As ARMADILHAS da Escala 6x1 | PROGRAMA 5º ELEMENTO
Neste programa, o Estúdio 5o Elemento conecta três pautas que parecem desconexas e mostra o fio que as une: a discussão sobre o fim da escala 6x1 que tomou o Executivo e o Legislativo, a lista da Folha de São Paulo dos "100 melhores livros de não ficção do século XXI" e a chamada crise da
masculinidade brasileira.
Lucas Honorato, Luigi Marnoto e Carlos de Freitas destrincham por que reduzir a jornada do trabalhador pode ser uma armadilha — não a solução que está sendo vendida nas redes e nos discursos. Discutimos quem realmente lucra quando o brasileiro trabalha menos, por que jornalismo cultural recomenda 100 livros pra quem perdeu o pouco tempo livre na escala 6x1 lendo porcaria, e o
que significa o fenômeno do "afrescalhamento" denunciado pela direita Red Pill, por figuras como o ator Cazarré, e ridicularizado pela mídia tradicional.
São três frentes da mesma crise — a crise de uma elite que dita o que o povo deve ler, quanto deve trabalhar e como deve se comportar. Compartilhe com quem ainda acredita que trabalhar menos resolve. Inscreva-se pra não perder o próximo programa.
Com Carlos de Freitas, Lucas Honorato e Luigi Marnoto.
- Escala de Trabalho 6x1Projetos de lei para redução da jornada · Impacto da redução da jornada no custo de trabalho · Automação e substituição de empregos · Problemas de mobilidade e transporte · Benefícios trabalhistas e perda de renda
- Crise da MasculinidadeEncontro de Julião Cazarré sobre masculinidade · Crítica ao discurso 'woke' e 'politicamente correto' · Papel da mulher na sociedade e no feminismo · Consequências da ideologia de gênero · Crítica à mídia tradicional e 'elite global'
- Lista dos melhores livros de não ficção do século XXICrítica à curadoria da lista da Folha de São Paulo · Identitarismo, racismo e gênero na literatura · Influência de influenciadores e algoritmos na escolha de livros · Mercado editorial brasileiro e a direita · Aversão brasileira ao conhecimento e ao debate
- Empreendedorismo e burocracia no BrasilDificuldades para abrir e manter empresas · Microcrédito para empreendedores locais · Monopólio de grandes empresas e concentração econômica · Legislação tributária e portarias complexas · Comparação com a facilidade de abrir empresas no Paraguai
- Tecnologia e controle socialCadastro no GovBR para hotéis e pousadas · Vazamento de dados do GovBR · Inspiração no modelo chinês de controle
- Mercado de Trabalho BrasileiroAntagonismo entre patrão e empregado · Desvalorização do trabalho manual e da figura do trabalhador
Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer, já dizia o Toad no desenho do Super Mario. Essa situação me lembrou um didático. Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer. Para além de querer ir pro céu sem morrer, todo mundo quer ganhar, mas ninguém quer trabalhar. Mas só alguns. Tem gente que até gosta de trabalhar. E o trabalho virou pauta no governo executivo, no governo legislativo e em todas as esferas do governo.
Só que há uma armadilha. Talvez colocar o trabalhador para trabalhar menos não seja a melhor solução para os seus problemas. Para além disso, falando em não gostar de trabalhar... Nenhum trabalho é ruim.
O ruim é ter que trabalhar. Jornalistas da Folha de São Paulo recomendaram os melhores livros do século, que não terminou e, portanto, não lançou todos os livros que irá lançar. Sem livros de não-ficção. Exato, de não-ficção. Melhores. Para você aí que já não tem tempo por conta da escala 6x1...
Perdeu o pouco tempo que tem lendo porcaria. Isso denota uma grande crise cultural. Uma crise que não está só na leitura, não está só no seu tempo de trabalho, mas está também na masculinidade. Os cabos estão ficando tudo afrescalhados, parece. E o afrescalhamento da mídia, que julga quem reclama do afrescalhamento alheio, serve para promover os cursos de desafrescalhamento.
produzidos pela direita, pelos redpill, e por aqueles que só têm bom senso. Como é o caso do Casaré, ao que tudo indica. Esses e outros muitos assuntos, não tantos assim, nós comentamos neste programa Quinto Elemento que, olha, foi bom. Se trocou por pau, né? É a gente, às vezes, é o canal. Para de ser chato. A nossa disciplina.
E para falar sobre estes e outros assuntos animadores, elevados, rebaixados e tudo que tem entre estas coisas, estamos aqui com o Luiz de Marnoto. Alô? Opa, é a primeira vez que você faz esse som. Como é que é? Eu não sei fazer isso. Não, é que... Corta isso, amor de Deus. Faz! Toca, toca. Estamos aqui também com o Carlos de Freitas.
Faz aqui, né? E com o Lucas, que não tem sons sobrando a se fazer. Não tem. Não tem o grande repertório. Abri a garrafa. É. Então é o seguinte. Olha, eu já vou comunicar a vocês todos. Dá até tontura.
que a gente gravou já 40 minutos de programa mais cedo, entendeu? Foi muito legal. O Carlão aqui definiu de uma vez por todas que tipo de jogador de futebol o Bolsonaro seria se ele fosse um jogador de futebol. É verdade. O Luiz falou coisas muito interessantes também. Que se não lembra. Falou sobre a cesta de quatro pontos da NBA. Isso, defendeu. Ele é contra, na verdade.
E aí o espírito ragatanga possuiu o acerehê rabere ali em cima. O computador desligou e não ficou nada. E aí a gente tá fazendo de novo. Ficou seis minutos. Então se parecer que tá rolando... Nesses seis minutos a gente tava xingando todo mundo. A gente xingou várias pessoas da direita, foi uma coisa assim. Então a gente até mudou a pauta, entendeu? Pra não dar confusão. Isso. Tava muito legal, vocês iam gostar, mas...
É uma pena. Quem sabe um dia a gente põe no ar. Não tem como morar no ar. A gente faz uma reconstituição. Então, fica aí na imaginação. Mas, para começar aqui o papo, o que vocês acham de trabalhar quatro dias e descansar três?
Você já foi no zoológico, Luiz? De que? Da onde? Daqui de São Paulo? São Paulo muitas vezes, quando era garoto. Eu gostava muito de ir lá. Eu ia quase todo mundo lá. Quando falo, como é que é o zoológico, eu nunca fui. Fui no bosque. Fui 4-3. 4-3 é praticamente o... Tem umas pessoas aqui que trabalham 3-4, inclusive.
Chama três dias, fogo a quatro. Três dias, fogo a quatro. Então, mas acontece o seguinte. A questão da escala seis por um voltou do nada. Tinha dado uma baixada. E aí não só tem o projeto, porque os caras são assim, no Brasil, todo problema que o cara encontra, ele quer enfiar na Constituição. Então a Erika Hilton chegou lá, fez um projeto de lei e falou, vou pôr na Constituição. Quatro por três. Aí vem um outro sujeito. Quatro por três era o dela? É, era o dela. Aí vem um outro sujeito e falou, não.
Não precisa ser 4x3, a gente mantém as 40 horas semanais só, não, 36 horas semanais, só que pode distribuir 36 em 5 dias, que fica melhor, né? Não precisa trabalhar com ela, o número de horas é que conta. Aí o governo Lula falou, não, eu, Lula, sou o moderado.
É 5x2. 5x2. É 5x2. Folga no fim de semana. Tem as horas limites aqui. Só que, assim, isso é um evidente movimento. É uma pauta populista. Vinda, inclusive, pautada a partir de um movimento empresarial gringo, que nada tem a ver com o direito de trabalhador e o cacete. E o pior, essa questão...
Olha, é evidente. A questão do cara trabalhar seis dias e enfolgar um e ficar três horas na condução todo dia, isso dá um monte de problema. Tem um monte de gente tendo problema de saúde que o cara não consegue se cuidar. Exato, o cara sabe o que é o mim crente. Exato, o cara não tem tempo de cuidar da casa, da saúde, não consegue fazer nada. E o dia que ele tiver uma folga, ele vai ter que correr. Então, assim, é ruim mesmo.
Já tive essa escala. Exato. De fato, é ruim. Só que os projetos que estão aí, eles não resolvem os principais problemas. Porque, primeiro, no debate público fica aquela confusão que já é uma desonestidade, né? De começo. Que é, você fala, ah, o projeto é do fim da escala 6x1. Ninguém sabe de que projeto está se falando. Quando fala, fala como se fosse tudo. Porque tem um monte, né? Porque tem três, né? Tem esses três que a gente falou agora.
Aí segundo...
O fim da... Não se fala que somente 30% dos empregos em carteira assinada, 33%, não me engano, algo assim, estão na escala 6 por 1. Não é a maioria. A maior parte dos empregos CLT... Já são 5 por 2. Sim, sim. E aí, e mais? O projeto que economiza 4 horas semanais, que é, por exemplo, o do governo Lula, cara, 4 horas por semana,
É assim, tem gente que gasta três horas, gasta quase quatro horas na condução todo dia. Sim. Você economizar quatro horas por semana, malemar vai economizar uma hora da condução do cara. Fora que, tá bom, cinco por dois, mas aí o tanto de mães solteiras que estão trabalhando por aí que não tem creche pra pôr o filho, por exemplo.
Você vai pôr a mulher para trabalhar mesmo, mas onde é que ela vai deixar o filho? Vai resolver o problema dela. Tem uma série de outros problemas do Brasil, fora a questão de analfabetismo, a questão dos irregulares e... Informais. Informais e pejotizados, que muitas vezes são os que mais trabalham e não têm medidas para que eles serem contemplados.
Então, assim, é uma medida que, beleza, na teoria, parece boa, mas não resolve os principais problemas do trabalhador. Então, fora que você tem...
Toda essa questão de que, tá bom, você vai forçar a escala 5x2 ou a 4x3. O cálculo que se tem é que, mecanicamente, sem normalizar por particularidades setoriais, é que o negócio vai ficar, a hora de trabalho vai ficar 22% mais cara dentro do regime CLT tradicional.
Isso pode ser sanado ou piorado, a depender do caso. Se você aumenta o custo da vaga de trabalho, pode acontecer duas coisas. Um, não vai ter mais vaga CLT, e o cara vai ser pejotizado. Dois, a depender do custo, vale mais a pena colocar uma automação. Como é nos setores de atendimento, como com caixa, setores de serviço, etc. Aqui já é o movimento que está rolando.
E pode ser acelerado. E a gente vai se f*** cada vez mais, porque eu estou tentando falar com a Amazon.
Faz três meses. Eu não consigo. É um pedido que não chegou. E eu não consigo reaver esse dinheiro, cara. Porque eu não tenho caminhos para chegar a falar com alguém. É um negócio assustador. E a Amazon, né? E a Amazon. E quando você tiver que fazer check-in no GovBR, para ir para um hotel? Para um motel. Quando você vai para um motel? Vai ter que fazer também no motel? Não sei. GovBR no motel?
Não sei, você não viu o check-in agora, você faz tudo? Não, é hotel, é hotel pousada. Hotel e pousada. Hotel e pousada, você tem que fazer um cadastro no GovBR dizendo para onde você vai. Uxi! Quando o cara vai dar essa notícia? Eu não vi, não. Você que é o homem hiper antenado, eu fiz até vertical sobre isso. Eu não vi, não. Sim, sim.
E mais um controle do governo. Aliás, inspirado no modelo chinês. Olha só que beleza, hein? A tecnologia evoluindo. Rapaz. E aí o GovBR, que é aquele site super seguro. Que quase não vaza os dados de ninguém. Meu Deus do céu.
Cara, mais isso que é humano. E aí, no caso de ter um vazamento, o GovBR não vai ter nenhum cabo humano lá para ver que deu errado. Por quê? Porque vai ser todo mundo pejorizado, automatizado, demitido. E pior, o cara que ficar, estima-se que, por exemplo, em média, o trabalhador receba mil e duzentos e tantos reais. É daí ou um pouquinho a mais do que isso. Só em benefícios. Ou seja, vale alimentação e vale transporte. Cara, o sujeito que ganha dois pau...
1.200 é mais que metade do salário dele. Sim. Então, assim, esse cara vai perder uma grana que faz uma baita diferença na alimentação, faz uma baita diferença no transporte que a gente tem que pegar para chegar no trabalho. Então, assim, você vai... Olha, você vai trabalhar quatro horas a menos, supondo que seja o projeto do governo que passa, que é o mais moderado.
E vai perder uma grana lascada. De... Vale... Dos benefícios e tal. E pior, não vai consertar os principais problemas, que é, cara, eu tenho certeza que se o sujeito tivesse que trabalhar 5x2 pegando 3 horas de transporte todo dia versus trabalhar 6x1 chegando no trabalho e voltando em 20 minutos...
Eu escolheria chegar em 20 minutos. Não tenho dúvida. A gente tem exemplo aqui. Mas não é assim, né? O cara que trabalha 5x2, 6x1, vai pegar 3 horas. Exato, vai pegar. Exato, esse é o ponto. Quem não consegue... Os principais problemas. O problema... O problema que seria muito mais benéfico seria melhorar o transporte. Enfim.
Todo o resto, tudo o que envolve. Agora, só uma coisinha que eu fiquei em dúvida. Você falou que tem um movimento empresarial externo a favor dessa redução. Mas aqui no Brasil? Não, então. No geral. O projeto... Então, existe um team que tem chamado Four Week Global.
4 Day Week Global, que é feito por um empresário canadense, se não me engano, que começou a promover essa questão da diminuição da jornada de trabalho. Ah, isso globalmente. É, globalmente. E aí você tem filiais brasileiras. E o movimento aqui no Brasil, o VAT, que é o Vida Além do Trabalho, feito por um pissolista, ele é inspirado abertamente nesse movimento empresarial.
E é muito engraçado, cara, que tudo o que falam sobre o fim da escala 6x1, especialmente a implementação do 4x3, que é a proposta original que veio para o Brasil, é, assim, é abertamente mentiroso. É num nível muito escroto. Porque, assim, teve, por exemplo, o piloto lá de Portugal. Você pega a manchete que está na CNN, e é 95% das empresas que adotaram a redução para o 4x3 foram um sucesso.
É, produziram mais, etc. É, exato. Aí você vai ver que, assim, é 95... Tem vários problemas, mas o primeiro é 95%. Aí você vai ver lá. São cento e tantas empresas que entraram. Dessa... Preencheram o formulário, isso é interessante. Dessa cento e tanto, 40 prosseguiu. Os números são exatamente esses, mas é próximo disso. Não sei de cabeça. Dessas 40 que prosseguiram, tipo...
20 e poucos, 30, desistiram no meio do caminho porque não estavam aguentando. E essas que desistiram no meio do caminho não enviaram dados a respeito da performance e do impacto. Aí sobrou 10. Dessas 10, que eram empresas que estão em setores em que a redução é possível, porque, por exemplo, trabalha com conhecimento e com informação. Você consegue compactar trabalho num período, ficar mais o outro, adiar para outra semana sem grandes impactos.
É diferente de prestação de serviço, que você não pode... É diferente de serviço.
Então, que são empresas normalmente assim, que já tinham meio que um comprometimento, e deu, eu já estava estudando, se adaptando e tal. Dessas 12 que foram as que ficaram e que mandaram as informações, 95% deu certo. Então... Quer dizer, quase nada. Ou seja... Só que a manchete é 95% dá certo. Sim. Fora que a metodologia, primeiro, que é uma metodologia enviesada, porque ela é feita por um tink tank que é promotor do modelo.
e verificada por eles em parcerias com diversidades amigas. Aí, segundo, o método de verificação é o mais ridículo possível, porque ele não faz um tracking, um rastreamento de entrega efetiva de serviços e de produção. É uma entrevista com gestores e funcionários. Você pergunta para o funcionário, e aí, você acha que quando você trabalha ou menos funcionário, a empresa produziu melhor ou pior? É, ele vai dizer, não, está uma merda.
É, eu não consigo trabalhar tanto. Aí pergunta pro gestor. Então ele sai perguntando e essa, esse é o medidor de sucesso e de aumento de produção ou não. Sim. Então assim, é um negócio... Falácioso. Tão vagabundo. É, tudo errado. E aí você vai ver praticamente tudo que sai na imprensa sobre isso, que vê um monte de manchete recente, né? Olha, experimenta um sucesso na Holanda, piloto é um sucesso em Portugal, não sei o que, empresa brasileira. É tudo com metodologia desse tipo. É.
Com essa falta de transparência... Em países um pouquinho menos problemáticos do que o nosso, né? Sim. Como a justiça do trabalho, que a gente tem, com o sujeito que pede, faz acordo, não me registra não para eu poder ganhar tal coisa, depois ele processa, porque a empresa não registrou. É um pouco diferente, eu acho, assim. Não sei.
Fora a questão da produtividade, né? Porque assim, tá bom, você diminui a escala de trabalho. O Brasil tem uma produtividade muito baixa comparada a desse país. Sim, já é muito baixa. Se você tem uma produtividade mais baixa, e atenção, produtividade não quer dizer que o brasileiro não trabalha. Quer dizer que ele trabalha muito... É o contrário, ele trabalha demais e entrega pouco. Exato.
E o tanto que ele trabalha não rende tanto retorno. Sim, exato. Às vezes o cara tem quantidade de volume do que ele entrega, é muito. Mas é um produto que não tem valor agregado e etc. E por isso o cara tem que trabalhar muito para gerar o mínimo. Sim. Isso é por quê? Porque aqui não tem indústria, não tem desenvolvimento tecnológico, não tem...
uma série de coisas que tem nos outros países e que criam empregos. E nem uma cultura do trabalho mesmo, porque a cultura do trabalho aqui, na verdade, ela foi totalmente envenenada por uma ideia de que existe também uma luta entre o patrão e o empregado. Sim. Entendeu? Então não tem como essa coisa funcionar, porque essa cultura do trabalho... O cara não se dedica à empresa porque...
Ele tem interesses, às vezes, semelhantes com o da empresa. Mas não porque ele fala assim, porra, cara, eu acho que esse cara está pagando o meu salário. Veja, o senso de gratidão não precisa ser um senso de gratidão absoluto, porque o trabalho é o trabalho. Mas essa ideia de que o patrão só está querendo te explorar, que é uma ideia absolutamente, assim...
enraizada em boa parte de várias... Porque eu já trabalhei em um monte de lugar. Eu sei. Inclusive, já pensei assim, né? Sim. Mas você tem essa cultura. Então, isso afeta ainda mais essa ideia de produtividade. Eu sei. Essa ideia de... Isso é tão arraigado. Isso me fez lembrar um episódio quando eu trabalhei no Ática Shopping Cultural. Uma gigante livraria, a maior livraria da América Latina. Quebrou, né? O Brasil não se deu.
E era ali na Praça do Zou Maguás, aqui em Pinheiros, num prédio construído para ser uma livraria, um prédio belíssimo. Tudo bem, era arquitetura moderna e tal, mas ele tinha umas boças, era um negócio legal, eram três andares de livraria, mas o subsol. Foi lá muito. É, eu imagino. Depois virou o FENAC, né? Depois virou o FENAC, exatamente. E eu me lembro de subindo, era um cara que estava no mesmo cargo que eu, que era um cargo de diretoria.
a gente ganhava muito bem. Acho que um dos motivos de eles não segurarem a bronca é porque os salários eram muito maiores do que o mercado livreiro. E um cara subindo uma escada transparente, que dava para a Praça dos Omar Guares, que é um lugar bonito, estava tendo um pôr do sol, e o cara falou assim, olha, precisamos ver como a gente vai fazer, se unir aí, porque trabalhar nesse lugar insalubre o dia inteiro, eu falei assim, insalubre?
Um negócio acondicionado no talo, tudo funcionando, bonitinho, cheiroso. Falei, meu, qual a tua ideia de insalubre? Falei, nunca pisou num chão de fábrica, nada. Sabe o que é um coração de telemarketing. Falei, então, isso tá... Claro, o cara era um cara de esquerda e tal. E isso tá enraizado, né? O cara acha sempre que tá se ferrando. O patrão tá querendo ferrar ele. Um ano. Se tiver lugar em saúde. Uma vez numa multinacional em que eu trabalhei, que fabricava aparelhos eletrônicos,
O cara entrou na... A gente chegou na linha de produção um certo dia que eu lidava com os engenheiros ali, o pessoal da gerência. A gente chegou na linha de produção e verificou que alguém, não sabemos quem, tinha conseguido entrar com um tolete de merda dentro da linha de produção e havia depositado a merda no meio da linha. Estava lá. Uma bosta.
Igual o da mesa. Cajada feita. É, não. Mas era a mesa mesmo. De verdade. E assim, ninguém entendeu porque tinha um controle muito rigoroso do que entrava e o que saía dali pros caras não catarem, tipo... É, o que saía, pelo jeito, não tinha tanto. Todo eletrônico que... Todo eletrônico que você tinha, celular, computador, tudo, tinha que ter cadastro, senão não passava na hora de entrar. E se passasse, não saía.
Então, se você entrasse, não podia sair com o negócio. Sim. Então, antes de entrar, cara, deixa tudo no armário e tal. É um gênio do crime, isso. Só que, cara, eu não sei. Ninguém sabe até agora como o cara... E assim, ele não cagou lá. Ele cagou fora e pôs lá. Não sei. Meteu na margem, pô. É.
Ah, como zoeiro, né? Zoeiro. Não, mas é. Interessante. Então, assim, é uma coisa... Não, mas é verdade. Então, assim, e é uma loucura. E no Brasil tem um lance que não é só o patrão e o empregado, que parece que um é inimigo do outro, né? Parece que toda relação de autoridade... De hierarquia. De hierarquia tem um antagonismo. Sim, sim.
É uma coisa muito estranha essa ideia de que o professor é inimigo do aluno e o aluno é inimigo do professor. Cara, o cara tá ali... É, porque sempre é aquela ideia de opressor. Mas o que tá maluco é que tem alguns empresários que vestem essa... E o cara quer pegar o outro. Ele quer realmente ser assim, entendeu? É muito louco, cara. É muito louco. A nossa relação aqui com o dinheiro é uma relação muito... Dinheiro e trabalho. É.
É que no fim acaba sendo o dinheiro. É uma relação muito errada, muito idólatra. Talvez sim. De idolatria para o dinheiro. Então tudo que você faz, você precisa estar levando alguma vantagem. Eu não posso sentir que eu estou sendo lesado. O brasileiro também tem essa mania de deixar de ligar. Ele pode ser feito de bobo, ele só não pode sentir que está sendo feito de bobo.
Se o Lula vier e falar assim, não, eu estou aqui te ajudando e f*** você por trás, ele acha o máximo. Agora o outro que fala assim, não, cara, eu vou precisar disso aqui, não, você está me fazendo direito, você está me fazendo direito, não vou aceitar. Ou que está dando emprego para ele, ele acha que está sendo feito de tonto. É baixíssima, tem uma baixíssima confiança entre as pessoas. É, confiança. E aí quando você vê o movimento contrário...
a isso, né, que esse movimento que veio dessa cultura meio conservadora, de direita, até muitas vezes católica e cristã no geral, dos coaches. Os coaches empreendedores, ela é a versão, ela é o sinal trocado disso aí. É o sinal de que, assim, não é uma cultura do serviço, né, que é o que é um empreendedor, um bom empreendedor. É um sujeito que ele nota uma necessidade e ele se esforça pra servir as pessoas que precisam de algo que ele consegue fazer. E nisso ele dá alguma coisa.
Sim. Beleza. E aí ele gera emprego, tem um monte de coisas. Primeiro, uma coisa que é uma arte, porque é muito difícil você botar isso numa fórmula e achar certinho, assim, é o nicho aqui e tal, e eu vou fazer e vai dar certo. Então tem que ter uma certa intuição do sujeito de saber observar. E ter um jogo, evidentemente, um domínio dessa técnica de precificação do que o cara está disposto a pagar, com o que você consegue receber para gerar emprego e dar condições dignas e tal. Tem uma questão matemática também.
E tem um risco muito grande, né? E surgiu essa cultura recente aí de que, não, você tem que empreender, você não pode ficar no seu... das oito às dezoito no trabalho, você tem que botar a cara e ficar rico. Só que, assim, a cultura do ficar rico por ficar rico, não é? Você tem que se realizar de fato. Ó, você tem que ganhar dinheiro fazendo a menor quantidade de esforço pra você poder fazer alguma outra coisa da vida. E se mate de trabalhar pra fazer isso. É o cara...
despreza a família, despreza a educação formativa mesmo, que não tem relação com o trabalho dele muitas vezes. O cara despreza tudo que não vai pagar dinheiro para ele. Tudo que não vai virar dinheiro o cara começa a jogar fora. E quando você vai ver, o sujeito está vivendo uma vida infernal atrás do dinheiro e com uma espécie de complexo de superioridade em relação aos outros que não fazem.
Se fosse pelo meu complexo de superioridade do programa anterior, que não foi ao ar. Boa, boa. Mas é bom que a gente se copie aqui. Mas diga. Não lembro o que eu ia falar. Desculpa, perdão. É o complexo de superioridade. Eu chamei a atenção para mim. Ah, não. E a grande maioria não chega lá.
do que o coach prometeu para ele. Sim, sim. Quem chega é o coach em geral. O coach chefe. Ele vende. Ele vende a solução que ele não entrega, mas para ele funciona. E não chega porque as microempresas, as MEPs e microempreendedores, e MACE, microempreendedores individuais, eles entregam a maior parte.
dos empregos de carteira assinada e são as empresas mais frágeis e que mais rápido vão à falência. E quando você vai ver o que o governo faz, para essas pessoas, o governo dificulta a vida do cara. Muito. O governo dificulta. Muito. Questão tributária. Todos governos, né? Do federal até o municipal. Ao municipal.
é só treta. E você entra numa repartição pública pra, tipo, regularizar um documento, o cara parece que ele quer te ferrar. Ele é seu inimigo de novo. É um antagonismo constante. Exatamente. Porque é aquela desconfiança. Esse cara não tá fazendo direito. Por que que o pessoal tá fugindo pro Paraguai?
Porque lá você abre, num dia você abre uma empresa. Isso pra gente é tão impensável, cara. Sim. Porque, assim, a boa parte das coisas que eu tive, a não ser quando eu comprei o negócio já pronto, né? Mas quando eu tava iniciando o negócio...
Mas a transferência é custosa, é terrível. Tudo bem, mas aí você continua funcionando. Você não precisa fechar as portas até ficar... Mas a maioria das coisas que eu tive, tudo pequeno, pequeno as coisas, eu tinha que funcionar meio na clandestinidade até ficar pronto. Senão eu não segurava bronca para manter o negócio. Pagar suas contas, alimentar os... Então você está sempre devendo, cara. Devendo para o governo.
E aí tem as legislações, as portarias. Portarias são milhares por mês, entendeu? Dentro do negócio do cara. É impossível seguir. E aí você... Fora que muitas vezes o cara não tem dinheiro para começar e ele precisa de crédito. Aí você vai ver os incentivos do governo. Primeiro que tem a questão da taxa de juros, que já foi discutida de náusea e não precisa repetir. Mas o governo, quando ele vai dar algum estímulo, ele dá para a Luísa Trajano, dá para o Casas Bahia.
Para a JBS. Para a JBS. Os amigões. E aí a atividade econômica, esses caras vão monopolizando os setores, todos em que eles atuam, e a atividade econômica fica centralizada. E ela fica centralizada nos grandes centros. E quando você vai numa metrópole, essa metrópole, que é um grande centro, tem um centro dentro dela mesma em que a maior parte da atividade econômica fica. Então o cara que trabalha lá na periferia, ou que mora na periferia, ele é obrigado a pegar três horas de condução e a atividade econômica fica centralizada.
pra trabalhar no lugar que, sei lá, ou na Paulista, na Faria Lima, aqui na Zona Oeste, etc. E o que acontece aqui?
Se você, ao invés de fazer isso, você desse... E ao invés de liberar crédito para consumo, que aquece a economia, faz o grandão ganhar dinheiro, depois ferra o coitado lá com a dívida lá na frente... Então, o jovem, que é o que está acontecendo, se você morrer. Se ao invés de você fazer isso, você pegasse esse dinheiro que você vai liberar de crédito e liberasse um microcrédito para empreendedores locais em zonas periféricas, você já mudava tudo.
Resolvia muito os problemas, inclusive esse de mobilidade. Mobilidade, segurança, porque você vai ter centros comerciais em regiões periféricas, ou seja, vai aumentar o movimento de pessoas ali que vão comprar, vão vender e etc. Você começa a gerar emprego ali dentro e o dinheiro roda dentro do bairro. Qual é uma das grandes dificuldades do cara que está lá em São Mateus, Guaianá, sei lá. É, arrumar algum emprego ali. E ele abre...
E se o cara abre uma coisa ali, não é só que ele não tem o dinheiro. Se ele magicamente consegue, cara, não tem movimento ali durante a semana.
Porque as pessoas saíram para trabalhar longe. Sim, exatamente. O cara, se ele quiser só abrir a noite, que é quando a galera está voltando, é até melhor, porque de dia não vai ter ninguém lá. Sim. Então, assim... Está todo mundo concentrado por aqui. Então, e isso é... São zonas bem populosas, né? Sim. Bem populosas. E você resolve um problema que é o cara não precisa mais ficar se movimentando, você resolve o trânsito também. Sim. Aquelas vias que estão congestionadas para quem precisar de fato.
vão fluir melhor. Então, tem um monte de problema que se resolve com isso, mas não se fala nisso. Não. Por quê? Não é interesse. É, claro, não é interesse. E você abala a arquitetura financeira dos usuários que vivem da cobrança de juros absurdos e de predar o cidadão comum. Exato. Isso aí. E aí o cara vai lá e fala das seis por um. Pois é. Como se fosse resolver alguma coisa. O partido dos trabalhadores é contra o trabalho.
vida além do trabalho devia ser vida sem trabalho e sem comida
É um negócio que só vai piorando. Calma. Eu fiquei muito impressionado com a... Nós ficamos. Muito. Com a lista da Folha de São Paulo, a lista dos melhores... Para começar, o título, né? Os melhores livros do século XXI. Os do século tem 20 anos, 26 anos. Já são os melhores do século. Não meteram nenhum até então.
Os melhores livros do século de não-ficção. A que saiu agora é não-ficção, ano passado saiu mais de ficção. Isso aqui também é realmente bizarro. É horror, horror. Mas essa é um pouco mais. É pior porque, assim, se você pega... Eu anotei a lista aqui, mas nem precisa. São sensuidades da Folha de São Paulo, né? É, da Folha não, né?
Brasil. Até o ministro Barroso. Mas eu acho que ele também. Você junta fezes, como diria um famoso... É o nome do cara? Barroso. Tudo bosta mesmo. São 100 fezes. Você vai olhar a lista ali, é todo mundo do mesmo espectro, mesmo pensamento, um holquismo mandando brasa.
E a lista é isso, é não sei o que contra o racismo, o feminismo com isso. Todos não, tem uma exceção, que eu acho que é aquela trilogia do Getúlio Vargas. Do Lira Neto. Do Lira Neto, da biografia. O Felipe estava lendo, curiosamente. Não, eu li, quer dizer, não li todo.
Dei um pouco de preguiça, mas o que eu li eu achei legal, até porque eu não sou especialista no assunto. Quem é especialista diz que é fraco. Eu tive toda uma juliana, os pessoal não acham que aquilo é uma porcaria. Mas eu achei legal. Para quem quer saber da vida do cara, ali tem muito dado, muito documento, etc.
Mas não é isso. Essa é uma das exceções desses 10 mais, 20 mais, sei lá. O resto é tudo identitarismo, racismo. E aí o pior é identitarismo, racismo e gênero. Ah, é coisa queer. Queer, sim. E aí o que eu fico pensando, o que preocupa é que esse tipo de lista acaba sendo...
inspiração pros MEC da vida aí. O MEC pra adotar em escola, como aconteceu com a ficção. Os livros de ficção estão todos na escola. Aqueles torturados. Então, olha, na minha época que o negócio já tava ruim, os livros que mandavam ler não eram ruins. Eu ia chegar até nesse ponto que ia perguntar pra vocês se vocês odiavam os livros que eram adotados na escola. Eu odiava por mau rosto.
Mal gosto meu. Eu odiava por mal gosto meu. Você também. Porque, de fato, olha, eu lembro que um dos primeiros, quando voltou essa onda das aulas de literatura na escola, que separaram português e literatura no período que eu estudava, que também matou uma boa parte. O que é meio idiota, né? Matou um pouco da...
do prazer da leitura no Brasil foi essas reivindicidades. Aula de português e aula de leitura. Essa é a minha esperança, porque aí a molecada vai desprezar todos esses livros que estão adotados. E assim, era coisa boa. Tinha memórias próximas de Brascuba. Sim. Pelo menos na minha geração, todas as escolas adotavam. Sim. Capitães da Areia também. Capitães da Areia. Vidas secas. Vidas secas. Capitães da Areia.
Memórias dos Sargentos de Milícias. Esse também. Melhores comandos brasileiros. Porque também a gente tinha escritores.
um pouco melhor. Nós temos grandes escritores, aliás, amigos do Costa. Só que esses caras não montam a lista nenhuma, não tem um agente marqueteiro lá que... Nem sou muito contra, não. Acho que o autor, todo o autor, tinha que ter um agente, como tem lá fora, nos Estados Unidos, pra encaixar os caras... O Sugamusto estava falando isso. Pra encaixar os caras no...
nas feiras de livro. Porque, meu, você vai na feira de Paraty, é a mesma turminha, cara. Por quê? Porque os caras têm uma companhia das letras lá por trás. E outras do gênero. E jogam os caras lá. Hoje, ação de marketing mesmo. Mas acho que hoje a curadoria que mais faz impacto, que mais tem impacto, é uma curadoria mais silenciosa. Não é a da Folha de São Paulo.
É a curadoria, são duas. Uma, a do algoritmo, mas o cara, assim, o algoritmo, quando ele te recomenda um videozinho de dois minutos, você assiste. Quando, se o algoritmo aparecer te recomendando um livro de 300 páginas, porra, já é um puta esforço pra tu confiar nesse robô vagabundo, né? Então, quem costuma, a curadoria que costuma fazer sucesso mesmo é a do influenciador que o cara copia. Tá certo que o influenciador é filtrado pelo algoritmo de alguma maneira, mas é a pessoa, de qualquer maneira.
E normalmente os livros começam a despontar, por exemplo, na literatura infantil juvenil, que já não é tão recente, mas que foi um grande sucesso quando eu era mais novo. Tem aquele A Culpa é das Estrelas, que virou filme. Que eu lembro. Aquele livro ali, ele foi escrito por um influenciador, um cara que era youtuber, ganhou um dinheiro lá no YouTube.
é o John Green. Lá fora tem um lance que é o cara que faz 10, 20 mil views por vídeo, ele vive bem, ele ganha os patrocínios dele lá e ele tem a vida dele. Caraca, guardou uma grana, escreveu um livro, publicou o livro, ele era influenciador, o pessoal conhecia, tá, pô, explodiu. Deu certo. Me parece que não é um livro horroroso, mas também não é uma obra-prima, enfim.
Deu certo e fez muito sucesso pela curadoria. Tem influenciadores como o Felipe Neto, por exemplo, que não é visto como autoridade intelectual, mas que tentou se vender como uma autoridade moral, política. Ele montou um clube do livro. Sim, sim, eu lembro. Para dar livros e depois desmontou. Graças a ele. Graças a ele, Fabio.
Mas no período em que aquilo estava ali, parece que a molecada entrava e ao menos comprava os livros, entendeu? Então, nesse sentido, parece que essas indicações de leituras de influenciadores elas levam o sujeito pelo menos a ir lá e comprar.
Mas a impressão que eu tenho, eu não sei, é totalmente empírico. A experiência que eu vejo é que mesmo esses influenciadores, eles repetem a mesma turma. Quer dizer, não sei se eles são influenciados ou vice-versa.
A editora vai lá e faz um jabazinho e tal, e o cara divulga. Eu acho que é até mais simples. O cara não tem referencial. Eu já vi isso em muitos casos. Eu lembro uma vez, eu estava discutindo com o Rafael. E aí ele vê um troço que está bombando e vai atrás. Uma vez, tem um sujeito na internet que chama Gable. Tadinho do Gable. Não tem nada contra o Gable, ele ficou puto comigo por causa disso.
Mas ele estava... Lembra do Samurai Negão? Que a gente ficou falando aqui do Samurai Negão 1? Não, não, não. Samurai Negão 1, Samurai Negão 2. Ele fez um vídeo defendendo o Samurai Negão. É. Aí ele tirou uma print, tadinho, você vê. Ele tirou um print das abas de navegador abertas no Google Chrome dele, falando aqui olha o tanto de fontes de pesquisa para elaborar o meu vídeo.
Aí eu vou ver as fontes de pesquisa. É uma matéria da Superinteressante, uma página de Wikipedia, um negócio nesse nível. Então, o influenciador, alguns desses influenciadores booktokers, acho que eles repetem, porque eles não têm referencial, eles procuram livros bons. Aí aparece a matéria da Folha e ele repete. Ele repete, é. Pode ser isso. É, então é de fato.
Não, cultura literária do Brasil... Tem uma galerinha, assim, meninas muito lindas divulgando os clássicos, falando dos clássicos. Assim, não me parece muito que elas leram aquilo. É o jeitinho delas falarem. Ah, não, mas aí... Não, mas aí acho que é uma estratégia de marketing do nosso lado, mas do nosso lado é aquela turma do...
Clube de literatura clássica. Clube do livro católico. A pessoa. A pessoa está botando as mocinhas bonitas. Eu acho uma estratégia... A gente precisa entender um pouco também que a beleza faz parte do nosso contexto. E o que é interessante nesse caso é que não é usado de forma vulgar. Embora eu acharia o máximo você colocar uma moça de biquíni.
ao lado da soma teológica. Faz isso, não. E essa imposter dela numa... Que nem carro. Sabe? Bota aquelas... Eu faria uma feira do livro com mulheres que nem no carro. Carro? Eu faria igual. Acharam a Amanda a ver com o caso assim. Ah! Não.
A moça lá com a ética de Aristóteles, de biquíni, assim, segurando. Eu acho que eu, enfim. Mas tirando isso, acho que há uma cultura literária, há vários caminhos aí. A cultura literária mesmo, desde que o mundo é mundo, é para pouca gente. A cultura do livro, dos amantes da literatura. A cultura que tem diferenças entre países. Exato. Alfabetos como o nosso ou...
A coisa piorou muito porque é isso. Como ela é uma cultura muito restrita, você precisa ter pelo menos pessoas que estejam ou trabalhando na crítica, trabalhando na divulgação e escrevendo. Gente que escreva. No Brasil isso é muito...
Se é restrito num país como, sei lá, Estados Unidos, que tem uma cultura mais profissional do livro, que é o que a gente está falando. Com a gente. Com a gente literário. As oficinas de escrita criativa. Isso. Vários escritores... O John P. Dike fazia. Sim, fazia... Inclusive, não só dava, porque ele fez aula. Ele foi professor daquele L. Doctoral. E o L. Doctoral fazia escrita criativa.
Salbello, todos os grandes escritores americanos, eles têm um foco mais...
muito mais profissional, porque é isso, dá para viver lá, porque tem esse circuito. Por menor que seja, esse circuito é o que você falou, o cara com 20 mil views, o cara com 10 mil livros vendidos, ele vive uma vida muito boa lá nos Estados Unidos, não é? É diferente daqui. E tem outra coisa que aqui também encarece nas editoras, que é a figura do editor. O editor vai lá, vai ter uma visão do livro. Tipo, isso aqui não funciona. Capítulo, vamos trocar. Por um lado, eu tenho a impressão.
E aí você tem o mundo dos intelectuais orgânicos, que é esse mundo que a gente já sabe, a turma do Gramscister, criada pelo... Então você tem o biólogo, Atila Tamarindo, são essas pessoas que viram referências intelectuais.
E que vão dar lista. Tem Joel Pinheiro da... Joel Pinheiro da... Tem pessoas ali que são absolutamente desprovidas de qualquer capacidade analítica. O bicho bota... Renata Lopretti. Renata Lopretti. Bota livro do Yuval Harari como referência. Um biólogo... Não, mas olha, Yuval Harari ainda é sofisticado perto do que está lá. Perto do que os caras estão morrendo. Perto do que está lá.
Cara, não, enfim, há uma linha ali que você precisa puxar para mostrar, ó, isso aqui está errado.
Na premissa. A premissa do livro está errada. É que os referenciais dele são muito doidas. Sim, mas como Marx, assim, não é uma coisa assim pra qualquer leigo. Você não vai conseguir entender, ler o Capitão e falar, não, eu já consegui entender onde que ele errou, errou. Cara, é preciso de um certo Will Valharari. Tem alguma sofisticação. Mas a sofisticação de bosta. Cara, mas é isso que eu estou dizendo. Se você pegar a lista...
Houve um esforço. Se você pegar a lista, até lá, sei lá, manifesto de racistas...
É um livro absolutamente infantil. É panfleto. É panfleto. É panfleto. Não tem menção ao... Acho que o Sugamoso fez, inclusive, uma lista dele lá. E você tem, por exemplo, a Manilha e o Libambo, que eu não sabia que tinha sido escrito nesse século, que é o livro do Alberto da Costa Silva. É desse século? Então, se ele colocou lá, eu vou confiar. Tudo bem. Que é do Alberto da Costa Silva, se não me engano, é a continuação do não sei o quê e a Enxada. Você sabe qual é o Alberto da Costa Silva?
Eu acho que eu já ouvi esse negócio da enxada aí. Mexe muito com essa ideia de como o negro se integra. Mas é bem interessante o livro. Não tem menção a esse livro. Por quê? Porque ele foge da cartilha. Ele não está dentro da cartilha. Então você tem um nicho literário verdadeiro, digno. Você tem essa bolha intelectual de idiotas. E você tem a festa literária.
que a E é da galerinha que escreve livro, que gosta, até gosta da literatura, mas não tem a capacidade para se fazer sozinha, então ela precisa participar do círculo. E é o que ela acaba. Ela acaba servindo a essa turminha, a esse eixo, ele se retroalimenta. E a literatura de verdade vai sempre apanhar.
Mas olha que legal. Na direita, dentre todos os problemas do olavismo, acho que uma coisa, dentre todos os problemas que apontam no olavismo, acho que tem uma coisa que até os maiores críticos concordam. Que é, pelo menos o trabalho de estabelecer um mercado editorial ele conseguiu fazer. Perfeito. Então, assim... Exato.
Tanto é que tem muito esquerdista que é obrigado a recorrer a essas editoras da direita geradas aí pelo pessoal da CEDED, não sei o quê. O nosso queridíssimo Silvio Grimaldo, né? Quem é? Homem lindo. O importante é o César. O César que é o cara da César Kim Dávida.
O Cesar Kik, que é o da Vid, que é o cara que trabalha nessa era. Então, teve... E tem muita coisa interessante sendo publicada e tal. Cara, tem aquele livro do Barzum lá, o Modern Researcher, que o Olavo indicava, acho que na época em que ele indicava só tinha inglês e hoje em dia está traduzido. Nem sei se foi o pessoal da SEDEC. Cara, tem boa parte desses livros que o Olavo colocou em circulação lá atrás, foram todos editados. Inclusive, alguns reeditados você não encontrava mais. Exato. Por porção.
A dificuldade para achar o século do nada... O Corção foi esquecido. Exato. Eu acho que o Corção foi também pelo Olavo, né? Sim, sim. O Corção foi propagado pelo Olavo também. Ou seja, o Olavo colocou... O fato dessa... Isso foi até uma...
O Olavo colocou em circulação uma quantidade de coisas que, cara, esse país não tinha noção. Então, uma coisa curiosa é que o Olavo, de não ficção, não está em nenhuma dessas listas. Não, mas não vai estar. Não, mas, cara, não dá para reconhecer que ele é um bom inscrição. Não precisa gostar dele.
Eu já fiz as aflições Mas é 95 Mas o idiota é desse E tem as publicações postas Mas como o Saber é o enigma Que o Ronald Robson pegou lá E mesmo o idiota que é o mais pop deles Mas é uma coletânea de artigos Sim É, tá dentro de não ficção Sim
Então, assim, tem essa coisa que a direita fez. Eu tenho a impressão de que o mercado editorial mais relevante vem da direita. Aí tem um outro problema, que é... O pessoal compra, monta o estante, fica lá. Tem não ler. Porque, assim, tem uns negócios que eu vejo o nego falando aí de economia, por exemplo. O cara leu lá, fala do Michael Jones, bota o libido dominante lá atrás. Eu falo, irmão, tu não conheceu o que o cara tá falando mesmo. Tu não leu nada disso aí. E você começa a ler, você vê que...
Assim, não tem essa defesa do capitalismo liberal desse jeito. Tem até uma certa desconfiança em relação aos agentes financeiros e tal. Enfim, acusam até o coitado de ser antissemita per se, o que não é o caso. Mas enfim, não é. É, então assim, tem esse negócio aí que, cara, e ainda assim...
enchem a boca pra citar o próprio Modern Degenerates, que também é dele, do próprio Michael Williams. Modernos e degenerados. E tantos outros autores que foram colocados em circulação, mas assim...
Não parece que os caras leram. O pessoal pega o Ortega e o Gasset. Nossa, esse eu acho que é o menos lido. Foi muito bem apontado um amigo meu. Uma boa dupla. Um amigo dele, o Davi, é boa dupla sertaneja. O pessoal trata o Ortega e o Gasset como se ele fosse um católico conservador. Nada. Não é assim. Porra.
Mesmo o CS News. Exato. Então, tem umas coisas que você vê que é botaram muita coisa boa em circulação, alguns argumentos desse escritor chegaram, algumas pessoas... Mas as ideias não foram ainda assim. O tio da... Qual é o papel do intelectual? Da crítica.
da crítica é falar, galera, tem esse sentido aqui nesse livro que você vai aprender, dar uma olhada ou às vezes apontar para uma coisa que o cara leu e não entendeu muito bem, educar. Educar o gosto, auxiliar as pessoas a lerem. Qual que é o papel do leitor em relação a isso? Os leitores serão poucos.
o leitor intelectual forma aquele sujeito que é um pouquinho mais espertinho e traz os pontos interessantes nas rodas de conversa da família, que faz o debate circular. Ou o sujeito que vira um comunicador, que está lá no jornal, e ele meio que vai vulgarizar algumas dessas ideias no bom sentido, né? Sim, sim. E trazê-las para o povo mesmo. Então, e assim, esse meio de campo não foi feito, porque eu acho que os caras que foram encarregados de vender, venderam.
E a turma que era encarregada de ser divulgador, de processar as ideias para divulgar, não leu. Não leu. Bom, enfim, a questão é o susto que a gente levou com essa lista. Exatamente. Mas o lance é justamente esse. Não é um problema exclusivo da esquerda. É um problema à direita. É um problema geral.
Um problema geral. Um problema geral, geral. Um problema geral. O problema geral é o seguinte, o brasileiro tem uma aversão ao conhecimento, isso é óbvio, isso é óbvio. Ele prefere o palpite. De certa forma, é até um instinto de autoproteção, sei lá, não sei, estou meio divagando. Porque quando você se depara com pessoas que têm o conhecimento, existe muito pouca humildade.
Entre elas, né? Por exemplo, você conversa com o Joel, você vê no Joel, assim, a quantidade de conhecimento que ele tem, Joel Gracioso, tá? Não o Joel Primeiro, que é um asma. Achei que você estava falando do técnico. Do Joel Santana. É, do Joel Santana. Do Joel Santana, que tem um inglês castiço. Sabedoria. Inglês britânico.
E você vê que ele tem um conhecimento gigantesco e em nenhum momento ele fala com você de uma maneira de cima para baixo. É uma conversa completamente livre. Você aceita aquilo porque você fala cara, eu estou diante de alguém. De autoridade. Que conhece de autoridade verdade. É uma autoridade legítima. Que não precisa bater no livro.
Não precisa chegar e falar, eu li tanta coisa, eu tenho razão e você não tem, desculpa. Eu gosto de fazer umas indiretinhas, brincadeira. Mas, então, você tem esse tipo de pessoa, ela é muito rara no debate brasileiro. Sim. A maioria está tentando se vender como uma autoridade que não possui.
Mas que faz questão de impor. Então, assim, você perde todo o conceito. Porque tem uma outra coisa do Olavo, que pouca gente fez, foi o seguinte. Porque o Olavo, quando começa a fazer o curso dele que ele quer montar, a elite... Puta, sonho... Nova elite intelectual. O seu maluco do Gugu do Olavo era formar uma nova elite intelectual. É a formação da personalidade. É o básico.
Essa galera pulou isso. São pessoas com uma personalidade muito complicada, adquirindo muito conhecimento, entendeu? Não tem chance de você colocar... O Colavo no começo estava, ó, meu filho, primeiro você deixa de ser louco. Aí deixou de ser louco? Beleza. Ele faz um baita de um... Ele constrói uma baita de uma garrafa toda bonita, não sei o quê, e joga dentro o suco tangue. Maguari. Maguari.
80% dessas pessoas, se você for analisar, é mais ou menos isso. Tem uma guarila dentro. Sim. Só que como a garrafa é bonita, as pessoas acabam se encantando pela aparência. E aí tem um problema a generalizar, que a gente falou muito do Brasil, que beleza, de fato, é a nossa realidade, mas isso é no mundo inteiro. Não, a educação não foi destruída só aqui. Isso é geral. Eu estava vendo índice de analfabetismo funcional nos Estados Unidos, entre a geração alfazer, é enorme, entre os adultos também. Então, assim, o pauta...
está atorando lá fora também. Deu ruim. Deu ruim. A ideia ocidental... O ocidente secular faliu. Faliu, faliu. Vocês têm os mais votados, eu vou citar aqui rapidamente, A Queda do Céu, palavra de uma xamã e anumãe. Legal, a queda do céu. É isso aí, né? Brasil, uma biografia de quem? Da Lilian Schwarz. Quer dizer...
Mas assim, é lotado de erros, assim, crassos. Erros crassos de... Históricos, assim. Aí tem o Getúlio do Lira Neto, que a gente falou aqui. O pacto da branquitude.
da Cida Bento. Legal. Eu quero saber que pacto foi esse que eu fiz aí. É, o pacto da branquitude também não me chamar. Você é árabe, você não é branco, sai daqui. É verdade, tem isso. Eu posso explodir vocês. Eu também sou semílio. Eu sou mouro. É, então, a nossa cor. Não, você é mouro. Eu sou mouro. Dispositiva, cadê, onde eu tinha visto aqui, o pacto da branquitude, né, que eu falei.
Dispositivo de racialidade. Cara, é quase 90%. Racismo isso, parte do gênero isso, branquitude aquilo. Racismo estrutural, nome do livro. O que é lugar de fala? Bicho, é assustador. E aí você vai ver, tem 100 pessoas. Como diria Platão, é tudo fezes.
Tudo Fezes. O Platão falaria assim. Nós entrevistamos o nosso... O Fezes, o Platão. O Platão brasileiro, o vinheteiro. Vinheteiro. É uma crise completa do conhecimento, uma crise geral do conhecimento. A lista me assustou, porque, assim, você pegar a lista da Veja de 20 anos, que era a autoridade, digamos, da divulgação de livros.
À vista dos 10 mais da Veja, de ficção e não ficção, tinha uma mescla de assuntos, tinha direito e esquerda, enfim.
Agora, senhor, é isso, cara. É o temático, praticamente. É o palpiteiro. E tem um recado legal para a direita, que é assim, tem uma coisa que o nosso colega Matheus Tiburcio falou, que é verdade. Nós somos palpiteiros, mas não somos... Pelo menos eu não me acho. Não gostou, eu adoro. Não, eu acho que somos. A gente é palpiteiro. Não, eu acho que somos palpites pesados. Mas não nos colocamos como a autoridade do palpite. A autoridade do palpite.
Pelo contexto, eu não sou a autoridade do palpite. E tem um negócio que a direita faz, que é isso aí. O Alá falou, galera, agora? E aí
Esse negócio que a esquerda fez é que isso aqui tá uma bosta. Tá uma bosta por causa disso aqui. Olha que ridículo. Aí depois dele mostrar, ele xingava o sujeito, a mãe. E seguia o jogo, né? Aí fazia um corte só da xingação e deixava o resto. Mas enfim, fazia isso. E aí o cara falou, então, tem essa alta cultura aqui, que isso aqui é que é o bicho, entendeu?
Beleza? É assim que eu falava. Alta cultura, alta cultura. Alta cultura, que é, ó, tem que adquirir isso aqui. Aí o cara vê isso e fala, é verdade, esses caras fizeram porcaria, eu tô vendo que é porcaria, e o meu negócio é alta cultura. E aí ele, olha assim, vira as costas e vai viver a vida dele, como se ele fosse detentor dessa cultura. Pronto, já sou alta cultura. Alta cultura, isso. Aposto aí, isso. Aposto que tu nasce. É, aí ali compra, talvez, uns livros, faz umas selfies, né? É.
Prateleira. Bota um terno, se veste um pouco melhor. E aí resolveu o problema. E não é assim. Então, assim, você... Temos todos um pouquinho de humildade, né? Abaixa a cabeça, a gente lê um pouquinho, vai rezar, vai meditar. Nossa, eu não tô lendo nada. Eu não tô me acertando. Tô numa fase toda também. Fila de coisa que eu teria que ler. Mas tudo bem. Tem que fazer isso aí. É um processo. E é isso. E com calma, né? Com calma, com humildade. Vamos pro último assunto. Vamos pro pau. O último assunto é a crise... É...
O último assunto, não é? Crise. Crise. A crise. É a crise da masculinidade que está sendo boicotada pelas mulheres. É, por alguns homens. É, por alguns homens. E, na verdade, a questão é a seguinte, eu pensei melhor, o assunto é o seguinte, como a esquerda é a maior propagandista da direita hoje?
Porque o Cazarrê, o Julião Cazarrê, vai fazer um encontro, né? É um encontro para reforçar a masculinidade, para o homem tentar entender. Porque o mundo está complicado mesmo, a gente vê, né? E tem um mundo de gente perdida. Um mundo de gente perdida. Ele está querendo resgatar esse sentido de ser homem. Entre um dos sentidos de ser homem é o seguinte, não abandonar a tua mulher.
assumir as broncas casar e não é por siar exatamente botar o joelho no céu, rezar viver pela família proteger a mulher isso causou uma espécie de abriram-se fendas no chão e os demoninhos saíram todos assim desesperados, dizendo nossa, esse discurso esse discurso que mata mulheres o café com teu pai que se...
ferrou lá, saber que a maior parte do público dele é feminino. Ele não fala com homem. E as mulheres falam, é isso aí, finalmente, alguém falando essas coisas. O que pegou no lance do Casaré é que é para homens. Só que tem palestrante mulher de monte lá, eu vi a lista de palestrantes, tem de tudo. Tem de tudo, é. Tem de tudo, inclusive coisa ruim. Que faz parte.
Mas o curioso é porque foram propagandistas, é isso que você falou, né? É, o curso estava com pouca inscrição. Estava com quinta, não era um pouco a quinta. E as inscrições, e as adesões, pré-inscrição.
Em três dias, depois dessa xilicada toda dos esquerdistas aí... Subiu para... 5 mil. Então, tinha 1% do que tem. Nós temos aqui um dos primeiros casos documentados de autoridade reversa. É a autoridade que tudo que ela diz você faz ao contrário. Mas isso está acontecendo muito. Inclusive dá para ampliar a ideia, nem ficar preso nessa ideia do quanto essa...
Essa elite global, o global da rede globo, ela é nociva, ela faz mal. E eu acho que são pessoas até de inteligência mediana que foram absolutamente destruídas pela ideologia. Você pega, por exemplo, o caso clássico. Ele é um global que não foi. Ele é um...
Ele é um global que conseguiu, mas porque ele se converteu, né? Aí também... No meio do caminho. É. Um negócio da graça. No meio do caminho o cara se converteu. É. Acontece. Por exemplo, você pega o caso daquele Eduardo Stardust. É. Que era um cara que trabalhava no Pânico. Engraçadíssimo, inclusive. Engraçadíssimo. Pô, tinha humor de verdade. Humor genuíno que você falava, cara, esse cara tem... Comediante. É. O cara... Foi pra Globo.
Hoje, ele é uma subcelebridade da subcelebridade. Tem que fazer programa de batom, de vestido, para poder parecer... Cara, é... Eu ponho peruca aqui às vezes. E ficou um chato moralista. Ficou moralista. Ele era o anti-moralista. Ele era politicamente incorreto no talo. Virou um moralista, um cara chato, um cara...
Mas fora isso, é isso. É você perceber como essa cultura está cansando as pessoas. O ouquismo. Porra, não dá patrulha. Como esse pessoal vive na bolha do Leplon, do Aguam. Eles têm que pagar o pedágio, né? Paguar lá.
Não, eles acham que é isso mesmo, entendeu? Que o público vai... O público vai ouvi-lo. Vamos falar uma coisa por experiência própria. E aí... Não, vai lá, termina, termina. Não, não. E aí quebra a cara, porque o público real ouve aquilo. Só meia dúzia de gente. Eu já convivi com pessoas que ouviam essas coisas e viviam desta forma. Eu atesto aqui que as coisas que eu vi com esses dois anos é é impossível viver desse jeito. Não dá. As pessoas estão...
100% delas estão doidas. As que estão mais normais da cabeça são as pessoas que acreditam naquele negócio, mas vivem de acordo com os papéis de gênero e as coisas convencionais. Então é a pessoa que até acredita, defende, fala, vive aí, não, você é o gênero XPTO, tal, não sei o quê.
Vai lá, a vida é sua e tal, mas aí não. Ele vai ter um homem, vai arrumar uma mulher, assim, mais ou menos normal e tal, e vai de boa, entendeu? E mesmo assim, o material humano mais ou menos normal que ele encontra, por estar naquele círculo, já dá a shabu. É, não é dos melhores. Eu digo, é que assim, eu vi cada coisa no tempo que eu trabalhei com influenciador. Uma vez eu encontro, eu tenho um influenciador colega, não é bem amigo assim, mas também não me trata mal, nada. Tranquilo. Que é um cara que ele não é woke. Não é woke, assim, militante.
Mas ele anda com um ou que defende algumas coisas, mas é mais a dele. Entendeu? Esse cara uma vez foi chamado para uma campanha de marca de absorvente para falar sobre menstruação. Um homem chamado para uma palestra sobre menstruação.
Aí ele olhou e falou, vocês estão loucos. Eu não vou, de jeito nenhum e tal. Então assim, foi você ver que primeiro, mesmo nos departamentos de marketing do pessoal woke, que tem trans, a galera é meio pneu. Pneu. Não tem nada a ver chamar um cara desse. É aquele teu perfil, ele é diverso, ele tem cabelo colorido, sei lá. Vai dar certo. Um homem fala assim. É aquela história, só a aparência. E assim, olha, no dia a dia, essas pessoas, eu já cheguei a ver casos de uma menina.
porque eu tenho que tomar cuidado com detalhes aqui. Uma pessoa do sexo feminino que se chamava... Vou tentar enganar. Não, calma, não é isso, não. Não é mulher. Isso aí é para não ir preso. É uma pessoa do sexo feminino que se declarava como homem, que quando tomava hormônio ficava infértil.
Aí ela ficava em fete e sentava-lhe o reio com os caras aí, às vezes. E os caras... Quando um cara começava a dar mais estrela pra ela, ao invés de só sentar-lhe o reio e ir embora, esta pessoa do sexo feminino, que se chamava de homem, começava a se tratar no pronome feminino.
De novo. Vinha com o chororô feminino. Então, não, ela começava a se chamar de ela. Aí vai se chamar de ele. E aí você começa a perceber, vai falar, tem um negócio mal resolvido aí. Eu sei que, assim, essa pessoa já do nada começou a aparecer com um pino de pó branco em casa. E aparecia lá, dormia lá com um fulano que só sentava ali o rei e não fazia mais nada.
e cheirava. Sentava-lhe o rei, eu gostei dessa expressão, sentava-lhe o rei. O cara, o cara assim, era aquele esquerdo macho desconstruído que é todo acolhedor, mas na hora do vamos ver ele não quer acolher ninguém, ele quer usar e sentar o velho. E continua com o discurso, não, mas eu sou teu amigo, a gente só tá aqui fazendo isso aqui, porque novamente, abriu-se essa possibilidade social, né? Exato. E a pessoa se sente mal de exigir outra coisa também.
Então fica nessa assim, a pessoa tá claramente satisfeita, tá claramente fundida da cabeça, mas fica nessa, vai lá por carência e tal.
Cara, eu sei que essa pessoa chegou em casa uma vez, num contexto em que estava tendo uma briga desgraçada ali, por diversos motivos, estava tendo um conflito, e de repente essa pessoa chega chorando.
E some. A pessoa não estava envolvida na briga. Aí alguém desceu para ver essa pessoa que tinha ficado sumida há um tempo. Ela estava no meio da rua, sei lá, alguma coisa assim, à noite, rasgando papéis de uma clínica de aborto clandestino e tocando fogo. A pessoa estava deprimida porque ela abortou.
Então, assim, é gente que leva as últimas consequências dessas coisas, que acredita nessas ideologias, tem a cabeça toda bagunçada e, assim, colhe consequências práticas muito e age isso na vida delas. E os piores casos que eu vi de loucura mesmo era com meninas.
Foi com essas meninas. Os caras, assim, não estão bem. Desculpa. Não estão bem. Mas, sabe, o cara, ele não está bem, mas ele consegue lidar melhor com as consequências negativas dos atos do que as moças, saca? Porque no caso humano, no caso, sobretudo, de relações, cara, a mulher é muito mais o chão, né? É muito mais a... É, porque, cara, é quem...
É o que a gente fala, o homem, em termos animalescos, nós somos os reprodutores. A gente pode fazer, passar o mês transando com mulheres diferentes e poder engravidar todas. A mulher não consegue. Não, a mulher não consegue. Por isso que a seleção, cara, é um só. E Deus colocou, falou assim, não é para você ficar... E, Fideide, eu não estou falando de mim, porque eu, infelizmente, não pratico muito essas coisas que Deus...
mandou fazer, a gente vai se entender. Estão conversando. Estão conversando. Mas elas é que vão sofrer mais, elas acabam sofrendo mais. Essa ideia feminista de achar que a mulher vai conseguir conquistar os papéis masculinos, vai ser uma pegadora. Isso gera na mulher uma... Gera uma Luana Pilvani. Exato. Uma mulher ressentida, uma mulher... E outra, em alguns casos, gera uma...
uma fratura entre o ser dela, entendeu? Ela acaba se perdendo como ser humano. Por quê? Porque, cara, não tem como. Você não consegue dar conta desse tipo de situação. Nem os homens, para dizer a verdade. Se você parar para dizer bem, cara, é ridículo você ficar pulando de galho em galho achando isso massa. É uma coisa de adolescente achar isso bonito.
Mas enfim, eu ia terminar contando de uma anedota, um conto do SAC, que eu acho que seria uma puta de uma solução.
Uma solução perfeita. O conto é o seguinte, é um rei que toma... Saki é não o serviço de atendimento ao consumidor. Não, não. O Saki é o escritor. É o nome dele. O Saki é o apelido dele. Você já leu? Não, não, não. Você vai gostar. Ele tem a omelete bizantina, que inclusive o Luíde aprendeu a fazer. Isso.
Mas esse conto é o seguinte, eu esqueci o nome do conto, mas é a história de uma lamentação, a história do choro, uma coisa assim, que é as mulheres pedindo voto, naquela época. E aí entra um rei muito progressista e ele, como as mulheres estavam brigando muito, ele resolve tornar o voto feminino obrigatório.
sob pena de 10 libras, que o tradutor, inclusive, colocou que dava em torno de nove pau e meio, assim. Nove mil e quinhentos reais hoje. Ou seja, um dinheiro, né? Se você não for pagar uma multa dessa. Só que ele falou, só que não é só para a eleição de primeiro-ministro, não. É obrigado a votar para o primeiro-ministro, para o prefeito, para o paroco, para o instrutor de natação, para o professor da escola primária, para tudo que você pode imaginar, as mulheres eram obrigadas a votar. E os homens não.
Os homens não, já que vocês querem, né? Vocês querem votar. E aí, o que acontece com isso? As mulheres começam a não conseguir fazer as coisas que elas querem fazer. Porque quer ir para manicure, não pode. Quer passar um fim de semana numa instância... Não pode, porque tem que votar, entendeu? Ela tem que ser obrigada a votar tudo.
E aí começa uma... A história da Lamentação é isso, elas começam a chorar em público para poder parar de voltar. Elas não querem mais voltar, elas querem voltar até o papel delas. É muito bom. É curioso, tem uma peça do Aristófanes em que as mulheres tomam o controle da polis por um dia e as propostas que elas colocam em vigor...
É muito engraçado que elas são propostas. Obviamente que ele tá fazendo aquilo de maneira satírica, mas muitas delas são propostas feministas sérias de hoje em dia. Então, a gente vê na literatura que sim. Isso aí não tem nada de novo. Não tem nada de novo. Não tem nada de novo. Não, teve o real, o caso real da ilha das mulheres. Não vi, não. Fizeram uma ilha que não podia entrar homem.
O que aconteceu? Errado, porque não tinha ninguém para arrumar... Meu Deus, por céu. Para consertar a luz, eletricidade, encanamento. Cara, tudo que dá problema, quem é que vai arrumar? Não, porque elas são todas assim, elas têm que ser todas... Trim de trem, né? É, exatamente. Quem é que vai mexer? Quem é que vai fazer as coisas? Quem é que vai montar uma laje ali? Não tem, porque elas querem ser todas CEOs de empresa. Todo mundo está... Se igualar...
Como isso é errado, é. Nunca é como o melhor lixeiro. Exato. Inclusive, a mentalidade do empreendedor que diz que você não pode trabalhar das oito às oito é meio essa também. Meio essa, é. Ninguém pode ser trabalhador. Todo mundo tem que ser CEO. Não vai acontecer isso. Não é assim que a banda toca, amigo. Não vai acontecer isso, cara. Precisa ter todo mundo. E você precisa valorizar, porque por isso que você não precisa valorizar o trabalho acima da pessoa.
Exato. Outra coisa que eu acho que tem muito no Brasil, se a pessoa é associada àquilo que ela faz.
Nossa, engenheiro Advogado Doutor, doutor Eu quero meu filho engenheiro Eu quero meu filho advogado Isso é uma bobagem também Por isso que também a gente tem um É As senhorinhas Teoria do medalhão Não só a teoria do medalhão As senhorinhas do Policarpo Quaresma Olhando pela janela dele Perguntando Pra que tanto livro Você não é nem bacharel É
O Pacharel. É, o Policarpo Ares já ficou louco. Mas assim, ainda assim, né? Não foi por conta dos muitos livros. Não, mas o livro também pode enlouquecer. Temos alguns aqui que conhecemos. Não gosto de indiretas, odeio indiretas. Aliás, comuns e outros aí que gostam de dar indiretas. Mas é isso, esgotamos todos os assuntos, presentes na mesa. Presentes na mesa. Chegamos lá, né? Chegamos lá. Chegamos a lugar nenhum, para variar.
É, Felipe... Palma, Arthur. É, o Arthur. O Arthur é convidado especial. Não, o Arthur não... Inexiste, mas... Mas o Felipe, por uma causa justa. Vai tomando, Giraldi. Ah, é. A gente até comentou no primeiro... A gente esqueceu dessa vez, né? Verdade. E falar... Rezem uma ave maria pela mãe da Karen, que faleceu... A sogra do Felipe, que faleceu ontem, né? Ontem. Sim.
Ontem, quarta-feira, né? Terça-feira. Na última terça-feira. Na última terça-feira. O programa vai ao domingo. Vai no domingo. Então é isso. Por isso que o Felipe não está aqui conosco. Fica aqui o nosso coração com os dois ali. Nossa, suspesa. Nossa, suspesa. Se você quiser saber mais sobre esta questão da escala 6x1, clica nesse vídeo aqui que o negócio é bom, viu? Estão me dizendo aqui que eu não estou lembrando que vídeo é esse, mas acho que é bom, sim.
É que a gente não posta porcaria. É, precisa avisar o editor para botar o negócio. É, tem que... É, tem que...