Mercado sem referências - Invest 111
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Neste episódio do Petit Invest, analisamos a mudança estrutural nas tendências do mercado global, marcada pela perda de valor do dólar e pela diversificação progressiva dos fluxos de capital para fora dos Estados Unidos. Discutimos como a crescente incerteza sobre a postura futura de Washington, especialmente em termos geopolíticos e econômicos, tem levado investidores a buscar alternativas, reduzindo a centralidade americana no sistema financeiro internacional.
Também exploramos as implicações dessa transição para a economia mundial, incluindo volatilidade cambial, redefinição de ativos considerados seguros e possíveis rearranjos no equilíbrio financeiro global. O episódio discute se os Estados Unidos deixam de ser uma referência absoluta de segurança e quais os riscos e oportunidades associados a um mundo com múltiplos polos financeiros.
#Mercados #Dólar #EconomiaGlobal #Investimentos #PetitInvest
- Mudanças no mercado globalDiversificação de investimentos · Valorização do real · Incerteza econômica · Descentralização do dólar · Política externa dos EUA
- Impacto da Política dos EUAEleições nos EUA · Relações internacionais
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Petit Invest número 111. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 9 horas e 28 minutos da sexta-feira, 17 de abril de 2026.
Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, o Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15%, mas aguardando reembolso do excesso de tarifas que foram praticadas nos últimos meses.
E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos falar um pouco sobre o ambiente de negócios, a dinâmica de investimentos internacional. Esse é o Petinvest, espaço de toda sexta-feira aqui no Petjornal. Tudo bem, professor Bagdad? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para mais um Petin Veste, fechando a semana, a semana regular, a semana regulamentada, Daniel Souza, sem acréscimos, sem saber ali o que vai acontecer ao longo do final de semana, mas a princípio, esse é o nosso último episódio da semana, deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está junto com a gente, todo mundo que nos acompanha, todo mundo que se inteira, né, Daniel, do que está acontecendo na política e na sexta-feira, na economia.
junto com a gente aqui no Petit Jornal. Um prazer ter vocês aqui junto com a gente. O nosso episódio hoje é sobre incerteza, mas eu queria falar sobre uma certeza, Daniel Souza. A certeza é que nós estamos, nesse mês agora, no aniversário da Insider. E aí, Daniel, quando você faz aniversário, tem sempre aquela ideia de você pensar na trajetória, tudo que aconteceu até aqui. E, de fato, a Insider, Daniel, ela...
tem produtos que são testados, ajustados, você tem repetição, você tem validação, você ouve feedback e tal, até você chegar no melhor produto, que é exatamente o que é entregue para os clientes da Insider Store. Aliás, tem um link na descrição desse episódio aqui que te dá desconto e no aniversário da Insider Store você ganha ainda mais de vantagem. Aliás, está cheio de brinde, viu, Daniel? É realmente festa para todo mundo, porque a Insider Store tem, de fato, uma coleção cada vez maior, cada vez mais diversificada.
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Daniel, a gente vem falando ao longo das últimas semanas que o mercado internacional está em maus lençóis ao longo dessas últimas algumas semanas.
pelo fato de que ninguém tem um referencial muito claro acerca do que está acontecendo. O dólar ainda é referência, não é mais. Qual é o preço do barril do petróleo? O barril do petróleo bate 110, depois volta para 90. Como é que você está vendo isso, Daniel? A impressão que eu estou, e eu queria te ouvir sobre isso, é que nós temos um mercado que, nesse momento, está sem referencial. A gente não sabe exatamente no que confiar para conseguir imaginar como é que vão estar as variáveis econômicas daqui para frente. Me explica.
É verdade, Tanguy. Nós estamos vivendo um período, no mínimo, curioso. Afinal, quando a gente observa justamente as movimentações no sistema financeiro internacional, o que a gente acaba observando é uma queda do valor do dólar.
Por que eu digo que isso é curioso? Porque, historicamente, sempre que nós tínhamos momentos de incerteza, o que as pessoas faziam? Corriam para o dólar, buscavam segurança na moeda americana, e a moeda americana acabava se valorizando. Só que o que nós temos observado nesse ano de 2026 é o contrário disso. A gente tem observado um processo onde, diante desse elevado grau de incerteza, que, num certo sentido, tem relação direta com a política externa dos Estados Unidos,
as pessoas estão abrindo mão de dólares e estão buscando refúgio em outras moedas. Não há um substituto claro do dólar no sistema financeiro internacional. E, portanto, o que tem acontecido é um processo de diversificação. A gente observa que tem havido uma saída de recursos dos Estados Unidos, e essa saída de recursos dos Estados Unidos tem ido para diferentes lugares.
A gente tem observado uma valorização do real em relação ao dólar, do euro em relação ao dólar, da libra em relação ao dólar. Até a Argentina tem conseguido fazer algumas compras de dólares nos últimos tempos diante de um cenário onde os dólares deixam os Estados Unidos. É claro que os Estados Unidos continuam concentrando a maior parte do mercado de capitais global e vão continuar concentrando durante muito tempo.
Mas uma pequena saída de recursos do mercado de capitais americano em direção a outros países já é suficiente para que você tenha aumento na bolsa de valores, para que você tenha valorização das moedas que estão recebendo esses recursos, o que é algo diferente do que historicamente nós tínhamos.
Aliás, muitos dos investimentos acabavam sendo redeados em dólar, protegidos em dólar. Então, você fazia um investimento, se algo desse errado, você tinha o dólar para minimizar as perdas daquele investimento arriscado que você tinha realizado. E hoje, como o dólar não está mais sendo visto com a mesma segurança que no passado,
o que acaba acontecendo é que ninguém sabe como se redear, ninguém sabe como se proteger. E se você não sabe como se proteger, o que você faz? Espalha o dinheiro. Coloca o dinheiro em vários mercados ao mesmo tempo, porque isso, pelo menos, dilui o seu risco. A gente está vivendo um momento muito curioso. E a gente não sabe se isso é uma inflexão, mas não sabe como se proteger.
definitiva e, consequentemente, a gente vai caminhar em algum momento para um ponto de não retorno, ou a gente está falando de um ponto fora da curva. Em algum momento, o dólar acaba recuperando uma parte, pelo menos, de sua credibilidade e a capacidade de estabelecer segurança. E algo me diz, Tanguy, que a definição de qual dos dois cenários nós vamos vivenciar vai ter relação direta com a política externa dos Estados Unidos.
Agora, se eu estou entendendo o que você está falando, Daniel, a gente está vendo um período curioso no qual não há um efeito de manada, né? Porque isso é uma coisa muito comum. Você tem uma crise, todo mundo vai na mesma direção. E aí tem um determinado ativo que sobe muito. Então, tem uma crise, todo mundo vai em direção ao dólar. Tem uma crise no dólar, todo mundo vai em direção ao ouro. Ou então, todo mundo corre em direção a um determinado mercado que pareça mais promissor.
Nesse momento, aparentemente, a gente não tem uma direção clara e, portanto, não há um efeito de manada.
Isso tem um lado positivo também, né? Você acaba tendo uma fluidez um pouco maior econômica sem o risco de você criar bolhas. Estou correto nesse raciocínio? Está correto. A gente tem tido uma fluidez um pouco maior e tem tido essa diversificação na circulação de recursos. E como eu dizia há pouco, tem que ter peso chileno se valorizando em relação ao dólar, peso argentino se valorizando em relação ao dólar real se valorizando em relação ao dólar.
É o dinheiro circulando e se espalhando um pouco pelo sistema financeiro internacional. Claro, tem países que têm recebido mais, tem países que têm recebido menos, mas, de qualquer maneira, é um momento novo, porque você não tem esse efeito de manada. O efeito de manada envolve uma concentração no movimento. E o que a gente está vendo aqui é justamente o contrário, a gente está vendo uma desconcentração nesse movimento.
Uma coisa precisa ficar muito clara. Eu não estou dizendo de forma alguma que o dólar deixou de ser a moeda hegemônica ou a principal referência do sistema financeiro internacional. Eu não estou dizendo que o mercado de capitais deixou de representar uma brutal concentração de recursos nos Estados Unidos. O que eu estou dizendo é que a gente está vivendo um momento novo onde, em um momento de insegurança, em um cenário de insegurança, as pessoas estão buscando segurança.
longe do dólar. Elas estão se desfazendo de dólares. Não é num efeito manada, não é numa situação realmente avassaladora, mas é um movimento constante que vai sendo feito, que vai levando a um reposicionamento. No Brasil, a gente está experimentando isso. A Bovespa está batendo recorde. O dólar está caindo. Isso são dólares que estão entrando no Brasil, em grande medida provenientes dos Estados Unidos, num processo de desconcentração.
É pouco para os Estados Unidos esse movimento de saída, mas para o Brasil é muito dinheiro entrando. Para o Chile é muito dinheiro entrando. Para a Coreia do Sul é muito dinheiro entrando. E isso realmente é algo que chama demais a atenção, porque a gente não sabe se a gente está falando de um novo oceano, quer dizer, a gente não vai ter volta, a gente agora vai caminhar realmente para esse novo mundo, ou se em algum momento lá na frente o dólar consegue recuperar mesmo que imparte um pouco da sua credibilidade. Obrigado.
O que dá para afirmar é que a gente está navegando por mares nunca antes navegados, pelo menos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Agora, se o dólar está ficando mais arriscado, né, Daniel, e a impressão que dá é essa, as pessoas também, os investidores, os mercados, de uma forma geral, estão aceitando mais risco, né? Porque eu estou tirando dinheiro de um...
de um mercado que era considerado o ápice da segurança, que era o mercado americano, que era o dólar e tudo, e estou aceitando colocar esse dinheiro em outros mercados que são menos seguros do que eu gostaria antes. Você acha que essa é uma tendência também? A gente passa a ter mercados, na verdade, uma aceitação maior à insegurança, ou uma segurança um pouco menor do que havia antes? Eu acho que a percepção de insegurança é que mudou, Tanguy. Antes você considerava que a segurança estava nos Estados Unidos.
Hoje você considera que estar concentrado excessivamente nos Estados Unidos é inseguro, e não seguro, como no passado. A busca por segurança no atual momento tornou-se sinônimo de espalhamento dos recursos.
Como eu não tenho uma alternativa aos Estados Unidos, como eu não tenho uma alternativa real ao dólar, eu vou espalhar o dinheiro. É dessa maneira que eu vou buscar segurança. Ou seja, não me parece que as pessoas estão aceitando mais risco. Me parece que elas estão mudando a percepção do que é seguro e do que não é seguro.
Até bem pouco tempo atrás, segurança era colocar dinheiro nos Estados Unidos, a maior quantidade de dinheiro possível, mesmo na crise de 2008, mesmo em crises recentes. Nós observamos um processo de valorização do dólar e de migração de recursos em direção aos Estados Unidos. Mas, no atual momento, o que a gente está vendo não é isso. O que a gente está vendo é um movimento de saída de recursos dos Estados Unidos.
numa quantidade que, para o tamanho da economia americana, não é tão grande assim, mas é um movimento que é incontornável. E, de novo, no sistema financeiro internacional, todo mundo sempre se redeou no dólar, se protegeu no dólar. E agora não está mais se protegendo no dólar. Isso cria realmente um ambiente onde, caramba, então a gente vai ter que repensar. Como é que vai ser daqui para frente?
E isso tem relação direta, claro, com a política externa dos Estados Unidos, tem relação direta com uma certa hostilidade que o governo americano tem representado em relação a vários países do mundo e a importantes aliados. E uma coisa que a gente escutava durante muito tempo, né, Daniel? Eu queria te ouvir sobre isso também.
era que no momento em que o mercado americano começasse a ser um pouco menos popular, isso se daria para uma certa migração de investimentos em direção a grandes potências ascendentes, como China e Índia. Esse é um movimento que você tem visto, Daniel? Então esse dinheiro que está saindo dos Estados Unidos, eu entendi, você já falou que ele está se espalhando, está vindo para o Brasil, está indo para outros países da América Latina, está indo para outros mercados.
Mas você está vendo uma concentração dessa grana que sai dos Estados Unidos indo em direção principalmente à China e Índia, Daniel, que são duas referências asiáticas? Não, não vejo essa excessiva concentração, não. Porque, na prática, isso significaria uma substituição dos Estados Unidos em relação a esses importantes mercados emergentes.
Existe muita insegurança realmente em relação à China, em relação à Índia. Claro que você considera que tem potenciais esplendorosos de crescimento, de desenvolvimento e, consequentemente, tem uma importante capacidade de atrair investimentos. Mas ninguém consegue olhar para a China e para a Índia no presente momento e pensar, puxa, está aí.
Eu acho que o dinheiro que estava nos Estados Unidos agora pode ir para a Índia. O dinheiro que está nos Estados Unidos acho que pode ir para a China. Dentro de uma estratégia de diversificação, isso faz sentido. Mas eu não vejo uma tendência à substituição, como você sugereu. Eu não classificaria dessa forma.
Mas o grande desafio é entender realmente para onde nós estamos indo. Ninguém sabe, a bem da verdade, ninguém sabe, ninguém é capaz de cravar o que acontecerá num futuro não muito distante no sistema financeiro internacional. O que nós somos capazes de observar é o que está acontecendo hoje.
E o que está acontecendo hoje é um movimento de desconcentração gradual de recursos no mercado de capitais dos Estados Unidos e um espalhamento desses recursos por outros mercados ao redor do mundo, o que está gerando um movimento importante em câmbio, o que está gerando um movimento importante em bolsas de valores e em diferentes tipos de ativos. Isso significa um enfraquecimento da hegemonia americana em termos financeiros?
Sem dúvida. Isso é reversível? Até é, mas dependeria de alguns movimentos mais fortes por parte dos Estados Unidos que nós não sabemos se acontecerão. Esse é um comentário, aliás, que você vem fazendo há algum tempo, né, Daniel? Que se os Estados Unidos fizerem o mínimo de esforço...
a galera volta, né? Tá todo mundo doido pra voltar a uma previsibilidade, a saber como é que funcionava. Eu já conheci as regras, eu já sei como é que a coisa funcionava e tudo. E as pessoas, elas são dores pra entenderem que tudo que aconteceu nos últimos dois ou três anos foi apenas um pesadelo, foi apenas um momento ruim, mas tudo vai voltar a ser como era antes.
porque eu gostava daquela segurança que era o dólar. Não sei se volta exatamente para o cenário que era antes, mas pelo menos para algo parecido, né, Daniel? Pelo menos um vislumbre de alguma segurança, de alguma ordem que existia anteriormente. Não sei se você concorda com isso. Com certeza, Tanguy. Aliás, a gente pode até observar que esse movimento de saída dos Estados Unidos não é um movimento violento, ele não é um movimento abrupto, ele é um movimento gradual.
E isso mostra uma certa resistência dos agentes econômicos em abandonar os Estados Unidos. É como quem diz, cara, vou ter que sair mesmo, vou ter que ir para esse mundão, que coisa perigosa, eu não sei como é que esse mundo funciona. Ter os Estados Unidos como referência é tão quentinho, tão confortável. Puxa, eu vou ter que ir para o Brasil, para a Chile, para a Índia, para não ser, meu Deus do céu, vou ter que ficar circulando nesse monte de lugar.
com o meu dinheiro, esse monte de lugar instável, esse monte de lugar imprevisível. A intensidade do movimento, inclusive, Tang, me sugere isso. Me sugere que as pessoas vão porque elas percebem que é necessário, mas vão com dor no coração.
Vá Milton, pô, eu tô indo, eu tenho que ir, vamos devagar, né? Vai que no meio do caminho os Estados Unidos voltam, vai que os Estados Unidos reaparecem, vai que os Estados Unidos dizem, pô, foi mal, tava doidão, tô de volta e tudo será como antes. Existe ali realmente um certo sentimento.
Me parece, nesses agentes econômicos, de tentar restabelecer algum grau de previsibilidade. Isso não é uma coisa pró-americana, não é uma coisa... nada disso. É apenas a percepção de que ter o previsível é melhor. O ser humano gosta de previsibilidade.
Ter previsibilidade é algo importante. Os Estados Unidos são o quarto do PIB do planeta. Ainda são, a maior potência militar, etc. Bem ou mal, eu conheço, ou pelo menos conhecia os Estados Unidos, achava que conhecia. E por isso, muita gente gostaria, adoraria que os Estados Unidos voltassem a ser esse porto seguro para que as contas ficassem mais fáceis, os redes ficassem mais fáceis e você voltasse ali um pouco à programação normal.
Perfeito. Daniel Souza, a gente vai continuar acompanhando esse movimento todo de transformação pelo qual a gente tem navegado ao longo das últimas semanas, talvez do último ano, né, Daniel? Desde que Donald Trump chegou à presidência ou voltou à presidência, a gente tem um movimento de mudança que parece bastante claro. Vamos ver se isso vai continuar. Temos eleições de meio de mandato nos Estados Unidos agora no início de novembro.
Isso pode mudar bastante o cenário nos Estados Unidos. Não dá para saber se a situação fica melhor ou pior.
sabe-se lá, mas tudo isso vai ser acompanhado aqui no Petit Jornal. Deixo aqui o agradecimento a todo mundo que acompanhou a gente em mais esse episódio, segunda-feira de manhã. Estamos de volta com mais um bate-papo. Daniel Souza, um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse
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