Irã rejeita proposta - BP 1051
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O Irã rejeita a proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos e impõe novas condições para qualquer avanço diplomático, enquanto Donald Trump eleva o tom ao afirmar que a terça-feira é o prazo final para a reabertura do Estreito de Ormuz e ameaça uma intervenção direta. No episódio analisamos esse momento de tensão máxima, ao mesmo tempo em que o fluxo de navios pelo estreito começa a aumentar gradualmente, com países negociando diretamente com Teerã para garantir a passagem.
Também discutimos a afirmação iraniana de que teria atingido o USS Tripoli, além dos impactos indiretos da instabilidade na Líbia, que segue dividida e com dificuldades para escoar petróleo e gás. No cenário asiático, Kim Jong Un indica sua filha como sucessora, alterando expectativas sobre a continuidade do regime.
Na Geleia da Shakira, Trump aparece ao lado do Coelhinho da Páscoa durante um pronunciamento sobre a guerra, em um momento que viraliza nas redes.
#OrienteMédio #Irã #Petróleo #Geopolítica #EstadosUnidos
- Destruição de Sinagoga IranianaProposta de cessar-fogo · Estreito de Hormuz · Condições do Irã
- Tensão no Estreito de HormuzAumento do tráfego de navios · Controle iraniano
- Crise política LíbiaGoverno de unidade nacional · Califa Haftar
- Coreia do NorteKim Jong-un · Kim Joo-ai
- Trump Coelhinho da Páscoa
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1051. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 13 minutos da segunda-feira, 6 de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, refigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado.
e preocupado, muito preocupado, o professor Bagdadi com os inúmeros acontecimentos e com a incerteza que o cenário internacional tem descoordinado ao longo dos últimos tempos num ambiente deveras pantanoso. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para esse bate-papo 1051, o segundo bate-papo dessa segunda-feira, um prazer estar aqui mais uma vez, deixo aqui as super boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente, pessoal que já acompanhou a gente de manhã, pessoal que está chegando agora, sejam todos muito bem-vindos para a gente acompanhar tudo o que vem acontecendo na política e na economia internacional. Um abraço para todo mundo que está acompanhando a gente no YouTube, no podcast, sejam todos muito bem-vindos. Daniel, a gente falou hoje no episódio mais cedo...
que Donald Trump deu uma ajustada no deadline dele, no prazo que ele deu, e ele tinha dado prazo para que o Irã aceitasse um acordo para abrir o Estreio de Hormuz, o que abrisse o Estreio de Hormuz, até o dia de hoje, até o dia 6.
E aí, ao longo do final de semana, ele deu uma estendida e falou, Irã, última chance, hein? Última chance é até amanhã. Então, terça-feira, à noite, segundo Donald Trump, acaba o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Hormuz.
No dia de hoje, no entanto, o Irã respondeu a proposta de Donald Trump, de abertura do Estreio de Hormuz, e rejeitou o cessafogo temporário proposto pelos mediadores. Quando a gente fala em mediadores, aqui a gente está falando principalmente o Paquistão, que está fazendo esse meio-campo, inclusive já se ofereceu.
para receber as negociações no seu território, se for necessário, um território neutro e tudo, mas o Irã rejeitou a proposta que está na mesa e apresentou um plano de 10 pontos, um plano de 10 cláusulas para o fim definitivo da guerra. A gente não teve acesso ainda aos 10 pontos, mas o que se sabe é que lá estão previstas a suspensão de todas as sanções.
o custeio da reconstrução do país, então os Estados Unidos se destruíram um monte de coisa aqui, vai ter que reconstruir, e um protocolo de passagem segura por Ornuz, ou seja, é basicamente o Irã, ao que tudo indica, de novo, a gente não tem acesso exatamente ao documento, mas ao que tudo indica,
é o Irã tentando determinar quais vão ser as regras de passagem. Quem é que vai passar, quem é que não vai passar? Obviamente, o Irã quer ficar com o controle dos três de Hormuz, como, aliás, a gente vem falando ao longo dos últimos tempos, o Irã está tentando pegar esses limões e fazer uma limonada. Aconteceu isso aqui tudo, então agora os três de Hormuz também vão ser controlados por mim.
O Trump classificou a proposta iraniana como significativa, tipo legal, gostei do esforço, bom, mas afirmou categoricamente que a proposta ainda não é boa o suficiente. E segundo ele, o Irã, aí é Donald Trump sendo Donald Trump, tá?
é, segundo ele, o Irã pode ser tirado do mapa em uma só noite, e essa noite pode ser a próxima terça-feira. Aliás, quem falou sobre isso também, Daniel, foi o Peter Hegsett, que é o secretário de defesa dos Estados Unidos, que disse que os Estados Unidos têm capacidade para tomar o Irã, tomar o território iraniano, em apenas uma noite.
O que é bastante ousado, né, Daniel? A gente está vendo um Irã que mantém uma capacidade de fogo bastante importante, continua fazendo ataques contra aeronaves americanas, contra, a gente vai falar ainda hoje, né, contra embarcações militares americanas importantes, fazendo ataques ainda contra vizinhos árabes, contra Israel. Hoje houve ataques importantes iranianos contra Israel. Então não parece que vai ter essa facilidade tão grande assim.
Mas de qualquer maneira, Daniel, a retórica que vem sendo construída pelos Estados Unidos é...
a gente pode terminar essa guerra militarmente em algumas horas. A impressão que eu fiquei, Daniel, e aí é uma interpretação minha, é que o Trump, no momento em que ele convocou hoje um pronunciamento à imprensa, como se fosse uma coletiva de imprensa, o que ele estava meio que fazendo uma sinalização para o Irã, que é, Irã, eu estou disposto a fazer um acordo.
me aparece com uma coisa mais razoável, que me permita dizer que eu ganhei de alguma forma e tal, que a gente fecha esse acordo, você diz que ganhou para o lado de lá, eu digo que ganhei para o lado de cá, e a gente encerra esse negócio. Eu não quero chegar na noite de terça-feira porque senão eu vou ter que agir e sabe, sei lá, o que vai acontecer. Só que o Irã não seguiu exatamente o script pensado por Donald Trump, Daniel, e, portanto, não aceitou a proposta. Vamos ver o que vai acontecer daqui a pouco mais de 24 horas.
Daqui a 24 horas, na verdade, às 7 da noite aqui do Brasil, a gente vai ter que ter algum tipo de posicionamento final por parte de Donald Trump, Daniel. Me parece, Tanguy, que o Donald Trump está desesperado por uma saída honrosa. Quer dizer, Irã, pelo amor de Deus, joga uma boia que eu vou embora. É só a gente chegar a algum tipo de acordo. Posso proclamar uma vitória internamente. Você também pode proclamar sua vitória internamente. Vai cada um para o seu lado e a vida meio que segue.
E é interessante destacar que a gente tem falado bastante sobre o Estreito de Hormuz e na última sexta-feira, no último dia útil que nós temos dados fechados, o tráfego aumentou. Aliás, nós tivemos o maior tráfego de embarcações desde que iniciou a guerra. E chamou a atenção, Tanguy, que você tem navio com destino a Índia, você tem navio com destino...
a China, mas você também tem navios de países europeus, como, por exemplo, você acabou tendo um porta-containers da França, você também teve um petroleiro japonês que acabou passando pelo Estreito de Hormuz, o que mostra justamente que algumas conversas devem estar sendo...
endereçadas e concretizadas, inclusive com acordos, para que essas embarcações possam cruzar o estreito em segurança. O que é uma concretização do controle iraniano do estreito. E muito provavelmente, Tanguy, a partir de agora vai ser assim. Quer dizer, você quer passar?
vai ter que conversar com os iranianos, vai ter que tirar os Estados Unidos do processo, vai ter que conversar diretamente comigo. Então, você Japão, você Europa, vem conversar comigo, tem jogo aqui. A gente pode estabelecer algum tipo de diálogo, eu posso dizer quais são as minhas condições.
Tenho certeza que são condições absolutamente razoáveis para vocês. Vocês podem pagar aqui um direito de passagem e as embarcações podem voltar a fluir com tranquilidade. Vocês podem voltar a receber gás, vocês podem voltar a receber petróleo. É claro que é um processo gradual, porque você vai construindo aos poucos alguma confiança. Então, é um navio, depois mais um navio, depois mais um navio.
Pode ser que em algumas semanas você tenha muitos navios passando, porque uma relação de confiança acabou sendo construída. Mas me chamou bastante a atenção o fato de você já ter um aumento no volume da circulação de navios naquela região. Claro que não é nem de perto o que nós tínhamos antes do início da guerra, mas não deixa de ser algo que chama a atenção.
E quando a gente pensa nesse cenário todo, Daniel, a gente vê que, assim, eu vou tentar excluir a variável dos Estados Unidos, tá? Claro, os Estados Unidos estão bombardeando, estão fazendo guerra e tal, mas digamos que isso não aconteça. De uma hora para outra, os Estados Unidos parem de bombardear o Irã. Esse país de todos que odeiam o Irã, Daniel, rapidamente pode encontrar um ponto de normalidade. Porque, assim, ninguém gosta da Arábia Saudita pelo que a Arábia Saudita é. A Arábia Saudita também é um regime...
fechado a um regime violento, agressivo, religioso ao extremo e tal. E assim, esses países todos conseguem dialogar com a Arábia Saudita. Dá pra dialogar, dá pra conversar, a gente mantém diálogo e tal. Então com o Irã, pra isso acontecer, basta a necessidade de bater a porta. Se precisar, a gente conversa com o Irã.
Da mesma maneira, Daniel, você tem esse país todos aí que vendem petróleo e tal, que estão preocupados agora porque não estão conseguindo passar com seus petroleiros, claro, eles estão estrangulados, né, porque não conseguem vender o seu principal produto. Na hora que abrir também, Daniel, eles vão vender e vão vender inclusive por um preço mais alto. Então, assim, é algo que você consegue acomodar com uma certa rapidez e o Irã sabe disso.
Vocês podem não gostar de mim, mas todo mundo vai dialogar comigo na hora que perceber que é mais barato pra eles.
negociar comigo, passar por ali, pagar um direito de passagem. Quem falou isso, inclusive, outro dia foi o Macron. Eu falei sobre isso aqui. O Macron já falou. Ó, tentar abrir os trades de Hormuz à força é caríssimo. É um negócio longo, é demorado. Vai morrer gente pra caramba, vai afundar barco, vai acabar com a economia internacional.
Melhor negociar com os caras, porque não vai ser dessa maneira que está sendo proposto. Então o Irã sabe disso, Daniel, e está segurando firme para ver se a coisa se mantém durante mais algum tempo e alguma normalidade mais favorável ao Irã pode ser atingida. Aliás, para ilustrar isso, no dia de hoje, a primeira-ministra japonesa declarou de viva voz que está buscando o diálogo com o líder iraniano.
Aliás, afirmou isso na Comissão de Orçamento da Câmara Baixa do Parlamento. Na prática, Tanguy, quando você diz que está buscando diálogo, é porque o diálogo já começou. É disso que se trata, você está ali preparando o terreno. Olha, estou buscando diálogo, estou me preparando para buscar diálogo com as autoridades iranianas. Já está acontecendo.
E uma das maiores aliadas do Trump, né? Esse era o meu ponto. Uma das maiores aliadas do Trump já está dialogando com os iranianos. A maior prova disso é que tivemos ali um petroleiro com destino ao Japão cruzando o Estreito de Hormuz na última sexta-feira. O Japão depende demais do petróleo vindo daquela região. É um país que depende demais da energia proveniente do Oriente Médio.
O Japão não pode morrer abraçado aos Estados Unidos nessa situação. Olha, gente, entendo e tal, vocês têm todo o meu apoio, Estados Unidos, amo vocês, mas eu preciso do petróleo do Oriente Médio, eu preciso do gás do Oriente Médio, eu não tenho alternativas nesse volume rapidamente. Petróleo é um produto que tem demanda inelástica a preço, a minha economia já é uma economia que não está lá essas coisas, que está enfrentando uma série de dificuldades.
O Japão tem tido problemas de inflação, algo completamente fora do padrão japonês ao longo das últimas décadas. Eu não posso morrer abraçado com vocês, eu vou conversar com os iranianos. Então, me parece que quando você declara que está construindo o terreno para o diálogo, porque o diálogo já começou e você já está tendo, inclusive, os primeiros frutos da tentativa de construção de algum grau de confiança para que haja ali uma certa normalização no fluxo de energia.
E Daniel, quando a gente fala sobre esse mundo convulsionado da maneira como está, a gente sabe que as fronteiras se fecham, você passa a ter maiores dificuldades. E uma das coisas que pode ajudar muito, o pessoal que está ouvindo a gente, isso é muito importante, que pode te ajudar muito a transitar melhor internacionalmente, é você ter um segundo passaporte. Se você tem essa possibilidade, principalmente de adquirir uma nacionalidade portuguesa, italiana ou espanhola,
procura a Você Português. São nossos parceiros aqui no Petit Jornal e eles podem te oferecer tudo o que você precisa, claro, caso você tenha a possibilidade, se você tiver um antepassado, se você precisar de ajuda com esse processo, a Você Português pode te oferecer tudo o que você precisa para conseguir a sua cidadania portuguesa, italiana ou espanhola, com seu apoio tanto no Brasil quanto também no exterior, na Europa, para conseguir documentos, para conseguir advogado, para conseguir pessoas que consigam fazer um bom argumento.
para que você consiga o seu passaporte, caso, claro, você tenha direito a ele. Tanguy, fica aqui a nossa recomendação dos amigos e amigas da Você Português. É sempre importante lembrar que o fato de você ter um direito a uma nacionalidade, uma nacionalidade portuguesa, espanhola ou italiana, não é um direito perpétuo.
Pode ser que você tenha ali uma modificação das regras. Aliás, isso tem acontecido com alguma regularidade no continente europeu. As regras têm mudado, inclusive, na direção de um maior aperto à concessão de uma nova nacionalidade para aqueles que são descendentes de europeus.
Por isso, não deixe para amanhã. Faça logo realmente a sua nacionalidade, busque a ajuda dos amigos da Você Português. Link no descritivo desse episódio, clique e conheça o trabalho deles, porque é importante, ainda mais dentro desse mundo convulsionado, você ter alternativas, e uma nacionalidade europeia te proporciona muitas alternativas. Link no descritivo.
Daniel, eu queria trazer uma última pauta ainda sobre a guerra no Golfo Pérsico, e depois a gente pode passar adiante, a gente tem alguns outros assuntos para tratar, mas segundo a Guarda Revolucionária do Irã, o país conseguiu atingir um navio de guerra norte-americano que é o USS Trípoli.
Esse navio, Daniel, a gente está falando sobre um navio da classe América, com 257 metros de comprimento e 45 mil toneladas. Ele é relativamente novo, ele foi comissionado em 2020, e era um daqueles que a gente falava recentemente que estava, de uma certa maneira, preparando o terreno para uma eventual ação anfíbia.
Então você tinha ali, o número não é muito preciso, não dá para saber exatamente quanto, mas algo entre 2.500 e 5.000 Marines, que são os fuzileiros navais americanos. Então não chega a ser um porta-aviões, porta-aviões costumam ser muito maior, mas é um navio que carrega aeronaves também e que daria, portanto, todo o apoio para, eventualmente, um desembarque em terra. Quem falou isso foi...
a Guarda Revolucionária do Irã. Isso não foi confirmado pelos Estados Unidos, mas, ao que tudo indica, esse navio, inclusive, ele teve que sair da região onde ele estava, teve que voltar ali para o Mar Arábico, exatamente para, eventualmente, passar por algum tipo de reparo. Então, isso apenas reforça, Daniel, o que a gente falava agora há pouquinho.
que é o fato de que os Estados Unidos estão contando que podem tomar o Irã em apenas uma noite e tudo. É importante notar que o Irã continua com poder de fogo bastante importante, atingindo, inclusive, um navio importante como esse, um navio pesado, né? A gente pode falar um navio de peso como esse. De novo, não chega a ser um porta-aviões, mas é quase, né? A gente está falando sobre um navio que poderia oferecer uma excelente alternativa militar para os Estados Unidos, Daniel.
Tanguy, nessa próxima pauta, eu quero falar um pouco sobre as relações entre o Norte da África e a Europa. Norte da África que acaba sendo justamente uma alternativa para o fornecimento de petróleo e gás natural, principalmente proveniente da Argélia e da Líbia.
No caso da Argélia, nós tivemos aí uma recente aproximação entre Espanha e Argélia e Itália e Argélia. O José Manuel Alvarez, que é justamente o chanceler espanhol, visitou a Argélia.
agora no final de março, descreveu a Argélia como um fornecedor de energia estável, fiável e consistente. A Argélia é o principal fornecedor de gás da Espanha. Nos últimos três anos se tornou mais de 29% das importações espanholas de gás que vieram da Argélia através justamente de um gasoduto.
Mas existe ali, inclusive, a expectativa de uma ampliação nas conexões de fornecimento de gás proveniente da Argélia em direção à Espanha. Aliás, isso, em parte, explica o posicionamento do governo espanhol
em relação à guerra entre Irã contra Israel barra Estados Unidos. A Espanha tem tido ali uma postura que tem chamado a atenção, e em parte isso é explicado justamente por esse relacionamento que os espanhóis estão tentando construir com os argelinos.
E Gaza também, né? E Gaza também, claro. A Espanha é super crítica a tudo que acontece em Gaza e tudo, também é uma forma de você estar próximo dos países árabes. A Georgia Meloni também, né, Tanguy? Que nos últimos dias, inclusive, aumentou o tom das suas críticas em relação aos Estados Unidos. Ela visitou a Argel há poucos dias, tentando reforçar as importações de gás argelino.
em direção à Itália. Isso também ajuda a explicar um pouco essa nova tônica italiana no que diz respeito aos Estados Unidos. E nós temos a Líbia. A Líbia não tem um governo funcional único desde 2011, desde que o Gaddafi...
Acabou sendo morto, inclusive, nas ruas da Líbia. No oeste está o governo de unidade nacional, reconhecido internacionalmente e sob o controle de Abdul Hamid, com sede em Trípoli. E no leste nós temos um comandante militar, o Califa Haftar, que controla o território por meio das forças conhecidas como o Exército Nacional Líbio.
O grande problema é que o gás e o petróleo líbio estão basicamente na parte leste. E, consequentemente, você precisa ali de algum tipo de acordo. Porque Trípoli pode assinar quantos acordos quiser, que se você não tiver a anuência do governo que está no leste, nada feito. Você não tem ali como ter o fornecimento de energia proveniente da Líbia. Líbia que tem realmente jazidas de petróleo e gás.
gigantescas. Em 2022, durante a outra crise, a crise entre Ucrânia e Rússia, você acabou tendo ali o estabelecimento de um acordo. Um acordo entre os dois governos com a criação da Arkeno.
que vem a ser uma empresa privada de petróleo e que estava ligada à família Haftar, ou seja, à família que controla o leste da Líbia. E daí? E daí que o que acabou acontecendo durante esses praticamente quatro anos?
é que esta família que controla o leste do país começou a desviar os fundos provenientes do petróleo e do gás líbio para contas no exterior e Trípoli não estava recebendo quase nada desses recursos provenientes das exportações. Consequentemente, na última quinta-feira, Trípoli resolveu romper o acordo.
E agora a Arkeno não tem mais essa chancela internacional do governo de Trípoli, mas tem o controle efetivo das jazidas de petróleo e gás. Diante disso, o governo Donald Trump, preocupadíssimo, mandou um assessor, o Massad Boulos,
para ter reuniões com os envolvidos, como quem diz, pelo amor de Deus. Ah, porque o pessoal do leste está roubando. Ô, gente, agora isso é problema para vocês de trípole. Ah, porque não pode roubar. Porque os caras estão roubando o dinheiro do gás natural e do petróleo.
Enfim, Tanguy, na prática, fica bem claro que a galera de Trípole quer mais dinheiro. É isso, a galera de Trípole quer mais dinheiro, está achando que a galera do leste está levando dinheiro demais. E agora você tem aí uma super janela de oportunidade para uma renegociação. Trípole rompeu o acordo por perceber que agora, meu amigo, vocês precisam da minha chancela internacional para continuar vendendo petróleo e gás e para ter a minha chancela.
Agora vai ser mais caro, porque afinal tem uma crise no Oriente Médio, os europeus estão desesperados por petróleo e gás natural. Então venham comigo, venham conversar, porque o preço agora é outro para que a gente possa reestabelecer esse acordo que funcionou a partir de 2022.
Vamos ver o que acontece, Tanguy. Mas é muito impressionante como você tem uma série de peças se movendo no tabuleiro internacional em função dessa crise que está acontecendo no Oriente Médio. E agora temos mais uma, a Líbia. A Líbia que está pertinho da Europa, que pode fornecer gás, que pode fornecer petróleo. Os europeus estão desesperados por isso. Líbia que não precisa passar pelo estreito de Suez.
Não precisa passar por Ormuz, não precisa passar por nada. Mar Mediterrâneo, Europa dentro, estamos aqui. Mas agora vai ter que renegociar o acordo entre os dois governos que controlam a Líbia desde 2011.
Daqui a pouco o Daniel vai começar a sumir, inclusive, o que eu estava falando agora há pouco. Ah, mas o Irã, eles são radicais, religiosos e tal. Esse governo de Trípoli é um governo que é dominado pela Irmandade Muçulmana. Os dois lados, de uma certa maneira, romperam por causa disso. Então a Irmandade Muçulmana controla esse parlamento de Trípoli. E daqui a pouco o Daniel vai ser um tal de, meu amigo, eu tenho que negociar com quem eu negocio. Não tem problema. Ah, mas é radical religioso. Ah, mas apoia terrorismo.
Tem problema. Se você não me atacar agora, tá bom. Aí você me ataca daqui a cinco anos, depois a gente vê e tal. Mas, pelo amor de Deus, me vende petróleo e gás, porque é agora que eu tô precisando. Daniel, uma outra pauta que eu queria trazer, aqui também dando uma diversificada geográfica, é sobre a Coreia do Norte. A Coreia do Norte, que é um dos regimes mais opacos, né, Daniel? Que a gente tem mais dificuldade de saber exatamente o que tá acontecendo.
E as últimas notícias que a gente tinha era de que o Kim Jong-un, o presidente do país, ele tinha definido a irmã dele como a sua sucessora. Importante lembrar que o Kim Jong-un é jovem, ele está ali na casa dos 40 anos, mas ele tem muitos problemas de saúde. Então há uma preocupação, naturalmente, com a possibilidade dele falecer de uma hora para outra e tem que ter, portanto, uma sucessão para manutenção dessa dinastia. Então, aparentemente, ele tinha escolhido a irmã dele.
para ser a sua principal sucessora, que é a Kim Yo-yong. Essa semana, no entanto, a Agência de Inteligência da Coreia do Norte, que é a NIS, ela apresentou para o Parlamento Sul-coreano um relatório que dá uma outra perspectiva e que dá a ideia de que ele está preparando, na verdade, a filha dele para ser a sua sucessora, que seria a Kim Yo-yong.
Joo-ai. Ela tem apenas 13 anos de idade, mas ela já estaria sendo preparada pelo pai para ser a sua sucessora. Lembrando que o próprio Kim Jong-un foi preparado desde muito jovem para ser o sucessor do pai dele, e a informação que o Serviço de Inteligência da Coreia do Sul trouxe, que aparentemente apontaria nesse sentido, é que ela, Kim Joo-ai, a filha do Kim Jong-un, de cerca de 13 anos, teria aparecido dirigindo um tanque de guerra.
Isso é quase um ritual que eles fazem na Coreia do Norte, Daniel, para mostrar que olha como é que uma jovem é capaz de pilotar um tanque de guerra. Importante lembrar que quando você fala sobre o pai e o avô do Kim Jong-un, eles tinham um negócio que era, ele aprendeu a dirigir com apenas seis meses de idade, ele aprendeu a falar assim que nasceu, foi ele que inventou o hambúrguer, foi ele que veio do lugar de onde vêm os unicórnios. Você tem os mitos fundadores assim.
Então, essa ideia de que ela, com 13 anos, já seria capaz de ter uma série de habilidades militares faria parte dessa apresentação da filha de Kim Jong-un como sua sucessora. Então, aparentemente, não será a irmã de Kim Jong-un a sua sucessora, e sim a filha de Kim Jong-un. Isso é muito mais interessante do que The Crown, Daniel, com as intrigas palacianas do Reino Unido.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da chaqueira de hoje? Daniel Souza, a geleia da chaqueira de hoje, eu tenho a impressão de que ela passou de todos os limites. E eu estou rezando para você falar agora que nada disso é verdade, mas eu vou deixar você falar. Mas no final você vai falar assim, gente, era tudo mentira. Não é nada disso. Me conta, Daniel. Vai.
Não é mentira, é verdade. Para desespero do professor Tanguy Bagdadi, tivemos Donald Trump ao lado de sua esposa e do coelhinho da Páscoa numa varanda da Casa Branca falando sobre a guerra. E é o Donald Trump falando sobre a guerra.
sobre todos os problemas que a guerra traz, toda a violência que a guerra traz. Vamos obliterar o Irã, acabar com o Irã. Obliterar o Irã. E aí está, ao lado de Donald Trump, o coelhinho da Páscoa, uma pessoa vestida de coelho, em tamanho natural, obviamente, com aquela cara meio... Tô aqui, gente, é páscoa. Tamanho natural não, Daniel. E tamanho humano, né? O negócio fica texto. Uma pessoa vestida de coelho e tal.
E ficou uma cena, no mínimo, curiosíssima. Quem não viu, veja. Gente, é muito constrangedor. Está lá a Melania, o Trump e o Coelho da Páscoa. E o Trump falando da guerra que vai destruir o Irã, que vai acabar com o Irã. E o Coelho da Páscoa ali do lado dele. Gente, eu acho que eu estou um pouco desconectado aqui desse clima. Afinal, é Páscoa, gente. Estou aqui para...
entregar ovinhos para as crianças, trazer aqui uma mensagem de paz, uma mensagem de esperança, e está aqui o presidente falando de guerra. Aliás, no discurso dele de hoje, também falando sobre a recuperação do piloto dos Estados Unidos em território iraniano.
Achei o Trump meio indeciso. Achei o Trump meio hesitante. Vai, volta, vai para cima, vem para baixo. E quando você precisa mostrar que a recuperação de um piloto, não que não seja fantástica, não que não seja digna de nota, mas o seu grande efeito na guerra foi recuperar um piloto, gente. Oh, meu Deus do céu. De um avião que foi abatido, né? Pois é.
Não é com a recuperação de pilotos que uma guerra é vencida ou está sendo vencida. Mas, de qualquer maneira, voltando ao Coelho da Páscoa, vale a pena você ver a cena de Donald Trump falando que vai obliterar o Irã ao lado do Coelhinho da Páscoa, que ficou ali um pouco constrangido com todo aquele contexto.
Não dá para ver o rapaz que estava ali dentro ruborizar o Daniel porque ele estava de máscara, mas ali vou te contar a coisa. Daniel Souza, dessa maneira a gente encerra o nosso episódio. Aliás, eu queria deixar o convite, Daniel. Você falava agora um pouco sobre a Líbia, né? E a confusão que é a Líbia. Eu estava lembrando que a gente tem aula lá no Pesticur sobre a Líbia. Quer entender por que tem dois governos? O que está acontecendo?
Qual é a característica do governo do leste? Qual é a característica do governo do oeste? Está lá. Tem aula sobre Líbia.
lá no Petitcurso, assim como vários outros. Coreia do Norte, a gente tem um curso sobre a Coreia, inclusive com aulas sobre a Coreia do Norte, fala bastante sobre o Kim Jong-un. Então, os temas que a gente trata aqui no Petitcurso, no Petitjornal, perdão, normalmente tem aula no Petitcurso também para embasar. Inclusive, a gente vai começar amanhã.
nessa terça-feira, mais um curso no qual a gente vai falar sobre Oriente Médio, a relação dos Estados Unidos, do Irã, como é que esses dois países se relacionam com o Oriente Médio, de uma forma geral, quais são os objetivos, como é formatado o governo iraniano, tudo isso para quem é aluno do Petit Curso. Acessa lá, petitcurso.com.br, acessível, barato, eu tenho certeza que vai valer a pena demais para você. Acessa lá que você já pode assistir a próxima aula ao vivo junto com a gente.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petit é um trabalho artesanal, precisa demais da ajuda de nossos apoiadores. E por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix?
que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal. Chave no descritivo desse episódio. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
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