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Tailândia busca rotas alternativas - BP 1066

28 de abril de 202629min
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A Tailândia busca alternativas ao Estreito de Malaca por via terrestre, em movimento que reflete a crescente preocupação global com gargalos logísticos e segurança de rotas estratégicas. No episódio analisamos esse reposicionamento e seus impactos, além da ruptura da trégua no Líbano entre Israel e Hezbollah, que volta a pressionar a estabilidade regional. Também discutimos a Hungria no pós-Orbán, com fuga de oligarcas e disputas por ativos, e a situação no Mali, onde a capital enfrenta cerco de rebeldes que buscam expulsar forças russas.
Abordamos ainda decisões relevantes nos Estados Unidos, com o Departamento de Justiça encerrando investigação contra Jerome Powell e abrindo caminho para mudanças no comando do Fed, além do alerta da presidente mexicana Claudia Sheinbaum contra ações unilaterais dos EUA em seu território.
Na Geleia da Shakira, o encontro entre Charles III e Donald Trump chama atenção pelo pedido do governo britânico para que ocorra fora das câmeras.
#Geopolítica #OrienteMédio #Logística #Hungria #EstadosUnidos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos6
  • Rotas alternativas da TailândiaEstreito de Malaca · Projeto de ponte terrestre · Geopolítica dos estreitos
  • Conflito no MaliAssime Goita · Grupo Wagner · Situação em Bamako
  • Escalada de violência no LíbanoCessar-fogo entre Líbano e Israel · Hezbollah · Josef Aoun
  • Investigação do Federal ReserveJerome Powell · Departamento de Justiça dos EUA
  • Crise Política na HungriaPeter Maggiar · Victor Orbán · Transferência de ativos
  • Resgate mina MéxicoClaudia Sheinbaum · Agentes dos EUA
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Pit Jornal. Esse é o Bate-Papo 1066. Estamos gravando numa live no YouTube do Pit Jornal. São exatamente 19 horas e 12 minutos da segunda-feira, 27 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, vírgula ou bagdadinho animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, tumbante, descansado e preocupado.

muito preocupado com o bolso, muito preocupado com o aumento do preço dos combustíveis. O professor Bagdadi realmente está com insônia por conta dessas múltiplas preocupações internacionais que acabam o atormentando nesses últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para o segundo episódio dessa segunda-feira, né? Esse bate-papo 1066, para fechar a segunda-feira. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, pelo YouTube que está nessa live aqui. Pessoal que acompanha essa live gravada na versão...

Não, a live ao vivo na versão gravada é essa hora, não correto, Daniel Souza? É isso, a live ao vivo na versão gravada. Pode ser a live também, pode ser a live ao vivo na versão gravada com delay, pode ser a live ao vivo com delay na versão ao vivo. São muitas as possibilidades. São muitas possibilidades. E tem toda uma questão técnica, né, que separa todas essas modalidades. Deixa aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente também pelo podcast. Sejam todos muito bem-vindos.

E, Daniel, em tempos de restrição de movimentação, estreia de Hormuz fechado, preocupação se vai conseguir ter acesso a petróleo, se não vai e tal, a gente tem outras preocupações por aí que vão além do estreia de Hormuz e a Tailândia está buscando alternativas, né? Conta para mim aí. É exatamente isso, Tang. Depois da guerra...

Em Ormuz e, consequentemente, os problemas que o fechamento do estreito tem trazido, um país como a Tailândia, que se mostrou muito vulnerável realmente diante de um cenário como esse, ligou um sinal de alerta em relação a outro estreito, o estreito de Malacca, que fica ali realmente na costa da Malásia. O estreito de Malacca, que fica ali entre o Oriente Médio e o Leste Asiático, ele também passou a ser visto como vulnerável pelas autoridades tailandesas e que fica ali entre o Oriente Médio e o Leste Asiático.

Por ele passaram mais de 100 mil embarcações comerciais só no ano passado. Aliás, não é só a Tailândia que está preocupada com isso, países ali do leste asiático de uma forma geral também, e em particular os chineses. Com isso, o governo da Tailândia ressuscitou o projeto de ponte terrestre.

O projeto consiste em dois portos de águas profundas no sul da Tailândia, conectados por 90 quilômetros de rodovias, ferrovias e oleodutos. Na prática, a gente está falando de uma passagem pelo Estreito de Kra.

De um lado é o porto de Hanong, no mar de Adaman, que é a saída do Oceano Índico, e no outro lado o porto de Shupong, no Golfo da Tailândia, saída para o Oceano Pacífico. A ideia é que navios descarreguem em um porto, a carga atravessa a península por terra e ela é reembarcada do outro lado.

Na prática, isso acabaria economizando dinheiro, acabaria diminuindo o tempo de deslocamento e, obviamente, reduziria a chance de uma vulnerabilidade por conta de um fechamento do estreito ou por conta da cobrança do direito de passagem, caso no futuro ele fosse cobrado. Nós estamos falando de um projeto de aproximadamente 31 bilhões de dólares, forçado num montante muito impressionante.

A ideia tem décadas, não é uma ideia nova, mas uma proposta formal será submetida ao gabinete do governo da Tailândia em junho ou julho de 2026, com busca ativa por investidores a partir do terceiro trimestre desse ano. Na semana passada, o ministro das Finanças da Indonésia gerou ruído ao sugerir publicamente que países ali...

tangenciam o estreito, poderiam começar a tentar monetizar a rota. E uma das perguntas que fica é por que não simplesmente abrir um canal?

o canal de Kra. Essa é uma ideia que também existe, é uma ideia secular na península tailandesa, como uma passagem marítima. O problema é que esse projeto tem aí uma série de problemas ambientais, problemas logísticos, etc., e seria muito mais complexo. De qualquer maneira, a gente está falando de um projeto que tem conclusão prevista para o ano de 2039, se tudo der certo.

Mas não deixa de ser algo muito impressionante você observar, inclusive, que nós temos um país como a Tailândia já olhando no futuro e pensando que, olha, talvez a geopolítica dos estreitos e o impacto econômico desses estreitos seja algo que veio para ficar. O governo da Tailândia, inclusive, tem a expectativa de conseguir esses investidores estrangeiros, principalmente em países que podem ser.

beneficiados por essa obra. E aí você teria ali um forte mecanismo de barganha. Países ali do estreito de Málaca não teriam ali a possibilidade de fechar o estreito, de cobrar direito de passagem, nem nada disso, porque haveria uma alternativa por dentro da Tailândia.

Tanguy, o mundo definitivamente mudou a ponto de um país em desenvolvimento como a Tailândia desengavetar um projeto de 30 bilhões de dólares que ficaria pronto apenas daqui a 13 anos com o objetivo de, no longo prazo, no longuíssimo prazo, reduzir a sua vulnerabilidade do ponto logístico naquela região.

E quem está sorrindo de orelha em orelha com isso é a China, né? A China que compra uma quantidade enorme de petróleo exatamente do Oriente Médio. Claro que o Hormuz acaba sendo uma preocupação, mas o Estreito de Málaca ali também é uma grande preocupação. Afinal de contas, quem margeia o Estreito de Málaca são aliados dos Estados Unidos. Então a preocupação da China sempre é...

se esses caras quiserem fechar aqui, eles me deixam sem abastecimento de petróleo. Então abrir uma via como essa é uma possibilidade. Aliás, a gente já tinha falado isso aqui, inclusive no Petit Curso, né, Daniel, sobre a abertura desse canal, é caro, é difícil de fazer, é complicado e tudo. Então esse, como se fosse um canal seco, né, acaba sendo uma possibilidade também para você conseguir fazer essa travessia. Vamos ver se sai do papel.

E o cálculo é sempre esse. É caro, é demorado, mas lá na frente você vai acabar desejando já ter começado um tempo antes, né? Para você começar a ter o resultado mais à frente. Daniel, como próxima pauta, eu queria falar sobre o Líbano. A gente teve há pouco tempo Donald Trump anunciando um cessar-fogo.

que valeria por três semanas. Então esse cessafogo, negociado por Líbano e Israel, ele duraria até meados de maio. Eu só queria lembrar, Daniel, o que a gente falou sobre isso aqui quando o cessafogo foi anunciado, e o que a gente disse é que a negociação tinha sido entre o Líbano e Israel e que o Hezbollah tinha, de uma certa maneira, aceitado por pressão do Irã. Então o Irã tinha falado ao Hezbollah, seguinte, eu estou pensando aqui que o cessafogo aqui se mantenha, que a coisa dê uma aliviada e tal.

você vai aceitar. E o Hezbollah meio que aceitou. Como a gente já previa, Daniel, não durou muito tempo. Então, ao longo dos últimos dias, esse Sessafogo já foi jogado para o alto. A gente teve a utilização por parte do Hezbollah e o Hezbollah confirmou isso.

de mísseis e drones contra posições israelenses. Israel também atacou de volta, e é difícil até saber quem foi que atacou primeiro, mas o fato é que o cessafogo, que deveria durar até meados de maio, já foi para o espaço, Daniel. Então você tem posições israelenses ocupando ali o sul do Líbano, então Israel já vem ocupando o sul do Líbano há algum tempo, mesmo com o cessafogo não houve o recuo, e nesse momento, portanto, a gente tem...

a retomada de uma série de hostilidades. Nesse cenário, Daniel, quem acabou trocando acusações foi o governo libanês, e aí a principal figura vem sendo o presidente, lembrando que o Líbano tem um primeiro-ministro, que é na prática quem governa, mas o presidente, que é o Josef Aoun, ele vem sendo um cara muito ativo nessas negociações, trocou farpas com o Hezbollah.

O Hezbollah disse, olha, você aí, presidente, está negociando diretamente com Israel. Você é um traidor, você não pode negociar diretamente com Israel. E a resposta do Josefa 1 foi, abro aspas, o que estamos fazendo não é traição. A traição é cometida por aqueles que levam seu país à guerra para alcançarem interesses externos. Fazendo uma referência ao Irã.

Então, olha só, o Hezbollah não tem uma agenda pensando no Líbano. A agenda do Hezbollah é pensando no Irã para apoiar o Irã contra Israel. Então, a gente tem mais um capítulo aí. E aí, de novo, Daniel, quando a gente fala sobre essa região ali no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel, você tem uma faixa ali de cerca de 30 quilômetros que Israel está ocupando nesse momento.

É uma das áreas que, nesse momento, é uma das maiores atingidas por essa guerra. A guerra começa, enfim, nessa nova versão, num ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O Irã, nesse momento, não está sendo bombardeado. O Irã tampouco está bombardeando o país do Golfo e tudo.

Mas no Líbano a coisa continua. Então, é certamente uma das regiões mais atingidas e não é a primeira vez. São anos e mais anos e mais anos de ataques ali no sul do Líbano, confrontos, Hezbollah, Israel. Foi uma região que já foi muito castigada durante o período da Guerra Civil Libanesa. Então, mais uma vez, nenhuma novidade aqui. A gente tem de novo essa região do sul do Líbano sendo castigada por uma guerra que, na prática, não envolve diretamente a população daquela região, Daniel.

Agora, Tengue, só uma pequena atualização em relação a algo que nós dissemos hoje de manhã. Você, inclusive, trouxe uma reportagem da Axios falando sobre uma proposta do Irã de suspender o bloqueio do Estreito de Hormuz em troca de um adiamento das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano. Pois bem, hoje a porta-voz da Casa Branca confirmou que essa proposta chegou.

e que o governo dos Estados Unidos estava se debruçando sobre ela. Veja você. É claro que pode ser que ela seja recusada, mas é algo que a gente destacou no episódio de hoje, que haveria ali uma possibilidade, né, Tanguy? O Trump pode começar a fazer conta, é claro que ele...

Ele é sempre muito imprevisível, não necessariamente seguirá essa linha, mas ele pode começar a fazer conta e pensar, bom, talvez, quem sabe a gente não dá um reset, volta para o início e diminui um pouco esse problemão que o Estreito de Hormuz acabou causando na economia mundial e também na economia dos Estados Unidos. Daniel Souza, dia 10 de maio está chegando, dia das mães, e eu sei que você que está me ouvindo está pensando o que você vai comprar.

para sua mãe. Tem que dar um presente bom, tem que dar um presente que agrade, aquela coisa, você já vai começar a pensar com antecedência, mas aí, Daniel, vai em shopping comprar? Olha o problema. Aí, loja cheia, não vai encontrar o tamanho que quer, da cor que quer e tal. Tudo isso você pode resolver utilizando o link que está na descrição desse episódio, entrando lá na Insider Store. E aí, Daniel, primeira coisa, vai dar tempo de chegar, vai chegar com tranquilidade, aliás, a gente vê, né, Daniel, as fases pedidos da Insider, chega muito rápido.

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Agora, Tanguy, avançando para a próxima pauta, eu queria registrar que o futuro primeiro-ministro da Hungria, o Peter Maggiar, afirmou ter informações de que figuras ricas ligadas ao governo de saída do Victor Orban estariam transferindo ativos para o exterior, para os Emirados Árabes Unidos, para o Uruguai, para os Estados Unidos, entre outros países.

Magiar apontou, inclusive, o Lorint Mesaros, que é um ex-encarnador amigo de infância de Orbán e o mais rico da Hungria, que enriqueceu, em parte, via contratos governamentais, como um dos que teriam deixado o país, junto com a sua fortuna, em direção...

A Dubai, mesmo com a crise de Ormuz, e mesmo com a confusão no Oriente Médio, Dubai continua sendo visto como um porto interessante do ponto de vista financeiro. O Magiar, o futuro primeiro-ministro, instou o procurador-geral, o chefe da polícia e o chefe da autoridade fiscal.

a deter os envolvidos e impedir a saída de ativos, uma vez que eles poderiam ser objeto no futuro de algum tipo de processo judicial e, eventualmente, até de ressarcimento aos cofres públicos, caso tenha havido algum tipo de crime. E ele alertou também investidores a evitarem a compra de ativos dessas pessoas.

Sendo, avisando, inclusive, que caso cumprem esses ativos, eles poderiam entrar em algum tipo de escrutínio no próximo governo húngaro para avaliação das transações. E registro também que o Orbán disse no último sábado que abrirá mão de seu assento no parlamento para se concentrar na reconstrução da direita húngara. O que não deixa de ser curioso, porque o Peter Maggiar também é de direita.

mas talvez não a direita verdadeira como o Victor Orbán acaba muitas vezes colocando Tanguy. Daniel, eu queria trazer uma pauta sobre África para a gente falar um pouquinho sobre o Mali. A gente falou há pouco tempo sobre o Mali aqui e que a capital, Bamako, estava sitiada, ela estava cercada ali por grupos que estavam tentando tomar o poder. E aí eu queria relembrar uma pauta que a gente trouxe aqui alguns anos atrás.

e que está passando por um processo de reversão nesse momento. O Mali passou recentemente, em 2020 e 2021, por dois golpes de Estado que levaram militares ao poder. Então, quem chegou ao poder foi o coronel Assime Goita. Então, ele é presidente desde então, desde esses golpes de 2020. Em 2020 caiu o governo, em 2021 teve mais um golpe, finalmente o coronel Assime Goita se tornou presidente. E a principal medida dele foi expulsar os franceses.

Então a lógica ali é a França nos colonizou, não queremos os franceses aqui, então empresas francesas foram expulsos, cidadãos franceses foram expulsos e colocou no lugar dos franceses os russos. Você passou a ter uma interação entre esse novo governo do Mali e forças russas, inclusive do antigo grupo Wagner.

que agora é chamado de África Corpse. Tem uma presença bastante importante ali, então você tem uma mudança geopolítica naquela região, com a presença da Rússia, não apenas no Malho, outros países da região também passaram por golpes de Estado, então Nígia, por Kinafaso, e que levaram exatamente uma expulsão dos franceses e uma ascensão dos russos.

No dia de hoje, no entanto, Daniel, a gente teve um avanço desse sítio, a capital Bamako, com a junção de dois grupos. Que são dois grupos, Daniel, que quando você olha para eles ideologicamente e tal, nem faz sentido tanto eles estarem juntos. Então o primeiro deles é o grupo de apoio ao Islã e aos muçulmanos, que é um grupo ligado à Al-Qaeda. Esses caras não querem saber da Rússia, eles querem tomar o poder naturalmente e buscar uma agenda jihadista e uma governança islâmica. A lógica é essa.

E esse grupo é aliado da Frente de Libertação de Azawad, que é um grupo, Daniel, de Tuaregs. É um grupo secular, é um grupo que não tem nada de religioso, mas os dois juntaram forças com a ideia de que, olha, a gente precisa ter no Mali um governo do Mali, depois a gente discute como é que vai ser. A ideia dos Tuaregs é ter basicamente um governo local mais próprio e deixa o resto do país lá com os muçulmanos radicais e tudo. Mas o fato é que eles estão cercando Bamako e não tem nada de religioso.

estão cada vez mais prós de tomarem a capital. E, inclusive, as forças russas já estão tendo que se reordenar, porque tiveram que abandonar determinadas posições para tentar defender apenas a capital. São cerca de 2.500 soldados russos que estão no Mali. A gente teve, de ontem para hoje, Daniel, o assassinato.

por um carro-bomba, com carro-bomba, do ministro da Defesa do Mali. O ministro da Defesa foi morto com carro-bomba e ninguém sabe onde está o presidente. O presidente não se manifesta há bastante tempo. Então, ao que tudo indica, você tem um governo meio acéfalo nesse momento, um governo que não está conseguindo se posicionar. O exército está tentando se concentrar em defender a capital, assim como as forças russas aliadas do governo que até agora está lá.

Mas, ao que tudo indica, Daniel, a gente tem um governo em Bamar que está por um fio. Pode cair a qualquer momento, o que seria um revés da Rússia. É uma reversão de uma tendência de pouco tempo atrás, da Rússia ganhando espaço. Nesse momento, a Rússia, no entanto, está sofrendo um revés num país muito importante ali para essa parte ao sul do Saara, a parte do Sahel, no continente africano, Daniel.

Tanguy, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos encerrou sua investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, do Banco Central dos Estados Unidos, o Jeremy Powell, referente a reformas na sede do Banco Central que ultrapassaram o orçamento. A gente chegou a falar sobre isso aqui no Petit Jornal.

Era claramente uma forma de pressão sobre o Powell, porque ele não estaria obedecendo os desígnios do Donald Trump no que diz respeito à dinâmica da política monetária. Só que apareceu um nó no meio do caminho. O senador republicano, eu disse republicano, Tom Tills, havia dito que bloquearia a indicação do sucessor de Powell até o DOJ encerrar a investigação.

e o seu voto era decisivo para aprovar um nome na comissão bancária do Senado. Em audiência, o Tios disse diretamente ao indicado, abre aspas, vamos acabar com a investigação para que eu possa apoiar sua indicação. Fecha aspas.

Ou seja, Tanguy, aquilo que era político acabou sendo respondido politicamente. E acabou sendo respondido politicamente com a pressão de um senador republicano. Aqui e ali, a gente volta e meia acaba vendo algumas vozes nesse sentido. Porque, afinal, isso viola claramente a institucionalidade dos Estados Unidos. Você está tentando utilizar o DOJ, o Departamento de Justiça, para pressionar...

uma figura importante na República, quer dizer, o presidente do Federal Reserve, a obedecer o presidente dos Estados Unidos, o que não cabe. O Federal Reserve tem autonomia, tem dependência, pode determinar como quiser a política monetária, afinal, é uma política monetária de Estado, não é uma política monetária de governo.

O Trump está muito incomodado com o fato do FED não reduzir a taxa de juros na velocidade que ele, Trump, gostaria, mas o FED não pode, na medida em que tem uma taxa de inflação elevada, que está descumprindo a meta, a meta de inflação dos Estados Unidos é de 2% ao ano.

Isso reduz ali um pouco o espaço para reduzir juros, ainda mais com tarifas, ainda mais com hormus, ainda mais com aumento do preço do petróleo. O Trump também não ajuda o Federal Reserve a ter espaço para reduzir justamente a taxa de juros da economia americana. De qualquer maneira, fica aqui o registro que agora o Departamento de Justiça retirou o processo contra o Powell, presidente do Fed.

E, aliás, para falar em institucionalidade dos Estados Unidos, Daniel, a gente teve a presidente do México. Diga. Não, eu queria só complementar um detalhe, Tanguy, que eu esqueci. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos ainda precisa decidir sobre a demissão da diretora Lisa Cook. Lembra daquele outro caso? Isso ainda não foi decidido e ainda está pendente. Desculpa a interrupção, apenas para trazer esse adendo que me pareceu importante.

Perfeito. Por falar em institucionalidade, Daniel, eu queria falar um pouquinho sobre o México, porque a presidente mexicana, a Claudia Sheinbaum, ela disse que emitiu uma nota diplomática para os Estados Unidos, em que desautoriza novamente a presença de agentes dos Estados Unidos em operações de combate ao narcotráfico.

no norte do México, mais especificamente no estado de Chihuahua. A coisa mais curiosa é como a presença de agentes americanos no norte do México veio à tona. Aconteceu um acidente de carro no dia 19 de abril, e nesse acidente morreram quatro pessoas, quatro vítimas fatais.

Dois agentes de combate ao narcotráfico mexicanos e dois agentes de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos. Ou seja, fica claro dessa maneira que esses dois agentes americanos estavam lá a trabalho, todas as investigações apontaram nesse sentido, e entraram no México com visto de turista, na verdade com status de turista.

Então a Claudia Sheinbaum, Daniel, ela emite mais uma vez uma nota dizendo, olha, isso aqui não é possível, isso aqui não pode, é uma violação da soberania, isso não pode ocorrer. A questão, Daniel, é que a Claudia Sheinbaum, ela está numa situação muito complicada para lidar com o Trump. O Trump, ele fala...

que o tempo todo, sempre que ele tem oportunidade, ele fala que gostaria de usar as Forças Armadas dos Estados Unidos para combater os cartéis de drogas no México. Ele chegou, inclusive, Daniel, a perguntar para a Claudia Sheinbaum se ela deixaria, vem cá, se deixaria eu usar umas armas aí, uns drones e tal. E a Claudia Sheinbaum, assim, é até curiosa a maneira como ela responde. Ela falou assim, pô, eu não sei nem como te responder isso, mas a resposta é não. É óbvio que não, é questão de soberania. Mas, é...

Casos como esse mostram que, apesar de obviamente não haver autorização, essa ação de agentes americanos está acontecendo, ela segue acontecendo no norte do México, e a Claudia Sheinbaum tenta, até por conta do peso dos Estados Unidos, da importância econômica, não subir o tom com o Donald Trump. Ela já entendeu...

tem uma galera que já entendeu isso, que o ideal com o Donald Trump é você evitar o confronto direto, é você ir amaciando, é você ir levando e tal, porque se você vai para a mira do Trump, ele começa a provar um monte de coisa contra você e o negócio pode ficar complicado. Então, a maneira pela qual o Claudia Sheinbaum vem lidando com o Trump...

É essa. Ela não entra em confronto, mas nessa nota aqui ela foi bastante dura. Olha, não é possível, a gente não autoriza. A violação da soberania é um negócio grave e, portanto, ela traçou basicamente uma linha vermelha, Daniel. Eu acho que ninguém nunca duvidou que havia a presença de agentes americanos no norte do México. Mas quando dois deles morrem num acidente de carro e a coisa fica escancarada para todo mundo, se torna ainda mais embaraçoso para o próprio México.

que é, pô, eu sei que está acontecendo e eu preciso fazer alguma coisa. Então, pelo menos, a nota diplomática foi entregue pela presidente do México ao governo de Donald Trump, Daniel. Tanguy, podemos agora avançar para o final do nosso episódio, terminando com uma nota um pouco mais leve na geleia da Shakira? Podemos, Daniel Sousa. O que você me conta hoje? Rapaz, eu quero falar sobre a viagem do rei Charles, Charles III, para os Estados Unidos. Ele vai visitar o Donald Trump.

E a viagem já começou meio mal, Teng, porque a organização dos protocolos espalhou um monte de bandeiras da Austrália pelas ruas de um mosto.

Já ficou um pouco esquisito. Aí, rapidamente, o pessoal percebeu o erro, começou a trocar lá as bandeiras da Austrália pelas bandeiras do Reino Unido. São parecidas, Daniel Sousa. Aí confunde, Daniel. É confunde. Tudo Union Jack. É, tem tudo Union Jack. E, bem na verdade, o Charles III também é rei da Austrália, mas não é isso que o protocolo sugere.

E tem uma outra coisa, tem uma torta meio de climão. O governo britânico pediu que a reunião entre Trump e o rei seja fora das câmeras. Fora das câmeras. A Casa Branca acabou concordando para evitar qualquer tipo de constrangimento. Afinal, existe um histórico de Donald Trump de confrontos públicos. Então, você vai ter apenas fotos iniciais protocolares.

E as conversas não serão filmadas. Quem tem, tem medo. O príncipe Charles não quer exposição de divergências, não quer piadocas do Donald Trump com diferentes temáticas. E por isso teremos aí uma gestão de risco feita de maneira bastante rigorosa. Última, eu vou...

Mas é só foto, nada de áudio nem vídeo. Áudio e vídeo está proibido. A gente conversa, mas sem registro de alguém filmando. Daniel Souza, 250 anos da independência dos Estados Unidos. Me diz se você não consegue imaginar o Trump dizendo que agora a gente vai mudar de posição, sou eu que vou colonizar o Reino Unido. E começar... Você imagina, Daniel? Você consegue duvidar que isso pudesse acontecer?

Claro que não. Ou então o Trump dizendo, ô Charles, porra, eu sei um rei melhor que você, hein? Não vou te dizer nada não, hein? Porra, o que eu posso fazer para ser rei? Dá uma coroa dessa aí que eu quero para mim. Mas vocês estão precisando do presidente. Não quero presidente. Não, eu posso ser presidente lá de vocês. Cara, impossível. Impossível duvidar que isso acontecesse. Eu acho que quando você lida com um doido, né, Daniel? Você tem que lidar, né? Tem que levar em consideração todas as possibilidades. Daniel Souza, quem for aluno do Pentecursos pode ter acesso, vai ter acesso.

aulas sobre Estados Unidos e sobre o Reino Unido. A gente fala, inclusive, bastante sobre a monarquia. Temos um curso sobre o Reino Unido. Aliás, eu duvido você encontrar por aí algum outro curso que tenha aula sobre todos os países do Reino Unido. É falar sobre o Reino Unido, é falar sobre o País de Gales, é falar sobre Escócia, Irlanda do Norte. Essa galera toda está lá no Petitcurso. Aliás, como tantos outros cursos que a gente tem por lá. Acesse lá.

peticursos.com.br preço competitivo, super interessante tem um monte de aula que eu tenho certeza que vai te interessar para você ter acesso na hora que você quiser do jeito que você quiser, o link está na descrição desse episódio. Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto, porque tinha uma mídia pequena, um trabalho bastante artesanal e por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante.

Por isso, sempre registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado a cada um de vocês. Fica também o convite, se você gosta do Petit Journal, se o nosso projeto faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Até já fix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente.

Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.

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