#213 NESTOR CHIESSE (Dublador do Dexter Morgan) - Desfoque Podcast
Nestor Chiesse é ator, dublador e diretor de dublagem.Já emprestou sua voz para atores e personagens como: Dexter Morgan (na série Dexter), Shane Walsh (em The Walking Dead), All Might (em My Hero Academia), Asuma (em Naruto), Sherlock Holmes (em Sherlock), Hypnos (em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas) e Randall Pearson (em This is Us). Instagram: @nestorchiesse::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::Anfitrião:Claudio GalvanInstagram @claudiogalvan @galvanestudiosSiga o Desfoque no Instagram @desfoque_podcast
- A dublagem de personagens icônicos e a relação com o públicoDublagem de Dexter Morgan e a polêmica do anti-herói · Dublagem de Sherlock Holmes e a recepção dos fãs · Dublagem de All Might em My Hero Academia · Dublagem de James Lannister em Game of Thrones · Dublagem de Randall Pearson em This Is Us
- A dublagem como trabalho artístico e a relação com outros atoresA dublagem como um trabalho operário e a dedicação necessária · A influência de outros dubladores e a construção de legado · A importância da humanidade e da verdade na interpretação · A dificuldade de substituir personagens já estabelecidos
- A dublagem como vocação e arteA dublagem como trabalho e paixão · A importância da técnica e da arte na dublagem · A dublagem como complemento para a atuação · A resiliência e o estudo na carreira de dublador
- Desafios e particularidades da dublagemA dificuldade de dublar personagens com fala rápida · A importância de entender o texto para interpretar · A dublagem de Sherlock Holmes e os desafios · A dublagem de personagens com sotaques específicos · A dublagem de Hisoka em Hunter x Hunter com sotaque francês
- Início da carreira de dubladorTransição do teatro para a dublagem · Greve de dubladores de 1997 · Treinamento e contratação na VTI
- A transição de carreira e a vida no Rio e São PauloMotivações para a mudança de Rio para São Paulo · Diferenças entre o mercado de dublagem no Rio e em São Paulo · A influência do sotaque na dublagem
- Carreira de ator e paixão pelo audiovisualInício no teatro aos nove anos · Formação em teatro na Unirio · Preconceito contra atores de TV e comerciais · Experiência com dança e teatro musical
- A evolução da dublagem e os desafios do mercadoA dublagem remota e a produção
Sou muito boa noite, obrigado por estarem aqui novamente assistindo o Desfoque Podcast. Se você está chegando hoje e não me conhece, eu sou Cláudio Galvão, eu sou ator, cantor e dublador. E toda semana eu recebo ali do outro lado da minha mesa estrelas maravilhosas, magníficas, geralmente da dublagem e hoje tenho aqui um grande representante da dublagem de São Paulo, que é muito legal, Nestor Kiesse.
Muito obrigado por ter vindo. É um prazer enorme estar aqui. Há muito tempo eu queria estar aqui sentado conversando com você. Que legal. Obrigado, cara. Obrigado. Me sinto honrado de poder trazer sempre colegas de São Paulo. A minha história com São Paulo é uma história de amor mesmo, de muito tempo, porque eu trabalhei muito em teatro.
e sempre viajando muito pra São Paulo inclusive estarei em São Paulo daqui a pouco novamente em cartaz em junho vou de novo poder visitar essa cidade maravilhosa com tantos colegas que eu amo então eu sou louco quando vem colegas que são de lá, porque é isso né, a gente tem que eu falo que eu sou um colega híbrido né, você sabe eu sou híbrido, eu comecei no Rio de Janeiro eu sou carioca
Ah, mas você já mora lá há muito tempo. Tem 20 anos. Eu fui a primeira ave migratória aqui do Rio para São Paulo. É mesmo? É, eu comecei aqui, trabalhei na Herbert. A gente se cruzou muito pouco quando eu comecei. Eu fiquei acho que uns 3, 4 anos dublando aqui. E aí depois eu fui para São Paulo e aí a minha carreira realmente aconteceu lá. Embora que eu tenha feito muitas relações e eu costumo dizer que eu sou do mesmo útero da Ritinha Lopes, do Mauro Horta e do Percy. Daqui a pouco eu te conto o porquê.
Ah, garoto, muito bom. Bom, você já viu que o papo vai ser muito legal, né? Você que está chegando agora, se você ainda não conhece o podcast, está meio assim e tal, segura a sua mão. Mas eu tenho certeza que você vai gostar. E quando você gostar, dá o seu like, é importante. Você que já é de casa já deve ter dado o seu like, senão eu te dou um segundo agora, dá o like. Vai lá, gente. Aí, deixa aquele... E outra coisa, aquele sininho pretinho, para tudo quanto for notificação da gente chegar para você, você ficar sempre sabendo quem está aqui.
É muito importante, tá bom? Se inscreve no nosso canal também. Aumentar a nossa família. Já estamos chegando aos nossos 200 mil queridos amigos dessa família maravilhosa. Então, vem fazer parte dessa virada que vai ser muito bacana, tá bom? Bom, vamos falar sobre várias coisas. Mas esse cara aqui, além de ser muito talentoso na dublagem, tem também outras histórias aí muito legais que a gente vai falar. Mas antes da gente falar disso tudo, já temos perguntas.
A gente daqui a pouco vai responder perguntas também. Vamos falar. Mas a... Vamos responder.
Meu amigo, você já começou falando que você é carioca, né? Sou carioca. E você foi para São Paulo trabalhar. Isso, exatamente. Antes disso, como é que foi essa história? Você trabalhava como ator? Você foi estudar depois? Como é que foi estudar? Sim, não, não. Eu me entendi ator. Eu comecei com nove anos de idade. Eu sou do interior do estado do Rio, Barra Mansa. Ah.
E aí o meu pai fazia teatro amador. E a minha tia me levava ao cinema desde muito cedo, desde 4, 5, 6 anos. Eu ia assistir as sessões Tom e Jerry, em Volta Redonda, extinto o Cine 9 de Abril. E eu fiquei apaixonado pelo cinema desde sempre. Foi uma paixão, assim, à primeira vista. E a primeira vez que eu fui ao teatro, assisti o meu pai, eu pensei, criança, esse é o cinema que eu posso fazer ao vivo. Vou começar a fazer. E eu comecei a fazer teatro com 9 anos.
Com 16 eu me mudei para a cidade do Rio, fiz o primeiro PUC, comunicação, um ano e meio, mas a ideia já era fazer teatro, porque eu já tinha participado do grupo de teatro da escola, já era o primeiro ator da companhia, já viajava ali pelo interior com um grupo amador, com nome, reconhecido.
E aí cheguei aqui, vim pro Rio com a ideia, ah, vou fazer comunicação e vou me enfiando lá no teatro. Quando eu cheguei no Rio, eu vi que a história não era bem assim. Você tem que se dedicar realmente. E aí eu prestei um segundo vestibular pra Unirio, que é onde eu me formei. Ah, também. É, sou filhote da Unirio.
E nunca passou pela minha cabeça ser dublador. Eu queria ser ator, mas eu tinha uma dúvida muito grande sobre onde eu ficaria, porque isso foi lá nos anos 90, comecinho dos 90. Então a gente não tinha uma produção nacional muito grande, o que era forte no Brasil era novela. Eu amava fazer teatro, mas eu entendia que não era exatamente a minha linguagem, porque a minha paixão era o cinema, era o audiovisual.
E aí, um belo dia, um ator, eu estava lá já passado dos 25 anos, era formado pela Unirio, eu estava fazendo uma peça com o Lissus Cruz, eu fiz Pericles aqui no Rio de Janeiro. Ah, que legal. É. Saí dali, vi um anúncio, um classificado. Mal sabia eu que eu era um filhote de uma greve, que é a greve de 97. Exatamente. Eu, um ator que não tinha nenhuma relação com dublagem, como qualquer ator buscando trabalho, abriu o jornal, vi um classificado da VTI, do seu Berbara.
dizendo, procuramos atores profissionais que nunca tenham tido nenhum contato com a dublagem. Porque tinha toda a trama da treta da greve. E eu, ingenuamente, mandei o meu currículo. Como qualquer ator que está ali procurando trabalhar, mandou. Foram 300 currículos. E que não estava sabendo de nada? Não sabia de nada. Eu não tinha conexão com o mercado. Eu não sabia nem como era feito, onde eram os estúdios.
Eu sou de uma época em que a dublagem era uma voz mágica que saía da televisão. Nós não tínhamos rosto, nós não tínhamos vidas, nós éramos magicamente vozes misteriosas que saíram. É, exatamente. E aí chegaram 300 currículos lá na VTI. O Berbara eliminou só pelo currículo 180.
Chamou 120 para uma dinâmica de grupo, em dois dias de 60. Mandou a gente ler o Corvo do Edgar Allan Poe no palco da VTI, que tinha um auditório gigantesco. Que maravilha. É, mas é isso. Foi assim que a dublagem vai chegando.
Mandou, dali eliminou dos 120 que ele chamou. Ele tirou 90, mandou embora e pegou 30. Esses 30 tiveram três meses de, não era curso, era de treinamento com o Lauro Fabiano. Meu primeiro contato com uma pessoa da dublagem. Que durante três meses nos treinou.
com oferecimento da VTI, a gente ia para os estúdios, quarta e sábado, quatro horas por dia, e a gente ficava lá, pega o desfibrilador, era sempre uma cena médica, para botar a gente já no... E realmente, ali ninguém tinha contato com dublagem. Algumas pessoas ali eu acho que já queriam fazer, mas eu realmente não queria, era um trampo que estava aparecendo ali para mim.
E aí, depois desses três meses ali de intensivo, ele eliminou mais 18, ficamos 12. Estou lá. Peneirando. Peneirando. Aí esses 12 estagiaram por, acho que um mês, gravaram e tal. Desses 12, ele eliminou seis. E seis ele contratou por experiência, porque era o CLT, né? Carteira assinada. Seis por experiência.
durante 90 dias. No final dos 90 dias, ele contratou três. Eu, Mauro Horta e Rita Lopes. Olha aí, que legal. Percy estava entre os seis. Foi dispensado.
Não por falta de talento, porque ele era maravilhoso desde sempre. Mas porque naquela época o que acontecia era que eles queriam um elenco fixo e que tivesse vozes mais brancas. Então eu, a Ritinha e o Mauro, a gente conseguia ter uma... Uma coringada ali. Uma coringada maior, né? Como se dizia na época, a gente conseguia fazer do feto ao cadáver. Isso era uma coisa que a gente ouvia muito quando começava. O bom dublador tem que fazer do feto ao cadáver. E assim foi que eu comecei. Fui contratado pela VTI.
E aí, quando a gente entrou na VTI, a gente soube, descobriu que a gente era filhote de uma resposta mal educada do Berbara à categoria. O que dificultou um pouco a nossa vida no começo. A gente ficou praticamente um ano inteiro só trabalhando na VTI. Se a gente chegasse em qualquer outro estúdio, as pessoas nem olhavam pra gente. E aí, claro que tem os anjos da guarda, né? Que aparecem nessas horas. Mas começou desse jeito.
Caramba, que começo já turbulento. Legal, mas assim, bacana porque depois disso passou o tempo e é o que eu acho que sempre vai ficando, com todas essas polêmicas, tendo razão ou não, porque eu acho que nessa época que nós tivemos essa greve, nós tivemos um resultado extremamente negativo, na minha opinião, para os dubladores, porque acabamos depois dali resolvendo que a grande recompensa pelos direitos autorais é um 10% de...
da hora trabalhada, ou seja, eu acho que a minha opinião é que isso foi um calabouca muito barato e que a gente trouxe isso agora até os dias de hoje e agora temos outras polêmicas então eu acho que com tudo isso o que fica na verdade é
a resiliência, o estudo e o talento. Porque com certeza essa história é uma história legal de contar hoje, que já passou e tal, não sei o que, mas na época, se vocês não tivessem tido...
O meu caso, por exemplo, foi um caso de paixão. Eu me apaixonei pelo processo. Eu me vi diante das obras que eu gostava. Eu era um consumidor, como sou até hoje, um consumidor assíduo de cinema e de cultura pop. Eu, na época, era fã alucinado do Arquivo X. E eu assistia dublado, obviamente, que passava na Record. E a VTI era o estúdio que dublava o Arquivo X.
E eu caí lá dentro. E aí quando eu me vi fazendo uma pontinha no arquivo X, eu tava tipo Hollywood, cara. Era tipo... Eu me senti muito...
Sabe quando você sente, aqui é meu lugar. Aqui, e eu já tinha feito muito teatro, já estava fazendo TV, eu apresentava um programa de cinema na TV a cabo que estava começando. Eu tinha já uma outra carreira que acontecia, né? Porque eu estreei profissionalmente no teatro aqui no Rio com 16. Antes ainda de começar a faculdade de teatro, eu já consegui trabalhar. E aí depois fiz a faculdade, sempre trabalhei, eu emendava uma peça na outra, eu nunca fiquei sem trabalhar. Nunca, nunca, nunca.
Mas eu tinha pra mim, eu sabia lá no meu íntimo, e era muito feio expressar isso, pros meus colegas de uma faculdade de teatro, eu falo, teatro não é a minha. Caramba. E era muito radical. Eu me lembro que a primeira vez que eu fiz um comercial de TV, eu ainda tava na faculdade. E eu cheguei e os meus colegas brigaram comigo.
Ah, mas o Enrio tinha essa história, né? Vocês estão prostituindo. Isso aqui é uma academia. É, a TV, não é? Imagina a coisa pra... Então, a TV pra eles era tipo o fundo do poço. Um comercial, então, era tipo...
É uma coisa boba, né, cara? Uma besteira, né? E depois tiveram que se render, porque a Unirio, graças ao Rubinho, que era um apaixonado, sempre foi um apaixonado por um musical, começou a trazer... E a Unirio pulou pra fora do muro, graças a essa exposição maravilhosa que foi...
O Rubinho trabalhando, o teatro muito bem trabalhado, com atores fazendo bem o musical. Aí ele fala assim, caramba, olha só que projeto musical para ator de teatro e cantores. Exatamente. Quebrou esse preconceito. Exatamente, a minha Unirio era totalmente diferente. E era uma das coisas que eu tive professores maravilhosos.
Jane Celeste, que está aí até hoje. Beth Rabet também. Beth Rabet, foi minha professora. Flora Susequinde. A Ana... Esqueci que ela dava... Teoria do teatro. Sei quem é. Flora Susequinde, imagina. Grande estudiosa do teatro. Roberto de Cleto era o meu decano, foi meu amigo. Foi o primeiro mentor que eu tive no teatro.
Uma pessoa que me ensinou coisas maravilhosas. Tatiana, tive a Tatiana que tinha acabado, quando eu fiz o NIR, ela tinha acabado de voltar do mestrado de Paris, tinha estudado com o Lecoque. Não, é, a gente teve contato com muita coisa. E eu era um garoto do interior, né? Tinha o que era o Ber... Caramba, excelente professor também.
Ele era nordestino até, de cabelo grisado. Quando foi isso, mais ou menos? Ah, isso foi em 90 e pouco. Eu já estava formado. É porque eu fui fazer faculdade com 27 anos. É, eu estava saindo já. Eu peguei ali o Roberto de Cleto, o Nelly Laporte, essa galera. O Luciano Maia, por exemplo, que é professor, o Luciano estava fazendo...
licenciatura quando eu estava na Unirio. E ele foi decano, né? Departamento de Interpretação e tudo. É um grande amigo que eu não vejo há muito tempo, inclusive. Que legal. Mas, então, tinha esse preconceito. E eu me queixava muito. Eu já tinha uma visão de que aquilo seria o meu trabalho também. Eu era apaixonado. Eu amo. Eu sempre entendi que, de alguma maneira, eu teria que ser artista.
E eu não tinha... Mas eu também tenho um lado muito pragmático. Eu não queria que isso fosse um hobby. Então eu estudei, eu fiz escola de dança, eu dancei balé clássico, durou um tempo. Eu também. Eu fui da escola Marioleneva. Eu fui também também. Você foi? Olha aí. Como é que a gente não se conhecia? Então, eu fazia... Eu queria dizer, eu sou mais velho que você. Será, hein? Não sei não, hein? Não, tem 55, você tem? Não tem? Tem mais. Você tem quanto?
Não, é segredo. Você tem mais? Mentira, para, você é mentiroso. Segredo, segredo. Ah, não, peraí. Peraí, que ano que você foi da Maria Leneva? Eu tenho 35. Eu tenho 35 anos. Que ano que você foi da Maria Leneva? Eu fui da Maria Leneva em 1989, 90. Ah, pelo amor de Deus, na época que eu fui de lá.
Sabe quem era meu companheiro de classe? A gente se conheceu lá e não lembra. A gente era... Quem fazia aula de dança comigo era o Tuca Andrade. O Tuca Andrada tinha acabado de chegar no Rio. Sim, eu lembro. O Tuca era meu colega de classe na Mariola Neva. Pô, era Marcelo Coelho da Vala, Dona Consuelo. Sim. Eu fiquei lá muito pouco tempo, porque eu já estava fazendo a Uni Rio.
Eu me formei bailarino, fui deixar do musical. Eu não me formei. Eu fiz lá um ano, um ano e pouquinho. E aí depois eu fui dançar com o Renato Vieira. Fiquei dançando com o Renato um tempão. Soraya, Bruno. Viu o Bruno, né? Despontar. Fazer aula com ele era uma humilhação, desde sempre.
impossível. Então, acho que a gente se conheceu. Então, eu estava pensando nisso. A gente frequentou os mesmos lugares. Eu queria ser um ator de musical na época. Eu me preparava para isso. Tanto que quando eu fui fazer o Pericles, eu entrei para o espetáculo porque eu tinha um excelente preparo de corpo e era um espetáculo muito físico. A gente fazia kati de kung fu, tinha acrobacia, tinha um barco que era um mata-borrão gigante que ficava no palco.
Então, eles precisavam de atores que tivessem muito preparo físico. Então, eu dançava, sapateava.
cantar eu nunca cantei muito bem, mas eu acho que eu não cantei muito bem, porque disseram pra mim uma vez que eu não cantava bem e eu fiquei traumatizado.
Ai, meu Deus, eu sempre me lembro minha filha vendo Smurf, ela adorou a música. Não deixe que alguém diga que não é ninguém. Ela adora essa música, agora me lembrei totalmente. Faz ela muito bem de não deixar ninguém dizer que ela não faz alguma coisa bem. Mas eu já vim de um background familiar, que era um pouco complicado nesse sentido. Uma família maravilhosa, que eu amo, mas que tinha mais o interior, que me achava muito ambicioso e achava com relação.
Sempre me dizia, mas você não vai conseguir do que você vai conseguir. Mas você provou que não. Eu falei, gente, eu vi que eu ia morrer de fome, que eu estava louco, que para dar certo nessa área eu precisava ser filho de alguém, ser rico, e eu não era nada disso, eu era um menino do interior. E aí a gente vai fazendo a história, vai acontecendo. E aí nesse momento aí que eu estava dançando, surgiu a dublagem.
E eu me apaixonei pela dublagem. Caramba. Eu me apaixonei. Eu falei, é aqui. Foi o lugar onde eu me senti mais... Depois que você saiu, você ficou na VTI esses 90 dias, depois você foi contratado e ficou, né? Fui contratado. Eu dublei aqui quase três anos, quatro anos. Eu cheguei a fazer um protagonista no Arquivo X mesmo. Eu fui a voz do John Duggett. Foi o primeiro protagonista que eu fiz na minha vida.
pelas mãos da Célia Guimarães, que é uma das fadas da minha vida, uma das mães da dublagem que eu tenho, que sabia que eu era fã e que tinha paciência comigo. Ela via que eu era muito dedicado, né? Eu sou muito dedicado nas coisas que eu faço.
E aí ela viu que eu estava apaixonado, então ela tinha paciência para me ensinar. Depois que a gente, se a gente tinha um vozerio e acabava mais cedo, ela ficava lá 20 minutinhos comigo. Olha, faz assim. Ela sabia que eu era fã da série. Quando o Mulder saiu, ela falou, olha, vai chegar um agente novo. Eu quero que você faça o teste. Meu Deus, não, mas você...
é você vai você vai poder pode fazer o teste aí eu fiz o teste e ganhei que legal e foi o primeiro protagonista e é muito engraçado que eu tinha vinte e poucos anos na época mas eu já comecei a fazer nome de 40
Eu nunca tive voz de garoto. Nunca tive voz. A minha voz sempre foi mais pesada. Eu nunca fiz um... Acho que ninguém com menos de 30 anos na dublagem. É mesmo? Caraca, que doido isso, né? A dublagem tem essas coisas, né? Tem, tem. Você pode ir tanto para um lado quanto para o outro, né? Exatamente. A gente tem o contrário também. Exato. Tem o Mário Jorge, por exemplo, que está com mais de 70 e não consegue fazer mais do que 30.
Exatamente, exato. A gente tem o Marcelinho Campos em São Paulo. A gente tem vários exemplos aí que... E aí
E que é uma coisa... Manolo. Manolo, gente. Não pode fazer nenhum... Ninguém mais velho que 16 anos. No filme eu faço o pai do Manolo. É, muito legal, muito bom. E isso é uma coisa que acho que às vezes... Quem está chegando agora, às vezes na produção, não entende um pouco isso. Existe uma tendência mais moderna de botar equivalente de idade. Mas a voz não funciona desse jeito.
no próprio Arquivo X, a Juraciara, que fazia Scully, que foi a minha segunda e talvez a mais importante mãe que eu tive na dublagem, que ela veio um pouquinho, a Célia foi a primeira que me puxou, mas a Juraciara realmente...
Me botou no mundo e eu carrego o DNA de dublador da Juraciara. Eu levo muita coisa a ela. E ela fazia a Scully. Ela era uma mulher que já tinha o dobro da idade da atriz. E eu não consigo pensar em outra voz para fazer a Scully. Ela era perfeita.
Então isso é... Isso é democrático na dublagem, né? É isso. Legal. Exatamente. Mas eu entendo quando você fala que você se apaixonou pela dublagem, que você encontrou o seu caminho. Isso é muito legal, né? Porque às vezes a pessoa fica um pouco presa a alguns dogmas, paradigmas aí que não... Sim. Não, porque se for coisa, não posso ser outra. Não, mas tem que...
Acho que o que é interessante é a sua trajetória, que você falou assim, quero fazer isso legal, foi para uma faculdade, estudou, se desenvolveu, o que é o principal para dublagem. Exatamente. Porque eu acho que o caminho não pode ser o inverso. Poder, pode, mas assim que...
Sim, é. Tanto que eu sempre falo, eu nunca me considerei um dublador. Eu sempre me considero um ator. Sempre, desde sempre. A dublagem tem um lado muito técnico, como o cinema tem um lado extremamente técnico. Se você para para pensar no que envolve uma gravação de cinema, o quanto de técnica você tem que ter para ter aquela fitinha no chão que você não pode passar dali. Então, assim, a técnica faz parte do nosso...
do nosso trabalho. Mas você só começa a interpretar depois que você domina essa técnica. Mas você tem que ser ator, você tem que ser artista, não tem jeito. Isso você não aprende. A ter um olhar sobre as coisas, a sensibilidade, a ter a sua assinatura, a ter a sua sensibilidade artística. Isso é construído. Sabe-se lá como, pelas influências da infância.
pelos livros que você leu quando era pequeno, pelo filme que você assistiu, bate na gente de um jeito diferente. E você fala, não, eu não vou ser um espectador. Eu quero fazer isso de alguma maneira. Tanto que eu pinto também, por exemplo. Oh, que legal. Eu só não faço música. Eu fiquei profundamente traumatizado. Mas eu amo música. Amo.
E é isso, então eu dancei um pouco, fiz teatro bastante, e na dublagem eu falei, eu tô em casa. E eu gostava da unanimidade da dublagem.
Tem muita gente que é assim, né? O Enzo, por exemplo, o Enzo Dunneman, foi meu aluno, criancinha, hoje em dia, já adulto aí, e eu vi muito claramente que ele foi aluno, ele fez dublagem, ele fazia teatro também, fez algumas peças e tal, chegou um determinado momento que ele foi migrando pra dublagem, ele se encontrou profundamente na dublagem e ele vive muito bem com isso. Sim, sim. Não, não é ali, é aqui. É aqui, é. Eu fiz um pouco essa transição, eu na época buscava um pouco uma...
Uma maneira de ser ator todos os dias, e a dublagem te permite isso, é um privilégio que poucos atores param para pensar.
É um privilégio, você ator todos os dias. E quando eu comecei a dublar também, você também, provavelmente, a dublagem sofreu um preconceito muito grande dos nossos colegas artistas. Total, você não fala, e dublador, e dublagem? É, e eu tive essa crise. Uma hora que eu falei, putz... E aí eu comecei na BTI, fui contratado pela AirBet logo depois, graças à Juraciara e ao Peterson, que me botaram para fazer um teste, uma novela lá.
E aí eu tive um pouco essa crise. Todos esses anos de estudo, os anos de dança, de sapateado, de circo, de tudo que eu tinha feito. É isso? Eu sou um dublador? Com uma canetinha na mão. Eu me lembro, eu indo para a Herbert no ônibus ali, subindo a Tijuca, com a canetinha na mão, falando, é isso? E eu tive uma crise num determinado momento.
E aí eu fui resolvendo isso. Até entender, né? É um trabalho de ator muito grande. E que é maravilhoso. E que me dava uma...
uma sensação de proteção que eu não sentia um pouco nas outras áreas. Eu não gostava muito da exposição, com a qual hoje a gente está muito mais acostumado. Mas eu tinha um lado muito introspectivo. Então eu tinha um dilema, eu queria ser ator e trabalhar todo dia, mas eu não queria ser famoso. Queria ser ator, mas não se expor. E agora o que eu faço? E aí, como é que faz? Que doideira, né? Não vou dublar. Era isso. Então quando eu encontrei a dublagem, até nisso ela foi perfeita. Né?
E a gente sabe, né? E eu ouvi isso muitas vezes começando. Não fui eu que escolhi a dublagem. Ela meio que te escolhe. Ela é que diz. Você tem condição de fazer isso. Tem gente que quer, quer, quer, quer, quer. E nunca entende qual é aquele barato.
A dublagem, inclusive, me complementou como atora. Ela trouxe para mim uma coisa que eu busquei em todos os outros lugares e não achei, que foi a minha disponibilidade. Ela me deixou completamente aberto, de mente vazia. É o mais perto da meditação que eu cheguei na minha vida, porque é um estado onde você não pode pensar em mais nada, você tem que estar ali inteiro.
para aquilo passar através de você. Um segundo de distração. Acabou. Já quebra magia ali. E aí depois de resolvida a crise, eu fui com tudo. Maravilha, né? O tempo é o senhor da razão, não tem jeito, né, cara? Não tem, não tem. Era o que eu realmente amava e amo até hoje. Eu saio até hoje para trabalhar com prazer profundo. Eu fico triste quando eu não tenho personagem. Não é sobre dinheiro.
Tipo, eu queria fazer um personagem. Outro dia eu estava fazendo um exercício interno, falei assim, já imaginou se você tivesse que passar alguns meses por alguma razão, onde você não pudesse dublar nenhum dia? Eu falei assim, caraca. Realmente, eu falei assim, acho que eu não vejo muito... Então, porque a gente faz isso todo dia. Qual foi o maior período que você ficou sem dublar?
Desde que começou. Alguns dias. Então, passou de... Eu nunca passei de 15 dias, que foi quando eu viajava. E mesmo assim... Mas mesmo assim o trabalho remoto ali é todo. Porque eu comecei a viajar já um tempo depois de carreira. Eu já fazia a sua voz lá do canal Sony, né? Quase 20 anos já. Então eu comecei a ter uma grana para viajar mais tarde. E aí já tinha equipamento remoto.
E aí eu tinha que levar, e eu trabalhava mesmo viajando. Então eu gravei em todos os lugares que eu viajei. É assim, se fosse falar, os períodos que eu teoricamente podia, pequenos dias que eu não estivesse dublando, eu estava fazendo teatro, ou eu estava fazendo novela. Sim, você não estava deixando de ser ator esses dias. É, exatamente. Muito louco isso. A pandemia, eu acho que fez isso, foi um momento que realmente foi a primeira vez na vida em que em relação a teatro eu me vi.
sem... privado, né? E o que? A dublagem não teve esse problema, porque a gente trabalhou pra cara da Napoliadina. A gente teve, inclusive, esse privilégio também. Enquanto a gente via todo mundo dizendo, meu Deus, as pessoas estão quebrando, estão falindo, negócios fechando, a gente estava ali produzindo como nunca. E num grau de urgência, né? Urgência, né? Se desenvolveu o remoto, que era uma coisa impensável até então pra dublagem, né? Ninguém pensava nisso como uma possibilidade.
E a gente ficava lá de oito da manhã às dez da noite. Sábado e domingo. E saía de um estúdio e já conectava no outro. Os tempos de deslocamento que a gente tem desapareceram. Então a gente produziu muito mais. Muito mais. Enlouquecidamente. A gente já teve esse lado, né? Teve.
Bom, fazer uma curvinha, temos aqui nossas perguntinhas. Olha aí. Para variar, nossa primeira pergunta vem de quem? De quem? De quem? Fraldinha Suja. Você sempre, né, cara? Sempre o primeiro. Quem é Fraldinha Suja? Fraldinha Suja está aqui toda semana e é sempre o primeiro superchat dele. Fraldinha Suja, beleza. Como foi dublar o Sherlock Holmes em Sherlock? Ó, primeira pergunta já. Olha, o Sherlock foi um... Eu tive muita sorte também na dublagem, porque o Sherlock é um cara...
É um ator que eu adoro, Cumberbatch, eu dublei ele algumas vezes, eu já dublava ele antes do Sherlock. Fui fazer o teste, teve teste. E aí eu já tinha assistido acho que um episódio ou dois da série da BBC, ele não foi dublado junto com a estreia, já tinha passado. E eu falei, isso é difícil para caramba, porque ele fala absurdamente rápido, muito rápido.
E ele é um excelente ator, né? E isso acho que é uma das coisas que a gente pensa, eu pelo menos tenho esse cuidado, eu sou incapaz de dublar se eu não estiver entendendo uma palavra do que eu estou dizendo. Tem gente que não se importa, fala qualquer coisa. Eu preciso entender e interpretar aquilo que está sendo dito. Se a gente não entende, como é que vão entender? Exatamente. Se um cara desse, que é um ator maravilhoso...
Consegue fazer aquilo do jeito que ele faz. Eu tenho que ser capaz de reproduzir. E o Sherlock foi um dos divisores de água ali na minha vida. Porque eu me lembro que quando foi anunciada a dublagem do Sherlock, uma menina do fã-clube, que a série já tinha um fã-clube no Brasil, me mandou uma mensagem dizendo, vocês vão destruir a minha série.
E uma das coisas mais gratificantes que aconteceram na minha carreira foi essa mesma menina, depois de estreado, dublado, me escrever pedindo desculpas. Dizendo, olha, eu paguei a minha língua.
você faz jus ao trabalho dele. Então, pra mim, foi a melhor coisa que eu poderia ouvir. Uma fã, que já era fã da série no original, e a gente sabe, quando a pessoa conhece a voz primeiro no original, a dublagem já vem com uma resistência. E o contrário também vale. Quando você conhece alguma coisa dublada, primeiro e depois do original, você fala, nossa, que voz horrorosa que esse cara tem no inglês. Esse primeiro contato onde a sua emoção se fixa, ela é muito importante.
Então, foi um desafio. Ele era muito difícil. Foi um dos trabalhos mais difíceis que eu já fiz. O Nelson Machado dirigiu. Ele gostava. Ele tinha uma metáfora muito legal. Porque ele falava, você parece um trapezista. Porque você vai, você começa. E eram aqueles loops gigantescos. Tinha monólogos dele de duas, três páginas.
E eu não tenho o hábito de gravar muito picado, né? Eu sou daqueles que faço, eu quero ver a cena inteira e eu quero dublar a cena inteira, né? Exato. Passa, eu quero ver onde ele chega, o percurso que ele faz até acabar.
porque eu tenho um percurso emocional lá dentro para fazer. Então ele fala, é um trapezista. Então você fica lá. Eu fico pensando aqui, te dirigindo. Vai lá, agora é um triplo mortal. Ih, mas não vai conseguir. Pegou, foi. Agora voltou. Agora tem mais outro triplo mortal. Ele não vai conseguir. É quadro, ele conseguiu.
Então ele fazia essa metáfora e eu achava muito bonito. Ele falou, é como ver um trapezista da dublagem. Que legal. E foi um trabalho que eu fiz com muito amor, muito carinho. Morro de vontade que um dia... Difícil trabalho, você faz muito bem, realmente. Muito obrigado, muito obrigado. Que eles voltem um dia, né? Eu tenho esperanças ainda um dia de que o... Será? De que... É, já rolou um papo aí, né? Bom, depois do que aconteceu com o Dexter, eu posso esperar tudo, né? Isso é verdade.
Posso esperar uma segunda onda e um comeback desse Sherlock. Não perco as esperanças. Como eles tiveram muito cuidado para fazer um produto muito bom, para fazer um outro, acho que...
O cuidado seria redobrado. Eu acho que, assim, a sensação que eu tenho com o Sherlock, são nove longas, né? As séries não são de episódios. Eles chamam de episódio, mas é uma hora e meia cada um. São três longas, histórias totalmente independentes. Então eu acho que pode acontecer, e esse é o papo que já rolou alguma vez, tipo um episódio, sabe? Por esse olhar verdade. Um episódio, um novo, um novo caso. É uma hora aí que o Cumberbatch vem um pouco desocupado.
Porque vai ser difícil. Precisando de dinheiro também não, tá? Depois daí, então... Mas eu tenho a esperança. Nunca se sabe. Mas foi um trabalho que... Pode ser até que leve um tempo e ir lá na frente... E tem o Sherlock, tem uma coisa engraçada. Eu fiz três Sherlock, né? Na minha vida. Esse foi um. Ao mesmo tempo que eu dublava esse Sherlock, eu dublava outro Sherlock, do Johnny Lee Miller, que fazia o Elementaríssimo.
Que era um Sherlock moderno passado em Nova York. Com a Lucy Liu era a série. Que louco. E que era um Sherlock vicinhado em heroína. Que ela era a...
A madrinha dele que tomava conta, contratada pelo pai milionário. Mas era a estrutura do Sherlock Holmes também. Ela era a Watson. E ele falava igualmente rápido. E um dos meus desafios na época era como é que eu faço esses dois Sherlock serem diferentes. E aí eu dei meus truques lá, dei meus pulos. O povo disse que funcionou.
E aí eu recentemente dublei ele num anime chamado Moriarty, que é o inimigo dele. E que o Sherlock tá lá. Olha ele aí, o Sherlock do anime. Então eu tô inovando, eu não tenho mais bonecos atores, eu tenho bonecos personagens. É verdade. Muito bom, sensacional. Eu faço Sherlock's, tem Sherlock's você pode me chamar.
Muito bom. Mineiro, obrigado pelo superchat, ele fala assim, Nestor, como foi entrevistar vários colegas dubladores no USA Channel Brasil? Olha, que lembrança boa. Como você foi escolhido para apresentar? Muito bem. Como é que ator é escolhido para fazer as coisas?
Teste. Eu, como eu disse, tenho um lado de comunicação que eu gosto, que eu voltei a explorar agora recentemente, como você me falou, brincou. E eu soube na época que o USA, que hoje é o canal universal, o Universal Channel, na época era a USA Network.
eles estavam procurando um apresentador para um quadro de cinema para dividir também a apresentação com a Lorena Calabria, que apresentava o Cinema Motion na época. E aí eu consegui chegar no teste. E aí eu passei, fui aprovado.
Desenvolvi uma relação muito legal com o pessoal desse canal. O meu trabalho lá dentro cresceu. Eu comecei fazendo primeiro esse trabalho com a Lorena, que a gente dividiu o Cinema Motion. Depois eles fecharam o patrocínio com a Fiat, na época, para fazer o Sessão Fiat de Cinema, que era um filme comentado nos blocos. E eu era a pessoa que comentava. Depois de um tempo eu comecei a escrever esses textos sobre esses filmes, que eram falados.
E aí, como eu tinha uma boa relação, foi mais ou menos nessa época que eu comecei a dublar.
E aí eu propus ao canal, porque eles tinham fillers de programação. A gente até hoje vê o Cinema Motion News, Cine News, Sony On. Você tem um... Quando não tem um anunciante, eu coloco ali um minutinho para preencher o intervalo. E aí eu sugeri que a gente fizesse, como a gente tinha muitas séries de sucesso na época no USA.
o Hércules, Xena, Princesa Guerreira, Jornada nas Estrelas, tudo isso passava lá, eu sugeri que a gente fizesse um ciclo de entrevistas com dubladores. Porque eu estava metido lá, eu estava também puxando as arginhas para o meu lado. E eu achava que faltavam registros dessas pessoas, desse trabalho. Esse trabalho que era um universo que eu também estava descobrindo. Maravilhoso, riquíssimo, com artistas incríveis, que eram anônimos.
vozes que as pessoas amavam e aí eu tive o privilégio de ir lá e isso foi em 97 talvez, 98 98, 99, acho que eu fiquei no canal até 2000, foi logo no finalzinho
Eu consegui fazer um ciclo de entrevistas, eu tinha planos para que a gente fizesse outros, mas o primeiro eu consegui, aí foi muita gente legal. Márcio Simões, Juraciara, Geisa Vidal, Cristiane Luizzi, Ricardo Juarez, Sheila Doffman, Silvinha Saluz, quer dizer, foi uma galera assim...
Marcio Seixas, foi uma galera de peso, assim, que eram protagonistas das séries do canal. Então eu consegui vender. Eu vendi pra eles um bem bolado lá que eles toparam e compraram. A gente gravou em dois dias e ainda tem umas dessas entrevistas aí perdidas.
pelo YouTube e as pessoas às vezes encontram e falam é você? Ué, gente, eu já tive cabelo. Algum dia nós carecas já tivemos cabelo. Na verdade a gente ainda tem, a gente esconde só os fiopinhos que ainda nascem. Pois é, exatamente. Então eu já fui jovem, bem jovem. Eu era um menino, né? Eu tinha 26, 27 anos por aí. E aí...
Foi muito legal, foi maravilhoso porque essas entrevistas, como eu disse, existem até hoje. É um dos poucos registros, eu acho, que existe de trabalho nessa época, de uma maneira realmente assim.
identificando cada um desses profissionais, não fazendo tipo, como às vezes a Fantástico fazia, ah, dublagem no vento levou, cinco minutos, três, você não sabe quem é, o que fez, foi. Ali a gente tinha um bate-papo mesmo, como a gente tem aqui agora, uma versão reduzida. Mas era isso, quem é você, como é que é, como é que você começou, por que que acontece, como é o seu dia a dia. Então foi ali um vislumbre, tanto que é um ciclo de entrevistas que os fãs sempre...
trazem à tona. E eu fico super feliz de ter feito parte disso. Maravilhoso, cara. Porque a ideia da gente fazer o desfoque também partiu só disso. E hoje mesmo eu estava conversando de manhã com alguns colegas, assim, a gente está com quatro anos e dois meses de programa, né? Ininterruptos, toda terça-feira. Então, às vezes, você fala assim, caramba, tô cansado. Aí você fala assim...
Vamos seguir. Vamos em frente. É, porque a gente vai vendo como a gente tem colegas talentosos. É importante. Como é importante a gente ter esse momento aqui, esse papo, essa conversa pro espectador, pra ele conhecer um pouco melhor, pra ele poder ter ver, rever, passar pra colegas e tal. A gente precisa ter coisas que são documentadas. Sim, você é uma referência hoje, você sabe, né? Tanto que eu falei, eu quero ir lá no podcast do Calvão, eu quero ir no Desfoque. É uma referência porque é...
A gente tem tanta coisa pra falar sobre o nosso trabalho, além do que como é fazer um personagem ou outro. E aqui eu já vi tantas discussões interessantes sobre o que é qualidade, o que transforma uma pessoa, o que é necessário pra ser um bom dublador. O que é uma boa dublagem? Porque a dublagem tem esse problema. Ninguém fala que televisão é ruim. Há bons programas e péssimos programas. Há dublagem as pessoas têm. É boa ou ruim? Não.
Nós temos boas dublagens, nós temos más dublagens, nós temos dublagens medianas, nós temos casos em que ela funciona muito melhor, e na maioria das vezes eu acho que ela funciona muito melhor na comunicação e no acesso emocional do público, mas é um lugar para se debater isso também, então eu acho fundamental. Eu acho que a dublagem já começa...
de uma dificuldade básica, que é uma coisa que está pronta, que você já está amarrado, de certa maneira, porque você, por mais criativo que você seja, e por maior que seja a sua contribuição necessária como ator para aquele projeto, você ainda assim não pode ir para um lado que você está muito afim, mesmo que você queira. Sim, sim.
Então, assim, a gente já é um ator que tem que se conter na sua criatividade. É, sem dúvida. Mas tem que ter. Sem dúvida. Na medida. Exatamente. Para que o espectador não se choque nem para lá nem para cá. Exatamente. Mas o que eu sempre falo, o melhor dos mundos é quando a pessoa senta para ver o filme e ela fala assim.
Exatamente. Porque quando começa a dublagem não tá descolada por alguma razão daquilo. Sim. Eu falo, né? Que incômodo. Esse é um lado ingrato do nosso trabalho. A dublagem bem feita, ninguém fala nossa, que dublagem boa, hein? Caramba, tá demais. Mas vai fazer ruim. Faz uma ruim.
porcaria. Ah, não muda. Por isso que eu não gosto de dublar. É, dublar é muito ruim. A gente luta... Exatamente. Tem um colega dublador muito famoso e muito querido, que diz uma coisa, inclusive, sobre como é a gente fazendo o nosso trabalho. Quando você vê um dublador muito bom trabalhando, parece que dublar é muito fácil. É.
E quando você vê um dublador muito ruim dublando, você sai e olha e pensa, nossa, esse cara aí é foda, porque era difícil e ele conseguiu no final.
O leigo completo, né? Quem sabe fazer parece ser muito fácil. Ninguém sabe, porque ali passaram mais de 10 anos. Exato. Foi muito pó ali para chegar. E a gente assistia, né? Quando começava. Hoje eu acho que é uma coisa que faz muita falta para quem está começando. Hoje os estúdios com a questão de...
confidencialidade, você não pode mais estagiar. Eu ainda dublava junto na bancada. Ah, os dubladores não podem mais entrar no estúdio? Não podem mais estagiar. Não, em São Paulo está desse jeito. Você não pode mais estagiar. Você não pode chegar e falar. Não, você não pode entrar no estúdio. O dublador vai lá, entra, faz o dele na hora, sai do estúdio. Ok, tchau. Tchau, exatamente. Então, quem está chegando, muitas vezes, nunca viu um colega veterano na bancada, que é completamente diferente de assistir só o resultado.
Você estava falando uma coisa bacana aí, né? Que a gente tem uma partitura para seguir, né? A gente tem uma música que já foi cantada e a gente precisa cantar essa música em português. A gente precisa trazer... E adaptar isso para a nossa cultura, para a nossa cultura, para a linguagem oral, que é uma briga que eu tenho muitas vezes. Gente, é oral, é oralidade. Nós não falamos tudo perfeitamente correto. Se eu falo assim, você entende? Está valendo. O cara é um cara de rua. E aí tem, às vezes, um...
uns equívocos, porque nós somos muito desarticulados em alguns sentidos, esse é um que me incomoda muito, né? A gente nunca teve o que a Maíra propôs, um simpósio de dublagem, para poder falar o que é qualidade, qual é o nosso trabalho realmente.
Nós não somos professores de português. Nós precisamos ter um bom português até para fazer escolhas na hora de trabalhar sobre que tipo de linguagem muitas vezes eu vou adequar àquele personagem. Porque os personagens de um filme falam de uma forma diferente.
Mas o tradutor traduz de um mesmo jeito. Ele não é um roteirista. Então, ele é um tradutor. Cabe ali ao diretor, na minha concepção, e ao ator entender quem é aquele cara na história. Como é que ele fala? Ele fala muito certinho? Ele fala com um leve sotaque, uma leve estranheza? A gente pode construir tudo isso. E fazer aquilo fazer sentido.
Sempre falo, a boa dublagem pra mim é aquela que você passa na sala e ouve só o som, você não sabe se é uma novela ou se é um filme dublado. Aí tá bom. É isso aí. Aí tá bom. Esse é o objetivo. É a naturalidade necessária. É tão difícil de alcançar. É tão difícil e muitas vezes complicada pelos nossos...
próprios colegas de trabalho, às vezes. Ah, tem que fazer um retake aqui porque ficou meio andando... Não, gente, andando que você está falando. Andando depressa, não é andando. Não, mas tem que sair o D muito forte. Aí você artificializa uma coisa que já é extremamente artificial. O trabalho tem uma camada, um decalque por cima de uma coisa pronta que pode... Então a gente tem que combater a artificialidade e não ressaltá-la, eu acho.
É, com certeza, com certeza. Concordo em gênero, número e grau. Muito bom. Nestor ainda fala assim, você dublou algum tempo no Rio de Janeiro e depois migrou para São Paulo. O que motivou essa transição? Olha, agora vai ser polêmico. Lembra que eu falei que eu tive uma crise?
eu queria parar de dublar. Eu preciso dar um tempo. O que aconteceu? Eu comecei a trabalhar aqui, na VTI, depois fui para Herbert, e a gente tinha carteira assinada. E eu...
Quem está começando não tem opção de agenda. Então, em três anos, nos três anos que eu me vi aqui dublando, eu tive uma carreira que começou a funcionar bem, muito cedo. Eu tive o meu primeiro protagonista com um ano de dublagem.
Nesse primeiro pro segundo ano, meu primeiro protagonista de novela, contratado da VTI e da Herbert ao mesmo tempo. Era uma loucura pra conseguir conciliar isso. Uma loucura. Tive uma época que eu quero dar Herbert, da VTI e da Dabouçosa. Então, contra CLT de três empresas. Meu Deus! Se você fala hoje em dia... Então, cara... E assim, Uber Bar era muito rígido. Hoje a gente combina o horário.
Nessa época, a gente recebia o horário e tinha que estar lá. A Herbert sempre estava num lugar de... Pelo menos no meu caso, que fui primeiro contratado na... Não, fui primeiro contratado na Bolsa, depois fui para a Herbert. Mas a Herbert, pelo tamanho e pelo volume de trabalho que a gente tinha, ela acabava sempre tendo que ser uma primeira opção e a gente tinha que tentar adaptar às vezes ali para o outro e tal. Então, assim...
É, e eu, exato, só que como eu, por exemplo, comecei na VTI, era o contrário, mas a EPIT tinha mais trabalho, fazer uma novela, você sabe o que é uma novela, são 20 horas às vezes de estúdio, nessa época então, 30 horas de estúdio, 40 horas de estúdio, um protagonista, e você não podia não aceitar o horário que a VTI te passasse. Algumas daquelas pessoas que eu disse lá, que estagiaram, que dançaram, foram pessoas que disseram, esse dia eu não posso porque eu tenho ensaio no teatro, foi cortado imediatamente.
Não tinha negócio com seu Berbara. Era aquele horário. Então eu vivi um estresse muito grande, além dessa questão da dúvida. Eu queria voltar a apresentar programas, eu queria trabalhar mais numa linha... Eu já tinha saído do canal nessa... Não, ainda fui pra lá trabalhando no canal. Mas eu queria outras coisas parecidas.
E a Lorena era de São Paulo, ficou muito minha amiga, e falava, vai pra lá, tem campo. Eu trabalhei aqui com o Elícius Cruz também, um monte de gente de São Paulo falando, vai pra São Paulo, você tem cara de São Paulo, não sei o que.
Tanto que quando eu fui para São Paulo, um monte de colegas na Ebert me disse Ah, você está voltando para São Paulo, né? Eu, não, eu nunca fui de São Paulo. Sou um carioca fajuto. Um carioca que não gosta de praia. Não, eu amo praia. Saudade pra caramba, nossa senhora. Mas a minha mãe é do interior de São Paulo. Então o meu sotaque sempre foi mais ou menos esse aqui que você está ouvindo. Eu tenho o R dos cariocas, porta, carta.
Mas os S de São Paulo. Mas os S de São Paulo. Sempre. Como diziam os meus amigos, você devia apresentar o Jornal Nacional.
Boa noite. Boa noite. Que é exatamente isso, né? O R da gente aqui do Rio e o S do São Paulo Capital. O interior do Rio tem essa coisa, né? Eu tenho uma amiga, a Vanessa já como é de volta à redonda, né? Querida amiga. E ela sempre teve esse S aí. Ao mesmo tempo tem o R do Carioca. Quer dizer, é uma coisa realmente...
Aquela região ali. A gente é da mesma região, Sul Fluminense, que está bem pertinho de Minas também. Então eu tenho primos que falam bem mineirinho, mas são do Rio. Estão falando isso, torzinho, vai lá falar com o Janelzinho, que pode pegar um negocinho. E é Rio. É, é muito louco isso. E é bonito quando isso aparece na dublagem também, essa diversidade. Eu acho. Eu acho muito legal. Esse eu acho que é um problema que ainda não se resolveu, que eu torço muito para que cada vez mais a gente tenha filme com todos os nossos sotaques.
Isso vai trazer uma cor para os personagens, eu sempre falo. Uma identidade com o Brasil. Nós temos. A gente tem essa possibilidade. A gente tem uma dublagem aqui fortíssima, de altíssima qualidade, com uma expertise que vem de décadas. Sim, imagina.
E a gente tem um povo completamente diverso, com um país continental. Ou seja, a gente está com a faca e o queijo na mão para fazer uma coisa diferente e bonita. Exatamente. Como poucos países têm a possibilidade. Então, essa é uma das idiosincrasias da dublagem que eu não consigo compreender. Também não.
Não consigo compreender. Por que não pode ser porta? Por que o personagem não pode falar porta? Porque quando você vê um filme, por exemplo, em inglês, que é o que a gente tem mais conhecimento, né? Ou assim, de uma maneira geral. Você percebe os sotaques na obra original. É. Você percebe...
Ah, esse cara é mais do centro dos Estados Unidos. Esse é de Nova York. Esse é de Los Angeles. E tudo isso... Ou de fora e tá em Hollywood. Exatamente. Ou é de fora, tá aqui. É britânico. Tudo... A voz conta a história. O jeito de falar conta a história. Então esse jeito meio higienizado, meio... Também acho. Não pode falar. Tem que sair todos os finais. Tem diretor até hoje que me pede. Eu falo... Eu queria ver... Não, o R do ver não saiu. Eu falo, gente...
Onde você está vendo isso? Tem que ver isso aí. Tem que ver isso aí. Tem que rever. É o que eu digo, essas coisas que vão deixando artificial. Então, algumas eu brigo bastante. Não sei se você passou por isso, mas tinha um negócio de novela quando era para Angola. Nossa, aquilo é um terror. Eu parei de fazer, você sabe. Não, chegou uma hora que eu falei, graças a Deus, eu não fiz a última. Eu parei, eu disse para a cliente, eu não trabalho mais para a cliente.
Não tenho o menor problema de falar isso. Eu parei, porque eu acho uma agressão ao nosso trabalho. Eu acho um desrespeito ao que a gente oferece como ator. Se nós fomos procurados pela excelência que nós oferecemos...
Nós somos os especialistas. Isso também é uma coisa que às vezes eu fico um pouco bravo. Como o mercado foi sendo mais complacente com os clientes. Como eu sempre tenho uma metáfora que eu falo para os meus colegas. Se você chegar para o melhor mestre de patisserie no mundo e disser olha, eu quero um bolo para o meu casamento, eu quero um recheio de morango, mas a cobertura eu quero de cocô.
Ele vai falar, eu não vou fazer esse bolo. Aqui a cobertura é morango, baunilha, chantilly. Na dublagem, a gente está dizendo, claro, sua cobertura de cocô vai ficar ótima com bolo de morango. Quando, na verdade, nós somos os especialistas. E a gente vem de uma época onde os diretores de dublagem eram autoridades máximas. O dono do estúdio dizia para o cliente, não, espera aí.
O que você está pedindo é ruim. Eu preciso ouvir o especialista. Vamos conversar com o diretor e ver o que ele propõe. Então, isso...
Deixa o produto mais artístico. Quem entende mais de arquitetura? Eu que quero um banheiro novo na minha casa ou o arquiteto que eu chamei? É o arquiteto que eu chamei. Eu posso dizer, olha, eu quero que o Vasco fique meio torto, não gosto desse material, ele vai me apresentar a melhor... Você que sabe, mas eu acho que... Ele vai me apresentar a melhor solução dentro de um conceito que eu tenho. Ele pode me explicar porque esse conceito, às vezes, é ruim.
Cabe a ele? Cabe a ele. Na dublagem parece que é o contrário. Esse caso das novelas de Angola, para mim, é clássico. A gente foi se adaptando a tantas coisas absurdas. Para quem não... Só que a gente está falando assim, só para ficar mais claro. A novela para que a gente fazia esse tipo de produto, que a gente dubla, que vai diretamente para Angola, a gente é instruído a falar todos os R's. Todos os R's. Então, imagina, tudo o que estamos falando tem que ser assim. Todos os R's. Você não pode dizer eu te amo, tem que ser eu amo você.
você não pode falar alto, tem que falar tudo muito baixo. É, o cara tá lá, você, você, você. É, porque estão gritando. E foram coisas que foram sendo, eu sempre falo, né? Vozes da cabeça da cliente. É uma coisa assim esquizofrênica. Esquizofrênica. E aí eu falei, não, uma hora eu disse, não, eu fiz algumas novelas, fiz alguns galãs. E aí chegou uma terceira novela de um galã que eu fazia.
E aí me pediram um teste. Eu falei, mas eu acabei de fazer uma novela dele. Eu vou ter que fazer um teste. E aí tinha mudado de estúdio e estava no auge dessa loucura. Eu me lembro que eu entrei no estúdio para gravar uma outra coisa, e era o mesmo estúdio que gravava a novela. A parede do estúdio estava lotada de anotações de coisas que não podiam.
E aí eu falei, inclusive, para o dono do estúdio nesse dia, olha, eu não vou mais fazer, porque você não chega num cabeleireiro e diz, eu quero fazer luz, balaiagem, escova, tintura, mas eu vou pagar o corte básico. Eu consigo fazer tudo o que ela está me pedindo, mas isso não é o básico. Tinha que você pagar mais. Ela está me pedindo acrobacias, que não são o jeito básico de trabalhar.
Então, eu não acho certo que a gente sofra, porque a gente sofre, e a dublagem vira o oposto do que eu acredito. É, exatamente. Eu acho que isso aí é o princípio básico. É contra... Antítese. É contra os meus princípios artísticos. A gente foi procurado porque eles disseram que a gente era muito bom, e eles gostavam do que a gente fazia no começo. E aí você vai... E é uma pessoa, né? É uma pessoa que vai tendo ideias.
porque pode, e o cliente vai dizendo, e o Ego Studio vai dizendo sim, sim. Teve uma coisa que, por exemplo, uma discussão que eu tive uma vez, porque eu não sou resistente à direção, não sou resistente a modificações, mas eu tive que fazer, muitos anos atrás, eu fiz uma série e tinha um episódio que falava sobre a aviação. Sim. E o episódio veio dizendo com todas as palavras que quem criou, quem inventou o avião foram os irmãos Wright.
Cara, eu na mesma hora falei assim, eu não vou falar isso. Eu sou brasileiro. Eu sou brasileiro. Para mim é Santos Dumont. Santos Dumont. E assim, é verdade. Santos Dumont foi... Eu não estou aqui... Não, não, não. Não é questão de não. Sim, não, não. Eu sou brasileiro roxo e eu vou puxar a sardinha para mim. Na verdade é o contrário. É o contrário. Os estadunidenses é que puxam para eles... Eles arremessaram um avião. É.
Catapultar o avião. Que não se sustentou sozinho. Eu falei, cara, desculpa. Se você quiser, você me tira. Mas a gente vai mudar esse texto aí. Vai contar outra história. Mas eu não vou falar. Não, mas como não está aqui. Eu não vou falar. Da minha boca não vai sair que o avião foi inventado pelos irmãos Wright. Não vai. Você me tira. E aí a gente deu uma mudada lá na dublagem. Mudamos um pouco o texto daqui e dali.
não falei esse negócio. Que é sempre, às vezes, uma sinuca pra gente, né? Eu sempre falo, os fãs, às vezes, têm uma...
Uma ideia de que nós temos muito mais poder de decisão do que nós realmente temos. Nós não temos nenhum poder quase de decisão. Eu coloquei o meu trabalho na mesa. Pode me tirar. Exatamente. Eu já fiz isso algumas vezes também. Mas eu não vou falar isso. Porque quando está lá na frente, é a nossa voz. É o seu trabalho, é a sua interpretação. Não é o que o diretor te disse nesse dia. Não, eu acho que é uma educação de fake news, cara. Exatamente.
Aquilo ali, as crianças vão assistir aquilo ali Olha papai, sabe quem inventou o avião? Foi o Le Mans Wright
Banana mesmo. É louco. Mas é, muitas coisas, né? Que acontecem do Bárbara. Eu não imagino a quanto corre tem ali atrás, né, cara? Nossa, quanto corre, quantos pratos, né? A gente precisa equilibrar, feito um artista de circo chinês. Rodo aqui, agora rodo aqui, rodo aqui, rodo aqui, pra entregar o meu trabalho com dignidade. Com integridade. Dignidade já. Dignidade já.
Muito bom, seguindo aqui, Nestor, como foi, mineiro, como foi fazer Conan e Jovens Guerreiros? Meu Deus, isso faz tanto tempo. Olha isso. Caramba, cara, agora que eu vi o desenho, agora que eu lembrei disso. Olha, foi legal, acho que pra vocês, mais do que foi pra vocês.
Eu não tenho nenhuma grande história pra contar sobre... Eu não lembro nem aonde eu fiz, pra você ter uma ideia. Eu tô lembrando que eu dublei isso agora. Caramba, é. É assim, claro, Conan é um personagem icônico. Sim, eu menti. Quando eu fui fazer...
Quando eu vi que era o Conan, eu falei, legal, é um personagem importante e grande. Mas não foi um personagem em nenhuma série pela qual eu desenvolvi uma especial afinidade ou carinho. Mas fiz, como eu sempre faço, como que eu aprendi com o seu Berbara. Você dubla uma coisa que você ama do mesmo jeito que você dubla um vídeo de treinamento, com a barra lá em cima.
Não é variar o que eu entrego de acordo com o que eu acho que é importante ou não, o que eu gosto ou não. É fazer inteiro. Eu queria que ele me dissesse, como é que foi para você eu ter dublado o Conan? Bom, deve ter sido muito legal, porque ele lembrou e fez a pergunta. Nossa, essa foi desenterrada.
Ó, San Diego Roo fala assim fala Nestor, você lembra de dublar o Hisoka? Hisoka no anime Hunter vs Hunter lembro, como é que eu não vou lembrar do Hisoka como foi fazê-lo e por qual motivo você fazia ele com sotaque francês essa é uma história muito curiosa isso foi feito nos estúdios da Alamo em São Paulo, teve uma época que a Alamo estava lotadíssima de animes gracias
E o Hunter vs Hunter chegou. Muito bem. Eu não tenho problema nenhum em fazer sotaque. Eu sempre... E assim, não é da fontes da minha cabeça. O francês, por exemplo, é uma língua que eu arranho bem. O inglês eu falo. E o que eu não sei, eu vou dar uma estudada. Russo, como é que é o sotaque russo? Como é que fica o sotaque alemão? Então, eu gosto do sotaque quando é necessário.
O Hunter vs. Hunter, coisa que eu não sabia na época, tá, gente? Esse personagem, Rissoca, ele é de uma região diferente dos outros personagens. Como se ele fosse aqui no Brasil, ele é do Nordeste, vamos supor. E a série se passa no Rio. Eu não sabia disso. A cópia que a gente trabalhou era a cópia dublada em espanhol. Eita!
Não foi dublado em japonês. Já não era o original. Não era o original. A gente trabalhou em cima de uma dublagem em espanhol. Na dublagem em espanhol, qual foi o caminho que eles escolheram para mostrar que o Hisoka era de perto, mas não dali? Ele era da França. Ele tinha um sotaque francês. Então, esse sotaque francês...
que hoje, na verdade, eu falo, devia ser um sotaque carioca carregado, ou devia ser um sotaque mineiro, um sotaque nordestino, enfim, um sotaque brasileiro, mas não da região das outras pessoas, que era São Paulo, no caso, que a dublagem era de São Paulo.
Mas, devido às precariedades da época e à própria falta de informação, porque isso eu fui descobrir muito depois. Eu não era um mangá que eu conhecesse, uma história que eu acompanhasse. Quem dirigiu provavelmente também não, porque a gente simplesmente seguiu o original. Eu ouvi o original em francês, perguntei. E aí, ele tem sotaque francês mesmo? Posso fazer? Pode.
Mas acabou funcionando, porque esse rissoca é lembrado muitas vezes por conta desse sotaque francês, que deixou ele mais psicopata ainda. Esse foi o primeiro grande psicopata que eu dublei na minha vida. Ele é um psicopata terrível, frio, calculista.
estratégico e o francês deixa ele um pouco mais misterioso, mais estranho. Ele é um personagem meio não binário, sabe? Ele tem uma coisa, quando não se falava nem não binariedade, mas ele tem um...
Uma coisa meio masculina, feminina. Então acabou complementando isso. E os fãs lembram com muito carinho. Sempre é um personagem que os fãs puxam da cartela de personagens. E eu tenho um carinho enorme por ele. Foi o primeiro personagem importante de anime que eu fiz. Então agora já sabemos a razão. É por isso que ele fala com sotaque francês.
Maravilhoso. Essa eu jamais imaginaria que a resposta era essa. Estava esperando. O que será? É mais simples do que a gente. E aí você acaba, às vezes, criando uma coisa emblemática quando você está lá só fazendo o seu trabalho, como você acha que ele deve ser feito. Nestor, como foi substituir o Ricardo Schnetzer no James Lannister de Game of Thrones? Por que a série passou a ser dublada em São Paulo?
Olha, isso é uma coisa que é muito triste, né? Eu sempre acho. Você ter uma série já aconteceu das duas maneiras. Eu era fã de Game of Thrones. Como eu falei, eu tive a sorte de em algum momento dublar as séries que eu mais gostava. Imagino, o Richard Netzer, né? Não preciso nem dizer a responsabilidade. O cara era bravo. Mas esse personagem, o James Lannister, inclusive, é...
Eu nem considero ele assim, meu personagem, sabe? O personagem que eu fiz. Porque essa história do Game of Thrones... Gente, o motivo de mudar uma dublagem... Obrigado. Uma dublagem de uma praça pra outra não passa por nós. É. Não passa... Isso são inúmeras possibilidades. Não passa nem pelos estúdios, na maioria das vezes. Isso é uma decisão do cliente, baseado em coisas que me fogem a compreensão, porque eu não sou... ...se encontram.
É uma decisão de negócios, certamente, não é uma decisão artística, porque artisticamente essa é a pior coisa que pode acontecer. Você dublar uma série quatro anos com um elenco e a partir do quinto ao oitavo trocar esse elenco inteiro, trocar a praça. Isso aconteceu com Game of Thrones, isso aconteceu com True Blood, que foi... Aconteceu ao contrário comigo, a de São Paulo. Veio... Um...
Qual série? Cara, que não veio o nome agora. Agora? Faz tempo. Não, peraí. Me lembra, pelo amor de Deus, me ajuda aqui.
Que veio, uma série que veio de São Paulo, que eu dublei aqui. É ridículo. Daqui a pouco eu vou lembrar. Tudo bem. Segue. Mas essa que eu tô falando, por exemplo, o Game of Thrones foi daqui pra lá. Mas de lá pra cá veio Lost, uma época. Lost, pronto. Aê! Nossa. Lost veio pra cá. É, aconteceu isso. A gente dublou depois da metade e veio pra cá. Sim, exatamente. Exatamente. Depois eles resolveram fazer uma coisa que eu acho que é positiva para o espectador.
Redublamos toda ela com o início. Porque eu acho que tem um negócio. Você começa a ver uma série. Eu também acho. Com o elenco. Daqui a pouco no meio você troca. Parece aquelas coisas do Silvio Santos que mudava a novela. É horrível. Então assim, dublar o Jamie Lennon foi agridoce. Porque é um personagem que eu adoro. Porque eu sou fã da série. E aí...
Foi comunicado no mercado que essa série estava indo para lá. Foram feitos testes exaustivos para todos os personagens principais. Eu peguei também esse por teste. Não foi escalação direta. Eu acho um personagem incrível, mas eu nunca realmente tive todo o prazer de fazê-lo. Porque tem essa situação, né? Foi para na quinta temporada. Eu fiz a quinta, sexta, sétima e oitava. Não, até a quinta foi aqui. Eu fiz a sexta, sétima e oitava.
É, no caso do Lossi foi o contrário, acho que tinham sido dubladas nas primeiras tempos. É, acho que eram duas ou três só, né? Era pouca coisa. A maior parte foi feita aqui. O True Blood foi também uma série que eu adoro ter dublado, essa é outra que eu amo, que é uma série que eu assistia e era fascinado. Começou a ser dublado em São Paulo pelo SBT.
E aí depois, quando foi pra TV a cabo, eles mudaram na quinta temporada também. A gente fez até a quinta temporada em São Paulo, sexta, sétima e oitava Rio de Janeiro.
E aí foi, matou a série um pouco. E aí também aconteceu a mesma coisa. O SBT redublou as últimas com a gente lá em São Paulo. Pra exibir no SBT. Então no SBT você vai assistir às oito. Então essas situações que já aconteceram algumas vezes, né? Fogem do nosso controle totalmente. Eu detesto substituir, né? Eu também não. Eu detesto, eu não gosto porque... E às vezes já aconteceu de substituir...
de eu descobrir que vou substituir dentro do estúdio, que é uma coisa que eu acho de um desrespeito assim profundo, né? Eu preciso pelo menos ter avisado, né? Tipo, olha, isso que você vai fazer amanhã é de um outro colega, que é de uma outra praça. Ah, aí é terrível. E eu passei por uma situação, eu fiz esse trabalho, não vou dizer qual é, tá feito, beleza, mas é um trabalho importante.
E eu recebi um teste, falava, você vai fazer um teste por um game. Beleza, eu fiz o teste. Ninguém me disse o que era, fui gravar e dentro do estúdio estava o cliente, o que deixa as coisas mais difíceis ainda, e o diretor, e eu comecei a gravar, e no meio da gravação eu disse, você sabe o que você está fazendo, né?
Falei, não, gente, o game, né? Sabe como é que a gente dubla game? São linhas num Excel, né, gente? É assim que a gente faz. Não tem imagem, não tem nome, não tem nada. É um Excel com texto que a gente vai lendo e encaixando em ondas de som. Lá pelo meio eles me falaram, e aquilo tinha um outro dublador que fazia. E tinha tido uma treta da empresa com o dublador. Então, não só estava substituindo, como eu estava entrando no meio de uma briga. E aí eu fiquei numa situação complicadíssima.
E terminei de fazer o trabalho e segurei a bucha. Mas eu já disse não para muitos trabalhos de substituição. Muitos, assim. Tipo, por exemplo, quando voltou o remoto para o presencial e alguns colegas não fazem mais o presencial, ou alguns colegas que não trabalham em determinado estúdio e são bonecos muito marcados de certos atores, eu falo, não, gente, eu não vou fazer.
Eu já tive a minha cota, né? Como esse daí. E não é uma experiência que me alimente.
emocionalmente, artisticamente. Eu fico sempre frustrado, porque é um personagem que é, mas não é. Se você não fizer, outro vai fazer. É uma coisa que faça. Eu já tive situação assim também que, graças a Deus, eu fiquei sabendo antes. A pessoa, pelo menos, teve o cuidado de falar esse personagem é do fulano, mas ele, por essa razão e essa, não vai poder mais fazer e tal. Tá, pera um pouquinho. Fulano.
Ô, fulano, vem cá, recebi e tal, não sei o que, me falaram do estúdio e tal, eu vou fazer um teste com o personagem que é teu e tal. É. Aí a pessoa fala, não, realmente eu não estou indo lá, eu não posso fazer, tranquilo, porque eu não vou para algum lugar. É, exatamente. Aí você, beleza, aí é outra história, a pessoa está bem resolvida ali. E é isso, né? A gente começa primeiro tendo que resolver com um colega, mas depois a gente tem todo um fandom para resolver. É, ainda tem isso.
Eu fiz uma série pequena que o Isaac fazia o esqueleto. Imagina. Imagina, o Isaac já estava mais velho e tal. Sim, sim, sim. Eu liguei para o Isaac. Não, meu filho. Você. Ah, eu estou aqui cuidando, curtindo a minha filha. Não quero mais. Assim, a gente teve uma conversa muito longa. Falei, Isaac, é muita responsabilidade porque eu vi você fazendo esse negócio. E naturalmente ali, quase todas as falas que eu falei,
vinha o Isaac. O que você ouviu dele, exatamente. E aí, quando eu ouvi, eu estava fazendo até uma meta... É, exatamente. Quando eu vi... Canalizou ali. Sem querer, eu estava fazendo aquela coisa. Exatamente. Me influenciou, o Isaac me influenciou na própria história, né? Porque fomos muito amigos e eu sempre admirei muito o Isaac. Então, vários personagens que eu faço hoje em dia, eu vejo o Isaac ali dentro. E eu falo assim, caramba...
Esse personagem é a cara do Isaac, o bocão que eu faço do Como Treinar no Seu Dragão, é completamente o Isaac passando por mim. É verdade. A gente não está imitando o cara, mas é... Não, mas a gente está ali. É uma coisa que é tão de um ator de extrema qualidade. Eu tenho muito isso engraçado com um dublador que eu não conheci.
E que de uma forma inconsciente eu acho que eu... Não é que eu, pelo amor de Deus, não estou me comparando porque eu acho ele um dos maiores galãs que já tivemos na dublagem, que é o André Filho. Ah, sim. O André Filho, eu não cheguei a conhecer o André, né? Mas eu conheci o legado dele, eu consumi muita coisa dele. Eu assistia Casal 20, por exemplo, que era Jura, e ele, quando eu era criança, aquilo pra mim era...
impressionante que aquelas pessoas não tivessem aquelas vozes. É mesmo, né? Então, o André Filho sempre foi uma inspiração. Quando eu penso num galã, às vezes eu falo, isso aqui tá meio André Filho. E é isso. Tem pessoas que criam estilos e que têm identidades tão fortes e tão construídas que acabam moldando o mercado, né? Acabam criando...
modelos, né? Nos quais você se inspira. Orlando Drummond, né, cara? Se você ouvir um Scooby-Doo... Tem como. Tem coisa que você fala assim, cara, o trabalho que é você fazer um Scooby-Doo, ele vai falar assim, ó, eu quero que você faça Scooby-Doo, mas não pode ser nada do Orlando. Eu falei assim... Como é que você... Não tem como.
Tem como. Não vou fazer o Scooby-Doo com outra voz. E salsicha sem ser o monge. Sem ser o monge, impossível. Impossível, impossível. É óbvio que você... Ah, vou fazer diferente. Ah, Scooby-Doo, cadê a emoção? Não, mas é pra fazer diferente. Não, mas eu tô fazendo. Então, como que você vai fazer isso? Como? Não tem como. Ah, cara, é muito louco. É, então essas pessoas, elas deixam o legado e influenciam mesmo a gente. A gente, às vezes, canaliza elas, né?
Eu acho. Passa ali. Que tem muito isso, né, na dublagem. Às vezes você é só um...
Canal mesmo, conduite. Tem coisas que saem ali que você fala, meu Deus. É, verdade.
Muito bem, seguindo aqui. Vamos ver. Nestor, como foi fazer o Gabriel de Good Homens? Good Homens. Adorei ele quando era o Jim. E confesso que vou sentir falta dele no final. Um beijo. Esse é um ator que eu gosto muito de dublar, que é o Jon Hamm. Eu já fiz ele bastante. Lá em São Paulo, praticamente, acho que eu não consigo lembrar de mais alguém que tenha feito.
Fiz ele agora, inclusive, no desenho novo da Pixar, que é ele que faz o vilão, né? O cara de um focinho de outro. Ah, maravilhoso, filho. Ele é o prefeito Jerry. Parabéns, maravilhoso. O presente do prefeito Jerry. E ele é um cara...
muito legal, porque ele faz... Essa série é uma série muito estranha, né? Ela é muito... São anjos na terra, é meio um realismo fantástico. E ele faz o Anjo Gabriel, né? Com o braço direito lá do nosso... Do Todo Poderoso. E ele é meio engraçado. Esse cara é um cara muito legal, né? Porque ele... A primeira vez que eu dublei ele foi no Mad Men, que é uma dublagem também que tem...
A primeira, a terceira é de um lugar, a quarta, a quinta é de outra, a sédima é de outro. É uma loucura. Ele teve três vozes. Tem uma dublagem que começou em Minas, que é a primeira temporada, e a segunda, que está até hoje lá no Netflix, que é uma coisa assim, com todo respeito pelos colegas mineiros, mas era aquele com um começo onde não se sabia fazer, então é realmente muito complicada. Aí teve uma dublagem em São Paulo, onde o Tata Guarnieri fez.
E aí mudou, o cliente pediu pra mudar todo o elenco, não sei porquê. É, pode ter mudado. Todo o elenco, e aí foi pra um outro estúdio de São Paulo, e aí eu dublei o John Hamilton, acho que da quarta à oitava temporada no Mad Men. Não, Frankenstein.
E aí ele é um cara, que ele é um cara bonitão, né? Ele é um galã, né? No Mad Men ele era um galã absoluto. E aí depois dele conseguir a fama, ele também começou a mostrar um lado mais engraçado. Ele não se leva muito a sério, né? Ele tem uma energia de um homem muito autoconfiante, que não se apoia só na masculinidade viril dele. E o Gabriel, ele faz esse jeito, né? Do jeito que eu adoro ele interpretando. Com um senso de...
de não se levar muito a sério, né? Ele é muito sarcástico, muito irônico. Eu me diverti. Quem dirige essa série é um amigo meu, Marco Aurélio. Marco Aurélio Campos, que é um diretor super meticuloso. É um dos que faz um trabalho que o resultado pra mim é esse. Eu já vi uma série dele que aconteceu isso comigo. Eu tava passando pela sala...
E eu achei que era uma novela. Mas eu conheço suas vozes. E aí eu fui ver uma série que ele tinha dirigido. Muito, muito natural. Um tom muito bacana. Então foi um prazer fazer essa série. Eu espero que... Acabou, né? Também. Acabou, mas eu sempre fico esperando que algumas voltem. Deu um jeito. Eles podem voltar. Esse é um ator que eu adoro dublar.
tem atores que a gente... esse eu adoro dublar acho que tem tudo a ver, acho que veste tem uns caras que a gente briga um pouco eu tenho que achar um lugar aqui pra eu acreditar que a minha voz sai desse cara esse eu não tenho problema nenhum em acreditar que sai dele então isso já facilita sem dúvida
Muito bem, deixa eu ver aqui. O que que eu já fiz? Ah, Nestor, como foi fazer e Ande o Bicho vai pegar três? Era dublado pelo Guilherme Briggs, mas passou a ser dublado em São Paulo a partir do terceiro filme. Não tenho ideia de que filme esse filme é esse. O Bicho vai pegar? Não, é um desenho, né? Eu não sabia nem que eu tinha feito esse, ó. Olha.
Gente, parece mentira, mas a gente faz um volume de coisas, às vezes, muito grande. E se é o bicho vai pegar três, eu nem me toquei na época que era o três de alguma coisa, porque eu teria certamente perguntado quem era o um e o dois. E o Briggs, a gente tem uma... Os nossos caminhos se cruzam, a gente é amigo, eu adoro o Briggs. As pessoas, na época, tentaram... É...
simular, fanficar uma rivalidade que é inexistente, viu, gente? Isso é balela total. O Briggs é meu amigo. Eu comecei a dublar, o Briggs já dublava, ele já era uma referência, ele era um novato brilhante, e ele é hoje, né, gente? Não precisa nem falar do Briggs. O Briggs é um...
Dispensa comentários, realmente. Dispensa comentários, né? O dublador mais famoso que nós temos e um corpo de trabalho irretocável, impecável. E acontece às vezes, né? Eu já dublei personagens, por exemplo, na pandemia, o Briggs fazia um ator numa série.
e aí ele não não quis continuar dublando no presencial, e aí ele mesmo falou, não, chama o Nestor, que vai ficar, ele mesmo já passou a bola então assim, é esse é um outro trabalho também que certamente eu não me lembro assim, de detalhes eu acho que foi feito na dubla vídeo
Mas eu não me lembro nem da cara desse cara aí. Não vou mentir. É isso. É isso, mas é. Na verdade, eles já estão até um pouco acostumados com isso, que isso é muito comum acontecer. Caramba, sério, eu dublei? É, tipo... Eu já vi, cara, eu já passei por coisa, que a minha filha estava assistindo comigo, aí ela olhou assim para mim, aí eu falei assim, quem foi, filha? Ela falou assim, apontou para a televisão. O que é, filha?
Papai, é você. Aí eu falei, não, sou eu. Aí eu continuo ouvindo, daqui a pouco, ah, filho, é verdade. Sou eu. Não é? É uma loucura. Eu até um certo ponto da minha carreira, eu conseguia saber tudo que eu tinha dublado, onde eu tinha dublado. Ah, não sei mais. Aí teve um dia, por exemplo, esse agora que falaram, eu me lembro, isso foi feito provavelmente na dubla vídeo, mas eu não lembro do personagem, eu não lembro dele. Se me mostrasse esse boneco e me dissesse, você fez? Eu disse, não, não fiz.
eu não lembro, mas eu sabia tudo e aconteceu um dia quando eu falei realmente o negócio é sério que eu assisti alguma coisa na televisão desse jeito que indubitavelmente era a minha voz um personagem médio não era um personagem pequeno e eu não tinha nenhuma recordação de ter feito aquilo nenhuma, nenhuma, nenhuma
É aqueles dias que a gente faz uma coisa, daqui a pouco faz o outro, faz o outro. Quando você vê no filme, no dia, você já fez mais umas três coisas. É, um personagem que não era excepcionalmente brilhante, um filme burocrático, um filme que não era muito bom, um filme feito... Um filme B, feito... Mas, enfim. Mas, mesmo assim, eu sempre lembrava, mais ou menos. Ah, isso aqui foi como agora. Eu lembro-se, isso aqui foi feito na dubla vídeo. Mas...
Esse eu não sabia. Meu Deus, eu falei essas coisas. E eu não me lembro disso. Acontece, gente. Bem, bastante. Muito bem.
Nessa que já fiz Nestor, Arthur Vaccaro fala assim Nestor, como foi dublar o Prefeito Jerry? Em cara de um, fosse de outro O Prefeito Jerry foi A realização de um sonho Eu sou uma pessoa Muito bom, cara Eu adoro o desenho, eu amo, eu cresci
tomando leite da Disney, né? Criado, assistindo tudo. Então, assim, fascinado por esse universo. E por razões da vida, eu nunca consegui meio que cruzar esse caminho dos desenhos da Disney. Tanto que é o primeiro personagem grande que eu tenho num desenho da Pixar ou Disney. Se você olhar ao contrário de você...
Para mim, mais os fios, mais as séries. Exatamente. Realmente, a minha história foi muito em cima de séries, de filmes e dos animes. Então, quando chegou que eu fiz o teste, e aí o Tiaguinho, que é o Tiago Longo, o diretor, falou...
a gente vai fazer o teste, eu já tinha feito alguns e não rolava ou entrava um Start Talent, enfim, aquelas coisas e aí esse inclusive eu fiquei com esse medo isso aí tá com cara de que eu vou morrer na praia mais uma vez vai fazer o trailer aí? é, então, já aconteceu, fiz o trailer, fiz o teste agora vou, vai, vai ser Start Talent obrigado, tchau beleza, paciência
E aí beleza, rolou. Rolou e eu fiquei felicíssimo. Adorei fazer. E aí vivi, né? Agora recentemente todo... Ainda tive um privilégio, né? Porque a Pixar lançou esse filme dando um destaque pros dubladores. A gente fez uma campanha de lançamento junto com a Renata Soraya. E ali...
do lado delas, participando da coletiva de imprensa, com aquele cenário bonito montado que a gente vê em Hollywood, dos atores divulgando os filmes, e um jornalista atrás do outro conversando com a gente sobre como é. Então, foi divertidíssimo dublar. Ele é um cara, é um personagem que eu defenderei até a morte.
ele não é tão óbvio quanto ele parece no começo, né e ele tem bem a essência do John Hamm disso que eu falei, do cara que pode ser um galã que é bonitão, que é mas não se leva a sério consegue brincar ele tem muito do John Hamm ele até parece, né, fisicamente um pouquinho, o desenho é em cima dele então foi eu não podia ter então ele tem muito ele tem muito
Esperei muito por esse momento, mas não poderia ter chegado com um personagem melhor, mais adequado. Chegou bonito, chegou redondo. Que legal, parabéns, parabéns. Eu vi e adorei. Que bom, obrigado.
Snapper, olha aí, Snapper também está sempre aqui com a gente, valeu, obrigado pelo superchat, ele fala assim, boa noite, Nestor. Boa noite. Poderia dizer sobre como foi fazer o... Esse aí, segura a garganta, hein, All Might. Esse aí. E o contraste para a versão magrinha dele. E pode mandar um, está tudo bem, sabem por quê? Porque eu cheguei pra gente. Tá, então já vou começar logo fazendo isso.
Está tudo bem. Sabe por quê? Porque eu cheguei! Pronto, já resolvemos essa parte. Agora, se é pra dar uma palhinha mais radical do All Might, vai ter que tirar aí muito. Nossa! Que é o Super Smash!
Esse aí deixa quieto. Porque realmente... O Walmart, cara, esse é o... Qual que eu vou afadar desse cara? O Walmart chegou na minha vida também por um teste. A Crunchyroll, que é a cliente, estava procurando um estúdio no Brasil para despejar os seus animes. Fez testes em vários estúdios e o teste deles incluía um elenco. Então o teste era em cima do My Hero Academia.
E aí os testes demoraram muitos meses, porque eles fizeram em vários estúdios, até uma confusão, porque existe uma dublagem de um filme que foi feito com outro elenco, mas é um outro cliente, é uma distribuidora local que comprou um filme e dublou com um fim específico. Mas o cliente Crunchyroll, nesse momento, enquanto esse filme foi feito, inclusive, já estava no processo de teste e seleção. Então eu já era...
Eu já sabia que eu era o All Might da Crunchyroll quando esse filme aconteceu e foi lançado antes. Isso já era uma confusão danada entre os fãs. E também volto a dizer, não tem briga, não tem nada. Gente, esse é o nosso trabalho. A gente trabalha para clientes e a gente não tem poder de decisão. Eu não chego para o diretor. Ó, eu quero fazer o All Might aí. Estou sabendo que vai sair o All Might. Vou fazer o All Might.
Tem gente que faz campanha? Tem. Eu nunca fui um desses. Nunca fui. Eu entendo, mas às vezes me dá uma certa vergonha alheia quando eu vejo que a coisa é muito... Eu sinto muito a vergonha alheia. Porque, primeiro, esse é um dos mitos que eu acho que eu faço sempre questão de derrubar.
quando eu tenho oportunidade, é nós não somos os personagens que nós dublamos, nós não somos os atores que nós dublamos. O nosso trabalho é um trabalho especializado, totalmente diferente, e é claro que num anime, num desenho, a gente ganha uma força muito maior, porque se é um ator de carne e osso, você sabe que ele é uma pessoa que existe, que não tem a sua voz. No Brasil, o All Might sou eu, é a minha voz. Não tem, claro, tem uma galera que vê em japonês, mas não tem, claro, tem uma pessoa que vê em japonês.
Não é uma pessoa, é um personagem. Fica muito mais forte. Fica muito mais forte, né? E aí eu fiz essa seleção de testes. Eu não sabia da importância desse personagem na época. A série já era um sucesso. Ela começou a ser dublada aqui. Já tinha mais ou menos três temporadas concluídas. A gente dublou tudo muito rapidamente. E aí o estúdio que foi escolhido foi o estúdio que me colocou para fazer o teste Pro All Might. Então eu ganhei o teste.
junto com a escolha do estúdio, que recebeu esses trabalhos todos. E foi um personagem que eu amei fazer demais, acho que sem dúvida dos animes é o meu personagem. Eu tenho alguns queridinhos, eu acabei de fazer dois que eu estou muito animado, que talvez perguntem deles aí. Mas esse é um personagem, é o mais importante, é o mais emblemático, é o que quando alguém pergunta quem você já dublou, Netpool.
no Uber, você fala, você vê anime? O All Might, pô, tu é o All Might, cara, meu Deus! É, porque realmente ele é muito forte, né? E eu adoro, e tem uma coisa nele que eu adorei, que eu tentei capturar nessa pergunta que ele me faz, ele tem uma forma, ele é um herói que tá perdendo a sua forma de super-herói, quando a gente começa a contar essa história. Ele tem um lado, ele é um ser humano frágil, doente, e eu tentei é...
transmitir nos momentos em que ele está no formato super-herói, dá um pouco mais de imponência.
sem ficar canastrão demais. Ele é um pouco canastrão quando ele é super-herói. Ele é meio que o cara que é o... Ele é baseado em cima de todas as figuras dos super-heróis americanos, norte-americanos. O bom de boca. É, o bom de boca. Um pouco do Superman misturado com o Capital América. Então, assim, ele é uma síntese do arquétipo desse herói de desenho. Então, ele se apresenta dessa forma um pouco...
teatral, exagerada, com eu, está tudo bem, porque eu cheguei. Mas quando ele se desmonta, eu falo, ele não tem outra voz. Ele só está mais humanizado. Então, o que eu tentei fazer foi isso. Quando ele está no formato herói, ele tem uma imponência, o épico, o grande, o que fala, dominando o ambiente. E quando ele está na forma mais humana...
Ele não está fraco porque eu não faço isso, não chego a uma caricatura disso. Continua sendo a minha voz mais humanizada. E eu acho que funciona muito bem. Fica mais crível, né? É, fica mais crível. Às vezes as pessoas falam, a sua voz, quando você está falando, é muito diferente do que quando você está dublando. Às vezes eu vejo dubladores que têm a mesma voz o tempo todo. Eu falei, bom, aí você...
Vou te contar um segredo à meia-noite do dublador que tem a mesma voz o tempo todo. Porque nós somos personagens. Esse aqui quem tá falando é o Nestor.
E a minha voz, ela tem uma... Não é que eu crio uma outra voz, mas ela tem uma paleta, e por isso que eu falo, eu sempre parto, isso foi uma das coisas que a Juraciara me ensinou, comece sempre da sua voz. Que a gente iniciante tende a fazer uma voz bonita, eu quero fazer o galã, então... Claro, todos nós conseguimos fazer isso. Desenhar também. Exatamente, o galã, que eu falo que é o galã de 1,99, tanto pode estar salvando no filme como vendendo calcinha na loja de atacadão, é o galã de 1,99.
que não tem uma idade.
E por isso que funciona o No All Might. Porque nesse momento ele não tem humanidade. Quando ele faz essa coisa muito impostada. Mas tem que ter verdade também. Tem que ter a cabeça do personagem atrás. Porque é isso que eu penso. É aquele cara querendo mostrar que ele é um grande herói. Então tem um ser humano lá. Tem um coração batendo por trás disso tudo. E eu acho que é isso. Eu não faço vozes. Não, a gente consegue. Eu consigo deixar assim, assado. Mas eu tento sempre partir.
Do meu natural. Porque aí eu vou ter uma paleta de emoções muito maior para oferecer. Com certeza. Porque se eu construo, que é o que você falou, a gente já trabalha numa partitura. Uma coisa que está feita por uma outra pessoa.
O que vai mudar a diferença ali, se a gente tem dois dubladores com a mesma habilidade técnica, o que vai fazer ser diferente, ter o mesmo timbre, é o temperamento artístico. São as microescolhas que a gente faz. A cada momento, o cérebro, a gente parece uma máquina com 20 mil processadores quando a gente está dublando, funcionando, e a gente faz microescolhas o tempo inteiro. E é meio isso mesmo. É, e é isso que vai dar.
Quando eu dava aula, eu falava isso para os alunos, que ficavam com uma preocupação de ser rápidos. E eu dizia, gente, não se preocupem. Se preocupem em cumprir um trajeto, porque o trajeto é, eu leio o texto, eu vejo a cena, eu entendo a cena, eu vejo se cabe, como cabe, se as palavras são as melhores para ser dita e eu escolho como eu vou entregar essa fala. Esse processo tem que acontecer inteiro, com a prática.
Acaba sendo um pouco mais rápido. Você se engana quando você vê um dublador muito experiente, talentoso, fazendo isso, pô, o cara veio uma vez e gravou e ficou incrível. Não se engane, esse processo aconteceu inteirinho. Pra ficar bom, aconteceu inteirinho. Então, assim, se preocupe em entender todas as etapas do processo pra entregar um resultado.
Então eu acho que é isso, eu busco sempre da humanidade. Eu acho que seja num anime, seja no desenho, seja no que for, partir desse lugar. E aí, claro que dependendo da emoção do que esse personagem traz, essa voz vai para um lugar, ela pode vir mais para baixo.
Ou ela pode vir mais pra cima, ser mais alegre, mais feliz. Mas ela é a minha voz. Ela não é uma voz que eu inventei. Você tem uma personalidade que vai ditar isso. Exatamente. Não é uma voz que eu inventei. Eu dirigi muito tempo. Você dirige também, né? Não, eu dirigi pouquíssimas vezes. Eu dirigi muito tempo. E aí eu aprendia muito sobre isso. Pessoas que estavam aqui conversando na sala de espera. Vamos dublar? Vamos. Então aí, passa o loop, passa o anel. Beleza, vamos lá. Ah, tá, pode gravar.
Eu gostaria muito de encontrar... Que isso, gente? Não fala o que você estava falando aqui. O cara estava dizendo só lá. Oi, tudo bem? Eu queria saber quanto é que custa esse jornal. Quantos litros de gasolina, senhor? Não é quantos litros de gasolina, senhor? Sabe? Tipo, não. E é muito louco, porque assim... A gente...
Eu tenho visto de uns tempos pra cá, eu tenho percebido cada vez mais uma busca pra sair disso. Mas eu acho que a gente ainda vê muito isso ainda. Muito. E eu fico muito triste. E é muito chocante cada vez mais, porque como você vê que tem uma grande parte de dubladores que estão com essa preocupação... Sim.
Quando você vê alguém que está indo contra isso, fica muito chocante dentro do mesmo projeto. Fica muito chocante. Porque parece que tem alguém vendendo o banalha, e um cara aqui conversando com outra pessoa do lado. Opa, peraí. Aí fica muito mais... Sim, eu falo isso. Chocante. Uma coisa que a gente sabe, né? Na dublagem, a escolha de um elenco não é só...
a escolha de vozes, né? Você tem a escolha de que tipo de profissional está no projeto para que esse projeto não aconteça isso. Eu fiz uma série uma vez e aí uma diretora que, na maior das boas intenções, escalou uma pessoa muito inexperiente para fazer uma coisa muito difícil.
E as cenas que a gente tá... É exatamente isso. Eu tô falando tipo, o que aconteceu? Você falou com o meu pai, a gente brigou. O que você fez? Papai tá louco. Não, papai não está louco. Papai está pensando muito bem. Ele está com a cabeça no lugar. Como com a cabeça no lugar? Ele tá louco, ele pegou não sei o que. E aí você fala, gente, são dois planetas diferentes. Você tá entendendo? É. E aí acaba...
na ânsia de ajudar um colega, atrapalhando um colega. Porque ele parece pior do que ele realmente é. Porque ele está em um estágio que ainda não está preparado. Quando você... Isso é muito perigoso, né? É, você dá aula, você sabe disso, né? Tipo, muitas pessoas falam mas é sincronia, é sincronia. E eu sempre digo, enquanto você pensar em sincronia, você não está dublando.
É que nem correr de Fórmula 1. Se você tiver... Pra você saber dirigir um carro, não quer dizer que você saiba correr de Fórmula 1. Você aprende a dirigir hoje, você não pode amanhã querer estar na pista de Fórmula 1. Porque você não pode pensar, agora é o acelerador ou o freio? Agora o freio, agora o acelerador, freio, freio. Isso aí tem que ser... Tem que estar orgânico em você. Eu não penso em sincronia. Quando eu estou dublando. Ela acontece. Já está tão...
mastigado, dominado, né? E a maioria das pessoas que eu vejo, às vezes, querendo até pegar personagens grandes, e hoje existe, não só na dublagem, mas no mundo que a gente vive, uma ansiedade pra colher resultados muito rápido. A resiliência tá fora de moda, a persistência nem se fala, né? A dopamina que tá mandando é rápido, rápido, rápido. Então quem chega hoje, vê você saindo do estúdio, me vê saindo do estúdio, outros colegas falam, ah, eu quero fazer o que ele tá fazendo.
eu tenho quase 30 anos já de dublagem né não então eu quero fazer porque eu consigo tá mas não consegue se baixa que consegue e aí chega lá ainda tá pensando como é que eu encaixo essa palavra aqui não sei o
Você não pode fazer um protagonista pensando em como é que você encaixa essa palavra aqui. Você tem que pensar e interpretar. Acho que tem uma coisa que eu vi, outro dia, esse é aquele TED, aquelas palestras, né? Muito interessante falando sobre o Not Yet. Não vi essa. Muito legal. Uma pesquisa de uma...
Ela é professora também, especialista em educação socioemocional e tal, assim. E aí ela fez uma pesquisa muito legal falando sobre como as crianças que foram educadas pela negativa, que era tipo assim, você tirou uma nota ruim, você não conseguiu, você não chegou lá, você não foi aprovado.
E foi feita uma pesquisa de um trabalho com as mesmas ideias. Só que falando, ainda não.
ou ainda não, fez com que essas crianças tivessem um rendimento extremamente melhor lá na frente do que aqueles que eram cobrados. Você não fez essa nota, você não conseguiu, você foi reprovado, você não chegou lá, você não conseguiu. Você não é suficiente, você não é bom, você não é bom, porque é isso que você ouve. E isso causa esse momento de ansiedade extrema onde todas as crianças e adolescentes estão cada vez mais... Sim, sim, sim.
porque tem que já saber o que vai ter que fazer você já tem que estar pensando no MBA a criança com 5 anos não, porque eu vou colocar ele numa escola agora que está preparando já para o futuro para ser um... caraca! hoje em dia vem alguém falando meu filho vai ser de uma profissão que ainda nem existe
tá provavelmente mas porra que tal viver o momento atual pra ele esperar chegar lá então acho que tem isso é e eu acho que
É o prazer pelo trabalho que tem que te alimentar, né? É a paixão pelo fazer. E é isso. Quando eu comecei, eu mergulhei nisso, né? Eu aproveitei as oportunidades que eu tinha e eu assistia os feras dublando o dia inteiro. E eu pensava, quando eu via, por exemplo, a Juraciara dublando, eu assisti muitas vezes, eu falava, eu nunca vou conseguir fazer isso, cara. Desse jeito, não vou conseguir. Isso é impossível que ela faz.
Quando eu via Marcio Simões dublando, eu falava, meu Deus, eu não vou fazer isso nunca. A gente tem essa sensação. Mas a gente faz, só que leva tempo. Leva tempo. E você tem que se dedicar, e você tem que decupar esse processo. Eu vejo, às vezes, pessoas que estão começando a dublar tratando a dublagem como uma arte da adivinhação, sabe? É um jogo de dardo. Ah, acertei!
Não, não é assim. É uma arte de controle. Você tem que dominar aquilo. Eu posso fazer o mesmo take dez vezes. Sabe? E infelizmente, como a tecnologia hoje, e o ritmo é muito acelerado, vai também se criando um mau hábito. O técnico arruma, puxa, corta, bip, bip, bip, bip.
Tudo bem, está sincronizado? Está. Está bem interpretado? Não. Está fluindo? Está fluindo? Está de verdade? Não está. Então é isso. Às vezes tem uma galera que acha que está dublando, porque fizeram ele acreditar que ele está dublando. E aí o resultado está lá no ar, não é tão diferente assim, talvez, do colega, mas o processo é totalmente diferente. E a gente precisa...
de atores que dominem pra ficar bom. E aí reclamam, ah, mas dublagem é uma panela? Não, gente, não é uma panela. Uma vez um colega me perguntou, bom, como é que eu faço pra entrar nessa panela?
Eu falei, que panela? Um cara que trabalhava já bastante. Pro tempo de dublagem que tinha, tava indo muito bem. Essa pergunta é muito comum. Ele falou, mas que panela? Ah, essa panela aí, ó. Você, Tira Bosque, La Fe, tá, tá. Eu falo, amigo, dessa panela que você falou, quantos anos você tem de dublagem? Quatro. Eu falei, dessa panela aí, o mais novinho sou eu, que tenho vinte.
Então não é uma panela. Isso é o resultado. De um trabalho muito longo, de resignação. De um aprendizado, de uma dedicação. Hoje também existe muito a ideia de que o nosso trabalho, às vezes eu penso que os fãs acham que é assim, ah, eu fiz o All Might.
fui lá, fiz o All Might. Agora eu vou ficar três meses em Ibiza, desfrutando os royalties que eu ganhei com o All Might. Volto pra fazer uns eventos. Depois eu faço o prefeito Jerry para a Disney. Não, o nosso trabalho é operário.
E às vezes as pessoas dizem que querem dublar. Não, você quer fazer o All Might, é diferente. Dublar é um trabalho operário. A gente trabalha horas e horas e horas e horas e horas com processamento mental extremo, gigantesco. Você deve sentir a mesma coisa, mas depois de quatro horas dublando uma coisa, que difícil. Eu saio com a sensação que eu passo um ônibus e um caminhão depois em cima.
Uma surra. Resgotado. Exatamente. Exatamente. Tanto que o cérebro... Na pandemia acontecia muito isso. Como a gente ficava conectado o tempo inteiro, então você emendava uma escala na outra, às vezes dava 9, 10 horas na noite quando acabava o meu dia.
E eu parava e falava assim, meu Deus, parece que eu fui torturado. Não sobra nada. Se você vai ficando mais cansado, vai ficando cada vez mais difícil. Mais difícil. Que é uma das coisas que eu falo na programação. A gente fazia os 20 loops, aí depois virou 25, virou 30. Tem casa em São Paulo programando 40, 45, 50 por hora. É muito louco isso.
E assim, beleza, eu posso entrar lá numa hora num reality e fazer 50 loops, 50 anéis numa hora, beleza. Agora, se essa mesma escala tiver 5 horas e forem 250, aí eu vou ter que brigar com esse produtor. Porque eu não vou manter essa produtividade tão alta. E depende muito também do que você tá fazendo. O Dexter, você vai fazer isso? Não. Gente, o Dexter eu quero fazer um episódio de cada vez e olhe lá. Exatamente.
Eu não consigo fazer mais de... Quando junta dois, eu já fico meio... É, eu não gosto. Num protagonista assim como o Dexter, assim... E quando eu tô fazendo, eu não faço nunca um segundo. Termino um, eu falo assim... Vamos... Uma paradinha. Uma paradinha. É bem cago, eu vou fazer um xixi. Eu tento evitar, inclusive, marcar. Ah, o bloco tem quanto? Dois? A gente pode fazer um hoje ou um amanhã? A gente faz três horas hoje, três horas amanhã. Porque também, o Dexter, como ele tem a parte que é...
o pensamento dele, eu sempre gravo ela separada, eu prefiro. Eles tentaram já enfiar tudo, a gente falou, gente, não é legal, porque eu vou ter que ficar virando. E muitas vezes ele se sobrepõe, às vezes ele está falando ainda por baixo, não, claro que eu vou encontrar aí, já está pensando alguma coisa aqui, sobrepõe. Então, gravar essa parada é o ideal. Já tentaram por questões bobas e eu falei, não, não, não, não, é separado, gente.
São duas entidades totalmente diferentes. É esquizofrênico demais pra mim ficar fazendo os dois. Não dá pra ficar bom. Não vai ficar bom. Não vai ficar bom. Eu vou levar um rabicho dessa daqui pra aquela e dessa pra próxima. Então vamos fazer primeiro ele inteiro.
Fora da cabeça dele. O ator lá fez ao mesmo tempo? Não. Não. Não, jamais. Muitas vezes, inclusive, eu faço antes dele fazer a narração da cabeça, sabia? Mas agora é tranquilo já. Chega a cópia num estágio tão ainda cedo de finalização que só tem a voz dele nas cenas em que ele está em close. Às vezes até quando corta.
É uma voz de ADR. E o pensamento ainda muitas vezes em ADR. Aí eu já vou, porque como eu já conheço, está tranquilo. Mas é raro, mas acontece. Tem uma série também que eu faço agora que chama Mentes Brilhantes, que tem uma narração do personagem. Essa 80% das vezes está no ADR. Mas é uma narração bem simples também.
Então não dá, não tem como virar essa chave rapidamente. Não, não dá, não dá. E não tem porquê. Não tem, não faz sentido. Os caras fizeram com tanto cuidado, né? Pois é, gente. Tanto tempo que leram o texto lá, que estudaram. O diretor... Construíram, escolheram um ângulo, escolheram aquelas palavras. Não, junta tudo e manda. Banda, vai! E fica pra sempre, né? Às vezes eu acho engraçado, parece que alguns colegas esquecem que aquilo que você tá fazendo ali... Ficou, filho? Tá eternizado, meu amigo.
É aquilo que você vai ver daqui a 20 anos e falar... Nossa senhora, gente, onde é que eu estava com a cabeça? É isso aí. Bom, aqui, tem uma pergunta que até está meio ligada, está totalmente ligado a isso que a gente está falando. Boa noite, Nestor e Cláudio. Boa noite, Matheus Serra. Boa noite, Matheus. Matheus é o nosso aluno querido aqui. Matheus Serra. Qual dos serial killers que o Dexter cuidou?
Cuidou. Você mais odeia ou adorou enfrentar? E dos livros, qual o seu favorito? Olha, o Dexter, eu era fã da série, antes de começar a dublar, essa também é uma história que eu já tinha lido o primeiro livro, eu li acho que só dois livros. Eu tinha lido o livro.
A gente hoje está muito acostumado com o Dexter, mas quando o Dexter foi lançado, era uma série extremamente polêmica porque você passou a torcer por um serial killer. Porque veja bem, o Dexter não é um justiceiro, ele não tem esse senso de justiça, ele é um psicopata, ele mata, ele tem prazer em matar. Isso não é, isso é inegável.
ele só tem lá o código do Harry, do pai dele, porque o pai dele percebeu que ele era um psicopata e tentou, como o pai sabia que um psicopata tem seus próprios códigos, ele tentou fazer esse código acontecer dessa maneira. Então, Dexter só mata pessoas que escaparam da justiça e...
Uma mera justificativa. Mas assim, ele não é um justiceiro? Não é um justiceiro. Porque ele não mata porque ele quer melhorar a sociedade. Ele mata porque ele só se sente vivo matando. Então assim, ele é um serial killer. Então hoje isso parece muito normal. Mas eu assisti a série, a primeira temporada, antes dela ser começada a dublar. Também foi uma que chegou depois. Eu já era fã da série.
E quando terminou a primeira temporada, eu fiquei muito perturbado. Porque eu falei, mano, eu tô gostando desse cara. É o que tá acontecendo. Quando eu li o livro também, eu tô gostando dele, cara. Que doideira o que a gente tá vivendo. Eu tô torcendo por um serial killer. Isso foi antes de toda essa onda de true crime. Hoje a gente vê lá comendo pipoca e fala, ia lá, rapaz. Mas tô cortando em sete pedaços. Normal. Mas o Dexter era o primeiro anti-herói, né?
um herói que não tem as características físicas... Outro dia eu falei que o Dex era anti-herói, a pessoa não entendeu. Disse que o...
Ele era contra os heróis. Eu falei, não, o anti-herói não é isso. O anti-herói é o herói que não carrega as características típicas de um herói. Mas ele é nesse sentido. É o anti-herói contra ela. É, aquele que mata heróis. Não, não é isso. E aí eu fiquei apaixonado pela série e eu soube, essa eu vou dizer que foi uma das que eu fiz, não fiz uma campanha, mas eu fiz um pedido.
Uma amiga minha que sabia que eu era alucinado pela série, porque eu realmente sou fã, eu sou da cultura pop mesmo, não é mentira. E aí ela soube, e ela também era fã da série, tanto que ela depois acabou dublando a Deborah, que é minha irmã, a Raquel Magrinha. Ela falou, Nestor, Dexter chegou pra ser dublado em São Paulo. Eu falei, não acredito, meu Deus do céu. E o Dexter foi um dos personagens, eu não faço muito isso, mas esse foi um que eu assisti e falei, putz, eu podia dublar esse cara, mano. Ele tá ali pra mim.
E aí ela falou, ó, vai ter teste. Quem vai dirigir é o Fábio Moura. E aí eu falei, ah, vou fazer uma coisa que eu nem gosto, mas vou pedir pra ele me botar no teste. Não tô pedindo pra mim, tô pedindo só pra ter uma chance lá de fazer o teste. E aí eu liguei pra ele e falei, Fábio, você chegou uma série aí que eu adoro, eu já assisti, eu sou fã. E eu queria fazer um teste.
que eu sei que vai ter teste. Ele, é o Dexter? Eu falei, é, já te botei no teste, é a sua cara. E aí eu fiquei, uff, aliviado. E aí eu fiz e peguei o teste. Ainda bem. E o antagonista que ele pergunta aí é o que eu mais odeio, né? Como o Dexter. É spoiler, né, gente? Mas é um spoiler da quarta temporada. É o Trinity. O Trinity realmente é um assassino que...
Eu detestei. Eu odeio ele tanto quanto o Dexter. E o estrago que ele faz na vida do Dexter também é muito grande. É, por isso que a gente acaba caindo nesse lugar de quase que torcer, né? Exatamente. Ele faz um estrago muito grande.
acho que posso dar esse spoiler, né? Quarta temporada, 20 anos atrás, que é quando ele mata a mulher do Dexter. Ih, meu Deus. Você não sabia. Não sabia? Todo mundo já sabe, gente. Pelo amor de Deus. Se não sabe, você já sabe. A Rita morre na quarta temporada. Sinto muito. Já tem mais de 15 anos que isso aconteceu. E essa também foi uma cena que eu assisti sem saber. Eu não tinha dublado ainda essa temporada. A gente estava sempre um ano atrás.
E eu estava assistindo como espectador. Eu assisti e eu fiquei chocado. Então, quando eu entrei para dublar, e eu já sabia quem era esse... Desse assassino, que é feito por um grande ator, que é o John Lytton, que é maravilhoso. É o oponente que eu mais odeio e acho que é um assassino emblemático de todo mundo que é fã da série.
Acho que deve ser meio que um índice comum essa opinião. Eu acho que eu comungo com o fã-clube desse ódio, porque é uma morte que a gente não espera, o final de uma temporada.
e é onde ele vê a história deles repetir. Ele consegue, ele acha, esse assassino é um assassino que mata, ele acha que em trios. E ele fica olhando pra ele, ele se espelha nesse cara, primeiro, porque ele fala, puta, ele tem uma família, esse assassino tem uma família, como ele tá começando uma família, ele tem um filho com a Rita.
E ele fala, pô, ele consegue conjugar o pai de família com o serial killer. Como é que eu faço isso? Só que aí ele começa a ver que o cara é perverso. E ele chama trindade, porque acreditava que ele matava três vítimas com características semelhantes. Era sempre uma trindade. Características bem determinadas. E o Dexter, quando cuida dele, como disse o nosso amigo, ele percebe que na verdade são quatro.
E pela lógica, a quarta seria a mulher do Dexter. Então ele corre pra casa, mas ele chega tarde demais. O Trinity já tinha passado lá antes do Dexter pegar ele. E aí ele encontra o filho dele, que é bebê, envolto no sangue da mãe, como ele. Porque ele foi encontrado assim pelo pai, adotivo.
A mãe dele foi morta por traficantes, ele era um bebê e ele foi encontrado, banhado de sangue. Então ele vê aquilo acontecer de novo. Então assim, foi um choque. Eu acho que é o momento dos mais impactantes da série. Realmente é uma cena que é emblemática demais. E a partir dali tudo muda na vida dele. Aí ele vai enlouquecer mais ainda.
Pronto, mais do que bem respondido. Desculpa o spoiler aí, gente, quem não viu. Mas veja assim mesmo que vale a pena.
Boa. Batalha das Eras. Fala assim, boa noite, Nestor. Eu gostaria muito de saber como foi fazer o Mestre Splinter nas Tartarugas Ninjas de 2012. Você é fantástico lá. Muito obrigado. Nossa, o Splinter foi um também que eu amei fazer demais. É uma versão, quer dizer, um desenho super famoso. Foi uma versão de 2012, que é uma versão que os fãs hoje, muitos fãs consideram uma das melhores. Esse Splinter aí, exatamente essa versão. Super.
E ele é um splinter meio... meio... mestre samurai, sabe? Ele tem uma coisa mais... Ele é pesado, ele é calmo, tranquilo. Ele é muito... Ele tem essa pegada, acho que com a influência dos animes, já dessa cultura oriental chegando, foi dada uma roupagem pra ele muito de mestre zen, de um cara que entende de...
Da arte cavalheiresca do arqueiro zen, da arte da guerra. Ele é muito calmo, muito tranquilo, muito certeiro, muito mestre Jedi. Ele mistura um pouco de tudo isso. E eu amei fazer isso. Também foi um que eu acho que caiu como uma luva, assim, pro meu temperamento. Porque eu pude oferecer pra ele. E eu tenho um carinho gigante por ele. Obrigado por ter lembrado dele. Porque ele é um amorzinho querido. Muito legal, cara. Bacana.
Nestor Sniper fala assim Nestor, como foi participar das duas dublagens da animação Reluva Boss? Na do YouTube você fez o André André Fus e na da Prime você faz o Peimón Menino, parabéns, esse aí Então, eu fiz duas dublagens mas na verdade eu queria ter feito personagens maiores nas duas gracias
Esse é um daqueles casos, esse é um dos casos para vocês entenderem que a gente não tem poder nenhum de escolha sobre o que nós fazemos. O máximo que a gente tem é isso que eu fiz. Eu acho que o máximo ético é isso que eu fiz. Ligar para o diretor e falar, olha, eu gostaria muito de fazer o teste.
E essa série, eu não sabia nem o que era, nenhuma das duas vezes, porque é uma outra coisa que a maioria das pessoas não sabe, a gente não sabe o que a gente vai fazer. A gente recebe um horário, uma pessoa liga e diz, eu preciso de quatro horas com você, dia tal, parará. Não sabe se vai ser um desenho, um reality. Se é uma série que você já faz um fixo há muito tempo, você já...
Entende, né? Tipo, o próprio sugerir diz, ó, é o Dexter, chegou o Dexter novo, beleza. Mas essa série tá uma série que tava começando e... E é isso, teve dois clientes diferentes que adquiriram o produto. Então existem duas dublagens. São personagens muito diferentes, mas eles são personagens muito pontuais.
Tem uma participação muito pequena. Então é lógico que eu gosto de estar dentro desse produto, desse desenho, desse universo que tem uma fanbase gigantesca. Um personagem que entre um episódio e dois episódios, ser lembrado como um personagem de destaque.
Mas eu gostei, mas eu queria ter feito mais. Sandiero fala assim, como foi dublar Charlie Hunan em Sons of Anarchy? Esse é outro, do coração. Hoje eu estava comentando aqui com o Claudio antes que eu li hoje um comentário no meu Instagram dizendo que, pô, o Jack Stellar quase nunca é lembrado.
Vocês é que acham. Porque o Jack Stellar está no meu coração. O Jack foi um personagem que eu ganhei. E esse cara novinho que nunca à primeira vista teria a minha voz pesada. E a voz dele original é grave? Muito pesada. É mais grave às vezes do que a minha. Então, acabou.
No primeiro momento teve isso. Não, eu acho muito pesado. Mas assim, ele conquistou uma legião de fãs muito fiel. Eu recebo muita mensagem de fã do Jack Stellar. É uma coisa que vai passando de geração. Porque essa série já tem um tempo que acabou. Já tem um tempo que foi dublada. Eu fiquei apaixonado por essa série. Quando eu dublei. Eu não conhecia também. Fui me apaixonando.
E aí o que a gente estava conversando aqui, né? É o Hamlet. É o Hamlet no mundo da motocicleta. A base é essa. Ele é o príncipe Hamlet, que tem o reino do pai pra herdar. Que o tio tomou posse e começa a ter um caso com a mãe. Enfim, é a mesma espinha dorsal e ele tem... Ele é um herói, né? Atormentadíssimo como o Hamlet. Atormentadíssimo. Foi uma das poucas séries na minha vida que eu chorei dublando. Que eu me emocionei.
nos últimos capítulos, nas últimas temporadas, quando a gente vai entendendo qual é o destino dele. E aí eu falo, né? Eu já chorei como personagem, muitas vezes, né? Quando o personagem se emociona na tela, se eu estou muito sintonizado, eu tendo a... É, mas dublando realmente é porque a coisa é muito emocionante.
É, dublando eu chego, mas quando a emoção não é do personagem, é minha, inclusive eu paro a gravação, falo, gente, para, esse choro não é dele, é meu, eu é que estou emocionado. Isso aconteceu com ele e com o Randall Pierce, do This Is Us. Foram do This Is Us toda hora, eu chorava. Era uma vergonha. Então, teve, né, com o pai dele, enfim, mas o Jack Stellar foi um personagem...
que eu gostei demais de fazer, porque primeiro que ele trabalha essa imagem do homem durão, mas ele é sensível. Ele é um personagem que é como o próprio Hamlet. Ele é viril, ele é masculino, ele é young, mas ele tem dentro dele um...
uma dor muito profunda, uma sensibilidade, uma compaixão que falta quem está em volta dele. Então ele está em um ambiente totalmente pervertido, corrompido. Ele briga no bar, ele dá soco na cara. Mas ele tem um senso de ética, de lealdade e de compaixão muito grande. Como o próprio Hamlet, né? Eu amei fazer. E que bom que você também lembrou desse personagem, que é da galeria do coração, né? A gente tem uma galeriazinha do coração. O Jack Steller está lá na galeria do coração.
Muito legal. Eu não sabia que ele tinha essa voz. Ele tem, tem.
Ó, Samuel Avelar, obrigado pelos pechat, ele fala assim, Cláudio e Nestor, boa noite, senhores. Boa noite. Boa noite. Nestor, gostaria de saber como foi dublar o Riguruma, um dos personagens com um hype absurdo em... Não falei que ia aparecer um dos recentes, tem uns recentes com aparecer o Riguruma. É. E Cláudio, como foi dublar o Professor Nogueira, um personagem extremamente carismático, olha, um ponto a outro. Mas por favor, o Professor Nogueira de onde? Do Pokémon.
o Riguruma vamos lá, Jujutsu Kaisen sucesso absoluto um anime que estoura um belo dia Leonardo Santos me manda preciso de 5 minutos pra você pra gravar uma fala tá bom
Gravei sem saber o que era. Aí quando chegou o roteiro, o Jujutsu cai. Eu falei, putz, não é mais uma fala, né? Não é nada. Aí a fala era do trailer do próximo episódio. Porque esse personagem aí, o Higuruma, ele tem, como no Jujutsu, os personagens têm uma história que levam eles a desenvolver lá o domínio, né? Que chama, acho que, o poder do Jujutsu. E ele é um advogado.
Mas assim, ele é tão hypado, ele é tão importante, que eu gravei essa cena, essa fala que era um novo júri. Isso. Era uma puxadinha pro próximo episódio. Quando isto foi ao ar, só esta fala no final do episódio...
Eu imediatamente fui um bombardeado no Twitter e no Instagram, dizendo, meu Deus, eu não acredito que é você. Você é o Riguruma, você é o Riguruma. Meu Deus, é o Riguruma. Gente, ganhamos. Beleza, honesto. Aí eu falei, Léo, o que é isso, mano? Ele falou, ah, se prepara, mano. Isso aí é uma coisa...
É um personagem da terceira temporada, ele tem um arco fechado, mas ele é o personagem mais emblemático dessa temporada. O fanbase é alucinado e o personagem é maravilhoso. Esse foi um presente que o Léo me deu, porque o personagem é maravilhoso. E ele participa de dois episódios. No primeiro você conhece a história toda dele, quem ele era antes de ter desenvolvido...
o domínio, como é que aconteceu. Estou falando certo, né, gente? Se não for domínio, vocês me perdoem, mas eu acho que é domínio, sim. Como é que... E ele, e o Jujutsu, é um anime em que personagens se enfrentam e absorvem, tem lutas desses domínios e poderes, e ele tem um encontro com o protagonista. E o domínio dele é a justiça, o poder dele é a justiça. Então ele não tem violência, ele não bate. Ele consegue fazer um julgamento da pessoa.
E se a pessoa perde o julgamento, ela perde a luta. Então ele é um advogado que se revoltou com a humanidade e por isso ele virou meio... Ele não chega a ser um vilão, mas ele não é mais... Ele começa de um lugar de muita bondade, muita empatia e vai vendo que o sistema judiciário é corrupto até desenvolver essa forma de lutar julgando como um advogado. Então, nossa, foi demais. Eu dublei.
Não digo tenso, mas eu dublei consciente da importância que ele tinha. Mas foi um personagem que, como ele me dá muito material, ele é um personagem muito rico, foi uma delícia fazer. Foi uma delícia. Não teve sofrimento nenhum. Foi só pegar um bom personagem e fazer. E vai embora. Então, foi uma delícia. Que legal.
Muito bem. Batalha das eras. Eu falo do professor. Ah, é verdade. É bom. Professor Nogueira, Pokémon, falar o quê? Olha ele aí. Olha ele aí. Vai ser maravilhoso esse professor, porque ele o tempo inteiro estava sem camisa na rua, porque ele se passava. Era um professor super... Que se dava muito bem com os jovens e tal. Era um cara...
Falava sempre muito alto, né? E aí, pessoal? Então, muito expansivo. Então, pô, é muito legal porque isso é uma loucura, né? Você olha o protótipo do que seria o professor, é a antítese do que ele era. Mas, no entanto, era um puta de um cara legal, que sabia se relacionar bem com esses alunos ali. Muito bacana, adorei. Adorei muito, muito, muito.
Ah, cadê eu? Olá, Galvão e Nestor. Olá. Olá. Carlos Eduardo fala assim, como foi fazer o Poseidon na série de Percy Jackson? Sou muito fã dos livros e adorei a sua dublagem nele. Ah, muito legal. Isso aí foi um presente também do Diego Lima, que é o diretor.
Esse cara aí, também esse é um cara, esse é também um dos atores que eu falo, né, tipo, putz, é assim, cabe, é, é. Ih, pô, Poseidon, né, tipo, o que que eu posso dizer, cara? Eu adoro mitologia grega, eu conheço, inclusive, bem a história do Poseidon, eu acompanhava um podcast maravilhoso, inclusive, de mitologia grega. E aí, tava nessa fase de ouvir esse podcast, então, assim...
Estava completamente envolvido. Claro que a série tem uma pegada jovem de aventureira, mas a base está lá. Poseidon é o Poseidon. E também é um personagem que não é um personagem que entra muito, que aparece muito, mas a participação dele é muito marcante, muito imponente, muito forte. E esse também é legal, porque é uma possibilidade do trabalho.
A autoridade dele e a força dele é a força de quem é tão poderoso que é muito tranquilo. Ele não faz esforço nenhum. Então é conseguir trabalhar essa energia. Eu sou tão foda, tão poderoso, que eu não preciso elevar minha voz, eu não preciso gritar, eu não preciso...
insistir, sou uma autoridade máxima. E um pai também, né? Então, eu acho que a série consegue colocar muito bem isso. Ele como um pai...
que tem esse poder, um pai importante, que é um deus, que não está ali próximo do filho o tempo inteiro, não é um pai muito presente, mas que consegue ser um bom pai mesmo assim. Também é um que eu gostei pra caramba. Caramba, um conflito de saber o poder que tem, e ao mesmo tempo... Sim. Ele aparece na vida do filho quando necessário. Nossa, é muito bacana. Essa série é muito legal. Muito legal. E é um sucesso absoluto também.
Eu dou sorte, tá vendo? Eu dou sorte, eu dou sorte. Ah, quem diga que é sorte. Eu dou sorte. Muito bem. Vamos chegar, peraí, cadê? Cadê?
Snapper fala assim, Nestor, como começou a paixão pelo esfunco, pô? Comecei a colecionar por sua causa e você assinou o meu All Might na CCXP. Ah, eu sei quem você é. Eu assinei o seu All Might com três cores diferentes, não é? Depois você confirma aí. Que legal que você começou a colecionar. Eu acho que a coleção é assim, eu sempre tive em mim...
o colecionismo, desde pequeno. A gente falou ele fora, depois ele vai explicar. É, então, eu tive... O meu avô colecionava chaveiro e calendário, quando eu era criança, tinha aqueles calendários pequenininhos, que era a folhinha do ano, o tamanho de uma carteira. É, como se fosse uma carta Pokémon. Isso, exatamente, era a nossa carta Pokémon.
Porque quando eu era criança, eu ia nas lojas, porque as lojas faziam e davam para os clientes no começo do ano. Então o açougue, a oficina, a padaria. Tinha diversas fotos atrás e atrás do calendário. E a folhinha e o calendáriozinho. Então eu tinha assim, de flores, eu corria atrás do de mulher pelada. Era muito comum. Era muito comum. E o meu avô, ele morreu num acidente de carro.
E era o meu avô materno de quem eu era mais próximo. E eu herdei dele a coleção de calendários, cheio de mulher pelada, porque ele era um safado. E a coleção de chaveiro. Então eu já tinha um prazer em entender aquilo como um conjunto.
O colecionismo começou para mim ali naquele momento, o barato do colecionismo. E aí, bom, o Funko Pop, passam-se muitos anos, muitas coleções. Eu comecei antes do Funko Pop a colecionar Toy Art, que é uma variação onde o Funko Pop foi um pouco inspirado. O Toy Art é uma coisa que apareceu no Japão.
Como o próprio nome diz, é um brinquedo artístico que parte do princípio de um formato único. O que eu colecionava se chamava Dani, que parece um coelhinho meio humanizado, mas ele é uma tela em branco. E são convidados artistas plásticos para trabalhar em cima desses moldes e criar personagens, histórias, conceitos. E são séries diferentes. Eu tenho uma coleção bem grande deles ainda em casa. Eu parei porque, obviamente, chega uma hora que vira...
as séries eram muito pontuais no começo e aí quando começou a fazer muito sucesso o olho cresce e aí começou a ter 50 séries por ano e aí é impossível você acompanhar, eu tenho mais ou menos em casa uns 400 dele caraca eles tem vários tamanhos eles tem pequenininho que é o de 3 polegadas, o de 5 e o de 10 e o de 20 gracias
Eu tenho muitos pequenininhos, uns 300, eles estão expostos, bonitinho lá, tudo direitinho. E aí, do Funko Pop, eu comecei a colecionar uma coisa chamada Disneymation.
Disneymation. É, que a Disney pegou esse modelo e fez com o Mickey. Ah, sim, sim. Então, durante muito tempo, tinham os Mickeys que eram trabalhados com várias coisas. Eu tive muitos desses. E aí chegou o Funko Pop, que aí foi a fome com a vontade de comer. Porque ele era um personagem. É tipo aquele Donald ali.
Cadê, cadê? Ali, cinzinho ali, ó. Bem no meio. É isso? Esse aqui, não. Não? Não. Era a forma do Mickey mesmo. Era um Mickey pintado com outras coisas por cima. Ah, tá. Já entendi. Ele era sempre o mesmo Mickey. Ah, tá. E ali, como ele era decorado. Exatamente. Então, podia ser a bandeirinha da Disneylandia, poderia ser a cara da Branca de Neve. Mas era sempre Mickey, Mickey, Mickey. Eles são todos do mesmo tamanho, todos iguais. Esse é exatamente o conceito do Toy Art.
E aí quando apareceu o Funko, aí juntou a fome com a vontade de comer, porque eu amo cultura pop. Aí começou a ter um boneco que era meio toy art, que eu já colecionava, mas com os personagens de cultura pop. Aí pronto, juntou a fome com a vontade de comer. Aí meu amigo. E aí eu cheguei a ter uma coleção muito grande, eu tinha uns 400 mais ou menos, quase 500. E aí falei, não, eu preciso... Comprar outra casa. Tô virando um acumulador, não tô mais um colecionador.
Daqui a pouco eu vou estar dentro de um reality show acumulador. Isso, eu preciso de critério. Vamos agora, né? Que eu sempre até falei, né? Outro dia lá num vídeo. Caramba, mas difícil isso aí agora, né? Como é que foi isso aí nessa hora? Mas eu cortei. Eu consegui... E aí, como eu realmente coleciono, eu tenho uma relação, eu tenho uma feira em São Paulo, só de Funko, que acontece bimestralmente.
que é a Funko Pop. Vou fazer um jabá pra eles, que eles são muito legais. Procurem saber. Eles reúnem vendedores independentes. Colecionar no Brasil é uma coisa muito difícil. Tudo trabalha contra. Porque o Funko Pop, por exemplo, é uma coisa que é pra ser popular. Ele custa nos Estados Unidos 10 dólares. Seria 10 dinheiros nossos. 15 dinheiros. Aqui chega por 150. Tem Funko Pop que custa...
milhares de reais porque ficam raros né porque aí começa quando a fazer sucesso hoje vai crescendo aí tem edição limitada eles são limitada B5 no mundo vira uma criptomoeda é viram eu nunca colecionei pensando nisso
Moeda de investimento. É um investimento emocional. Claro que alguns deles acabam eventualmente virando um investimento financeiro. Porque tem bonecos que eu comprei, sei lá, por 100 reais. Que hoje estão valendo 1.200, 1.300 reais. Porque ficaram raros, porque desapareceram.
E aí eu comecei aos pouquinhos e agora recentemente eu dei uma boa limpada. Eu foquei a coleção, então eu coleciono hoje os personagens que eu fiz, bem narcisista. Coleciono os que eu fiz.
Mas não é a principal parte da minha coleção. A principal parte da minha coleção é Funko de Terror. Eu adoro filme de terror. Então os de terror são maravilhosos. Eles também já entenderam que é um nicho muito forte. E eu coleciono também alguns de cinema. Então eu gosto, por exemplo, saiu agora alguns de filmes do Hitchcock. Então tem a Mulher dos Pássaros lá, sendo atacada pelos passarinhos.
Tem o James Turr na janela indiscreta, tem o Gene Kelly cantando na chuva. Então esses eu curto. E aí, dos meus filmes favoritos, eu amo Tubarão, foi um filme que eu assisti criança. Minha mãe me levou escondida no cinema, porque eu enchi tanto o saco dela, eu era essa criança que eu falo do cinema.
Tubarão foi um sucesso, né? Blockbuster, lançou o Blockbuster. Eu tinha, sei lá, nove, dez. Chegava depois aqui no Brasil, uns dois. Então foi em 78, foi um pouquinho mais pra frente. Mas eu era jovem, criança, tinha 12 anos, sei lá. E todo mundo só falava desse Tubarão. Minha tia foi assistir, me contou o filme inteiro. Eu fiquei fascinado. Eu falei, mãe, eu quero ir, eu quero ir. Minha mãe foi comigo no cinema, passou a conversa lá no Lanterninha, falou, não, eu me responsabilizo.
E eu fiquei traumatizado pelo resto da vida quando eu assisti naquela época. Porque a idade realmente não era a idade. Mas virou o meu filme cult da minha vida. Então eu coleciono todos os funks que tem do Tubarão, e tem vários. E do ET também, que é outro filme que eu assisti e que marcou demais a minha infância. E tinha muito Disney, mas eu tinha tanto Disney que eu falei, chega, eu não vou mais colecionar Disney. Eu tenho que escolher entre Disney e terror.
Aí a Disney foi embora, passei tudo para frente. É um momento difícil, hein? Difícil, difícil. Agora eu estou vivendo esse outro momento com outra coleção, né? É vinil. Vinil. Quantos vinis você tem? Ah, eu devo estar agora...
Mais ou menos uns 300, quase pouco. E qual é o seu critério? Tem algum critério específico? Então, o vinil está tendo um retorno, o analógico está tendo um retorno. Eu tenho me debruçado muito sobre esse assunto. Por que o analógico está voltando? Porque quem está consumindo o vinil hoje...
Não são os velhos roqueiros que têm 70 anos, como era há pouco tempo. É, virou culto, né? É, exatamente. E assim, por que que nesse momento onde a gente chegou ao auge da tecnologia, ao máximo de você poder ter a música em qualquer lugar, à sua disposição, de repente, os jovens começaram a comprar vinil? Porque são eles que são os responsáveis pelo retorno do vinil.
Então, assim, eu tenho uma coleção residual dos anos 80. Eu sou muito fã da Madonna. Alucinado fã da Madonna. Que tava lá no começo. Eu gosto muito de música pop também. Ouço música pop moderna, feita hoje, pelas meninas lá de 20 anos. Onde eu não sou o público pau, mas eu conheço, gosto. Ou seja, se você estivesse aqui no final de semana, você estava na Shakira. Você estava na Shakira, na Sabrina Carpenter, no Lula Palooza, na Chapel Ron, enfim. Na Lola Young, essa galera aí toda. Não é tipo...
E eu tenho uma coleção residual da Madonna, porque eu colecionava Madonna também. Então eu colecionava revista, vinil, CD, CD singles.
Mas eu também, muito ansioso e voltado para o futuro, quando veio a moda, quando chegou o digital, eu achei que tudo aquilo meio que perdeu sentido. Tipo, não, mano, por que eu vou querer ter isso? Então eu perdi muita dessa coleção original. Eu mantive uma parte da Madonna dos Picture Discs, que são discos que têm uma foto dentro. Eles são vinis que tocam, mas é tipo um sanduíche e dentro tem uma foto. Eu colecionava esses também, esses eram bonitos, eu guardei.
Então agora eu voltei para o vinil fazendo o que? Primeiro recuperando a minha coleção de Madonna. Todos os álbuns, os singles, os singles em CD. Aí comecei, eu quero ouvir, não quero só ter como objeto. Aí pesquisei, comecei a entender de toca-disco.
de amplificador, pré-amplificador, agulha, e aí a coisa vai. E aí eu começo, pô, e aí eu vou comprar também, então, dessa cantora que é legal. Pô, tem, pô, o Smiths, eu adorava o Smiths, eu achei um do Smiths, vou comprar. E aí a coleção vai crescendo. Aí o que era só no começo uma coleção de vinho da Madonna, já é uma coleção de música hoje. E assim...
E às vezes eu escaloro muito rápido. Tipo, esses 200, 300 finitos foram comprados num espaço assim de 3, 6 meses, vai. Do meio do ano passado, agosto, setembro. Aí eu peguei um embalo e fui.
E agora também já estou na fase. Ainda tem aquela feira ali, o cemitério ali, da Consolação ali? Não tinha uma feira ali? Tem, não tem. Mas agora sim o vinil tem um problema. Porque como ele está muito hypado, ele está muito na moda. Então os cebos ainda continuam vendendo muito. Mas...
Álbuns que você comprava 10 anos atrás por R$5,00, agora está tipo R$200,00, R$300,00, R$400,00. Um disco novo no Brasil não sai por menos de R$250,00. É um absurdo, é uma loucura. Porque um vinil custa 35 dinheiros nos Estados Unidos para ser fabricado. Mas a gente tem uma carga de imposto muito grande da importação, o que não deveria, porque é um item cultural, né? Não faz muito sentido, tinha que ser como livro.
E aí tem o lucro, tem especulação, né? Eu fui numa... E tem muitas feiras hoje em São Paulo. Então eu fui numa feira outro dia de Cebos, não de discos novos. E aí achei um álbum da Xadê, dos anos 90, que eu adoro, gosto pra caramba. Mas um álbum que não é uma edição rara, um álbum que tem as pencas aí pelos Cebos. E eu perguntei, moço, quanto tá esse álbum aqui da Xadê? Ah, tá 265. Eu falei, o quê?
É, porque a garotada agora descobriu a xadê, então tá na moda. Tá bom, obrigado. Deixa aí, cara. Boa sorte. Não é um absurdo, né? A especulação é muito grande. Então tem que cavar mesmo. E eu sigo algumas páginas, alguns perfis. E é uma garotada, é galera nova que tá realmente...
Ele deixou de ser só um objeto de ouvir música, ele também é um objeto de ouvir música, mas é um objeto de desejo. Que loucura, né? Tanto que os cantores hoje lançam 10 versões, 15 versões do mesmo álbum, só que um vinil é vermelho, outro vinil é colorido, o outro tem líquido dentro, tem vinil com líquido, o que você vira e tem líquido lá dentro.
Enfim, do mesmo álbum. Edição comemorativa com mil cópias, edição com champanhe e glitter dourado, e aí por aí vai. Então, assim, se você entrar nessa... Já era. Vende só teu patrimônio inteiro. Caraca, cara, como a especulação é uma coisa que é do humano, do ser humano. Ele precisa treidar tudo.
Tem um vinil agora da Madonna que saiu, que ela fez por Dolce & Gabbana, que é uma música só. Foram feitos 2.915 cópias desse vinil. Tem um lado só, é só uma música. Ele tá sendo vendido por 40 mil reais.
e tem alguém pagando se tem alguém vendendo, tem alguém comprando um disco que não foi vendido, ele foi dado pra pessoas influentes lá do Dolce & Gabbana pros influencers italianos, enfim são 1900 cópias pra um colecionador isso é um santo graal ele tem que correr atrás mas essa eu não entro não porque aí é muito dinheiro eu gosto de ouvir a música eu também tenho isso, eu não sou um colecionador que eu também tenho isso
que deixa tudo parado, né? Eu brinco com os meus fãs, com os muros de lugar, monto cenário, tem gente que deixa tudo na caixa. Não pode ter nem um rasguinho do lado da caixa, aí eu não consigo entrar. Pra minha coleção tem que ser uma coisa viva. Ah, legal. Os meus vinils eu preciso ouvir. Se eu tenho um vinil que tá lá parado e eu não ouvi ele em um ano, eu tenho que passar ele pra frente. Se eu não perco... Ah, mas é legal, pelo menos você tem esse critério, né?
É, eu tenho tentado estabelecer cada vez mais. Porque senão não faz sentido. Então você está só acumulando mesmo. Mas ainda assim, né? Quando você está com uma coleção desse tamanho, até para você poder manter isso aí rodando, demanda tempo, né? Exatamente. E tem todo um cuidado, porque tem uma capa especial para guardar, uma coisa que você compra para não pegar estática, nem estragar o disco. Tem processos de limpeza para você preservar. Não é mais comprar um treco lá e botar e tocar. Tem todo um...
Um ritual. E dublando, dirigindo. Dirigindo eu parei, porque não aguentei mais. Agora eu só dublo. Eu tinha que escolher, ou dirijo ou durmo. É, eu dirijo ou durmo. E a época que eu dirigi, eu acabava dublando muito menos, que é o que eu gosto de verdade. E dirigir é dureza. Dureza, nossa. Por isso que eu falei, tive essa experiência poucas vezes, mas tá bom. E tá de bom tamanho.
Eu falo para os meus amigos, se eu tiver de dia de noite, eu estou passando por necessidade, brava. Se eu tiver de dia de novo, o negócio está complicado. Muito bem. Batalha das Eras fala, Nestor, passando para o seu lado vilanesco, como foi fazer o Starscream em Transformers Prime? Olha, esse foi um também, foi a minha participação no...
no universo Transformers, foi uma das poucas séries que foi dublada em São Paulo, e ele era um vilão muito engraçado, um vilão que não dava muito medo. Ele era um vilão, mas é um vilão meio... Ele era meio... Ele era meio atrapalhado, ele é meio clown, sabe? Ele tem esse papel meio de...
O vilão engraçado, né? É, o coiote do Papalero. Tudo que ele planejava dava errado. Se ferra. Se ferra, se desmonta. O outro acaba com ele. Ele sai reclamando. Ele tem uma... Ah, não quero mais saber. Ele parece sempre uma coisa. A voz era... Era uma vozinha meio aguda, meio estranha. Não era uma... É, ele ficava mal. Mas aí depois desafinava.
Todo desconstruído. É, todo desconstruído, todo errado. Mas eu dublei ele bastante tempo e também é um que as pessoas sempre lembram. É muito impressionante isso, né? O impacto que a gente faz chega para as pessoas, às vezes, é tão diferente do que a gente imagina. Às vezes, você fala assim, caramba, eu dublei um negócio que vai ser...
Vai ser um estouro, hein? Cri, cri. E o contrário. É, e às vezes você dubla um trabalho, né? Até tem um vídeo que eu vi, que vai sair sobre isso, tipo... Você faz trabalhos dificílimos. Eu fiz uma série, por exemplo, polonesa. O protagonista é um cara que é um ex-astro de rock, que tem problemas com álcool, e o filho dele desaparece. E ele estava com o filho na noite que o filho desaparece, e ele não consegue se lembrar que ele estava alcoolizado.
Então a série inteira é esse cara desesperado, frequentando as reuniões já e tentando reconstruir essa noite. Então tem flashback, flashback, ele tá bêbado, volta pra cá, ele tá na reunião, ele tá falando. É o cara o tempo inteiro, ele tá em todas as cenas da série. Em polonês.
Eu sempre falo, trabalhos incríveis que ninguém viu. Trabalhos que foram muito difíceis de fazer, que demandaram uma entrega muito grande, uma atenção muito grande, que são bons, mas muitas vezes ficam escondidos, acabam. Porque a oferta é tão grande hoje que quais são as chances realmente de uma série polonesa dramática bombar no Brasil.
É verdade. Até acontece. Acontece. E a gente fica com a sensação de... Pô, eu queria tanto que vi isso, hein, cara? Pô, eu queria tanto que vi isso, cara. Ficou tão legal. E o contrário também, né? Muito louco, assim. Eu falo muito do exemplo, não porque eu não gosto que depois eu até entendi o porquê do sucesso. Sim. Mas o encanto, né? O filme, né? Sim. Porque eu falei assim, cara, quando eu dublei...
Falei, pô, que filme legal ali, bonito e tal, mas depois virou um negócio que bateu o primeiro lugar na Bilbao. Sim, é um sucesso. Aí depois é que eu fui ver quem era o compositor. Sim, o Lime Miranda lá. Falei, agora vai ter uma terra em canto na Disney, né? Estão construindo lá agora, um pedação lá, a casa em canto. Os caras já tinham essa visão, já sabiam que isso seria. E quando eu dublei, eu achei bonito o desenho, mas falei assim.
Legal, pô, bacana, mas quando eu vi o tamanho que coisa... Que é, então, a Disney e a Pixar sempre é isso, né? Você nunca sabe se vai ser...
o maior personagem do mundo, ou se vai ser um filme que vai passar batido. Como tem o que eu acho que... Não é Disney, é Pixar. Acho que é o José ou Reduções. Eu falo muito desse filme. É um filme lindo que toda vez que eu vejo, eu choro. Não só pela história, porque é linda, mas pelas músicas, como foi feita. São músicas lindas.
Cara, incrível. Passou batido. Passou batido. Quase todo mundo pergunta. Você já assistiu José o Rio de Janeiro? José o Rio de Janeiro? O que é filme? Eu fico assim, perplexo. É isso. São os mistérios da arte.
Muito bem, olha aqui, Danitzar. Danitzar. Olá, Cláudio Nestor. Olá. Nestor, queria perguntar um personagem que você dublou na Do Brasil. E se você lembra o Ultraman Léo, no filme Mega Batalha na Galáxia Ultra, em 2009? Não. Fez a minha infância, cara, que até para eu conseguir falar tudo. Que bom que fez a sua infância, porque... Olha aí. Você tem certeza que eu fiz isso?
Gente, esse é um também que... Olha, eu acho que eu lembraria, porque o Ultraman é muito emblemático, né? Mas certamente passou, me passou. 2009? E esse que ele falou do Brasil, qual é o personagem do Brasil? Porque isso não foi o do Brasil. É, ele falou, a Nestor queria perguntar um personagem que você dublou na do Brasil. E se você lembra o Ultraman?
Ah, não lembro. Sinceramente não lembro. Leo? No filme Mega Batalha na Galáxia. Vou até assistir quando chegar em casa. Vou, de repente, depois eu te respondo aí nos comentários, porque vou estar mentindo se disser que... Ah, foi. Não sei nem quem eu fiz. Não sei como é esse filme.
Bom, tudo bem, né? Museu Toys fala assim, boa noite, Galvão e Nestor. Boa noite. Boa noite. Como foi dublar Hypnos, do anime Cavaleiros do Zodíaco. Um anime patrimônio da dublagem. É isso, cara. Eu sempre brincava.
que se você está em São Paulo e você não fez alguma coisa no Cavaleiros, é tipo nos anos de uma lista da sociedade, o Rusru da sociedade, o Cavaleiros é isso, é o Rusru da dublagem em São Paulo. Então, obviamente, quando eu fiz o Hipnos, eu fiquei extremamente feliz. Outro dia eu ouvi aqui o Felipe falando, o Grinan, ele fazia o meu irmão, ele ia ticando as coisas que ele ia fazer.
E a gente fez exatamente, ele fez o Thanatos, que é o Deus da Morte, e eu fiz o Hipnos, o Deus do Sono, na saga de... Como é que chama? A saga de Hades, que é passada toda também em torno da mitologia grega. E você já gostava do Zucá Velocê de Xanthes ou não? Não tinha nenhuma relação com o fã. Isso é uma coisa que sempre é muito complicada, porque o anime...
ele tem uma linguagem muito própria. E essa época aí que chegou no Brasil Cavaleiros, eu já estava em outra etapa da vida. Já estava estudando, já estava na faculdade.
Então, assim, eu ia nos cineclubes, o meu mundo era esse, cineclube, Estação Botafogo, Mostra do Rio, Fechão Internacional de Cinema, eu tinha me desligado muito da televisão, eu frequentava muito a sala de cinema e teatro, eu fui muito, muito ao teatro. Nessa época, vi também o Grinan falando aqui, os diretores que a gente viu, o Macir Góes, Ulisses, Gabriel Villela...
Era um momento muito efervescente da cultura. E como eu estudava na Unirio, a gente tinha um camarote no teatro municipal, porque o reitor, na época, era o irmão do ex-presidente Figueiredo. E a gente tinha um camarote cativo no municipal que o Figueiredo doou para a Unirio. Então, tudo que tinha no teatro municipal podia ser a coisa mais...
disputada do mundo, aquele camarote era da Unirio. Então a gente se inscrevia na faculdade e eles sorteavam os ingressos. E assim eu vi Morriste Bejar dançando, eu vi Momix, eu vi ópera, eu vi tudo que tinha lá, eu me inscrevia, tudo que ganhava eu ia. Então eu tinha uma vida cultural que não passava por aí.
Então, o Cavaleiros eu fui conhecer depois, já como dublador, entendendo que ele foi o que colocou o dublador no mapa da cultura pop no Brasil, da cultura geek. Foi a partir dos Cavaleiros que nós começamos a ganhar rosto. Então, por conta disso, por esse efeito significativo, eu me senti extremamente honrado quando eu fui fazer um personagem, e um personagem que eu adorei fazer muito, muito, muito.
também ligado à mitologia grega, que eu adoro, que foi o Hipnos. É um personagem também bem lembrado, que tem um lugar aí garantido no...
no coração dos fãs. Muito legal. Dua sorte, tá vendo? Salve Galvão e Nestor. Beleza, beleza. Beleza. Como foi fazer... Loganiradu. Como foi fazer a voz pro Gameplank Forças Especiais em League of Legends? Por sinal, podem me chamar de Logan.
então isso foi uma loucura porque quem faz esse cara o Gangplank é o Percy então isso daí foi um trabalho que na verdade me ferrou porque ele é um dos skins do personagem do Percy e eu não sacava nada disso e aí no Forças Especiais esse skin por algum motivo não foi o Percy que fez tem uma outra voz original eu fiz então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir então eu vou descobrir
E eu não posso mais fazer League of Legends. Então eu só fiz esse skin. Sua vibe, tua voz ficou presa. De um personagem que tá preso a esse skin. Não é nem um personagem meu. Um personagem que, inclusive, eu tinha esquecido. Eu lembrei recentemente, quando começaram. Porque eu falei, ah, a gente nunca fez LOL, que droga. Não, você já fez sim. Você fez Gangplank, foi um dos especiais. Aí eu fui lá ver pra ver se eu tinha feito mesmo. Fiz, aí fiquei sabendo disso. Nem sabia na época.
Pra mim era um game. Não sei porque não foi você. Me perdoe. Mas são essas coisas, essas coisas da dublagem. É isso. Não dá pra você saber tudo 24 horas por dia de todos os produtos. Por isso, game então, muito menos. Porque, se eu chegar lá, tá um...
Gangplank, falas, falas, falas. Eu não sei de onde veio, pra onde vai, quem ele é, se ele já existia. Não fui informado disso. Aí não tem como. E eles não dizem pra você. Eles não falam pra você. Olha, se você fizer esse, inclusive, você não vai poder fazer mais nenhum do LOL. Porque esse dia eu diria não. Eu prefiro esperar um personagem pra fazer um personagem no LOL. Isso já aconteceu em alguns trabalhos. Tem alguns clientes que tem um pouco essa...
Esse tratamento como se nós fôssemos atores, como os atores de cinema. Ah, se você fez um filme dessa franquia, você não pode nunca mais, se você fez uma ponta num filme dessa franquia, você não pode nunca mais fazer nenhum personagem.
quando, na verdade, a gente trabalha de uma outra forma, né? A gente tem uma rotatividade maior. Então, e muitas vezes isso não é avisado, que é o que me chateia mais, né? Você muitas vezes faz o trabalho... Aconteceu comigo numa franquia que eu gostava muito e queria ter feito outras coisas, eu fiz um personagem que entrou, sei lá...
12 loops, sem nenhuma importância no universo daquele mundo. E aí depois quando apareceu um personagem bom e legal que eu podia fazer, um ator que eu dublava, me disseram, não, você não pode mais fazer. Porque você fez lá o marido da ex-mulher, do filho do cara que é o herói. Mas ninguém me disse isso quando eu fui fazer. Você descobri depois. É, depois.
Vamos nessa. Sandero, o Sandieru. Como é dublar o Pedro em Machos Alphas? Ah, esse eu adoro. Acho o humor da série muito inteligente, curto bastante. O Machos Alphas foi uma boa surpresa. Eu fui, confesso, quando chegou o roteiro, que eu vi o nome, né? Falei, ah, maravilhoso o Pedro.
E aí eu olhei, primeira vez, chegou aquele roteiro, Macho Zalvo, uma série de comédia espanhola, falei, deve ser dureza, né? Mano, a série é muito bem escrita. Os atores são ótimos. Ele já teve a quarta temporada. Eu achei que fosse uma série de tiro curto. Os atores são ótimos, eles tratam realmente a questão do...
machismo, do homem ter que se reinventar nesse mundo com a mulher mais empoderada. É espanhol, então a gente está calcado ali na cultura latina do machismo, que a gente sabe que é bem machista. E esses caras são quarentões, cinquentões.
vivendo momentos diferentes e crises diferentes. O Pedro é um executivo da televisão, muito bem sucedido, mas que acha engraçado, ele é mandado embora quando a gente entra uma... começa a série, ele não sendo mandado embora, porque ele já estava querendo fazer uma série de comédia sobre uma menina com câncer que perdi um bebê, sabe? A ideia de comédia dele era, tipo assim, totalmente insensível.
E aí ele é mandado embora e tem que recomeçar do zero. E a mulher acaba virando uma influencer famosa. Então ela começa a bancar. E aí vai embora. Eu adoro fazer ele. Eles não perderam o frescor da comédia. É uma comédia muito bem feita. Que legal. Foi uma surpresa e um presente também. Dez sorte de novo. Boa, você é um cara de sorte. Muita sorte.
Jimmy Leite fala assim, Nestor, como foi o desafio de dublar Jesus em A Paixão de Cristo? Responsabilidade, né, gente? Muita responsabilidade. Se a gente fosse falar, eu já fiz alguns Jesuses. Esse da Paixão de Cristo foi um.
E esse foi muito simbólico, porque o filme é feito em aramaico, né? Ele não teve dublagem no mundo durante muito tempo. Mel Gibson não permitiu que fosse dublado. E a dublagem brasileira foi a primeira do mundo. Caramba, sabia disso não. Foi a primeira do mundo. E quem escolheu as vozes foi o senhor Mel Gibson.
A gente fez teste, os testes foram montados pelo estúdio, foram mandados para ele e ele escolheu quem faria cada pessoa. Então, eu posso dizer que eu tive a honra de ser escolhido lá pelo diretor do filme, que era uma coisa que acontecia muitas vezes antes. Eu me lembro, os primeiros filmes que eu fiz aqui importantes, que eu fazia o Vozerio, obviamente, a ABTI, o Resgate do Soldado Ryan, o Spielberg escolheu as vozes, ouviu as vozes em português.
Então isso acontecia muito. E essa foi uma responsabilidade, porque você está reproduzindo.
independente da sua religião, independente da sua crença, é um símbolo muito forte para o Ocidente. É a entidade religiosa que pauta quase todas as religiões aqui do Ocidente. Então, é uma responsabilidade. É um trabalho que é citado até hoje.
E aí foi polêmico, né? Polêmico. É, exatamente. O Mel Gibson é uma figura muito simples, muito complexa. O Jim Caviezel, que hoje é um ator que faz coisas muito questionáveis, né? Tipo, embeirou por um caminho muito maluco, assim, muito radical em algumas coisas.
Mas foi importante, porque o filme é muito violento, realmente. Não é um filme que eu particularmente tenha prazer assistindo. Acho ele muito sofrido, muito doloroso. A ideia dele era essa, né? É, muito... Ele teve...
É o que eu falo, é um porn de violência, sabe? Eu sempre tenho essa questão quando eu vejo os filmes. Eu preciso mostrar isso para passar essa mensagem ou eu estou só entregando para quem está afim de ver violência, uma cena violência, ou para um racista, uma cena racista, ou para um feminicido, uma cena violenta com a mulher. Mesmo que no final eu justifique e tenha redenção, mas eu não preciso mostrar.
E eu acho que quando eu mostro, né, o porn, né, o porn da violência, o porn do racismo, eu acho problemático e eu tendo a me afastar um pouco da obra. Eu fiz um outro Jesus muito mais convencional num site que vocês vão... que é um Jesus usadíssimo. Eu já fui parar em rock gospel, eu já fui parar em...
vídeo, tem um perfil no TikTok, eu queria muito que esse rapaz me desse uns royalties, porque ele monetiza muito, e ele pegou vários trechos desse Jesus que eu fiz, e montou vídeos e edits com a minha voz. Ele tem milhões e milhões de visualizações, ganha um dinheiro lá. E outro dia ele falou, ah, vou te agradecer. E tudo sem consulta, sem royalties, sem nada, que é um Jesus que eu fiz para uma instituição religiosa.
achando que fosse uma coisa muito restrita, interna dessa igreja. E isso foi parar num canal de YouTube. Então eu tenho, assim, todas as parábolas mais famosas, ensinando a oração do Pai Nosso, tudo, tudo, tudo com a minha voz. Isso alimenta milhões de perfis no Brasil. Que loucura. Esse meu segundo Jesus, que é mais ouvido do que esse daí.
é outro que eu posso requisitar junto com Sherlock. Se for Jesus, você pode... Não, mentira, mas tem outras pessoas que estão fazendo Jesus. Hoje quem faz para essa mesma igreja é o Silvio Giraldi, em São Paulo. Ele passou Jesus.
O Fabrício Vilaverde, acho que fez um tempo também. Ah, é? É. Os Jesuses. O Fabrício foi um como você, né? Foi para lá também. Sim, sim. Constituiu família, sua família está lá. Já casou, já está com filha. É um amor, adoro ele. É, eu também. Ele é maravilhoso. Foi meu aluno criança. Olha!
Eu vejo o olho pra cara dele e ainda lembro que ele garantia. Pois é. O tempo passa. Nestor, como foi dublar o Randall Pearson de This Is... Já falou. Um personagem complexo de uma série incrível e como foi dublar o Capitão América em X-Men 97.
Então, Capitão América foi uma surpresa também, né? Eu fiz teste para outros personagens nessa série. Fiquei muito triste de não ter pegado o que eu queria, o que fiz teste. É mesmo. Serginho Cantu me escalou. E aí tem essa coisa, né? Porque o Capitão América, que já tem vozes...
foi feita por outra pessoa eu fiquei até assim, ué, mas o Capitão América outro ator essa série especificamente não pode ser as vozes dos Avengers, tem que ter uma outra voz, e aí lógico que eu adorei não vou gostar de fazer o Capitão América caiu aí, já é o segundo eu fiz o Thor muito tempo para os Avengers, para o desenho, que o Mauro faz nos filmes, eu fazia nos desenhos o Thor e aí
muitos e muitos anos e agora o Capitão América né então já tô ficando o segundo a vez gostei para caramba mais um pouco para minha coleção tá arrumando o problema ele dá só uma pontinha ele dá só uma pinta aí ele não ele não tem uma participação muito grande na trama mas é o Capitão América né eu posso dizer o dobro é o Capitão América pode tá aí não tá mentindo não tô mentindo
O Galaxy Bladers fala assim, como foi dublar o Drago de Bakugan? Drago também, foi uma época que um outro desenho que fez a infância de muita gente, um personagem muito lembrado. Eu adorava fazer, era um desenho que eu curtia fazer. O Drago é um...
É um desenho que vai muito em cima do Pokémon. São crianças que têm dragões, que são bolinhas, que jogadas e fazem batalha. Parece algum cinema. Coincidência, vai. E o Drago, que é o dragão do protagonista, é um dragão super imponente também. Tem uma coisa...
heróica, muito grande. Então, eu adorava. Eu gostava pra caramba. Achava divertido de dublar. Quem dirigia muito essa série fazia Gilmara Sanches. Ela fazia. Ela era uma pessoa muito peculiar. Era muito divertido trabalhar com ela. Eu gostava.
É isso, foi uma daquelas coisas também que do nada você acha que vai fazer, ah, vou fazer um desenho. E vira um marco para uma geração inteira, né? Um personagem que já acabou de ser, você tem, sei lá, 15 anos que acabou, 20? E é um personagem lembrado, citado e querido. E que eu também gostei muito de fazer, é um personagem que eu acho que tem...
Os personagens onde eu consigo colocar alguma coisa minha que tenha a ver com ele e que dá certo a liga. E uma voz dele é o quê? Ele tem uma voz imponente, uma voz sábia, uma voz... Uma voz de herói, né? Uma voz de herói. Uma voz de herói. Muito legal.
Ó, Notícia Nerd Geek, olha aí. Fala assim, boa noite, como você começou a ser a voz da Sony Channel? E como é? Tem que fazer as chamadas da programação todos os dias? Todos os dias. Todos os dias? Todos os dias. Quer dizer, na verdade, é assim. A Sony tem uma história, essa é uma história maravilhosa na minha vida. Por quê?
Eu, como fã de cultura pop, adorava. A Sony, na época, ainda era Sony Entertainment Television. Ainda era esse o slogan. E era feito num estúdio em São Paulo. Era gravado num estúdio em São Paulo. E um locutor saiu. E a Sony tinha uma relação com esse dono do estúdio. Que passava tudo pelo estúdio. Então ele pediu teste para uma nova voz de locução. Na época eu fumava. Coisa que eu não faço já há muito tempo. Mas eu fui fumante.
E nessa época especificamente eu tava com a voz bem velada. Eu tava com uma voz meio assim. E aí chegou... E você atribuiu isso ao cigarro? Ao cigarro, era ao cigarro. Era ao cigarro.
E aí chegou, eu fumava muito, muito, tipo dois massas por dia. Caraca, muito mesmo. E aí chegou o teste, a mesma Raquel que me falou do teste do Dexter, que é a fada madria, né? Ela falou, estou! E ela era a voz feminina do canal, ela tinha entrado há pouco tempo. Ela falou, estou, vai ter teste pro Sony pra voz masculina.
Falei, nossa, eu quero fazer, quero fazer. Aí ela conversou na época com o Jorge Barcelos, que era o dono do estúdio, falou, Jorge, bota o Nestor no teste. Ele falou, não posso, com a voz dele está estragada. Posso ver o Jorge? A voz dele está estragada. Ele está com a voz péssima, mas ele está destruída. Ela me contou isso no sigilo, eu fiquei arrasado, não participei desse teste.
Na mesma época, eu tive que fazer um implante dentário, que eu tinha quebrado um dente e tive que fazer um implante. E você não pode fumar. Eu aproveitei e parei. Cara, era essa pergunta que eu ia falar, mas tu fumar tanto assim e parou do nada? Usou pet? Sem nada, eu parei na cara dura.
Pois bem, isso aconteceu tipo, ela me contou isso, uma semana depois eu fiz um implante, parei de fumar. Ou seja, é bom quem quer parar de fumar, quebra um dente aí. Quebra um dente, pare de fumar. Eu parei de fumar, parei mesmo, radicalizar. E os testes rolando, em um mês e meio, dois meses, a minha voz limpou. Abriu, recu... Eu não tinha metal mais, eu não conseguia fazer Sony Entertainment Television.
estava nesse nível não tinha mais metal na voz nenhum voltou tudo parece que foi assim uma intervenção divina falou vamos tirar você dessa vida de fumante e vamos te dar uma prova incontestável de que você não deve fumar porque o que aconteceu ninguém foi aprovado no teste a Sony não gostou de ninguém se passaram um, dois meses fazendo testes um
Muita gente, e eles não gostaram de ninguém, não aprovaram ninguém, pediram dois meses depois uma nova bateria de testes para o Jorge. E aí eu fui lá. Falei, Jorge, olha aqui, voltou, está vendo? Minha voz está limpa, limpou. Ele, é, cara, limpou. Vou te botar no teste.
Peguei. Sensacional. Peguei. Tô lá há 18 anos. Caraca. Olha isso. É porque era teu. É? Então, são aquelas coisas que são tipo... Tem que ser. Exatamente. E aí, eu fiquei... Eu começava gravando três vezes por semana, num horário fixo lá no estúdio. Com o tempo isso foi se transformando. Hoje eu gravo de casa, no meu estúdio.
eu tenho que... Eu tenho... Eu gravo todos os dias se houver demanda. Então o meu combinado com eles é que eles me mandam um texto hoje. E eu tenho até amanhã, um certo horário para devolver gravado. Geralmente é a última coisa que eu faço no dia.
depois de trabalhar tem um horário limite que eles podem me mandar o texto se passar esse horário vai para uma demanda de outro dia mas é um esquema muito tranquilo eu adoro fazer também porque mais uma vez eu me sinto parte de uma coisa que eu gosto né eu gosto daquele universo gosto de fazer locução eu adoro também fazer locução e voz de canal né é aquela coisa que tu não é então eu sou an entertainment television
Comecei ainda era Sony Entertainment Television, depois virou canal Sony português e hoje Sony Channel. Então assim, foi passando pelas mudanças e eu fui me adaptando. E os estilos de locução foram mudando ao longo do... Então eu aprendi muito também. Abri outras portas para a locução, quando você está no ar o dia inteiro falando como locutor.
Quando você vai fazer um teste de locução, o cara pode nem saber que você é o locutor daquilo. Mas a voz parece... Pô, essa voz aqui é gostosa. Essa voz me dá uma tranquilidade, um conforto. E eu acabei pegando muitos testes de locução depois que eu comecei a fazer o Sony. Eu adoro também. Eu sou grato. É, de meu chefe. Maravilhoso. Legal.
parceiro já de muitos anos, a gente tem uma relação excelente, o pessoal de lá é incrível. Que maneiro. Eu gosto demais, faço com o maior prazer. E vai continuar. Porque não tem... Exatamente. Não tem fim. Não tem fim. Bom, já que estamos falando de Sony Entertainment, não precisa falar do meu patrocinador. Sem ele eu não posso continuar o meu desfocupante, porque acho que é o meu auto-patrocínio, é o Gavã.
Se você não sabe, nós somos uma escola de dublagem aqui, a gente trabalha justamente com a educação desses alunos, formando pessoas para entrar no nosso mercado. O Galvão Estúdio, você está vendo aí, a gente está trabalhando ainda de forma remota, desde a época da pandemia, na época, por razões óbvias, e agora a gente continua porque a gente começou a ter muitos, muitos alunos de fora do Rio de Janeiro. E a gente continua com esses alunos aí, desde aquela época, e a gente tem tido...
muitas surpresas agradáveis de muitos alunos nossos que estão começando a entrar no mercado, que estavam aqui trabalhando desde essa época. Continua, gente. Continua, sim. Como funciona? Você, na sua casa, tendo um fonezinho simples e um computador, você vê o vídeo e o script do lado e fica numa reunião com a gente, com no máximo cinco alunos por turma.
para a gente conseguir realmente dar uma atenção legal para cada aluno. Cada aluno é uma coisa. A gente não pode nunca pensar que a gente tem uma turma. Cada turma dessa tem uma pessoa que tem uma demanda, que tem uma dificuldade, que tem um ponto que a gente tem que saber tocar. Então, assim, a gente trabalha muito com esse cuidado aqui, tá? Se você tiver interesse de fazer curso de dublagem, você pode encontrar a gente aqui no nosso Instagram, Galvana Estúdio, ou pelo nosso WhatsApp, 219-6903-5805.
A gente também tem uma opção muito legal, essa todos os nossos alunos que fazem essas aulas do nosso curso regular, antes fazem esse curso, que é um curso introdutório que a gente tem, chamado Você Também Pode Dublar. Esse curso é um curso de aulas gravadas, são mais de seis horas de conteúdo, tá? Você não vai se transformar em dublador fazendo o Você Também Pode Dublar, tá? Quem te diz que vai fazer um curso de aula gravada, você vai virar dublador, foge, que é mentira. Corre, corre. Corre. Mas isso daí serve para quê?
Tá lá, introdutório. Você não conhece dublagem, você quer muito ser dublador. E às vezes, eu comecei a pensar muito nisso, porque a gente vê muito essa demanda. As pessoas cada vez mais apaixonadas pela dublagem, emocionalmente, elas querem entrar nesse mercado, a gente entende isso. Só que elas não têm a menor ideia de quantas coisas tem aí. Então, só nesse introdutório, eu fui juntando uma demanda, coisas, perguntas e coisas que eu fui entendendo, que são as necessidades básicas.
Deu um curso de mais de seis horas de conteúdo. Só introdutório. Introdutório. Então, eu falo sobre habilidades, dúvidas, tem uma entrevista com Carla Pompilho, falando sobre direção, como funciona, como é a escalação, depois, quando você chega no estúdio, o que acontece, depois tem edição, mixagem, um papo muito legal e profundo sobre isso, sobre essa parte, só sobre essa parte.
A gente tem uma gravação de uma canção aí, eu dublando uma canção, sendo dirigido pelo Gil Vegas, para vocês entenderem como é o trabalho da dublagem de canção, completamente diferente da dublagem convencional de filmes, novelas, etc. A gente tem aí uma entrevista com o Léo Alcântara, um dos maiores engenheiros de som aqui.
querido, sabe muito, trabalha com a gente aqui, nosso companheiro também, explicando tudo a partir de áudio, né? Às vezes a pessoa quer, pô, eu queria fazer um estúdio meu e tal, o que fazer, que tipo de equipamento, que tipo de som eu preciso ter profissionalmente para você poder ter realmente uma coisa de qualidade. Enfim, eu juntei milhões de dúvidas e demandas e coloquei nesse curso. Para quê? As pessoas que fazem esse curso, elas têm duas alternativas. Ou sai ou entra.
Basicamente é para isso. Você sai daí com certeza sabendo o que é a parte profissional, o que tem por trás, quais são as demandas, para você poder tomar a sua decisão ali de começar realmente a estudar, sabendo de tudo que você precisa. Ou então você fala, não dá, agora entendi. Era outra coisa, pensava que era outra coisa.
Então acho que isso aí é um divisor de águas para isso, tá? Tem muito conteúdo legal aí mesmo, assim, eu falo desse curso assim como um xodó, porque eu fiz com o maior cuidado do mundo, eu vou para dentro do estúdio, mostro, explico aqui como a gente trabalha as quatro etapas aqui, viu? Marcou isso aí ou gravou, que é um método que a gente aplica aqui, quando a pessoa termina, ela tem direito de fazer uma aula como ouvinte para conhecer as aulas práticas, né? Porque as aulas práticas você dubla todo dia ali.
E a gente de duas em duas semanas vai mudando os estilos aqui. Então tem duas semanas séries médicas, duas semanas séries policiais, duas semanas anime, duas semanas reality show, duas semanas voiceover, duas semanas vozeria e tal, e assim por diante. A gente tem um calendário que vai passando ao longo de ano. E aí cada período desse de um ano é o básico, intermediário e avançado. E isso depois que você fez o curso aqui, que você falou, ok, agora eu vou.
Então a diferença do cara, que depois que ele faz esse curso, quando ele vem para fazer aula, ele...
A gente fala assim, ufa. Porque não tem mais aquela pergunta. Ah, precisa ser ator? Mas o que é loop? Aí você, olha, mas como assim? Não é por hora?
Então, quando você vai vendo... Você já passa uma parte aí muito importante. Muito importante. E só gente fera, estou vendo aqui. Carla Pompilho, Gil. Então, a gente fez com o maior cuidado. As pessoas que participaram me deram a honra de fazer parte. Os seus depoimentos e tal.
Então é para isso que serve esse curso, tá? É um curso introdutório para você realmente saber onde você está pisando, tá? Se você tem interesse, é só você apontar o seu QR Code ali para aquele cantinho, você pode cair direto na nossa página ou procurar nas nossas redes também. Tem o nosso link tree lá, você encontra com facilidade, tá? Aí a gente tem outra possibilidade, que aí eu chamei o especialista para falar também um curso introdutório sobre dublagem de games. Gustavo Nader.
É um cara que já tem muita experiência nesse mercado, ele tem mais de 14 anos como CEO da Core Dream, que é uma das localizadoras de games que tem aqui no Rio de Janeiro. Um querido amigo também dá aulas aqui com a gente, principalmente de games, sabe muito, é um nerd, querido.
Então assim, ele tem muito conhecimento dessa área, muito mesmo, é muito bacana. Ele discursa muito bem, muitos detalhes sobre essa arte da dublagem de games, que é bastante diferente de a gente falar um pouco.
completamente diferente da mente diferente completamente diferente então assim mesmo estilo tá seis horas de conteúdo de curso muito bem baseado aí com um conteúdo muito legal você sai daqui também sabendo exatamente eu mesmo aprendi a pessoa de coisa aí que eu não sabia mesmo depois do blog fazendo o curso falei caraca é mesmo ele é você não sabia disso não
Bom, mas só dupla comigo. Veja bem. Nunca é tarde para aprender. Nunca é tarde para aprender. Então, assim, realmente o cara fez um trabalho muito legal aí, tá? O Gustavo Nader está muito de parabéns mesmo. Se você tiver interesse, mesma coisa. Tem o nosso QR Code ali no cantinho. E segredo aqui só para vocês, tá?
Se vocês chegarem lá no final, ah, eu estou comprando só o Dublando Games, ah, mas lá no carrinho no final, se você levar os dois, tem um descontinho. E vice-versa também, tá? Então, se você tiver a possibilidade, quiser ter os dois aí,
É muito bacana também, tá? Você pode rever, rever quantas vezes você quiser ao longo de um ano, tá? O curso fica aí livre, você não tem, né? Ah, só vi uma vez, acabou? Não. Você pode ver, rever várias vezes. E depois, tanto de um quanto outro, você tem como você agendar uma aula como ouvinte para você conhecer a aula na prática aqui. Tanto minha quanto do Nader, para você ver realmente na prática. E aí eu tenho uma notícia para te dar. Se você chegou até esse ponto, filho...
Você vai sair da sala do ouvinte já falando como é que eu faço a matrícula? Não vai ter jeito. Você vai fazer o curso que é impressionante. Eu acho que assim é bacana, porque a pessoa já entra. Sim, claro. Caramba, é isso. Eu vou aproveitar para fazer o jabá, porque muita gente me pergunta como começar na dublagem. Olha aí, gente. É um ótimo lugar começar na dublagem.
Com uma ótima pessoa, com gente séria, com um curso introdutório que já vai adiantar muito o trabalho. Às vezes você vai pagar um curso caro, doido. Vai se frustrando, às vezes. Vai se frustrando, vai chegar lá. Não vai entender nada, exatamente. Esse aqui é um jeito genial de começar. Eu recomendo. É isso aí, obrigado. Muito bem, é isso aí. Feitos os nossos comerciais. Vamos voltar para aqui, vamos? Olha aí.
Luiz Almeida fala assim, como foi dublar a Shane? A Shane? A Shane? A Shane? A Shane? A Walking Dead, claro. Olha aí, o Shane, né? Não superei essa morte até hoje, gente. Caraca, cara. Não superei. Esse é um dos meus vilões favoritos da minha vida. Eu não fiz ele inteiro, né? O primeiro ano quem dublou foi o Lafay. Eu fiz teste junto com ele. Esse eu perdi. O Lafay ganhou. Fez o primeiro ano e foi embora do Brasil.
E aí, falaram, bota então agora o outro menino. Então eu entrei e o Shane, pra minha sorte, a segunda temporada é onde ele ganha realmente importância e tamanho. Teve sorte, hein? Viu como eu sou sortudo? Ele ganha importância. E eu...
A minha sorte também é essa. Eu sou fã alucinado do Walking Dead. Os primeiros funkos que eu comprei na minha vida foram os funkos de Walking Dead. O do Shane eu não tenho até hoje, porque os safados lançaram só numa edição limitada numa feira. Então é um funk, custa caro pra caramba. E eu não consegui nunca achar no Brasil. Só tem lá e às vezes num preço muito absurdo, mas ainda vou ter.
E assim, ele lançou muito depois. Então eu tenho o Ricky, tenho o Daryl, tenho a menina Bike Girl lá, enfim. E aí... Tem a Michonne.
Não tem a Michonne. A Michonne é demais. É demais, é demais. Eu tenho aquela primeira galera ali. A Michonne é demais. Mas é um Funko também que ficou raro. O dos caras que ela também andava com os dois também são raros. Tem vários. Eles têm hoje uma linha gigantesca. Eu tenho uns Toys também pequenininhos, que é uma outra série. Aí eu tenho todos. Todos os personagens.
dessa primeira, segunda leva, ali tem todos. Caramba, que sensacional. Tem no teu Instagram, né? Não tem, eu vou fazer um...
uma fotinho desses bonecos. Tem que fazer. Eu tenho isso do Game of Thrones, essa outra linha, que são bonecos bem pequenininhos, tipo esse Donald. Eles são meio estilizadinhos. Então eu tenho do Game of Thrones, todos. Do Walking Dead, todos. E ícones do terror também. É um colecionador mesmo. É inato isso aí. Coleciono pin. Pin da Universal, da Disney.
Caramba. Mas tá tudo organizado. Só com esse depoimento, já sabemos que Nestor mora num apartamento de 280 metros quadrados. Só para guardar. Veja bem, mas eu sou extremamente organizado. Eu moro com outras pessoas e elas implicam às vezes comigo. Tá gastando dinheiro aí com esses negócios? Mais boneco de plástico?
Mas eu calo a boca deles porque eu sou muito organizado. Então eles olham e falam, não. Minha coleção de disco está toda catalogada. Tem pessoa, eu tenho, é hiperfoco mesmo. Então assim, está toda organizada. Eu tenho catálogo, aplicativo de catálogo. O Funko também. Eu tenho contato com vendedores. Então quando eu vou passar uma parte...
do que eu não quero mais, eu já tenho pra quem passar, que vende pra mim. Tem quando sai alguma coisa que eu quero, já tem os canais pra conseguir, já me enfiei lá. Mas voltando ao nosso amigo Shane, que é um ator também que eu adoro dublar, e dublei menos do que eu gostaria.
Ele, na segunda temporada, ele é um grande vilão, né? Ele vira... É. E eu adorava dublar o Shane. Só que aí, eu gostava, mas eu sofria, porque eu era fã da série. E a série tinha estreia mundial já dublada. Então eu tinha spoilers. Então eu, como espectador, eu ficava muito frustrado. Porque eu sabia de coisas que iam acontecer.
Na série que eu ainda não tinha, que eu também estava acompanhando como fã. Inclusive, essa foi sem dúvida, eu posso dizer assim, sem nenhuma dúvida, que foi a morte de um personagem que eu mais senti na minha vida. Por quê? Eu amava série, eu amava dublar o Cheyenne. Realmente não. Eu amava dublar.
Ele arrebenta nessa segunda temporada. E aí eu acesso coisas em mim que são muito divertidas de acessar num personagem e que eu não gostaria de acessar nunca na minha vida. Mas lá eu tenho a permissão e o dever de fazer isso, né? De acessar esses lugares. E aí, o que acontece? A gente chega pra dublar. Você olha lá a pedra, né? Aqui chama... Como chama? A tabela. A tabela, é.
E você vê lá. Então eu sempre tava na segunda temporada. Shane, 97 loops. Shane, 112 loops. Aí eu cheguei lá um dia. Shane, episódio 9, 79 loops. Episódio 10, 1 loop. Falei, ele vai morrer. É. Ferrou. É. E aí eu entrei no estúdio derrotado.
Que foi um spoiler pra mim. Pra você. E aí eu falei pro diretor, que era o Silvio Giraldi, eu falei, Silvio... Subiu no telhado. Vou morrer, né? Não, eu não vou te falar, Silvio, eu não sou burro. Eu tenho um loop no próximo episódio, que é o último da temporada, eu vou morrer, né? Que é o flashback, né? Eu vou morrer agora no nove. E esse um é o Previously, Walking Dead. E era exatamente isso.
E aí eu morri, uma morte sofrida pra mim, viu? Doeu, porque eu amava dublar o Shane. Mas é compreensível. Esse eu sofri muito quando morreu. Tem uns que você fala, ainda bem que esse desgraçado morreu, que não aguentava mais dublar. Também tem esses. Mas o Shane, eu senti. É uma morte que eu não superei. Jamais, jamais. Eu queria ele mais umas três temporadas, pelo menos. Aprontando. Me dando prazer de dar voz a ele.
muito legal, parabéns realmente foi incrível esse cara olha aqui, dubla Logão boa noite Nestor poderia falar um pouco sobre a sua dublagem do nosso regente Trag da série Invencível essa aí é outra dublagem que eu falei que está agora acontecendo com toda a força o Invencible que é uma série da Amazon Prime Invencible
Teve uma tentativa. Olha ele aí, o cara é... Você sabe que esse desenho foi baseado no Fred Mercury. Isso que eu ia falar, é o Fred Mercury. Ele foi baseado no Fred Mercury. Esse é um vilão com um V mais músculo. Aí eu comecei a olhar aqui a roupa, né? Sim. Se tinha coisa que ele tinha.
Ele usava sempre tipo um leotardo. Sim, é, um leotardo, exatamente. Com decotão. Então, de alguma maneira, por algum motivo que eu não sei qual, ele foi baseado um pouco na figura do Fred Mercury. E ele é um vilão com um V maiúsculo. Ele é um dos seres mais poderosos do universo. É uma dublagem que ele entra nessa última temporada. Uma dublagem que...
o fandom estava esperando muito ansiosamente. Então esse foi o que eu entrei para dublar, sabendo da responsabilidade. Esse eu fui escalado pelo cliente, foi a própria Amazon que pediu. O estúdio sugeriu outras pessoas, testou outras pessoas, e aí, muito obrigado, Amazon disseram, não, não, esse aqui que eu ia fazer é o Restor. E eu gostei demais de fazer, porque ele é...
Ele é um mal que não é... Eu sempre acho que é interessante, né? Porque o vilão tem isso. Para o vilão ficar legal, você precisa entender. Você não pode fazer ele como mal. Eu, quando vou fazer o vilão, eu faço ele como um ser humano. Que acredita naquela convicção.
E ele tem uma convicção, ele parte de um princípio de preservação do povo, de proteção, só que isso gera um caos e uma destruição gigantesca. E ele é tão poderoso que ele é capaz de transformar as leis do universo. Ele é um pilão muito poderoso e muito imponente. E aí teve uma coisa... Então ele é um general, ele tem uma dureza, ele tem um...
Ele é um tom seco e forte. E ele... Com ele aconteceu uma coisa muito curiosa. Várias pessoas me mandaram mensagem. Tem vídeo sobre isso. O fandom falando que eu consegui deixar ele melhor do que o original. Caralho, legal. Eu fiquei muito feliz. E eu, quando dublei, não vou mentir. Às vezes eu ouvia e falava... Mano...
Esse cara não está fazendo o que esse cara precisa. Ele tem algumas escolhas, o ator original, que são bastante estranhas. Eu não sei se porque falaram, ah, é em cima do Fred Mercury, ele às vezes fazia umas coisas... Mas ele é só o desenho que é inspirado. A personalidade não tem nada a ver.
Não tem nada de I want to break free. Nada de I want to break free. I want to fuck this world up. I want to make war. I want to destroy you forever. Ele é o primeiro general de um imperador. Depois ele vira o imperador. Não estou falando besteira, não. E ele cria uma guerra gigantesca de destruição enorme acreditando que está fazendo a coisa certa.
Então eu entrei com a responsabilidade. Foi engraçado porque nesse estúdio onde ele foi feito, tem uma galera muito jovem trabalhando, muitos nem me conhecem direito. E aí os dubladores que tinham sido colocados para o teste que a Amazon rejeitou.
Era um do dublador dos mais jovens, que eles conheciam. E aí um deles chegou e falou assim, ô, quando disseram que era você que ia fazer o Treg, eu não botei fé, não. Falei, isso vai ficar bom, não. A gente foi tudo lá na mixagem assistir. Depois do primeiro episódio. Ó, você calou a boca de todo mundo.
Mano, não estou acreditando que estou ouvindo isso. Menino, eu comecei a dublar antes de você nascer. Porque tem uma coisa, né? A juventude hoje tem uma... É geracional mesmo. O mundo começou no dia que elas nasceram. Elas têm muito pouco interesse.
pela história, pelo que veio antes dela. A gente vê aí, eu vejo, eu como acompanho a cultura pop, gente questionando o tamanho que foram os Beatles, tipo, o tamanho que foi o Elvis. Será que ele foi tão grande quanto a Taylor Swift? Tipo, gente, não é assim que funciona, entende? Então, acho que acontece um pouco isso. E como eu sempre fui um dublador, até muito recentemente.
mais introspectivo, sem fazer muito alarde da minha presença, dos meus personagens. Isso tá mudando, né, gente? Vocês já perceberam. Mas, então, eles nem sabiam. Então, tipo, eu trabalho nesse estúdio, aí um dia eu tava lá sentado, e aí os meninos nem falavam comigo direito, passavam sem cumprimentar. Aí um dia um falou assim, Você é o Almighty?
Pô, mais difícil. Abre portas. Sou, cara. Mano. Aí mudou o tratamento totalmente. Aí passou um tempo. Self-dexter. Falei, sou, cara. Mano, você tá numa fase boa, hein? Caraca. Eu falei, tô. Tô, tô numa maré de sorriso.
O Dexter começou a ser dublado em 2008. Aí.
É isso, mas eu acho graça. Quase 20 anos já, só isso. É, acho engraçado, só, tá tudo bem. Mas e o Treg teve esse momento, assim, de ter uma prova de fogo com a juventude do estúdio, que foi lá e falou, assim, foi vendo a mixagem, porque não... E aí falou, calou a nossa boca. Então é muito legal, eu vejo hoje um vídeo da garotada mesmo, falou, não, tá muito bom. Que legal. E aí, tá, tá, tô numa fase boa. Tá numa fase boa, cara, aproveita, viu? Porque a vida vem em ondas como o mar já dizia no Santos. Exatamente.
muito bom cara, o que eu posso dizer mais? primeiro lugar, agradecer demais você estar aqui se você quiser falar sobre redes sociais as redes sociais tem o meu nome se você tiver alguma dúvida do meu nome é só procurar Nestor Dublador, não tem nenhum outro Nestor Dublador tenho esse privilégio mas é Nestor KS o meu arroba no Instagram no TikTok o meu arroba no Instagram
No YouTube não, mas ainda não tem canal, então também não precisa divulgar agora. É TikTok e Instagram, arroba NestorQS. Estou lá sempre lá, falando do que está acontecendo, respondendo o máximo de perguntas que eu consigo, me comunicando o máximo que dá.
Não mandando áudios, infelizmente. Que é muito pedido, né? É loucura. É o que eu sempre falo. Agora eu sempre deixei quase uma mensagem de copia e cola. Todo mundo pede áudio. Aí eu mando sempre o site. Nossas vozes. Nossas vozes. Porque eu acho que aí a gente faz... Eu acho que eu vou abrir um OnlyFans de voz.
Pensando na aposentadoria já, entendeu? Nossas vozes já podem começar a me ajudar também. Você nem sabe. É um Unifam, gente. Vai dar notícia. Por que não? Um Unifam de recados de voz. Porque se a gente for pegar demanda ali toda hora, gente, todos os dias, a gente, assim, não é, a gente não está ignorando vocês. A gente tem uma série de questões que são contratuais. Contratuais.
raramente, raramente não, eu diria que nunca, eu nunca recebi um pedido dizendo, Nestor, dá um alô pra mim como Nestor, é sempre como um personagem, eu não posso fazer isso, gente. A voz é minha, mas os personagens não são meus. E se eu fosse atender os pedidos de áudio, eu acho que eu passaria os meus dias inteiros respondendo os pedidos de áudio. A gente fica feliz, eu agradeço de coração, mas como eu disse já uma vez, assim...
O maior presente, o maior carinho que vocês fãs podem dar pra gente é prestigiar o trabalho da gente onde ele tá. Onde ele foi feito. Onde ele nasceu. Dentro daquele personagem. Porque ele vai ser melhor do que qualquer áudio que eu te mandar. É. É real. Agora, se for um áudio do Nestor, pode até mandar. E aí, aqui é o Nestor, um beijo. Pronto. Não tem problema nenhum.
Muito bom. Dá sua mão aqui, irmão. Muito obrigado. Obrigado, tá? Eu que agradeço, Cláudio. Foi maravilhoso, já sabia que ia ser legal, mas ele surpreendeu ainda. É mesmo? Você ficou feliz? É, tá bom. Cara, brincadeira, hein? Não imaginava não, hein? Olha isso, olha isso. Tem o futuro? Cara, você tá num bom momento da tua carreira. Parabéns. Eu tô aqui, cara.
Você quer celebração maior? É um ápice isso aqui. A celebração é para mim. Muito obrigado, meu amigo, pela tua presença. Você engrandeceu mais ainda meu querido filhote desse Foco Podcast. Muito obrigado. Eu que agradeço. Muito obrigado. E obrigado a todo mundo aí que acompanhou a gente. É isso. E você, se ainda não deu like, ainda dá tempo, é importante dar para o nosso algoritmo, o senhor algoritmo, mandar esse conteúdo para mais gente.
É importante, tá bom? Não é só um pedido assim do coração. Digam que me amem, não.
Dá o like, que é importante para ele ser transferido para cada vez mais pessoas. Se inscreve no nosso canal também, aciona o sininho para ficar pretinho ali para você receber todas as notificações, tá bom? Não esquece disso. Muito bem, uma ótima noite para todos vocês. Até a próxima semana. Beijo grande. Tchau, tchau.