Episódios de Petit Journal

Emirados Árabes saem da OPEP - BP 1067

30 de abril de 202630min
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RIO CLARO
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Os Emirados Árabes Unidos anunciam sua saída da OPEP, em um movimento que reconfigura o equilíbrio interno do cartel e traz consequências políticas e econômicas relevantes para o mercado global de petróleo. No episódio analisamos a relação entre Mohammed bin Salman e Mohammed bin Zayed, o papel dos Estados Unidos nesse rearranjo e os efeitos da sinalização de Donald Trump sobre um possível bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, que volta a impulsionar os preços da energia. Também discutimos o agravamento da crise econômica no Irã em meio ao prolongamento do conflito.
Abordamos ainda movimentos importantes em outras regiões, como a possível retomada das relações diplomáticas entre Chile e Bolívia após décadas de ruptura e o início do projeto nuclear de Bangladesh como marco energético.
Na Geleia da Shakira, a visita do rei Charles a Washington rende uma série de gafes de Donald Trump que viralizam nas redes.
#Petróleo #OPEP #OrienteMédio #Geopolítica #Energia
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Impacto nos Emirados Árabes UnidosMohammed bin Zayed · Mohammed bin Salman · Donald Trump · Estreito de Ormuz
  • Crise econômica no Irãinflação no Irã · bloqueio de Hormuz
  • Relações Chile-Bolívia
  • Energia Nuclear
  • Rei Charles III
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1067. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit. São exatamente 19 horas e 28 minutos da quarta-feira, 29 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15%.

e aguardando o ressarcimento de tarifas cobradas erroneamente ao longo dos últimos meses. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas, últimas horas que foram realmente muito movimentadas. Tudo bem, professor Bagdad? Vamos a isso?

Tudo bem, Daniel Souza? Com S, vamos lá para esse bate-papo 1067, comemorando aqui não apenas mais um episódio, mas também o aniversário do professor Daniel Souza, com S. Você que está nos ouvindo aqui, dê seu parabéns, rede social, manda parabéns para ele e tal, movimenta aí que o Daniel Souza vai ficar feliz. Deixo aqui os meus mais sinceros parabéns para esse grande amigo, esse sócio que eu tenho há muito tempo, uma honra trabalhar com você ao longo desses anos todos.

Daniel Souza, a gente começa o nosso episódio, claro, agradecendo a presença de todo mundo que está junto com a gente aqui, seja no YouTube, seja no podcast, e falando sobre a grande notícia dos últimos dois dias, que foi a decisão.

bem tempestiva, sem muito aviso prévio, da saída dos Emirados Árabes da OPEP. Então, só para a gente contextualizar, eu acho importante, o que significa essa saída, como é que a gente pode interpretar até a força da OPEP. A OPEP é uma organização dos países exportadores de petróleo que existe desde 1960 e que tem um grande líder, que é um líder incontestável, que é a Arábia Saudita.

A Arábia Saudita estava lá entre os fundadores da OPEP, junto com o Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, que criaram a OPEP lá em 1960. E de lá para cá, a gente teve um monte de países que entrou, um monte de países que saiu. E um dos países que entrou no ano de 1967 e não saiu mais foi exatamente os Emirados Árabes Unidos. Vou até ser mais preciso aqui. Quem entrou na OPEP em 1967 foi Abu Dhabi.

Nesse momento não havia ainda unificação. A unificação aconteceu de fato em 1971. Então a partir de 1971 a gente passa até a figura dos Emirados Árabes Unidos dentro da OPEP. Os Emirados Árabes, Daniel, eles foram ao longo desse período inteiro um país muito disciplinado dentro da OPEP.

Ou seja, toma a decisão de aumentar a produção, os Emirados Árabes vão aumentar. A decisão é de diminuir, eles vão diminuir. Não há nenhuma dúvida com relação a isso, mas não sem insatisfações. E a principal insatisfação se dava pela intenção da Arábia Saudita de tentar manter o petróleo valorizado, ou seja, diminuir a produção para valorizar o barril do petróleo.

Os Emirados Árabes Unidos olhavam para isso e entendiam que, olha, enquanto for uma decisão do grupo, beleza, mas eu não concordo, porque o objetivo dos Emirados Árabes Unidos era que você tivesse uma produção maior. A gente tem uma diferença importante aqui, Daniel, que é principalmente a capacidade da Arábia Saudita de produzir 11 milhões de barris de petróleo por dia, enquanto os Emirados Árabes Unidos chegam ali a 4. Então é claro que para a Arábia Saudita produzir menos petróleo, para o petróleo subir,

É um grande negócio. Claro, ela já tem uma cota de produção de petróleo muito grande. Os Emirados Árabes Unidos têm uma lógica que, olha, para mim esse arranjo não vale tanta pena. Então a decisão que foi tomada pelos Emirados Árabes Unidos, ela surpreende, porque não teve nenhuma antecipação.

mas ela não surpreende com relação aos objetivos dos Emirados Árabes Unidos, que era de tentar produzir mais petróleo, ganhar uma fatia de mercado de petróleo maior. É um país que produz petróleo a um valor muito baixo, tem uma margem de lucro muito grande, então, naturalmente, os Emirados Árabes Unidos têm a intenção de produzir mais petróleo, o que pode, Daniel, mexer no valor do petróleo. No momento que a gente tem o hormuz fechado, muita incerteza, de repente os Emirados Árabes produzirem mais petróleo, pode ser um bom negócio também quando você pensa na elevação.

atual do preço do barril. Não, e é interessante, Tengue, que quando a gente está falando de OPEP, é importante dizer com clareza que nós estamos trabalhando com um cartel. Ou seja, nós temos um grupo de países produtores e exportadores de petróleo que formam um oligopólio.

E nesse oligopólio, como existem barreiras de entrada, você não consegue plantar petróleo, o que acaba acontecendo na prática é que essa organização tem um poder de mercado relevante. Ou seja, se ela diminui a oferta de petróleo, o preço do petróleo acaba aumentando no mercado internacional. E a gente tem também um ambiente onde, na prática, você tem, ao longo do tempo, um estímulo à entrada de novos competidores.

Que é isso que tem acontecido, inclusive se a gente pensar nos choques do petróleo lá na década de 70, muitos países importantes tornaram-se produtores relevantes no mercado internacional de petróleo sem fazer parte da OPEP. O aspecto que você mencionou há pouco me parece absolutamente central. A gente está falando de uma Arábia Saudita que tem algo em torno de 260, 290 bilhões de barris em reservas.

E quando a gente pensa nos Emirados Árabes Unidos, os Emirados Árabes Unidos têm reservas muito menores, reservas ali que estão na casa de 40 bilhões de barris de petróleo. Portanto, são dois planetas completamente diferentes no que diz respeito a posicionamento.

A Arábia Saudita acaba sendo muito rigorosa, historicamente, no que diz respeito ao aumento da produção, porque como ela tem reservas muito altas, ela pensa, gente, se nós não soubermos regular de maneira muito adequada esse mercado, o que vai acabar acontecendo é que eu vou morrer sentado nessas reservas gigantescas e, consequentemente, eu vou perder uma excelente janela de oportunidade.

Só que existe ali um crescente descontentamento justamente com essa posição saudita. E é incontornável também a ideia de que, olha, os interesses dos Emirados Árabes Unidos estão sendo contrariados pela OPEP. A gente tem realmente o foco de tentar diversificar a nossa economia, e para diversificar a nossa economia eu quero aumentar a produção de petróleo logo, eu quero gerar receita, eu quero buscar ali algum tipo de transição do ponto de vista do meu modelo econômico.

E não tem também como descontextualizar, me parece, a própria crise no estreito de Hormuz que a gente tem visto nas últimas semanas. É meio que a gota d'água. São os Emirados Árabes Unidos olhando e dizendo, gente, chega, chega, chega, chega. Aqui é cada um por si mesmo, não é isso? É cada um por si. Então, eu também vou seguir o meu caminho e vou adotar uma estratégia completamente diferente.

é importante sempre registrar que os Emirados, os Árabes Unidos, melhor dizendo, ele tem ali uma expectativa de ter um modelo de desenvolvimento muito moderno, um modelo de desenvolvimento muito diferenciado em relação...

aos vizinhos, que fazer caixa através do mercado de petróleo mais rápido se torna importante para que você não perca uma janela de oportunidade. Então, eu não vou ficar o resto da vida amarrado aqui justamente a essas cotas que são impostas pelo OPEP. E mais, como você muito bem colocou, Tanguy, os Emirados Árabes Unidos costumam ser muito disciplinados no que diz respeito ao respeito das cotas de produção, o que não é verdade para vários outros.

Então existe ali uma irritação também do país em relação ao desrespeito e ao oportunismo, ao comportamento carona que alguns membros da OPEP têm estabelecido ao longo do tempo. E o que me chamou também muito a atenção é que no dia de hoje a Rússia, sem que ninguém perguntasse,

informou que planeja permanecer na OPEP+. Não é a OPEP, é a OPEP+. Mas, olha, gente, ninguém me perguntou, mas eu queria dizer que eu permaneço na OPEP+. E existe ali também uma certa movimentação para tentar trazer o pessoal da OPEP+, para mais perto da OPEP, como forma de minimizar, mitigar o baque que será a saída da OPEP dos Emirados Árabes Unidos, um país que produz ali algo em torno de 3 milhões de barris de petróleo por dia.

É bastante, mas é menos que o Brasil, por exemplo, e é muito menos do que a Arábia Saudita. E os Emirados Árabes Unidos representam 15% da produção da OPEP. É um baque considerável, né, Daniel? 15%, cara. Então, assim, claro, não é a Arábia Saudita, mas ainda assim é um volume de produção muito significativo. E outro aspecto aqui, Daniel, eu queria falar sobre três figuras, né, sobre três personagens que estão diretamente envolvidos aí.

O primeiro deles é que quando a gente olha para os Emirados Árabes Unidos, pode haver uma certa tentação de considerar que é um país pequeno, menos importante e tal. Mas quem preside os Emirados Árabes Unidos, e o nome é esse mesmo, tá? É o Mohammed bin Zayed. Ele é o Emir de Abu Dhabi e ele é presidente dos Emirados Árabes Unidos, que é um cara que tem os bastidores do Oriente Médio, pelo menos do Golfo, ali na sua mão. É um cara que tem acesso a todo mundo, ele conhece todo mundo, ele coordena muitas das coisas que acontecem no Oriente Médio.

E não é exagero dizer que foi o Mohammed bin Zayed que fez o Mohammed bin Salman, o MBS, se tornar o príncipe herdeiro lá da Arábia Saudita. O rei Salman, que é o pai do Mohammed bin Salman, tinha várias alternativas. Foi o Mohammed bin Zayed que falou assim, não, bota o menino que eu vou ajudar, eu vou estar próximo. E os dois romperam.

Então, com o passar do tempo, os dois acabaram se afastando bastante. Então, a gente tem aqui também uma resposta do Mohamed Bin Zayed. Falou, pô, olha só, eu te fiz aí, você se tornou o que se tornou por minha causa, e agora a gente está afastado, eu também vou sair desse negócio de OPEP aí, que é um clubezinho basicamente liderado.

pela Arábia Saudita. E outra pessoa que está muito envolvida nessa decisão, Daniel, que me parece que está comemorando, abrindo champanhe, é Donald Trump. Trump sempre falou mal da OPEP. Trump sempre disse que a OPEP era uma organização que extorquia os outros países. O Trump sempre pressionou para os países da OPEP produzirem mais petróleo. Claro, você produz mais petróleo e baixa o valor.

do barril de petróleo, e, portanto, você sustenta, controla a inflação dos próprios Estados Unidos. Então, não há nenhuma dúvida de que Donald Trump está muito feliz com essa decisão. A gente não tem essa informação, tá? Mas não seria nem estranho pensar que talvez essa decisão tenha sido tomada em conjunto com Donald Trump. A gente pode imaginar, inclusive, que essa casadinha tenha sido feita entre os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos da América.

Aliás, isso ganhou muita força, né Tanguy, nas últimas horas, essa percepção de que houve ali algum tipo de coordenação nas ações entre os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Lembrando, uma vez mais, que a gente está falando de um país que está adotando uma estratégia de diversificação econômica super importante.

e que tenta ali realmente projetar uma imagem de segurança, o que vai ao encontro de saída OPEP, né? Porque você passa uma imagem de que você é moderno, olha, eu não quero mais estar junto desses países do OPEP, essa galera aí que forma um cartel, que tem uma ideia meio atrasada de organização econômica, não, eu sou diferente.

sou diferente, sou moderno, eu sei que agora eu enfrentei alguns desafios por conta dessa guerra no Estreito de Hormuz, eu sei que o aeroporto de Dubai teve alguns problemas, mas, gente, está tudo bem, tragam seu dinheiro para Dubai, é um parágrafo fiscal, vamos buscar aqui uma diversificação econômica interessante, vamos manter investimentos em inovação, investimentos como o país, e manter o país como hub financeiro super relevante, não quero mais estar associado a esses países.

que durante muito tempo acabam trazendo problemas para o meu desenvolvimento e para o meu modelo de negócios. E isso mexe com todo mundo, né, Daniel? Isso mexe com a economia, óbvio, dos próprios Emirados Árabes, mexe com a Arábia Saudita, mexe com os Estados Unidos, mexe com o seu bolso na hora que você vai abastecer o seu carro, na hora que você vai comprar comida. Isso mexe no seu bolso, não tem jeito, porque se o barril do petróleo sobe ou desce, isso tem impacto direto na nossa vida.

E é muito importante que você tenha um planejamento daqui para frente como é que você vai lidar, inclusive com momentos de incerteza. A nossa recomendação é a Rio Claro Investimentos. São os nossos parceiros e que fazem um trabalho sensacional de gestão financeira de uma forma geral. Às vezes a gente pensa em gestão muito de carteira, mas eles ajudam com a gestão financeira de uma forma geral. Principalmente para você que tem o seu dinheiro guardado, tem o seu patrimônio, você tem...

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Aliás, Tanguy, um super diferencial da Rio Claro é sempre o fato deles trabalharem exclusivamente com foco no interesse do cliente. Eles não são remunerados empurrando produtos financeiros para você, tentando vender alguma coisa que não seja adequada ao seu perfil.

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todos os aspectos da gestão do seu patrimônio acabam sendo observados, pensados e cuidados pela Rio Claro Investimentos, e por isso fica aqui a nossa recomendação, link no descritivo do episódio, cliquem e conheçam o trabalho deles. Daniel, no último episódio a gente falou que o Irã fez uma proposta que era, olha, eu posso abrir o Estrela de Hormuz, eu abro aqui, a gente normaliza o Estrela de Hormuz, mas a gente joga a discussão acerca do programa nuclear para frente.

E me parece que nesse momento existe uma escolha que os Estados Unidos vão ter que fazer, que são impostas pelo Irã, que é o que você quer discutir. Ou o programa nuclear, ou o Hormuz, eu não vou te ceder os dois.

Os Estados Unidos, no entanto, hoje responderam e falaram, olha, não aceita a proposta e a gente teve, inclusive, uma reunião de Donald Trump com executivos das grandes empresas de petróleo para preparar os Estados Unidos para um conflito prolongado. Aliás, corrigindo, esse encontro aconteceu no dia de ontem.

Mas hoje essa mensagem foi reiterada várias vezes. Então a mensagem que Donald Trump teve foi vocês não veremos mais o cara legal. Ou seja, eu não serei mais o cara legal. O cara legal foi aquele que bombardeou o Irã, né, Daniel? Esse é o cara legal. Mas no more Mr. Nice Guy.

Não esperem, e agora os Estados Unidos vão se preparar para um bloqueio prolongado. Esse negócio não vai se resolver rapidamente. Aliás, no mesmo dia, Daniel, em que o Pentágono divulgou a sua primeira estimativa oficial que o conflito já custou 25 bilhões de dólares aos cofres americanos.

A gente está falando sobre uma montanha de dinheiro e uma expectativa de que esse conflito ainda pode se alargar. Isso mexeu muito com o mercado de petróleo no dia de hoje, né, Daniel? O que você viu aí de ontem para hoje? Tanguy, o mercado de petróleo realmente se movimentou de forma muito intensa. Nós tivemos o barril do tipo Brent fechando em alta de 6,08%, a 118 dólares o barril. Nós estamos tendo aí uma sucessão de...

Sessões é onde a alta acaba acontecendo. E ele chegou a bater 120 dólares o barril no aftermarket. Então a gente está observando realmente um endurecimento, a gente está observando uma tensão ainda maior nesse mercado de energia.

E claro, se o presidente Trump promete que nós teremos um bloqueio de hormônios de maneira mais duradoura, a expectativa é que a restrição na oferta de petróleo no mercado internacional permaneça por mais tempo e, consequentemente, isso trará consequências para o preço dessa importante commodity.

A gente não sabe até que ponto o Donald Trump vai manter ou não essa ameaça, até porque ela tem o potencial de desorganizar de maneira muito profunda a economia mundial e também a economia dos Estados Unidos no que diz respeito à questão inflacionária. Agora, Tanguy, é mais uma vez o Donald Trump tentando, de alguma forma, retomar o controle da situação. A gente vinha falando sobre isso aqui nos últimos dias no Petit Jornal, o Donald Trump vinha dando sinais de uma certa fragilidade, até num determinado momento, dizendo que o Donald Trump tentou, de alguma forma, retomar o controle da situação.

Ah, os iranianos podem me ligar, hein? Olha, pô, tem o meu número, etc. E ficou muito evidente que o Trump não pode passar essa imagem de derrotado ou imagem de alguém que está sendo enfrentado de maneira tão frontal pelo regime dos ayatolás. Vamos ver o que acontece, mas tudo indica até o presente momento.

que essa crise está longe de acabar, embora o Trump sempre possa nos surpreender, e diante disso o barril de petróleo volta a buscar patamares bem mais altos, agora inclusive se aproximando da casa de 120 dólares o barril.

E Daniel, eu queria te ouvir sobre mais uma coisa. No meio desse cenário todo, claro que a gente fala muito sobre inflação global, inflação nos Estados Unidos, mas ao longo dos últimos dias, a moeda iraniana atingiu uma mínima recorde. Nesse momento, Daniel, a gente tem uma relação entre o real, que é a moeda iraniana, para o dólar de R$ 1.810.000 por dólar.

o que já é um enfraquecimento muito grande, perdeu 15% de valor apenas nos últimos dois dias, e a inflação mensal no Irã disparou para 65,8%. Eu queria que você falasse um pouquinho sobre esse cenário, que é um cenário muito preocupante para o Irã também.

Uma coisa está diretamente relacionada à outra, né, Tanguy? Claro que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos tem dificultado as exportações de petróleo iraniano, algo que não vinha acontecendo nas primeiras semanas do conflito. Na medida em que os americanos colocam o bloqueio também ao petróleo iraniano, o país começa a receber menos divisas. Recebendo menos divisas, a moeda iraniana se desvaloriza, a moeda iraniana se desvalorizando pressiona a inflação. Essa é a aposta do Trump.

Eu vou apertar o torniquete nesses caras e eles vão abrir o pico. Eles vão ceder, eles vão vir conversar comigo, eles vão negociar e eu vou ter condições realmente de obter algum tipo de acordo mais favorável para mim nos Estados Unidos e vou ter condições realmente de me impor no cenário internacional de maneira mais representativa. Portanto, Tanguy, esses dados que você acabou de trazer, eles estão diretamente relacionados à estratégia dos Estados Unidos.

de asfixiamento da economia ireniana com esse novo bloqueio de Hormuz. Novo bloqueio porque você tem um bloqueio ireniano e também acaba tendo um novo bloqueio imposto pelos Estados Unidos. É realmente uma situação de muita tensão. É aquele jogo, né, Tanguy, onde os dois lados olham um para o outro e pensam quem é que vai piscar primeiro, quem é que vai recuar primeiro.

E claro que enquanto ninguém recua, a situação vai se agravando, tanto do ponto de vista da economia mundial, quanto também do ponto de vista da própria economia iraniana em particular. Daniel, como próxima pauta, eu queria falar um pouquinho sobre a relação entre Chile e Bolívia.

São dois países, Daniel, que têm relações rompidas, diplomaticamente pelo menos, desde 1978, faz bastante tempo. Então os dois mantêm relações comerciais, eles têm ali, portanto, relações consulares, mas não há troca de diplomatas, não há diplomatas chilenos na Bolívia e não há diplomatas bolivianos no Chile há bastante tempo. Isso aconteceu pelo fato de que a gente teve negociações entre os dois países, entre 75 e 78,

para tentar resolver a questão da saída para o mar da Bolívia. Como a gente sabe, a Bolívia não tem uma saída para o mar. Essa saída para o mar foi perdida, aliás, para o Chile durante a Guerra do Pacífico, que aconteceu na segunda metade do século XIX. E a tentativa naquele momento ali era exatamente a gente ter algum tipo de solução para essa questão. E o Chile aceitou ceder um corredor terrestre para o norte do Chile, para que a Bolívia tivesse acesso ao mar.

Só que esse território que seria cedido pelo Chile para Bolívia, ele tinha sido tomado, também no século XIX, do Peru. E aí você tem um acordo entre o Chile e o Peru que determina o seguinte, qualquer território que o Chile for ceder, que tenha sido peruano antes, tem que ter a anuência do Peru.

Ou seja, os presidentes do Chile e da Bolívia fecharam o acordo, só que o que o Chile disse, na época o presidente inclusive era o Pinochet, o que o Pinochet disse foi, olha, beleza, a gente fecha o acordo, mas eu preciso consultar o Peru. O que a Bolívia diz é, olha, dessa maneira você está rompendo a palavra comigo, não tem que consultar o Peru coisa nenhuma, não tem nada a ver com isso, e as relações foram rompidas naquele momento. Portanto, desde 1978.

Chile e Bolívia não possuem relações, e isso acarreta, inclusive, até hoje, com a Bolívia não tendo uma saída para o mar. A gente teve uma sinalização positiva, no entanto, Daniel, com o encontro entre os ministros das relações exteriores. Então, o ministro das relações exteriores do Chile, que é o Francisco Pérez Maquena, se encontrou com o Fernando Aramaio, que é o chanceler boliviano.

E os dois iniciaram ali uma conversa para, de repente, chegarem na retomada de relações diplomáticas. Claro que uma coisa que contribui muito para isso é uma certa proximidade ideológica entre os dois presidentes atuais. Então, o boliviano é o Rodrigo Paz, que é um presidente ali de direita, centro-direita.

na Bolívia, e o chileno José Antônio Castro. É um cara bem mais à direita, né? Dá para caracterizar, inclusive, como extrema-direita, mas os dois têm uma afinidade um pouquinho maior. Isso pode acabar levando a uma retomada de relações. Então a gente está falando, Daniel, sobre um rompimento.

que vai chegar daqui a pouco há 50 anos e que pode ser resolvido ao longo das próximas semanas, enfim, dos próximos meses. É um prognóstico interessante para a região e principalmente levando em consideração que são dois países vizinhos, são dois países que poderiam ter uma relação mais harmônica e que ao longo dos últimos quase 50 anos não têm relações diplomais. Isso pode naturalmente fortalecer uma série de laços, uma série de iniciativas que já começam a ser estudadas nesse momento. Vamos ver onde que isso vai dar, Daniel.

Tanguy, registro aqui que Bangladesh inaugurou a sua primeira usina nuclear, justamente para reduzir a dependência de energia importada. É a usina nuclear de Hopur.

e é o primeiro projeto nuclear do país, como eu destaquei há pouco, e a construção e o suporte, o auxílio, foi oferecido pelos russos. A gente está falando de uma usina nuclear que, nesses primeiros meses, vai funcionar de forma...

e no final do ano, aproximadamente em dezembro, ela vai estar plenamente em funcionamento. A ideia aqui é gerar eletricidade para Bangladesh, um país que tem apresentado boas taxas de crescimento, é reduzir a dependência atual de combustíveis fósseis. Então, Bangladesh quer reduzir a sua dependência de gás natural, quer reduzir a sua dependência de petróleo, também quer reduzir a sua dependência de carvão.

porque esses elementos acabam sendo elementos de alta vulnerabilidade. Bangladesh, em 2025, importou 4,8 bilhões de dólares em combustíveis, o que é realmente algo...

muito significativo, e nós temos agora um ambiente onde o país está enfrentando enormes dificuldades por conta da crise em Hormuz. Faz sentido, uma escolha que já vinha sendo adotada, me parece que é mais um dos muitos exemplos que a gente tem destacado aqui no Petit Jornal de países que vão buscar diversificação energética para reduzir a sua dependência, particularmente em relação ao petróleo importado.

Daniel Souza, a visita do rei Charles III a Washington estava com cheiro de geleia. Estava com cara de geleia. A gente sabia que ia render geleia, Daniel Souza. Você, aliás, avisou que a diplomacia britânica falou, inclusive, que, olha, por favor, sem câmeras, né? A gente quer uma coisa mais privada e tal, porque estava na cara que isso aqui ia gerar geleia e não adiantou, Daniel Souza.

Virou geleia mesmo assim. Me conta quais foram as barbaridades que aconteceram nessa visita do monarca britânico a Washington, Daniel. Tanguy, nós tivemos uma sucessão de geleias durante essa visita do rei Charles a Washington e o encontro com o presidente Donald Trump. Para começar, o Charles se encontrou com o Trump e o Trump, Tanguy, fez aquele aperto de mão de urso.

Aquele aperto de mão que você não larga a mão, que você fica puxando, etc. Que constrangimento, que constrangimento. O Tanguy, não, o Donald Trump fazendo justamente esse tipo de aperto de mão com o rei Charles. E não foi só isso. Nós tivemos o Donald Trump dizendo, Tanguy, no microfone, que o Charles tinha concordado com ele que o Irã não pode ter armas nucleares. Que ele tinha dito isso para ele em privado.

Outra aqui, eles tiveram uma conversa em privado, o rei Charles não se pronuncia sobre questões políticas em público e o Donald Trump acabou cometendo essa inconfidência. Não, mas peraí. Foi garoto, foi garoto, Charles. Você sabe, todo mundo sabe que você não pode falar nada para o Trump que não possa ser divulgado. Aí ele fala, em privado é óbvio que o Trump vai falar, todo mundo sabe, Daniel, que isso vai acontecer.

E não foi só isso, Tengue. Tivemos a Casa Branca publicando uma foto dos dois e na legenda estava dois reis. Dois reis. Cara, o sonho do Donald Trump é ser rei. É ser rei. Ele queria ser rei e rei absolutista. Não bastaria ser um rei constitucional.

E ele é presidente dos Estados Unidos, que são um país que se formou basicamente a partir da oposição ao rei britânico. É isso, né? Exatamente. Exatamente. República na essência, uma república para se contrapor à monarquia britânica. E durante a recepção, quando a rainha Camila estava prestes a cumprimentar as autoridades do governo americano, o Trump atropelou a Camila.

atropelou a Camila e começou a apertar a mão de todo mundo, ultrapassou ela, passou por cima dela. Meu Deus do céu, Tanguy, ela é rainha da Inglaterra, ou melhor, rainha com sorte, enfim que seja. Mas, meu Deus do céu, Tanguy, é uma sucessão, rapaz, de constrangimentos e de geleias durante essa visita do rei Charles ao Washington.

Não decepcionou, era exatamente o que a gente esperava, a gente imaginava que exatamente isso ia acontecer. E dessa maneira, Daniel Souza, a gente chega ao fim desse nosso episódio. Muito obrigado a você que nos presenteou com a sua presença, com a sua audiência. É um prazer estar aqui com vocês. E deixar aqui o convite, Daniel, se você quer saber mais sobre todos esses contextos internacionais.

Tem tudo lá no Petit Cursos. Aliás, a gente está oferecendo um curso agora, exatamente sobre Irã, Estados Unidos, Golfo Pérsico, Estrela de Hormuz. Tudo isso tem sido comentado lá nas aulas. Então, se você quer mais conteúdo do Petit Cursos, acessa lá, petitcursos.com.br. Dá uma olhada no catálogo de aulas. Lá no site você vai encontrar, que eu tenho certeza que você vai curtir demais, petitcursos.com.br.

Gente, fica também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PetJornal Mídia Pequena não tem aí um conglomerado de mídia, não tem um grande estúdio.

É um trabalho bastante artesanal e a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de fundamental importância e por isso registramos aqui sempre o nosso agradecimento a cada um deles. E fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetJornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente.

Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. Amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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