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Novos dados acerca da extinção do Neandertais

03 de maio de 20269min
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Foram analisados ossos e material genético em sítios arqueológicos na Bélgica, França, Sérvia e Alemanha.
Ricardo Miguel Godinho, paleoantropólogo da Universidade do Algarve participou na investigação

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Participantes neste episódio1
R

Ricardo Miguel Godinho

ConvidadoPaleoantropólogo
Assuntos4
  • Extinção NeandertalNovos dados genéticos e ósseos · Hipóteses de competição com Homo sapiens · Pressões climáticas · Transmissão de patógenos · Baixa diversidade genética e isolamento
  • Genoma NeandertalSequenciamento de genomas mitocondriais · Estrutura populacional e linhagens evolutivas · Refúgio climático no sudoeste de França
  • Interação Homo sapiens e NeandertaisCruzamento e descendência fértil · ADN Neandertal em humanos modernos · Origem do Homo sapiens em África
  • Diferenças MorfológicasCrânio e face · Corpo e adaptação ao frio · Comparação com Homo sapiens e Inuits
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Viva! Bem-vindos ao admirável mundo da ciência. Não são nossos ancestrais diretos, mas podemos chamar-lhes primos evolutivos. O homo neandertalensis, os neandertais, que viveram na Europa e em partes da Ásia e depois se extinguiram. Um mistério que os cientistas continuam a querer desvendar.

E, efetivamente, os neandertais desaparecem há cerca de 40 mil anos. Há um bocadinho de debate sobre as adaptações, mas vamos simplificar e dizer que há cerca de 40 mil anos. Os primeiros, os mais antigos, datam há pouco mais de 400 mil anos, portanto temos toda essa diacronia, todo esse espectro temporal de existência de neandertais. E, realmente, eles passaram esse tempo todo, há cerca de 40 mil anos, desaparecem.

E coloca-se a questão porquê. Ricardo Miguel Godinho, paleoantropólogo do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve, foi um dos investigadores de uma equipa internacional liderada por Cosimo Post, da Universidade Alemã de Tübingen.

Os resultados do trabalho feito em seis sítios arqueológicos, na Bélgica, França, Sérvia e Alemanha, revelam novas informações sobre o desaparecimento destas populações. Nós fomos à Alemanha observar os ossos preservados desses indivíduos neogertais, dessa felse rota 1, 2 e 3, e fizemos uma primeira observação macroscópica, olhámos para os ossos, selecionámos conjuntamente.

o osso que provavelmente seria mais indicado para a amostragem da ADN. Depois esses ossos foram todos digitalizados com microtomografia para se fazer uma cópia digital dos ossos, para que depois permita fazer análises digitais, morfológicas digitais, e também para localizar qual a melhor região do osso para fazer a amostragem. O trabalho de Ricardo Miguel Godinho foi feito num abrigo rochoso na Alemanha.

Aquilo que foi extraído no âmbito deste projeto foi do tal indivíduo Cessafelzo-Croton 1 e conjuntamente com esse indivíduo foram sequenciados mais outros 9, no total 10 9 genomas mitocondriais, aos quais se acrescem mais 49 que já tinham sido sequenciados previamente. Ao comparar a sequência genética destes indivíduos, conseguimos perceber a estrutura populacional em termos genéticos dos neandertais.

Este conjunto de indivíduos cobre desde há cerca de 120 mil anos até há cerca de 40 mil anos, aproximadamente. Portanto, ao compararmos a sequência genética, conseguimos perceber linhagens evolutivas dentro dos neandertais e parece haver uma coincidência entre mudanças climatéricas, contra a ação populacional nos neandertais.

à qual se segue uma reexpansão da população neandertal a partir de um refúgio climático no sud-oeste de França, ao mesmo tempo que desaparecem linhagens, portanto populações dentro dos neandertais, e outras se mantêm. E isso é muito interessante de verificar também, porque é claro no estudo que se mantêm linhagens evolutivas dentro dos neandertais.

que são mais antigas, não desapareceram todas as populações com as mudanças climatéricas, com a pressão climatérica. Houve algumas que se mantiveram e persistiram ao longo do tempo, houve outras que desapareceram e algumas das que se mantiveram depois expandem-se novamente e reocupam os espaços que entretanto tinham sido deixados. A investigação revelou diferenças morfológicas entre o Homo sapiens e os neandertais.

Encontramos diferenças no nosso crânio. Os neandertais tinham um crânio mais comprido, mais alongado, mais baixo, com cérebros muito grandes. Nós, os homo sapiens, temos um crânio mais globular, mais em forma de bola, mais arredondado. A nossa cara é mais pequena, é menos projetante, é menos robusta.

E isto só no crânio. Depois, os neandertais têm um corpo mais robusto, com músculos muito fortes, muito poderosos, e têm também diferenças na forma do corpo. E essa é uma das razões pela qual também se costuma dizer que os neandertais estão adaptados ao frio. É porque eles têm um corpo mais robusto e uns membros, umas extremidades.

mais pequenas. E pensa-se que isso tem a ver com a adaptação ao frio, porque isto promove a retenção do calor. E é curioso verificar que, é claro que existe variação morfológica nos nossos próprios corpos, os homo sapiens, e em populações que estão adaptadas ao frio, nos inuit, há aspectos comparáveis. Os inuits também têm um corpo proporcionalmente mais robusto e com membros mais...

mais curtos, exatamente por causa da adaptação ao frio. Apesar de terem desaparecido, nós integramos algumas instruções do seu ADN no nosso próprio código genético.

Os homo sapiens aparecem há cerca de 300 mil anos em África e depois migramos para fora da África, mais recentemente, não há 300 mil anos, mas mais recentemente. Atualmente, diz-se há 300 mil anos, aqui há uns anos dizia-se 200, antes dizia-se 180, tem vindo a mudar. Não sei se para a semana há alguma descoberta nova que mude desta data, mas neste momento é há cerca de 300 mil anos que os humanos anatomicamente modernos, a nossa espécie, homo sapiens,

Aparecem à África. Eventualmente saímos para fora da África e, nessa saída para fora da África, cruzamos espacialmente com os neandertais e cruzamos fisicamente. Os neandertais e humanos anatomicamente modernos, os neandertais e os homo sapiens, cruzam-se, acasalam e têm descendência fértil em vários momentos. Portanto, cruzamos-nos, interagimos e essa interação biológica resulta em ADN.

de neandertais presente em nós próprios, em humanos anatómicamente modernos, em almoçápeanos. Mas a busca de mais conhecimento acerca das causas do desaparecimento dos neandertais continua. Essa é uma grande questão para a qual existem várias hipóteses. Provavelmente não há um único...

motor, existem uma combinação de vários fatores que acabaram por desembocar no desaparecimento dos neandertais, mas um deles é, por exemplo, diz que pode ser a competição com os humanos anatomicamente modernos, porque é interessante constatar que existe uma coincidência temporal entre a expansão dos humanos anatomicamente modernos para a Eurásia e o desaparecimento dos neandertais pouco tempo depois. Portanto, uma das hipóteses que se colocava é que podia ter a ver com competição.

entre os neandertais e os humanos anatomicamente modernos. Outra hipótese que se coloca é depressões climáticas que podem ter desembocado no desaparecimento dos neandertais. Outra hipótese tem a ver com nessas interações que existem entre os humanos anatomicamente modernos e os neandertais.

e os neandertais, podia ser que nós carregássemos connosco doenças, agentes patogénicos para os quais os neandertais não estavam adaptados e isso pode ter resultado no seu desaparecimento ou contribuído para o seu desaparecimento. Portanto, existem vários fatores. Provavelmente é uma combinação de múltiplos, não apenas um. Além destes dados, também se aponta o isolamento dos grupos neandertais como uma causa do seu declínio.

A baixa diversidade genética tem vindo a ser sugerida como um dos fatores que também contribuiu para o desaparecimento dos neandertais. O facto de eles estarem em grupos pequenos, limitado contacto entre grupos também, que promovia uma baixa diversidade genética, exatamente por isso, e que inclusivamente entre si. Portanto, os grupos eram pequenos, contactavam pouco entre grupos.

Existem evidências que eles aquelizelavam dentro do seu próprio grupo. Portanto, isto criava baixa diversidade genética e que terá contribuído também para uma pressão demográfica que, por sua vez, contribui também para o seu desaparecimento. E os dados que são revelados por estas sequenciações genéticas são fundamentais para percebermos isto, porque têm vindo a revelar um quadro muito mais complexo.

acerca da história evolutiva dos neandertais e dos humanos e da nossa linhagem evolutiva na generalidade, muito mais complexa do que aquilo que se pensava há uns anos de lá. São informações absolutamente preciosas, conclui Ricardo Miguel Godinho.

Este estudo foi recentemente publicado na revista PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences, a revista interdisciplinar mais citada mundialmente. Mais uma história do admirável mundo da ciência, com cuidados técnicos de Leó Matos e edição de Ana Paula Ferreira. Fique bem e aproveite os dias.

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