Episódios de Petit Journal

Trump vai fechar Ormuz - BP 1055

13 de abril de 202631min
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INSIDER
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Donald Trump afirma que pretende fechar o Estreito de Ormuz, elevando ainda mais a tensão no Golfo e marcando o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã realizadas no Paquistão.
No episódio analisamos o significado dessa declaração e suas possíveis consequências para o mercado de energia, para a segurança regional e para a economia global, em um momento em que a guerra volta a ganhar contornos mais duros.
Também discutimos o embate verbal entre Trump e o papa, além das eleições no Peru e seus possíveis desdobramentos políticos. Na Geleia da Shakira, Trump viraliza ao elogiar a aparência do lutador brasileiro Paulo Borrachinha, em mais um momento inusitado que mistura política e cultura pop.
#OrienteMédio #Ormuz #Petróleo #Geopolítica #EstadosUnidos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos4
  • Estreito de OrmuzDonald Trump e a NASA · Irã · Estados Unidos · negociações no Paquistão · preço do petróleo
  • Conflito Trump-Papa Leão XIVPapa Leão XIV · política externa
  • Eleições PeruKeiko Fujimori · Rafael López Aliaga
  • Nerdice e Cultura PopPaulo Borrachinha · UFC
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1056. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 9 horas e 27 minutos da segunda-feira, 13 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

Tanguy, ô Bagdadi, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e preocupado. Muito preocupado, hein? Depois desse final de semana, o professor Bagdadi ficou sem dormir por conta dessa dinâmica internacional extremamente incerta e pantanosa que temos vivenciado.

Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias. Lembrando que na segunda-feira temos dois episódios para tratar justamente da grande gama de acontecimentos que aconteceu no final de semana. Nesse primeiro episódio, a gente vai falar um pouco mais sobre o novo fechamento do Estreito de Hormuz, agora incluindo os Estados Unidos.

E no episódio noturno, no final do dia de hoje, falaremos um pouco mais sobre Hungria, por exemplo, que é um tema super importante que vai demandar um espaço um pouquinho maior. Tudo bem, professor Bagdad? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza? Vamos começar mais uma semana. Sejam bem-vindos todos para esse bate-papo.

1056, um prazer estar aqui mais uma vez. Aliás, Daniel, eu falei, vamos lá, Daniel Souza, eu não falei Daniel Souza com S. O pessoal já se acostumou e reclama agora se eu não falo que é com S. Então tomem nota, Daniel Souza, com S presente aqui mais uma vez. Deixa as boas-vindas também a todo mundo que está acompanhando a gente aqui no YouTube. Sejam muito bem-vindos, todo mundo que está acompanhando a gente.

pelo podcast, sejam todos muito bem-vindos também para mais uma semana que já começa daquele jeito, Daniel, que a gente se acostou, a gente já tem um sarrafo muito elevado, né, Daniel? Do que a gente espera de uma semana, a semana que não começa desse jeito, está começando essa aqui, a gente já começa meio decepcionado, não era o que a gente estava esperando, mas aí, Daniel, a gente falava na semana passada...

sobre as negociações que aconteceriam, e de fato aconteceram, no Paquistão, mais especificamente em Islamabad, envolvendo uma delegação dos Estados Unidos e uma delegação iraniana, tendo naturalmente o Paquistão como mediador. De fato, essas negociações aconteceram. Foi, aliás, a primeira negociação de alto nível que nós tivemos entre Estados Unidos e Irã.

desde 1979. É importante a gente ter noção do quão histórico foi essa rodada de negociações. Do lado dos Estados Unidos, tivemos a presença de J.D. Vance, o vice-presidente dos Estados Unidos, o Steve Whitcoff. O Whitcoff, Daniel, se tornou meio que o braço direito do Trump para assuntos internacionais. Ele é enviado para o Oriente Médio, enviado para...

para o leste europeu, para a Ucrânia, para a Rússia e tal, e o Jared Kushner, que é o genro do Trump. Então esses foram os principais negociadores americanos. E do lado iraniano, nós tivemos a presença do presidente do parlamento iraniano, o Mohamed Bakr Kalibaf, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, o Abbas Araqchi. Negociaram, negociaram, negociaram, negociaram.

E como a gente já sabia, não chegaram a acordo. A gente falava sobre isso aqui na semana passada, Daniel, que as posições de Estados Unidos e Irã, elas, para convergirem, o esforço é grande demais. Assim, são posições muito diferentes. Então você tem questões relacionadas não apenas à abertura, ao fechamento dos três de Hormuz, que naturalmente a gente vai tratar mais ainda ao longo do episódio de hoje, mas o que você faz, por exemplo, com o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos querem que o Irã...

Pare imediatamente qualquer tipo de avanço com o seu programa nuclear. O Irã diz que ter um programa nuclear não é proibido, não é um crime que é permitido, não pode ter bomba nuclear. E o próprio Irã está dizendo, me comprometo a não ter bombas nucleares. Aliás, o Irã sempre disse que não queria bombas nucleares.

Outra coisa, que é sempre um ponto de divergência muito grande, diz respeito à questão do financiamento iraniano a aliados pela região, ao Rezapolar, ao Hamas, aos Ruts, a outros grupos que você tem pelo Oriente Médio. O que o Irã diz é, olha, eu estou financiando aliados, é legítimo que eu tenha laços com outros grupos, enfim, são nem países, mas com outros grupos.

Então, esses pontos todos, mais hormuz, se tornam aqueles pontos, Daniel, em que a gente não consegue convergir. Existe uma dificuldade muito grande de convergir. O presidente do parlamento iraniano, o Kalibaf, disse que a delegação iraniana apresentou 168 iniciativas voltadas para o futuro, então medidas que poderiam ser tomadas ao longo do tempo.

para evitar que a gente tivesse novos conflitos, mas o fato é que não houve acordo, e a palavra que a gente ouviu foi do vice-presidente J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, que disse o seguinte, a má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos.

Então, em algumas foram horas de negociações, Daniel, mas no final da noite de sábado, início do domingo, eles constataram que não teve acordo, não tem jeito, e aí a bola fica na quadra dos Estados Unidos e Donald Trump toma uma decisão que parece que surpreendeu todo mundo. Ele decidiu que é ele que vai fechar o Estreio de Hormuz e eu queria que você me contasse sobre isso.

Pois é, Tanguy, o Donald Trump acabou surpreendendo o mundo com essa decisão. Ele anunciou o bloqueio imediato do Estreito de Hormuz. Mas é interessante porque o imediato ainda não entrou em vigor, né, Tanguy? O imediato deve entrar em vigor, segundo informações do próprio governo dos Estados Unidos, às 11 horas dessa manhã, ou seja, daqui a pouco mais de uma hora e meia.

por conta justamente dessa ordem do presidente dos Estados Unidos. Na prática, ele anunciou o bloqueio do Estreito de Hormuz. A argumentação é mais ou menos a seguinte. Olha, o Irã está controlando o Estreito de Hormuz. O Irã está conseguindo exportar petróleo. O Irã está conseguindo receber receitas extras desses petroleiros que acabam passando e eventualmente pagam pedágio. A China continua recebendo petróleo iraniano.

Então, quer saber? Já que eu não posso ter ali os meus amigos fornecendo e recebendo petróleo e gás natural do Oriente Médio, o Irã também não pode. Então, vou fechar também o Estreito de Hormuz para os iranianos.

Essa acaba sendo a decisão dos Estados Unidos. É importante registrar que os aliados americanos não vão tomar parte. O Reino Unido já mandou avisar que não vai ajudar, que se os Estados Unidos querem bloquear o Estreito de Hormuz, é com eles mesmos, eles é que resolvam isso. Na prática, o Trump considera que isso vai colocar pressão sobre os iranianos. Mas, Tanguy, eu tenho a impressão que aumenta a pressão sobre os Estados Unidos.

e com um gap temporal muito mais curto e aumenta a pressão sobre a economia mundial. Olhando aqui dados atualizados, nós estamos falando de um barril Brent subindo 7,69% no dia de hoje, nesse exato momento, alcançando 102,50 dólares o barril.

Essa alta já foi até mais forte, ela chegou a ser uma alta de dois dígitos no dia de hoje, e agora está sendo uma alta um pouquinho menor. Mas mesmo assim, a gente está falando de um barril de petróleo que alcança mais de 100 dólares na data de hoje. E o que acaba acontecendo é que me parece que o Irã tem menos pressa que os Estados Unidos. Quem tem pressa é os Estados Unidos, gente.

Quer dizer, o Donald Trump vai aumentar propositalmente o preço do petróleo, o que traz consequências para a popularidade dele internamente nos Estados Unidos. É um pouco estranho entender qual é a estratégia dele. Você só compreende quando você pensa na lógica do Donald Trump, que é aquela lógica de esticar, esticar, esticar, esticar ao máximo a negociação. Só que se o Irã olhar para isso, claro que a gente está analisando cenários e possibilidades.

Se o Irã olhar para isso e disser, ah é? Tá bom. Fica aí com o estreito de hormônio fechado. Vamos ver quem é que aguenta mais tempo com o preço do barril de petróleo subindo no mercado internacional. Quem é que vai ficar mais pressionado com a alta do barril do petróleo no mercado internacional? E é interessante destacar que o petróleo está subindo bastante de preço, mas o gás está subindo mais ainda.

o gás acaba sofrendo ali justamente uma alta importante por conta justamente da centralidade do Oriente Médio no fornecimento dessa commodity. É o Donald Trump dobrando, triplicando, quadruplicando a aposta, o que é uma aposta muito arriscada e que pode trazer consequências para ele. É só importante lembrar, gente,

que nós tínhamos tido, inclusive, o relaxamento de sanções contra o Irã, o relaxamento de sanções contra a Rússia, porque o cálculo americano era mais ou menos o seguinte. Bom, se esses caras estiverem ofertando petróleo no mercado internacional, menos mal, porque aumenta a oferta, diminui a pressão sobre os preços e, consequentemente, a gente tem ali um pouco mais de margem para trabalhar, um pouco mais de tempo para aguentar.

Mas agora o Trump está fazendo uma aposta que é mais ou menos uma aposta de curtir.

prazo, tem que se resolver imediatamente, mas como é que se resolve se existe ali uma distância tão grande entre as posições dos Estados Unidos e do Irã nesse momento? E aliás, a posição do Irã foi exatamente essa dita, não é apenas uma posição que a gente interpreta, o Irã disse isso, que é meu amigo, quer fechar aí?

Fecha. Fecha. E aí, a posição de Estados Unidos e Irã nesse sentido, ela faz muita diferença, né? O Irã, como a gente vem falando aqui dia após dia, é um país muito isolado. É um país que não tem grandes aliados. Você pega ali no Oriente Médio, o aliado, estou falando de país, né, de estado que o Irã tinha até 2014, era a Síria. E mesmo assim, caiu o governo sírio...

Tem mais grandes aliados, não há países que sejam próximos ao Irã, que vão pegar o telefone e vão pressionar o Irã para, de fato, levar a uma abertura e tal. Você tem a China, mas a China estava conseguindo comprar petróleo iraniano. Agora, quando você fala sobre os Estados Unidos, são um país muito central e com uma rede, uma malha diplomática, econômica, financeira, muito mais intensa.

Então, claro que os Estados Unidos vão ser muito mais pressionados, que é, pô, a gente estava tendo que lidar com o bloqueio de um país, mas era um país que a gente já sabia que poderia bloquear o estreito. Era um país que a gente já esperava isso dele, que já está falando disso há muito tempo. Agora a gente tem que lidar com o bloqueio do Irã.

e também dos Estados Unidos, o cenário é muito diferente. E outro ponto importante, esse bloqueio que o Trump está querendo implementar, não é que ele substitui o bloqueio iraniano, é que ele se soma. A gente falava aqui na semana passada que quando o Irã diz não vai passar,

Se você tem um petroleiro, você fica com medo. Você não vai passar. O fato é esse. Aliás, ontem, né, passaram três petroleiros por lá. Já foi considerado uma revolução. Caramba, passaram três petroleiros. Conseguiram negociar com os iranianos, provavelmente. Agora, Daniel, se você tem o Irã dizendo que não vai passar.

E os Estados Unidos dizendo que não vai passar, agora mesmo é que você não vai nem imaginar a possibilidade de passar com o petróleo por ali, com o petroleiro por ali. Aí os Estados Unidos dizem, inclusive, que se forem navios oriundos ou com destino a portos não iranianos, vai poder passar. Só que aí você tem o Irã dizendo que não, não vai passar. Nenhum desses que queira passar sem negociar com o Irã vai passar pelos três de Hormuz. Ou seja, Daniel, você tem um cenário que o que se projeta para frente...

É muito grave, é muito sério, e a gente tem que ver. As decisões do Trump podem durar seis horas, duas horas, elas podem acabar antes mesmo de entrar em vigor, mas o fato é que isso aqui traz consequências econômicas muito severas para os próximos dias, para os próximos meses, talvez para os próximos anos.

Eu fico pensando, Tanguy, com a cabeça dos aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Esses caras devem estar pensando, mas meu Deus do céu, você enlouqueceu, Trump. A minha vida está aqui no Golfo Pérsico, quer dizer, a minha economia depende justamente desse fluxo no Estreito de Hormuz. Agora você coloca uma segunda camada de bloqueio em algo que já era complexo e também imagina a quantidade de telefonemas que a Casa Branca vai receber de gente do mundo todo, de industrial.

de diplomata, de primeiro-ministro, de presidente, de rei. É todo mundo ligando para o Trump e fala, pelo amor de Deus, o que você está fazendo diante desse cenário? Quer dizer, o que já era complicado se tornou ainda mais complicado. E, de novo, me parece Donald Trump, sendo Donald Trump, aquela estratégia de esticar a corda o máximo possível para colocar o interlocutor sob pressão e fazê-lo decidir contrariamente aos interesses do interlocutor e favoravelmente aos interesses do Donald Trump.

Só que tem um detalhe que nós colocamos há pouco e reafirmo. O Irã não vai se sentir pressionado. Porque a pressão está no colo dos Estados Unidos e não do Irã. Quer dizer, o Irã pode esperar. Os Estados Unidos querem bloquear, podem bloquear. Não tem problema.

Isso vai ser muito mais danoso à economia de vocês, aos aliados de vocês, do que à minha economia e também aos pouquíssimos aliados que eu acabo tendo. E vocês, meus vizinhos, países aqui do Oriente Médio, países do Golfo Pérsico, olha o aliado de vocês, olha o que ele faz com vocês. Vocês acabam dependendo dele e no momento em que mais precisam, eles acabam deixando vocês na mão.

E outro ponto importante que a gente nunca pode deixar de lado, Daniel, é que o Irã já está, de uma certa maneira, adaptado a uma economia de guerra. A gente está falando sobre um país que está sofrendo sanção, inclusive no petróleo, há anos e mais anos e mais anos e mais anos. Então é um país que se você falar assim, meu amigo, você vai ter que passar mais um ano com dificuldade de exportar petróleo.

Cara, eu já estava com dificuldade de exportar petróleo, já era difícil para mim exportar petróleo, né? Então, não é exatamente uma novidade, não vai ser algo que vai mudar dramaticamente a maneira pela qual o Irã lida com as coisas. Enfim, eu estou bastante curioso, Daniel, para saber como é que isso vai se desenrolar daqui para frente. E em se tratando desse cenário, em se tratando de Donald Trump, pode ser que isso mude dramaticamente ao longo das próximas horas.

Vamos ver o que vai acontecer até lá. A parte boa, Daniel, é que no meio disso tudo tem o aniversário da Insider, né? Então você tem a estreia de almoço fechada, um monte de problema e tal, mas você tem um monte de promoção lá na loja da Insider Store, porque esse mês agora é o mês de aniversário.

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Deu ar da graça, Daniel Souza. Se meteu na questão? Tanguy, a gente já tem trazido aqui no Petit Jornal, em diferentes oportunidades, uma tensão crescente entre o Papa Leão XIV, que é norte-americano, de nascimento, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E essa tensão escalou muito no final de semana.

O Donald Trump disse coisas como o seguinte, abre aspas, o Papa Leão XIV é fraco no combate ao crime e péssimo em política externa. Eu não quero um Papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela.

E não quero um Papa... Peraí, peraí, peraí, peraí, peraí, peraí, desculpa. Eu sei que você vai completar. Mas ele falou que o Papa é ruim no combate ao crime, mas ele é governador do Rio de Janeiro? Ele é o quê? Peraí, peraí. Vamos chegar lá, vamos chegar lá. E não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos. Fecha aspas. E disse mais o Donald Trump em relação ao Papa. Abre aspas. Leão deveria ser grato, porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante.

Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela igreja porque era norte-americano. E acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump? Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Fecha aspas. Vamos por partes aqui, antes de falar sobre o posicionamento do Papa.

Primeiro, o Papa não combate crime organizado. Segundo, o Papa não deu nenhuma opinião sobre o programa nuclear iraniano. O que o Papa tem feito sistematicamente...

é veja você defender a paz, a paz, como o missionário cristão que ele é. É importante também registrar que o Papa Leão XIV, embora seja norte-americano de nascimento, ele não tinha uma vida missionária nos Estados Unidos, já não vivia nos Estados Unidos há muitos anos.

Ele é peruano naturalizado e a vida missionária dele era no Peru, não era nos Estados Unidos. Então, na prática, quando ele participa do conclave, ele é alguém muito mais latino-americano do que efetivamente norte-americano.

Agora, falando um pouco do posicionamento do Papa, ele disse em algumas declarações, inclusive durante um voo, em que ele estava indo em direção à Argélia. Aliás, ele pousou na Argélia no dia de hoje. É uma visita bastante marcante. A gente está falando de uma visita a um país de maioria muçulmana.

Mas ele disse várias coisas. Ele disse que não tem medo do Donald Trump, nem medo de proclamar em alta voz a mensagem do Evangelho, que ele acredita que ele está no mundo para proclamar o Evangelho, que o Evangelho essencialmente defende a paz. Ele diz também que ele não é político, que ele não lida com assuntos de política externa, sob a mesma perspectiva, mas que ele acredita na mensagem do Evangelho como promotor da paz.

E disse também que não quer entrar em embate com o presidente dos Estados Unidos, mas que ele acredita que a mensagem do evangelho não deve ser usada de forma indevida, como algumas lideranças políticas estão fazendo ao redor do mundo. Mas em nenhum momento ele cita o nome do presidente Donald Trump. Donald Trump, não satisfeito, na noite de ontem acabou indo para a Truth, para sua rede social, e ele postou uma imagem.

gerada por inteligência artificial, que o próprio Trump é Cristo. Ou seja, numa clara resposta ao Papa. A imagem é horrorosa, é de um mau gosto gigantesco, mas é como se ele tivesse ali um ser iluminado, tem ali uma luz sobre ele, como se ele fosse o próprio Cristo. É muito claro o que a imagem quer dizer. Ele está curando pessoas, está ali levando justamente o seu toque divino àquelas pessoas e tem uma bandeira dos Estados Unidos atrás.

O Donald Trump gosta desses embates e gosta, muitas vezes, de se dar uma importância maior do que ele tem. Não me parece que o Papa foi escolhido por ser norte-americano. O Papa foi escolhido dentro ali de uma lógica de conclave. Agora, realmente, você defender a paz, defender algo que os...

Papas sempre fazem isso, meu Deus do céu, todos os papas fazem isso, todos os papas fazem isso. Como forma justamente de tentar diminuir tensões, de tentar fomentar o diálogo, etc. Ele inclusive falou algo que irritou muito os Estados Unidos, falando dos irmãos libaneses, num discurso recente dele.

Ele tem sido realmente alguém que tem se posicionado dessa maneira e tem gerado um desconforto. Mas, de qualquer maneira, é uma tensão que está aumentando em um nível muito forte. A gente já tinha trazido isso aqui no Petit Jornal, mas nesse final de semana a coisa escalou de maneira muito impressionante. Até porque é sempre importante lembrar que o Papa e o Presidente dos Estados Unidos não estão na mesma prateleira.

Então, na minha prateleira, uma coisa é um presidente, alguém que está fazendo política externa, o presidente da nação mais poderosa do ponto de vista militar do mundo. Outra é uma autoridade religiosa, que embora seja um chefe de Estado, formalmente falando, o chefe do Estado do Vaticano, mas não é alguém que tenha ali uma... raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus raus

uma participação em termos de política externa, é alguém que está ali pregando o Evangelho e tentando, de alguma maneira, trazer uma mensagem de paz diante de um mundo que está cada vez mais confuso e conturbado. E Daniel, aproveitando que você está falando sobre um Papa, que, como você disse, é norte-americano não praticante, e na prática ele se apresenta muito mais como peruano.

Tivemos ontem eleições no Peru e pela quarta vez seguida, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori, chega ao segundo turno das eleições. É verdade, Daniel, que a gente tem um resultado muito preliminar. Aliás, eu disse chega, é provavelmente chega. Nesse momento, acabei de conferir aqui, a gente ultrapassou um pouquinho a casa dos 40% da apuração.

Mas ao que tudo indica, inclusive a boca diurna e tal, aparentemente Keiko Fujimori irá pela quarta vez para o segundo turno das eleições. Ela está nesse momento com 17% dos votos apurados. E ela deve ir, no atual momento, para o segundo turno com Rafael López Aliaga.

Uma coisa que chama atenção, Daniel, é que primeiro a diferença entre eles dois é muito pequena nesse momento. Então a Keiko Fujimori estaria com 17% dos votos e Rafael Lopes Aliaga com 16% dos votos. Então a diferença é realmente muito pequena e ainda tem...

um candidato centrista chamado Jorge Nieto, que está, nesse momento, com 13%. Então, são os três que estão ali na frente, Daniel. Então, assim, dos três, dois naturalmente vão para o segundo turno. É quase impossível, né? Enfim, diria impossível que um dos dois consiga dar uma disparada e ganhe no primeiro turno. A gente tem pouco mais de 40% dos votos. Nenhum dos dois chegou sequer a 20% dos votos computados até o momento.

E provavelmente, o cenário mais provável nesse momento é que nós tenhamos um segundo turno entre dois candidatos de direita. Então, a Keiko Fujimori, uma Fujimorista, naturalmente, filho do Alberto Fujimori, do Fuereza Popular, tem uma pegada.

bastante de direita, e o Rafael Lopes Aliaga é um conservador daqueles, Daniel. Ele é um cara vinculado ao Opus Dei, pratica o celibato desde os 19 anos, ele tem uma pauta social muito conservadora. E aí fica a dúvida, Daniel, que é, vamos imaginar, tá, que é uma extrapolação, claro, vamos imaginar que o resultado de momento se mantenha. Claro que vai modificar para cima e para baixo e tal.

Mas vamos dizer que Keiko Fujimori fica com 17% dos votos e o Aliaga com 16%. A gente está falando sobre dois candidatos que, somados, vão para o segundo turno com pouco mais de 30% dos votos, Daniel. Como é que o restante do eleitorado, os 60 e tantos por cento do eleitorado que não votaram nem Fujimori nem Aliaga...

vão se posicionar. Você tem um centro que está alijado, quer dizer, o Jorge Neto ali com o centro mais liberal está tentando chegar no segundo turno, mas sendo o segundo turno entre Fujimori e Aliaga, esse centro estaria escanteado e você tem a esquerda peruana que também estaria...

ficaria completamente de lado. Lembrando que a esquerda já conseguiu eleger recentemente Pedro Castilho, então não são poucos votos que a esquerda tem também. Então, assim, é um cenário político muito curioso, levando em consideração principalmente que a gente chegou a ter 35 candidatos à presidência.

35 candidatos à presidência. Naturalmente, a pulverização é algo inacreditável. Aliás, isso explica talvez, inclusive, Daniel, a quantidade de quedas de presidente que a gente tem, né? Impeachment, afastamento e tal. A gente vai chegar nesse momento agora, Daniel, a tentativa agora é você eleger o décimo, vou repetir, o décimo presidente em 10 anos.

Se você for considerar o finalzinho do governo do Olanto Mala, que terminou ali em julho de 2016, a gente vai chegar agora no décimo presidente em 10 anos. Claro, você tem uma política muito fragmentada. As eleições presidenciais, você tem sempre pessoas que recebem uma quantidade muito pequena de votos no primeiro turno.

A gente teve ontem também, nessa eleição presidencial, veio junto eleições para deputados e senadores. Então o parlamento também é muito fragmentado. E aí qualquer deslize que o cara tem, você consegue juntar vários grupos de oposição e derruba o cara. Por isso que a gente está chegando agora no décimo presidente em 10 anos. A gente ainda tem algumas confusões, Daniel, que...

perpassaram a eleição de ontem, a gente ainda vai ter a eleição no dia de hoje. 63 mil pessoas não conseguiram votar no domingo, então você já tem a contabilização dos votos parcial, mas hoje...

cerca de 63 mil pessoas ainda vão às urnas porque, por problemas técnicos, não conseguiram votar. Esse é o cenário que a gente tem, Daniel, para a gente chegar no segundo turno das eleições, que vai acontecer somente no dia 7 de junho. Essa é outra característica curiosa, são quase dois meses entre o primeiro e o segundo turno, muita coisa pode acontecer, mas tudo indica, Daniel, que os dois candidatos que devem, mais uma vez devem, sabe, sei lá o que vai acontecer, mas devem chegar ao segundo turno,

tem políticas muito parecidas, né? Uma segurança pública muito baseada ali no endurecimento do combate à criminalidade, um negócio meio parecido com o Salvador, né? O Naíbo Kele. Ambos com uma lógica muito forte de combate à corrupção. É curioso, né? Porque a Keiko Fujimori, filho do Alberto Fujimori, faleceu recentemente, inclusive, fala sobre combate à corrupção, né? Um cara que teve um governo marcado por muita corrupção, mas...

É um cenário que também vai chamar a atenção. Vamos ver o que vai acontecer até o dia 7 de junho, Daniel. Agora, Tegue, eu não posso deixar de registrar que o país tem um número recorde impressionante de 35 candidatos à presidência e uma cédula eleitoral de papel.

com 42 centímetros de largura e mais de 40 centímetros de comprimento com cinco colunas. Tem uma imagem aqui das autoridades eleitorais peruanas segurando a cédula. Você tem três homens segurando a cédula. De tão imensa que é a cédula de votação no Peru. E claro que isso acaba trazendo aí também dificuldades operacionais para que essa eleição transcorra com mais celeridade.

Perfeito. Daniel Souza, a gente tem que ir para a geleia da Shakira. E mais uma vez, Donald Trump está lá, dessa vez interagindo com um brasileiro. Conta para mim, Daniel. Pois é, Tanguy. Na geleia da Shakira de hoje, vamos uma vez mais falar sobre Donald Trump, porque no sábado à noite...

Enquanto as negociações aconteciam lá no Paquistão, entre autoridades americanas e autoridades iranianas, Donald Trump foi relaxar. Foi relaxar, resolveu participar ali do UFC 327 na cidade de Miami, sentou na primeira fileira para assistir ali ao UFC e acabou parabenizando o brasileiro Paulo Borrachinha, que acabou sendo vitorioso.

a vitória do mineiro no UFC 327, o político Donald Trump, que acompanhava o evento na primeira fila, como eu destaquei há pouco, foi elogiar a aparência do competidor brasileiro, afirmando que ele poderia ser um modelo e que era bonito demais para ser lutador. Ô Donald Trump, seja feliz, amigo. É o que eu tenho a dizer para você, rapaz, que não fica se segurando, não. Não tem nenhum problema.

O negócio está muito complicado esse, hein, Otanguil? O Donald Trump é realmente muito enfeitiçado pela beleza de belíssimos homens, estando lutador brasileiro, enquanto teve um outro caso recente, que a gente até falou sobre ele aqui no Petit Jornal. O Donald Trump também... Era o presidente do Paraguai, o Santiago Penha. O presidente do Paraguai, exatamente. O presidente do Paraguai também encantou pela sua beleza o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Mas não tinha nada de mais acontecendo, né, Daniel? Era só uma negociação sobre os três de Hormuz ali, mas nada de mais também, né? Não tem problema nenhum, ele está lá no UFC, enquanto o Jay Evans está lá negociando com a delegação iraniana para saber se vai abrir ou fechar a principal artéria de abastecimento de petróleo no planeta Terra, né, Daniel? Também não tem que supervalorizar isso também. Não tem problema nenhum, ele está ali no UFC conversando com o Paulo Borrachinha.

E elogiando a beleza do rapaz que estava ali logo depois da luta. Então, parabéns aí para o Paulo Borrachim para a sua beleza. Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Relembrando, o Daniel já falou no início do episódio, temos mais um episódio hoje à noite. A gente grava às 19h.

Naturalmente a gente vai poder acompanhar o que aconteceu nessas primeiras horas de bloqueio, se é que ele vai começar, teoricamente deveria começar, segundo Donald Trump, daqui a pouco mais de uma hora, esse bloqueio se iniciaria. A gente sabe, Daniel, que uma hora é mais do que suficiente para Donald Trump voltar atrás, para ele dar alguma outra declaração, sabe, sei lá o que vai acontecer. E a gente vai ter oportunidade também de falar sobre as eleições na Hungria, com a derrota de Viktor Orbán.

Tudo isso vai ser tema para mais tarde. E deixo aqui o convite, se você curte o Petit Jornal,

acessa lá o site petitcursos.com.br tem aula inclusive sobre Hungria tem aula sobre Estados Unidos tem aula sobre Irã aliás, está rolando um curso nesse momento exatamente sobre Estados Unidos e Irã acessa lá petitcursos.com.br

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petiornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Peti é uma mídia pequena, é um trabalho bastante artesanal e a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância e por isso sempre registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio, você tem, inclusive, várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma maneira prática, instantânea, de apoiar o Petit Jornal. A chave Pix está no descritivo desse episódio. Você pode, inclusive, ativar o Pix Recorrente. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Hoje mais tarde estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau.

Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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