Episódios de Petit Journal

EUA compram terras raras do Brasil - BP 1063

23 de abril de 202632min
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Uma empresa dos Estados Unidos adquire uma companhia brasileira de terras raras, em movimento que reforça a disputa global por minerais estratégicos e reposiciona o Brasil no tabuleiro geoeconômico. No episódio analisamos os impactos dessa operação e a relação com a guerra no Oriente Médio, enquanto o Irã intensifica o controle sobre o Estreito de Ormuz e apreende navios que tentam atravessar a região. Também discutimos o alerta da União Europeia para uma crise energética prolongada e seus efeitos sobre economias como a alemã, que revisa para baixo o crescimento e projeta inflação mais alta.
Abordamos ainda os efeitos políticos internos nos Estados Unidos, com pesquisas indicando desgaste na popularidade de políticas ligadas à deportação. Na Geleia da Shakira, Robert F. Kennedy Jr. viraliza ao tentar justificar uma fala de Donald Trump sobre preços de medicamentos afirmando que uma redução de 600 para 10 dólares representaria uma queda de “600%”.
#Geopolítica #TerrasRaras #OrienteMédio #Energia #EstadosUnidos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Compra de terras rarasEUA e terras raras · US Rare Earth · Serra Verde · Dependência da China
  • Conflito Irã-EUAEstreito de Ormuz · Apreensão de navios · Guerra no Oriente Médio
  • Crise Energética EuropaImpacto na Alemanha · Previsão de crescimento · Mercado de gás
  • Política de Imigração dos EUADeportações nos EUA · Popularidade de Donald Trump
  • Nova matemática de TrumpRobert F. Kennedy Jr. · Donald Trump e a NASA
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1063. Estamos gravando uma live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 19h28min da quarta-feira, 22 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tem gui vírgula o Bagdadinho animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atumbante, descansado, tarifado 15% e aguardando o reembolso.

Já fez lá o upload de todos os seus documentos. E está agora esperando o dinheiro pingar na conta. E também está muito preocupado. O professor Bagdadia aí. Conflitos diversos ao redor do mundo. Estreito de Hormuz. Que está lá. Abre e fecha. Confusão instalada.

E esses elementos acabam tirando o sono do professor Bagdadi. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!

Tudo bem, Daniel Souza com o S, vamos lá para esse bate-papo 1063, um prazer estar aqui mais uma vez nessa quarta-feira, entre feriados, sim, ontem foi feriado nacional, amanhã é feriado no Rio de Janeiro, e está aí o comprometimento Petit Jornal, amanhã tem episódio mais uma vez.

E Daniel Souza queria deixar aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente. Um prazer ter vocês aqui com a gente mais uma vez, né? Em mais um dia repleto de acontecimentos internacionais. Tem coisa acontecendo no Brasil, no Oriente Médio, né? Tem Europa, né? A gente vai falar bastante de Europa no episódio de hoje. E Daniel, eu já queria começar esse nosso episódio falando sobre terras raras no Brasil. Essa foi uma notícia que teve muita repercussão aqui no Brasil ao longo dos últimos dias, que é uma empresa americana que comprou...

uma empresa brasileira relacionada ao Terra Jardim. Eu queria que você explicasse para a gente esse cenário e quais são as repercussões que você tem visto por aí. É verdade, Tanguy. Aliás, no dia de hoje, nós tivemos no Congresso dos Estados Unidos o Jameson Cria defendendo o pagamento de um prêmio de segurança nacional. Ou seja...

que os aliados dos Estados Unidos estivessem dispostos a pagar um pouco mais caro por terras raras e minerais críticos com o objetivo de tentar esvaziar o peso da China nesse mercado que é absolutamente estratégico. Essa é a ideia central dele, quer dizer, você teria com esse pagamento de um elemento extra, de um valor extra, de um valor adicional, a construção de uma rede de resiliência estratégica.

E ele tem ali uma crítica, claro, à eficiência de custos, vista como atual dependência em relação à China. Na prática, o que ele está dizendo com todas as letras é nós topamos pagar mais caro contando que não venha da China, contando que isso fragilize a posição chinesa no que diz respeito a terras raras e minerais críticos. E como você disse há pouco, nessa semana, mais especificamente a 48 horas, a dois dias, nós tivemos na segunda-feira um anúncio muito importante.

Nós tivemos o anúncio da US Rare Earth e da Serra Verde, do grupo Serra Verde. Quer dizer, a US Terras Raras, Rare Earth, ela comprou a Serra Verde, o grupo Serra Verde. Essa aquisição foi anunciada na segunda-feira no valor de 2,8 bilhões de dólares. O objetivo, claramente, é criar a líder global em terras raras fora da China, fora do mercado chinês.

A gente está falando de uma empresa brasileira que tem ali exploração na mina de Pelaema, que fica no município de Minasur, no norte de Goiás, ali perto da divisa com o estado de Tocantins. Ela é a única produção em larga escala fora da Ásia de quatro elementos magnéticos essenciais.

Então, é a única mina que tem essa capacidade de produção. E, obviamente, o objetivo é reduzir a dependência dos Estados Unidos de importações da China. A gente está falando, na prática, de uma aquisição, uma parte...

está sendo dada em dinheiro, ou seja, nós temos aí os acionistas da empresa brasileira recebendo uma parte importante em dinheiro, e uma outra parte, aliás, a maior parte do negócio vai ser feita através da emissão de ações, ou seja...

os acionistas brasileiros vão se tornar acionistas nessa nova grande empresa que é formada pela aquisição da empresa brasileira pela empresa norte-americana. É importante registrar que essa empresa, a USA Rare Earth,

Ela pegou um empréstimo, inclusive, importante do governo americano no último mês de janeiro. Ela tem tido apoio do governo Trump para avançar justamente no seu posicionamento estratégico e esse é um elemento que é considerado uma prioridade para o governo dos Estados Unidos. O interessante, Tank, é que o Brasil segue deitado em persis plantas.

Nós não temos aí uma discussão mais criteriosa, mais estruturante do que efetivamente fazer com questões relacionadas a terras raras e minerais críticos. Eu vejo algumas discussões, as poucas discussões que existem, eu me sinto no século XX do que está sendo debatido no Brasil, ideias absolutamente antigas, ideias, muitas delas ultrapassadas sobre como se posicionar diante de uma dinâmica como essa.

E o que acabou acontecendo foi que os americanos se apressaram e já fizeram ali uma aquisição. Aliás, a maior aquisição disponível no mercado brasileiro. O Brasil tem aí as segundas maiores reservas do planeta, depois da China. É um país absolutamente estratégico no que diz respeito à produção de terras raras e minerais críticos. Fica aqui o próprio exemplo. A gente está falando...

de uma empresa que tem acesso a uma mina no estado de Goiás, e essa mina no estado de Goiás acaba tendo aí a capacidade de produzir os quatro elementos ou de extrair os quatro elementos, esses elementos magnéticos essenciais, e isso não é pouca coisa.

Nós observamos que é um cenário no qual o Brasil é foco de ambição, não tem jeito, por conta da sua enorme disponibilidade de recursos naturais. E até o presente momento, nós não tivemos aí uma organização um pouco mais estruturada sobre o que deve ser efetivamente feito no Brasil. Inclusive, quando a gente olha para os dois principais candidatos, de um lado, você tem uma sugestão...

de um entreguismo em relação aos Estados Unidos, e o outro candidato fala de um certo estatismo e de um modelo muito antiquado. Quando me soa até um pouco angustiante, a gente não pensa algo mais moderno, algo que realmente proporcione ao Brasil geração de valor, algo que proporcione ao Brasil um posicionamento geopolítico interessante, autônomo.

E enquanto o Brasil não se posiciona de maneira mais eficiente, de maneira mais inteligente, o que acaba acontecendo é que nós temos esse movimento, que é o movimento grande, por parte de uma empresa americana comprando uma empresa brasileira, uma empresa brasileira que já tem uma mina super estratégica em operação.

e, consequentemente, os americanos passam a ter um peso maior no mercado brasileiro, que ainda é um mercado com enorme potencial, mas que ainda não está efetivamente pensado, regulamentado, estruturado, planejado, como é que o Brasil pode ser beneficiado dentro de um contexto tão sensível do ponto de vista geopolítico, de uma riqueza, de um recurso natural tão valioso como nós temos aqui em tanta abundância.

E a gente está falando sobre um debate que não é tão recente assim, né? Já tem algum tempo que se fala bastante sobre terras raras e tudo, e a impressão que dá é que o Brasil está meio de carona, o Brasil está passivo, esperando para ver o que vai acontecer e sem se adiantar. Claro, se você espera demais, você acaba sendo carregado. Está aí uma transação privada que, no fim das contas, deixa o Brasil absolutamente vendido numa situação como essa.

Daniel, eu queria trazer um pouquinho do cenário que a gente vê no Oriente Médio, em especial ali em Hormuz. Eu não sei onde que isso vai parar não, viu, Daniel? Mas a impressão que dá é que vai demorar ainda para resolver. A gente teve um anúncio nos últimos dias, a gente trouxe isso aqui no Petit Jornal, da apreensão, da captura de dois navios iranianos, na verdade, dois navios com ligações com o Irã, o Tuska e o Tiffany.

não necessariamente de bandeira iraniana, mas que tinham passado pelo Irã, ou que tinham como direção o Irã, e o Irã resolveu retaliar. E as guardas revolucionárias do Irã passaram da ameaça às apreensões diretas de navios comerciais. Aliás, foi a primeira vez que isso aconteceu.

desde que essa guerra começou, desde o final de fevereiro. O Irã o tempo todo dizia que isso poderia acontecer, e no dia de hoje aconteceu pela primeira vez. O primeiro deles foi o MSC Francesca, que é um navio de bandeira panamenha, é um navio porta-container, então ele foi...

vinculado pelo Irã a interesses israelenses, então eles chamam de regime sionista, dessa maneira esse navio foi apreendido, e o Epaminondas, que é também um porta-container de bandeira liberiana e que tinha como destino a Índia, mais uma vez a Índia, viu, Daniel? A Índia está nisso tudo aí, achando que, de repente, conseguiria conversar com os Estados Unidos, conversar com o Irã.

mas navios ligados à Índia, a bandeira liberiana é verdade, mas o destino era a Índia, foi apreendido também. Pelo menos outros três navios relataram terem sofrido disparos de lanchas rápidas iranianas. Claro que a gente não tem como confirmar isso de forma independente, mas o comandante de um deles relatou que o passadiço, que aquela ponte de comando, foi pesadamente danificado por metralhadoras e granadas de foguetes.

que foram disparados por forças iranianas depois de ter sido abordado sem aviso prévio. Então, Daniel, a impressão que dá é que o Irã vê os Estados Unidos bloqueando do lado de lá, para que ninguém consiga entrar no Golfo Pérsico pelo Estreio de Hormuz.

principalmente se for em direção ao Irã, e está inclusive fazendo a apreensão de navios como esse, e o Irã está agindo do lado de dentro do Golfo, fazendo a mesma coisa. Então ninguém vai passar pelo Estreio de Hormuz se não negociar primeiro com os iranianos, e está pela primeira vez, portanto, apreendendo navios que não tenham negociado diretamente com o Irã.

Então, a gente trouxe essa notícia ontem, Daniel, do cessar-fogo por tempo indeterminado. Só para reiterar aqui, a posição de Donald Trump é que o regime iraniano tem posições ambíguas, ou seja, a posição dos Estados Unidos foi até meio paternalista, que é eu vou esperar vocês terem uma proposta unificada. O que me parece, Daniel, um erro.

A gente sabe que o Irã tem uma proposta unificada, sim, é um regime que é bastante centralizado. A gente tem um regime que é muito bem estruturado nesse sentido e não me parece haver diversas vozes falando em nome do Irã, mas a proposta, o que o Donald Trump disse foi isso. A gente vai ter aqui um censafogo por tempo indeterminado. Quando eles conseguirem, quando os iranianos tiverem uma proposta unificada, a gente volta a negociar.

E o Irã está dizendo que, olha, as propostas colocadas pelos Estados Unidos na mesa, elas são...

inaceitáveis, a gente não dá nem para começar a conversar relacionado ao Hormuz, relacionado ao programa nuclear, relacionado a outros temas relacionados à soberania iraniana, e, portanto, não tem nenhuma condição, a gente não está disposto nem a abrir debate, e, portanto, Daniel, eu não vejo como é que isso pode permanecer dessa maneira por muito tempo, e também não vejo a coisa se solucionando, sendo resolvida muito rapidamente também, Daniel.

Impressionante, Tanguy, porque é mais um degrau dentro dessa escalada de tensões.

porque, na prática, o Irã dá sinais de que não está disposto a recuar, mesmo ali com essa extensão do cessar-fogo colocada pelo Donald Trump, uma extensão do cessar-fogo por prazo indeterminado.

O que o Irã acabou fazendo foi justamente dobrar a aposta e partir para cima de embarcações que não tinham negociado com ele, Irã. Aliás, teve até uma postagem hoje em rede social dos iranianos debochando dessa disposição dos americanos em negociar quando eles, iranianos, não estariam dispostos a negociar.

o que demonstraria ali uma posição de força. E é bem da verdade, Tanguy, o tempo conta a favor do Irã. Quem tem pressa em negociar é os Estados Unidos. Quem tem pressa em negociar é o Donald Trump para tentar baixar o preço dos combustíveis, para tentar recuperar um pouco da sua popularidade, que é muito desgastada. O Irã tem...

ao hábito de viver numa economia de guerra, tem ali realmente uma luta pela sobrevivência do próprio regime e, consequentemente, não tem tanta pressa quanto os Estados Unidos para resolver essa situação. Na medida em que houve um cessar-fogo, o Irã até ganha um pouco de fôlego para ser um pouco mais ousado, como você descreveu há pouco. Agora, Daniel, dois recados aqui para viajantes. Primeiro, se você tem um cruzeiro marcado para cruzar o Estreio de Hormuz.

Atenção, talvez a sua viagem possa ser interrompida, é possível que você tenha algum problema. O segundo recado é para onde quer que você viaje, leva a Insider Store com você. Os produtos da Insider são incríveis para viajar. Aliás, eu falava no início desse episódio, Daniel, tivemos feriado nessa terça, quinta-feira é feriado no Rio de Janeiro. Então é sempre uma oportunidade para viajar. E para essas viagens curtas, Daniel, a Insider Store é perfeita. Ela serve para qualquer clima.

Então, tudo na Insider Store te permite essa flexibilidade. Então, uma roupa mais leve para um lugar quente, se você precisar de casaco, tem também. Se você quiser uma calça, tem também. Se você quiser meia, tem também. A Insider Store é muito versátil e para levar para a viagem é incrível. Você está falando de roupas tecnológicas de altíssima qualidade, que ocupam pouco espaço. São roupas térmicas, fáceis de lavar.

não amassam, quer dizer, elas até amassam, mas elas desamassam no corpo com enorme facilidade, não deixam mal cheiro, então é a melhor pedido se você for fazer uma viagem, então mesmo que você queira fazer o estreito ali, fazer um cruzeiro ali por homus, né Daniel, sabe, sei lá, tem gente que quer, né Daniel, leva a roupa da Insider porque vale a pena, 15% de desconto com o link que está na descrição desse episódio caso seja a sua primeira compra, se você já for cliente, 10%, imperdível, link na descrição desse episódio, Daniel.

Olha, Tanque, eu já passei pela experiência de levar as roupas da Insider Store numa viagem, é espetacular. Primeiro porque as roupas acabam sendo levíssimas. Elas também são versáteis, elas também acabam tendo muita tecnologia, desamassam no corpo e você tem ali a possibilidade de usar em diferentes situações. Então fica aqui a nossa recomendação.

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e que é mais um elemento de preocupação para Donald Trump. A gente sabe, Daniel, que no início do mandato dele havia uma grande aprovação nos Estados Unidos a medidas mais duras de controle à migração. Então, assim, o cara está nos Estados Unidos sem documentos e tal. Meu amigo, manda esse cara embora. É isso. Havia uma tolerância bastante grande a esse tipo de proposta.

E esse cenário começa a virar, Daniel. 52% dos americanos afirmaram ser menos propensos a votar em candidatos que apoiem a abordagem de Trump nas deportações. E apenas 42% mantém...

o apoio. Antes, você tinha um cenário que era praticamente o inverso. Você tinha uma aprovação muito grande, a gente estava falando de cerca de 50%, apoiavam medidas duras de deportação e esse número agora, portanto, ele cai para apenas 42%. Então, dessa maneira, Daniel, a gente começa a ter, inclusive, republicanos

que começam a flexibilizar um pouco a sua postura, uma tentativa, claro, até de se descolar da imagem do presidente. Essas deportações são sempre muito ligadas à imagem do presidente. A gente teve alguns eventos que marcaram muito a opinião pública americana, os dois americanos foram mortos. Você teve um padre que recentemente foi alvo também de ações bastante duras por parte do ICE. Então a gente teve, por exemplo, Daniel, uma deputada republicana da Flórida chamada Maria Elvira Salazar.

obviamente da comunidade latina, da Flórida, que está liderando uma ala que busca suavizar o tom, promovendo leis que legalizem imigrantes sem antecedentes criminais. E aí, olha que curioso, né? Você tem os republicanos que, no início do mandato de Trump, durante a última campanha eleitoral e tudo, diziam, não, se o cara não tem documento, ele tem que ser deportado.

E, portanto, a gente tem que parar de legalizar essa galera. E você começa a ter, a partir de agora, deputados republicanos que começam a dizer o seguinte. Se o cara é indocumentado e não tem antecedentes criminais, esse cara tem que ser legalizado.

o que acaba sendo um tiro pela culatra para as pretensões de Donald Trump. Ele pode acabar com a postura dele incentivando mais legalizações, ao invés de mais deportações. Então, Daniel, a gente tem um cenário que se soma, naturalmente, a uma situação de inflação, de uma guerra no Golfo, que parece que o governo americano está meio perdido, dá uma sensação, passa uma sensação de ter entrado numa furada.

de ter uma certa submissão a Israel, isso é algo que nos Estados Unidos também não tem sido muito legal, muito bem visto em nome do governo, e obviamente você ainda tem essa questão das deportações, então é um cenário que Donald Trump vai ter alguns meses para tentar reverter, mas nesse momento é um cenário bastante difícil, a possibilidade dele perder.

As duas casas, tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados, não é pequena, Daniel. Tanguy, nessa próxima pauta, eu quero mostrar um pouco como prever o que vai acontecer no mercado de energia ao longo dos próximos tempos está muito difícil e com opiniões, inclusive, divergentes.

com pessoas bastante bem informadas em relação a esse mercado. O Dom Jorgensen, que é da Comissão de Energia da União Europeia, nessa quarta-feira, ele declarou que essa é uma crise provavelmente tão grave quanto as crises de 1973 e 2022 combinadas.

ou seja, na prática se está falando da crise energética mais grave da história, na avaliação dele, ele destaca que essa crise deve ter efeitos durante alguns anos, e ele destaca também que a crise é particularmente grave no mercado de gás. Ele disse isso hoje, acho que ele ouviu o Petit Jornal ontem, falamos sobre isso aqui no Petit Jornal ontem, ele destacou que o Catar pode levar até dois anos ou até mais.

para reconstruir a infraestrutura de gás que foi impactada pelo conflito. A gente também já falou sobre isso aqui no Petit Jornal em uma outra oportunidade. Consequentemente, não há expectativa de queda ou estabilização do preço do gás natural nos próximos dois anos, segundo ele. O que para a União Europeia é uma péssima notícia.

e acaba trazendo repercussões econômicas super importantes. A própria Alemanha, no dia de hoje, acabou reduzindo até a previsão de crescimento para esse ano pela metade, cortou pela metade a previsão de crescimento por conta justamente dessa crise energética no Oriente Médio. Por outro lado, Tanguy, quando a gente pega aqui o senhor Felipe Michel Billa,

que ele é um representante da Invest in African Energy, que é um representante justamente africano, ele representa uma entidade com parte importante das reservas de gás, ele destacou que se o conflito acabar agora, a recuperação é entre seis meses e um ano, quer dizer, é um prazo muito mais curto.

E uma coisa que ele destacou também, que me chamou a atenção, é que você tem uma tendência à substituição do gás por carvão. E há uma aceleração também de novas energias renováveis, o que poderia mudar permanentemente, na avaliação dele, o mercado de gás natural no planeta.

Na avaliação dele, os países africanos não conseguem ampliar a produção, apesar da demanda, salvem-se aí duas exceções, que são Argélia e Líbia. Dois países sobre os quais a gente já falou aqui no Pet Journal. Esses dois países teriam a capacidade de aumentar o fluxo de gás natural em direção à Europa.

A Argélia já tem feito isso de uma forma bastante clara. A Líbia tem ali problemas internos um pouco mais difíceis de serem gerenciados. E uma outra coisa que ele também destacou é que os Estados Unidos têm aumentado as suas exportações de gás. Ou seja, os Estados Unidos têm sido beneficiados. Portanto, Tanguy, é difícil.

Prever realmente quanto tempo você precisa para o mercado internacional se recuperar depois de encerrada a guerra, a guerra que ainda não se encerrou, mas está muito claro que o mercado de gás vai ser muito mais impactado do que o mercado de petróleo por conta do Qatar em particular e também por uma questão logística, é muito mais difícil realmente.

você transportar gás do que você transportar petróleo. E essa recuperação deve ser um pouco mais lenta e trazer repercussões importantes de curto, médio e longo prazo na medida em que alguns países devem pensar em alternativas ao gás como matriz energética ou como fonte de energia.

E Daniel, aproveitando que você está falando sobre gás natural, a gente teve um avanço, uma mudança, na verdade, no cenário de gás natural para o leste europeu. Até algum tempo atrás, Daniel, a gente trouxe aqui a notícia de que a Ucrânia dizia o seguinte, olha, o oleoduto que liga a Rússia até o país do leste europeu, principalmente a Hungria e a Eslováquia, que é o gasoduto Drusba, é um gasoduto da década de 60, Daniel, soviético, ele foi danificado.

uma pena foi danificada, a Rússia fez um ataque aqui e danificou, o petróleo não está podendo passar. Uma pena, gostaria muito de vender para você, gostaria muito de permitir que esse oleoduto levasse petróleo da Rússia em direção à Hungria, mas não está dando porque, afinal de contas, o aliado de vocês, a Rússia, destruiu aqui uma parte do ramal e eu estou tentando reconstruir.

A Hungria, Daniel, vinha denunciando, tanto a Hungria quanto a República Tcheca, quanto a Eslováquia, perdão, vinha denunciando que, olha, isso é mentira. Isso aí, a Ucrânia, ela está querendo punir a gente pelo fato de que a gente é, de uma certa maneira, próximo à Rússia. Foi só o Viktor Orbán perder as eleições, Daniel, que, de repente...

Ah, e o oleoduto ficou pronto. Então, o Zelensky anunciou que, olha, ótima notícia, conseguimos finalmente consertar o oleoduto, vocês vão voltar a receber aí o petróleo, exatamente na semana, aliás, Daniel, na qual você aprova, por parte da União Europeia, aquele pacote de 90 bilhões de euros em ajuda à Ucrânia, sem a oposição da Hungria.

Então a Hungria fez o meu jogo, de repente o oleoduto apareceu consertado. Então é uma jogada dupla, né, Daniel? Ao mesmo tempo em que você tem o reparo desse oleoduto e o petróleo volta a fluir, você tem também o pacote de ajuda de 90 bilhões de euros para a Ucrânia. Claro que a Rússia, Daniel, está olhando para isso e está falando assim, pô, vocês estão achando que eu sou besta, né? Porque agora a Ucrânia vai receber essa grana e vai ficar contra mim.

Aí a jogada da Rússia foi a seguinte, é a Rússia que administra o gasoduto Drusba, esse gasoduto, Drusba quer dizer amizade, tá, Daniel? A gente vê que toda uma grande irmandade, todo mundo muito amigo ali naquela região. Então o que a Rússia está dizendo foi o seguinte, ou Alemanha,

Você que está aprovando aí, né, esses 90 bilhões de ajuda para a Ucrânia. É o seguinte, puxa vida, eu estou vendo aqui meu cronograma e aquele petróleo que você quer comprar do Cazaquistão e que passa pelo meu território, você acredita que não vai dar para passar? É, puxa vida, uma pena mesmo. Então a Rússia bloqueou, Daniel, colocou lá na agenda que, olha, esse ano agora, o petróleo que sai do Cazaquistão em direção à Alemanha não vai poder passar.

E aí, olha o problema, Daniel. Isso afeta diretamente uma refinaria chamada Schwedt, que é uma refinaria alemã que abastece 90% do combustível de Berlim e da região de Brandemburgo. Sem o petróleo do Cazaquistão, essa refinaria vai perder cerca de 17% do seu suprimento anual. Então, a Rússia permite. Beleza. Vocês vão liberar aí. Então, o petróleo que sai da Rússia vai chegar.

na Hungria e na Eslováquia passando pela Ucrânia, mas agora também eu vou prejudicar a Alemanha. É a Alemanha que vai bancar uma boa parte dessa grana que vai para a Ucrânia e eu também vou bloquear o petróleo. Portanto, o cazaque não vai chegar, pelo menos com tanta facilidade, na Alemanha. Isso pode gerar um problemáceo do ponto de vista energético. A Alemanha vai ter que dar um jeito de repor isso, mas pelo menos uma dor de cabeça o Putin vai arrumar para a Alemanha, Daniel.

Só registrando rapidamente que a expectativa de crescimento para a Alemanha, segundo o próprio governo alemão, ela foi revista. Caiu de 1% para 0,5% em 2026.

e caiu de 1,3% para 0,9% em 2027. E a inflação desse ano, a expectativa de inflação, subiu de 2,2% para 2,7%. Reflexo direto dessa crise em Hormuz, que faz com que, na prática, a economia que é a grande locomotiva da Europa e a grande locomotiva da Europa.

desacelere a sua expectativa de crescimento e aumente a sua expectativa de inflação. Aliás, tem muitos elementos também que contribuem ali por um certo mau humor em relação à economia alemã. Tem muitos analistas apontando a questão da carga tributária relativamente elevada, energia cara, excesso de burocracia. Consequentemente, a Alemanha precisaria passar por um processo reformista até para tentar buscar um novo caminho.

depois que ela passou a ter problemas nos pilares do seu crescimento. Crescimento que era baseado em exportações e energia barata. A energia ficou caro e as exportações ficaram mais difíceis em função de mercados importantes que se fecharam.

Daniel, na janela da Shakira de hoje, eu queria pedir para os nossos ouvintes pegar um caderninho para aprenderem a nova matemática. A matemática antiga, Daniel, ela ficou ultrapassada. E temos agora uma nova forma de fazer cálculo. Você poderia, por favor, Daniel, explicar os pilares dessa nova matemática? Perfeitamente, Tanguy.

Anotem, gente, na Geleia da Chaquena de hoje aprenderemos sobre uma nova regra, uma regra diferente da que nós estamos acostumados. Afinal, em depoimento no dia de hoje ao Comitê de Finanças do Senado, Robert F. Kennedy Jr., que está atuando como secretário de Saúde, seria o equivalente à ministra da Saúde nos Estados Unidos, ele tentou justificar uma afirmação do presidente Donald Trump sobre descontos em medicamentos.

O Donald Trump havia dito que, como o remédio saiu de 600 dólares para 10 dólares, foi uma redução de 600%.

É isso, uma redução de 60%. O Kennedy acabou dizendo que o Donald Trump usa uma forma diferente de calcular, que ele tem uma matemática muito particular. E o que acabou acontecendo foi que a senadora Elizabeth Warren, de maneira muito paciente, disse ao secretário, muito entre nós, matemática é uma só, só existe uma matemática.

Se sair de 600 dólares para 10 dólares, a redução foi de 98%. Se sair de 600 dólares para zero, o senhor secretário, a redução foi de 100%. Não tem como ser uma redução maior que 100%, secretário, porque se sair de 600 para zero é 100%.

essas pessoas estão governando a maior potência do planeta. Esse camarada está tentando dizer na minha cara que o Trump reduziu o preço de um medicamento em 600%. Eu disse 600%. Quando isso é tecnicamente impossível, pelo amor de Deus, é o presidente. Aí o secretário poderia dizer, não, o presidente se equivocou, imagina, é uma redução de 98%, que é muito expressiva.

Mas eles precisam puxar o saco do chefe. E para puxar o saco do chefe, tem que dizer, não, é 600% mesmo de redução, 600% que a matemática do Trump é diferente, porque o Trump é o cara especial, porque o Trump é o cara genial. E o medicamento caiu 600% de preço no caso do Donald Trump. Ah, eu estou realmente indignado com essa violação das regras da matemática, aliás, regras tão elementares que envolvem aí uma simples porcentagem.

Daniel Souza, qualquer que seja a matemática, se a pessoa acessar peticursos.com.br vai ver que está de graça, viu, Daniel? Pô, está muito barato, Daniel. Se você acessar lá para você se tornar aluno do Peticursos, você paga barato.

para ter acesso a aulas que são produzidas toda semana, há seis anos, né, Daniel? A gente vai completar seis anos desse projeto daqui a pouquinho, com conteúdo que fala exatamente sobre temas muito atuais. A gente está falando sobre temas que ajudam a construir uma boa parte do entendimento acerca do que está acontecendo agora, inclusive.

A gente está rodando um curso nesse momento exatamente sobre o Oriente Médio, falando muito sobre as decisões dos Estados Unidos, por que o regime iraniano não caiu, por exemplo, qual foi o racional dos Estados Unidos ao fazer esse ataque lá contra o Irã, ao fechamento de Hormuz. Todos esses são temas que a gente trata, que a gente aborda por lá, além de vários outros temas sobre outras regiões. Acesse lá, dá uma olhada, o percentual que você vai encontrar de desconto, aliás, para o plano anual.

conta, gente, feita por Daniel Souza, não por Donald Trump. Então você vai encontrar uma precisão ali maravilhosa com a matemática tradicional, não a nova matemática. Acesse lá peticursos.com.br Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petornal, vocês que são absolutamente

fundamentais para a continuidade do nosso projeto. Porque tinha uma mídia pequena, é uma mídia artesanal e precisa muito da ajuda de nossos apoiadores. E por isso sempre registramos aqui o nosso agradecimento. Fica o nosso muito obrigado, nosso abraço, nosso carinho a cada um de vocês. Fica também o convite, se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, é uma forma prática, instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon, que acaba sendo uma ótima alternativa para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.

Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

Acesse www.petijornal.com.br

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