A pressão de ter um estilo está te destruindo | com João Bragato - SALA 1604
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A Sala 1604 é um podcast sobre arte, processo criativo e carreira artística. Neste episódio, a Gabriela conversa com João Bragatto, que construiu um estilo inconfundível (e que mostra, na prática, o que significa desenvolver uma linguagem própria ao longo do tempo).
Tópicos importantes dessa conversa:
• Como o estilo de um artista se forma (e por que ele não é algo que você força)
• A diferença entre desenhar bem e ter uma linguagem própria
• A relação entre prática constante e construção de identidade
• O impacto das referências, vivências e escolhas no seu trabalho
• A pressão de encontrar um estilo e por que isso pode atrapalhar
• O papel do longo prazo na construção de uma carreira consistente
• Como projetos pessoais ajudam a desenvolver um olhar único
• A evolução do trabalho ao longo dos anos (do estudo ao mercado internacional)
Participam deste episódio
GABRIELA ANTONIA ROSA:
https://www.instagram.com/gabrielantoniarosa
JOÃO BRAGATO:
https://www.instagram.com/bragatoart/
https://www.artstation.com/bragato
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Créditos
Produção: Thais Peixe
Roteiro: Gabriela Antonia Rosa e Thais Peixe
Estúdio: Produtora OGS
Designer: Eric Matheus
Motion: Rodolpho Rodrigues
Editor: @abiscoitado
- Carreira e mercado de arte digitalPrimeiros trabalhos e estágio em diagramação · Trabalho com livros infantis e fantasia · Transição para concept art e jogos · Trabalho na Epic Games (Fortnite) · Diferença entre arte de trabalho e arte pessoal · Impacto do mercado e inteligência artificial
- Inspirações ArtísticasDiferença entre desenhar bem e ter linguagem própria · Pressão por encontrar um estilo · Influência de vivências e escolhas no trabalho · Evolução do trabalho ao longo dos anos · Estilo como reflexo do trabalho com carinho e atenção
- Processo criativo e autoconhecimentoA importância de não se prender a um estilo · Aceitar mudanças e fases na carreira · Lidar com a dificuldade e o sofrimento no ato criativo · A relação entre trabalho pessoal e profissional · A influência de eventos pessoais (nascimento do filho) na arte
- Projetos pessoais com IAProjeto 'Solitude' e exploração da solidão · World building e criação de universos · Influência de sonhos e arquétipos ancestrais · Dualidades em obras (luz/sombra, felicidade/tristeza) · Projetos pessoais como forma de expressão e autoconhecimento
- Arte tradicional vs. digitalExperiência com pintura a óleo e acrílica · Desafios da pintura tradicional (tempo de secagem, sujeira) · Aprendizado com Gil Ribeiro em Londrina · Complementaridade entre mídias · Dificuldades do Ctrl+Z na arte tradicional
- Inteligência Artificial na arteDesejo de que a IA não existisse · Impacto da IA no mercado de trabalho artístico
Inteligência artificial, deleto, eu queria que não existisse. Em que momento ter um estilo virou uma questão pra você? Passa um mês fazendo um desenho, não dá certo e muda de novo. Também tem como se expressar com coisinhas pequenas. Sustentado em casa até os 35. Exatamente, exatamente. Mas isso é o que eu faço, mas não quero mais.
Olá, artistas do Brasil! Eu sou a Gabriela Antônia Rosa, host da Sala 1604 e uma das líderes de produção de conteúdo da Escola Revolution. Hoje, aqui na nossa salinha, a gente vai falar sobre um tema que todo artista se interessa, que é como construir um estilo que, além de bonito, é consistente e inconfundível. Uma coisa, a gente sabe, é desenhar bem, pintar bem. Outra coisa é ter um tipo de arte que você bate o olho e as pessoas sabem que foi você que fez.
O artista que está aqui no estúdio com a gente hoje é um desses casos. Ele já trabalhou em estúdios como a Compulsion Games, a Blizzard, a Epic, Wizard of the Coast. Gabaritinho completo. E ele tem mais de 10 anos de experiência com arte digital. Pra gato, seja muito bem-vindo à sala 16.04. Obrigado, treininho, pessoal, que está assistindo.
Pra mim é muito estranho falar que você tem mais de 10 anos de experiência, porque você sempre vai ser uma criança, dos meus olhos. Mas feliz que você veio aqui, primeira vez que você tá conversando comigo na sala 1604. Primeira vez, primeira vez. Então... Tô um tempinho fora da internet, aí legal estrear o ano com... Estrear o ano, tamo em abril. Então, é que muita coisa aconteceu aí na minha vida e tal. Perdeu a noção do tempo. Perdi a noção do tempo, sim.
Falando noção do tempo, então, já vou puxar a minha primeira pergunta. Como é que foi que você começou na arte, assim? Tem algum artista na tua família? Tem alguém que te inspirou? É, como a gente tava conversando aqui um pouquinho antes, assim, eu acho que eu fui o primeiro artista da família, mas tem uma pessoa misteriosa na minha família, um parente bem distante que...
Fazia arte, mas como minha família era bem mais conservadora, nunca deu muito certo a relação com essa pessoa. Ela morava na rua, eu voltava pra casa. Bem misterioso esse artista da minha família. Então, acho que eu sou o primeiro. Mas uma pessoa que me inspirou bastante no começo foi o meu irmão, mais velho.
Queria ser tão legal quanto ele, assim, né? Pintando, tipo, desenhando os cartoons que a gente assistia, né? Digimon, Spiderman, Mundo Canibal, várias coisas da internet ali dos anos 2000.
Eu ficava bastante tempo sozinho com ele no escritório que minha mãe trabalhava, assim. E aí, como minha mãe trabalhava até tarde ali, a gente ficava imprimindo desenho e copiando. Imprimindo desenho e copiando. E aí meio que virou um hábito, assim, sempre ter um momentinho de desenhar, de pensar em fantasia, de historinhas e tal. Que eu acho que muita coisa assim me ajudou e me ajuda até hoje.
Bom, você falou que você é o primeiro artista da família e termou o teu irmão mais velho, então ele abandonou o desenho em algum momento. Ele é médico agora. Ele desenha corpos. É, ele só... Só faz coisa com veia ali, marizes e tal.
E ele só... Acho que ele faz algumas coisinhas por hobby mesmo, por enquanto, assim. Mas não, ele foi totalmente para outro caminho. E eu continuei desenhando desde muito cedinho, assim. Não me lembro quando eu não desenhava. Essa é a primeira vez que eu te vejo sem um sketchbook.
Então, eu tô tentando melhorar essa parte minha, assim, de aproveitar os momentos que eu não preciso desenhar, não preciso desenhar mesmo. Só conversar e tal. Porque é um hábito bem forte, assim, que me ajudou muito a estudar bastante, assim, a pegar a prática. Mas é, desde criança fazendo trabalhos de arte das pessoas, de graça.
Na escola. É isso aí, construindo portfólio. Tendo bastante reforço positivo por causa disso. E aí, tipo, não, beleza, vamos continuar desenhando então. E aí aconteceu de virar profissão. Aconteceu. Como é que foi esse momento de você descobrir que isso podia ser profissão? 2014, 2013, ainda tava meio iludido que eu ia ser mangaka. Trabalhar com quadrinhos, eu acho, assim, que era ser desenhista, né?
Aí, 2015, eu tava no ensino médio, e eu já fazia o curso do Mike. Então, já começou direto. Sim. Aí eu tava acabando o ensino médio no terceirão, e aí, à noite, eu fazia o curso do Mike, e lá que eu...
Fui aprendendo um pouco sobre o mercado. Mas um pouquinho antes, assim, eu já tinha ido no Photoshop Conferência. Mas é coisa bem... Mas você já tava, tipo... Bem uns pouquinhos, assim. Meio que na direção certa, assim, né? Você não tava perdido ainda em curso de pintura aleatório. Tipo, você já foi estudar com o Mike pra vocês aí que não sabem. Vai que, né? Jovens de hoje em dia não conhecem o Mike Azevedo. Um dos nossos maiores artistas.
Sim, precursor ali dos ensinos, né, de arte de fundamentos, né. Eu queria fazer design gráfico, eu acho, assim, porque eu via que era o único jeito de trabalhar com desenho era trabalhando numa... era de uma cidade pequena, né.
Paranavaí, Paraná, bem do interior. Aí tinha só estúdio de gráficas. Cheguei a trabalhar em estúdios de gráficas, aí... Pô, fazer design mesmo, então. Aí vim pra Curitiba, fiz design um pouquinho ali em 2016, mas aí eu já saí da faculdade e fui direto pra cursos mesmo.
É, como você começando pelo Mike, já faz sentido. Agora toda a trajetória fez mais sentido na minha cabeça também. É, desde cedinho. Porque você já tava... Acho que muita gente começa pensando só na técnica, né? Em conseguir a técnica e a desenvolver hard skills, assim. Mas você já começando com alguém que tá tão imerso no mercado, já não faltou esse direcionamento, né? Às vezes a galera fica muito perdida de pra onde eu vou, o que eu faço, como eu construo o portfólio e tal. E você já chegou mais focado.
É, hoje em dia eu acho que tem um imediatismo maior, assim, né? Uma pressa pra achar trabalho e tal. Sim, ansiedade em tudo mais na vida, eu acho. É, hoje tá mais aceleradão, assim. Até eu também, estando trabalhando, tem algumas coisas que estão mais aceleradas do que antes.
Acho que é a configuração do mundo em geral, que influencia na arte também, na nossa vida. No curso do Mike, ele priorizava bastante aprender a ter uma relação legal com o longo prazo. Tudo que for vir de trabalho não vai ser amanhã, não vai ser no mês que vem ou no ano que vem. Vai ser... upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward upward
É uma carreira longa, né? Então, falava bastante, tipo, 3 anos, 5 anos, 10 anos. Aí agora faz sentido, já passou 10 anos, né? Tô trabalhando na indústria, assim, bem perto, né?
Mas isso que era uma coisa legal, você falou de técnica, técnica é importante, mas aí essa coisa de tornar natural a prática de desenho, porque você vai fazer isso na sua vida inteira, se for mesmo o objetivo que você quer, né? Então, acho que isso... Dá pra dizer que eu aprendi bastante lá, nesse primeiro curso técnico, né?
Tanto é que no Brasil não tem muitos... Tipo, a gente tem que achar um jeito de achar algum curso, né? Tipo, começar de algum lugar. É tudo meio improvisado, eu acho, né? Sim. Tipo, tem várias escolas, vários cursos, YouTube. Nem várias, mas tem algumas. Algumas, né? Tipo assim, fala 10 cursos de fundamentos bons pra você começar. Não sei se tem 10. Tem dois, tem dois. E aí, é, dei muita sorte que também minha família me apoiou bastante.
Não foi uma questão pra você, então? Não, não. Eles apoiaram bastante. Meu pai comprou a mesa digitalizadora. Tinha um notebook lá. Então, esse caminho já tava andado ali. Que já foi um bom start, né? Quando que você começou a trabalhar? Qual que foi o seu primeiro trabalho que chegou assim? Tipo, pô, agora eu vou ganhar um dinheiro. Primeiro, primeiro, primeiro? Primeiro, primeiro, primeiro. Eu tava no terceiro ano do ensino médio.
Ainda? Caraca, você é muito precoce na vida, gente. Falando de ansiedade. Conversar com o Bragato me dá ansiedade.
E aí tinha uma amiga da minha mãe, era professora, e ela tava lançando um livro infantil de um peixinho e tal. Ela precisava de um ilustrador e de um diagramador. E aí a empresa de diagramação que ia fazer o livrinho entrou em contato comigo, né? Fez essa ponte. Aí eu comecei um estágio lá nessa empresa.
Aí eu estudava de manhã, ia pra essa empresa tarde. Era só eu numa portinha, assim, né? Num estúdio pequenininho. Entendia telefone também. Telefone, quem que usa telefone? Eu não respondia WhatsApp, era telefone. Nem faz tanto tempo, assim. Porque lá é mais atrasado, né? Tem um delay. Tem. Aprendi a mexer no Photoshop com esse trabalho. Acho que foi 650 reais que eu ganhei.
Primeiro estágio tá nessa faixa aqui. A média da galera é 400, no máximo 700. Então. Aí eu já fiquei hypadíssimo, assim. Tipo, caramba, muito dinheiro e tal. E aí deu certo, assim. Eu fui aprendendo Photoshop enquanto eu fazia...
A de gramação e trabalhei nesse livro. Aí, no mesmo ano, eu tava fazendo aquele desafio de fazer um desenho por dia. E aí, às vezes, vinha algumas coisas na página do Facebook, assim, né? Tipo, ah, coisa de camiseta. Aí eu fazia outro livro. Aí eu fazia, mas era sempre uns clientes... Tipo, pessoas mesmo, assim. Professores. Eu fiz um trabalho pra um bombeiro que tava desenhando um livro de fantasia.
Um bombeiro que desenhou um livro de fantasia. É, eu fiz mais de 40 ilustrações pra essa pessoa. Ele me pagava mil reais por mês. E aí eu ia fazendo ilustração, capa e tal. Foi bem legal. De novo, essa coisa da prática mesmo, a gente vai fazendo um monte de imagem.
Agora, o primeiro trabalho mais... Dentro do que você queria? Dentro de concept? Dentro do que eu queria. Deixa eu pensar. Teve um... Teve trabalho de... Vários board games durante 2017. Que daí era um pouquinho mais pra uma empresa, assim. Mais sério o negócio. Tinha que me de nota. Teve aqui no banco. É. Pro começo ali de 2018, teve um trabalho pra um concept de brinquedo. É... Que era uma criatura, assim. Que ia virar um brinquedo e tal.
Aí eu fiz, gostei muito do... E já era pra fora também, pra fora do Brasil. É, aí foi legal. É esse momento que a gente vai pros nossos pais e fala tá vendo? Sim, é, deu um pay-off. Eu acho que eles já confiaram em mim, assim, porque deu pra ver que eu tava querendo trabalhar já. Você tava trabalhando desde o terceirão, né? É, eu não sei porquê, mas eu tinha essa coisa de... Eu não gostava muito de ser tipo, jovem, assim, e só... Oh...
Eu queria trabalhar cedo, assim, por algum motivo. Talvez seja coisa de família mesmo, assim. Talvez seja por isso que quando eu decidi abandonar a faculdade, toda essa coisa, eles confiaram que eu não ia virar um... Vagabundo. Vagabundo, exatamente. Sustentado em casa até os 35.
Exatamente, exatamente. Aí foi bem rápido que aconteceu as coisas. Em 2017, continuei estudando todos os dias. Acordava, pegava um café com leite, ia pro quarto.
minha mesa de desenho era no quarto, né? Aí desenhava lá até o infinito, pausava pro almoço, pausava pra comer alguma coisa à noite e repetia. Aí tinha trabalho, fazia o trabalho e estudava junto. Minha meta era fazer uma ilustração por mês, mais estudos.
sem contar trabalho. Trabalho era uma coisa que ia vindo. Caramba, a energia do jovem, né? É, então, hoje eu não consigo mais fazer isso. Não dá mais, né? Não dá. Não, nem vai dar de pera nem tentar nessa turma. Não, é impossível. Perigoso. Então, é, foi bastante assortudo nessa parte de ter todo esse apoio.
E aí, no meio de 2018, o Fortnite tava começando a ser uma coisa grande. E eles precisavam de artistas, né? A Epic. Pra fazer skins e tal. Eu entrei bem nessa fase, ou dia, assim, do Fortnite ali na... Trabalhando direto com a Epic. Eu lembro que era bem na Copa do Mundo. Ali em junho de 2018.
Meu pai assistindo o Jogo do Brasil na sala e eu desenhando uma skin de Fortnite no quarto. Não, agora não dá pra ir não. Foi gol? Ah, não perdeu. Aí eu parava de desenhar, ia lá, olhava, voltava. Aí passou de junho de 2018 até o final. Aí eu fiquei trabalhando só nessa empresa, porque daí já ganhava muito bem. Eu não tinha muitas despesas, porque eu morava na casa dos meus pais. Deu pra juntar um dinheiro, assim. E aí eu...
Eu fui morar sozinho, né? Tipo, em 2019. 19 anos. É. Tipo isso. Caraca, velho. Realmente. Meio rápido, né? Não dá. É porque é foda. Sabe que eu vou fazer aqui um parênteses, mas assim, tem muitas pessoas que vêm pra gente que se comparam contigo.
Sério? É, daí eu fico, não, mas com certeza ele também teve as questões dele, mas aí é difícil, né? Pô, com 19 anos você já tava morando sozinho, já tava trabalhando pra fora, realmente. Trajetória, é, é tipo uma questão assim, ah, não, mas o Bragato quando tinha a minha idade, daí eu fico tipo, é, realmente, o Bragato quando tinha a sua idade já tava em outro lugar. Menos idade, assim? É, tipo assim, 17. A galera fala, com 19 anos eu tava com menos teto.
É, com meio que tipo 15, tá pensando em chegar no mesmo lugar que você chegou com 19. Ah, tá. Não, é muito cedo, eu acho.
Então... É... Então... Mas mesmo com 19, sabe? Ainda muito jovem. Sim, sim. Então, realmente foi acelerado, assim, por vários fatores. Mas é o que você falou, né? Você ficou meio... Como que era a tua vida social nessa época? Existia? Existia um pouco, assim, a noite eu saía, já namorava. Caraca, eu namorava... Não, vou embora. Não sei como você conseguiu, ele é especial.
Sim, eu não morava, mas aí quando eu ia pra casa da Amanda, né? Já era Amanda? Era Amanda. Meu Deus, cara. Faz tempo que vocês estão juntos. Aí eu ia pra casa dela, levava meu note com a minha mesa.
Ela estudando e eu desenhando. Ah, é verdade, porque ela queria fazer medicina. Sim. Ah, isso ajudou também, então, vocês dois terem uma coisa, tipo, meu, a gente vai precisar se esforçar muito pra conseguir fazer o que a gente quer. Sim, era bem... Muito foco, assim. Ela ajudava em casa de manhã, assim, até a tarde. E eu lembro que eu ia pra casa dela mais ou menos à noite, assim. Eu ia embora meio... Uma meia-noite. Aí ela ficava estudando de madrugada. Porque...
A situação não era tão boa lá na casa dela e tal. E ela precisava cuidar da casa também. E aí ela estudava pra medicina durante a noite, que é bem crazy. Bem puxado. E por conta própria, né?
E eu ia pra casa, eu não fazia muito essa coisa de ficar acordado à noite, porque eu gostava de acordar de manhãzinha e desenhar. Então tinha um pouco da vida social, porque meus amigos da escola são dessa cidade, né? Mas eu era bem bitolado por algum motivo, assim. Tava muito no foco pra conseguir... Eu tava pensando que eu tava me profissionalizando ali, né? Você tava? É, eu não fui na faculdade, então meio que eu tenho que...
Talvez por isso, talvez tivesse um certo peso de não ter feito faculdade, daí ser lá seus amigos fazendo faculdade. Sim. Aí eu tinha que meio que ser autodidata e fazer as coisas por conta própria ali. Mas teve vários momentos, tipo, tensos assim de... Ah, fica seis meses fazendo uma coisa, mas não dá certo, aí muda. Passa um mês fazendo um desenho, não dá certo e muda de novo.
Crise de estilo de coisa. E procurar trabalho e ninguém responder. Tipo, é que eu não falei das coisas, mas eu mandei e-mail pra todos os estúdios de animação. Eu queria trabalhar com animação na época. Todos onde? Todos os Paraná, todos os do Brasil? Todos do Brasil.
Mandei pra todos. 2016, 2017, ali mais ou menos. Aí ninguém me respondeu. Eu falei, ah, desisto. Desisto de animação. Já tentei, essa foi a minha chance. Desisto, vou pra... O que que eu posso fazer agora? Ah, jogos. Não tinha pensado em trabalhar com jogos. Tentei fazer coisas de card game. Eu fui trabalhar com Magic só ano passado.
Tipo, eu não consegui trabalhar com Magic. Não foi tão rápido assim. Eu queria trabalhar com Magic, com card game. Eu admirava muito e aprendia com aquelas artes. Tinha canais no YouTube e tal, que eu gostava de ver e aprender a pintar, olhando. Teve outros card games que veio, mas...
Tava mais em alta naquela época card game também, então... Ah, mas agora tá voltando, né? Tá voltando o movimento, assim. Eu tô vendo galera do Magic, galera do Pokémon, assim. Desde o ano passado. Tem uns Disney, uns Marvel, uns negócios assim, tem... Que não tinha antes, agora tem esses diferentes. E aí eu consegui alguns trabalhos parecidos, assim. Aí aos poucos eu fui transicionando pra Concept, de 2018, ali. Quando eu comecei a trabalhar pro Fortnite.
E até trabalhando pra Epic, eu acho que a minha posição era Junior Concept Arts, assim, pra midi. E aí, eu tava aprendendo as coisas lá também. Tipo, aprendendo a pipeline do jogo. Eles me mandavam coisas que não tinha tanto risco de eu fazer errado.
Tipo, faz uma pintover aqui nesse personagem, transforma ele com tema de gelo. Ah, tema de Natal. Aí, aos poucos, conforme eu fui melhorando, dentro da própria empresa eu fui crescendo. E aí eles foram tendo mais confiança para me deixar fazer as minhas coisas também. Que massa. É difícil conseguir isso.
Então, naquele momento ali inicial, era bem de profissionalização mesmo. E aprendizado, apesar de eu estar numa empresa já. Eu tava num cargo que era menor, assim, sabe? Nessa época que você queria trabalhar com animação, seu estilo parecia alguma coisa com que a gente conhece você hoje? Nada a ver.
Acho que nada a ver, eu tava olhando os trabalhos ali do Pascal Campion, do Goro Fujita. Outro rolê. Outra coisa, assim, fazendo, olhando o artbook da Disney. Aí eu mudei, né? E aí eu mudei realmente, assim, eu falei, pô, eu vou aprender a pintar coisa realista, mais dark, assim. Eu também gosto de uns... Jogava Dark Souls, jogava alguns jogos Dark Fantasy, assim, que eu gostava bastante.
E aí eu mudei de propósito.
O estilo, assim, pra aprender aquilo, aprender aquele tipo de pintura. Mas era bem diferente. Mas foi intencional, então você realmente shiftou. Em que momento ter um estilo virou uma questão pra você? É engraçado falar de estilo porque quando você pensa em estilo, ele meio que escapa entre os dedos, assim, né? Tipo, sempre foi uma questão que vem na cabeça, mas também é estilo pelo quê, né? Pelo ego de ter uma arte...
diferenciada, ou é o estilo porque a empresa precisa, né, o mercado de trabalho precisa, ou um acidente também, de tipo, ah, suas vivências e seu jeito de desenhar vai sempre aparecer, com uma impressão digital, assim, não tem como você fugir daquilo.
E quanto mais o tempo passa, mais vai ficar aparente que foi você que fez, né? Porque você ganha experiência com o seu trabalho ali. Você vai obtendo gostos pessoais e tal. Preferências estéticas também. O reflexo do meu melhor trabalho é um pouco o meu estilo também. Então, um trabalho que eu faço...
Com carinho, com atenção, sem copiar coisas de um jeito sem pensar, assim, meio mindless. Tipo, só movimentar o braço sem pensar. Então, evitar bastante isso. E também tem muito a ver com você tentar se encaixar num...
Numa especialidade, eu acho, o estilo também. Eu acho que pouco a gente fala disso. Tipo, você como artista de concept, dá pra ver quando a pessoa tem mais propensão a resolver problemas de animação, por exemplo. Aí animação 3D, 2D, jogos mais super realistas, assim, militar e tal, photobashing, hard surf, seja aí outra coisa. Ainda concept art, né, nesses polos. Aí também tem uma área ali, talvez no meio, que seja você poder se adaptar tanto pra um lado quanto pro outro.
Mas mantendo algo mais semirrealista, assim. No caso, eu me especializei mais em fantasy do que coisas de sci-fi. Mas aí também é uma desculpa pra você aprender o processo de concept, que é você fazer uma pesquisa do que você precisa resolver visualmente com uma ideia ali. E aí eu só peguei o tema que eu mais gostava.
que é Dark Fantasy e tal. Aí, pegando esse tema, eu melhorei o meu desenho em cima dele. Mas eu também poderia me adaptar pra outras coisas também próximas desse tema. Então, eu peguei, por exemplo, pensando agora, assim, eu quero continuar trabalhando com jogos de produção AAA, que são esses jogos de orçamento alto, assim, tipo, jogos que vão sair ali pra Playstation, pra Xbox e tal.
Então, eu quero aprender essa técnica e ser útil nessa indústria. Então, eu vejo... Tipo, eu quero continuar trabalhando. Eu quero ter mais títulos que eu fiz. Uhum.
Então, consequentemente, eu fui atrás de artistas que estão nessa área, né? Meus amigos mais próximos é o Vitor Quaresma, o Ian, o Mike, o Hugo Richard também, que tá trabalhando, ele é o diretor de arte de personagem do Outlast, que é um jogo de terror bem famoso, assim. Então, me cerquei dessas pessoas. Consequentemente, eles já eram meus amigos, né? Sim.
E acho que eles me influenciaram muito também, assim, ver o Quaresma desenhando a figura humana tão bem.
Tipo, antes do Quaresma, também o Rael fazendo coisas já há muito tempo, assim, antes de eu pensar a ser artista de concept, já tinha ele ali como referência também. Então, eu me deixei influenciar por vários autores também, tipo, Tolkien, Kentaro Miura, do Berserk, Miyazaki, tanto da Ghibli quanto da From Software. Me cerquei dessas coisas bonitas e coisas que me inspiram, assim.
E outras coisas também, livros, é que falando de estilo, tem muito a ver com você conseguir imprimir.
suas vivências ali no seu trabalho, né? Suas preferências. Então, eu tô falando do meu... O que que tá em volta de mim, assim. E porque eu não sei direito o que que é o meu estilo, né? Eu não consigo ver ele visualmente, assim. Sim, e listar quais são as características que compõem o estilo João Bragato. Exato. E se eu tento replicar, tipo assim, ah, pegar essa arte aqui e fazer algo parecido. Nunca vai ficar tão legal quanto essa, porque essa aqui teve uma influência específica. Aquela ali também.
Eu prefiro, acho, fazer uma coisa do zero, assim. Ah, desde o comecinho da concepção, assim, da ideia da arte, não começar com tentar me replicar. Porque sempre vai ser um problema, assim, de eu fazer uma versão resumida.
De uma preconcepção, assim, ou uma ideia difusa que eu tenho sobre o que aquela arte representa, sabe? Para as outras pessoas. Então, meio que eu uso... Tem que desligar. É, eu fico fazendo uma labrisa mental, né? O que aquela arte significa para a pessoa. Daí, a opinião da pessoa eu pego e vou fazer a minha arte do presente agora. Nada a ver. Eu já caí muito nisso. Não vai dar. Não vai dar.
É, e às vezes as coisas têm menos significado do que a gente acha que tem, né? Tipo, uma vez eu tava conversando com o Pequê e perguntei pra ele por que ele sempre colocava pássaros nas ilustrações. E ele falou que eu gosto. Bonito.
Tem um shape legal, tipo, você sabe. Fazemos fazer o nele mesmo. Exatamente, é legal, é massa. Eu gosto de desenhar passarinhos. É isso. Tem muito disso também. É divertido. Mas é que as suas artes me dão uma coisa, assim... Tipo, tem umas dualidades muito fortes, às vezes, assim. De luz e sombra, de, sei lá, felicidade e tristeza. Não sei, tem uma melancolia, alguma coisa que me joga pra um lugar.
Não é nem antigo, acho que é tipo ancestral, assim. Fico tirando uma brisa. Fico tirando uma brisa, assim. Fico olhando e, tipo, vai me trazendo quase como se fosse memórias, assim. Mas é uma coisa muito louca. Do seu trabalho pessoal, o que você tá pensando quando você tá pintando? O que você quer passar?
Acho que eu tenho alguns períodos de projetos pessoais na minha vida, assim, que eu passei. Em 2019, eu fiz trabalho pessoal que chama Solitude. Então, eu tava aprendendo a ficar sozinho. A gente coloca na tela depois, então a galera vai ver. Pode ser. Que é um trabalho de world building sozinho, assim, né? Tipo, fazer o desenvolvimento dos personagens, desenhava mapas.
Desenhava facções, raças, escrevia. Estava imaginando como se eu fosse um autor mesmo de um mundo que já existia e eu só precisava sentar na cadeira e fazer ele. Então, quanto mais tempo eu decidia de tipo, agora é o momento de fazer solitude. Eu ia lá e desenhava coisas sobre esse mundo. Você já ia para esse universo mentalmente. E engraçado que quando eu era criança...
Eu sempre desenhava coisas de algum mundo, né? Tipo, o que me motivava a desenhar... Isso é uma coisa que eu pensei recentemente, até assim, se teve alguma influência no momento, né? Mas sempre que eu... Tipo, eu já desenhava HQs, assim, pegava folha sulfite, dobrava as folhas sulfite, grampeava e fazia histórias ali.
daquele mundo que eu ficava me imaginando, né? Aí, em 2019, eu fiz esse projeto. Ele durou... Ele tá durando um pouco até hoje, assim. Tem um livro aí, talvez, sendo feito. Mas é um processo mais lento, bem devagar. Enquanto eu tava fazendo esse projeto, ele tinha muito a ver com...
Minha relação com solidão, minha relação com solitude, né? Que é você querer ficar sozinho de propósito pra aprender mais sobre você mesmo. Então eu pegava o meu caderno, ia pra uma cafeteria, botava uma musiquinha ali, ficava desenhando e criando um personagem que tava na minha cabeça. Teve vários experimentos, assim, de acordar de madrugada pra desenhar e ver o que que seria.
Que engraçado isso, porque uma das palavras que eu coloquei para descrever tuas artes é que parece um sonho às vezes.
É uma coisa meio etérea. Eu gosto, gosto muito. Então, se eu falar que acordar de madrugada, para ver o que saía, faz todo sentido. Eu faço algumas imagens baseadas em sonhos também. Eu gosto muito dessa coisa de... Tipo, falo com sonhos, com a minha terapeuta também, né? Análise de sonhos. Falo de uma coisa ancestral, né? Tem essas imagens de arquétipos, né? Imagens de significados base do ser humano, assim.
Que eu gosto de pegar e trabalhar com, né? Tipo, sol, lua, nascimento, morte. A sol e a luz tem várias, né? Nossa, eu já fiz muitos... Trabalhei bastante com esse tipo de simbolismo, assim. Por isso que é difícil falar sobre o significado do meu trabalho.
Qual que era a pergunta mesmo? Eu perguntei no que você tá pensando. É, o que eu tava pensando. Então, era um momento presente. É muito forte, né? Então, eu tô falando, né? Nesse começo, era sobre esse projeto de fantasia, né? Depois virou uma coisa mais pessoal, assim, né? Tipo...
Me abri mais para outros temas, fazia bastante modelo vivo, mais ali para 2023, 2022. Então, meio que eu abri mais para uma coisa real também. Fui pesquisar mais sobre o próprio trabalho que eu fazia com Solitude. Na verdade, já tinha coisas parecidas em livros de alquimia. Caramba, não acredito. Parece que eu que escrevi esse negócio aqui.
Aí eu abandonei um pouquinho a Solitude e fui mais pra base, assim, do que era aquilo que eu tava tentando representar, né? Aí eu comecei a fazer outros projetos de outros mundos, assim, acho que é bastante por gostar bastante dessa pesquisa pessoal e como que é o trabalho que você faria se você pudesse exercer seu potencial sem limitações e sem pensar muito na indústria de jogos.
Tipo, eu não faço uma coisa tão... Que não é compatível com a indústria de jogos, né? Tipo, ainda é um dos personagens de fantasia, assim. Ainda é uma coisa que dá pra apresentar como um mundo de um jogo. Mas não é de propósito, assim. O mais importante no trabalho pessoal, pra mim, é falar de alguma coisa pessoal, né? Tipo, no período ali que eu tava... Que meu filho nasceu, ou pré, assim, também.
Tem algumas imagens que eu fiz que têm a ver com nascimento, com morte também, né? Porque o meu eu antigo... Porque são as dualidades. É, o meu eu antigo morre a partir desse momento, porque, tipo, a partir desse momento não tem como voltar, né? Agora eu sou pai, aí tem outras responsabilidades, o cérebro muda...
Tipo, dá pra sentir mudando mesmo, assim. Tipo assim, ia se movendo. Uhum, é bizarro. O que você se preocupava antes, você não consegue acessar mais depois. E aí eu deixar isso aparecer no trabalho, eu acho bem legal. Aquele personagem vermelho ali é como se eu tivesse sem cabeça, né? Esse bicho decepou a cabeça, assim, daquele ser humano ali, né? E também as cores também significam alguma coisa.
E os pássaros também, tudo é meio de propósito. Aí, ó, os pássaros no seu tem sentido. Então, é porque é isso, acho que dá pra sentir que é uma coisa muito... E eu acho que daí é que vem o lance. Você tá falando, ah, eu não sei exatamente pontuar e tal. Mas eu acho que porque é um negócio tão pessoal e dá pra ver que é um bagulho muito pessoal, que a gente sabe que é seu. Sim. Tipo, só você poderia ter feito essa arte.
Isso é legal de saber. Massa. Acaba que eu não tenho mais tanto tempo pra entrar nesse meu mundo de fantasia. Uhum. Né? É, porque eu já vou usar muito da minha energia de criar personagens pro meu trabalho atual. E agora o tanque não tá cheio o tempo inteiro, como quando você era mais novo. Também tem isso. E aí, quando eu vou fazer alguma arte pessoal, eu tô fazendo uma coisa que eu não fazia antes, que é tipo, ah, fazer um desenho.
Sem pressão nenhuma, assim, né? Não precisa ser um projeto de world building, não precisa ter uma história por trás. Às vezes pode ser até uma coisa muito simples, é tipo um autorretrato meu também, que é tipo zero fantasia, tipo, eu tentando me desenhar. E mesmo assim, mesmo não tendo toda essa bagagem ancestral e coisas bizarras, assim, também tem como se expressar com coisinhas pequenas. Um momento presente, assim, de você estar meio atento para algumas coisas que estão te influenciando, assim.
E aí trazer uma coisa só pro trabalho que você já faz. Não precisa mudar tudo. Eu acho, né? Pelo menos essa é a minha filosofia, assim. Quando você senta pra fazer seus projetos pessoais, assim, ainda mais agora que você falou que você tem menos energia, você já vai com a decisão tomada do que você vai fazer?
Por que eu tô perguntando isso, né? Porque muitas pessoas falam assim, ah, quero desenhar, não sei o que desenhar. E você falou, ah, não, antes eu sempre tinha mais uma coisa de world building, pensar num mundo específico e desenvolver alguma coisa dentro daquele mundo, né? Então já é muito direcionado, assim, mesmo quando você ia fazer um projeto pessoal. Mas aí você falou que agora ultimamente não. Ultimamente não. Eu tento...
Eu tento não tornar um problema o fato de eu estar sentindo dificuldade com alguma coisa, porque acho que não...
Não é um problema comigo, é um problema com... O próprio ato criativo é muito difícil. Desenhar e pensar em ideias é difícil. Então meio que até... Por que eu tô falando isso assim? Porque você se desconecta um pouco do...
do seu trabalho, pra poder fazer as coisas de um jeito menos sofrido. Tipo, se você tá muito bitolado assim, ah, eu tenho muita dificuldade nisso, eu não consigo fazer isso. Acaba que vira uma coisa muito mais difícil do que precisava ser, né? Então, por que eu tô falando...
Dessa forma, assim, às vezes, se tá acontecendo essa parada de ser difícil, eu escrevo do lado, assim, tipo, ah, tô com dificuldade de me conectar com fantasia no momento. Vou me forçar e tentar fazer coisa de fantasia depois de já ter desenhado sete horas seguidas? Talvez não. Talvez não, talvez eu queira desenhar só.
Alguma coisa com lápis, assim, que eu não desenhei antes. Desenhar mãos, desenhar anatomia, desenhar alguma figura.
E aí, agora esses desenhos que eu tô fazendo, eles estão desconectados, assim, né? Eles estão mais soltos, assim, desse outro jeito que eu fazia antes, assim. Talvez volte quando mudar um pouco. Quando eu mudar um pouco a minha rotina, talvez volte. Porque sempre eu vou ficando com vontade também de voltar e fazer uma coisa mais elaborada e tal. Mas eu tô deixando...
passar um pouco esses períodos. Tipo, eu gosto de imaginar esses períodos dos artistas, né? Claro que, tipo... Fazer azul. É, exatamente. Fazer azul do Picasso, né? Eu gosto de imaginar que eu vou ter essas fases também. Claro que fica mais difícil de ver. Você, tipo, ver você mesmo, assim. Sim.
Mas se eu for... Eu perguntei pra alguns amigos, né? Se dava pra ver essas fases com o meu trabalho, né? Porque eu tenho muita dificuldade de ver se tem mesmo. E surgiram umas conversas interessantes sobre isso. Então eu tô tentando ficar mais aberto a outras formas de desenhar, outras formas de fazer arte, outras formas de...
De fazer o meu trabalho pessoal. Porque no fundo ele vai ser pessoal, né? Então, o que for vir no momento vai depender muito de como que eu tô, né? E aí deixar isso influenciar de propósito pode dar um resultado...
Único, assim, pro momento da arte ali. E não faz sentido você ficar se prendendo numa coisa também pra sempre, só porque você é reconhecido por aquele estilo, se aquilo não significa mais pra você o que significava antes, né? Eu tentei. Dá dor física, assim. Eu começo a desenhar dessa forma que você falou.
Dá uma dor física, dá uma tristeza, dá uma letargia, assim, insana. É, e bate uma crise de identidade também, né? Eu suponho. Exatamente. Eu conversei... Parece que não era pra você estar fazendo aquilo. Tipo, você fica, ai meu Deus, eu preciso sair daqui. É, né? É físico mesmo, né? E daí quando o corpo se renega, não tem muito o que fazer, né? Você não consegue obrigar. Se você tenta obrigar, aí transtornos mentais também começam a acontecer.
Eu conversei disso um pouco com a Gariba, porque ela mudou bastante de estilo, né? Porque ela tava fazendo o trabalho dela antes do que ela faz agora. E quando ela tava assim, transicionando, ela tava tipo, meu, não tô mais com vontade de desenhar Splash. Não quero mais. Aceita isso. Exato, mas isso é o que eu faço, mas não quero mais.
As pessoas amam e gostam muito. As pessoas adoram o trabalho que você faz agora. Por que você vai mudar? Sabe? Tipo, eu sei que rola uma pressão, assim, interna mesmo quanto a isso. Mas que bom que você tá deixando vir outras coisas. Porque realmente acho que pode levar a outros caminhos tão incríveis quanto, assim. Eu acho que sim. Tomara. Uma roda de oração. R$ 23,59. Vamos ver.
Eu tenho os períodos do artista desenhando na parede, assim, né? Ficando maluco. Vamos esperar que... Bom, seu filho vai desenhar na parede já, já. Então, assim... Às vezes você aproveita ali, né? Joga essa. Você até comentou ali, ah, tem certos mundos que eu construo que dá pra enxergar um jogo ali, né? Tem uma narração e tal. Uma narrativa, né? Já te pediram pra você controlar seu estilo, assim? Ou pra dar uma segurada que isso aí não está comercial. O tanto que a gente precisa.
Ah, tem muitos feedbacks, assim. Já fiz coisas com textura demais, e aí, às vezes, quando a gente vai mostrar pra outros diretores, às vezes, os diretores que a gente vai mostrar, eles não desenham, né? Então, acontecia, às vezes, deles ficarem muito presos a um detalhe, alguma coisa muito pequena no desenho, e não conseguir ver a proposta... Geral. Geral ali, né? Então... E aí
É um concept, um concept é uma ideia. Abstrai. Eles ficavam muito ideia fixa ali, nenhuma coisa só. Não, mas isso aqui tá me irritando, isso aqui não dá, isso aqui não sei o que, isso aqui não sei o que. Então eu comecei a, em algumas tarefas, né, eu comecei a controlar, sim, o meu estilo, assim, até não pensar muito que é o meu estilo, pensar que é tipo, tá, eu vou fazer de outra forma, vou reduzir um pouco o tanto de informação que eu coloco pra minha mensagem ficar mais clara.
Na hora de conversar com esses diretores, né? Trabalhando em equipe, né? Eu vejo bastante assim, né? Trabalhar pra estúdios é trabalhar em equipe. Então, você vai tentar ajudar da sua melhor forma. Mas eu não gosto muito de ficar totalmente afetado, assim, quando...
Alguma coisa não sai, eu fico, mas eu fico petado. Eu tento, mas eu fico puto. Algumas decisões não saem como eu gostaria que saísse. E é 90% das vezes, eu suponho. Tem muita gente tomando decisão e tal, e às vezes é uma coisa que fica meio feia.
E você tá na ponta inicial, né? Uhum. Ah, tem muita coisa. Muita coisa. Ultimamente tá bem mais... Na minha rotina, assim, tá bem mais forte isso que a gente tem. Reuniões quase todos os dias. Converso com muitas pessoas de vários departamentos de narrativa, de animação, de...
De level design, de gameplay. Então, acaba que vai diluindo a coisa de desenho bonito. É tipo, desenho... É pra ser bonito, sim, mas... Às vezes não. Às vezes é pra mostrar e informar uma coisa. Uma mobilidade do personagem. Habilidade. Algum sistema que a gente vai fazer pro personagem ter várias roupas diferentes. Tipo, tem inúmeros...
Inúmeros problemas que a concept art resolve, assim, que vai além de você terminar a semana, né? Terminar o mês com uma arte bonitona que ninguém vai usar. Sabe? Eu vou usar num slide, porque tá bonito. E eu vou usar ali... Fundo de tela. Fundo de tela, exatamente.
Um exercício também isso, de maturidade. E de você reconhecer que você tá trabalhando em equipe, a sua arte, ela vai servir pra muitas coisas. E vai ter o momento de você fazer um polimento massa, assim. Com certeza acontece bastante, bastante. Tem que desapegar bastante. Tem, tem. Tem que ficar bem aberto. É porque quando você faz uma arte pra ela ser útil pra alguma coisa, automaticamente você já tá se limitando, né? Em vários níveis.
Sim, sim. Imagina que você vai usar o mesmo processo do trabalho pessoal para uma arte de trabalho, com certeza tiro no pé. Tipo, até o tempo não dá. Demora muito a arte... Você precisa de muito mais tempo para a arte pessoal do que para a arte do trabalho. A arte do trabalho é mais pensado, assim, mais racional, às vezes, mais...
inteligente, enquanto a arte do... a arte pessoal ela é um pouco mais intuitiva, um pouco mais emocional, um pouco mais sensação também de querer usar uma técnica legal ali. E aí se você ficar pirando muito desse lado, assim, meio artesanal, você acaba perdendo o lado do designer. E aí mistura as coisas e não é legal. Então eu gosto de meio que separar esses dois lugares.
Faz sentido, até por causa do lance que você falou do se incomodar com... Mudar muito as coisas no processo, né? Da criação dos jogos. Quando você foca mais no lado designer resolver problema, arte pra trabalho, quando vem um feedback desse, do tipo, diminui, ou quando o jogo não sai como você gostaria visualmente, talvez não te afeta tanto, porque são caixinhas separadas. Tomara, às vezes me afeta.
Mas aí, vou conversar com algum amigo e tal, que tá passando pela mesma coisa. Ah, todos passam pela mesma coisa, né? A gente vai fazer conversa com vários. É difícil lidar com pessoas diferentes, né? Muitas opiniões também, jogo grande. É, e o mercado pauta muita coisa, né? No final das contas, a gente tem que tentar acertar o que vai vender, né? E aí, às vezes, isso pega também. Porque às vezes a gente não sabe literalmente o que vai vender. Aí, as decisões são baseadas em pesquisa de mercado e...
E inteligência artificial de público, de não sei o quê. E aí vira uma bagunça, assim, que eu discordo um pouco de várias coisas, assim, nesse sentido, mas... Você tá integrado no processo, né? O que é que você sozinho pode mudar, né? Posso fazer algumas coisas, não muito. Posso tentar conversar e fazer a diferença quando for o momento.
Mas em várias partes do processo eu tenho que adaptar meu trabalho pra ser mais designer do que artesão, assim, do que artista plástico e tal. Ferefas diferentes. Falando em artista plástico, uma das perguntas que eu tinha feito aqui é que eu sei que você andou experimentando com arte tradicional. Yes. Yes. E aí, como é que foi? Por quê? Tá rolando menos porque eu me sujo muito com pintura a óleo e é um cheiro forte. De novo, uma criança. Ah, não, mas a pintura a óleo não vai dar, né? Diluente.
Exato. Aí quando o Joaquim nasceu, eu parei de fazer pintura óleo porque eu ficava com a mão toda suja de tinta, assim. Eu não sou muito bom em organizar pincel, né, e tal, aí tipo, tudo sujo. Aí eu descia, tipo, tem um ateliê em cima, assim, até o interruptor, assim, de luz, é tudo manchado de dedo de tinta, assim. Aí eu descia lá pra baixo e eu ia deixando um rastro de tinta na casa.
Aí eu fui pra outras... Eu tô mais no desenho, assim. Artes mais limpas. É, mas um pouquinho mais limpo, que seca um pouquinho mais rápido. Menor também. Porque o último quadro que eu fiz, eu fiz um empasto, né? Que é você pegar muita tinta e fazer camadas de tinta mesmo. Então isso é muito difícil, porque demora muito tempo pra secar, né? Demora muito. Acho que deve estar lá molhado até agora, seis meses.
Aí a última que eu fiz era desse tamanho, bem grandão, né? Aí agora tô fazendo folhas pequenas, assim, de algumas mais desenhos e pintura acrílica.
Mas foi bem legal esse período de arte tradicional. Foi porque foi no momento que eu tava morando em Londrina. E aí eu fiz amizade com um artista de lá, que é o Gil Ribeiro. Ele é mais velho, assim, um velhinho. Muita gente boa, cheio de experiências de vida, assim. E aí eu ia no ateliê dele pintar. Eu conheci ele quando ele...
Ele divulgou o modelo vivo, né, que ia ter lá no estúdio dele. E desde então, enquanto eu morava em Londrina, toda semana eu ia lá pintar. Aí aprendi com ele coisas muito básicas de pintura tradicional. Tipo, ah, você misturar isso com isso, dá isso.
E era bem legal, porque eu era muito ruim, assim, com pintura tradicional. Tipo, eu já trabalhava com... Frustração imensa. Com pintura digital. E sabia os fundamentos de pintura digital, né? Mas eu lembro, trabalhando com solvente, assim, teve uma hora que eu passei muito solvente, aí eu passava na tela, aí a tela limpava, aí ficava mais claro, em vez de ficar mais escura. Porque limpava a tela, porque quebrava os pigmentos e ia escorrendo, assim, né? Eu não entendia nada.
Aí foi muito bom. Foi muito bom. Ele é tipo mestre, assim, o aprendiz, né? Era bem legal esse período. Eu fiz vários quadros. Vários quadros do... Aprendendo, fazendo.
Eu acho que talvez isso também seja... Às vezes as pessoas têm esse... Isso que você tava falando, né? Tipo, ah, não tenho mais energia pra fazer nada depois que eu fiquei tantas horas pintando. Às vezes mudar de mídia, sair do computador ajuda bastante, né? Você... Ajuda muito. Flipar o cérebro, assim, do tipo... Não estou numa tela, vamos aqui para o papel, vamos aqui para outras, né? Tintas físicas. Sim, sim. E até acho que muda o seu trabalho digital também. Porque você acaba...
Às vezes tentando replicar alguma coisa que deu certo no trabalho tradicional ali no digital e vice-versa. Aí vai meio que se complementando. Mas eu não tento muito fazer o trabalho tradicional ser parecido com o digital. Que é bem diferente pra mim, assim. Ah, não dá pra pagar direito, né? Não tem Ctrl Z. Não dá.
Colocar highlight é a coisa mais difícil que você vai fazer na sua vida. Qualquer coisa que você vai colocar que é branco é impossível. É difícil mesmo. Principalmente se for aquarela, né? O branco tem que ser a folha. Mas falando de erros, vamos para os nossos quadros? Quadros? Quadros. Pequenos acidentes felizes. Alguma situação que você olhou na hora e falou meu Deus, isso aqui parecia um erro, uma coisa muito ruim, algo negativo.
Que depois que passou um tempo você falou nossa, até que foi bacana. Que bom que isso aconteceu. Alguma situação da vida, assim?
Pode ser da vida ou pode ser da arte. Tem muitos professores, né? Artistas bem experientes que falam que não é muito... Não é muito bom você tentar fazer um IP pessoal, uma propriedade intelectual sua, assim, né? Um mundo. Quando você tá no começo da carreira. Porque você vai ficar... Você não vai melhorar a técnica.
E vai ficar pensando muito em escrever e fazer coisas que não tem a ver com o que a indústria pede como técnica e tal. Ainda bem que eu confiei que era isso que eu queria fazer mesmo, assim. Tipo assim, eu não tenho experiência, mas eu vou tentar imaginar que eu sou um autor. Eu não sou um autor.
Eu não vou lançar um livro, eu não tô fazendo um filme, eu não tô fazendo um jogo. Eu não tô fazendo nada disso. Mas aí eu fingi que sim, e fui fazendo justamente muitas coisas que se refletem no meu portfólio até hoje. E pessoas, empresas bem grandes que eu nunca pensei em mirar, referenciam esse trabalho que eu fiz nessa época, porque eles querem algo parecido, assim.
Não visualmente, mas tipo, eles viram que eu consigo fazer... A construção da coisa. A construção, é. Então eu aprendi a construção, parecia que ia dar muito ruim, assim, parecia, pô, porque não deu certo o livro, o que eu faço agora? Catarse é o quê? Porque é meio difícil, assim, você saber exatamente o que tem que fazer pra lançar um produto próprio, ser um artista independente, né? Que não é o meu caso, eu trabalho pra uma... Eu trabalho pra Xbox, né, e tal. Então, a minha renda...
São essas empresas grandes. Mesmo eu não ter conseguido ser um artista independente, essa coisa acabou chamando a atenção do caminho que você percorreria se não fosse... Foi meio contra-intuitivo, né? Em vez de só melhorar a técnica, ficar bom em anatomia, cor, luz e tal.
Eu fiz a minha historinha e aí eu fiquei bom nessas coisas sem querer, né? Tipo, eu fiquei bom nessas coisas automaticamente porque eu precisava usar essas coisas pra comunicar as minhas histórias. Sim. Então, o jeito que minha cabeça funcionou nesse sentido é tipo, eu vou desenhar coisas que eu me importo e que eu vou prestar atenção do começo ao fim.
E postar online e tal. Sim. Eu vejo que você não tem medo de postar as coisas. Você me parece mais tranquilo com isso, assim. Porque você é mais solto, assim, com essa avaliação externa. Mas acho que faz todo sentido isso que você está falando também. Porque é como se você... Ah, eu quero construir isso aqui. Do que eu preciso de conjuntos de ferramentas, técnicas, habilidades para eu chegar nisso aqui? E aí vai desenvolver isso com uma finalidade, né?
E não o contrário. Tipo, eu tenho um conjunto de técnicas e ferramentas. E agora o que eu faço? E aí vai começar.
com isso. É, pra mim eu fico muito... Que é um problema muito constante agora, né? Muita gente que tem muita habilidade técnica, mas aí a arte não diz muita coisa. Acho bem importante coisa, trabalho pessoal e tal, até por você poder criar o seu próprio...
portfólio, né, ao longo do tempo, mostrar o que você quer fazer, se manter relevante, assim, mostrar que você tá tentando comunicar alguma coisa. É, ter autonomia nesse sentido, porque, tipo, já estudava sozinho algumas coisas. O simples fato de eu poder criar o meu próprio trabalho também, né, e não ser só um produto do meio, assim, é um produto das empresas, eu achei importante também.
manter até hoje, assim. Ah, você falou não, mas... Acho que acho mais perfis de artistas, assim. Também tem um artista que vai querer trabalhar com uma coisa bem técnica, assim, que não é pra pensar em coisa de história. Beleza, tudo bem. E aí, ele vai ser muito bom, né? Um excelente designer, um desenhista excelente também. E pode até alcançar um caminho parecido, tipo, chegar num lugar parecido, né? Indo pra outra coisa. Por outra via.
É, acho que sim. Mas acho que pra mim o que mais funcionou foi esse jeito mesmo. É. Na literatura também falam coisas parecidas. Tipo assim, ah, nunca publico um livro antes de você ter 30 anos, porque você vai se arrepender. É, várias dicas sobre livros. Você vai se arrepender, porque você é muito imaturo ainda, você não tem, sabe, o que é necessário. A pessoa nunca publicou um livro.
nunca, até o final. É, esse que é o problema. Você podia ter levado isso pra, tipo assim, ah, né, não faça assim, não construa sua IP, daí você não ter feito nunca. Sabe? Nunca se sentir pronto. Realmente, melhor ter feito antes. Acho que sim. Próximo quadro, Ctrl-S ou Ctrl-Z, tá fácil, né? Coisas que você salva, coisas que você deleta. Vou falar uma coisa e você vai dizer se é Ctrl-S ou Ctrl-Z. Uhum, já veio na minha mente algumas coisas que eu queria deletar. Pronto. Tem um estilo muito definido.
tem um estilo muito definido, eu deleto. Caraca. Porque senão você fica muito fechado a... É, muito fechado. E tudo que eu falei até agora no podcast não foi sobre ficar fechado a uma coisa. Foi, tipo, desde o trabalho até a carreira pessoal, assim, era sobre se abrir mesmo pros momentos presentes.
E deixar mudar as coisas, né? Estilo também vai com mudança, mais do que definir alguma coisa. E é isso e acabou. Talvez minha arte mude bastante ainda. E não tem problema. Com certeza. Você vai mudar bastante ainda, não tem como sua arte não mudar também, né? Uhum. Mudar completamente de estilo. Aham. Sim, quero. Trabalhar só com estudos grandes. Teleto também, tem muitas oportunidades diferentes. Pintura tradicional.
Salvo também. Pintura digital. Salvo. Arte mais conceitual. Uhum. Salvo. Arte mais comercial. Salvo também. Dá meu emprego, né? Eu preciso salvar. Eu preciso pagar minhas contas. Trabalhar de madrugada. Não, não, não. Café. Café, nossa, melhor coisa. E o último, trocar fralda. Trocar fralda, sim. Eu troco a fralda em um minuto, não, 30 segundos. Caraca, cronometrado, assim. Vocês competem? Vê quem troca a fralda mais rápido? Não, eu troco mais rápido.
inteligência artificial, deleto eu queria que não existisse nem ia colocar essa, porque quanto menos a gente consegue falar sobre a nesse podcast, melhor a não ser nos episódios que são específicos disso e então, olhando pra sua trajetória até aqui, o que você ainda quer fazer como artista assim, na sua parte de trabalho pessoal tipo assim, nossa, eu gostaria muito de fazer um livro
Fazer um jogo. É, eu acordei hoje pensando em algumas coisas. Algumas? Aham. É, direto vem, né? A vontade e tal. É difícil essa pergunta, porque se você fala o que você quer fazer, aí vem a dopamina de que você não precisa fazer ela, né? Não, mas não precisa falar muito, não estende, só joga. Eu quero, com certeza, continuar trabalhando, tipo, colaborando com a minha visão de arte, assim, pra jogos, né?
gostei muito da experiência de trabalhar com South of Midnight na Compulsion que foi um jogo bem impactante, ganhou o prêmio do The Game Awards de jogo mais impactante assim então tem essa parte e eu quero ainda estar em progresso um livro pra pelo menos tentar fechar um pouco
universo ali de solitude, porque eu trabalhei de 2019 até 2023, 2024, ali, desenhando coisas só sobre esse mundo, né? Então, tô fazendo testes ali de arte pra livro e tal. Tá em progresso no momento. Tenho... Você já tem um editor?
Eu tô precisando de alguém pra traduzir. Depois a gente vai começar. Já me deu ideias. Tenho ideias. Tem pessoas aqui em Curitiba que trabalham com isso. Vão adorar o projeto. Ah, que legal. Nossa, preciso.
Você falou que você tá meio off das redes sociais, mas quem quiser ver o teu trabalho mais profundamente. Às vezes, como eu tô bem off de redes sociais, assim, às vezes eu baixo o Instagram no meu celular, uso por 10 minutos, posto um desenho e excluo de novo. Então, meu Instagram é BragatoArte. Às vezes eu posto uns sketches lá, umas experimentações que eu tô fazendo.
Quando eu trabalho com projetos maiores, eu posto Nord Station, LinkedIn. Também às vezes tem algumas coisas de trabalho que eu posto lá, mas é meio chato. A rede social, o LinkedIn, também não uso muito. Eu espero que vocês tenham curtido esse papo com o Bragato sobre estilo e outras coisas mais. Talvez tenha ficado um papo filosófico. Espero que vocês continuem essa conversa nos comentários pra gente destrinchando alguns temas aqui.
Porque tem algumas perguntas que eu queria fazer em alguns momentos. Eu fiquei tipo, a gente vai falar três horas sobre isso aqui se a gente puder esse filme.
Se vocês curtiram, compartilhem esse episódio com os amigos de vocês. Manda pra aquela pessoa que você sabe que tem essas questões existenciais também. É importante. E não deixem de seguir o podcast tanto aqui no YouTube quanto no Spotify. Obrigada, Gabi. E seja sempre bem-vindo quando você quiser voltar agora que você mora aqui. Espero que eu... É, então. Tô bem pertinho aqui. Dez minutinhos. Valeu, pessoal. Tchau, gente. Espero que vocês tenham curtido o episódio. Até a próxima sala 1604. Tchau.
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