Episódios de Petit Journal

EUA batem recorde de exportação de petróleo - BP 1058

16 de abril de 202632min
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Os Estados Unidos atingem um novo recorde de exportação de petróleo, reforçando seu papel como grande fornecedor global em meio à crise no Oriente Médio. No episódio analisamos como esse movimento se conecta com a estratégia de Washington, ao mesmo tempo em que Donald Trump afirma que o conflito pode ser resolvido em 48 horas e o Paquistão tenta retomar negociações entre EUA e Irã. Também discutimos a ameaça americana de restabelecer sanções contra o petróleo russo e iraniano, ampliando a pressão sobre o mercado energético.
Abordamos ainda mudanças estruturais em outros países, como o Japão, que flexibiliza regulações para voltar a exportar armamentos, e os impactos políticos nos Estados Unidos, com J.D. Vance enfrentando críticas da base anti-guerra do trumpismo.
Na América do Sul, a eleição no Peru ganha nova dinâmica com o avanço de um candidato de esquerda. Na Geleia da Shakira, o Irã viraliza ao usar inteligência artificial e referências pop para ironizar Donald Trump com a música “Voyage, voyage”.
#Petróleo #EstadosUnidos #Geopolítica #OrienteMédio #Mercados
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Exportação de PetróleoRecorde de exportação · Dependência do Oriente Médio · Impacto na inflação · Produção de gás natural
  • Conflito Oriente Médio e AviaçãoNegociações EUA-Irã · Bloqueio do Estreito de Hormuz · Ameaça de sanções
  • Japão - Potência EmergenteExportação de armamentos · Indústria armamentista japonesa
  • Eleições PeruCandidatos de esquerda · Keiko Fujimori
  • Inteligência artificial e desinformação políticaParódia do Irã com Trump
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1058. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 26 minutos da quarta-feira, 15 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de corta em guia e vírgula...

O baguidade é animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e preocupado. Muito preocupado com esse cenário internacional. Extremamente pantanoso, imprevisível e incerto. Mas estamos aqui para juntos seguirmos neste ano bastante complexo, onde juntos temos condições de tentar entender um pouco melhor o que está acontecendo e para onde estamos indo.

E temos também Daniel Souza, que é isso que eu vos falo. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. O professor Pagdad, eu estava vendo aqui no descritivo desse magnífico episódio, tem um e-mail. Para que serve esse e-mail? Tudo bem, Daniel Souza, com S. Como vai você? Tudo bem com você? Como é que vai essa força? Opa! Tudo certo?

Daniel Soares, esse meio, vamos imaginar assim, cenário complicado, guerra, crise, problemas e tal. E, eventualmente, Daniel, você pode querer contratar o Petit Jornal por uma parceria tanto de patrocínio aqui no Petit Jornal quanto de palestra. Se você quer levar o Petit Jornal para dar uma palestra na sua empresa, a gente está com a agenda aberta. Vai ser um prazer.

Está com você, mas a única coisa que você tem que fazer é entrar em contato com a gente. Como? Por e-mail. Então está lá o e-mail, conversa com a gente que a gente consegue fazer algo que seja personalizado para suas necessidades, para eventualmente o desafio que você esteja passando, naturalmente com algo ligado ao escopo do que a gente costuma trabalhar aqui no Petijonal.

Acaba sendo muito bacana porque a gente consegue oferecer o cenário internacional e o impacto sobre o negócio da empresa em particular, do setor em particular. A gente consegue efetivamente oferecer uma grande customização. Então, e-mail no link do descritivo desse episódio. Manda um e-mail para a gente que a gente conversa.

É isso, Daniel Souza, queria dar as boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente aqui. Mais um dia, né, Daniel? Mais um dia de tropeços nesse mundão de meu Deus. Um abraço aí para todo mundo que está acompanhando a gente no YouTube, pessoal que acompanha a gente pelo podcast. E Daniel, surpreendendo ninguém...

Os Estados Unidos estão sendo beneficiados por uma ação que eles mesmos tomaram, que está jogando o mundo na lama, mas eles estão vendendo mais petróleo do que nunca. Me conta, Daniel, o que está acontecendo? Exatamente isso, Tanguy. Aliás, nós já havíamos cantado essa bola aqui no Petit Jornal, já havia essa expectativa.

Os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo do planeta, é algo que às vezes a gente esquece. Os Estados Unidos são exportadores líquidos de petróleo, ou seja, exportam mais do que importam. Os Estados Unidos não têm mais a dependência que já tiveram no passado de importação de petróleo.

incluindo o próprio Oriente Médio. Aliás, tem muita gente nos Estados Unidos que defende que os Estados Unidos deveriam se afastar do Oriente Médio, já deveriam ter se afastado há muito tempo do Oriente Médio e deveriam estar focando no Pacífico e na contenção da China de maneira mais assertiva. Mas, na semana passada, nós tivemos as exportações de petróleo dos Estados Unidos atingindo um novo recorde.

Na semana passada, os Estados Unidos exportaram 5,2 milhões de barris por dia. Uma alta de mais de 1 milhão de barris por dia em comparação à semana anterior. Ou seja, uma alta bastante expressiva. Aliás, sempre que pode, o presidente Donald Trump gosta de lembrar a chineses ou todos aqueles que precisam de petróleo que estamos aqui, hein?

Olha lá, hein, se você está tendo dificuldade de importar petróleo de Hormuz, liga para mim que eu, Donald Trump, terei o maior prazer em aumentar a oferta de petróleo e enviar para você petróleo. Os Estados Unidos também têm uma capacidade grande de exportação de gás, o gás natural liquefeito, exportam inclusive para os europeus.

Os americanos foram ali uma alternativa desde a guerra entre Rússia e Ucrânia, a redução de importações de gás por parte dos europeus, redução de importações de gás provenientes da Rússia. E os Estados Unidos também têm uma capacidade grande de exportações.

de derivados de petróleo. Então, exportam diesel, exportam gasolina já refinada, o que também acaba gerando uma receita importante para os americanos. Os americanos, por exemplo, refinam muito petróleo do Brasil, o petróleo pesado da bacia de campos. O Brasil manda muito para os Estados Unidos e também manda muito para a China, que são países que têm uma capacidade de refino grande nesse tipo de petróleo. Agora, o...

Os derivados de petróleo, os combustíveis, continuam muito caros para o consumidor americano. A gente está falando de um galão de gasolina na casa de 4,10 dólares. A gente está falando de um diesel na casa de 5,60 dólares, o que acaba irritando bastante o consumidor americano e trazendo um desgaste para a popularidade do Donald Trump. Nesse sentido, é um duplo efeito.

De um lado, os Estados Unidos são prejudicados porque passam a ter mais inflação, passam a ter mais juros para conter essa inflação. Isso diminui o poder de compra do americano médio porque está gastando mais com combustível.

E, do outro lado, você acaba tendo um setor sendo beneficiado, que é justamente o setor de petróleo, as grandes empresas de petróleo dos Estados Unidos, que são importantes, que têm ali realmente uma rentabilidade alta. Lembrando que uma das promessas do Donald Trump era...

Baby Drill, ou melhor, Drill Baby Drill, era justamente a ideia de que os Estados Unidos deveriam furar mais poços de petróleo, deveriam extrair mais petróleo, deveriam produzir mais petróleo, e esse é um dos elementos, inclusive, que leva a uma certa diferença entre o comportamento chinês e o comportamento americano. O comportamento americano muito calcado realmente na produção de petróleo, espetacular, que cresceu muito nos Estados Unidos nos últimos anos.

Não precisa tanto de tecnologia verde, não precisa tanto estar preocupado com transição energética. Já os chineses, que importam energia, importam muita energia, muito petróleo, precisam sim estar preocupados com transição energética e diminuir a sua dependência de petróleo importado. E aí eles investem em eletrificação, investem em energia nuclear.

Acabam sendo referência em automóveis elétricos e também acabam formando enormes reservas de petróleo. Aliás, esse é um dos aspectos que fez com que o preço do petróleo não subisse tanto ao longo dessa crise nas últimas semanas. Ele poderia ter subido ainda mais se a China não estivesse com reservas de petróleo tão abastecidas.

Reservas que foram formadas ao longo dos últimos anos, mas que foram intensificadas no ano passado. Os chineses acabaram formando violentas, pesadíssimas, enormes reservas de petróleo, justamente para enfrentar momentos como esse. Outros países, como o caso da Índia, da Austrália...

da Indonésia, do Vietnã, esses não. Esses não têm reservas e acabam sendo muito impactados porque uma parte importante acabava vindo justamente do Oriente Médio. Mas, de qualquer maneira, a previsão que nós tínhamos feito aqui no Petit Jornal está se confirmando, os Estados Unidos experimentando esse duplo efeito.

que, aliás, em muito se parece com um duplo efeito sobre o Brasil também. O Brasil é um país que está sofrendo com a inflação, mas, ao mesmo tempo, está sofrendo com, ou melhor, está experimentando, está desfrutando de um aumento das receitas provenientes da exportação de petróleo. O próprio estado do Rio de Janeiro, que é o maior produtor de petróleo do Brasil,

voltou a ter resultados fiscais muito bons por conta justamente desse petróleo mais caro e dos benefícios fiscais que esse petróleo mais caro acaba proporcionando. Então, é um duplo efeito. Você exporta mais petróleo, ganha mais dinheiro vendendo mais petróleo, gera mais impostos com esse petróleo vendido, mas, por outro lado, você tem efeitos negativos sobre inflação, sobre juros, sobre crescimento econômico, sobre capacidade de consumo das pessoas.

Daniel Souza, você estava com saudade, eu tenho certeza, dos prazos dados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele tinha dado um prazo, que era que o Irã tinha que desbloquear o Estreio de Hormuz até o dia 6, que foi segunda-feira passada. Aí mexeu o prazo um pouquinho para lá, um pouquinho para cá, acabou sendo dia 7.

terça-feira, 8 da noite, horário de Brasília, 9 da noite, horário de Washington, tem que abrir e tal, não tem jeito, e depois a gente acabou tendo, de última hora ali, uma prorrogação desse prazo por duas semanas. Esse prazo de duas semanas, uma semana já foi.

E aparentemente a gente continua muito longe de algum acordo que abra o Estreio de Hormuz. De lá para cá a gente já teve uma rodada de negociações no Paquistão, que não deu em nada, pelo menos por enquanto. A gente também já teve os Estados Unidos dizendo que eles também vão fechar o Estreio de Hormuz.

Como, Daniel, a gente já passou da metade do prazo de duas semanas, e então, portanto, daqui a pouco menos de uma semana, os Estados Unidos, teoricamente, vão ter que devastar o Irã, essa era a promessa dos Estados Unidos, ele disse que está pensando na possibilidade de prorrogar por mais duas semanas o prazo, mas ele acha, Daniel, que nem será necessário.

Segundo o Donald Trump, nós teremos 48 horas surpreendentes. Isso ele falou, tem algumas poucas horas, umas 3 ou 4 horas que ele falou isso, mas teremos amazing two days. Serão dois dias muito surpreendentes porque estamos muito próximos de um acordo com o Irã.

A gente já entendeu, Daniel, que são palavras meio vazias, não tem nada de muito concreto. O Paquistão está tentando de tudo quanto é jeito recolocar as negociações no trilho. Hoje a gente teve, por exemplo, a chegada de um marechal de campo paquistanês chamado Asim Munir, que é o chefe do exército paquistanês e é o principal mediador desse conflito, que chegou a Teheran, levando uma delegação de alto nível, exatamente com o objetivo de tentar...

encontrar ali uma via para recolocar as negociações no caminho, para ver se as negociações podem voltar. Quando a gente fala sobre esse bloqueio dos Estados Unidos ao Estreio de Hormuz, Daniel, a gente teve um resultado que os Estados Unidos consideram muito promissor, que é que nas últimas 48 horas nenhum navio entrou ou saiu de portos iranianos. Isso aqui segundo os Estados Unidos.

O Irã diz que teve um superpetroleiro que conseguiu contornar o bloqueio e chegou, portanto, num porto iraniano, mas segundo os Estados Unidos, nas últimas 48 horas, nenhum navio apareceu. Agora, o Irã, Daniel, alertou que se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio, os seus aliados, os Ruts, vão interromper o tráfego, não apenas...

em Hormuz, mas também no Golfo de Oman, no Mar de Oman e no Mar Vermelho, Daniel. Estão dispostos a fechar o Mar Vermelho. E aí você fecha uma outra artéria importantíssima, né? Se você não consegue passar pelo Mar Vermelho, você não consegue chegar no canal de Suez, que é a ligação, né? Que leva, portanto, ao Mar Mediterrâneo. Então está todo mundo, Daniel, subindo um pouquinho mais o tom. O Irã fecha o Estreito, os Estados Unidos fecham o Estreito também, né?

Estabelece, portanto, um duplo fechamento. E agora a possibilidade de você fechar também.

o Golfo de Oman, o Golfo de Adem e também o Mar Vermelho. Então, tudo aquilo ali passaria a estar fechado, Daniel. E aí você manda, de fato, a economia internacional para as cucuias, mais uma vez. Ela é uma rota importantíssima, econômica, não apenas para a energia, para tudo que a gente possa imaginar. Então, esse fechamento também seria mais um elemento.

importante a ser lidado até aqui para frente. Então, enquanto você tem os Estados Unidos dizendo que não, mas 48 horas a gente vai conseguir resolver, não precisa nem prorrogar o prazo por mais duas semanas, você tem o Irã deixando claro que, olha, a negociação está muito longe de fechar, a gente está disposto, inclusive, a fechar não apenas o Estreio de Hormuz, mas também o Golfo de Adem, o Estreio de Babel e Mandeb e, portanto, o acesso ao Mar Vermelho também, Daniel.

No dia de hoje, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que é o equivalente ao ministro da Fazenda, o Scott Passant, ele trouxe uma série de informações que me parecem bastante relevantes. Em primeiro lugar, ele disse que os Estados Unidos informaram aos países que se estiverem comprando petróleo iraniano.

E também, se houver dinheiro iraniano em seus bancos, os Estados Unidos estão dispostos a impor sanções secundárias a esses países.

Além disso, ele também destacou que o governo americano está preparando uma ação que será o equivalente a um bombardeio financeiro contra o Irã. Ele explicou também dizendo o seguinte, olha, o grande erro do Irã foi bombardear seus vizinhos do Golfo Pérsico, que agora estão muito mais dispostos a serem transparentes sobre recursos em seus bancos.

Esse me parece um ponto importante. A gente não sabe até que ponto isso é verdade. Mas países do Golfo Pérsico, países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos, ao longo dos últimos anos, se tornaram ali um porto seguro.

para muita gente sancionada, para russos sancionados, para iranianos sancionados, como forma, inclusive, de atrair recursos que começaram a sair de países do Ocidente em função das crescentes sanções que eram impostas. Ele está dizendo aqui que esses países estariam dispostos a oferecer informações sobre o dinheiro que circula nos seus bancos.

Não tem como ter certeza. Me parece que seria um movimento muito ousado por parte desses países, porque poderia levar muita gente a tirar dinheiro desses países. Afinal, eles estavam oferecendo ali como elemento diferencial justamente esse sigilo. Sigilo que no passado os suíços, por exemplo, ofereciam, e agora claramente não oferecem mais, principalmente por pressões exercidas dos seus vizinhos.

europeus. Pode ser também que o Scott Passant esteja colocando um elemento de pressão sobre os países do Golfo. Como quem diz, ó, gente, conversamos sobre isso, e aí? Estou dizendo aqui que vocês estão pensando sobre isso. Vocês vão deixar barato o Irã? Ficou atacando vocês? Vocês vão deixar dinheiro iraneando, circulando aí nos bancos de vocês no Golfo Péssico? Acho que vocês deveriam fazer um gesto um pouco mais duro.

Outra coisa que o Bessentice é que o governo americano acredita que o bloqueio dos Estados Unidos em Hormuz causará uma pausa nas compras chinesas de petróleo iraniano. Ou seja, existe um cálculo ali. Ah, meu Deus, China, vai parar de comprar petróleo do Irã?

A China está cheia de reservas de petróleo, é capaz de aguentar muitos meses, mesmo com o estresse do diorrus fechado, como a gente, inclusive, destacava há pouco. E um outro ponto super importante é que os Estados Unidos pretendem não renovar.

as licenças temporárias para a Rússia e Irã exportarem petróleo sem sanções. Nós chegamos a falar sobre isso aqui no PetJornal algumas semanas atrás, que os Estados Unidos tinham relaxado sanções contra a Rússia e contra o Irã, justamente para tentar aumentar a oferta de petróleo no mercado internacional. E o Besant já disse aqui com clareza que esse relaxamento não será renovado e que as sanções voltarão a pleno termo.

contra a Rússia e contra o Irã, e argumentou que o preço do petróleo não subiu tanto quanto se previa. Passant não subiu tanto quanto se previa porque a China tem reservas. E ela conseguiu aguentar justamente toda essa pressão sem ter uma demanda voraz por petróleo, e ela está usando ali uma parte das suas reservas. Agora, isso não significa que o petróleo continuará barato por muito tempo, se a guerra continuar.

Aliás, você está falando sobre China, Daniel. Vou pegar a ponte e vou chegar no Japão. A dieta, que é o parlamento japonês, aprovou uma série de mudanças regulatórias que vão permitir, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, que o Japão exporte em larga escala equipamentos militares, incluindo itens letais, Daniel. O Japão...

Ele tem uma indústria armamentista, mas é uma indústria armamentista que serve para tanto o próprio Japão utilizar, quanto também para exportações em pequena escala. Então, são muitas vezes alguns poucos suprimentos e tal, mas há uma certa limitação. O Japão, tradicionalmente, se limita a uma série de mudanças regulatórias, de elementos regulatórios que limitam a capacidade japonesa de exportar armamentos.

Com essa mudança regulatória, Daniel, você passa a ter um novo mercado que se abre para a indústria do Japão. O Japão hoje, Daniel, investe cerca de 60 bilhões de dólares anuais em sua própria defesa e sustenta dessa maneira algumas gigantes como a Mitsubishi e a Toshiba.

essa mesmo, que produz carro, que produz televisores e tal, elas têm um braço armamentista que é utilizado basicamente pelo Japão, e agora, portanto, o Japão, na verdade, essas empresas estão, inclusive, contratando novos funcionários, tentando aumentar a sua operação, porque, a partir de agora, eles vão ter a possibilidade de exportar armamentos.

em larga escala. Você já tem, inclusive, alguns países que estão muito interessados antes mesmo dessa mudança, quando essas mudanças regulatórias começaram a ser cogitadas, a possibilidade de tudo. Você já tem, por exemplo, no Sudeste Asiático, nas Filipinas, já interessados na possibilidade de comprar fragatas, fragatas japonesas. Essa é uma possibilidade. No Leste Europeu, a Polônia também.

já está conversando com o Japão uma forma de superar alguns gargalos na produção de drones e de sistemas de guerra eletrônica, que o Japão tem muita capacidade de produzir armamentos. Em grande medida, Daniel, a leitura que a gente pode fazer é que essa mudança que está sendo feita pelo governo da Sanai Takahichi

é que eles fazem uma leitura de que há uma dependência excessiva dos Estados Unidos, então que se eu ficar dependendo dos Estados Unidos, os Estados Unidos estão dizendo que não vão mais me vender tantos armamentos, que o Japão tem que cuidar da sua própria defesa, que o Japão tem que pagar pela sua própria defesa. Aí, meu amigo, se for para pagar pela segurança que vem dos Estados Unidos,

Eu faço a minha. Tecnologia eu tenho, capacidade de produzir eu tenho, mudo uma regulamentação, produzo meus próprios armamentos, ainda mais no momento no qual não apenas os Estados Unidos parecem menos propensos a oferecer essa ajuda, como também os Estados Unidos estão dividindo suas atenções, ajudando a Ucrânia.

e numa guerra contra o Irã. Ou seja, os armamentos vão começar a demorar para a chegada. Os Estados Unidos estão com outras prioridades. Você ainda tem uma certa instabilidade por parte de Donald Trump. Se ele vai continuar ajudando, se não vai, dá para confiar em Donald Trump como aliado? Não dá. Dá para confiar nos Estados Unidos no médio e longo prazo como aliado para garantir a segurança? Além, Daniel, da própria Saneita Khaïti ser considerada... ...

quase que uma discípula do Shinzo Abe, que era um dos artífices daquela ideia de que o Japão tem que voltar a ser uma potência militar, a gente tem que poder se defender, tem que gastar mais e tal. O problema que o Japão talvez encontre, Daniel, que me parece que é uma questão de ajuste, é que algumas marcas muito conhecidas do Japão, como a Toyota, por exemplo, ainda hesitam em associar os seus nomes a conflitos militares.

Então, a Toyota teria capacidade de aumentar a sua produção de armamentos, de empreender mais uma produção maior de armamentos. Mas tem medo, Daniel, que você, que é um consumidor brasileiro, eventualmente olhe para a Toyota e fale, pô, a Toyota está fornecendo armamentos.

está vendendo armas letais e tal, não sei se eu quero comprar um automóvel da Toyota por conta disso, mas de qualquer maneira, o Japão está encontrando, no momento no qual o mundo, de uma forma geral, está aumentando o seu gasto militar, o Japão está encontrando, portanto, um novo mercado, vinculando o Estado japonês e, naturalmente, as principais empresas japonesas.

Porque é sempre importante lembrar que são muito ligadas, né? As empresas japonesas e o Estado japonês são muito conectados. Se você quiser saber mais sobre isso, a gente tem, inclusive, um curso inteiro sobre o Japão lá no PetitCursos. A gente fala bastante sobre a economia japonesa, sobre essa ligação. Está lá em petitcursos.com.br. Tanguy, o J.D. Vance, o vice-presidente, ele compareceu a um evento na Geórgia do Turning Point USA.

que é uma organização que foi fundada pelo Charlie Kirk e também pelo Bill Montgomery. Então, na prática, é uma organização que tem bastante força nos Estados Unidos.

E ele foi pesadamente hostilizado no evento. Foi hostilizado principalmente por conta de dois aspectos. O aspecto número um, Jesus Cristo. Afinal, o Donald Trump fez aquela postagem emulando Jesus Cristo. E isso irritou profundamente os cristãos americanos. Inclusive, o J.D. Vance se converteu ao catolicismo. Ele é católico já há alguns anos.

E o segundo aspecto, a guerra no Oriente Médio. Muitos dos presentes diziam, com uma certa razão, não foi para isso que nós votamos no Donald Trump. Pelo contrário, né? Pelo contrário, nós votamos para sairmos de guerras e aparentemente o Donald Trump nos colocou numa guerra grande, de grandes proporções e que está tendo muito impacto na nossa vida. E foi muito... E aí

num certo sentido, constrangedor ver o J.D. Vance tentando construir um discurso que, ao mesmo tempo, ele não batesse frontalmente no Papa, não ofendesse os cristãos, mas não jogasse o Donald Trump ao mar.

Então, como é que você faz, se você precisa do Trump, para que ele pavimente o caminho para você ser o sucessor do Donald Trump? Mas, ao mesmo tempo, como é que você traz essas pessoas de volta para o seu barco, pessoas que estão muito irritadas com essa postura que foi classificada por muitos como anticristã do Donald Trump?

Ao mesmo tempo em que o Donald Trump está atolado numa guerra no Oriente Médio, o J.D. Vance ficou realmente numa situação muito embaraçosa, muito complicada no evento. Quem tiver curiosidade, as falas dele estão disponíveis e são falas muito rocambolescas, onde ele dá voltas, onde ele tenta agradar todo mundo ao mesmo tempo, dentro de um contexto onde ele realmente está numa situação difícil.

porque ele precisa dessa base, essa base conservadora, essa base trumpista, etc.

mas, ao mesmo tempo, ele precisa do Trump. Ele não pode simplesmente virar as costas para o presidente dos Estados Unidos nesse momento, dentro de um contexto onde a disputa pela sucessão do Trump na sua base política está aumentando. Mas me chamou a atenção porque mostra, de maneira muito clara, essa rachadura que acontece na base trumpista em função dos últimos acontecimentos.

Daniel, a gente trouxe no episódio da segunda-feira pela manhã um pouquinho do cenário que foi encontrado durante as eleições peruanas que aconteceram no último domingo. E o cenário que eu trouxe aqui era que naquele momento a gente tinha cerca de 40% das urnas apuradas e você tinha Keiko Fujimori, a filha de Alberto Fujimori, a frente, ela segue a frente nesse atual momento.

E indo com ela para o segundo turno, a gente tinha duas possibilidades. O mais provável era Rafael López Aliaga, né? Era o cara que estava ali em segundo lugar. Correndo por fora, a gente tinha, então, tanto a Keiko Fujimori quanto o Aliaga da direita peruana, com algumas diferenças entre si, mas, enfim, da direita peruana. E correndo por fora, você tinha o centrista, uma centro-esquerda muito moderada ali, o Jorge Nieto.

Daniel, de lá para cá, a gente já subiu de 40% das urnas apuradas para 91% dos votos contados. E nós tivemos uma surpresa. A gente teve um candidato de esquerda, o Runtos Polel Peru, que ascendeu ao segundo lugar. Então, nesse momento, Daniel, nós temos Keiko Fujimori com 17% dos votos apurados.

e Roberto Sanchez com 12,1%. Daniel vai ser no limite. A gente vai ter, de fato, uma eleição muito no limite, pelo fato de que, quando você pega a diferença entre Roberto Sanchez, que é um candidato da esquerda, o Aliaga, que é um ultraconservador, e o Jorge Neto, que é um cara da centro-esquerda, a gente está falando sobre uma diferença de um ponto percentual entre eles. A gente está falando de 12,1%.

do Roberto Santos, 11,9% do Rafael López Aliaga e 11,1% do Jorge Nieto. É muito, muito apertado. Então, nesse momento, o Santos está ganhando espaço, ele está ganhando força, ele vem aumentando o seu percentual de votos computados até o momento.

Mas, de qualquer maneira, não dá para saber. Qualquer um dos três pode ir para o segundo turno. A Keiko Fujimori está garantida. Isso também é uma informação a ser levada em consideração. Ela está garantida no segundo turno com 17% dos votos até o momento atual. Ou seja, Daniel, você tem...

muita, mas muita gente que não votou na Keiko Fujimori, que já está garantido no segundo turno. 83% dos peruanos não votaram na Keiko Fujimori. E falando um pouquinho mais sobre o Roberto Santos, Daniel, que acende aí com a possibilidade de chegar, portanto, ao segundo turno, ele defende a criação de um Estado plurinacional, uma visão que nesse sentido parece um pouco...

a visão do Evo Morales para a Bolívia, que estão visando dar o maior poder de decisão às comunidades indígenas e reformar o modelo econômico neoliberal. E é um cara que tem uma ligação bastante forte com o ex-presidente peruano, que está preso, aliás, o Pedro Castilho. Ele foi preso porque ele tentou dar um alto golpe em 2022, acabou sendo preso por tentativa de golpe. E em suas redes sociais, o Roberto Santos, esse candidato,

defendeu que hoje nenhum presidente constitucional deveria ser removido ou preso novamente, o que dá uma indicação de que, de repente, se ele for eleido, Daniel, ele pode até soltar, mandar soltar, enfim, fazer algum tipo de manobra para soltar o Pedro Castilho. Aliás, ele é inconfundível, Daniel, porque ele usa o mesmo chapelão

do Pedro Castilho, tá, Daniel? Então, se você olhar os candidatos assim, já sabe quem é, porque ele usa o mesmo chapéu muito característico ali do Pedro Castilho. Vamos ver, Daniel, a gente vai ter que acompanhar essa eleição até o final da apuração, mas a gente realmente vai ter emoção, Daniel, até o último momento para saber quem é que vai para o segundo turno com a Keiko Fujimori, Daniel.

Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shaquira de hoje? Por favor, Daniel Souza, o que você tem? Peraí, peraí, peraí, peraí, peraí. Temos Donald Trump? Temos, temos, temos, temos, temos, temos, temos. Ô, Tanguy, eu até compartilhei com você. Eu estou absolutamente preso em uma postagem da Embaixada do Irã na Arábia Saudita. Isso está disponível na conta deles no Twitter. Onde eles publicaram um vídeo produzido por inteligência artificial, onde Donald Trump...

com uma estética bem anos 80, com aquele excesso de cores característico dos anos 80, com aquele tecladinho característico da década de 80, começa a cantar uma música, a cantar uma canção. E ele cansta, na realidade, a canção é a Voyage Voyage, que é uma canção francesa muito conhecida da década de 80.

Só que aqui eles fizeram uma paródia e a canção é Blockade, Blockade, fazendo referência ao bloqueio justamente de Hormuz. Ele começa na canção falando, Irã, abre o estreito de Hormuz, por favor, deixe uns navios passar.

Mas se você não deixar os navios passarem, eu vou bloquear você. Vou bloquear você. O Irã também. E aí vai ser pior, etc. Aí num determinado momento ele diz na canção que está sendo abandonado pela Melania. Está sendo abandonado pelo Maga. Que ele vai ser empitimado. Que está dando tudo errado, etc.

Tem que um vídeo é absolutamente hilário, hilário. E fica aqui a recomendação, quem tiver curiosidade, porque acaba sendo uma forma, inclusive, que o Irã está adotando, e me parece uma forma bastante inteligente, de debochar do Donald Trump. Porque, cara, se o presidente dos Estados Unidos vira motivo de piada, uma parte do poder dele fica enfraquecida, uma parte do poder dele fica esvaziada.

E, aliás, foi o que o Trump fez com o Biden. O Trump fez tanta troça com o Biden que o Biden acabou sendo esvaziado. Enfim, acabou contribuindo, inclusive, para a eleição. Agora, de uma forma geral, Daniel, o Irã estava se mostrando um usuário de redes sociais incrível. Eles são ácidos, eles são irônicos, são sarcásticos com relação aos Estados Unidos. Isso é algo que acaba circulando. A gente, durante muito tempo, ouvia falar muito das redes sociais do Trump, dos Estados Unidos.

O que a gente ouve falar agora é o Trump se comparando com Jesus. E pior, depois ele diz que não era Jesus, que era um médico, né? Eu achei que era um médico. É um negócio que ninguém compra muito. Mas isso que a estratégia de redes sociais do Irã realmente está sendo impressionante. Então eu recomendo aí, inclusive as embaixadas, né? Como essa agora, né? A embaixada iraniana na África do Sul, se não me engano. Na África do Sul.

Então a gente está falando sobre uma habilidade muito grande que o Irã vem tendo para lidar com redes sociais. Aliás, se você quer saber mais sobre essa guerra, sobre o que leva os Estados Unidos, o que levou os Estados Unidos a tomar essa decisão de atacar o Irã, que me parece claramente um erro estratégico, mas o que motivou essa decisão? Por que o governo iraniano, por que o regime iraniano não caiu?

Tudo isso a gente vem falando no curso que está rolando agora lá no PetitCurso. Acesse lá, petitcursos.com.br. Você tem acesso a essas aulas que estão acontecendo ao vivo toda terça-feira, às 19h, como também a toda a biblioteca. É um stream, ou seja, você tem acesso a todo o conteúdo que a gente já produziu desde o ano de 2020. Vem com a gente, acessa lá, petitcursos.com.br. Fica aqui também o nosso...

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É isso, Daniel Souza. Mas estamos de volta. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.

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