Episódios de Estúdio 5º Elemento

Manobras Contra o IMPERIALISMO Chinês | GEOECONOMIA - Ep. 92

01 de maio de 20261h15min
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O fechamento do estreito de Ormuz não apenas gerou um caos na distribuição energética, como vem revelando quem são os agentes políticos com potencial para reorganizar a ordem internacional.

A Índia já se posiciona como um fornecedor de produtos manufaturados, tentando atuar como um concorrente para Estados e corporações que não querem depender exclusivamente da China.

A Turquia, utilizando de sua posição geográfica privilegiada e indústria bélica, procura fechar acordos de segurança e pragmatismo diplomático para se tornar um agente influente diante do caos do colapso do mundo baseado em regras.

Com Arthur Machado.
Participantes neste episódio1
A

Arthur Machado

Convidado
Assuntos6
  • Data center do TikTok no BrasilConstrução de data center · Captura de dados
  • India GeopoliticaAcordo com a União Europeia · Indústria manufatureira indiana
  • Relações entre Europa e Índia
  • Experiência na TurquiaIndústria de defesa turca · Corredores energéticos
  • Conflito no Estreito de Ormuz
  • Acordos da TurquiaIsenção fiscal na Turquia · Indústria bélica turca
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Bem, amigos do Quinto Elemento, estamos de volta ainda aqui na França para mais um Geoeconomia, que a gente vai fazer com vários eventos. Na verdade, a coisa foi tão doida essa semana, meu caro, que até eu fiquei...

enlouquecido aqui. Esse evento, esse gel está sendo feito quase que uma live. Quase que na hora do programa. Mas é bom pra botar esses editores que não fazem nada pra trabalhar, né? Porque só fazem me atrapalhar. Então agora é o dia da revanche.

Uma brincadeira. Mas eu queria agradecer, como sempre, os comentários, muito as dicas, as observações. Eu leio, penso sobre muita coisa que vocês escrevem e aprendo muito com vocês. Como sempre digo, não sou o Líndia de Seita, nem dono da verdade. É muito bom estar com vocês e ouvir vocês também, para a gente juntos descobrir o que acontece no mundo da geoeconomia. Então, por favor, comentem, compartilhem, façam tudo aquilo que é importante para a gente poder...

e também mais gente ter acesso ao alojamento da economia. Mas vamos lá. Primeiro, tem várias coisas para a gente falar. Eu vou até falar numa reportagem que, graças a Deus, foi muito bom ter atrasado, me atrasado um pouco para gravar o programa porque saiu ontem de manhã, ou hoje de manhã que eu li.

E vale a pena começar por ela, que é o TikTok construindo um data center de 9 bilhões de dólares no Brasil, ali perto de Alagoas. E por que isso é curiosamente importante? Por vários motivos. Primeiro, uma lição para a gente, né? Porque se fosse uma estrada, se fosse um campo de petróleo a ser explorado, se fosse uma instalação de data center para defesa, por exemplo,

você teria já um embargo da sua obra na justiça. E olha, não é que o povo indígena, os índios não reclamaram não, os caras estão lá fazendo protesto por questão ambiental, questão dos indígenas, mas sabe o que aconteceu nesse caso? Nada. Passaram por cima, deram licença, o pau está atorando, os tratores já estão fazendo a obra e a China vai construir um data center do TikTok, 9 bi de dólar, numa área ali perto de Alagoas, extremamente estratégica, que você está falando que é perto do Oceano Atlântico.

Portanto, é muito perto também da área onde os cabos de internet são colocados e não se iluda que ninguém está construindo um data center de inteligência artificial de 9 bi no Brasil para colocar dancinha. Principalmente depois do TikTok ter sido comprado nos Estados Unidos como um instrumento de manipulação social, foi a identificação que eles fizeram, o instrumento de manipulação social, de captura de dados.

de também formação cognitiva, de consciência, tudo isso. Então o TikTok saiu dos Estados Unidos e meteu um data center no Brasil para fazer isso no Brasil e capturar dados e continuar mandando dados para a China. Então veja, uma área inclusive que é perto ali de Alagoas e relativamente perto da Amazônia. Então é uma área extremamente estratégica e está lá. Temos agora uma obra de 9 mil anos e meio.

É óbvio que isso é importante para a gente, porque mostra a importância do Brasil, e principalmente dados da América Latina, e como a China energia o Brasil como um ponto, e a América Latina também, como um ponto importante para os meais críticos. Então, o que a gente está vendo hoje no mundo é aquilo que nós já... Exatamente o cenário que nós temos falado nos Economia, desde o início, uma captura de áreas energéticas para garantir o domínio de áreas de energia, matéria-prima de energia.

Dados, data center, guerra dos mares, guerra dos portos, guerra do sistema financeiro, o dinheiro como arma. Então, o momento é exatamente, sendo exatamente o cenário que a gente vem falando há muito, muito, muito tempo mesmo.

e a utilização também da maximização desses instrumentos de sistema financeiro, energia, data centers, para também fazer controle do comércio internacional. Então, essa notícia é extremamente importante e que mostra também como os órgãos brasileiros não estão...

trabalhando para o Brasil, porque nessa hora o Ministério Público não aparece. Nessa hora o Supremo não dá uma liminar qualquer para bloquear uma obra no Brasil para proteger como desculpa as reservas ambientais.

Nessa hora os ônibus não aparecem, porque ela favorece a China. Então nessa hora você tem um grande colúdio de sistema para continuar deixando que uma obra e um empreendimento dessa magnitude de importância estratégica seja feita no Brasil, garantida pela propriedade privada e pelo livre mercado, não é mesmo? Mas se fosse uma coisa para explorar o petróleo brasileiro, que fosse refletir numa melhora da população e tal, aí, meu caro, a gente de Poca tinha piado.

Então, você vê exatamente o que acontece hoje, é, no nosso caso, um colúdio das instituições contra o Brasil. E eu digo sempre isso, nesse ponto não alivio mesmo o Ministério Público Brasileiro, que é um órgão que a gente já mostrou pesquisas, inclusive, de como ele é capturado ideologicamente pela esquerda, de pensamentos de esquerda, e como é utilizado como um instrumento de subdesenvolvimento do Brasil. Esse é mais um exemplo.

e mostra como nós temos um sistema no Brasil subserviente à influência chinesa. E diga-se de passagem, a mesma China que tem esse poder dentro do Brasil de fazer uma obra de 9 bilhões e meio e não ser embargada contra uma estrada extremamente importante para o povo brasileiro embargada, ou uma usina,

de gerações de energia, uma obra que vai consumir água do Brasil, consumir energia do Brasil, nesse caso ela não é bagada, porque ela foi a coisa dessa China. Mas essa mesma China é aquela que fez a exportação do sistema de autocracia judicial no mundo, independentemente de tecnologia, que foi algo que nós já falamos aqui no Geconomia. Então é o mesmo sistema, é um sistema que eles querem que o judiciário ganhe poder cada vez maior de repressão, cada vez maior de controle.

E coloque limites cada vez menores para o cidadão e contra o Estado. E o sistema judiciário tem os seus limites estendidos, flexibilizados. Então, eu sempre digo que a gente está num processo eleitoral esse ano. E uma das perguntas que a gente deve se fazer para os candidatos, não é só se ele é contra A ou B do Supremo, se ele é contra A ou B dentro do Parlamento Brasileiro, do Executivo, porque o cara é corrupto ou não é corrupto.

Mas principalmente é o seguinte, o que você vai fazer para colocar limite no Estado de forma geral e não nas pessoas? Quais são as leis? O que você realmente vai fazer para isso? Para flexibilizar, por exemplo, as obras do Brasil, como essas que são vetadas pelo Ministério Público. Como é que você bota limite no Ministério Público, no Obama? Você bota limite no Judiciário e deixe e estenda os limites?

Vai pedir um café. Uma mãozinha e uma botelha de duas vezes. Vou lá. Pedir um cafezinho, né? Não sabe entrar. Então, você vai ter exatamente uma... Como você vai construir uma força política real que coloque de verdade limites no Estado. Não é apenas reduzir o custo do Estado. É o limite de poder juiz. E sim, o que a gente tem visto no Brasil e no mundo é diferente.

Outro ponto importante, para a gente começar a introduzir aqui os de economia, é uma decisão do Orbán de dar 20 anos, já falei no último programa, 20 anos de isenção fiscal para todos os estrangeiros que forem fazer a sua residência fiscal dentro da Turquia e em Istambul.

liberando esses caras de pagar imposto no resto do mundo. 20 anos, veja, é brutal. O que esse cara está fazendo? O que o Orban fez? Ele construiu uma força militar, uma força também, uma potência energética, porque ele passa, como a gente já falou aqui no Geconomia, a importância da Turquia passa...

o pipeline, os pipes, os pipes de gás e petróleo, que vêm também da Rússia e que são entregues na Europa, e mesmo da Ásia Central, que são entregues na Europa. Então ele virou um grande centro de hub de distribuição de energia.

também de fabricação de donos e militar, isso com uma orientação estatal, não foi o Rio de Mercado, não foram os bancos que fizeram isso, não foram os investidores, não foi o Reagan, não foi o BlackRock, foi, cara, uma orientação estratégica de um país a partir de um plano, de uma visão, de uma necessidade estratégica geopolítica. Ele cria, então, um sistema de defesa e deixa a OTAN dependente desse sistema de defesa.

Ao mesmo tempo ele cria também um sistema de distribuição de energia, deixando a Europa e a Ásia Central dependentes disso. E agora ele faz o seguinte para os investidores. Se você vier para cá, você vai ter propriação. Você pode ficar 20 anos sem pagar imposto nos seus ativos no exterior. E você pode investir aqui, você vai pagar imposto sobre o que você investiu aqui. E a partir daí...

você vai ter também a proteção militar e energética. Então, isso é uma configuração de uma nação fazendo um plano de país geopolítica. Outra nação que tem ganho uma dimensão geopolítica absolutamente relevante é a Índia.

que eu acho, inclusive, que é importantíssimo até para o Brasil, no caso do Flávio, ele também fazer uma visita lá, enfim, perceber a Índia como um país extremamente estratégico, porque, primeiro, ele construiu uma autonomia, uma estratégia geopolítica difamática que a gente chama de autonomia estratégica.

Então, ele não tem um alinhamento natural com ninguém. Ele fala com todo mundo, com todos ele faz os acordos que melhor lhe convêm para benefício do seu próprio país, sabendo equilibrar isso. Então, eles têm acordos com a Rússia, eles têm acordos com a China, eles têm acordos com os Estados Unidos, eles têm acordos com outros países, como o Brasil também, que fez um acordo de um protocolo de tensões e exploração de terras raras, que ninguém sabe muito bem como isso vai funcionar.

mas eles também fizeram agora um acordo com a União Europeia, que, diga-se passagem, também está olhando o acordo com a Turquia. Então, vamos começar um pouco para entender a importância, e talvez uma das notícias mais importantes...

É o acordo da União Europeia, que é absolutamente importante, muito relevante mesmo, e também é um acordo que eles buscam fazer com a Turquia. Veja, o acordo que a União Europeia fez com a Índia, ele foi oficialmente concluído agora, dia 27 de janeiro, no início do ano, e é um marco, em muitos, muitos aspectos, é um acordo que está na pauta para eu falar para vocês desde o início do ano. Mas por quê?

Porque esse acordo dá origem a uma das maiores áreas comerciais do mundo. Você está unificando um quarto da população mundial e um quinto do pinto global dentro...

de um mercado agora ainda mais diluído. E ele vai incorporar, e esse talvez seja um dos pontos mais importantes, um grande avanço nas relações econômicas internacionais entre os países. E a escala é sem precedente. Você está falando que entre 90% e 95% dos produtos trocados entre União Europeia e Índia, com exceção de alguns produtos agrícolas, que tem sido um ponto que dói muito para a União Europeia,

e também para a Índia, esses 95% de produtos não agrícolas, porque machucaria a Índia e machucaria a União Europeia terão seus direitos, terão, na verdade, seus direitos a doaneiros, a famosa taxação gradualmente reduzida e até mesmo abolida no curto e médio prazo. É uma cobertura tarifária que eu acho que nunca vi, nunca tinha sido alcançada, é muito mais eficiente do que do Mercosul, por exemplo, que a União Europeia fez com o Mercosul.

Eles não fizeram isso, não foi alcançado um tratado, começaram envolvendo esses parceiros de uma maneira tão audaciosa. E isso demonstra uma ambição extremamente importante das duas nações com esse acordo.

Ele é inédito por isso, mas também porque para mim ele revela uma mudança estratégica no posicionamento da Índia no comércio global. Então, há muito tempo a Índia tem uma relação muito frustrada com o comércio mundial, em função de vários aspectos.

Mas com esse acordo ela vai firmar uma resolução a uns longo prazo para se integrar no comércio internacional de uma maneira realmente muito mais inanciva. E isso tem a ver com uma esperança de expansão industrial para a Índia. Ou seja, o fato de ela ter acesso ao potencial do mercado europeu para a Índia.

resolveria uma parte do problema na Índia da sua expansão ilustral. Se você olhar um gel lá de trás, eu comentei da questão do problema de crédito na Índia e como a população mais baixa também tem utilizado do crédito para, sei lá, uma cair comprar bens e serviços e sem conseguir necessariamente ter aumento de renda para pagar. Um dos problemas na Índia, que parece com o Brasil, é que ela tem perdido o poder de compra. Então eles precisam de mecanismos para aumentar.

o poder de compra da população. O que eles fizeram? Estão confiando numa dessas ações, é o acordo de livre comércio que eles construíram com a União Europeia. Se você olhar com cuidado, você vê que a liberação da economia da Índia foi feita nos anos 90, como do Brasil. Nos anos 90, ali com o Clinton, no caso do Brasil, Fernando Henrique.

E a Índia vem gradualmente abrindo as fronteiras para o comércio internacional, mas com muito mais cautela do que o Brasil. O que acontece? Eles começaram a fazer isso em 1991. No ano 2000, a participação no comércio de bens e serviços, bens e serviços de comércios no PIB, já era de quase 30%. Só que você vai ver, 10 anos depois, quer dizer, de 9 anos, eles já tiveram um crescimento que bateu 30%.

Em 10 anos posteriores a esse, quer dizer, 2011, você vai ver já um pico de 56%. Só que chegou a 2020, essa participação de bens e serviços no PIB começou a diminuir. Quando você compara só para efeitos de percepção do que acontece nos dois polos,

Você vai ver que em 2020, a União Europeia, desculpe, em 2011, a União Europeia tinha, dentro do seu PIB, uma participação de 83% do PIB.

deles e bens e serviços. E eles alavancaram isso, né? Tem uma alavancagem que chegou quase a 104%, né? Que é um número meio maluco de DCT que você fala, cara, o cara teve um número maior de bens e serviços do que o próprio PIB divulgado, porque teve coisa que reduziu o PIB, né? Só pra entender isso. Então, isso no ano de 2022. Então, veja.

Você tem uma economia na Índia que já é relativamente aberta, já é, perdão, na Europa e na Europa, já é extremamente aberta, mas na Índia ela é pouco aberta se você comparar com a União Europeia. Quer dizer, metade do PIB é bem em serviço, com a MSB, metade não. Na União Europeia você tem quase 100%. Então, veja, é uma economia que vem se abrindo, mas de forma cautelar, com muita cautela. É cautelosa, cautelar é jurídica, de forma cautelosa.

Então veja, você teve uma mudança que a partir do ano de 2012, quando começa realmente a sair daqueles 20, 30, para buscar os 50 e tantos por cento, a Índia vai mostrando, ao contrário do mundo, uma tendência de declínio no comércio internacional. Esqueceu muito rápido, depois foi declinando. Então o país aplicava na época o problema de tarifa, era uma tarifa muito alta, mas em relação à média do mundo.

Eles têm em torno de 18%, isso está de forma comercial, em relação a um número muito alto, porque é praticado no mundo. Mas eles vêm invertendo e parte do problema deles foi a perda da capacidade e poder de compra. Então o que esse caso espera? Que a assinatura desse acordo...

assinado por eles, bem como o acordo que eles fizeram com o Reino Unido ano passado e com a Nova Zelândia, marque um ponto de virada nessa relação comercial dele. Ou seja, ela está mais determinada do que nunca de entrar no comércio global, o que significa competir com a China.

Então, para fazer isso, a Índia tem uma necessidade enorme e quase que mandatória de desenvolver a sua indústria manufaturada, competindo com a China.

E o motivo disso é que a Índia também foi vítima da desindustrialização da sua economia, só que no caso dela, precoce. E ela tem lutado, por causa das políticas chinesas, para desenvolver o seu setor de bens e serviços. Só que você pega os dados da Índia, 42% da sua força do trabalho continua no setor da agrícola, que hoje é um setor pouco produtivo.

Enquanto o que a gente chama de setor terciário, que é extremamente dinâmico, não tem criado emprego suficiente para empregar as pessoas e tem exigido qualificação cada vez mais alta. Então, o que você vê? Você vê que a transferência dessa força de trabalho para empregos mais bem remunerados na indústria...

é fundamental para você melhorar o padrão de vida da Índia, como aconteceu na China, como aconteceu na Rússia, como aconteceu no Brasil, de tirar os empregos agrícolas produtivos e gerar uma demanda de emprego no setor industrial manufaturado nesse momento. E é nessa lógica, então, que a Índia pega e dá uma prioridade estratégica à expansão do seu setor industrial. Ou seja, a China, a Índia, também entende que é...

a questão de sobrevivência do país se industrializar no longo prazo e começar a fazer isso através da sua indústria manufaturada.

Dá vontade de dar aquela pausa e fazer um comentário dentro desse programa. Um programa dentro do programa, só para você ver como os liberais no Brasil atuam contra o país. Porque o Brasil precisa disso. O Brasil precisa de um choque também de reindustrialização, de trazer a subústria manufaturada, manufatureira e tal. O que vai acontecer?

Eles hoje não fazem isso, eles estão com o mesmo papo do neoliberalismo que desindustrializou todos os países, inclusive o Brasil, e continuam presos a isso, cara, e o mundo vai avançar, o mundo vai avançar para a sua industrialização, cada país vai ficar industrial e o Brasil vai ficar cada vez mais para trás por causa de pessoas economistas que ainda são escravizadas com a ideologia que não tem a ver com qual é o melhor modelo econômico.

Porque o problema da ideologia é esse. Ele te distancia da realidade. Ele quer escolher um modelo e implementar. Ele é fiel a isso. Ele não consegue ver como, na verdade, você tem um cenário político em que esses modelos são postos debaixo da política e são escolhidos de acordo com aquilo que melhor...

que mais traz benefícios para a população e para aquele país, de acordo com o cenário geopolítico e do contexto político que nós vivemos. Mas não, o cara está preso, vamos dizer o seguinte, uma visão tecnocrata de que este é o modelo que vai gerar o melhor resultado, mesmo quando não gera. E esse é o problema. Espera aí que eu vou tomar um café. E no Brasil, quando nós falamos de... Aliás, chegou o café Leote. O café aqui, o abatanado em francês é alonge, é alongado.

Mas, quando a gente fala isso no Brasil, as críticas são de que representam regimes ou pensamentos comunistas, neo-keresianos, é, na verdade, uma redução, uma mutilação do pensamento entre um maniqueísmo de bem e mal que não existe mais. Isso aqui contra isso aqui. Não é verdade. Existem inúmeras possibilidades, inúmeros modelos.

E, obviamente, a geopolítica vem mostrando, a política em geral, vai mostrando que existem diversos contextos e possibilidades de você desenvolver o país. A Índia está lutando, percebeu que eles não vão conseguir empregar e melhorar o poder de compra da sua população, que hoje é de 1,4 bilhão de pessoas, enorme, e que tem uma população...

em idade ativa que aumenta 15 milhões de pessoas por ano, é brutal, e que precisa de criação de empregos urgentes. Eles não vão conseguir fazer isso sem ter uma indústria que absorva maciçamente essa força de trabalho, um crescimento.

Então, a criação de empregos industriais se tornou uma necessidade vital para evitar o desemprego de massa e apurar o aumento de renda. Então, esse acordo é muito mais uma resposta da Índia ao domínio chinês do que as tensões americanas da região. Então, o momento, de verdade, é ótimo para a participação da indústria indiana dentro do contexto político.

Por quê? Porque desde o Covid, a Índia compreendeu a dependência que ela tem, e mesmo as economias avançadas como a Europa compreenderam a dependência que eles têm de cadeias de valor dominadas pela China.

Então, as municípios nacionais começaram a procurar diversificar essa dependência, os seus estabelecimentos em diversos países, e ainda se tornou forte para ser uma alternativa sólida, na visão deles de uma nova China. E, além disso, não é trivial a esse respeito que as negociações da cor do livre comércio entre...

A Índia e a União Europeia, que foram suspensas em 2013, tenham sido retomadas rapidamente em 2022 para ser concluídas em 2026. Ou seja, essas datas, por si só, já revelam as motivações. Por quê? Se houve uma aceleração das negociações...

Foi por causa de uma resposta à política comercial agressiva nos Estados Unidos e ao uso do comércio para fins geopolíticos? Sim, mas principalmente pela compreensão de que não podia ficar esperando e continuar mantendo uma dependência.

da China, ou seja, das cadeias de valor gerados para a China. Então era necessário fazer uma nova China dentro da Índia. O Brasil poderia muito bem também servir ao mesmo propósito dos Estados Unidos, daqui no Ocidente e da Europa, servindo como um novo parque industrial, uma nova área de estabelecimento de manufaturas, uma nova área de exploração de energia. Por que isso não é fake?

A gente volta ao início do programa com o fato da China construir um data center de 9 bi de dólar, rapidamente aprovado em Alagoas, ao fato de que nós temos um Ministério Público e um Sistema Judicial.

Claro que foi capturado e que hoje serve a uma autocracia que busca aumentar o poder do Estado e reduzir a capacidade dos empreendedores de fazerem as coisas, mas como o mesmo país que eu mais tinha no TikTok, é rapidamente...

aprovado. Então, veja, as negociações do ponto de vista da União Europeia se tornaram muito importantes para garantir uma rápida velocidade desse acordo ser assinado e implementado em função das políticas comerciais americanas.

Mas para a Índia, não. Para a Índia, a maior ameaça é a dependência da China e a necessidade urgente de gerar emprego para 1,4 bilhão de pessoas, onde você tem uma população economicamente ativa que cresce 15 milhões ao ano. Entendeu? É um problemão. É um problemão.

Se você olhar do ponto de vista da Europa, para a Europa, a China é responsável por 21% das importações europeias, mas também é responsável por 16% das importações higiadas. Só que o déficit comercial da Índia e da União Europeia em relação à China é um controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle

só aumentam. Então, a China importa? A China? Importa. Importa na União Europeia? Importa. Mas o nível de exportação dos produtos deles para a Índia e para a China, para a União Europeia, é enorme. Então, isso gera déficits comerciais que tornam a China cada vez mais forte em relação tanto à Índia quanto à União Europeia. Bom, o que acontece é que quando você vai vendo o que você vai vendo?

que esse acordo vai eliminar as tarifas sobre produtos indianos, o que a União Europeia está fazendo? Ela está indiretamente aumentando a competitividade da produção dos produtos indianos em relação ao seu mercado e colocando um pé de igualdade com os produtos chineses. Então, a União Europeia está patrocinando uma concorrência para reduzir a sua dependência da China.

E ela pretende, graças a esse acordo, não deixar o seu mercado ser inundado com produtos estrangeiros, óbvio, mas o que ela está fazendo é diversificar seus fornecedores, colocando em concorrentes verdadeiros para distribuir melhor o seu déficit comercial entre vários parceiros e reduzir o risco para a sua economia.

teoricamente o Mercosul deveria ser feito para ter sido criado para fazer isso não é o caso, não foi assim que foi feito o Brasil não vai se beneficiar com o processo de industrialização causado pelo Mercosul isso é muito importante de compreender então você vai ver que o seguinte que esse acordo

como disse, ele busca como alvo a China. E a rapidez, quando ele foi enviado, manda duas mensagens. Primeiro, para o Austin, dizendo o seguinte, ó, comércio global para mim, Austin, não se limita aos Estados Unidos. Eu quero e vou fazer outras parcerias duradouras e estáveis para a Europa. A outra é dizer que as assimetrias das trocas comerciais são três anos.

são levadas a sério em termos de criar benefícios para alguns países em relação aos outros no curto prazo. Ou seja, eles estão usando o seu mercado consumidor também como instrumento geopolítico. Então...

a gente tem que entender que todos esses efeitos que vão ser criados são geopolíticamente econômicos, geoconomicamente falando, de longuíssimo prazo, não é de curto, porque você tem que ter uma ratificação desse tratado, evidentemente, como o Brasil fez, aconteceu com o Brasil também, mas também compreender que a União Europeia hoje, ainda em relação à União Europeia, é um parceiro pequeno.

3% das importações europeias vêm hoje da Índia, muito pouco. E 2% das exportações europeias são destinadas à Índia. Ou seja, ele é o décimo parceiro comercial da União Europeia, não é importante. O que está sendo feito? Uma escolha geopolítica e geoeconômica para garantir que a Índia comece a ser um parceiro relevante.

Isso não está sendo feito pelo mercado, está sendo feito pelos estados. Então o crescimento na Índia hoje, se você olhar, é um dos mais fortes no mundo. A Índia tem crescido 6, 7% ao ano.

incluindo 4% de crescimento no consumo final. É um mercado enorme, é um mercado dinâmico extremamente conhecido pela sua dificuldade de penetração. E as empresas europeias criaram uma tentativa de ter um acesso privilegiado num momento em que outros clientes da União Europeia, como os Estados Unidos,

E até mesmo o Brasil, de certa maneira, apesar de se lembrar do acordo, tem se tornado mais difícil de acessar. Então o mercado, por exemplo, se você pegar o mercado de aviação civil, veja que poderia ser extremamente importante no Brasil por causa da Embraer, para o Brasil por causa da Embraer.

Se você pegar esse mercado, na Índia, esse mercado representa e cresce mais de 7% ao ano. O mercado automotivo deles, mais de 10% ao ano, no número de veículos. Só que, como eu disse, quando você pega, apesar do crescimento de produtos, quando você vê em termos de poder de compra, esses caras não performam bem. Tanto que a renda per capita da Índia permanece baixa. E a questão de emprego deixa dúvidas sobre o tamanho dessa real aceleração econômica.

da capacidade de se posicionar, de entregar esse resultado no longo prazo. Então, para a Índia, em função disso, esse acordo é uma enorme oportunidade para garantir o seu segundo maior mercado e que você tenha 27 estados, que é a pernação da União Europeia, absorvendo vendas da Índia. Então...

Esses caras hoje, eu imagino que a Índia hoje, ela pode ter esse sentido.

pressionada mundialmente para ganhar competitividade. E isso se dá por uma série de condições, inclusive das negociações, da forma como foi negociado, como foi feita a dinâmica de negócios com os Estados Unidos. Porque mesmo, se os Estados Unidos também não tivessem revisado a sua posição e mantido as tarifas alfandegadas de 50%, ou seja, são três anos de controle de controle de controle de controle de controle de controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle controle

provavelmente o acordo de viva e comércio teria resultado em uma preorientação de fluxos comerciais da Índia para a Europa ainda maior. Só que, de certa maneira, os Estados Unidos revisitaram e não foi um acordo ruim, porque agora eles têm um acordo de 18%. E isso também foi imposto aos vizinhos do sul da Ásia, que é Bangladesh, Vietnã e Tailândia. Então você acabou com a reorientação do acordo.

fechado pelo Trump com a União Europeia, eles acabaram limitando um pouco a capacidade da Índia de entregar produtos para a Europa. Só que, isso no porto prazo, só que com esse movimento, no longo prazo, você vai ver que os benefícios desse acordo não vão ser influenciados pelos Estados Unidos. Porque ele vai transformar radicalmente...

o custo de comércio entre Europa e Índia através de inúmeros mecanismos. Então você vai ter redução do custo de transação, você vai ter harmonização de normas regulatórias que vai aliviar os encargos de conformidade, você vai ter melhor acesso ao mercado, você vai ter integração em cadeia de valor, porque todos esses elementos tendem a tornar o comércio bilateral mais eficiente e sustentável.

e vão ultrapassar esse benefício nos ciclos eleitorais, os ciclos políticos. Então você vai ter realmente um benefício grande que vai tornar a Índia hoje um alvo de ser uma nova chã.

Por isso que eu acho que o Brasil deveria muito se aproximar, não conforme o Lula fez, mas se aproximar, que o Fábio é verdadeiramente da Índia, assim como da Europa ele tem feito, para fazer um triângulo de produção entre Europa, Índia e Brasil. Bom, é claro que no meio desse acordo sempre tem uma pegadinha progressista na União Europeia.

E um ponto que é um grande ponto de internação que existe na União Europeia é o famoso mecanismo de ajuste de carbono nas fronteiras.

que é o SIBAN. Dizem que isso vai beneficiar a parte ambiental. Acho que é um país que precisa realmente de um choque de cuidar de meio ambiente. A Índia, né? Tratamento de água, de tudo isso. Poluição, enfim. Eu não sou ambientalista, mas realmente lá é punk o negócio. Enfim, eu brinco assim, meus filhos, que eu não sou ambientalista, mas eu sou limpinho. Então, tá água, cuidado do jardim, é algo importante.

Mas, no meio desse acordo, existe esse dispositivo que exige que as empresas exportadoras comprem certificados que cubram as emissões de CO2 relacionadas com a produção de bens que são introduzidos no mercado europeu. Então, deve-se lembrar que o país dos exportadores já pica um imposto de carbono. Esse já existe. Então, é óbvio que esse imposto é calculado para as emissões não cobertas. Ou seja, a diferença entre o preço do carbono local...

e o da União Europeia, eles devem ser compensados. E a Índia é um mercado enorme, absolutamente enorme. Então, graças a esse acordo, o que vai acontecer? As empresas europeias vão poder entrar na Índia e acessar mercados. Só que eles vão poder, talvez, utilizar...

o CIBAN, que é esse mecanismo, como uma alavanca para incentivar os países exportadores a adotar técnicas de produção menos coluentes, a ilusinação europeia é uma forma de implementação da ideologia ambientalista que ainda está lá da União Europeia.

E no momento em que o Trump tem a guerra com o Irã, o fechamento de almoço, foi o que eu disse nos programas passados, nós temos uma situação extremamente desconfortável, que é a aposta de que é necessário fazer a transição energética e não confiar tanto no petróleo. Isso foi uma coisa muito ruim do rompimento da cadeia logística de petróleo no mundo.

Então você vai ter um novo desenvolvimento da utilização do crédito de carbono e de algumas políticas ambientalistas que existem na União Europeia como instrumento de pressão para a harmonização regulatória em troca de acesso à exportação, acesso ao mercado e à sua industrialização.

Só que, de certa maneira, você pode ter uma resistência disso, tá? Por quê? Porque muitos críticos dizem que esse caio de carbono... Veja, eu fui uma vez, e aliás, fui criticado no...

por ter ido lá nos mapalusas, participar de uma mesa com o presidente da CVM, estava também o pessoal da Febraban e o Levi. E esses caras estavam numa campanha que você não faz ideia para implantar o crédito de carbono na época que estava o Biden presidente.

E o que a gente alertou é exatamente a mesma coisa que alguns caras ainda falam. Tentando alertar para as pessoas que compram inocentemente esse discurso. Porque, veja, uma coisa, quando você fala uma mesa, é a mesa que você tal, outra coisa é o público. E a maioria ali eram juristas, e tinha alguns empresários.

E, obviamente, entra no setor financeiro. Quando o outro cara está ouvindo aquilo, ele está ouvindo aquilo, foi uma determinação da CVM e da Febraban. E aí é curioso, porque a crítica minha que eu participei foi a minha, que estava lá batendo nessa tancadaria aí. Mas veja, quem estava nessa mesa? O setor financeiro.

representado pelos grandes bancos e a CVM, sempre ela, né? E o Levi, que foi o presidente, acho que foi do Banco Central, ou da Fazenda, né? A Fazenda, da Dilma. É inacreditável o setor financeiro apoiar as iniciativas de caixa de carbono. Por quê? Porque, na verdade, ela vai destruir as pequenas e médias empresas brasileiras e é naquele discurso que eu faço, que hoje, cinicamente, a minha participação é criticada, pelos e hoje.

para uma turma liberal associada exatamente à CVM, associada à Febraban, entendeu? Todos esses caras que estão lá, que distribuem títulos por aí, enfim, você sabe quem são. Enfim, esses caras cinicamente criticam porque eles sabem que a gente alertou naquele momento para os advogados, inclusive alertando que isso iria acabar e conseguir com uma autonomia.

regulatória do Brasil, que você teria um poste aduaneiro disfarçado, que é exatamente a lógica que hoje a Índia reclama. Ele diz o seguinte, essa aí é uma harmonização fiscal disfarçada e vai criar uma barreira protecionista para a União Europeia que vai colocar para os bultos europeus e estrangeiros e impede igualdade.

aos deles utilizando uma artimanha regulatória fiscal. Então, você tem uma resistência que é explicada. Algumas pessoas compreendem isso no acordo. É claro que isso não está claro no acordo. Então, você tem que compreender que esse acordo é interessante para a Índia e para a Europa, mas não a produção, mas não a ideia do Ciban.

Por quê? Porque ela não bate com a realidade do país. Ela não bate. A produção de energia da Índia permanece extremamente poluente. Ela é um mix energético dominado ainda por combustíveis fósseis, onde 70% da produção industrial da Índia vem de energia.

fóssil e 46% vem do carvão, ou seja, desse 71%. Ou seja, mudar o mix energético de um país demora muito tempo. Demora investimento, demora investimento em estrutura, isso tudo é uma tremenda barreira de curto prazo, né? E até de médio prazo. Veja, mesmo que o cara diga, vou construir uma zona no Pair, que o Brasil deveria começar a pensar no longo prazo disso, isso leva uma década.

Uma exíndia elétrica leva no mínimo cinco anos. Um parque óleo requer dois anos. Ou seja, você vai ter um mecanismo extremamente eficaz que vai parecer bom para a Índia ou vai ser melhor para a União Europeia. E a eficácia disso, desse imposto, vai depender da capacidade do cara que está exportando de estabelecer certificados confiáveis de carbono. E da capacidade do Estado também de controlar, sancionar e fazer cumprir certas regras ambientais.

A Índia não tem essa capacidade bem organizada, essa é a realidade. Por dizer que o crédito de carbono vai incentivar a Índia a acelerar a transição ecológica, é uma tremenda mentira, é um imposto disfarçado, como queriam botar nas empresas brasileiras.

E a curto prazo a questão prioritária vai continuar a ser o quê? Evitar que esse mecanismo crie uma distorção ao acordo que faça com que a Europa se dê bem e a China se dê mal, entendeu? A Índia se dê mal. Então, você vai ter que discutir realmente.

se esse mecanismo vai ser um grande obstáculo ou vai trazer, de fato, ganho para o país. Mas a realidade é que é um acordo que representa, não um acordo econômico, mas um acordo geoeconômico, porque ele está sendo feito com o intuito não de melhorar a distribuição de políticos.

mas de boicotar a China. Isso é que tem que ser percebido. E o Brasil já fazia algo parecido. Utilizar acordos bilaterais para desenvolver o seu parque industrial e começar a participar da manufatura global. Não é o que nós estamos fazendo, não é o que o Lula fez.

E o pior disso é que hoje você começa a ter uma relação também com outro país, como eu falei nesse programa, que é a Turquia, que se tornou um país estrategicamente relevante na energia, um país estrategicamente relevante na defesa, fundamental na defesa.

E agora ele está indo para um caminho financeiro, de se tornar uma potência financeira, tentando se contrapor aos Emirados Árabes, que nós sabemos, tem uma aliança com Israel, e agora com os Estados Unidos, por isso que os Emirados Árabes também saíram do APEP, porque eles vivem numa guerra fria enorme com a Arábia Saudita. Eu cheguei a contar aqui no programa que quando teve a...

a feira de armas na capital saudita, até mesmo a Rússia tinha um stand, a Ucrânia tinha um stand, países que têm divergências reais, não são nem ideológicas, estão em guerra, tinham seus stands lá vendendo suas armas, mas a Emirada dos Árabes não apareceu nem Israel. Foram os dois únicos países que tinham capacidade militar de vender armas que não estavam lá.

E por que a União Europeia hoje olha e está reconsiderando estabelecer a sua relação com a Turquia? Porque a União Europeia foi muito crítica à Turquia, inclusive por causa do regime do Erdogan.

Claro que o Erdogan falou, ok, cara, não vou deixar vocês fazerem que nem fizeram aí com o Guilherme, de tentar me tirar daqui com movimentos. Ele foi malandro e estabeleceu, dentro do Sergi, pontos estratégicos do Mii. Uma coisa que ele fez, tenta até outra aqui.

foi a recomposição da Turquia como ativo, um país, um hub de distribuição energética importante. E a partir dessa reequilibração, dessa recomposição de equilíbrio energético, é que a União Europeia começou a levar assim, um, não posso chutar a cabeça da Turquia. Então, os caras estão fazendo um novo acordo com a Turquia.

já se dava com a Índia e estão olhando a Turquia. Veja, se você olhar na interseção do Mar Negro, Mar Negro, o Cáucaso e o Oriente Médio, você vai ver que tem um paizinho chamado Turquia, que é uma cidadezinha chamada Ankara, que é a capital. E ela está, já se tornou, já fiz um enorme programa sobre isso.

um privou logístico e de segurança essencial. Então, a crise energética global e as tensões em torno do estrito de homens reforçam ainda mais esse papel fundamental. E muitos dizem, e eu vou falar um pouco aqui, que um grande ganhador

da guerra do Irã se chama Turquia, mas eu vou falar mais pra frente. O que acontece? Por muito tempo, Bruxelas considerou que a passagem de navios militares da Irmandade Muçulmana e... e... é...

dos states ormus era dado. Ou seja, você vai ter paz, você vai ter passagem de navios militares, né? E de navios... de navios... também... cíveis, né? Para fins comerciais. E ele considerou isso dado.

e achava que se tivesse um bloqueio, você poderia considerar um apoio militar de várias pessoas para garantir a passagem. Não foi o que aconteceu. Então o Buchelos começou a perceber.

que ela não poderia continuar considerando Ankara como um vizinho pesadão. Por quê? A Turquia é um Estado candidato a participar da União Europeia, mas é distante dos padrões europeus que eles gostariam de ter. É um Estado que está muito distante do que a União Europeia considera um Estado democrático de direitos e liberdades políticas.

Achava que a Turquia era um interlocutor indispensável, só que politicamente difícil de se relacionar. Só que, mesmo com essas tensões, a Turquia foi criando uma posição geográfica, que foi utilizando a sua posição geográfica para manter a sua importância estratégica, principalmente para a Europa. O que esses caras fizeram?

Um pivô energético, um sistema de defesa absolutamente relevante e agora uma capital financeira. Então, não sobrou outra coisa para Buchelas, a não ser uma aproximação pragmática. E o primeiro evento que eles caras mostraram a fazer isso foi a visita da comissária europeia, Marta Cos, no dia 25 de julho.

no ano passado e que voltou agora, dia 6 e 7 de fevereiro desse ano, para uma retomada de relações. E também, nessa retomada, trouxe novamente o Banco Europeu de Investimento para fazer investimentos relacionados a vários ativos na Turquia, inclusive a transição ao verde, e isso foi o sinal de aproximação entre Buchelas e Ankara.

Não se trata, mesmo assim, de uma ideologia, o retorno. Ah, porque chegou a hora de voltar a falar da candidatura turca e europeia. Zero, não tem nada de bondade, é um cálculo clássico de interesse.

que vai garantir para a Europa estabilidade regional, segurança energética e desenvolvimento de corredores comerciais que ligam a Europa, como disse, ao Cáucaso e à Asa Central. Então, esses caras precisam dos estritos turcos. A União Europeia sabe, e a Eutrofia sabe, que a Turquia tem...

os seus distritos, e que são uma alavanca estratégica fundamental, porque a Turquia controla hoje o acesso entre o Mediterrâneo e o Mar Negro.

através do que a gente chama ali do corredor de Montreux, que governa os esteitos de Dardanelos e do Bósforo. E esses esteitos são vitais para o comércio e para a energia, porque passam milhares de navios ali, inclusive petroleiros, e também garante uma livre circulação de navios mercantes.

que está protegido quando você tem tempos de paz. Então você também tem a autorização de passagem de navios militares, mas que em caso uma indese militar pode ser limitada. Então a Ankara tem um papel de árbitro estratégico na região.

E tê-la como uma região estável e de alto poder militar começa a permitir à Turquia a maior musculatura. Veja, quando você pega o que houve na crise dos estes de Ormuz, você vai ver que a influência turca não foi alterada, ela foi limitada, só que eles adotaram uma política externa que combina o pragmatismo e o cálculo geopolítico. A Turquia mantém a sua relação com ela.

Pancara há muito tempo considera o Irã menos um nível existencial do que, na verdade, um rival que precisa ser gerenciado. Os dois países têm uma longa fronteira, longa, a política da Turquia se torna ainda mais importante, disputam influência nas mesmas regiões e, às vezes, até mesmo nessas guerras de desestabilização, eles apoiam facções opostas em conflitos.

mas cooperam muitas vezes quando seus interesses convergem. Então esse modelo é uma mistura de competição e cooperação, como é sempre o modelo da geoeconomia geopolítica eficiente, é isso. Você competir e cooperar. E isso permitiu que houvesse um equilíbrio estágio nessa região, que é muitas vezes volátil, muito volátil. Essa lógica do pragmatismo do público...

fez com que Ankara buscasse se posicionar como um ator regional estabilizador, capaz de limitar os escalados de guerra no Oriente Médio. Então, veja, embora esses caras não sejam uma margem, não estejam à margem do Golfo Pérsico, a realidade é que a Turquia iniciou negociações diplomáticas com todos eles.

incluindo a Arábia Saudita e o Egito. Então essas capitais retornaram agora, com diálogo, depois dessas crises, maior com Ankara. E o objetivo deles é resolver certas disputas bilaterais, por exemplo, o apoio turco ao movimento da hermandade muçulmana e do governo Mossi, competição por liderança do Oriente Médio e do Norte da África, as tensões econômicas que existem e comerciais.

e as divergências sobre como lutar contra o terrorismo. Ao mesmo tempo, esses caras também querem desenvolver cooperação em questões de segurança, energia e comércio, ao mesmo tempo que visa conter as ambições de Israel na região. A Turquia é fundamental para conter Israel. Essa é a visão dos Emirados Árabes, essa é a visão dos Emirados Árabes da Saudita, e a visão também.

Durã, então essa dimensão diplomática de estabilidade, ela se junta ao fato da Turquia ser uma potência militar. Lembre-se que ela tem a segunda força armada da OTAN, é uma indústria de defesa de ponta, líder mundial na produção de dones, e consegue garantir produção em massa de dones. E isso torna a sua participação extremamente estratégica, por exemplo, no programa SAFE, que é o programa de financiamento da Europa à indústria de defesa. E...

E a Turquia tem se tornado um centro de conectividade com a Eurásia. E esse é um ponto. A aproximação da União Europeia com a Turquia, ela vai muito além desse interesse de dimensão de segurança. Porque as caras, o Erdogan, tem feito um patel central de ligar a Turquia em corredores com a Ásia Central, com o Cálcoso e com o Marneu.

estruturado um nó estratégico para as áreas de transporte, energia e até mesmo cabos, redes digitais. Então vejam.

Desenvolver esses eixos permite diversificar acessos e fortalecer cadeias logísticas que vão estar de empresas que vão conectar a Europa e a Ásia. Veja, Ankara, a visão do Erdogan é perfeita. Ele quer aproveitar essa centralidade dele para reivindicar...

a modernização da sua união aduaneira com a União Europeia. Então, o Erdogan falou, eu construí, usei energia como, criei um centro de rama energético, pivô energético, se tornou relevante. Criei uma indústria de defesa de ponta, agora estou atraindo investimento de estrangeiro e agora eu quero chegar para a União Europeia e falar, agora você tem que falar comigo para a gente recompor um acordo comercial.

O sistema atual que eles têm, eles obrigam a Turquia a abrir o seu mercado a terceiros países e a aplicar automaticamente o acordo comercial assinado com a União Europeia. Então, o que significa que o acordo assinado com o Brasil abria obrigatoriamente o mercado turco? Assim como com a Índia. Sem necessariamente ter os benefícios previstos desse acordo, que é só o acordo da União Europeia, para a economia turca.

Então, é óbvio que existem pontos que a Turquia não gosta, não quer seguir. Então, eles querem visitar certos acordos, mas estão sentando de igual para igual com a Narape. Só que esse diálogo entre eles tem uma mudança, porque Bruxelas existe na questão do Estado de Direito e da sociedade civil.

Enquanto o Erdogan, cara, favorece o quê? A reciprocidade, o tomará da casa, os interesses concretos, que é isto, realística, e realistas, e a igualdade de tratamento econômico. O Erdogan está usando instrumentos não ideológicos, mas geopolíticos, pragmáticos, de autonomia estratégica, e a Europa querendo combater com a ideia da democracia liberal ideológica.

na conversa. E esse é o maior obstáculo entre eles, e esse é o maior obstáculo de fazer um acordo de livre comércio com os caras. Agora, existem várias percepções, por exemplo, de que esse acordo, por exemplo, com a União Europeia e essa humanização é, eventualmente, da Turquia.

e até mesmo da oposição europeia ao acordo com a Índia, é se perguntar se isso é um casamento de verdade, um acordo de conveniência pro forma, entendeu? Ou seja, se os caras realmente querem transformar a economia e realmente criar entre esses dois monstros de mercados,

e criar um alinhamento verdadeiro. Por exemplo, você tem muitos deputados que dizem que não, que a Europa está usando isso a pegas para se proteger, por exemplo, que como consequência da guerra da Alcânea, as tensões com a China aumentaram muito.

que o abandono da política transnacional e transnacional americana com os Estados Unidos obriga a Europa a repensar suas dependências econômicas, mas também estabelecendo as formas de hegemonia. Então você tem muitas questões que envolvem, talvez, um cálculo de comércio estratégico, que não tem nada a ver com o livre mercado, mas um cálculo estratégico econômico geopolítico e desenvolvimento das suas próprias economias.

Por isso que eu digo que os liberais no Brasil são tão perversos, porque esses caras não deixam o Brasil, por exemplo, se pensar dessa maneira. E aí contrapõem ou o socialismo, o neoliberalismo de esquerda do PT, ou o neoliberalismo comportamental de direita dos liberais. Mas, no final das contas,

O castigo do país é o mesmo. Não permite pensar em termos de cálculo estratégico. Então, ainda mais quando você olha e pensa, mas veja o seguinte, você é o Brasil, você está vendo dois países que tem um comércio bilateral de bens que atingiu 136 bilhões no ano fiscal. O comércio de serviço entre eles foi mais de 83 bilhões. Você tem as duas economias que representam um quarto do período global, um terço do comércio mundial.

Como é que você vai olhar um acordo entre as pá? O que você vai fazer com isso? Fazer nada? Vai ficar olhando?

Vai vir a Índia com ganho imediato, acesso ao mercado europeu, o mercado único da União Europeia continua sendo o mais lucrativo do mundo e você sentado olhando isso acontecer sem fazer nenhum tipo de planejamento objetivo que vai fazer com que você melhore a indústria brasileira e vai promover a indústria indiana. Não é algo razoável, né? Então, um cara que tivesse um pensamento geopolítico...

é verdadeiro, estaria vendo que as tarifas mais baixas e o alinhamento regulatório iriam impulsionar as exportações de âmbito. Vamos dizer, olha só, isso vai crescer a área dos caras. Não é só de produtinho, estou falando de impulsionar a área de engenharia, produto farmacêutico, texto, entendeu? Onde vai começar a buscar essa meta ambiciosa que o governo de gênero tem de 300 bilhões em exportação só de engenharia. Nós não temos essas metas no Brasil.

Nós não temos essas metas no Brasil. O que tem é metas de taxa de juros. Feita pela XP, com o BTG, com a FEBRABAN. É uma coisa inacreditável. Então, você tem um país que está vendo um acordo focado em uma meta de exportação de engenharia, focado em que é uma indústria de manufatura, e a gente, no Brasil, olhando isso e repetindo coisas do passado.

Então, é óbvio que nós temos um problema de percepção do mundo. Mas, voltando um pouco à análise desse acordo, mas para muitas pessoas da oposição ao acordo na Europa, eles dizem que isso é apenas uma cortina de fumaça.

porque vai ser utilizado, como disse, o imposto de carbono para tentar não deixar que isso aconteça favorita a Europa e comece a aboncontar a China. Pode ser, de fato pode ser. Veja, a União Europeia não está fazendo apenas um acordo econômico, ela tem laços estreitos com a Índia, principalmente na área que é extremamente importante hoje no mundo, que já falei um número de dias aqui no dia de economia, que é do Índia Pacífico.

E quando ele se alia com a Índia, ele faz um contrapeso à China nessa região, principalmente na cadeia de suprimentos. E para a Índia, esse acordo consolida a sua posição global como ator econômico e diplomático fundamental no mundo. E isso que o Brasil deveria ter feito também, deveria fazer. Acordos comerciais, utilizando as suas áreas de energia para garantir que ele vire um ator fundamental econômico, mas também diplomático. Então...

Quando você vai vendo esses riscos que estão acontecendo, o Brasil, por exemplo, é que o risco de uma cooperação econômica vai também gerar uma convergência política, vai estabelecer relações comerciais, diplomáticas e políticas que vão criar...

cada vez mais dificuldades externas para o Brasil conseguir desenvolver e aumentar os seus mercados. E o que ocorre é que vai, como consequência, prejudicar o seu mercado interno. Então, você vai vendo um risco de cooperação cada vez maior entre esses caras, fazendo acordos bilaterais e criando...

um timing geopolítico que visa um plano de longo prazo. Nós estamos vivendo um momento decisivo de acordos que estão sendo criados e, a partir deles, esse acordo feito à base jurídica vai se montar ações concretas nas áreas industriais e mercadológicas do país. Quando a Índia quer se tornar uma indústria de manufatura, está roubando o mercado do Japão. Está a China? Está. Mas vai estar roubando o mercado dos lugares também que não são cobertos, como o nosso.

Então, é muito importante compreender que num mundo que caminha visivamente por uma fragmentação, esse acordo Índia-UE tem oferecido uma amostra de uma cooperação bilateral, que é bastante imperfeita, até se tornar um verdadeiro ganha-ganha, mas que mostra a vontade de criar um controle controle controle controle controle controle controle controle controle

através de instrumentos geopolíticos e econômicos, vantagens estratégicas que prejudiquem outros países.

Uma, e formando vencedores, novos vencedores. Mas um vencedor natural, como eu disse para vocês, dessa guerra, agora formos para o Gleyer do Irã, é a Turquia. E é por isso que a União Europeia está voltando a sentar com o Erdogan, porque viu que ele tem, como eu falei, um pivô econômico, ele é um pivô energético, ele é fundamental na indústria de defesa, ele quer se tornar fundamental na diplomacia.

E ele quer se tornar fundamental também, como polo econômico, financeiro. Só que ela percebe que a União Europeia, que a Turquia é a maior investidora da guerra, não deu um tiro, meu caro. A Ankara aproveitou esse conflito e essa arbitragem para consolidar parcerias no Golfo, para fortalecer os seus corredores no Cáucaso e meteu o sapato na venda de armas regionais. O que a Dugan fez?

Por exemplo, quando houve o ataque dos Estados Unidos e Israel, ele rapidamente fez um discurso retórico de se posicionar a isso como uma violação flagrante do direito internacional. Ele até mesmo fechou o espaço aéreo-truco das forças americanas e deu mensagens de condolências a Israel, ao Irã, após o assassinato do Khamenei lá.

Só que, ao mesmo tempo, ela fez questão de se distanciar de Teheran. Ele fez gestos, mas não se aproximou. Ele criticou os ataques retaliatórios do Irã contra os estados do Golfo e culpou a intransigência iraniana pelo colapso das negociações que aconteceram pela guerra.

Então a mensagem não era deliberada e ela enveneceu bem demais. A Turquia contra a guerra, mas não era liada de ninguém. Ah, genial, né? Então o que esses caras fizeram? Eles pegaram e fizeram uma política que eles chamam de neutralidade ativa. Ou seja, vou dar um exemplo. Dois meses, por exemplo, depois do cesar-fogo mediado pelo Paquistão,

O que você vê? Você vê como efeito dessa falha a ascensão da Turquia a uma posição regional que ela não tinha.

ainda nos tempos atuais. Ou seja, ela ganhou primeiro uma centralidade diplomática. O que esse cara, se fizer, ele fez? Esse quarteto, essa reunião que a Turquia fez, promoveu com a Lava Saudita e Tejid em Paquistão, que foi a famosa reunião em Islamabad, agora em março, para coordenar uma desescalada, na verdade, é um formato de liderança turco.

Teve uma reportagem da Reuters, em 25 de março, que falou que Ankara vinha atuando como intermediária entre o Irã e os Estados Unidos, de forma sigilosa, sondando as posições americanas ao mesmo tempo que alertava Teheran em relação ao aumento ou a profundidade, o aprofundamento da guerra.

Aí você vai ver que a Ustola Landerlein também endossou os esforços dessa mediação turca em 1º de março recentemente. E disse que a relação pessoal entre o Erdogan e o Trump era importante para ajudar a reduzir a tensão na região. Ou seja, a mediação da Turquia era importante.

Não porque a Ankara espera fazer, ou seja, consabe, para um acordo abrangente. Eles não esperam isso. Eles sabem que não terão esse papel. Mas por quê? O simples papel confere a eles o que a diplomacia chama de direito de acesso. Ou seja, um assento permanente nas universas que vão moldar a região pós-guerra quando isso acontecer.

Então vejam, a mudança estrutural mais profunda disso é geográfica. Durante quatro décadas, o Irã, nessa região, funcionou como uma âncora institucional do que chamava de encho de resistência, que eles chamavam, que percorria o Iraque, a Síria, o Níbano e o Golfo.

E esse desmantelamento do eixo de resistência, esse desmantelamento gradual dessa rede feita em Israel a partir de 2023, gerou e culminou nesse ataque conjunto de decapitação que aconteceu entre Estados Unidos e Israel lá no Irã. E isso esvaziou completamente o eixo de resistência.

Aí você pega o vácuo pleado nisso e junto desse vácuo a omissão ou enfraquecimento da Rússia por causa da guerra na Ucrânia, você vai ver que o triângulo que tinha sido criado entre Rússia, Turquia e Irã, que era responsável pela diplomacia síria,

também entrou em colapso. Deixou quem? Deixou a Turquia sozinha. Ela virou o único mediador funcional real nesse formato e ganhou um aumento, uma promoção de preso diplomático que acabou indo muito além da Síria. Então, as consequências já são visíveis hoje em dia. Por exemplo, você pega a Síria, onde o regime do Assad caiu agora em 24, final de 24. Os atores que eram aliados à Turquia ocupam já um lugar central nesse processo de conciliação pós-guerra.

E tem um canalzinho discreto ali entre Ankara e Israel, que se tornou o principal mecanismo de impedir conflitos diretos no país, por exemplo. No Iraque, o ministro de Relações Exteriores, que é o Haqqam Fidan, sinalizou que o doce sírio seria ampliado para abordar o corredor Kwamshli-Sinjah. Acho que é isso.

acho que é Kwan-Mishli, é isso, onde as milícias apoiadas pelo Irã acabaram perdendo cobertura política e, portanto, é necessário uma nova cobertura. Então você teve o que se chamou de estrada de desenvolvimento, que foi orçada em 17 bi de dólar, e ela é destinada ao que atravessar o Iraque e ligar a Europa, que é a do Iaá, para o Golfo Pérsico.

E isso se tornou extremamente viável, o que não era o Anavraz. O corredor de Zanjezur, que atravessaria o Cáucaso do Sul e conectaria a Turquia até a Ásia Central, se tornou importante, até porque vai contornar o território iraniano.

Então, esses corredores redirecionaram uma parcela significativa do comércio leste-oeste através do espaço controlado pela Turquia. Isso não é só uma vantagem tástica, isso é um realiamento gerencial de negócios que é macia. Aí você vai ver outro fator, que é a da indústria de defesa. Nesse caso, a guerra também acelerou uma transformação no pensamento sobre segurança no Golfo.

Depois que ninguém ouviu os mísseis iranianos atingirem ali a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Qatar, apesar de todo o apoio americano, essas monarquias do Golfo aí estão descanso as parcerias de segurança. Eles não vão depender só de Washington. E quem é a...

o parceiro ideal mais próximo Turquia, mais óbvio pelo menos por quê? Porque ela evoluiu de uma grande importadora de armas para ser uma exportadora global autossuficiente com produção nacional ultrapassando 80%

ancorada em plataformas de drones, como a gente falou no último programa, dos drones Bayraktar e o caça de quinta geração Kaan e uma frota naval em expansão que está no programa Milgen. E esse acordo de defesa está sendo desconcluído de forma discreta esse mês agora e estão transformando a Ankara.

num grande fornecedor de longo prazo de políticas consolidadas de defesa. Aí você soma isso, o papel que a Turquia tem com o anfitriã que rolou agora na cúpula da OTAN em julho. E vai ser que é o cenário claro de uma mensagem do papel estratégico deles na defesa. Então, veja, o Erdogan...

chegará a essa reunião com uma vantagem, e agora em julho, que não possuía em janeiro. Ele é o Estado mais disposto na linha de frente da aliança. Ele virou um mediador indispensável, ele virou um candidato criível.

para a reintegração das estruturas industriais de defesa ocidental, das quais o Washington tinha feito de tudo para excluí-lo. Então, o que a gente está contando aqui é nem metade da história, porque a posição deles está se fortalecendo estruturalmente. Dia 2 de março.

Eu acompanho a bolsa em Istambul, ela caiu quase 7%, com os caras reagindo aos ataques entre Israel e Estados Unidos. Quando você vê historicamente, o Irã fornece 14% das importações de gás natural da Turquia. Tem uma dependência estrutural que as interrupções provocadas pela guerra vai levar a um aumento de preço.

Em meados de março, três mísseis iranianos foram direcionados à Turquia e foram imediatamente interceptados. Então, isso é uma lembrança para a Turquia também de que a exposição geográfica não pode ser ignorada, nem mesmo pelo OTAN, porque eles vão dizer, ó, eu que estou na frente aqui, compadre, eu sou o primeiro alvo de uma guerra com os caras.

Aí você pega os relatos de Washington, é mais perigoso ainda, porque os caras estão dizendo que estão se explorando parcerias com grupos kurdos iranianos, particularmente com o Partido para uma Vida Livre do Kurdistão, que é o Pijak, um braço do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão, que é o Petaká.

E esses caras atingem um ponto sensível do pensamento estratégico turco, porque na emissão de Ankara, uma zona autônoma, autônoma curda, no oeste do Irã, levaria a um aumento do poder curdo do Mediterrâneo até os Montes Agus, algo que a Turquia não vai tolerar, não vai aceitar. Então, o processo de paz frágil interno é...

não sobreviveria a esse movimento de fortalecimento curdo. E, veja, eles querem um processo de paz feito com o PKK, agora, inclusive, que teria um desarmamento para ser feito em 2025.

Essa paz acabaria. Para a Turquia, o Israel agrava o perigo. O Naftali Bener descreveu a Turquia, que é o ex-primeiro-ministro, como um novo Irã. Atenção, essa frase é pesadíssima. E alertou para essa ameaça turca emergente. Essa linguagem...

já é uma retórica que preocupa. Então, imagina, com o Iran subjugado, quem seria a próxima rivalidade regional? Ankara e Israel. Então, a Turquia entendeu o que era para estar forte. E hoje, ela é inequivocamente mais forte do que era em 27 de janeiro, antes da guerra. Só que os ganhos...

que Ankara ganhou, não são necessariamente controlados. Por quê? O Iãn foi aquecido, a mão está destruída. As eleições curdas ainda estão por ali. E a ordem pós-guerra...

pode levar medidas ou mediadores cada vez mais bergerantes. Então qual a tarefa do Erdogan que ele pensa na cúpula do OTAN? Ele quer consolidar as vantagens estruturais que ele tem, os laços de defesa com o Wolf, os corredores de trânsito do Iraque, o Cáucaso. Ele vai mediar com o Teheran, que não tem líder.

E aí vai começar a garantir um posicionamento estratégico militar diplomático cada vez maior para tentar reduzir essas fragilidades que batem na fronteira com a Turquia. Tanto que essa foi a posição diplomática dele.

Eu me oponho a essa guerra, mas me recuso a lutar nela. E trabalha para ser evitada. Só que uma realidade é que ele sai cada vez mais forte desse processo. Então, o que nós estamos vendo nesse momento de rejeição de cada país? Nós não perdemos a visão total de que existe uma tecnocracia europeia que domina a Europa ainda.

Os globalistas, o setor financeiro ainda querendo voltar com as políticas de queda de carbono para o restabelecimento de uma moeda global baseada em energia. Os domínios de áreas energéticas, que essa é uma grande guerra entre tecnocracias.

em interrompimentos tecnocráticos, e que no meio dela tem pessoas livres, homens livres, que estão lutando contra a tecnotracia, que eu chamo, sempre diz, que é um movimento cristão. E que esse movimento cristão é o movimento que dá a base da direita europeia, que é antiliberal. Isso que muitos liberais, ou doutrinados liberais no Brasil, não são capazes de compreender.

que é essa necessidade de se libertar e se opor ao rentismo e ao domínio dos bancos e voltar ao sistema produtivo, porque o sistema produtivo vai gerar emprego, poder de compra e ativos estratégicos para você se tornar um player relevante no mundo.

Esse é o momento. E o que nós vimos hoje são os ressexos disso. A União Europeia, entendendo que precisa enfraquecer a China, a nossa indústria de manufatura, redistribuir o seu déficit e aceita fazer isso com a Índia. Uma Índia desesperada para aumentar o seu poder de compra e gerar empregos para 15 milhões de pessoas que entram por ano.

E ao mesmo tempo, uma Turquia que sai cada vez mais forte, também olhando para a União Europeia, porque a União Europeia precisa negociar com ela, não que quer, mas precisa da defesa turca, precisa da energia turca, e está vendo o seu papel de intermediador global. O que a União Europeia vai fazer? Algo parecido, uma neutralidade ativa, uma autonomia estratégica, algo assim.

Então, esses movimentos estão mostrando a conexão direta entre os sistemas de energia e os sistemas de comércio. E como a captura desses sistemas energéticos influencia os sistemas de comércio e como defesa se tornou cada vez mais relevante.

O Brasil ia ter para esse caminho, gerando sim data centers, mas não para o TikTok, definitivamente não para o TikTok. Agora, para onde isso tudo vai, se vai dar certo ou não, a isso você já sabe, será assunto para o próximo, o próximo não, um dos nossos próximos de economia.

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