso de mercado.

Em 20 de janeiro de 2021, enquanto estava lesionado e fora dos gramados, o Piquet comprou 104 mil ações da Aspai Global Services, empresa de saúde ocupacional. A dica veio do empresário Francisco José Elias Navarro, então grande acionista da Aspai.

que a alertou ao Piquet sobre uma iminente aquisição por outra empresa. Seis dias depois, o anúncio foi feito, e as ações que o Piquet tinha comprado, rapaz, dispararam. E aí ele ganhou uma fortuna por conta dessa inside information que ele tinha tido do amigo dele.

que era lá o rapaz responsável pela Aspai. Isso não pode, Tanguy, não pode. Você não pode ficar tendo dica de amigo, você não pode ficar usando Inside Information, Inside Trading, para ficar ganhando dinheiro dos outros, para ficar manipulando o mercado. Então, seu Piquet foi multado e muito bem multado, porque o Petit Jornal é um podcast chacirista. Então, desembolsa aí 200 mil euros para compensar por esse comportamento.

absolutamente inadmissível. Agora, é claro que ainda cabe recurso. Cabe recurso ainda. A gente sempre soube, né, Daniel? Sempre soube. A gente sempre soube que isso aí é bem da índole de Piquet, né? Isso aqui não surpreende. A linha editorial do Petit Jornal não está à surpresa.

com o que aconteceu, que Shakira certamente não está surpresa, apesar de Shakira não ter nos convidado para o show, para a área VIP, para aquele cercadinho constrangedor que tem na frente do pago ali, não fomos convidados, mas isso não muda a realidade dos fatos. A realidade dos fatos é que esse podcast é shakirista e apoia a punição contra Gerard Piquet. Daniel, sou eu dessa maneira, a gente chega ao fim do nosso episódio. Gerard Piquet, que é catalão,

E temos um curso sobre a Espanha, no qual a gente fala sobre a Cataluña. Lá temos uma aula sobre a Cataluña, se eu não me engano. Tem lá no Petitcurso. E Shakira Colombiana. Espanha é aquele condomínio, né? Que tem um monte de gente e ninguém é espanhol. É isso mesmo. Aquele país lá que tem um monte de gente. Tem catalão, tem básico, tem galego. Ninguém é espanhol, né? Mas é aquele condomínio meio misturado, né?

É, é isso, é isso. Você quer continuar? Não, não. Eu só queria fazer essa pequena observação, essa pequena ressalva. É, com relação à Espanha? Não, tranquilo. Não, é porque a Espanha não é um país, né? A Espanha é realmente essa mistureba de povos aí, enfim, por conta de razões históricas que a gente explora lá no peticurso.com.br.

E a Shakira Colombiana tem aula sobre Colômbia lá no Petit Cursos também. Tudo isso você acessa petitcursos.com.br. Acessa lá. Você pode assistir as aulas que você quiser, na hora que você quiser, sobre os mais diversos temas. E, aliás, Daniel, temos...

uma aula gratuita que vai acontecer na próxima terça-feira. Essa aula gratuita, de novo, ela está aberta para todo mundo, ela vai acontecer na terça-feira, às 19 horas. Vamos falar sobre a OPEP. A OPEP ainda faz diferença. Os Emirados dos Arbuzinhos saíram. A OPEP ainda faz diferença. É uma excelente oportunidade para você conhecer como é que essas aulas ocorrem, qual é a dinâmica das aulas. Você está muito convidado. Aliás, convida os amigos também.

Está lá no YouTube do Petit Jornal. Na próxima terça-feira, será, no YouTube do Petit Jornal, terça-feira, às 19 horas, vamos falar sobre OPEP, Daniel.

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetiJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. PetiJornal é uma mídia pequena, é um projeto artesanal. Precisa muito do apoio, do auxílio dos seus apoiadores, dos nossos apoiadores. E por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite.

Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea, de apoiar o Petornal. A chave Pix está no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.

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