A visita de Lula a Trump - BP 1070
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Lula viaja a Washington para se reunir com Donald Trump, em um encontro que deve tratar de temas sensíveis como energia, comércio, guerra no Oriente Médio e o papel do Brasil em um cenário internacional cada vez mais fragmentado. No episódio analisamos a pauta da conversa e as possíveis convergências e divergências entre os dois países, em um momento de alta instabilidade global.
Também discutimos o avanço do Irã na estruturação de um sistema próprio para controlar a passagem pelo Estreito de Ormuz, em meio a narrativas conflitantes com os Estados Unidos sobre quem consegue, de fato, trafegar pela região. No leste europeu, a Ucrânia sugere um cessar-fogo por tempo indeterminado, enquanto a Rússia sinaliza uma trégua limitada às comemorações do Dia da Vitória.
Na Geleia da Shakira, a Itália chama atenção ao devolver documentos enviados à China por terem sido despachados a cobrar, em um episódio inusitado que mistura burocracia e política.
#Brasil #EstadosUnidos #Geopolítica #Ormuz #Diplomacia
- Lula e TrumpReunião entre Lula e Trump em Washington · Temas sensíveis: energia, comércio, guerra no Oriente Médio · Papel do Brasil em cenário internacional fragmentado · Possíveis convergências e divergências entre Brasil e EUA · Preocupação com reconhecimento de PCC e Comando Vermelho como terroristas · Proposta de frente binacional contra o crime organizado · Impacto eleitoral no Brasil
- Estreito de OrmuzRetórica de Trump sobre a guerra no Oriente Médio · Declarações de Trump sobre a capacidade bélica do Irã · Escolta de navios mercantes pelos EUA no Estreito de Hormuz · Retórica iraniana sobre a insustentabilidade da situação para os EUA · Novo sistema iraniano para gerenciar trânsito marítimo no estreito · Impacto da tensão na economia mundial · Aceleração da inflação global e desaceleração do crescimento mundial
- Conflito Rússia-UcrâniaProposta de cessar-fogo indeterminado pela Ucrânia · Cessar-fogo temporário russo para o Dia da Vitória · Bombardeios russos contra cidades ucranianas · Ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo russas · Eficácia e efetividade dos drones ucranianos · Ucrânia oferecendo tecnologia de drones para países do Golfo
- Geleia da Shakira: Itália e ChinaInvestigação italiana sobre assassinato de empresário chinês · Pedido de ajuda da China com documentos · Documentos enviados com selo a cobrar pela China · Recusa italiana em pagar o selo e devolução dos documentos · Busca italiana por informações sobre máfia chinesa
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1070. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 17 horas e 25 minutos da terça-feira, 5 de maio de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado.
E preocupado, muito preocupado, o professor Bagdadi perdendo noites de sono, tentando buscar soluções para a complexidade das temáticas internacionais que têm nos trazido enormes dinâmicas de preocupação e certeza em um ambiente absolutamente pantanoso. E temos também o Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse bate-papo 1070. Queria deixar aqui um elogio ao professor Daniel Souza com S, que agora ele começa a improvisar. Ele faz um argumento absolutamente circular na abertura do episódio e não se perde, tá, gente? Durante muito tempo.
Ele se perderia completamente e até Take 2, com certeza, foi de primeira, de primeiríssima. Então fica aí o elogio. E as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente. Muito obrigado pela presença de vocês. É um prazer estar com vocês aqui mais uma vez. E, Daniel Souza, a gente começa esse nosso episódio 1070 com uma antecipação. A gente vai falar sobre isso, naturalmente, quando esse fato se concretizar. Mas a gente já tem a informação de que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, irá a Washington.
É na quinta-feira. A gente está gravando esse episódio aqui na terça. Nesse momento aqui são 17 horas e 27 minutos no horário de Brasília de terça-feira. E, portanto, depois de amanhã ele estará em Washington. Não é a primeira vez que ele vai para Washington nesse atual mandato, mas ele foi em 2023, quando o presidente ainda era Joe Biden.
O Trump e o Lula já se estranharam várias vezes. A gente teve aquela tarifação elevada, elevadíssima, que o governo dos Estados Unidos impôs ao Brasil. Chegou a 50% de tarifa para determinados casos. Mas os dois também se reconciliaram na Assembleia Geral do ano passado, em setembro do ano passado, em Nova York. Eles conversaram ali nos bastidores.
da Assembleia Geral, segundo o próprio Donald Trump, rolou uma química entre os dois, o Lula confirmou que a relação tinha sido muito boa, e os dois se encontraram também, alguns meses depois, nas margens de uma cúpula da ASEAN. Então os dois estiveram presente nessa cúpula da ASEAN, chegaram a conversar, e desde então tinha um papo, uma possibilidade do Lula talvez ir a Washington.
E meio que em cima da hora, né, Daniel? Isso nem teve muita negociação antecedendo essa visita. Finalmente, o Lula vai desembarcar em Washington na próxima quinta-feira. A gente já sabe, Daniel, que óbvio, essa visita vai estar...
100% localizada no ambiente eleitoral aqui no Brasil. Obviamente, Donald Trump tem suas preferências políticas aqui no Brasil, muito provavelmente alguém ligado ao ex-presidente Bolsonaro, talvez o próprio Flávio Bolsonaro, a gente não sabe ainda como é que vai ser o cenário.
E, portanto, o governo brasileiro tenta se antecipar e abafar determinados problemas que o Brasil, que o governo brasileiro, possa ter ao longo desse período eleitoral. A gente já sabe que uma das coisas que mais preocupa o governo brasileiro é a possibilidade do governo de Donald Trump reconhecer o PCC e o Comando Vermelho como entidades terroristas.
Não porque você fique do lado do PCC ou do Comando Vermelho, obviamente, mas por conta de todas as consequências que isso pode trazer para o Brasil. Sanções econômicas, possibilidade até de ações militares, isso pode, de fato, complicar muito a situação brasileira e as relações com os Estados Unidos.
Não por acaso, a expectativa do governo brasileiro é exatamente você tentar levar para o governo dos Estados Unidos a criação de uma frente binacional contra o crime organizado. Então você vai ter, por exemplo, o ministro da Fazenda, o Dário Durigan, vai junto com o Lula, assim como o Wellington Lima e Silva, que é o ministro da Justiça, exatamente para tentar encontrar soluções econômicas relacionadas a leis e tudo, para tentar ter um arcabouço um pouco mais completo.
para você lidar com a questão do crime organizado. Então a tentativa é, olha, Trump, eu estou a fim de te oferecer alguma coisa, a gente coopera, a gente negocia, mas pelo amor de Deus, determinar que dois grupos brasileiros são entidades terroristas acaba complicando muito essa relação. Então, obviamente, Daniel, há uma tentativa também do Lula de aparecer ali num aperto de mãos caloroso com o Trump para tentar esvaziar.
inclusive a retórica da oposição, de que somente com a vitória de Flávio Bolsonaro você teria uma boa relação com os Estados Unidos. Vamos ver, a gente tem um encontro que é muito importante para o Brasil e em especial para o governo brasileiro. A gente tem que ver em que termos exatamente que esse encontro vai acontecer e como é que as coisas vão se desenrolar. A gente vai ter a oportunidade de falar mais sobre isso quando o encontro de fato ocorrer.
É sempre importante lembrar que essa questão das organizações terroristas, no caso dos Estados Unidos, elas têm uma conotação muito relevante, porque quando você tem essa classificação, essa chancela, isso dá poderes extraordinários ao presidente da república no que diz respeito...
Isso vem desde a época da Guerra ao Terror, onde você teve uma mudança no regramento nos Estados Unidos justamente para dar celeridade no enfrentamento a organizações terroristas. E o que acontece hoje é que se você tem ali o enquadramento desses dois grupos mafiosos, desses dois grupos criminosos brasileiros,
Nesse tipo de lista, isso daria ao presidente dos Estados Unidos um poder discricionário para impor determinadas sanções a empresas ou cidadãos aqui no Brasil, o que na prática seria um mecanismo de pressão.
do presidente americano sobre o Brasil, caso o Brasil não estivesse seguindo ali, digamos, uma linha ou uma matriz alinhada à política externa americana. Me parece que é um momento bastante oportuno para essa visita. Acabou sendo surpreendente, como você muito bem colocou, Tang, porque a informação de que a visita aconteceria foi meio repentino, pareceu quase visita de médico, né? Opa, tem um espaço aqui na...
Na quinta-feira, não encaixa. Quer ver, amigo? A gente pode conversar, estamos para conversar semanas. Não estava rolando, mas agora rolou. E, claro, a gente está falando de um momento onde o Donald Trump está um pouco mais enfraquecido. Não me parece que ele é o mesmo Donald Trump poderoso que acabou humilhando o presidente da África do Sul ou mesmo o Zelensky num outro momento. Ele está afundado ali em problemas, particularmente no Oriente Médio. E o próprio Brasil tem um posicionamento autônomo e de altivez.
que tem relação direta com alguns elementos estruturais da economia brasileira. O Brasil não depende do mercado americano como o México depende. O México manda mais de 80% das suas exportações para lá. O Brasil manda 12%, 13%. O Brasil não depende do financiamento externo americano como a Argentina depende. A Argentina precisa da grana do Fundo Monetário Internacional para manter suas contas externas funcionando. O Brasil não precisa.
O Brasil tem reservas internacionais muito robustas, acima de 300 bilhões de dólares.
Portanto, isso me parece que cria um ambiente um pouco mais favorável ao Brasil. É claro que o Trump é surpreendente, claro que pode aparecer uma declaração meio do nada, às vezes até na entrevista coletiva, que bota tudo a perder. Mas, dentro do que a gente consegue observar, o Brasil está num momento bom para engatar uma conversa com os Estados Unidos.
E nós estamos falando também de um momento onde os Estados Unidos têm muito interesse no Brasil, particularmente no que diz respeito à questão das terras raras e minerais críticos. Aliás, isso está sendo debatido no Congresso exatamente essa semana. Então, você está caminhando aqui no Brasil para uma proposta intermediária, onde você abre espaço para investimentos estrangeiros e também cooperação tecnológica estrangeira.
sem a criação de uma empresa estatal, mas também tem ali uma preocupação de adensamento da cadeia produtiva por aqui, do Brasil não ser um mero exportador de recursos naturais, de terras raras e minerais críticos, como acontece em muitos outros momentos. Portanto, é uma janela de oportunidade, o Brasil está fortalecido.
E acho que essa conversa pode trazer benefícios para o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. O Brasil deve ter ótimas relações com os Estados Unidos, assim como deve ter ótimas relações com a China, com os europeus, com os africanos, com os latino-americanos. O Brasil tem essa vocação e tomara que a conversa acabe evoluindo numa parceria que é uma parceria antiga e na qual os dois países têm muito a ganhar, caso ela seja estreitada.
E, naturalmente, um dos temas que deve aparecer na pauta, né, Daniel, são as Big Techs. E as Big Techs, elas têm que ser olhadas com muita atenção por nós, né? Por nós, cidadãos, usuários da internet. E é muito importante que você use a internet também protegido. E é por isso que a gente indica aqui a NordVPN, nossa super parceira.
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Daniel, a gente falou já sobre a visita do Lula aos Estados Unidos, mas a gente não pode esquecer do grande assunto que tem monopolizado as atenções da Casa Branca, que é o que está acontecendo em Ormuz. A gente teve mais um dia de retórica em alta. E a gente teve Donald Trump dizendo, mais uma vez, que ele está vencendo a guerra, Daniel.
Ele está vencendo a guerra e que ele pode vencer a guerra a qualquer momento. E digo mais, hein? O Irã deveria pedir o encerramento da guerra. O Irã deveria levantar, hastear a bandeira branca, porque a capacidade bélica do Irã praticamente desapareceu. Isso foi exatamente o que Donald Trump disse. A capacidade bélica iraniana praticamente desapareceu. E, aliás, cantou vitória, Daniel, dizendo que a escolta de navios mercantes pelo Estreio de Hormuz está sendo um sucesso.
Segundo ele, embarcações de diversas empresas têm sido escoltadas pelos Estados Unidos e pelos três de Hormuz com absoluto sucesso. Não é uma surpresa a gente ouvir que, do lado iraniano, a retórica é exatamente o contrário. O principal negociador iraniano, que é, inclusive, o presidente do parlamento, que é o Mohamed Bagherr Galibaf, ele disse que a situação é insustentável para os Estados Unidos.
mas que para o Irã ela ainda nem começou. Então se liga aí porque a gente tem muita lenha para queimar ainda e a ideia, portanto, é que o Irã esteja conseguindo fazer uma reestruturação, uma revisão de toda a sua estrutura de poder no Estreio de Hormuz. Aliás, a gente falou sobre isso.
no último episódio, Daniel, no episódio que a gente gravou ontem de manhã, que o Irã, inclusive, divulgou um novo mapa para o Estreito de Hormuz, determinando ali que, olha, tudo que passa pelo Estreito é de responsabilidade, está ali na jurisdição iraniana, e, portanto, o Trump está falando aí de encerrar a guerra do Irã se render, o Irã está indo exatamente no sentido contrário. Tudo isso contribui para aquela preocupação sobre a qual a gente vem falando também da guerra voltar, de você voltar a ter bombardeios.
Nessa terça, por exemplo, no dia de hoje, o novo chefe da aeronáutica de Israel, que é o Omer Tichler, ele afirmou que o país está disposto a mobilizar toda a sua força aérea ao leste para voltar a bombardear o Irã. Então a gente continua tendo uma situação muito tensa, né, Daniel? Eu queria te ouvir também o que você tem visto quando a gente fala sobre o estreito de Hormuz.
Aliás, Tanguy é uma situação muito tensa e o Irã, no dia de hoje, anunciou a criação de um novo sistema para gerenciar o trânsito marítimo no estreito. Foi criado um novo órgão chamado Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico.
Na prática, todas as embarcações que pretendam transitar pelo estreito receberão um e-mail com regras e regulamentos. Isso aqui é maravilhoso. Os navios precisarão ajustar suas operações ao novo modelo e será necessário obter autorização prévia de trânsito antes da passagem.
Não há ali detalhes adicionais técnicos sobre o funcionamento jurídico do mecanismo, mas o que nós observamos na prática é o Irã, de alguma maneira, tentando criar um fato consumado. Ou seja, eu já controlo o estreito, e se você quiser passar pelo estreito...
É quase como uma alfândega. Você vai ter que mandar um e-mail para mim, vai ter um regramento, você vai ter que prestar informações. Não se falou aqui no caso de taxas, mas muito provavelmente taxas serão cobradas. Taxas que podem ser discricionárias dependendo do navio, dependendo do país de origem, dependendo do destino. Uma série de situações podem ser levadas em consideração. E a gente fica nessa guerra fria entre Estados Unidos e Irã. De um lado, os Estados Unidos tentando pressionar o Irã.
a desistir da guerra ou a conceder algum tipo de vitória para a qual o Donald Trump pode se vangloriar e levar para casa, dizendo que ele é o grande vitorioso, etc. E, do outro lado, a gente tem os iranianos que querem cansar os americanos, estão lutando pela sua sobrevivência e vão permanecer nessa brincadeira por tempo indeterminado. É muito assustador realmente observar o prolongamento dessa tensão.
E isso vai desorganizando cada vez mais a economia mundial. Aliás, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, a Cristalina Georgieva, afirmou que a inflação global está acelerando e que o crescimento mundial está desacelerando. Aliás, o FMI tinha como cenário base para 2026 um crescimento global de 3,1 e uma inflação de 4,4.
E esse cenário base, ele acreditava num conflito de curta duração. E segundo a Cristalina Georgieva, esse cenário já está descartado, por conta justamente do alongamento do conflito. E claro, se nós tivermos um prolongamento do conflito até o final do ano, já se fala sobre isso. Meu Deus do céu, quer dizer...
E se o conflito, se essa situação de Ormuz não for resolvida até o final do ano, a gente pode entrar realmente num cenário de grave desaceleração da economia global, de grave inflação da economia global, eventualmente até um quadro recessivo em função de uma deterioração forte das condições macroeconômicas internacionais.
É muito assustador. A gente fala bastante desse assunto aqui no Pet Journal, porque ele é um assunto incontornável. Se você está falando de política internacional, se você está falando de economia internacional, você tem que falar de Hormuz, e vai continuar falando de Hormuz enquanto essa situação não for resolvida. Por isso que a gente acaba acompanhando aqui o dia a dia dessa tensão e de agora de um cessar-fogo que...
Nós não sabemos se é um cessar-fogo de verdade, porque tem aí uma série de notícias de ataques aqui e acolá, mas, de qualquer maneira, os dois envolvidos parecem tentar preservar ao máximo o cessar-fogo, pelo menos por enquanto, como forma justamente...
de manter uma posição de vantagem nesse conflito. Agora, vamos seguir acompanhando, porque não parece que está resolvido, os Estados Unidos não estão tendo capacidade de pressionar o Irã, o Irã dá sinais de que não tem pressa e que quer, inclusive, esperar a desorganização da economia mundial e todas as consequências que isso vai trazer para os Estados Unidos e para muitos dos seus aliados.
Agora, essa é a guerra nova, né, Daniel? A guerra que está rolando desde fevereiro. A gente tem uma outra guerra que está pendurada desde fevereiro de 2022. Já tem bem mais tempo que a guerra entre Rússia e Ucrânia. A gente sabe, Daniel, que o dia 9 de maio é um dia que a Rússia valoriza bastante.
mas em especial o governo de Vladimir Putin. É o dia da vitória, é o dia que a Rússia comemora a derrota da Alemanha nazista, a vitória dos aliados sobre a Alemanha nazista. Tem uma diferença aqui, a Europa Ocidental costuma comemorar no dia 8 de maio, a Rússia comemora no dia 9, uma questão de fuso horário. Já era dia 9 em Moscou, no momento em que foi anunciado.
o fim da Segunda Guerra Mundial, pelo menos na versão europeia, no Pacífico a guerra continua até agosto, mas o dia 9 de maio foi muito ressignificado pelo Putin. O Putin usa esse dia 9 de maio, que é chamado de dia da vitória, como uma grande celebração nacional, uma celebração das vitórias da Rússia, da grandeza da Rússia, e é algo que valoriza muito o seu próprio poder, que reforça bastante o seu próprio poder.
Portanto, Moscou anunciou o cessafogo temporário, que começa no dia 8 e vai até o dia 9 de maio, exatamente porque é um dia de celebrações na Rússia. Então ele já anunciou, olha, dia 8 e 9, pode ficar tranquilo, porque não vai ter bombardeio, não vai ter nada, é um dia no qual a gente vai estar focado numa festa nacional.
O governo ucraniano, Daniel, aproveitou e propôs um cessa-fogo por tempo indeterminado, começando na meia-noite dessa quarta-feira. Ô, Putin, tá querendo fazer um cessa-fogo aí de dois dias e tal? Faz um cessa-fogo por tempo indeterminado. A gente continua o cessa-fogo mesmo depois.
desses dois dias, e o que o Zelensky disse é que não faz sentido você ter um cessafogo de apenas dois dias para um teatro militar, segundo ele. Então está se chamando aos festejos russos de um grande teatro para falar sobre as vitórias da Rússia e tal, sendo que você não está negociando com um país tradicionalmente irmão como a Ucrânia, enquanto cidades ucranianas continuam sendo pulverizadas, a expressão utilizada pelo Zelensky.
A Rússia não apenas rejeitou a proposta, como seguiu fazendo bombardeios pesadíssimos contra cidades ucranianas. A cidade que sofreu os maiores bombardeios, Daniel, foi Zaporizhia, que, aliás, é onde você tem, próximo de onde você tem, a maior usina nuclear da Europa, está exatamente na região de Zaporizhia. E a gente teve 12 mortos e 16 feridos num ataque que atingiu, inclusive, regiões residenciais de Zaporizhia.
Outras áreas, Daniel, como Kramatorsk também, foram pesadamente atingidas, com cinco pessoas sendo mortas. Outras áreas, outras regiões da Ucrânia também foram atingidas. Agora, a Ucrânia também, Daniel, tem lá suas armas e também tem reagido de uma maneira que machuca Moscou. Me conta aí.
Pois é, Tanguy, nós tivemos no dia de hoje a segunda maior refinaria de petróleo da Rússia interrompendo o processamento, interrompendo o refino de petróleo após ataques de drones ucranianos danificarem três de suas quatro unidades de destilação.
de petróleo. Nós temos, tanto a Rússia quanto a Ucrânia, têm utilizado drones de longo alcance para atingir a infraestrutura crítica do inimigo, mas ao longo dos últimos dois meses, em particular, a Ucrânia tem se destacado...
destacado muito no que diz respeito à eficácia e à efetividade desse tipo de instrumento. O governador de Leningrado, o Alexander Drozdenko, afirmou que a refinaria de Kirish, que é justamente essa refinaria que foi atacada pelos ucranianos, que fica perto,
justamente de Leningrado, na realidade é São Petersburgo, mas você tem aqui a refinaria sendo atingida e que houve um incêndio ali naquela zona industrial na periferia da cidade. A Ucrânia reconheceu que atingiu a refinaria segundo o seu serviço de segurança, a Rússia classificou os ataques como terrorismo e a Ucrânia afirma que está se defendendo. A refinaria de Kirishi
Ela fica justamente no entorno, na periferia de São Petersburgo, e fica a cerca de 800 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. E não é a primeira vez que ela é alvo de ataques de drones. Nós temos aqui uma refinaria, Tanguy, que acaba tendo uma capacidade de refino de aproximadamente 400 mil barris por dia.
e ela é responsável fundamentalmente pelo abastecimento daquela região, que é uma das regiões mais populosas da Rússia, a região justamente de São Petersburgo, a antiga Leningrado. Você tem também uma parte desses produtos refinados sendo exportados para múltiplos mercados, um dos países que importa, inclusive, diesel da Rússia.
É o Brasil, mas de qualquer maneira chama muito a atenção a efetividade dos ucranianos no que tange a ataques a refinarias para doer no bolso. Porque quando você tem a interrupção do refino, a Rússia acaba tendo um prejuízo importante. E isso levou, a gente chegou até a destacar no episódio anterior aqui do Petit Journal, levou os europeus a se animarem muito com essa capacidade que os ucranianos têm tido.
de calibrar, inclusive, os seus drones para torná-los cada vez mais efetivos. Você tem, inclusive, e isso tem sido destacado até nos Estados Unidos, que os ucranianos têm uma capacidade de ajustar os seus drones em função de aprendizados que são conseguidos no campo de batalha quase instantaneamente, o que melhora realmente a sua eficácia e faz com que eles tenham aí a capacidade de impor.
baixas do ponto de vista de infraestrutura e do ponto de vista econômico contra os russos. Não surpreende, inclusive, Daniel, exatamente nesse cenário, que a Ucrânia tenha tentado levar a sua tecnologia de drones para países do Golfo, que estão ali sendo atingidos, ou pelo menos foram durante algum tempo, atingidos por mísseis iranianos, e, portanto, os drones seriam uma maneira, inclusive, de você garantir uma certa proteção para esses países do Golfo.
Importante lembrar que o Irã, ele vende drones para a Rússia, então se torna automaticamente um inimigo da Ucrânia. Então a Ucrânia está dizendo, olha, vocês aí que estão sendo atingidos, de alguma forma pelo Irã, conta com a gente, inclusive por drones iranianos. A gente está acostumado a lidar com drones iranianos. Os nossos drones, portanto, podem fazer frente a esse tipo de armamento.
É a do Irã. É a contribuição que o Zelensky pode oferecer. Inclusive, para voltar a ser lembrado, né, Daniel? Uma preocupação que o Zelensky tem nesse momento é, meu amigo, esqueceram de mim. O pessoal está preocupado aí com o Hormuz, com o Oriente Médio, com o OTAN e tal. E simplesmente esqueceram da Ucrânia. É a contribuição que ele pode oferecer. Daniel Souza, em semana de Shakira no Brasil, você quer abrir uma geleiazinha para dividir com a gente? Me conta.
Ah, Tanguy, quero sim. Na Geleia da Shakira de hoje, eu trago uma pauta de um dos países preferidos da Geleia da Shakira, que é a nossa querida Itália. A Itália, rapaz, ela gosta de participar da Geleia da Shakira. Você sabe que os italianos, eles estão investigando documentos e uma série de elementos associados ao assassinato de um empresário chinês na própria Itália em 2024.
E aí, Tanguy? Pô, pediram ajuda da China, né? Ô, China, ô, tem um rapaz aqui, morreu aqui na Itália, foi assassinado, parece que ele é metido com o Code Mafia. E, por favor, mandem documentos para nós em relação a esse caso que possam nos ajudar durante esse processo. O assassinato aconteceu em 2024. Agora, no mês de abril, a documentação chegou lá, né, rapaz? Chegou no Ministério da Justiça, em Roma. E o que acabou acontecendo é que veio com um selo a cobrar.
E aí o caboclo que recebeu lá na documentação, ali em Roma, falou, não, não, pode devolver, não vou pagar nada não, não vou pagar nada não. Esses documentos aí mandam de volta para a China, muito caro, muito caro. E aí agora o veno italiano está desesperado, rapaz, atrás desses documentos, porque como é que a China manda de novo? Será que se perderam esses documentos, documentos que eram secretos, para investigar a máfia, máfia, máfia chinesa tem que ir na Itália.
Mas os documentos acabaram se perdendo porque os chineses mandaram selo a cobrar e os italianos acabaram não aceitando pagar o selo e, consequentemente, a entrega que estava sendo feita pelos correios. E agora a documentação está por aí, voltando para a China ou sabe-se lá onde ela está. E a Itália está tentando, de alguma maneira, buscar informações mais precisas nessa investigação contra a máfia chinesa dentro do território italiano.
São muitas perguntas, Daniel. Por que a China mandou a cobrar? A primeira pergunta está faltando dinheiro. E segundo, por que o camarada... Por que ele não pagou a Daniel Souza? Eu não sei, Tague. Eu não sei. Será que ele tinha alguma coisa a ver com a máfia da Daniel Souza? Fica aí levantada a pergunta. Não estou inferindo nada. É apenas uma pergunta. Apenas uma questão de esclarecimento aí. Para a gente saber, porque a gente não sabe, né, Daniel? A gente ganha a nossa vida aqui fazendo perguntas.
É a cara da nossa querida Itália Completamente Impaciente ali na portaria Como é que é, querido? Cobrar? Não, eu não vou pagar não Para levar de volta Da China? Não, para levar de volta Essa documentação E eu aqui na Itália Não vou pagar não
14 euros. Não, nem 14 euros. Vou pagar 14 euros. 14 euros é refeição. Não vai pagar 14 euros nada. Tá maluco. Daniel Souza, dessa maneira a gente chegou ao fim do nosso episódio. Queria agradecer muito a presença de todo mundo que está junto com a gente aqui em mais esse episódio. É um prazer estar com vocês aqui.
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Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.
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